domingo, 4 de janeiro de 2026

Doutoramento na China

 


Universidades chinesas como o Instituto de Tecnologia de Harbin começaram a mudar a lógica do doutoramento: em vez de exigir apenas uma tese clássica, alguns programas já aceitam tecnologias reais e operacionais como resultado final.


Não é sobre escrever mais.
É sobre construir.

Sistemas, protótipos, soluções aplicadas: coisas que funcionam fora do PDF.

Isto contrasta com o padrão dominante no Ocidente, onde o doutoramento ainda é medido sobretudo por papers, citações e prestígio académico.

Na China, o critério começa a deslocar-se: valor é aquilo que se traduz em capacidade prática.
E isto não acontece por acaso.

O país está a apostar em áreas tecnológicas críticas e precisa de investigadores capazes de transformar conhecimento em produção, inovação e autonomia.

Não basta compreender, é preciso executar.
Não basta argumentar, é preciso entregar.

Com isso, a universidade deixa de ser apenas um espaço de validação intelectual e passa a ser parte ativa da estratégia nacional de inovação.

O doutoramento, nesse modelo, deixa de ser o fim da teoria. Torna-se o começo de algo que vai para o mundo.

No fundo, a China parece estar a responder uma pergunta que muitos evitam: para que serve formar doutores hoje?

E talvez a mensagem seja dura, mas clara: numa corrida tecnológica, o conhecimento que não vira capacidade fica para trás.

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