segunda-feira, 24 de março de 2025

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: A TAL DA DEFASAGEM DO APERTO DO COPOM


Será muito importante para os analistas ajustarem suas projeções para a taxa terminal da Selic, no atual ciclo de aperto monetário, a comunicação do Banco Central nesta semana, com a divulgação da ata da última reunião do Copom, amanhã, e do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), na quinta-feira. Depois da decisão da última reunião do Copom, com a elevação da Selic para 14,25%, o comunicado deu margens para debate se o ciclo poderá ser encerrado em maio, além da magnitude dos últimos ou do último ajuste dos juros. Não à toa, há projeções de taxa terminal a 15,25%, 15% e até 14,75%. De um lado, o comunicado sinalizou que o aperto seguirá em maio, mas com um ajuste de menor magnitude. Citou a desancoragem adicional das expectativas de inflação. De outro, o texto do documento introduziu a expressão "defasagens inerentes", usada habitualmente quando o BC acena para o fim de um ciclo de aperto monetário. Além disso, o Copom citou sinais de "incipiente moderação" da atividade econômica. Será, portanto, um ponto de grande interesse na ata da última reunião do Copom quanto o BC irá detalhar a sua visão sobre esses efeitos da defasagem do aperto monetário adotado até agora. Com base em tal explicação, se houver, poderá o mercado afinar sua aposta para mais duas ou apenas uma alta adicional da Selic? Outro foco de atenção estará na visão do BC sobre a "incipiente" moderação na atividade econômica. E qual o risco de esse esfriamento ganhar velocidade e a desaceleração surpreender mais adiante? Houve também quem considerou que o comunicado foi relativamente econômico ao falar do ambiente externo, especialmente sobre os riscos de baixa à atividade econômica global das tarifas de importação dos Estados Unidos, anunciadas pelo presidente Donald Trump. Talvez, a ata venha expor mais argumentos acerca desse tema. Sem falar na apreciação do real ante o dólar. Em março, até a sexta-feira passada, o dólar acumulava perda de 3,4% ante o real, fechando a R$ 5,7177. Ou seja, como o fator câmbio poderá levar a uma melhora na expectativa inflacionária no curto prazo. E como as projeções de inflação ganharam destaque no comunicado do Copom, aumentou a expectativa em relação ao RTI do primeiro trimestre, que sairá na quinta-feira. Mais especificamente: a estimativa do BC para a inflação no quarto trimestre de 2026, que passará a ser o horizonte relevante da política monetária na reunião do Copom em maio. É bom lembrar que, no comunicado da reunião da semana passada, o Copom revisou de 4,0% para 3,9% a sua projeção para o IPCA no terceiro trimestre de 2026. Estaríamos claramente num ponto de inflexão para as projeções de inflação? Poderá o BC revisar para baixo, no RTI deste primeiro trimestre, a sua estimativa para o IPCA no quarto trimestre de 2026? No RTI de dezembro, a projeção do BC para a inflação no quarto trimestre de 2026 estava em 3,6%. Mantida essa estimativa o cenário de quem tem uma taxa terminal de 15,25% não fica, por enquanto, desautorizado. Uma revisão para baixo dessa projeção poderá deixar a porta aberta para os que apostam numa taxa terminal mais baixa ao fim do ciclo. Também no RTI, os analistas aguardam para ver se o BC vai revisar a sua estimativa para o PIB deste ano. Em dezembro, essa projeção foi elevada de crescimento de 2% para 2,1%. Resta saber se a qualificação de "incipiente" moderação no crescimento resultará num corte da projeção do PIB no RTI, mesmo que levemente. Há ainda a avaliação sobre o nível do juro real neutro, que, no último RTI de dezembro, o BC estimou em 5,0%. Muitos analistas, contudo, não acreditam que o BC irá fazer tão cedo outra mudança na sua estimativa. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

Amilton Aquino 2

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Dei uma olhada nas reações ao editorial do Estadão, “Isso não é justiça”, sobre o voto de Moraes na condenação de mais uma ré pelo episódio de 8 de janeiro a 14 anos de prisão. Não há meio-termo. De um lado, os adeptos do “sem anistia”. Do outro, os indignados com os dois pesos da nossa Justiça: rápida e implacável com cidadãos comuns que embarcaram na loucura bolsonarista, mas completamente cega e morosa em relação aos bandidos de alta plumagem - sejam eles corruptos confessos, que hoje caminham livres pelos corredores de Brasília, ou até mesmo representantes das duas maiores facções do crime organizado do país, que também circulam livremente fazendo lobby por “melhores condições carcerárias” e até  por “anistia” para alguns criminosos ilustres, que contam até com o reforço de um documentário na Netflix, com direito a fala do presidente do STF e do filho de um de um dos líderes do Comando Vermelho!


Sim, hoje o queridinho de grandes ídolos brasileiros como Neymar e Vinicius Júnior, por exemplo, é um cantor trapper, o tal Oruam, apologista do Comando vermelho, que faz shows, muitos patrocinados com dinheiro público, pedindo anistia ao pai, Marcinho VP, com tatuagem de outro criminoso, Elias Maluco, o cara que torturou e matou o jornalista Tim Lopes, da Globo, a mesma Globo que hoje abre espaço para o tal Oruam!


