Ao observar o gráfico que relaciona desempenho médio em matemática na educação básica com PIB per capita, fica evidente uma verdade incômoda: países ricos não são ricos por acaso. Existe uma correlação direta entre domínio matemático da população e capacidade de gerar riqueza sustentável.
Os países posicionados no quadrante superior direito — onde coexistem altas notas em matemática e alto PIB per capita — não chegaram ali por assistencialismo, subsídios pontuais ou políticas populistas. Chegaram porque, ao longo de décadas, investiram pesado na educação básica, especialmente em matemática, lógica, abstração e resolução de problemas. Esses países formam cidadãos capazes de pensar, planejar, projetar, inovar e tomar decisões baseadas em dados.
Matemática não é apenas sobre números. É sobre raciocínio estruturado, capacidade analítica, previsibilidade, engenharia, ciência, tecnologia, produtividade e competitividade global. Economias modernas não crescem com discursos, crescem com capital humano bem formado.
O gráfico também deixa claro que transferência de renda sem formação intelectual não gera riqueza per capita. Países que permanecem no quadrante inferior esquerdo mostram que, sem uma base educacional sólida, o crescimento é limitado, frágil e dependente de fatores externos.
Existem exceções aparentes, como Emirados Árabes Unidos e Catar, que apresentam alto PIB per capita apesar de desempenho educacional modesto. Mas essas nações não são referência estrutural, pois sua riqueza deriva majoritariamente de recursos naturais escassos e não replicáveis, como o petróleo. Esse modelo não cria conhecimento, não escala inovação e não é sustentável no longo prazo.
O Brasil aparece abaixo da média da OCDE em matemática e, não por coincidência, distante dos países mais prósperos. Se quisermos competir globalmente, aumentar produtividade e gerar riqueza per capita real, não há atalhos: o caminho passa obrigatoriamente pela educação básica de qualidade, com matemática no centro da estratégia.
Nenhuma nação ficou rica distribuindo dinheiro. As nações que prosperam distribuem conhecimento.
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