quinta-feira, 6 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 0603

 *TRUMP MANTÉM MERCADOS NO MODO “BARATA VOA”*

*Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


Quinta-feira, 6 de Março de 2025.


… A disposição dos líderes europeus de ampliar os gastos para reforçar as defesas militares, a partir da percepção de que não devem mais contar com os EUA como aliado da OTAN, eleva as expectativas para o BCE. O consenso para a reunião desta 5ªF (10h15) é de um novo corte do juro na zona do euro (de 2,75% para 2,50%), mas a mensagem na entrevista de Lagarde (10h45) pode ser de maior cautela. Já em NY, às vésperas do payroll, dados mais fracos do relatório ADP estimularam as apostas em uma queda de 75pbs da taxa americana este ano, o que levou o dólar a derreter. Enquanto isso, o jogo de Trump com as tarifas mantém os mercados no modo “barata voa”. Ontem, as incertezas favoreceram o real, com o câmbio negociado na faixa de R$ 5,75, e queimaram prêmio na curva de juros. Hoje, é outro dia.


… A volatilidade virou rotina e ninguém sabe para que lado vai virar no próximo lance do imprevisível presidente dos Estados Unidos.


… A decisão de conceder isenção de um mês às três grandes montadoras (Ford, GM, Stellantis) foi considerada pela Capital Economics um “tanto decepcionante”, já que os sinais dados pelo secretário de comércio, Howard Lutnick, eram de um alívio mais amplo.


… Mais uma vez, o entusiasmo com a medida considera que essa pode não ser a palavra final de Trump, que, segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, está “aberto a ouvir sobre isenções adicionais”. Assim, o mercado vai vivendo um dia de cada vez.


… No balanço da maré, resta ao investidor se apegar aos dados econômicos, que são mais confiáveis. E nesta semana, são os números do emprego que estão servindo de bússola para calibrar as expectativas sobre os juros americanos.


… Nesse sentido, o relatório ADP, nesta 5ªF, deu força para quem acredita que o Fed agirá com mais ousadia neste ano, com um corte de 75 pontos-base. A criação de 77 mil vagas no setor privado em fevereiro veio bem abaixo da previsão da FactSet (+143 mil).


… A ferramenta do CME Group projeta a retomada das quedas do juro, que já foi postergada até setembro, no Fomc de junho, em 83%. A probabilidade de manutenção dos juros em 2025, até outro dia no cenário, está agora quase zerada, em apenas 1%.


… A perspectiva de juros mais baixos animou as bolsas em Wall Street, junto com os índices de atividade que tiveram quedas menores do que o esperado, com o PMI de Serviços se mantendo em território de expansão (51 em fevereiro) e o ISM avançando a 53,3.


… Também o Livro Bege, divulgado à tarde, ajudou a sustentar o bom humor, citando leve aumento na atividade em janeiro nos EUA. No pano de fundo, completou o quadro o sentimento de wishful thinking de que Trump ainda estaria blefando com as tarifas.


O BRASIL E AS TARIFAS – A uma semana da data para os EUA efetivarem a sobretaxa de 25% no aço (12/03), o presidente executivo do Instituto Aço Brasil espera que o País consiga recompor o acordo de cotas de exportação fechado em 2018 com os americanos.


… Ao Broadcast, Marco Polo de Mello Lopes manifestou confiança na conversa que o vice Geraldo Alckmin terá hoje com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. A reunião por videoconferência está agendada para o final da tarde (17h30).


… O setor siderúrgico aposta na função estratégica que o aço brasileiro exportado exerce na indústria dos EUA para manter o acordo, que permite a exportação anual de 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado e 687 mil toneladas de laminados, sem sobretaxa.


… No ano passado, das 5,6 milhões de toneladas de placas de aço importadas pelos EUA, 3,4 milhões de toneladas foram do Brasil.


… Como o produto é usado pela indústria americana e, portanto, complementar à produção de lá, o setor acredita que a gestão Trump irá reconhecer a importância econômica de manter o acordo fechado há praticamente oito anos.


… Outra carta na manga é a posição brasileira de grande importador de carvão siderúrgico dos EUA, que somaram US$ 1,4 bilhão no ano passado. No comércio dos principais itens da cadeia do aço, os dois países detêm uma corrente de comércio de US$ 7,6 bilhões.


… Segundo o Estadão, o governo Lula avalia que o foco dos EUA para aplicação de tarifas está no etanol e tende a não afetar, no momento, outros produtos agropecuários, como carnes (risco considerado baixo) e café (risco zero).


FRIGORÍFICOS – Já para o Goldman Sachs, uma escalada da guerra comercial entre EUA e China deverá trazer impactos para o setor de proteína animal na América Latina, com as tarifas chinesas sobre a soja americana impulsionando os custos de ração no Brasil.


… Neste caso, haveria um impacto negativo para a BRF. Em relação à JBS, a suspensão temporária das importações de carne bovina pela China representa menos de 5% do seu faturamento, que pode ser compensado redistribuindo as exportações por outras plantas.


… A tensão comercial se intensificou nos últimos dias com o anúncio das tarifas sobre produtos do Canadá, México e China, e a retaliação da China com tarifas entre 10% e 15% sobre produtos agrícolas norte-americanos, incluindo soja, carne suína e bovina.


… No caso das tarifas a produtos canadenses e mexicanos, o Goldman avalia que o impacto sobre o mercado de carne bovina americano deve ser limitado, uma vez que apenas 2% da oferta de gado dos EUA vem de fora do país.


… Entretanto, as represálias ainda não detalhadas do México podem afetar as exportações norte-americanas de milho e frango.


… O Canadá poderia potencialmente usar as exportações de petróleo e gás como alavanca nas negociações se as tarifas dos EUA sobre as importações canadenses aumentarem, disse a Ministra das Relações Exteriores canadense, Melanie Joly.


… O país está prometendo impor tarifas sobre importações americanas no valor de 155 bilhões de dólares canadenses, mas até agora não sugeriu que reduziria as exportações de commodities importantes para os EUA ou imporia tarifas sobre elas.


MAIS AGENDA – Dois dados fechados da inflação em fevereiro devem acelerar: o IPC-Fipe (5h), para 0,45%, contra 0,24% em janeiro, e o IPC-S (8h), para 1,21%, de 0,02%, segundo as medianas de pesquisa Broadcast.


… Às 12h30, o BC informa o resultado semanal do fluxo cambial. Os diretores do BC Diogo Guillen e Paulo Picchetti participam a partir das 9h30, em São Paulo, de duas rodadas de reuniões trimestrais com economistas.


… Tesouro faz leilões de venda de títulos prefixados, com oferta de LTN para 1º/10/2025, 1º/4/2027, 1º/1/2029 e 1º/1/2032, e para NTN-F, com vencimentos para 1º/1/2031 e 1º/1/2035. As quantidades serão divulgadas antes dos leilões (11h).


GLEISI – Disse ontem ao G1 que não ingressará no governo Lula para “guerra” e negou que entrará em rota de colisão com a agenda de Haddad. “Fui nomeada para cuidar da articulação política e garantir 2026 [eleição] e não da economia.”


LÁ FORA – Um dia depois da leitura fraca da pesquisa ADP, o auxílio-desemprego nos EUA (10h30) deve registrar queda de 7 mil pedidos, a 235 mil. Saem ainda a balança comercial/janeiro (10h30) e estoques no atacado (12h).


… Dois integrantes do Fed falam em eventos públicos: Christopher Waller (17h30) e Raphael Bostic (21h).


… Depois da coletiva do BCE, Lagarde discursa em vídeo gravado (12h35). O BC da Turquia decide juro às 8h.


LAVOU A ALMA – Quando até Trump ajuda, é grande a chance de dar tudo certo no mercado, que ainda contou ontem com os gatilhos adicionais de otimismo do ciclo de cortes do Fed e da meta ambiciosa do PIB na China.


… A sinalização da Casa Branca de aliviar, ainda que temporariamente (um mês), as tarifas sobre importações de veículos do Canadá e do México, dentro do acordo do USMCA, esvaziou a percepção de risco nos negócios.


… A consolidação da aposta de que o Fed vai retomar em junho o relaxamento monetário e que, no acumulado do ano, poderá cortar os juros em até 75pb também contribuiu para melhorar o clima entre os investidores.


… Para completar, a perspectiva do governo de Pequim de crescimento chinês de 5% este ano animou.


… O dólar voltou do Carnaval derretendo quase 3%, para a faixa de R$ 5,75, e afundando junto a curva do DI.


… Diante do combo positivo do dia, o real foi a moeda que mais subiu ontem no mundo. O dólar à vista fechou em baixa de 2,71%, cotado a R$ 5,7560, devolvendo boa parte de tudo o que avançou semana passada (+3,24%).


… Acompanhou o tombo em escala global. O índice DXY despencou 1,36%, aos 104,353 pontos, com Trump e a ADP. O euro saltou 1,60%, para US$ 1,0798, sob a pressão do aumento dos investimentos em defesa militar.


… A libra esterlina ganhou 0,84%, negociada a US$ 1,2897, e o iene subiu para 148,77/US$. A divisa norte-americana também levou a pior contra o dólar canadense (1,4343/US$) e o peso mexicano (20,3954/US$).


… Desarmados pelo alívio no câmbio, os juros futuros ignoraram o avanço dos rendimentos dos Treasuries e devolveram quase 30pb no trecho longo. O boletim Focus sem novidades nem sustos ajudou no ambiente leve.


… Jan/26 caiu a 14,785% (de 14,980% antes do carnaval). Todas as demais taxas voltaram a furar 15%: Jan/27, 14,765% (de 15,055%); Jan/29, 14,750% (15,045%); Jan/31, 14,840% (15,130%); e Jan/33, 14,820% (15,090%).


… Lá fora, o investidor dispensou o apelo pela proteção dos Treasuries e abriu espaço para as taxas subirem. O yield da Note de 2 anos foi a 4,001%, contra 3,932% na véspera, e o de 10 anos fechou a 4,279% (de 4,202%).


… As montadoras se destacaram nas bolsas em NY com altas expressivas. GM escalou 7,21%; Ford, +5,81%; e Stellantis, +9,24%. Mas o ânimo com o alívio temporário das tarifas nos automóveis pode ser posto à prova.


… Seja como for, na primeira leitura positiva e no impulso da perspectiva do Fed dovish, o Dow Jones subiu 1,14% (43.006,59 pontos), o S&P 500 ganhou 1,12% (5.842,63 pontos) e o Nasdaq, +1,46% (18.552,73 pontos).


… O Ibovespa quis ir no embalo, mas tudo o que conseguiu foi uma alta modesta de 0,19%, aos 123.035 pontos, com giro de R$ 20 bilhões, porque as perdas de quase 2,5% do petróleo roubaram o fôlego da Petrobras.


… Na sétima queda consecutiva, o papel ON desabou 4,61% (R$ 37,25) e PN, -3,65% (R$ 34,62). O Brent/maio caiu 2,44%, a US$ 69,30, com a retomada de produção da Opep+ em abril e os estoques maiores nos EUA.


… Além disso, as negociações para um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia, com a mediação dos EUA, voltaram ao radar após Volodymyr Zelensky indicar disposição de trabalhar sob a “forte liderança” de Trump.


… O recuo consistente da Petrobras ofuscou o bom desempenho da Vale (ON, +0,80%, a R$ 55,59), com a China mirando o alvo de crescimento de 5% este ano, e a performance positiva dos bancos, que subiram em bloco.


… Bradesco PN registrou +2,05% (R$ 11,47); Bradesco ON, +1,83% (R$ 10,55); Banco do Brasil ON, +1,68% (R$ 27,77); Itaú, +1,50% (R$ 32,40); e Santander engatou valorização de 1,43% (R$ 25,55), na máxima do dia.


EM TEMPO… LOJAS RENNER informou que o Grupo Schroders adquiriu 1.673.268 de ações da companhia, passando a deter 53.610.471 de ações ou 5,059% do total.


EZTEC. BlackRock reduziu participação na companhia de 5,18% das ações ON para 3,43% do total, passando a deter 7.582.246 de papéis do tipo.


ENEVA, por meio da Parnaíba II Geração de Energia, recebeu aval para operar comercialmente unidade geradora 3, de 92,25 MW de potência, da usina termelétrica MC2 Nova Venécia 2, em Santo Antônio Lopes, no Maranhão.

News 0603 2

 NEWS - 06.03


Taxação deve levar em conta dividendos e impostos de empresas / Governo se inspira em modelo conjunto da OCDE, como parte da reforma do IR que pretende enviar em breve ao Congresso- Valor 6/3


Lu Aiko Otta / Guilherme Pimenta


Para passar a cobrar Imposto de Renda sobre dividendos, o governo vai se inspirar no modelo utilizado na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse ao Valor um integrante da equipe econômica. Lá, os impostos pagos pela empresa e aqueles recolhidos sobre dividendos são considerados de forma conjunta.


Essa medida é parte da reforma do IR que o governo pretende enviar em breve ao Congresso. O centro da proposta é a elevação do limite de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para R$ 5 mil.


Esse aumento provocará perda de arrecadação da ordem de R$ 35 bilhões, o que será compensado com a instituição de taxação mínima de até 10% para os que ganham mais de R$ 50 mil ao mês - aí incluídas todas as rendas, inclusive dividendos.