Puro suco de Brasil, o Brasil de um STF que proíbe policiais de fazerem operações nos morros. O Brasil cujo ministro da Justiça, ex ministro do STF, não só criou a excrescência das audiências de custódia, como agora lança um pacote cujo principal objetivo é afrouxar ainda mais para os bandidos!


É surreal. Aliás, surreal foi também a cena da policial que nesta semana desenrolou num programa de TV a incrível folha corrida de um bandido preso e solto inúmeras vezes pela nossa justíssima justiça. Como ter ânimo para arriscar a vida para prenderH um bandido que, no momento da prisão, vai rir da sua cara, afirmado que no dia seguinte vai estar novamente solto? Com a palavra, os deuses do olimpo do STF!


Mas voltando a reação dos leitores, como explicar tamanha divergência de interpretação dos fatos? 


A razão é simples: a interpretação do que houve em 8 de janeiro. Teria sido de fato uma tentativa de golpe de estado ou apenas mais uma arruaça na Esplanada dos Ministérios, semelhante à promovida pela esquerda no governo Temer, que contou, inclusive, com a participação de parlamentares como Gleisi Hoffmann?


Quem acompanha minhas opiniões sabe que me inclino mais para o segundo grupo, mas não minimizo o que aconteceu, desde o fatídico “basta um cabo e um soldado”, proferido pelo então empoderado Eduardo Bolsonaro - que, coincidentemente, nesta semana resolveu se exilar nos EUA. Não faltaram alertas de pessoas próximas a Bolsonaro de que esse caminho de extrapolações não terminaria bem. Mas ele não deu ouvidos. E, de protesto em protesto, foi esvaziando o poder de intimidação que as manifestações um dia tiveram, ao transformá-las em instrumento de culto pessoal. 


Vai longe o tempo em que ministros do STF tremiam com as movimentações das ruas. Hoje, no máximo, tais manifestações de velhinhos vestidos de verde e amarelo provocam mais risos do que qualquer receio dos ministros sobre a prisão iminente de Bolsonaro.


Olhando para trás, fico imaginando como estaria o Brasil hoje se Haddad tivesse vencido em 2018. Certamente pouco disso tudo teria acontecido. O PT estaria ainda mais desgastado, pois Haddad teria herdado a pandemia, levando a dívida pública a patamares muito maiores em 2022. Certamente a Lava Jato teria sido enfraquecida com o PT no poder, mas nada comparado ao que vimos no governo Bolsonaro. Talvez Moro não tivesse cometido seu maior erro: abandonar a magistratura para entrar na política.


Minha dúvida é como teria sido um governo Bolsonaro em 2022. Teria sido mais ou menos beligerante? Não sei. Mas certamente ele teria sido reeleito, sem o desgaste da pandemia. Talvez estivesse agora tentando mudar a legislação para remover a restrição de dois mandatos. Não sei. Mas o certo é que, se Lula chegasse à presidência em 2026, estaria ainda mais decrépito e com menos horizonte pela frente - um mal menor para o Brasil.


Mas, enfim, são apenas devaneios. Os fatos estão aí. O que muda são as interpretações, as narrativas criadas sobre as aberrações cometidas por ambos os extremos. Que Bolsonaro vá logo para a cadeia e que Lula continue impopular o suficiente para desistir de 2026. Haddad x Tarcísio seria, de fato, um upgrade na disputa presidencial. Mas isso só se os dois crápulas de língua presa permitirem, infelizmente.

Amilton Aquino

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 "Vamos traduzir a “reforma do IR” do governo para isentar quem ganha até R$ 5 mil. À primeira vista, pode parecer uma medida justa - cobrar mais de quem ganha mais para aliviar quem ganha menos. Na prática, porém, o governo está reduzindo o percentual de contribuintes dos atuais 20% da população economicamente ativa para algo próximo de 5%, indo na contramão das boas práticas e se distanciando ainda mais de países fiscalmente responsáveis, como a Alemanha, onde 90% da população adulta paga imposto de renda.


Mas isso não é o pior. A medida não atinge nem a elite do funcionalismo público nem os mega bilionários. Vamos começar pelos beneficiados com a isenção. A linha divisória dos R$ 50 mil mensais foi estabelecida pouco acima do teto constitucional dos ministros do STF (R$ 44 mil atualmente), já antecipando uma margem para o próximo aumento. Além disso, a proposta isenta expressamente os penduricalhos que elevam os salários de juízes e procuradores muito além do limite da isenção.


Bom, pelo menos a reforma vai tributar os mega bilionários, certo?


Muito menos do que se espera. A taxação extra incide progressivamente sobre quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano. Passando desse limite, a aliquota é limitada a 10%. Ou seja, o peso da tributação recai sobre uma faixa reduzida de contribuintes. Os mais ricos de fato (os 1%, os bilionários) seguirão fazendo planejamento tributário e espalhando seu patrimônio por diversos países, escapando dessa tributação, que, na prática, recai sobre dividendos, algo que pode esbarrar no lobby que será feito no Congresso.


