terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Claudio Conceição

 Estamos fadados a ser um país de renda média

Minha geração sempre teve a esperança de que o Brasil se tornaria um país rico. Esse sonho começou a desmoronar com a crise da dívida externa nos anos 80, que derrubou a produção, gerou desemprego, queda da renda. O Brasil que era importador de capital, tornou-se exportador líquido de capital, os investimentos em relação ao PIB caíram de 24,2% em 1980 para 16,2% em 1989, e o endividamento externo cresceu significativamente chegando a US$ 300 bilhões em 1982, com o PIB negativo por alguns anos.

Mas o tiro de misericórdia nesse sonho foi dado com o Plano Real. A economia se estabilizou, a inflação foi domada – em 1984 ela chegou aos 239% -, mas o tão esperado crescimento sustentável não veio. Até hoje temos oscilações nas taxas médias de crescimento, para cima ou para baixo. Aí percebemos que estávamos fadados a ser um país de renda média, como comenta Samuel Pessoa, pesquisador associado da FGV IBRE e do BTG Pactual no bate-papo desse mês da Mais Nordeste que circula no próximo dia 10 de fevereiro.

Ao longo dessas décadas acumulamos problemas que se tornaram estruturais, à semelhança do que acontece na América Latina, que nos levaram a essa armadilha da renda média. Temos uma baixíssima taxa de poupança – em 2014 foi de 14,5% do PIB, a mais baixa desde 2019 -, o que encarece obras de infraestrutura.

Temos uma má alocação de recursos que, em função da legislação, mantém empresas pouco produtivas no mercado, penalizando as mais produtivas. A péssima qualidade da rede pública do ensino fundamental cobra seu preço gerando trabalhadores de baixa qualificação, jogando para baixo a produtividade do trabalho no país. Segundo o Observatório de Produtividade Regis Bonelli do FGV IBRE a produtividade do trabalho no Brasil cresceu somente 0,1% em 2024.

Outro ponto que Pessoa menciona no nosso bate-papo, são os ciclos econômicos muito intensos e a amplitude desses ciclos. Ou seja: não há um crescimento contínuo da economia.

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