A fonte comentou ser muito comum os países analisarem em conjunto a tributação da fonte pagadora (a empresa) com a tributação de quem recebe (o sócio). “Faz sentido”, disse.


As pessoas de renda mais elevada recolhem pouco imposto como pessoa física no Brasil, se comparadas aos assalariados, que são tributados na fonte, disse. Mas, explicou, existe a taxação da empresa, que precisa ser levada em conta. Quando isso é feito, a tributação dos ricos não é tão baixa assim.


O Valor ouviu tributaristas para saber como a OCDE cobra impostos sobre dividendos. “Existem vários modelos possíveis”, disse Daniel Loria, sócio do escritório Loria Advogados e ex-diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert). Ele disse não saber como a Receita Federal vai acoplar regras da OCDE à reforma do IR.


No geral, afirmou, os países taxam a distribuição de dividendos, mas concedem um crédito tributário pelos impostos pagos pela empresa da qual a pessoa é proprietária ou sócia. Se o modelo fosse aplicado ao Brasil, os dividendos recebidos poderiam ser tributados em até 27,5%, conforme a tabela do IRPF, e haveria um crédito pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) recolhidos pela empresa, explicou.


No entanto, os países da OCDE têm abandonado esse modelo que pressupõe a concessão de crédito tributário por outro. “A alíquota é dividida”, explicou a tributarista Helena Trentini, que atuou na OCDE e hoje é sócia do escritório Heleno Torres Advogados.


A Irlanda, por exemplo, taxa o lucro da empresa em 12% e os dividendos em 51%. A Lituânia usa uma combinação mais equilibrada: 15% na empresa e 15% no dividendo.


O objetivo dos países é reduzir a tributação sobre o lucro das empresas, de forma a estimular a atividade econômica, disse a especialista.


Ela lamentou que, no Brasil, essa discussão ocorra num cenário em que o governo precisa elevar a arrecadação para compensar o déficit gerado pela elevação da faixa se isenção. O risco, disse, é haver apenas a instituição tributação sobre dividendos, sem olhar para a tendência mundial de redução do Imposto de Renda sobre as empresas.


Aqui, a renda das empresas é tributada em 34%, somando as alíquotas do IRPJ e da CSLL. “É muito alta”, afirmou. Estados Unidos, Reino Unido e Holanda, por exemplo, cobram 25%.


Se, aos 34% for acrescentada uma tributação sobre dividendos, o resultado será “uma alíquota totalmente desvirtuada, que não tem em nenhum país do mundo”, apontou a tributarista.


Os resultados fiscais dessa mudança são incertos, observou Trentini. “Não se sabe quanto poderá ser arrecadado sobre dividendos, porque muitas empresas simplesmente vão deixar de distribuí-los.”


Além disso, informou, a alíquota brasileira é alta porque em 1995 a tributação dos dividendos - que existia até então - foi fundida com a alíquota cobrada da pessoa jurídica. Essa mudança, feita para facilitar a fiscalização, concentrou a tributação na empresa e deixou a distribuição dos dividendos livres de taxação.


É por isso que especialistas afirmam não ser verdade que a distribuição de dividendos é isenta no Brasil. “É mentira”, afirmou o advogado Tiago Conde Teixeira, sócio do escritório SCMD. “Dividendos são, sim, tributados, só que são tributados na pessoa jurídica.”


Dessa forma, na sua visão, a taxação sobre a distribuição sobre dividendos na pessoa física, como pretende o governo, seria uma bitributação: o mesmo imposto cobrado sobre a mesma base duas vezes. “Isso é inconstitucional.”


A vantagem do modelo de alíquota dividida da OCDE sobre o que existe hoje no Brasil é dar mais incentivo ao reinvestimento, explicou Trentini. Hoje, do ponto de vista da tributação, é indiferente se o lucro é utilizado para expandir a empresa ou para distribuir aos sócios. “Ele já foi tributado em 34%”, ressaltou.


Se a alíquota fosse dividida entre empresa e acionistas como é feito na OCDE, a alíquota cobrada sobre o lucro da empresa seria menor. Ela dá um exemplo: se a empresa tem lucro de R$ 100 e a taxação é de 25%, então ela pagaria R$ 25 em impostos e sobram R$ 75. Se a opção for por reinvestir, não há mais taxação sobre os R$ 75. Se, por outro lado, forem distribuídos como dividendos, então haveria uma tributação adicional, da ordem de 15%.


Nesse caso, sobrariam mais recursos para reinvestir, e esses já estariam livres de outra tributação. Se, por outro lado, a opção for distribuir dividendos, esses sofreriam mais uma taxação.


Risco para contas públicas


A ideia de elevar o limite de isenção do IRPF para R$ 5 mil é vista por especialistas como um risco para as contas públicas, pois não é possível prever o resultado das discussões no Congresso. Líderes já se manifestaram de forma contrária ao aumento de impostos, independentemente que seja para a alta renda. Nesse caso, há risco de a perda de arrecadação não ser totalmente compensada, diferentemente do que vem defendendo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.


Além da insegurança na frente fiscal, há também uma contraposição entre o novo limite de isenção e a estratégia do Banco Central para combater a inflação.


Na avaliação de Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, no atual cenário de mercado de trabalho aquecido, essa maior propensão ao consumo, com a isenção, significaria sim uma pressão inflacionária maior, já que haverá impacto direto no consumo da classe média. “Para 2026, no entanto, ainda é cedo para estimar, pois vai depender de como será a evolução da atividade e da geração de empregos ao longo do ano”, ponderou.


“Aumento de gastos, seja em maiores transferências, seja redução do imposto sobre a renda, em uma economia próxima da sua capacidade não vai gerar crescimento, apenas mais inflação”, comentou.


Felipe Salto, sócio e economista-chefe da Warren Rena, avaliou que, mesmo havendo neutralidade fiscal, “os efeitos líquidos sobre a demanda da economia seriam possivelmente positivos, pressionando inflação”.


Isso porque a compensação, ele analisou, ainda que venha em montantes suficientes, pode acabar incidindo em uma fatia da população mais rica.


 


 


Governo calcula perda de quase R$ 1,3 tri com renegociação de dívida dos estados / Estimativas do Tesouro Nacional obtidas pela Folha apontam redução potencial de receitas financeiras até 2048 / Até então, o órgão só havia divulgado dados referentes aos primeiros cinco anos de vigência do novo programa, sem dar publicidade ao impacto integral, incluindo os períodos seguintes.- Folha SP 5/3


Idiana Tomazelli


A União pode abrir mão de quase R$ 1,3 trilhão de receitas financeiras até 2048 com a renegociação da dívida dos estados, aprovada por meio do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).


Esse é o impacto potencial do texto sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo cálculos do próprio Tesouro Nacional obtidos pela Folha por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).


Até então, o órgão só havia divulgado dados referentes aos primeiros cinco anos de vigência do novo programa, sem dar publicidade ao impacto integral, incluindo os períodos seguintes.


Além disso, o cálculo foi feito só depois da aprovação do projeto pelo Congresso Nacional, eliminando a possibilidade de os números servirem de alerta aos parlamentares sobre o risco para as contas do país.


Embora os valores retratem a hipótese de adesão de todos os estados, quatro deles respondem, sozinhos, por 90% da dívida com a União: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Na prática, significa que seu ingresso já será suficiente para materializar a maior parte das perdas estimadas pelos técnicos.


Para chegar aos números, o Tesouro Nacional simulou as prestações devidas pelos estados sob as regras atuais e em dois cenários do Propag. Em um deles, as perdas anuais começam em R$ 30 bilhões e alcançam R$ 82,6 bilhões —seria como abrir mão de 18% a 50% do orçamento do Bolsa Família por ano.


Desde 18 de fevereiro, a reportagem tentou obter esclarecimentos adicionais sobre as projeções, mas o órgão não respondeu.


A perda de receitas financeiras não afeta o limite de despesas do arcabouço fiscal, nem o cumprimento das metas de resultado primário, mas pode impulsionar a dívida pública do país.


Hoje, a União usa esses recursos para honrar seus próprios compromissos. Deixar de recebê-los amplia a necessidade do governo federal obter financiamento do mercado financeiro para rolar sua dívida e quitar obrigações.


Do lado dos estados, a redução do endividamento pode abrir espaço para ampliar gastos. A combinação desses resultados tende a agravar a percepção de risco fiscal, afetando câmbio, juros e, consequentemente, o custo da dívida pública.


O Propag prevê duas mudanças significativas nos encargos da dívida dos estados com a União. A primeira delas é a possibilidade de reduzir os juros reais de 4% para 0% ao ano, mediante entrega de ativos ou compromisso com investimentos em áreas específicas.


A segunda é a simplificação do coeficiente de atualização monetária da dívida, que hoje segue uma fórmula complexa e resulta em uma correção ao redor de 6,5% ao ano, acima da inflação. O texto substitui essa variável pelo IPCA, que deve ficar em 5,65% em 2025, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.


O impacto de quase R$ 1,3 trilhão nas receitas financeiras da União até 2048 considera o cenário em que todos os estados façam adesão ao Propag na modalidade com juro real zero. Essa seria a opção mais vantajosa para os entes regionais.


Em outro cenário, com menos exigências e cobrança de juro real de 2% ao ano, a adesão de todos os estados implicaria uma renúncia de quase R$ 794 bilhões em receitas financeiras até 2047, segundo os dados do Tesouro Nacional.


Em ambos os casos, a União passa a ter um ganho de receitas no fim da década de 2040, quando os estados pagarão parcelas maiores que as atuais devido ao alongamento da dívida. Ainda assim, isso é insuficiente para compensar as perdas acumuladas nas mais de duas décadas que precedem essa etapa.


Para obter o benefício máximo (juro zero), os estados precisam abater 20% do saldo devedor mediante entrega de ativos, ou destinar parte do alívio a investimentos em educação, infraestrutura de saneamento, habitação, adaptação às mudanças climáticas, transportes ou segurança pública. É possível também optar por uma combinação intermediária das duas contrapartidas.


Quando fez a divulgação dos impactos do programa no período de cinco anos, o Tesouro incluiu na conta o ganho que teria com a apropriação dos ativos (como ações de empresas estatais ou imóveis), um valor equivalente a R$ 162,5 bilhões. Essa cifra é maior do que a perda de receitas verificada em cinco anos (R$ 157 bilhões). O Tesouro usou esse dado para apontar um suposto lucro com o Propag.


Mas os dados obtidos pela Folha mostram que o ganho é muito menor do que o impacto total da renegociação. Além disso, os cálculos desconsideram o fato de que esses ativos nem sempre representam dinheiro imediato, e a venda pode ocorrer por um preço distinto.


Alguns estados, por sua vez, veem obstáculos à adesão com juro zero, uma vez que a entrega de ativos depende do sinal verde da União. Mas técnicos experientes em contas públicas avaliam que o texto é abrangente e permite enquadrar gastos já realizados pelos estados nos investimentos previstos na lei. Em outras palavras, eles teriam brecha para aderir à modalidade mais vantajosa sem assumir novas obrigações.


A economista Selene Nunes, que atuou na elaboração da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e é especialista em finanças públicas, critica o fato de o Tesouro Nacional não ter divulgado o impacto integral do Propag, sobretudo durante a tramitação do projeto no Congresso.


"Eu acho importante mostrar para os parlamentares, para que eles tenham consciência do que isso representa para o país. Isso certamente impacta o mercado", diz.


Para ela, a ausência de avaliação de impacto durante a tramitação de um projeto é negativa para o cumprimento das regras fiscais. "O Brasil foi precursor de um modelo que combina regras com transparência. Se você solapa a transparência, você impede que os agentes políticos atuem no sentido de cumprir as regras, porque o impacto fica escondido."


A economista afirma que as conversas sobre a dívida dos estados partiram do pleito inicial de revisão do coeficiente de atualização monetária, considerado muito duro pelos estados. "A questão foi escalando no Congresso Nacional. Em alguns casos, a dificuldade [de pagamento] realmente é grande, mas eles alegam que o que está sendo feito por eles ainda é insuficiente. Fica muito complicado. Não dá para tratar todos com equidade e a conta é da União."


Ela ressalta que as projeções mais recentes do próprio Tesouro, que apontam dívida bruta acima de 80% do PIB (Produto Interno Bruto), não incluem os efeitos do Propag. "O que vai acontecer? Você sinaliza para o mercado que vai ter um aumento de dívida ao longo do tempo, e [não há] nenhuma iniciativa do governo para reduzir gasto."


 


Pasta de Tebet recomendou veto integral à renegociação de dívida de estados / Planejamento alertou para 'momento de piora na percepção de risco fiscal', mas foi ignorada por Lula, que sancionou texto- Folha SP 6/3


Idiana Tomazelli


O Ministério do Planejamento e Orçamento recomendou veto integral ao projeto de renegociação da dívida dos estados, segundo documentos obtidos pela Folha via LAI (Lei de Acesso à Informação).


Uma das razões apontadas foi o "momento de piora na percepção de risco fiscal", que poderia se agravar pela renúncia de receitas financeiras decorrente do novo programa de socorro. Sem esses recursos, a União pode ser obrigada a captar mais recursos no mercado para honrar seus próprios compromissos com investidores.