Portanto, toda essa engenharia tributária atinge justamente a parcela mais produtiva da população, aquela que gera empregos, assume riscos e carrega o país nas costas. Isso pode ter efeitos ainda mais nocivos sobre nosso já baixo nível de investimentos. No mínimo, muitos podem simplesmente desistir do Brasil.


Além disso, o governo está abrindo mão de uma receita certa (provavelmente subestimada em R$ 27 bilhões) para apostar em uma compensação fiscal que pode não se concretizar como esperado, tornando o equilíbrio das contas públicas ainda mais difícil. Apenas mais do mesmo de um governo que se preocupa mais com a próxima eleição que com as próximas gerações."

Isso não é justiça

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*Isso não é justiça*


_Moraes condena uma cidadã que nem sequer deveria ter sido julgada pelo STF a 14 anos de prisão por causa de uma pichação com batom, num flagrante exagero que desmoraliza o Judiciário_


Na tarde de ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou para condenar a sra. Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão. A cabeleireira de Paulínia, cidade do interior de São Paulo, não cometeu um crime de sangue. Tampouco aplicou um grave golpe na praça ou desviou milhões de reais em recursos públicos, como tantos que caminham livremente pelas ruas País afora. Armada com um batom, a ré pichou, na estátua da Justiça em frente à sede da Corte durante os atos golpistas no 8 de Janeiro, os dizeres “Perdeu, mané” – uma referência à infeliz frase dita pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, a um bolsonarista que o admoestou em Nova York, em novembro de 2022. No mundo da justiça e da sensatez, foi este, e apenas este, o seu crime.


Já para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para o ministro Alexandre de Moraes, Débora dos Santos praticou cinco delitos gravíssimos: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; tentativa de golpe de Estado; associação criminosa armada; dano qualificado contra o patrimônio da União; e deterioração de patrimônio público tombado. Nada menos. Como exatamente ela praticou cada um deles tendo se comportado como se comportou naquele dia fatídico, parece não ter importância. Presa preventivamente, por ordem de Moraes, desde 17 de março de 2023, a ré agora está prestes a receber uma pena – caso a decisão do relator seja confirmada por seus pares – que ultrapassa, e muito, as penas a que foram condenados criminosos muito mais perigosos do que ela para a sociedade. Por si só, isso abala ainda mais a já desgastada imagem do STF aos olhos de muitos brasileiros de boa-fé que acompanham, atônitos, a forma como o STF tem conduzido os julgamentos dos atos golpistas.


Não resta a menor dúvida de que, por ter praticado atos tipificados como crimes pela legislação penal em vigor no País, Débora dos Santos deveria mesmo receber uma sanção judicial após o transcurso do devido processo legal – que, a rigor, deveria ter começado no foro indicado, qual seja, a primeira instância, e não a última, o que impede que a uma cidadã sem prerrogativa de foro seja plenamente assegurado o direito ao duplo grau de jurisdição. Mas a qualquer pessoa minimamente sensata, imbuída de boa-fé e, sobretudo, senso de justiça, uma pena tão draconiana como a imposta à ré pelo ministro Alexandre de Moraes não passa nem sequer por razoável, que dirá por justa. Lamentavelmente, e não apenas para o STF, mas para todo o País, senso de justiça é o que faltou ao sr. Moraes no julgamento desse caso.


Não há virtude maior para um juiz do que o senso de justiça. No julgamento de um caso concreto, o magistrado não se limita – ou não deveria se limitar – à aplicação mecânica da lei. Julgar implica um exame profundo das circunstâncias e das consequências da decisão a ser tomada, a culminação de uma exegese equilibrada que não por acaso tem uma balança como símbolo. Ao se debruçar sobre as provas trazidas aos autos e ouvir os argumentos da acusação e da defesa, um juiz há de ter a habilidade de enxergar além da letra da lei. Chega a ser constrangedor para este jornal ter de colocar essas palavras no papel diante de um caso sendo julgado por nada menos do que a mais alta instância judicial do País.


Malgrado não ser, como já foi dito, a sede adequada para o julgamento de Débora dos Santos e tantos outros cidadãos envolvidos no 8 de Janeiro que não têm foro especial por prerrogativa de função, ainda há tempo para que o colegiado do STF corrija a flagrante injustiça do ministro Alexandre de Moraes. Deveria ser ocioso dizer que a aplicação da lei deve ser feita com equilíbrio, razoabilidade e sensatez. Nada disso há no voto condenatório do sr. Moraes.


No caso concreto de Débora dos Santos, o STF deve refletir profundamente sobre a real gravidade de sua conduta, da qual a ré já se desculpou por escrito tanto à Corte como à Nação. A um tempo, o Supremo não só preservará a função social da pena, como evitará uma sobrecarga punitiva que mais parece um recado simbólico do que, de fato, um ato de justiça."

