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*Mercado entra em 2026 com margem menor para erro*
_Cautela impera na Faria Lima desde o início de dezembro, quando Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura à Presidência_
Por Victor Rezende, Valor — São Paulo
Não estava nos planos nem do próprio mercado o bom desempenho que os ativos domésticos exibiram no ano passado. E, pelas pistas dadas nos últimos pregões de 2025, a aposta majoritária parece ser a de continuidade do rali no Brasil. Ao menos no curtíssimo prazo.
A forte valorização nominal da bolsa brasileira e a expressiva queda do dólar frente ao real nem de perto eram eventos esperados. Na virada de 2024 para 2025, o mais otimista dos agentes esperava que o Ibovespa terminasse o ano em 153 mil pontos — um erro de 8 mil pontos em relação ao nível de fechamento. No câmbio, a expectativa mediana do mercado
O consenso formado no fim de 2024 não apenas subestimou o potencial de recuperação dos ativos locais como superestimou a persistência — e agravamento — dos riscos domésticos.
Claro, o cenário externo foi determinante para consolidar um ambiente positivo para os mercados emergentes e isso não estava na conta dos mercados globais como um todo. Mas, para o início deste ano, a aposta parece ser, novamente, na continuidade, ainda que com um grau de cautela adicional nos mercados domésticos diante dos riscos eleitorais, que já começaram a se materializar nos preços dos ativos financeiros.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, anunciada subitamente em 5 de dezembro, escancarou o quanto os agentes estão focados neste tema. Mas, embora a eleição já tenha começado a ser precificada, há uma visão de que pode haver espaço neste começo de ano para uma retirada de parte dos prêmios que foram embutidos nos ativos domésticos em dezembro. Isso, claro, apostando na permanência de um ambiente externo mais tranquilo e na ausência de ruídos políticos mais intensos neste começo de ano. Uma corda bamba.
Ainda que o último pregão do ano seja, em geral, marcado por ajustes técnicos de posições devido à formação da Ptax no câmbio e ao vencimento de títulos prefixados na renda fixa, ele pode ter apontado que o mercado está aberto a testar esse cenário mais positivo. Isso porque os ativos domésticos ficaram, de fato, para trás em relação aos pares desde o “Flávio Day”.
“O sentimento continua construtivo. É verdade que dezembro trouxe sua cota de surpresas, mas nenhuma delas foi grande o bastante para descarrilhar o cenário base de um corte de juros iminente”, avalia um trader da tesouraria de um grande banco local.
“A corrida eleitoral de 2026 já está no radar dos investidores, mas chama atenção o quanto as mesas locais são mais pessimistas em relação a um eventual resultado de esquerda do que os estrangeiros. E esse diferencial vai ser importante quando a volatilidade voltar. Mas, por ora, o Brasil segue oferecendo um ‘carry’ atrativo e o pano de fundo global para emergentes permanece benigno”, diz. “É por isso que estou moderadamente otimista para o início de 2026.”