A indicação foi dada antes mesmo de a pasta, comandada por Simone Tebet, ter acesso às estimativas de impacto elaboradas pelo Tesouro Nacional. Como revelou a Folha, os cálculos apontam o risco de uma perda de até R$ 1,3 trilhão em receitas financeiras até 2048.


A recomendação do Planejamento foi ignorada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sancionou a proposta com vetos parciais, respaldado pelo Ministério da Fazenda —em mais um episódio de atuações divergentes das duas pastas. Até mesmo dispositivos que podem impactar a meta fiscal do governo foram validados para evitar um desgaste político com a cúpula do Congresso Nacional.


O principal patrocinador do projeto foi o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Seu sucessor no cargo, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também participou das negociações para a sanção da lei.


Para o Planejamento, havia três motivos para o veto integral do texto: a ausência de estimativas de impacto no momento da aprovação do projeto pelo Legislativo, a redução de receitas da União e o momento de piora na percepção de risco fiscal. Nos dois últimos, a pasta viu contrariedade ao interesse público. No primeiro, o órgão apontou potencial violação à Constituição.


O posicionamento foi assinado pelo secretário-executivo, Gustavo Guimarães, que na ocasião atuava como ministro substituto durante as férias de Tebet. Seu parecer foi respaldado pelo pronunciamento de áreas técnicas da SOF (Secretaria de Orçamento Federal), da Secretaria-Executiva e da consultoria jurídica do ministério.


Os técnicos ponderaram que alguns dos vícios originais do projeto poderiam ser contornados caso o governo elaborasse as estimativas de impacto como etapa prévia à sanção —o que foi feito pelo Tesouro Nacional.


Ainda assim, os documentos expõem um posicionamento duro do órgão em relação aos potenciais impactos do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) sobre as contas públicas.


"Em vez de incentivar ajustes estruturais e promover o equilíbrio fiscal, o programa reforça a cultura de dependência dos estados em relação à ajuda federal para equilibrar suas contas", disse nota informativa elaborada pela assessoria legislativa da Secretaria-Executiva.


"Esse tipo de renegociação das dívidas estaduais cria um viés de risco moral que se consolida no ciclo vicioso: os estados continuam gastando irresponsavelmente; os estados esperam novas negociações; a União acaba absorvendo os prejuízos, aumentando sua própria dívida pública", afirmou em outro trecho.


A flexibilização de regras para esses entes também poderia, na visão do órgão, emitir uma sinalização negativa para o mercado, com consequente impacto negativo em indicadores financeiros, como taxa de juros e câmbio.


No documento, os técnicos ainda ressaltaram que, embora a proposta não tenha impacto primário imediato, ela oferece "diversos riscos fiscais" ao incentivar estados a ampliarem despesas, revertendo a trajetória recente de recuperação de suas contas.


"Essa potencial piora tende a pressionar o governo federal nos exercícios futuros a gerar resultados primários em montantes maiores, haja vista a percepção generalizada de ser o único responsável para garantia da solvência fiscal do setor público, em um sinal de agravamento da sinalização de consolidação fiscal da política econômica", disse o texto.


Além disso, o Planejamento afirmou que há risco de a União ser forçada a uma nova negociação de débitos no futuro, quando terminar o prazo para incremento gradual das prestações para estados mais endividados e que hoje estão no RRF (Regime de Recuperação Fiscal). As áreas técnicas recomendaram veto específico a este dispositivo, que acabou sendo sancionado.


Segundo relatos colhidos pela reportagem, a posição dura do Planejamento gerou incômodo nas demais áreas do governo, que trabalharam pela sanção do projeto, concebido após o próprio Ministério da Fazenda capitanear uma iniciativa para renegociar os débitos dos estados —batizada inicialmente de "Juros por Educação".


A intenção da pasta de Fernando Haddad era reduzir os encargos da dívida em troca de um firme compromisso dos governadores com maiores investimentos no ensino técnico. O próprio ministro reconheceu, depois, que as modificações feitas pelo Congresso desviaram a proposta de seu foco inicial e ampliaram os benefícios.


Ainda assim, havia uma avaliação nos bastidores de que o Executivo precisava evitar atritos com o Legislativo. A saída passava por encontrar um meio-termo na sanção do projeto.


Em suas manifestações oficiais, as áreas técnicas do Tesouro Nacional recomendaram vetos parciais a dispositivos que teriam impacto negativo sobre a meta de resultado primário.


O Planejamento, que chegou a participar das discussões iniciais sobre a sanção, ficou de fora das articulações derradeiras após explicitar seu posicionamento mais duro sobre o tema.


 


Equipe de Lula se reúne para discutir medidas contra alta dos alimentos / Encontro está previsto para esta quinta-feira (6); Alckmin, Teixeira, Fávaro e Durigan debaterão ações para conter o avanço da inflação sobre a cesta básica- CnnBrasil 5/3


Marina Demori


A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá nesta quinta-feira (06) para discutir, mais uma vez, a alta no preço dos alimentos e possíveis medidas para conter a inflação nos produtos da cesta básica.


A reunião, coordenada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, está marcada para as 16h e contará com a participação dos ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Carlos Fávaro (Agricultura), além do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.


Como antecipado pela CNN, o governo estuda reduzir o custo do crédito para a produção de itens da cesta básica dentro do novo Plano Safra, que deve ser anunciado em julho.


Além disso, avalia a possibilidade de diminuir o imposto de importação sobre alimentos que, no Brasil, são mais caros do que no exterior.


Durante o encontro, essas e outras propostas serão debatidas para, posteriormente, serem apresentadas ao presidente Lula.


 


Governo convoca quatro setores para discutir preço dos alimentos/ Reunião nesta quinta-feira (6) terá representantes de carnes, óleo, açúcar e supermercados- CnnBrasil 5/3


Jussara Soares


O governo Lula convidou quatro setores produtivos para discutir, nesta quinta-feira (6), medidas contra a alta no preço dos alimentos. Participam da reunião representantes de carnes, óleo, açúcar e supermercados. O encontro está marcado para 15h.


Antes do encontro com os representantes dos quatro setores, às 9h30, o vice-presidente Geraldo Alckmin — também à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) — comanda uma reunião com diversos ministérios (Casa Civil, Fazenda, Agricultura e Desenvolvimento Agrário).


Os setores apresentarão suas sugestões para baratear os alimentos. Depois de um pente-fino, as propostas serão levadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima semana.


Entre as entidades que participam da reunião nesta quinta-feira estão a Associação Brasileira de Proteína Animal (APBA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec), a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio).


Como mostrou a CNN, o presidente deverá receber um relato detalhado da primeira rodada de encontros e conduzir ele próprio, no Palácio do Planalto, novos encontros com ministros e auxiliares próximos.


O roteiro de reuniões com as entidades do agro foi definido na semana passada por ministros que se encontraram com Lula para debater o assunto.


Segundo relatos feitos à CNN, Lula descartou a adoção de “medidas heterodoxas” para conter o preço dos alimentos, como a criação de cotas para exportação — com volumes máximos que, se excedidos, ficariam sujeitos à cobrança de imposto.


Uma das sugestões a serem apresentadas pelos setores produtivos é a flexibilização das regras atuais do Bolsa Família.


Os frigoríficos, por exemplo, têm relatado dificuldade na contratação de mão de obra e afirma que as vagas abertas pela indústria de carnes não são totalmente preenchidas.


Uma ideia é permitir que novos empregados inscritos no Cadastro Único dos programas sociais (CadUnico) não tenham nenhuma perda — nem mesmo parcial — dos benefícios recebidos.


Assim, a indústria acredita que pode ter menos dificuldade para ocupar postos de trabalho oferecidos e diminuir preços no médio prazo.


Alckmin conversa com secretário americano de Comércio nesta quinta (6), diz MDIC- Valor 5/3


Lu Aiko Otta


Em meio à guerra tarifária promovida pelo governo dos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, conversará amanhã com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. Será às 17h30, por videoconferência.


O governo brasileiro aposta no diálogo e na negociação para conter os efeitos de eventuais aumentos de tarifa de importação aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.


Alckmin tem lembrado que Brasil e Estados Unidos têm uma importante relação econômica e que o comércio bilateral é equilibrado, com ligeira vantagem para os EUA.


 


GOVERNO LULA EVITA RESPOSTA A NOVA AMEAÇA DE TARIFA DE TRUMP; ALCKMIN INSISTE EM DIÁLOGO- Broadcast 5/3


Por Felipe Frazão, do Estadão


Brasília, 05/03/2025 - O governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não responder nesta quarta-feira, dia 5, à nova menção do presidente Donald Trump à cobrança de tarifas excessivas pelo Brasil e à ameaça de adoção de reciprocidade. O governo brasileiro aposta em criar, discretamente, um espaço para acomodação com Trump.


O emissário é o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro responsável, entre outros, pelo setor do Comércio Exterior. Alckmin agendou um contato inicial com seu homólogo ministerial, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.


A videoconferência será realizada nesta quinta-feira, dia 6, às 17h30, conforme a agenda do vice-presidente. Antes ele terá encontro com a equipe ministerial e com lideranças do setor de alimentos. Na sexta-feira passada, porém, também foi tentado um contato a distância, que não se confirmou.


No governo, por enquanto não se organiza uma viagem de Alckmin aos Estados Unidos, mas a possibilidade não está descartada. O vice-presidente tem se cercado de contatos com os setores potencialmente alvo de tarifas, aço, alumínio e etanol. As tarifas ainda não foram impostas para valer, destacam membros do governo Lula.


Em discurso no Congresso, Trump republicano defendeu a política de tarifas e citou novamente o Brasil como um dos países que “cobram demais dos Estados Unidos”. Também nesta terça-feira, 4, ele anunciou tarifas de 25% em todos os produtos do Canadá e do México, e de 10% em produtos chineses. Trump quer, com isso, incentivar indústrias estrangeiras a se estabelecerem nos Estados Unidos.


Nem o Ministério das Relações Exteriores, nem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) se pronunciaram oficialmente. As áreas afins do Mdic e o Departamento de Política Comercial do Itamaraty atuam no caso. Há contatos diplomáticos nos bastidores.


A intenção é não deixar a possível guerra comercial cair num “bate e rebate” público, ao menos na seara dos negócios, ao contrário do que ocorreu pela primeira vez no campo político - de governo a governo. Na semana passada, o Itamaraty reagiu rapidamente com nota à imprensa a uma crítica feita nas redes sociais pelo Departamento do Estado dos Estados Unidos à liberdade de expressão no Brasil.


Lula conta com pacote de crédito para recuperar popularidade, mas pode colher inflação / Mudanças no empréstimo consignado para o setor privado são consideradas positivas por especialistas, mas vão na contramão da ação do Banco Central- O Globo 6/3


Thaís Barcellos


O lançamento de um pacote de medidas de crédito é a mais nova promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter a economia crescendo bem e tentar colher os frutos para melhorar a sua popularidade.


Técnicos da equipe econômica e especialistas, porém, têm ressalvas em relação ao timing dos anúncios, mesmo em relação a iniciativas consideradas estruturalmente positivas, como a reformulação do consignado privado.


Isso porque o incentivo ao mercado de crédito vai na contramão do esforço do Banco Central (BC) para esfriar a economia e controlar a inflação — um dos problemas que têm minado as avaliações positivas do governo. O risco é o pacote de crédito gerar mais inflação e juros, frustrando as expectativas do Planalto.


Além do crédito, o governo editou uma medida provisória (MP) liberando recursos travados no FGTS, o que terá um impacto de R$ 12 bilhões.


Lula falou em três medidas de crédito, mas só uma é conhecida: a repaginação do consignado para trabalhadores formais do setor privado. A iniciativa, que pode ser enviada ao Congresso depois do carnaval, é considerada estruturalmente positiva, porque vai destravar essa modalidade de crédito com o aprimoramento da garantia da operação.


O empréstimo consignado permite o desconto diretamente na folha de pagamento, o que reduz risco de inadimplência e permite juros mais baixos. Essa modalidade é pouco usada no setor privado, sendo mais comum no setor público e entre aposentados do INSS.


Atualmente, a linha é subutilizada pois depende de um convênio entre os empregadores e os bancos, o que limita o acesso a trabalhadores de grandes empresas. Ainda assim, há receio das instituições financeiras, já que a pessoa pode ser demitida ou sair da empresa.


Crédito pode triplicar


O governo vai montar uma plataforma dentro do eSocial, sistema do governo em que as empresas registram as informações de seus funcionários. Dessa forma, as instituições financeiras vão se conectar à plataforma e ter acesso a algumas informações para melhorar a análise de crédito.


Atualmente, o consignado privado tem taxa média de juros mais baixa do que o crédito pessoal: 40,8% ao ano contra 103,4%. A previsão é que os juros caiam mais na nova versão, mas fiquem acima do consignado do INSS e do setor público, de 21,9% e 23,8%, respectivamente.


A expectativa é que o estoque de crédito do consignado privado triplique com a mudança, chegando a R$ 120 bilhões. Esse salto pode impulsionar a atividade, como quer Lula, o que representaria um movimento na direção contrária ao esforço do BC para controlar a inflação.