Domingo, 2303

 Leitura de Domingo: Governo consegue maior liberdade para remanejar recursos no Orçamento


15:00 23/03/2025 


Por Giordanna Neves, Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana


Brasília, 20/03/2025 - O governo federal obteve uma vitória na tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025 ao garantir a possibilidade de remanejar até 30% dos recursos discricionários - de um montante R$ 100 bilhões, excluindo emendas parlamentares - sem necessidade de negociação com o Legislativo. Inicialmente, os congressistas tentaram reduzir esse porcentual para 20%, mas acabaram cedendo ao Executivo na fase final da negociação.


Além disso, o governo conseguiu manter maior flexibilidade no remanejamento de recursos dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A proposta original previa que até 25% dos recursos do programa poderiam ser realocados livremente pelo Executivo. O relator do Orçamento, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), chegou a propor a redução desse limite para 10%, mas, ao final, manteve o texto inicial.


Na prática, quanto maior a margem de manobra do governo sobre os recursos orçamentários, menor a dependência de negociações com o Congresso, o que reduz o poder de barganha dos parlamentares. A manutenção do percentual de 30% possibilita, por exemplo, que o governo destine recursos ao programa educacional Pé-de-Meia sem precisar, necessariamente, enviar um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN), que exigiria aprovação legislativa. Caso o limite de remanejamento tivesse sido reduzido para 10%, o Executivo não teria espaço suficiente para realocar os recursos e dependeria de aval dos parlamentares.


Por outro lado, o Congresso retirou do texto um dispositivo que permitiria a abertura de crédito suplementar, por ato do Executivo, para a "Integralização de cotas pela União em Fundo Privado com o Objetivo de Custear e Gerir Poupança de Incentivo à Permanência e Conclusão Escolar para Estudantes do Ensino Médio". Com essa exclusão, qualquer liberação de crédito para o Pé-de-Meia precisaria ser autorizada pelo Congresso por meio de um PLN.


O Broadcast apurou, no entanto, que o governo ainda não definiu se apenas o remanejamento livre de recursos seria uma alternativa viável para resolver a pendência do Pé-de-Meia sem a necessidade de enviar um PLN. Isso porque há uma incerteza jurídica sobre se essa solução atenderia à exigência do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que o governo encontre uma “solução legislativa” para incluir o programa no Orçamento.


Em decisão de 12 de fevereiro, a Corte de Contas estabeleceu que o governo deve adequar o Pé-de-Meia às regras orçamentárias dentro de 120 dias. Até que o Congresso delibere sobre o tema, o programa poderá continuar sendo executado fora do Orçamento.


Nos bastidores do Legislativo, técnicos reconhecem que o programa pode não ser incluído no Orçamento deste ano. Mesmo que seja incorporado, o valor tende a ser bastante reduzido, já que, até lá, o Pé-de-Meia continuará sendo operado fora do Orçamento, conforme permitido pelo TCU.


A expectativa é de que o governo encaminhe a proposta de ajuste dentro do prazo determinado pelo TCU, mas sem garantia de uma tramitação rápida no Congresso. Enquanto isso, o programa segue sendo executado fora do Orçamento. O PLOA destinou R$ 1 bilhão para o Pé-de-Meia, mas a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira (Conof) da Câmara estima que há cerca de R$ 10 bilhões em recursos do programa que não passaram pela peça orçamentária.

sexta-feira, 21 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 2101

 *Rosa Riscala: Agenda vazia encerra semana dos BCs*


… A Rússia faz a última reunião de política monetária da semana (7h30), que teve direito até mesmo a uma reunião surpresa do BC turco para subir o juro (de 44% para 46%), após a lira atingir baixa recorde em relação ao dólar com a prisão de um rival de Erdogan. Os resultados dos demais BCs repercutiram nesta 5ªF, com investidores em NY desconfiando do otimismo de Powell e, aqui, com um ajuste forte ao Copom, que veio mais hawk do que o precificado pelo mercado. A agenda de hoje é esvaziada, com destaque para a fala do Fed boy John Williams em conferência do Caribe (10h05) e a confiança do consumidor na zona do euro (12h). Os EUA não têm nada previsto, assim como o Brasil. Sem confirmação, a Receita pode divulgar a arrecadação federal de fevereiro, que deve crescer com a atividade.


… Estimativas apuradas em pesquisa Broadcast apontam para um resultado entre R$ 147,202 bilhões a R$ 304,700 bilhões, com mediana de R$ 207,6 bilhões. Se confirmado, o montante representa um aumento de 2,3% sobre os dados de fevereiro/2024.


… A arrecadação ajuda o governo Lula a exibir dados fiscais positivos, que são alegados por Haddad para rebater as críticas do mercado.


… Em entrevista à GloboNews na tarde de ontem, o ministro lembrou que o impulso fiscal em 2023 só ocorreu “porque nós pagamos todo o calote dos precatórios do governo anterior [de Bolsonaro]; foram quase R$ 100 bilhões e isso não aconteceu em 2024”.


