sábado, 24 de janeiro de 2026

Joaquim Levy

 


As gerações se sucedem (2)


Várias foram as gerações de hashtagteorias monetárias desde os anos 1970. A começar pelas que trouxeram as hashtagexpectativas hashtagracionais e os modelos microeconômicos de equilíbrio geral com hashtagotimização da utilidade do consumidor representativo.

Os modelos Novo Keynesianos permitiram expressar as convicções hashtagkeynesianas--inclusive a de que o equilibrio entre oferta e demanda de moeda é afetado pelos juros-- usando esse instrumental microeconômico.

Essas gerações trouxeram
entendimentos valiosos, mas como esses modelos implicam na antecipação de expectatívas, eles podem exigir hipóteses fortes para selecionar trajetórias estáveis para as variáveis relevantes. E deixam indagações sobre em que medida suas previsões se encaixam com a hashtagevidência empírica. Além disso, sua construção, ao simplificar a realidade para identificar quais os fatores chave para a dinâmica entre variáveis macroeconómicas (e.g., preços e atividade) pode deixar de lado elementos relevantes nas economias modernas, como os hashtagbancos.

No hashtagBrasil, onde temos a singularidade de taxas de juros bastante altas comparadas com as de outros países, a teoria monetária ainda precisa responder a idiossincrasias muito nossas. É provável que a política hashtagfiscal, com um gasto público/PIB relativamente alto em relação a outros países tenha um papel naquelas taxas, ainda que em termos de geraçâo de saldo da arrecadação menos despesas excetuadas com hashtagjuros (resultado primário) nosso desempenho não seja tão ruim.

A volatilidade do hashtagcâmbio e seu impacto na inflaçâo, e a hashtaginércia de alguns componentes da inflação, que pode exigir uma hashtagcontração monetária forte e prolongada, podem criar uma grande demanda de hedge contra os efeitos dessa contração no valor dos ativos de renda fixa com rendimentos pré-fixados. Papéis hashtagpósfixados, cujo rendimento varia com a hashtagSelic, seriam um instrumento para obter esse hashtaghedge, na visão de algums economistas. E, na percepção de uns tantos, começando pelo saudoso prof Affonso Pastore, essa proteção acaba diminuindo o poder dos juros contra a inflação, ao excetuar investidores do "efeito riqueza" negativo trazido pelas altas de juros: essas teriam quer ser maiores, já que a subida da Selic aumentaria o rendimento desses papéis e a demanda doméstica.

Há argumentos pró e contra essas teses, tanto quanto à exata transmissão da política monetária nos modelos Novo Keneysianos, quanto ao impacto da dívida pós fixada no "poder dos juros". Uma das teorias mais radicais a esse respeito é a Teoria Fiscal do Nível de Preço (hashtagFTPL) que atribui papel preponderante à trajetória fiscal futura do governo, em detrimento dos juros do Banco Central em determinar aquele nível ou mesmo sua dinâmica.

Ainda há espaço para inovações na teoria monetária. Ou como diria o Horácio em Shakespeare, há mais entre o céu e a terra do que alcança nossa imaginação.

O artigo anexo do Valor Econômico fala um pouco sobre isso de uma forma que alguns acharam poética. Boa leitura!

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