Executivos do setor financeiro avaliam que deve haver migração de linhas mais caras para o consignado privado, considerando que a proposta vai ter um incentivo para essa troca. Mesmo esse movimento de migração, contudo, já pode aumentar o saldo devedor, uma vez que haverá menos juros e mais prazo, avalia um interlocutor do setor bancário.


Mesmo que em menor escala, há também expectativa de um avanço das concessões em geral. Nesse caso, o executivo do setor bancário avalia que seriam as pessoas que não têm dependência de crédito, mas com boas condições para poderem decidir pegar um empréstimo para fazer uma viagem ou reformar a casa.


Há ainda um terceiro movimento esperado que é abrir espaço na carteira não consignada por aqueles que migraram para o novo modelo.


Foco na inflação


Para o interlocutor, a medida tem potencial, mas seu sucesso depende de ambiente econômico estável, senão os bancos podem se retrair.


Para Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria, a medida faz sentido para dar as mesmas condições dos aposentados e do funcionalismo público aos trabalhadores do setor privado. Para ela, a nova versão tende a segurar um pouco mais a desaceleração do crédito prevista para 2025.


Sem a medida, a Tendências espera que as concessões do consignado cresçam 2,2% este ano, contra um avanço de 16,1% em 2024. Para o crédito a famílias, a expansão esperada é de 1%.


— Uma medida como essa pode fazer com que essas concessões sejam mais fortes. Em vez de 2,2% para o consignado, pode chegar a 3% — disse a economista. — A medida em si faz sentido para ter nova possibilidade de crédito com condições atraentes para tomador. O timing é delicado nesse esforço do BC de trazer inflação mais para baixo.


Um técnico do governo avalia que a nova versão do consignado privado pode ser particularmente importante para os trabalhadores com carteira assinada de baixa renda, como alternativa à antecipação do saque-aniversário do FGTS, já que essa parcela da população costuma ter um saldo menor no fundo. A antecipação do saque-aniversário tem baixo custo, de 1,8% por mês (23,9% ao ano).


Outro interlocutor da equipe econômica reconhece que o desenho da medida é positivo, mas afirma que o foco principal neste momento não deveria ser a redução do risco de crédito, e sim a inflação. Por isso, considera que a medida não deveria ser anunciada neste momento, com risco de o BC ficar “enxugando gelo” na política monetária.


Endividamento preocupa


A taxa Selic está subindo desde setembro e passou de de 10,75% a 13,25% ao ano, com a perspectiva de chegar a 14,25% em março. Com o movimento, o BC busca reduzir o ritmo de crescimento da economia para levar a inflação, hoje acima do limite superior da meta (4,5%), para o alvo de 3%.


Consultado, o Ministério da Fazenda afirmou que o modelo a ser adotado ainda está em fase de elaboração interna, por isso não fará comentários neste momento.


Rafael Schiozer, professor da FGV-SP, diz que é preciso ter atenção ao desenho da modalidade, para que o “feitiço não vire contra o feiticeiro” em termos de endividamento da população. O endividamento das famílias vem caindo desde o pico em 2022 (49,9%), mas continua em nível alto (48,2% em novembro de 2024):


— O crédito como motor da economia tem um papel limitado. Não consegue sozinho fazer a economia crescer por muito tempo de maneira sustentada. Em 2015-2016, foi um dos fatores que levou à recessão. Tudo depende da oferta de crédito adicional. Se for excessiva, vamos observar o que aconteceu em 2014.


Juliana Tomaz, gestora de crédito da Asset Management Warren, concorda.


— Para mim, o momento de lançar esse tipo de medida não parece o mais adequado.


 


Lula começa reforma pela ‘cozinha’ e dá prioridade à isenção do IR / Petista deve fazer mais mexidas na Esplanada e prepara envio de projetos ao Congresso- Valor 6/3


Passado o Carnaval, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve concluir nas próximas semanas a reforma ministerial. As trocas começaram na cozinha do Palácio do Planalto, com Sidônio Palmeira na Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) e Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) no lugar de Alexandre Padilha, que vai para a Saúde. Nas últimas horas, aumentaram os rumores da nomeação de Guilherme Boulos (Psol-SP) para substituir de Márcio Macêdo, na Secretaria-Geral, outro ministério palaciano.


Em meio à lentidão de Lula para fazer as mexidas, há apenas uma certeza entre os auxiliares do presidente: o PSD da Câmara deve ganhar um ministério. A sigla já sinalizou ao presidente que não se interessa por Ciência e Tecnologia, atualmente com Luciana Santos (PCdoB). O partido de Gilberto Kassab pode ser contemplado com o Turismo, hoje ocupado por Celso Sabino (União Brasil). A legenda de Sabino e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode ir para Ciência e Tecnologia.


Ainda em relação ao núcleo político, outra sugestão é que o presidente nomeie um quadro do Centrão para o cargo de líder do governo na Câmara, no lugar do deputado José Guimarães (PT-CE). O mais cotado é o líder do MDB, deputado Isnaldo Bulhões (AL).


Em relação a Boulos, as opiniões se dividem, inclusive no Psol. A favor da indicação, os argumentos são de que Lula tem apreço pelo candidato a prefeito de São Paulo derrotado em 2024, e acredita que é um quadro da esquerda cujo capital político não deve ser desvalorizado. No ministério, Boulos voltaria aos holofotes, contribuiria para fazer a disputa política em defesa do governo, e para dar novo ânimo à articulação com os movimentos sociais, como liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e capacidade de engajamento nas redes sociais.


Contra a ida de Boulos ao ministério, a percepção é de que ele enfrentaria obstáculos no Psol, porque uma ala do partido é contra apoiar o governo Lula. No entanto, o Psol já tem uma cadeira na Esplanada, com o Ministério dos Povos Indígenas, cuja titular é Sonia Guajajara. Outra avaliação é de que acentuaria a imagem de esquerda radical no Palácio do Planalto, ao lado de Gleisi, embora ele tenha apresentado um perfil moderado na campanha eleitoral de 2024.


No Palácio, a única certeza é que o PSD da Câmara deve ganhar um ministério


Em outra frente, um interlocutor de Macêdo avalia que Lula deu sinalizações de que não pretende substituir o auxiliar. Ele vem desempenhando várias missões para o presidente, como os preparativos para o evento social que ocorrerá paralelo à COP30 em Belém em novembro, e a interlocução com a população atingida pela tragédia de Mariana (MG), que receberá a primeira parcela, no valor de R$ 5 bilhões, do acordo de indenização com as mineradoras.


Quanto à interlocução com o Congresso, um grupo de aliados defende que Lula tire do PT a liderança do governo na Câmara, para dar o cargo para o MDB. Isnaldo Bulhões é muito próximo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do ministro dos Transportes, Renan Filho. A eventual troca, entretanto, não agradou lideranças do Centrão, já que o bloco reivindicava, na verdade, o ministério da articulação política, que ficará com Gleisi Hoffmann.


Enquanto Lula conclui a reforma ministerial, o governo ajeita a pauta de prioridades para o Congresso, com projetos cruciais para que ele tenha governabilidade no último biênio de mandato e aumente suas chances de reeleição.


No início de fevereiro, a equipe econômica apresentou ao Congresso uma agenda com 25 itens prioritários para tramitação em 2025. O principal ponto na agenda legislativa, até o momento, é o projeto que vai isentar de Imposto de Renda quem tem vencimentos de até R$ 5 mil ao mês. O maior entrave ao Congresso será a aprovação da medida compensatória, já que, nos cálculos do Ministério da Fazenda, a renúncia de receita será de R$ 35 bilhões ao ano. O governo estuda implementar um imposto mínimo para quem tem rendimentos superiores a R$ 50 mil.


Lideranças do Congresso, no entanto, já se manifestaram de forma contrária à proposta, vista pelo governo como a principal aposta para ativar a economia, ampliar a renda disponível e favorecer, principalmente, a classe média. Sindicatos que representam auditores estimam que cerca de 36 milhões de contribuintes podem ser favorecidos e também apontam para uma renúncia de receita maior do que a estimada pela Fazenda.


No curto prazo, ainda há o desafio da aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2025, que está em tramitação na Comissão Mista de Orçamento (CMO). A equipe econômica estima que, com a homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do plano de trabalho para dar transparência às emendas parlamentares, a peça orçamentária deve ser destravada nas próximas semanas.


Com a aparente solução momentânea do impasse entre Legislativo e Judiciário e a reforma ministerial começando a andar, a tendência é que os trabalhos no Congresso ganhem tração. Na terça-feira (11), a CMO realizará uma reunião onde o relator da Ploa, senador Angelo Coronel (PSD-BA) apresentará aos parlamentares em que estágio está o seu parecer. A votação, no entanto, só deverá ocorrer na semana do dia 17.


Coronel espera que o texto seja votado na CMO no dia 17 e no plenário no dia 18. Ele já alinhou para que Alcolumbre convoque uma sessão do Congresso para o dia seguinte da votação no colegiado.


Ainda do ponto de vista orçamentário, a equipe econômica ainda aposta na tramitação de duas propostas que fizeram parte do pacote de gastos e não avançaram ao final do ano passado: o limite aos supersalários no Poder Judiciário e as mudanças nas regras de aposentadoria para os militares.


Coronel ainda aguarda um ofício do Ministério do Planejamento solicitando a inclusão na peça orçamentária da ampliação do vale-gás, anunciado por Lula para atender mais de 20 milhões de pessoas. A previsão no texto enviado pelo Executivo é de R$ 600 milhões, mas o montante dedicado ao benefício pode chegar a R$ 3,4 bilhões.


Apesar da indefinição sobre o vale-gás, o programa Pé-de-Meia não deve entrar no relatório de Coronel, sendo inserido no Orçamento após o prazo de 120 dias dado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em um projeto de lei do Congresso Nacional. Andrea Jubé / Fabio Murakawa / Guilherme Pimenta / Caetano Tonet / Murillo Camarotto  /Marcelo Ribeiro


 


Bancada do PT elege fim da escala 6x1 e isenção do IR como pautas para ‘salvar’ popularidade de Lula / Petistas avaliam que será preciso intensificar a defesa de medidas populares no Congresso para tentar alavancar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco na tentativa de reeleição em 2026- Estadão 6/3


Por Iander Porcella


A bancada do PT na Câmara, liderada por Lindbergh Farias (RJ), elegeu o fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso) como uma de suas principais bandeiras na disputa política neste ano. O outro foco é a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A avaliação entre petistas é de que será preciso intensificar a defesa de medidas populares no Congresso para tentar alavancar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco na tentativa de reeleição em 2026.


Ainda não está definido se o próprio governo fará campanha pela redução da jornada de trabalho no comércio e em parte do setor de serviços, mas a bancada se preparar para centrar esforços na discussão, já a partir da próxima semana. A investida ocorre num momento em que o governo muda sua articulação política e entrega a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) para o comando da presidente do PT, Gleisi Hoffmann.


No último dia 25, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso). O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) também é autor de uma PEC que trata do assunto.


Petistas ainda apostam que a mudança na SRI deixará a equipe de Lula mais coesa nesse debate político. Como mostrou a Coluna do Estadão, a escolha de Gleisi também faz parte do “modo campanha” adotado pelo governo Lula, após a popularidade da gestão Lula 3 despencar. O perfil combativo da presidente do PT, que é popular entre a militância da sigla, foi levado em conta no xadrez da reforma ministerial.


Ao longo dos últimos dois anos, Lula estabeleceu um “tripé de rejeição”, até amargar o derretimento da popularidade em todo o País. Os três fatores que empurram o governo ladeira abaixo são apontados por integrantes da própria base aliada a Lula: erros na economia, apatia política e desconexão com a vida real do brasileiro.


 


PP pressiona por 'debandada' do Centrão do governo / Ala de Ciro Nogueira pode aprovar decisão de deixar base, e pode puxar outras legendas após guinada à esquerda de Lula- O Globo 5/3


Por Vera Magalhães


O PP pode puxar uma "debandada" dos partidos do Centrão do governo Lula. A sigla comandada pelo senador oposicionista Ciro Nogueira (PI) estuda reunir a Executiva para votar a decisão de deixar a base e entregar a única pasta que a sigla tem hoje na Esplanada, o Ministério dos Esportes, comandado por André Fufuca (MA).


O ministro é, hoje, uma voz isolada a favor de permanecer no governo. Só isso tem segurado Nogueira, já que são bem próximos --Fufuca é visto como uma espécie de filho político do bolsonarista. Outra força que segurava a saída, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL), hoje não faria oposição à ideia.


Uma vez que o PP decida entregar o ministério, Nogueira poderia pressionar o União Brasil a fazer o mesmo, acenando com a retirada das resistências para a formação de uma federação entre os dois partidos. Com isso, integrantes dos partidos acreditam que ficaria difícil para Marcos Palmeira e Gilberto Kassab manterem o Republicanos e o PSD na base de Lula, principalmente sendo peças-chaves do governo Tarcísio de Freitas em São Paulo.


A pressão para que os partidos do Centrão deixem a base de Lula vem com a justificativa de que o presidente teria resolvido dar uma "guinada à esquerda" com a reforma ministerial, sobretudo com a nomeação de Gleisi Hoffmann para a articulação política e a ideia de levar o deputado Guilherme Boulos (PSOL) para o Palácio do Planalto --não confirmada por ninguém próximo ao presidente.