… Reforçando que o governo é diligente em relação à questão fiscal, Haddad disse que compreende o mercado, que piorou sua avaliação na pesquisa Quaest desta semana. “Não sou inimigo de ninguém, converso com todo mundo, mas não posso só olhar para o mercado.”


… O ministro defendeu a reforma da renda, que ampliou a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, e disse que enfrentará a taxação dos mais ricos. “Só estamos propondo que um super rico pague uma alíquota média igual a um professor de escola pública.”


… “Nós só estamos pegando dividendos de empresas que não pagam seus impostos corretamente, no patamar previsto na legislação. Se, porventura, o CNPJ já está pagando aquele dividendo, não vai pagar nenhum imposto de renda, vai continuar isento.”


… Haddad também foi questionado sobre a decisão do Copom, que, além de ter voltado a subir a Selic para 14,25%, contratou uma nova alta para maio, embora em dose menor, deixando junho em aberto – o que foi lido como hawk por parte do mercado.


… O ministro elogiou Galípolo e disse que não esperava dele um “cavalo de pau” na gestão da política monetária. “Galípolo é uma pessoa muito séria, não só tecnicamente preparada, mas uma pessoa psicologicamente preparada para o cargo, que sofre muita pressão.”


… Segundo ele, Galípolo tem um compromisso com a coerência das medidas do BC para cumprir seu mandato, trazer a inflação à meta.


… Nesta 5ªF, o Copom surpreendeu muita gente que esperava uma mensagem mais dovish, como precificava a curva de juros, mas o fato de ter mantido o ciclo em aberto justificou um ajuste forte de alta dos prêmios na ponta curta (leia mais abaixo).


MAIS MEIO PONTO – O guidance para o próximo Copom, que contratou um aumento de menor magnitude da Selic em maio, consolidou no mercado a aposta majoritária em uma alta de 50pbs, que levaria a taxa básica para 14,75%, segundo levantamento Broadcast.


… Já a estimativa intermediária para o juro básico ao final de 2025 está mantida em 15%, variando entre 13,25% e 15,50%.


… O tom do comunicado do Copom dividiu interpretações entre os analistas, mas afastou os temores de que o BC poderia encerrar o ciclo de aperto antes do esperado. O que se viu, no entanto, foi a confirmação de que Galípolo não mudou a política monetária.


… Entre os grandes bancos, o Itaú espera mais dois aumentos de 50pbs na taxa Selic, levando o juro a 15,25% ao fim do ciclo.


… Para Silvio Campos Neto (Tendências Consultoria), “o BC não baixou a guarda e sugere que será mais dependente de dados”. Ele prevê mais uma elevação de 50pbs em maio e um último ajuste de 25pbs em junho, com a Selic encerrando a 15%.


… A ata do Copom, na próxima 3ªF, deverá permitir uma calibragem mais fina das apostas, com os detalhes sobre os efeitos defasados da política monetária, citados no comunicado, o grau de incertezas e o cenário traçado para a inflação.


HABEMUS ORÇAMENTO – O Congresso Nacional aprovou, por votação simbólica, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, em sessão conjunta nesta 5ªF, e o texto segue para a sanção presidencial, depois de meses de atraso.


… O processo de negociação do texto foi afetado por medidas de contenção de gastos aprovadas na reta final de 2024 e, sobretudo, pela suspensão de emendas parlamentares por parte do Supremo Tribunal Federal – posteriormente retomada.


… O PLOA prevê um superávit primário de R$ 15 bilhões neste ano, com pagamentos de precatórios retirados do limite de gastos anual, e alocação de R$ 89,4 bilhões em investimentos neste ano, respeitando o piso de 0,6% do PIB destinados a esse tipo de despesa.


… O relator também aceitou investimentos em educação (R$ 167,1 bilhões) e Saúde (R$ 232,6 bilhões) acima do piso constitucional.


… Foram incluídos, a pedido do governo, R$ 3 bilhões para o Vale-Gás, R$ 8,3 bilhões para despesas previdenciárias e R$ 338,6 milhões para o seguro-desemprego, com redução de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família e de R$ 4,8 bilhões das Escolas em Tempo Integral.


… O Orçamento também fixou em R$ 50 bilhões o montante destinado às emendas parlamentares e prevê R$ 27,9 bilhões para aumento de despesas com pessoal. O governo ainda direcionou mais R$ 18 bilhões do Fundo Social para o Minha Casa, Minha Vida.


… No Estadão, o governo obteve uma vitória no PLOA/2025 ao garantir a possibilidade de remanejar até 30% dos recursos discricionários, de um montante de R$ 100 bilhões, excluindo emendas, sem precisar negociar com o Legislativo.


… Os congressistas tentaram reduzir esse porcentual para 20%, mas acabaram cedendo ao Executivo na fase final da negociação.


… Além disso, o governo conseguiu manter maior flexibilidade no remanejamento das verbas do PAC, poderá realocar livremente até 25% dos recursos do programa. O relator do Orçamento, senador Ângelo Coronel (PSD), queria reduzir esse limite para 10%.


