Universidades chinesas como o Instituto de Tecnologia de Harbin começaram a mudar a lógica do doutoramento: em vez de exigir apenas uma tese clássica, alguns programas já aceitam tecnologias reais e operacionais como resultado final.
Não é sobre escrever mais.
É sobre construir.
Sistemas, protótipos, soluções aplicadas: coisas que funcionam fora do PDF.
Isto contrasta com o padrão dominante no Ocidente, onde o doutoramento ainda é medido sobretudo por papers, citações e prestígio académico.
Na China, o critério começa a deslocar-se: valor é aquilo que se traduz em capacidade prática.
E isto não acontece por acaso.
O país está a apostar em áreas tecnológicas críticas e precisa de investigadores capazes de transformar conhecimento em produção, inovação e autonomia.
Não basta compreender, é preciso executar.
Não basta argumentar, é preciso entregar.
Com isso, a universidade deixa de ser apenas um espaço de validação intelectual e passa a ser parte ativa da estratégia nacional de inovação.
O doutoramento, nesse modelo, deixa de ser o fim da teoria. Torna-se o começo de algo que vai para o mundo.
No fundo, a China parece estar a responder uma pergunta que muitos evitam: para que serve formar doutores hoje?
E talvez a mensagem seja dura, mas clara: numa corrida tecnológica, o conhecimento que não vira capacidade fica para trás.
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