Embora Gleisi tenha se aproximado de setores do Centrão nos últimos anos, inclusive construindo uma ótima relação com o presidente da Câmara, Hugo Motta, ela ainda tem a imagem muito associada à esquerda e, principalmente na linha de política econômica defendida por ela.


Essa movimentação do Centrão pode levar Lula a acelerar uma segunda etapa da reforma ministerial, voltada justamente para satisfazer esses partidos. Acontece que até hoje ele nunca tocou no assunto de forma consistente com os dirigentes de PSD e União --siglas que pleiteiam novos e melhores espaços no primeiro escalão.


Com Gleisi na articulação política, Lula mostra que sua coalizão está amarrada ao STF- O Globo 6/3


Malu Gaspar


Circulam em Brasília diferentes teorias para explicar a escolha de Gleisi Hoffmann para a Secretaria das Relações Institucionais (SRI) de Lula. Para os articuladores do Centrão, ao nomear uma petista puro-sangue, o presidente desistiu de fazer articulação política com o Congresso. A premissa é que, se Alexandre Padilha, com perfil mais conciliador, não conseguia cumprir acordos de liberação de verba e cargos, com Gleisi a relação pode até não piorar, mas melhorar é que não vai.


Aliados bem próximos do presidente avaliam que Lula pôs Gleisi na SRI não para negociar emendas, mas para que comece já a trabalhar na composição da aliança para disputar a reeleição em 2026. Lembram que, em 2022, ela exerceu exatamente o mesmo papel no comando do PT e deu certo. É mais ou menos isso o que a própria Gleisi tem dito sobre a missão que recebeu, tanto em público quanto nos bastidores.


Embora pareçam divergentes, as duas visões partem do mesmo diagnóstico: Lula se rendeu aos fatos e aceitou que a SRI não tem poder para negociar votações com o Congresso em troca de emendas ou cargos.


Com R$ 50 bilhões por ano garantidos para usar sem precisar do Executivo, os parlamentares não aceitam mais a liberação de recursos a conta-gotas, como ocorria no passado. Hoje dependem muito mais dos presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e dos líderes partidários, que organizam o destino dessas emendas, que do governo.


Sabendo disso, Jair Bolsonaro não teve problemas em delegar a Arthur Lira (PP-AL), como presidente da Câmara, e a Ciro Nogueira (PP-PI), senador que ocupava sua Casa Civil, a missão de “resolver” os projetos com o Congresso. Em tese, o caminho inevitável para Lula seria fazer o mesmo e empoderar um de seus ministros palacianos, como Rui Costa (Casa Civil) ou a própria Gleisi. Ou então escalar alguém do Centrão para a missão.


Não fez isso, avaliam os operadores da política, porque preferiu apostar no dique de contenção do Supremo Tribunal Federal (STF), que concentra as negociações sobre a regulação das emendas via Flávio Dino e ainda abriga uma série de investigações sobre desvio na aplicação dos recursos que miram diretamente deputados e senadores. Nesse contexto, há quem não veja como piada a afirmação corrente no Congresso segundo a qual Dino é o verdadeiro líder do governo.


Durante o carnaval, ele fechou acordo com os presidentes da Câmara e do Senado para que se identifique claramente quem são os donos das emendas, permitindo rastreamento e fiscalização da aplicação dos recursos. Em tese, parece tudo resolvido, mas não há nesse novo plano de trabalho nada muito diferente do que já vinha sendo exigido antes e não estava funcionando.


Por isso o que parece ter sido garantido é uma trégua até maio, quando o Congresso tem de demonstrar se tem cumprido os compromissos. A menos que o cenário mude em relação ao que se viu no ano passado, a tendência é que, ali na frente, surjam novos atritos.


Enquanto isso, Lula precisa de uma agenda mínima que o ajude a recuperar popularidade e chegar forte a 2026. A reforma ministerial deveria ser parte do plano. Mas até agora só se viu uma dança das cadeiras entre petistas. Quanto mais o tempo passa, mais caro fica para os líderes do Centrão aderir a um governo com aprovação em queda, que ruma claramente para a esquerda.


Lula não é nenhum neófito e já conseguiu na política muita coisa inédita. Mas fazer essa geringonça, ops, coalizão, levá-lo à vitória em 2026 exigirá um nível a mais de inventividade e perícia.


Análise -Gleisi ditará o rumo do governo e, portanto, da economia. Ela vai radicalizar ou se mover ao centro?/ Se seguir pela heterodoxia e em embates com Haddad, dano será grande e virá a galope, com efeito sobre o dólar e a inflação- Estadão 5/3


Por Alvaro Gribel


A nova ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tem reagido com bom humor sobre o risco de radicalização à esquerda do governo, com a sua ida para o Ministério de Lula. A interlocutores, ela diz que, como vai conviver por mais tempo com políticos do Centrão, pode ser que a moda “pegue” e ela se movimente ao centro.


Os sinais também foram dados por pessoas próximas à presidente do Partido dos Trabalhadores de que ela terá uma postura mais pragmática no novo cargo. Só o tempo dirá, mas ela não terá o benefício da dúvida.


O que se sabe até agora é que o comportamento de Gleisi será capaz de definir os rumos do governo, especialmente na economia. Isso porque ela tem sido a principal voz de contraponto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com embates que começaram antes mesmo do início do atual mandato, envolvendo a reoneração dos preços dos combustíveis pela Petrobras.


Com Lula perdendo popularidade, e com aumento da chance de vitória da oposição em 2026, a grande questão é: Gleisi vai redobrar a aposta em políticas que deram errado tantas vezes ou vai superar as rusgas com Haddad para unir o governo em torno da reeleição no ano que vem?


Os últimos meses mostraram que Haddad está cercado e ilhado no governo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, tem sido uma luz praticamente apagada na atual gestão, assim como a do vice-presidente, Geraldo Alckmin. Ambos deveriam firmar trincheiras ao lado do ministro da Fazenda e formar o tripé político em defesa da racionalidade econômica.


Do outro lado, há um batalhão de defensores de ideias heterodoxas, que vão da Casa Civil, com Rui Costa, passando pela primeira-dama, Janja da Silva, além dos ministros Alexandre Silveira e outros quadros históricos do PT a quem Lula tem dado ouvidos.


Parte da desavença entre Gleisi e Haddad se dá pelo fato de que o PT teria alertado a Fazenda sobre os problemas intrínsecos do arcabouço fiscal, que são rubricas crescendo acima do teto de 2,5% ao ano acima da inflação – especialmente os gastos com a Previdência. Esse problema teria sido minimizado pelo atual ministro; mas depois, de fato, acabou se tornando realidade.


Se seguir pela heterodoxia, o dano será grande e virá a galope, com efeito principalmente sobre o dólar e a inflação. Se optar pela racionalidade, será preciso agir rápido, para dar tempo de a benesse chegar antes das eleições.


Em conversas de bastidores no plenário da Câmara, Gleisi havia sinalizado que chegaria o momento de apoiar a agenda do ministro. O momento chegou; ela cumprirá a promessa?


 


Adriana Fernandes - Trump manda inflação para o Brasil / Com a escalada da guerra comercial dos EUA contra China, Canadá e México, cenário brasileiro pode ficar pior- Folha SP 5/3


O presidente Donald Trump manda inflação para o Brasil com a escalada da guerra comercial com a China, Canadá e México.


A decisão dos EUA de dobrar para 20% as tarifas sobre todos os produtos da China, seguida da retaliação dos chineses com uma tarifa adicional sobre os alimentos americanos, terá impacto por aqui.


O Brasil deve atender o aumento da demanda externa, o que é bom para as exportações brasileiras do agro, mas ruim para os preços dos alimentos no mercado interno. Os preços tendem a subir para os brasileiros.


O cenário da inflação no Brasil, que já não estava bom, pode ficar pior. O calor excessivo e novas restrições de clima vão seguir impulsionando a inflação.


O que se avizinha é um período extremamente difícil para o combate à alta de preços dos alimentos. O ano de 2025 pode se consolidar como um dos piores para a inflação com risco de choque de oferta o ano todo e quebra de safras de produtos importantes para a mesa do brasileiro.


Se o presidente Lula já estava com a popularidade machucada pela alta dos preços, terá pela frente mais dificuldades.


Chama a atenção a decisão do presidente Lula de assinar um decreto que impedirá o reajuste de 6% na tarifa de Itaipu previsto para este mês. Com o decreto, o governo conseguiu garantir que a energia seja mantida com o mesmo preço até o fim do ano.


O perigo é retomar a fase de artificialismo dos preços de energia elétrica. Já está na conta de alguns analistas o risco de Lula interferir para barrar a necessidade de acionamento da bandeira vermelha de tarifa de energia. Com isso, evitar um acréscimo na conta de luz.


A fala do ministro da Casa Civil, Rui Costa, de que o governo faria intervenções para baixar os preços dos alimentos —desmentida por ele mesmo poucas horas depois—, a essa altura parece ser mais real do que nunca.


Desde janeiro, Lula tem batido na tecla que vai baratear os preços dos alimentos. Falta planejamento estratégico, o que exige muito mais do que manobras de curto prazo. Não tem mágica.


 


COLUNA DO BROADCAST: PRIO DEVE EMITIR ATÉ US$ 750 MI E ABRIR NOVA FILA DE CAPTAÇÕES NO EXTERIOR- Broadcast 6/3


Por Cynthia Decloedt, Altamiro Silva Junior, Circe Bonatelli e Denise Luna


São Paulo e Rio 05/03/2025 - Uma nova fila de emissores brasileiros está se formando para captar recursos no exterior, na medida em que os juros do mercado futuro americano vão se acomodando em patamares mais baixos do que do início do ano. A Prio, por exemplo, deve lançar no exterior uma oferta de títulos (bonds) com prazo de sete anos que pode alcançar US$ 750 milhões nos próximos dias. A empresa tem uma concentração de vencimentos de dívidas em 2026, num total de US$ 1,4 bilhão. Mas sua alavancagem é bastante reduzida. No balanço do terceiro trimestre, estava em 0,5 vez, considerando o indicador que mede a relação entre dívidas e Ebitda (lucro antes dos impostos, juros e amortizações). O balanço do quarto trimestre será divulgado na semana que vem, dia 13.


Petroleira precisa fazer frente a investimentos


A Prio tem uma agenda de investimentos importante. Parte está relacionada ao campo de Wahoo, que deve trazer um novo salto de produção. Embora ainda aguarde a liberação de licença, a companhia já vem articulando a estrutura financeira para iniciar as perfurações e ligações com outros campos que já explora. Uma capitalização de R$ 2,5 bilhões foi aprovada na sexta-feira por seu conselho de administração.


Nubank, BB e Votorantim também olham o mercado externo


Outras companhias brasileiras devem acessar o mercado exterior. A lista tem nomes como o Votorantim, que já tem instituições mandatadas para a operação. A Coluna apurou que o Nubank estuda uma janela para captação no exterior ainda neste semestre, enquanto BTG Pactual e o Banco do Brasil podem acessar o mercado ao longo do ano.


MAIS NOMES. A Localiza também tem bancos contratados para uma oferta de bonds e aguarda o melhor momento para ir ao mercado externo. Outra candidata é a XP, que pretende acessar esse mercado ainda este ano, com uma operação entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões.


RETOMADA. Até o dia 25 de fevereiro, emissores brasileiros levantaram US$ 10,4 bilhões com bonds. É quase unanimidade entre bancos de investimento que o mercado de dívida externa brasileiro vai superar em montante os US$ 20 bilhões lde 2024. As projeções são de que até US$ 25 bilhões em bonds por emissores brasileiros serão lançados este ano.


COM A PALAVRA. Procurada, a Prio informou que não há novas captações comunicadas oficialmente. O BB afirmou que "monitora o mercado de forma contínua e avalia oportunidades para emissão de acordo com as necessidades de funding". BV, BTG Pactual e Nubank não comentaram. Localiza não se pronunciou até a publicação desta reportagem.


COPO...Apesar de ter registrado queda no lucro em 2024, a Petrobras apresentou em seus resultados do ano passado R$ 204 bilhões de fluxo de caixa operacional, indicador que mede o caixa gerado pelas receitas da companhia, como venda de derivados, menos as despesas, como custo de produção de petróleo.

...MEIO CHEIO. O valor supera o de outras gigantes brasileiras no mesmo exercício, sendo quatro vezes maior que o da mineradora Vale (R$ 50 bilhões), mais de sete vezes maior que o da Ambev (R$ 26 bilhões) e cerca de 10 vezes maior que JBS (21 bilhões) e Suzano (R$ 20 bilhões).


...MEIO VAZIO. A Petrobras surpreendeu o mercado financeiro, na semana passada, ao divulgar um prejuízo de R$ 17 bilhões no último trimestre do ano, enquanto analistas previam lucro do mesmo montante. O resultado impactou o lucro do ano, que ficou 70,6% abaixo do lucro obtido em 2023, em R$ 36,6 bilhões.