… Isso permitirá, por exemplo, que o governo destine recursos ao Pé-de-Meia sem precisar enviar um PL ao Congresso, embora ainda não esteja definido se apenas o remanejamento livre de recursos será suficiente para resolver a pendência do programa educacional.


… O Pé-de-meia, que tem custo estimado de R$ 10 bilhões, ficou fora do Orçamento, com recursos para apenas um mês (R$ 1 bilhão).


UE ADIA RETALIAÇÕES – A União Europeia decidiu adiar até meados de abril suas possíveis tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos, segundos fontes da Associated Press. O presidente Trump aumentou as tarifas sobre aço e alumínio para 25%.


… “Posso confirmar que decidimos ajustar o cronograma das tarifas”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.


… UE pretendia impor medidas sobre produtos dos EUA no valor de cerca de 26 bilhões de euros (US$ 28 bilhões) em duas fases, nos dias 1º e 13 de abril, sobre aço, alumínio, carne bovina, aves, bourbon, motocicletas, manteiga de amendoim e jeans americanos.


… Trump também planeja impor tarifas “recíprocas”, aumentando as taxas dos EUA para igualar aos impostos que outros países cobram sobre as importações “para fins de justiça”. Espera-se que essas tarifas recíprocas sejam anunciadas em 2 de abril.


EUROPA VS EUA – Líderes europeus se reunirão em Paris, na próxima semana, para discutirem uma série de assuntos relacionados aos Estados Unidos. Além da França, Reino Unido e Alemanha, os países nórdicos estarão representados (Bloomberg).


… No Financial Times, as maiores potências militares da Europa elaboram planos para assumir responsabilidades dos EUA em relação à defesa do continente, incluindo uma proposta para a transferência gerenciada nos próximos cinco a dez anos.


… As discussões são uma tentativa de evitar o caos de uma retirada unilateral dos EUA da Otan, frente às repetidas ameaças de Trump de enfraquecer ou abandonar a aliança transatlântica que protege a Europa há quase oito décadas.


… O encontro também discutirá a situação da Ucrânia e as exigências da Rússia no processo de paz.


… Também na próxima semana, autoridades de Israel e EUA se reunião na Casa Branca para discutir questões estratégicas sobre o Irã.


… Nesta 5ªF, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, disse que o país responderá a carta do presidente Trump nos próximos dias. Segundo ele, a carta contém mais ameaças do que supostos benefícios.


AFTER HOURS – Ação da Nike caiu 5,13% em NY após a empresa revelar que espera quedas maiores das vendas com as promoções para limpar o estoque e a ação da FedEx perdeu 5,60% com lucros do 3Tri fiscal um pouco abaixo das expectativas dos analistas.


LAMBANÇA – Um discurso do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na TV americana, estimulando os investidores a comprar ações da Tesla, na noite de 4ªF, está repercutindo como um conflito de interesses públicos e privados sem precedentes.


… No canal Fox News, Lutnick disse que Elon Musk era “a melhor pessoa em quem apostar” que ele já conheceu.


A POEIRA BAIXOU – O day after do Copom trouxe um ajuste forte nos juros futuros, contribuindo para o Ibovespa quebrar a sequência de seis altas consecutivas e voltar para baixo dos 132 mil pontos (131.954,90), em baixa 0,42%, nesta 5ªF.


… Também o dólar voltou a subir ante o real em meio a uma alta global da moeda, depois de sete sessões no vermelho.


… Se aqui o mercado absorveu a sinalização do BC de que a Selic seguirá em alta, ainda que menor, em NY o que pegou foi a reavaliação dos investidores sobre a comunicação do Fed, após a reunião que manteve os juros.


… Era para o Fed ser hawk e o Copom dove. E acabou que o Fed foi dove e o Copom, hawk.


… Para economistas do Barclays, Powell adotou um tom “excessivamente confiante” com relação à transitoriedade do impacto das tarifas nos preços, o que traz o risco de o Fed ser pego de surpresa, como ocorreu na pandemia da Covid.


… O risco de retração na economia americana, que o Fed reconhece, mas ainda não coloca na conta, também voltou a pesar.


… Assim, as bolsas em Wall Street devolveram parte do rali da véspera. O S&P 500 caiu 0,22% (5.662,92 pontos), o Nasdaq perdeu 0,33% (17.691,63 pontos) e o Dow Jones fechou praticamente estável (-0,03%), em 41.953,32 pontos.


… Certa cautela foi observada antes do “triple witching” hoje, o vencimento de opções vinculadas a ações, índices e fundos.


… O dado de auxílio-desemprego de 223 mil pedidos, abaixo dos 225 mil esperados, e ainda a alta de 4,2% nas vendas de moradias usadas em fevereiro, contra previsão de -3,2%, mostraram a resiliência da economia dos EUA, mas serviram apenas como pano de fundo.


… Tanto que os juros dos Treasuries ficaram perto da estabilidade. O rendimento da note de 2 anos recuou para 3,960% (de 3,984% na sessão anterior), o da note de 10 anos, a 4,235% (de 4,233%) e do título de 30 anos, a 4,555% (de 4,550%).


