sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Eli Moreno (https://www.linkedin.com/in/eli-moreno)

 Caso Master

QUANDO INVESTIGADOR E JUIZ SE CONFUNDEM
Dias Toffoli não se contenta em ser o relator do caso Master, conduz e direciona os depoimentos de envolvidos e coloca a autoridade monetária no banco dos réus.

Conteúdos adaptados de Estadão e O Globo
A pedido do ministro do STF, a Polícia Federal ouviu Daniel Vorcaro, dono do Master, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, que foi dispensado da oitiva. Foram quase oito horas entre a coleta dos depoimentos e a acareação dos dois investigados.
Antes do início dos depoimentos, a delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo e o juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek se desentenderam sobre a condução do ato processual, quando a delegada da PF buscava autonomia para fazer os questionamentos que julgava adequados. No entanto, Adamek buscava direcionamento nas perguntas, seguindo um roteiro produzido por Dias Toffoli. Frente a resistência de Palazzo, Adamek ligou para o ministro que prontamente determinou que os depoimentos seguissem o roteiro por ele definido, cerceando a liberdade plena de investigação da PF.
Na visão de pessoas envolvidas no processo, o direcionamento de Toffoli configuram uma inversão da ordem jurídica, já que o próprio ministro passou a conduzir as investigações, passando por cima da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Restam, então, conhecer os efeitos do direcionamento, do quanto atendeu aos interesses do ministro investigador e do quanto a PF deixou de cumprir o seu papel na investigação.
Segundo o Globo, Toffoli orientou Adamek para que o banqueiro Vorcaro avaliasse a atuação do Banco Central, com objetivo de “AVALIAR a eficácia da supervisão do BC”, a “tempestividade de sua atuação” e verificar “se houve demora injustificada do regulador que permitiu a continuidade da fraude”. Uma clara inversão de propósito, visto que não é o Banco Central o agente investigado e sim Vorcaro, na condição de gestor do Banco Master.

Só depois de dar a Vorcaro a chance de avaliar a atuação do BC é que Toffoli passa às perguntas voltadas aos detalhes da fraude financeira para simular a concessão dos créditos vendidos ao BRB.
Em outro trecho, Vorcaro foi indagado se o BC alertou o BRB sobre as primeiras evidências de falta de lastro nas carteiras de crédito oferecidas pelo Master e se o regulador “falhou em seu dever de supervisão prudencial”. Um claro interesse de encontrar irregularidades na conduta do Banco Central, visto que valoriza mais a AVALIAÇÃO de Vorcaro do que as informações já prestadas ao TCU e ao próprio STF.

O BC investigado, Vorcaro como avaliador das condutas.

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