NO BOLSO. A Telefônica Brasil, dona da Vivo, vai aproveitar o conhecimento aprofundado que já tem sobre os hábitos dos seus clientes para oferecer a eles cada vez mais serviços. Só que de outro ramo: financeiro. A companhia lançará, possivelmente neste semestre, uma conta digital integrada e seguros de casa e viagem dentro da fintech Vivo Pay, com acesso pelo aplicativo Meu Vivo.


NOVOS HORIZONTES. A Telefônica obteve em setembro a licença do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). "A licença nos dá a possibilidade de ter produtos novos, como também de executar alguns dos produtos de maneira mais internalizada, com mais eficiência", disse o presidente da Vivo, Christian Gebara, em entrevista à Coluna durante o Mobile World Congress (MWC).


LUCRATIVA. Hoje, o Vivo Pay já oferece empréstimo pessoal, seguro para smartphone, antecipação de FGTS, compra parcelada no PIX, entre outras funções. Com isso, faturou R$ 461 milhões em 2024 - 14,5% mais que em 2023. Desde o início da operação, em outubro de 2020, o volume de empréstimos bateu em R$ 904 milhões.


 


‘BC virou cavaleiro solitário lutando contra a inflação’, diz Gustavo Loyola / Para o ex-presidente do BC, há um erro de diagnóstico do Palácio do Planalto nas soluções pensadas para reduzir os preços de alimentos e no lançamento de medidas de crédito- O Globo 6/3


Thaís Barcellos


Em busca de melhorar sua popularidade, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está dando um “tiro no pé” e contratando inflação e juros altos em 2026, ano eleitoral, avalia o economista Gustavo Loyola, que foi presidente do Banco Central nos primeiros anos do Plano Real.


Para Loyola, sócio da Tendências Consultoria, há um erro de diagnóstico do Palácio do Planalto nas soluções pensadas para reduzir os preços de alimentos e no lançamento de medidas de crédito que tendem a manter o consumo aquecido, anulando parte do esforço do BC para controlar a inflação.


A inflação preocupa?


Preocupa. Estamos vendo as expectativas inflacionárias não apenas acima da meta (de 3%, com teto de até 4,5%), mas se deteriorando gradualmente a cada pesquisa Focus (de projeções de mercado). Isso no meio de uma política do BC bastante contracionista, não apenas a que pratica hoje, mas considerando aquilo que está sinalizando nas suas comunicações. Isso mostra que há dificuldade maior para o BC trazer a inflação para o centro da meta.


Por qual razão?


A principal é o fato de que o governo está agindo na direção contrária à do BC. A política monetária tem efeito sobre a demanda, que demora um pouco a aparecer. Na medida em que o governo toma medidas fiscais e creditícias que incentivam a demanda, acaba anulando parte do esforço do BC.


Além disso, como não existe uma política fiscal vista pelos analistas como consistente com as necessidades do endividamento público, isso afeta a cotação do real, que se mantém desvalorizado, e exerce pressão altista sobre os preços. É uma situação que preocupa na medida em que o BC virou um cavaleiro solitário lutando contra a inflação.


O governo, liderado por Lula, tem o diagnóstico equivocado, achando que a inflação se controla com medidas intervencionistas. Mas elevando gastos fiscais gera-se ambiente macroeconômico cada vez mais desfavorável à redução da inflação.


Quais são as medidas?


A liberação de FGTS de R$ 12 bilhões. Isso é injeção na demanda. Medidas de crédito que o governo está dando, através de programas, como (reformulação) do consignado privado. O BC faz tudo para reduzir a demanda, o crédito, e vem o governo com uma medida contrária àquilo que o BC está buscando.


 


Medidas para impulsionar a atividade podem reduzir ainda mais a popularidade?


Sem dúvida. O governo está encomendando para o ano que vem uma inflação ainda alta e juros altos. Ou seja, dando um tiro no pé. Isso tem lembrado muito o fim do primeiro mandato da presidente Dilma (Rousseff), em que ela fez de tudo para tentar segurar a inflação artificialmente.


Foi reeleita, depois tentou corrigir esses equívocos e acabou se enrolando toda, inclusive com o crime de responsabilidade fiscal, que, junto com a perda de popularidade, acabou levando ao impeachment. O presidente e seus auxiliares têm atrapalhado o combate à inflação.


A redução de tarifas de importação ajudaria?


Reduzir tarifas é sempre boa coisa. Pode até provocar redução dos preços. É medida que pode ser importante para regularizar a oferta de algum produto, mas sozinha não vai resolver a inflação.


E para controlar a inflação não tem outra opção senão esfriar a economia?


É esfriar a economia e, principalmente, usar a política fiscal para ajudar o BC. Quanto mais a política fiscal é expansionista, mais a política monetária tem que ser contracionista. Isso acaba significando juros mais altos. Então se acaba prejudicando a economia como um todo, para eventualmente beneficiar um ou outro segmento.


Quando vai começar a declaração do IR 2025? Veja quem precisa declarar

Mas é possível avançar em medidas fiscais este ano, considerando o Congresso?


Sim. Primeiro, evitar piorar. Porque o governo, a cada dia que passa, anuncia mais gastos. Não significa que sou contra medidas sociais. Mas precisamos lembrar que não tem nada pior para a família de baixa renda do que a inflação, é um imposto que atinge os mais pobres. O governo não pode deixar a inflação subir porque a responsabilidade não é só do BC, é de todos.


Como vê declarações como a do ministro Haddad de que inflação de 4%, 5% é normal?


Esse tipo de declaração é inoportuna. Primeiro, você está normalizando um nível de inflação que é muito alto. Segundo, hoje, ele fala que 5% é normal. Amanhã, 6%. Depois, 7% e foi assim que o Brasil chegou onde chegou antes do Plano Real.


Não é para ficar confortável com 5% de inflação. É para estar preocupado e buscando reduzi-la a patamares internacionais, entre 2% e 3%. O ministro talvez tenha cometido esse erro porque quisesse tirar um pouco do sentimento de apavoramento, de crise imediata, que de fato não existe.

Overview 0603

 São Paulo, 06/03/2025


Por Luciana Xavier e Silvana Rocha*


OVERVIEW. A quinta-feira de agenda enxuta traz a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), seguida de fala da presidente da instituição, Christine Lagarde. Nos Estados Unidos, são esperados discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e os pedidos de auxílio-desemprego, em véspera do relatório oficial de emprego, o payroll. No Brasil, os diretores do Banco Central Diogo Guillen (Política Econômica) e Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais) participam das reuniões trimestrais com economistas, em São Paulo. O vice-presidente Geraldo Alckmin conversa por videoconferência com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.


NO EXTERIOR. Os futuros de Nova York acentuaram as perdas na última hora e caem mais de mais de 1%, afetando também as bolsas europeias. A queda de 15,50% das ações da Marvell pesa no Nasdaq futuro. Como pano de fundo para cautela estão as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a vários países e ameaças de tarifas que ainda virão. A ofensiva é a mais dura em mais de um século, desde a Grande Depressão, segundo o site Barrons. Em meio ao temor das tarifas comerciais, o BCE deve cortar hoje os juros mais uma vez, de 2,75% parta 2,50% diante o fraco desempenho da economia da região e expectativa de que a inflação vá para perto da meta de 2% até o final do ano. Na zona do euro, as vendas no varejo caíram 0,3% em janeiro ante dezembro, abaixo da previsão de estabilidade. Mas as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, refletindo a expectativa de mais medidas de estímulo na China e após Trump adiar tarifas para certas montadoras.


POR AQUI. O sinal negativo em NY deve afetar o apetite no Ibovespa em dia de queda do minério de ferro e alta modesta do petróleo. O EWZ, principal fundo de índice (ETF, na sigla em inglês), brasileiro negociado em Nova York caía 0,33% no pré-mercado às 7h15. Já o dólar tem sinais mistos ante moedas emergentes e ligadas a commodities, mas sobe ante o peso mexicano, a lira turca e o rand sul-africano. As tarifas de Trump seguem no radar, mas o governo Lula decidiu não responder ontem à nova menção do presidente americano Trump à cobrança de tarifas excessivas pelo Brasil e à ameaça de adoção de reciprocidade. Na reunião de hoje, Alckmin deve falar com Lutnick sobre as tarifas anunciadas pelos EUA que devem afetar produtos brasileiros, em especial o aço e alumínio, cuja sobretaxa já tem previsão de entrar em vigor na próxima quarta-feira, 12. O etanol também está no radar.


NA POLÍTICA.  A Procuradoria-geral da República (PGR) negou pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para estender o prazo de apresentação de defesa sobre a denúncia de tentativa de golpe de Estado. O prazo termina nesta quinta-feira. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o arquivamento de inquérito que investigava o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), por suposta omissão nos atos golpistas de 8 de Janeiro. O governo federal e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), travam uma disputa pública pelo controle do Aeroporto de Cargas de Anápolis, cidade a 60 quilômetros de Goiânia.


AGENDA.


BCE E SEGURO-DESEMPREGO NOS EUA EM FOCO - A agenda desta quinta-feira traz a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), às 10h15, seguida de fala da presidente da instituição, Christine Lagarde (10h45). Nos EUA, saem pedidos de auxílio-desemprego dos EUA (10h30), balança comercial de janeiro (10h30), estoques no atacado (12h). São esperados ainda discursos do diretor do Fed, Christopher Waller (17h30); do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic (21h). A Cúpula especial do Conselho Europeu se reúne para discutir sobre Ucrânia e defesa. Aqui tem o IPC-S de fevereiro (8h) e os leilões do Tesouro de LTN e NTN-F (11h).


O QUE SABEMOS.


ENEVA - A Eneva, por meio da Parnaíba II Geração de Energia, foi autorizada a operar comercialmente a unidade geradora 3, de 92,25 megawatts (MW) de potência, da usina termelétrica MC2 Nova Venécia 2. Ao todo, a usina soma 270,47 MW e localiza-se em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão. O empreendimento está em operação desde outubro de 2023 e tem gás natural como fonte. O aval para a unidade 03 foi publicado nesta quarta-feira, 05, no Diário Oficial da União.


EM TESE:  O aumento da capacidade de geração pode ser interpretado como um sinal de crescimento, de potencial aumento nas receitas e lucros da empresa e deve ser bem recebido, com efeito positivo nas ações. Fortalece sua posição no mercado de energia e a percepção do investidor sobre execução de projetos e o modelo de negócios. A usina com gás natural é uma adição relevante, pois pode ajudar a equilibrar a matriz energética, principalmente em momentos de maior demanda. A publicação do balanço do 4º trimestre está prevista para 20 de março. A ação ordinária (ENEV3) carrega perdas de 1,35% em 30 dias; alta de 11,11% em  2025 e queda de 3,70% em um ano.


OVERNIGHT.


IPC-FIPE - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,51% em fevereiro, de 0,24% de janeiro e ganho de 0,23% na terceira quadrissemana do mês passado, segundo a Fipe. O resultado ficou dentro das estimativas do Projeções Broadcast, que variavam de queda de 0,30% a alta de 0,62%, mas acima da mediana, de +0,45%.


DIVIDENDOS - As empresas brasileiras distribuíram 9% menos dividendos em 2024 em relação a 2023, impactadas por uma queda de 28,7% no último trimestre, segundo a Janus Henderson. No total, foram pagos US$ 22,4 bilhões, com a Petrobras representando quase metade (US$ 10,83 bilhões), seguida pela Vale (US$ 4,16 bilhões). Entre os emergentes, a China liderou, com alta de 17,8% nos dividendos, atingindo um recorde de US$ 62,7 bilhões.


TARIFAS - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse que várias empresas procuraram o governo em busca de isenções de tarifas, mas que a melhor maneira de evitar a tributação é mediante o investimento no país.


PETRÓLEO - O Citi prevê queda nos preços do petróleo em 2025, pois o aumento da oferta, especialmente da Opep+, deve superar o crescimento da demanda global. A decisão da Opep+ de elevar a produção reforça a expectativa de excedente no mercado. Além disso, a pressão de Donald Trump por preços mais baixos também aumenta esse risco. No longo prazo, o banco destaca que a Opep+ pode reativar sua capacidade ociosa devido ao baixo investimento no xisto dos EUA, que pode persistir mesmo com cortes de impostos.


ALEMANHA - O acordo para reformar a regra fiscal na Alemanha indica um possível estímulo de 1% a 2% do PIB nos próximos dois anos, segundo a Capital Economics. Isso poderia aumentar o crescimento do PIB em até 0,5 ponto porcentual em 2026 e pressionar a inflação de salários e preços. O Lombard Odier prevê que as reformas fiscais da Alemanha impulsionarão o crescimento do PIB da zona do euro, com maior impacto em 2026. Para a Eurasia, a reforma da regra fiscal deve ser aprovada este mês pelo atual parlamento  alemão.


AIR FRANCE-KLM - A Air France-KLM divulgou um prejuízo líquido de 63 milhões de euros no quarto trimestre de 2024, bem menor do que a perda de 256 milhões de euros apurada em igual período de 2023. Já o resultado operacional da companhia aérea franco-holandesa passou para lucro de 396 milhões de euros, revertendo prejuízo de 56 milhões de euros de um ano antes, enquanto a receita cresceu 6,4%, a 7,88 bilhões de euros. Os resultados superaram as expectativa de analistas, que previam lucro operacional de 160 milhões de euros e receita de 7,72 bilhões de euros, segundo consenso fornecido pela própria empresa.