… Nos DIs, além do ajuste ao Copom, a grande oferta de títulos prefixados do Tesouro – 10 milhões de NTN-Fs e com risco maior para o mercado – adicionou pressão às taxas, em especial as médias e longas, que nos últimos dias vinham queimando prêmios.


…  No fim dos negócios, o Jan/26 subia 14,865% (de 14,720% na sessão anterior); o Jan/27, a 14,695% (de 14,400%); o Jan/29, a 14,440% (de 14,110%); o Jan/31, a 14,590% (de 14,280%); e o Jan/33, a 14,610% (de 14,620%).


… Já o dólar engatou uma valorização global, que reverberou por aqui. No Broadcast, Adauto Lima (da Western Asset) observou que uma “degringolada” da economia dos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar, por causa da aversão ao risco.


… O DXY subiu 0,41%, a 103,851 pontos, com destaque para a queda de 0,40% do euro, a US$ 1,0855. A libra chegou a ganhar fôlego depois de o BoE manter os juros em 4,50%, mas no fim cedeu 0,22%, a US$ 1,2965. O iene subiu 0,15%, a 148,775/US$.


… Com espaço para correção ante o real, o dólar à vista subiu 0,49%, a R$ 5,6758. A moeda ainda acumula baixa de 4,1% em março.


… No Ibovespa, o destaque foram os frigoríficos, que andaram na contramão do índice com altas expressivas lideradas pelo Minerva (+8,41%; R$ 6,06). A empresa teve prejuízo líquido no 4Tri, mas o crescimento da receita no período agradou.


… As tratativas para a listagem da JBS (+4,27%, R$ 40,80) na bolsa de NY também seguem animando os papéis do setor. Ainda a Marfrig subiu 6,70% (R$ 17,05) e a BRF, +1,33% (R$ 19,82).


… Petrobras virou o sinal para o positivo à tarde, em linha com o Brent. Petrobras ON, +0,46% (R$ 39,70) e PN, +0,22% (R$ 36,24). O barril subiu 1,72% na ICE londrina, a US$ 72, com sanções dos EUA ao petróleo do Irã e novos ataques de Israel à Faixa de Gaza.


… Vale cedeu 0,31%, a R$ 57,24, em linha com a queda do minério de ferro (-0,46%) em Dalian.


… Bancos recuaram: Santander (-1,59%; R$ 26,54), Bradesco ON (-1,50%; R$ 11,18) e PN (-0,48%; R$ 12,35), Itaú (-0,93%; R$ 32,08), Banco do Brasil (-0,49%; R$ 28,25). Embraer (-6,72%, R$ 73,96), Petz (-4,54%, R$ 4,42) e LWSA (-3,99%, R$ 2,65) lideraram as perdas.


EM TEMPO… BRAVA ENERGIA registrou prejuízo pró-forma de R$ 1 bilhão no 4TR24 e reverteu lucro do 4TRI23; Ebitda somou R$ 505 milhões, queda de 41% na comparação anual.


ENEVA registrou prejuízo líquido de R$ 962,6 milhões no 4TRI24, mais de 3X maior ante o 4TRI23; Ebitda ajustado somou R$ 1,242 bilhão, alta de 20% na comparação anual.


CYRELA registrou lucro líquido de R$ 497 milhões no 4TRI, alta de 100% na comparação anual; receita líquida somou R$ R$ 2,5 bilhões, crescimento de 47% em relação ao mesmo trimestre de 2023.


HYPERA registrou lucro das operações continuadas de R$ 79,5 milhões no 4TRI, queda de 74,2% na comparação anual; Ebitda das operações continuadas somou R$ 136,9 milhões, recuo de 76,4% em relação ao mesmo período de 2023…


… Empresa aprovou a distribuição de R$ 184,7 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,2925 por ação ON, com pagamento até o final do exercício social de 2026, em data a ser definida pela companhia; ex em 28/3.


MOVIDA registrou lucro líquido ajustado de R$ 72,7 milhões no 4TRI24 e reverte prejuízo do 4TRI23; Ebitda somou R$ 1,2 bilhão, crescimento de 40,1% na comparação anual.


PETZ registrou prejuízo de R$ 43 milhões no 4Tri e reverte lucro de um ano antes. Ebitda toalizou R$ 13,9 milhões no período, queda anual de 71,4%. Receita líquida cresceu 7,1%, a R$ 878 milhões.


ESPAÇOLASER registrou lucro líquido de R$ 9,6 milhões no 4TRI, revertendo prejuízo de R$ 7,4 milhões no mesmo intervalo de 2023; Ebitda somou R$ 48,1 milhões, avanço de 9,6% na comparação anual.


BRADESCO aprovou a distribuição de JCP intermediários no valor total bruto de R$ 2,3 bilhões, o equivalente a R$ 0,2071 por ação ON e R$ 0,2278 por ação PN, com pagamento até 31/11; ex em 1º/4.


