Sobre a Venezuela, o resumo da ópera é o seguinte: num país democrático, o poder emana do povo. Entre nações a conversa é outra: o poder emana da força.
O problema é que o uso da força tem um custo — em dinheiro, em vidas e na imagem internacional do país que opta por esse caminho. Além disso, esse tipo de decisão pode desencadear reações contrárias e escalar para conflitos maiores, como já vimos tantas vezes na história.
Acontece que, hoje, a porra da maioria dos países é autoritária. Não estão nem aí para o direito internacional. Ponto. No mundo ideal, teríamos as nações mais poderosas dando suporte, com poder militar, ao cumprimento da legislação internacional. Mas o problema é que, entre essas potências, sempre coexistiram democracias e regimes autoritários. Nunca foi possível, portanto, construir consensos duradouros em favor de um mundo regido por regras internacionais, baseadas na democracia.
O que sobrou foram cartas de boa intenção que, no final, só servem para hipócritas — como Lula, aiatolás e Putins da vida — ficarem arrotando soberania enquanto promovem ou dão sustentação à barbárie ao redor do mundo.
Durante décadas, as democracias liberais, capitaneadas pelos EUA, tentaram construir um arcabouço de leis internacionais que garantisse o mínimo de estabilidade global. Durante todos esses anos, a porra da esquerda torceu o nariz para essa tentativa, pois sempre esteve mais interessada em promover as famigeradas ditaduras do proletariado e demonizar o único império da história da humanidade que, desde que assumiu a liderança, nunca anexou um único quilômetro quadrado ao seu território. Quando os equerdistas hipócritas perceberam que estavam apostando numa miragem, o comunismo, mudaram o foco para o identitarismo, radicalizando pautas liberais, deturpando-as com os mil identitarismos e, mais recentemente, apostando na globalização da intifada contra a única democracia liberal rodeada por ditaduras muçulmanas.
Portanto, não me venham agora posar de democráticos.
Pela primeira vez em décadas, os EUA têm um presidente que está cagando para a ONU, assim como a esquerda esteve por décadas, quando passava pano para a nação mais imperialista da história: a Rússia. Se esse sujeito chegou ao poder justamente na nação que capitaneou o mínimo de ordem que o mundo conheceu em milênios, a culpa é principalmente da esquerda hipócrita, que nunca falou um pio sobre as invasões de Putin na Chechênia, na Geórgia e, agora, na Ucrânia.
Enquanto vcs destilam hipocrisia, os venezuelanos, na Venezuela e espalhados pelo mundo, na maior diáspora do mundo conteporâneo, comemoram.
O que vem daqui por diante? Não sei. Só sei que se houvesse uma disposição dos mais poderosos em tirar do poder tiranos que oprimem seus povos o mundo seria um lugar bem melhor.
Ah, sim, tem o petróleo e blá blá blá. Pois é. Como disse no início, tudo tem custos. Os EUA certamente vão querer compensar os bilhões gastos na operação e, claro, na restituição das empresas norte-americanas confiscadas pelo chavismo. Realpolitik
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