E NOS MERCADOS.


TREASURIES E FUTUROS DE NY- Os rendimentos dos Treasuries longos ampliam valorização de ontem, enquanto os índices futuros das bolsas de Nova York recuam, após Wall Street fechar com ganhos de mais de 1%. Investidores aguardam dados econômicos dos EUA, incluindo pesquisa semanal sobre pedidos de auxílio-desemprego, além de comentários de autoridades do Federal Reserve (Fed). Decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE) e eventuais anúncios tarifários do governo Trump também estão no radar. Às 7h30, o juro da T-note de 2 anos caía a 3,993% (de 4,001% no fim da tarde de ontem), o da T-note de 10 anos avançava a 4,302% (de 4,279%) e o do T-bond de 30 anos aumentava a 4,593% (de 4,569%). No mercado futuro, o Dow Jones caía 0,82%, o S&P 500 recuava 0,97% e o Nasdaq tinha perda de 1,16%.


BOLSAS EUROPEIAS - As bolsas europeias operam sem direção única nesta quinta-feira, enquanto investidores aguardam decisão do Banco Central Europeu (BCE), que provavelmente cortará seus juros básicos mais uma vez. Londres e Franbkfurt ampliaram perdas após decepção com as vendas no varejo em janeiro na zona do euro, abaixo das previsões. Às 7h32, a Bolsa de Londres caía 0,92%, enquanto a de Paris cedia 0,38% e a de Frankfurt avançava 0,34%.


MOEDAS - O dólar recua frente outras moedas de países desenvolvidos, ampliando fortes perdas de ontem. Investidores aguardam decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE), dados dos EUA e eventuais anúncios tarifários do governo Trump. Às 7h32, o euro estava a US$ 1,0794 (de US$ 1,0798), a libra cedia a US$ 1,2878 (de US$ 1,2899). O dólar caía a 147,96 ienes (de 148,77 ienes). Já o índice DXY do dólar - que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes - tinha queda de 0,12%, a 104,17 pontos.


PETRÓLEO - Os contratos futuros do petróleo operam em alta modesta na madrugada desta quinta-feira, em um provável movimento de recuperação técnica depois de acumularem perdas por quatro sessões consecutivas. Às 7h34, o barril do petróleo WTI para abril subia 0,45% na Nymex, a US$ 66,64, enquanto o do Brent para maio avançava 0,42% na ICE, a US$ 69,58.


BOLSAS DA ÁSIA  - As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira, em meio a expectativas de mais medidas de estímulo na China e após o presidente dos EUA, Donald Trump, adiar por u mês a aplicação de tarifas de 25% para montadoras do mercado do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Na China, o índice Xangai Composto subiu 1,17%, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,81%. Após o encerramento dos negócios, autoridades chinesas prometeram mais incentivos monetários e fiscais, incluindo cortes de juros e compulsórios e medidas para estimular o consumo. Em Hong Kong, o Hang Seng saltou 3,29%, atingindo o maior patamar em três anos. O japonês Nikkei subiu 0,77% em Tóquio. O sul-coreano Kospi avançou 0,70% em Seul. Na contramão, o Taiex caiu 0,68% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 recuou 0,57% em Sydney, na terceira queda seguida.


*Colaborou Sergio Caldas


Contatos: luciana.xavier@estadão.com e silvana.rocha@estadao.com




Broadcast+

News 0603

 🏦 *TARIFAS E DADOS FRACOS DOS EUA SEGUE INFLUENCIANDO MERCADOS*


Os líderes europeus aumentam gastos militares diante da incerteza sobre o apoio dos EUA à OTAN, elevando expectativas para o BCE. O mercado prevê um corte de juros na zona do euro (de 2,75% para 2,50%) na reunião desta quinta-feira (10h15), mas Lagarde pode adotar tom cauteloso na coletiva (10h45). Nos EUA, dados fracos do ADP reforçam apostas em um corte de 75bps nos juros este ano, derrubando o dólar. Trump mantém volatilidade nos mercados com sua política de tarifas, enquanto investidores se apegam aos dados econômicos, com o payroll sendo o foco da semana. Wall Street reage bem à perspectiva de juros mais baixos, impulsionada por índices de atividade resilientes e o Livro Bege apontando leve crescimento.


*TARIFAS NO BRASIL* - Com a sobretaxa de 25% sobre o aço nos EUA prevista para 12/03, o setor siderúrgico brasileiro busca renovar o acordo de cotas fechado em 2018. O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, aposta na reunião de hoje (17h30) entre Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, para manter a exportação de 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado sem tarifas. O Brasil é o maior fornecedor de placas de aço para os EUA e grande importador de carvão siderúrgico americano (US$ 1,4 bi em 2024), reforçando a relevância econômica da parceria. O governo Lula acredita que o foco das tarifas dos EUA está no etanol, com baixo risco para carnes e café.


*FRIGORÍFICOS* - O Goldman Sachs alerta que a escalada da guerra comercial entre EUA e China pode afetar o setor de proteína animal na América Latina, elevando os custos de ração no Brasil devido às tarifas chinesas sobre a soja americana. Isso impactaria negativamente a BRF, enquanto a JBS poderia compensar a suspensão temporária das importações chinesas de carne bovina redistribuindo suas exportações. As novas tarifas dos EUA sobre produtos do Canadá, México e China geraram retaliações chinesas de 10% a 15% sobre produtos agrícolas dos EUA. O impacto no mercado de carne bovina americano deve ser limitado, mas as represálias do México podem afetar exportações de milho e frango. O Canadá ameaça impor tarifas de CA$ 155 bilhões sobre produtos americanos, mas ainda não indicou restrições a commodities essenciais para os EUA.


*MERCADO* - O mercado reagiu positivamente à sinalização da Casa Branca de aliviar temporariamente tarifas sobre veículos do Canadá e México, ao otimismo com os cortes de juros do Fed e à meta de crescimento de 5% da China. O dólar caiu quase 3%, fechando a R$ 5,75, e o real foi a moeda que mais se valorizou globalmente. Nos EUA, o Dow Jones (+1,14%), S&P 500 (+1,12%) e Nasdaq (+1,46%) subiram. O Ibovespa avançou 0,19%, mas foi contido pela queda de 2,5% do petróleo, que derrubou a Petrobras (ON -4,61%, PN -3,65%). A Vale (+0,80%) e bancos como Bradesco (+2,05%) e Itaú (+1,50%) sustentaram parte dos ganhos. As negociações de paz entre Rússia e Ucrânia também voltaram ao radar, com Zelensky sinalizando abertura ao diálogo sob liderança de Trump.

quarta-feira, 5 de março de 2025

Lech Walesa

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"O ex-presidente da Polônia Lech Wałęsa escreveu a seguinte carta a Donald Trump:

Excelência, Senhor Presidente,

Assistimos à sua conversa com o presidente Zelensky com medo e desgosto. É um insulto que você espere que a Ucrânia mostre gratidão pela ajuda material dos EUA em sua luta contra a Rússia.

Devemos gratidão aos heróicos soldados ucranianos que derramaram seu sangue por mais de 11 anos para defender os valores do mundo livre e sua pátria, atacada pela Rússia de Putin.

Como pode o líder de um país que simboliza o mundo livre deixar de reconhecer isso?

A atmosfera do Salão Oval durante sua conversa nos lembrou dos interrogatórios dos Serviços de Segurança e tribunais comunistas. Naquela época, os promotores nos disseram que tinham todo o poder, enquanto nós não tínhamos nenhum.

Eles nos despojaram de nossas liberdades por nos recusarmos a cooperar ou expressar gratidão por nossa opressão. Estamos chocados que o presidente Zelensky tenha sido tratado de forma semelhante.

A história mostra que quando os EUA se distanciaram dos valores democráticos e de seus aliados europeus, acabaram se colocando em perigo.

Wilson entendeu isso em 1917, quando os EUA entraram na Primeira Guerra Mundial. Roosevelt sabia disso depois de Pearl Harbor em 1941 — percebendo que defender a América significava lutar tanto no Pacífico quanto na Europa.

Sem o presidente Reagan e o apoio financeiro dos EUA, o colapso do império soviético não teria sido possível. Reagan chamou a URSS de “Império do Mal” e a confrontou decisivamente.

Vencemos e hoje sua estátua está em Varsóvia, de frente para a Embaixada dos EUA.

Senhor Presidente, a ajuda militar e financeira não pode ser equiparada ao sangue derramado pela independência da Ucrânia e pela liberdade da Europa e do mundo.

A vida humana não tem preço. A gratidão é devida àqueles que sacrificam seu sangue e liberdade — algo evidente para nós, ex-prisioneiros políticos do regime comunista sob a Rússia Soviética.

Instamos os EUA a cumprirem o Memorando de Budapeste de 1994, que estabeleceu uma obrigação direta de defender as fronteiras da Ucrânia em troca da renúncia às armas nucleares.

Essas garantias são incondicionais — em nenhum lugar elas sugerem que tal ajuda seja uma mera transação econômica.

Signed,

Lech Wałęsa, former political prisoner, Solidarity leader, President of Poland

(Link no primeiro comentário)"

Paulo Roberto Almeida

 https://www.facebook.com/share/15uJQxbL5p/


*Vamos olhar para dentro, again* 


Paulo Roberto de Almeida


Trump está anunciando o maior programa de introversão umbilical da história dos EUA, ever. Não sei se vai conseguir nos próximos 3,5 anos, mas é possível que consiga entravar os EUA por anos à frente.


Xi Jinping e toda a China agradecem a facilitação desse trabalho no sentido de “make China great again”. 


Três séculos atrás, um Imperador idiota, aconselhado por mandarins talvez  “republicanos”, resolveu fechar os portos da China aos contatos estrangeiros, expulsar os “imigrantes” e passar a viver na excelência de suas realizações anteriores, excelentes até ali.

Em consequência, a China passou em branco pela primeira revolução industrial, pela segunda, e na terceira, estava imersa no Grande Salto para a Frente e na Revolução Cultural do maoísmo demencial, e conseguiu recuar o gigante asiático da primeira economia do mundo (1/3 do PIB global) até o século XVIII, para menos de 5% do PIB total sob Mao.


Deng, com certo esforço, logrou colar a China à 4a. revolução industrial, e ela já está a caminho da 5a. e possivelmente já está na 6a., com distinção.

Trump quer recuar os EUA abaixo da 3a. revolução industrial, para o fordismo da 2a., a do motor à explosão e do petróleo.

Os chineses só observam, satisfeitos, mas silenciosos. 


Como diria Napoleão, nunca interrompa seu inimigo quando ele estiver fazendo alguma bobagem. Keep quiet China!


Trump está ajudando a fazer a China great again, e ela agradece, mas só silenciosamente, para não interromper esse magnífico processo de retrocesso programado, deliberado e voluntário.


Arnold Toynbee e Carlo Maria Cipolla, estudiosos da sucessão e da decadência dos impérios, já faleceram, pois teriam excelente material empírico para continuar A Study of History e The Economic Decline of Empires em novas bases, nunca antes vistas na História.

Trump merece todo o crédito pela obra grandiosa, aplaudido freneticamente pelos republicanos amestrados.


Confesso que eu nunca esperei ter uma exposição completa de um painel inteiro do desenvolvimento histórico num único discurso alucinante no Congresso americano. Thanks Donald: como diria Keynes, teremos consequências economicas de Mister Trump.

Encerro, deplorando o espetáculo.


Paulo Roberto Almeida

Brasília, 5 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 0503

 Trump brinca de guerra comercial | BDM - Bom Dia Mercado

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[05/03/25]


… Os futuros de NY registraram uma reviravolta positiva ontem à noite após o secretário de comércio dos EUA, Howard Lutnick, dizer que Trump poderá anunciar ainda hoje “algum alívio” nas tarifas para o Canadá e o México, encontrando-se com os parceiros comerciais para chegarem a um “meio-termo”. A mudança de atitude ocorre poucas horas depois que a Casa Branca confirmou as tarifas, inclusive para a China, e levou de volta as respectivas retaliações, com os mercados reagindo aos prováveis impactos para a inflação americana. Trump também jogou duro com Zelensky, suspendendo a ajuda militar à Ucrânia, que agora diz estar pronta para fechar um acordo com a Rússia sob a “forte liderança” dos EUA. Os pregões domésticos reabrem hoje, às 13h, já na onda da volatilidade induzida por Trump.


… A agenda da semana mais curta do Carnaval é importante aqui e lá fora. NY terá payroll, discurso de Powell, Livro Bege. A zona do euro, reunião do BCE. E o Brasil, o PIB/4Tri e as repercussões sobre as últimas novidades do governo Lula.


… A nomeação de Gleisi Hoffmann para a articulação política, no lugar de Alexandre Padilha, gera expectativa e muitas dúvidas quanto ao seu significado. Lula surpreendeu o mercado, que teme por uma guinada (ainda mais) populista para recuperar a popularidade.


… Crítica contumaz do ministro Haddad, Gleisi leva o investidor a redobrar a cautela com a percepção fiscal e a agenda econômica.


… “Gleisi no Palácio é mais um sinal dos descaminhos da política econômica e tender a fragilizar Haddad ainda mais”, avalia Sérgio Vale, da MB Consultoria, lembrando o seu perfil combativo ao controle fiscal e à alta da Selic.