BRADESPAR. Conselho de Administração propôs a distribuição de R$ 350 milhões em dividendos complementares, o equivalente a R$ 0,8361 por ação ON e R$ 0,9197 por ação PN, com pagamento em 15/5 e ex em 28/4…


… Pagamento será discutido e votado nas Assembleias Gerais a serem realizadas em 24/4.


CEMIG aprovou a distribuição de R$ 541 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1891 por ação, com pagamento em duas parcelas (até 30/6/26 e até 30/12/26); ex em 26/3/25…


… Conselho de Administração aprovou a deslistagem das ações PN da companhia no Mercado de Valores Latino-americanos (Latibex), segmento da Bolsa de Madri (Espanha).


LOJAS RENNER aprovou a distribuição de R$ 189,5 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1877 por ação, com pagamento em 9/4; ex em 26/3.


NATURA&CO propôs incorporação da companhia em sua subsidiária integral, a Natura Cosméticos, com o objetivo de ter estrutura mais eficiente e destravar valor; CEO Fábio Barbosa deixou cargo e será presidente do Conselho da Natura Cosméticos…


… Grupo continua explorando alternativas para a Avon, incluindo potencial venda.


AZZAS aprovou a 1ª emissão de debêntures, no valor de R$ 600 milhões.


RD SAÚDE fará 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 500 milhões.


DIRECIONAL informou a cisão total do fundo Filadelphia, que detém parte do grupo; com isso, seu patrimônio será vertido para duas empresas, na proporção de 50% para a PHPH e 50% para a Share, que passarão a deter 12,8% das ações cada uma…


… PHPH deterá 22.249.723 ações e Share, 22.249.722 ações.


TIM concluiu encerramento da parceria com C6.


PAPER EXCELLENCE. TJ-SP anulou decisão de primeira instância que havia decidido manter a sentença arbitral favorável à empresa na disputa pelo controle da Eldorado, da J&F, entendendo que a sentença foi “descabida”, já que o próprio tribunal suspendeu o processo.

Bankinter Portugal Matinal 2101

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado arrefeceu substancialmente após esse efeito ilusório em alta posterior à reunião da Fed e intervenção de Powell, na quarta-feira à noite. A Fed reviu em baixa as suas estimativas de PIB e em alta as de inflação, mas Powell afirmou que não há que se preocupar com o ciclo, porque não está em risco. Fracos dados objetivos face a um otimismo tranquilizador objetivo. Entende-se que é regular. E o BCE quantifica o impacto dos impostos alfandegários americanos em +0,5% inflação e -0,5% PIB, a olho nu, presume-se. Qualquer estimativa quantificada é sempre melhor do que nenhuma estimativa. Insistimos que todas as partes perdem numa guerra alfandegária; em que a ideia de que uma guerra comercial é de soma zero está errada.


HOJE o mercado continuará frio. Temos Freaky Friday (concentração de atividade a partir das 11/12 h, Fedex transmite guias fracas (-6% aftermarket), Nike margens questionáveis (-5% aftermarket), embora Micron bem (+1% aftermarket), inflação japonesa superior ao esperado (+3,7% vs. +3,5% esperado vs. +4% anterior), a previsível aprovação no Bundesrat dos 500.000M€ em infraestruturas e flexibilização do “limite de dívida” (já aprovado no Bundestag) e a Confiança do Consumidor UE (15h), que se espera -13,0 (é um índice e não uma taxa de variação) vs. -13,6, o que parece demasiado bom com a deterioração dos indicadores de sentimento que já acontece. São muitas referências pequenas e nenhuma potente, portanto o mercado deixar-se-á levar pela inércia em baixas das últimas horas.


A atenção estará em 3 referências importantes da próxima semana: na segunda-feira, PMIs em todo o mundo (que deverão começar a debilitar-se porque são de março); na terça-feira, Confiança do Consumidor americano (também deverá debilitar-se porque é de março: 94,0 esperado vs. 98,3); na sexta-feira, Deflator do Consumo PCE americano (que é de fevereiro e espera-se que repita em +2,5%, MAS a Subjacente a aumentar 1 décima até +2,7%). Portanto, teremos referências fracas sobre confiança/sentimento/ciclo e um indicador americano tendencial de preços a aumentar um pouco. Isso não agradará.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Sessão fraca com volume concentrado a partir das 11/12 h, provavelmente com bolsas a retrocederem um pouco (-0,2%?), mas deixando a sensação de arrefecimento. Talvez a yield das obrigações europeias a reduzirem-se um pouco, mas muito pouco, como efeito contrário inercial. Sem vontade, nem direção realmente definida, embora mais provavelmente em baixa.


S&P500 -0,2% Nq-100 -0,3% SOX -0,7% ES-50 -1% IBEX -0,8% VIX 19,8 Bund 2,78% T-Note 4,25% Spread 2A-10A USA=+28pb B10A: ESP 3,42% PT 3,30% FRA 3,49% ITA 3,85% Euribor 12m 2,348% (fut.2,379%) USD 1,083 JPY 162,0 Ouro 3.030$ Brent 72,1$ WTI 68,2$ Bitcoin -1,9% (84.208$) Ether -1,8% (1.973$).


FIM

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...