… Na própria 6ªF, atendendo a pedido de Lula, Gleisi ligou para Haddad e também procurou outros ministros e líderes no Congresso para buscar uma aproximação, segundo apurou a Folha. A melhor hipótese é de que ela assuma uma postura mais conciliadora.


… Outro alerta foi a notícia (também da Folha, neste Carnaval) de que Lula cogita nomear Guilherme Boulos (PSOL) como secretário-geral da Presidência, cargo que era cotado para Gleisi e que faz a interlocução com os movimentos sociais.


… Na 6ªF, antes de sair para o Carnaval, o dólar rompeu R$ 5,90 (R$ 5,9163, +1,5%), o DI resgatou as taxas de 15% e o IBOV queimou dois mil pontos (-1,6%, 122.799,09) com o impacto combinado do cenário externo adverso com as incertezas domésticas.


… Trump agiu em dois tempos. Primeiro foi para cima e mostrou que não estava blefando, como muitos queriam acreditar. Anunciou que as tarifas de 25% para o Canadá e o México, e a tarifa adicional de 10% para a China, estavam em vigor desde ontem.


… A retaliação de Pequim foi imediata, com um aumento de 15% na tarifa sobre alimentos e outros produtos agrícolas importados pelos EUA. Além disso, os chineses elevaram as restrições para a exportação a empresas americanas.


… A China também entrou com ação na OMC, alegando descumprimento das regras pelos americanos.


… De seu lado, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou que vai aplicar uma tarifa de 25% sobre os EUA. A cobrança atingirá um total de 155 bilhões de dólares canadenses (US$ 107 bilhões) em mercadorias americanas.


… O processo será realizada em duas etapas: de imediato, a tarifa será aplicada a 30 bilhões de dólares canadenses em importações. Em um segundo momento, daqui a 21 dias, afetará o restante dos produtos dos EUA.


… Trudeau afirmou que as tarifas permanecerão em vigor até que os Estados Unidos removam os 25% para os produtos canadenses, cuja cobrança, segundo ele, é ilegal e será contestada na OMC.


… Trump rebateu em postagem: “Expliquem ao Trudeau que quando ele retaliar elevaremos na mesma proporção.”


… No México, Claudia Sheinbaum prometeu que revidaria os EUA no próximo domingo, em anúncio em praça pública.


… À noite, a conversa virou e veio o secretário de comércio americano para mudar o rumo das coisas. Tudo em menos de 24 horas.


HUMILHAÇÃO, PARTE 2 – Ainda no noticiário do Carnaval, Trump anunciou que estava tirando toda a ajuda dos EUA à Ucrânia, deixando Zelensky sem saída para assinar o acordo que permite aos americanos explorarem minerais em território ucraniano.


… Em seu primeiro discurso do segundo mandato no Congresso, Trump antecipou ontem à noite que anunciará no fim de semana medida para expandir a produção de minerais críticos e a exploração em terras raras nos EUA.


… Disse ainda que fez mais em 43 dias do que outros antecessores fizeram em 4 anos, que está só começando, prometeu derrotar a inflação e equilibrar o orçamento federal em um “futuro próximo”.


… Citou ainda nominalmente o Brasil, além da UE, China, México e Canadá, pela cobrança de tarifas “injustas” dos EUA. Ele repetiu que as tarifas recíprocas serão adotadas no início de abril (dia 2).


MAIS AGENDA – Em meio ao interesse político de que a economia continue aquecida, o IBGE divulga na 6ªF o PIB/4Tri e do acumulado do ano passado. No Broadcast, a mediana indica altas de 0,4% e 3,5%, respectivamente.


… Semana passada, Lula disse que o Brasil cresceu 3,8% no ano passado e vai crescer “um pouco mais de 2,5%” este ano, contrariando o governador Tarcísio (SP), que previu em reunião com prefeitos um recuo de até 2% do PIB.


… Além do PIB, na 6ªF, sai a balança comercial de fevereiro.


… Amanhã (5ªF), dois indicadores de inflação de fevereiro devem acelerar: o IPC-S, de 0,02% em janeiro para 1,21%, e o IPC-Fipe, de 0,24% para 0,45% no mesmo período.


O QUE MAIS VEM AÍ – O governo deixou para depois do Carnaval a definição das medidas para conter os preços dos alimentos. O vice Alckmin assegurou que não haverá “heterodoxia”, como aumento de imposto e criação de cobrança sobre a exportação.


… Também para depois do Carnaval é esperada a MP que melhora o acesso ao crédito consignado privado e o projeto de lei que cria um novo formato para custear o programa Auxílio-Gás dentro das regras do arcabouço fiscal.


… A MP que libera o saque do FGTS para trabalhadores que tiveram o saldo retido por optar pelo saque-aniversário foi publicada na 6ªF em edição extra do Diário Oficial da União. A estimativa é de que R$ 12 bilhões sejam liberados.


… A injeção de dinheiro na economia coloca em xeque o esfriamento da atividade e das pressões inflacionárias.


LÁ FORA – Na 6ªF forte, o payroll de fevereiro e um discurso de Powell em universidade calibram as projeções para a política monetária, neste momento em que cresce a aposta em um corte acumulado de 75pb pelo Fed (leia abaixo).


… Antes do payroll, saem hoje nos EUA o relatório ADP sobre a criação de empregos no setor privado em fevereiro (10h15), o PMI/S&P Global de serviços (11h45), as encomendas à indústria em janeiro (12h) e o Livro Bege (16h).


… Os estoques de petróleo do DoE serão divulgados às 12h30. Durante o carnaval, a Opep e seus aliados decidiram por um aumento “gradual” da produção, de pouco menos de 0,5% ao mês, entre abril deste ano e o final de 2026.


… Os aumentos devem ocorrer na Arábia, Argélia, Casaquistão, Emirados Árabes, Iraque, Kuwait, Omã e Rússia. A previsão é de que os países estejam produzindo 31,650 milhões de bpd no final/2025 e 32,880 milhões no fim/26.


… Diante da retomada da produção pela Opep+ no mês que vem e temores de desaceleração do crescimento global com as tarifas de Trump, o barril do Brent para maio recuou 0,81% ontem, cotado a US$ 71,04 na Ice londrina.


ZONA DO EURO – Na agenda de hoje, a leitura final do PMI de serviços e composto/fev será divulgada na Alemanha (5h55), zona do euro (6h) e Reino Unido (6h30). Às 7h, tem PPI da zona do euro. Bailey (BoE) fala às 11h30.


… Amanhã (5ªF), é amplamente esperado que o BCE corte o juro novamente, de 2,75% para 2,50%. Mas os próximos passos já não são tão claros, diante das pressões da inflação e dúvidas sobre o impacto do protecionismo de Trump.


… Lagarde pode dar alguma pista em coletiva de imprensa amanhã, quando também o BC da Turquia decide juros.


CHINA HOJE – Durante o carnaval, dados da atividade chinesa confirmaram uma melhora. A leitura final do PMI industrial medido pelo setor privado (S&P Global) subiu de 50,1 (jan) para 50,8 (fev) e superou a previsão de 50.


… O indicador oficial passou a apontar expansão. Avançou de 49,1 para 50,2, também acima do esperado (49,9).


… Ontem saiu o PMI/S&P Global composto, que subiu de 51,1 em janeiro para 51,5 em fevereiro, nível mais alto dos últimos três meses. O PMI de serviços registrou crescimento de 51,0 pontos para 51,4 no mesmo intervalo.


… Na virada de 5ªF para 6ªF, será divulgada a balança comercial de janeiro.


… No Congresso Nacional do Povo, que se prolonga até o fim de semana, a China estabeleceu nesta 3ªF uma meta de crescimento do PIB de “cerca de 5%” para 2025, a mesma do ano passado, apesar dos desafios.


… Além das tensões comerciais, preocupam a demanda doméstica fraca e a prolongada desaceleração do mercado imobiliário chinês.


JAPÃO HOJE – O PMI/S&P Global composto subiu de 51,1 pontos em janeiro para 52,0 pontos em fevereiro. O PMI de serviços avançou de 53,0 para 53,7 no mesmo período, também em território de expansão.


FLIGHT TO QUALITY – Preocupações com o impacto das tarifas a produtos de México, Canadá e China sobre a economia dos EUA pesaram sobre as bolsas em NY, que fecharam em baixa forte nesta 3ªF, feriado de Carnaval no Brasil.


… O S&P 500 caiu 1,22%, aos 5.778 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 1,55%, aos 42.520 pontos. Só o Nasdaq (-0,35%, 18.285 pontos) foi um pouco melhor com a recuperação de algumas techs, como a Nvidia (+1,69%), que havia sofrido mais em pregões anteriores.


… “A decisão de Trump de avançar com as tarifas, somada a mais dados fracos sobre a economia dos Estados Unidos, resultaram em busca por segurança nos mercados financeiros”, disse Jonas Goltermann, economista da consultoria Capital Economics.


… Mas ele foi um dos que considerou a reação exagerada, prevendo que Trump poderia mudar de ideia a qualquer momento.


… O medo de uma guerra comercial enfraqueceu o dólar. No final do dia em NY, o euro subia para US$ 1,0614, enquanto a libra esterlina avançava a US$ 1,2786. O dólar também caiu em relação ao iene, porém em menor grau (a 149,16 ienes).


… Já em relação ao peso mexicano, o dólar subiu a 20,7009 pesos, avançando ainda sobre o dólar canadense (1,4477 por dólar).


… As taxas dos Treasuries reagiram sem direção única, refletindo as preocupações com o efeito inflacionário das tarifas e os receios com a perda de fôlego da economia americana. Enquanto o yields da Note-2 anos caiu para 3,932%, o da Note-10 anos subiu a 4,202%.


… Apesar do risco de os choques das tarifas evoluírem para inflação mais alta, dados fracos de atividade nos EUA têm aumentado as apostas em uma redução acumulada de 75 pontos-base nos juros pelo Fed neste ano.


… Apesar disso, o Fed boy John William descartou, nesta 3ªF, mudanças nos juros neste momento, ressaltando que é preciso esperar o desdobramento das políticas de Trump sobre a inflação antes de decidir sobre eventuais alterações.


… Impulsionado pelas incertezas com tarifas e tensões geopolíticas, o ouro fechou em alta nesta 3ªF, com o contrato para abril subindo 0,67% na Comex, negociado a US$ 2.920,60/onça-troy. O metal se aproxima do seu recorde histórico de US$ 2.974/onça-troy.


… O ouro é alimentado ainda pelo conflito na Europa Oriental e expectativa de um aumento nas apostas de cortes de juros pelo Fed.


EM TEMPO… PETROBRAS reduziu QAV em 5,9%, o que corresponde a uma redução aproximada de R$ 0,25/litro, informou a estatal. A medida está valendo desde o sábado de Carnaval (1º/3).


PRIO informou que o conselho de administração aprovou o aumento do capital social no valor de R$ 2,8 bilhões e que o Ibama concedeu a licença de perfuração para o campo de Wahoo.


SANTANDER informou a exoneração do diretor vice-presidente executivo Franco Raul Rizza, no cargo desde janeiro de 2024, quando substituiu Antonio Pardo de Santayana Montes…


… Também foi anunciada nomeação interina do atual diretor vice-presidente executivo, Gustavo Alejo Viviani, à função de diretor responsável por gerenciamento de riscos (CRO) do conglomerado prudencial do banco no Brasil…


… Banco relacionou em formulário 20-F como riscos de seu negócio a chance de falha na proteção de informações pessoais, efeitos nocivos do uso da IA e forte ambiente competitivo no mercado de serviços financeiros.


ASSAÍ. Antipodes Partners Limited passou a deter 1.352.215.647 de ações ON, o que representa 5,13% do total.


IGUATEMI. Radar Gestora de Recursos passou a deter 47.285.400 de ações PN, equivalentes a 10,67% do total.


MÉLIUZ informou a renúncia da Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e de Bruno Chamas Alves como membros do conselho de administração…


… Em substituição, foram eleitos Tiago Bortoletto Veloso de Almeida e Guilherme Villela de Viana Bandeira…


… Já no lugar de Ofli Campos Guimarães, que renunciou em novembro, assumiu Roberta Lemos Antunes da Silva. Na posição de Júlio Cezar Tozzo Mendes Pereira, que deixou o conselho em janeiro, entrou Matheus Ferreira.


WEG concluiu a aquisição da Reivax, empresa brasileira no setor de sistemas de controle para geração de energia, anunciada em novembro do ano passado.


AGROGALAXY anunciou que pretende agrupar ações na B3 para atender à exigência de negociação acima de R$ 1; proposta será votada pelos acionistas em 3 de abril; se aprovada, cada 15 ações serão condensadas em uma só.


ENERGISA. Fundos de investimentos geridos pelas Entidades Goldman Sachs realizaram operações que resultaram em posição de derivativos com liquidação física equivalente a 81.126.100 de ações PN de emissão (5,79% do total).


ANEEL anunciou bandeira tarifária verde em março, mencionando o volume de chuvas e as boas condições dos níveis dos reservatórios. É o quarto mês consecutivo em que não há custo adicional na tarifa de energia.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...