segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Investimentos na Fictor

 *De R$ 10 mil a R$ 3 milhões: quanto investidores aportaram na Fictor*


Documentação da recuperação judicial revela que a Fictor alcançou investidores de diferentes perfis. Todos agora aguardam ressarcimento


O acordo, de R$ 30 milhões por temporada, tem duração de três anos, prorrogáveis para quatro

O processo de recuperação judicial da Fictor já soma mais de nove mil páginas. A maioria delas são pedidos de investidores para que sejam incluídos na lista de possíveis ressarcimentos. A documentação revela que a Fictor alcançou pessoas de diferentes níveis sociais. O valor dos aportes variam de R$ 10 mil a R$ 3 milhões. Todos, agora, tentam reaver o dinheiro aplicado.


Os contratos assassinados com a Fictor, e anexados aos processos, também revelam que os valores dos rendimentos variavam muito. Há aplicações cujos contratos previam retornos de 2% ao mês, enquanto em média a outros o índice era de 1,16% no mesmo período.


Nos documentos há, ainda, relatos de pessoas que conheceram a Fictor por indicação de amigos e parentes. Mas boa parte dos processos fala de consultores que ofereciam os serviços da Fictor de forma insistente e garantindo segurança na transação.


Como mostrou a coluna, as Sociedades em Conta de Participação, conhecidas pela sigla SCPs, eram o carro-chefe da Fictor. Praticamente todos os investidores que acionaram a Justiça assinaram contratos dentro do modelo.


A SCP permite que investidores aportem capital em um projeto sem se expor, enquanto um sócio ostensivo – a Fictor, no caso – conduz o negócio, dividindo lucros sem chamar a atenção da Receita Federal e da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).


A condição de sócio, no entanto, tem sido utilizada pela Fictor para negar uma relação de consumo dos investidores com o grupo, o que pode dificultar — e muito — o ressarcimento de quem aportou dinheiro na Fictor.


Em petição apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Fictor afirmou que a relação dos investidores com o grupo era de sociedade e não de credor e devedor. A interpretação é importante porque, se considerados como sócios da Fictor no processo de recuperação judicial, os investidores vão, na melhor das hipóteses, para o fim da lista de possíveis pagamentos.


“Ora, era formada uma relação contratual por meio de Sociedades em Conta de Participação, onde os sócios participantes contribuíam com aportes de capital social para o desenvolvimento da atividade de comercialização de grãos em que o sócio ostensivo – Fictor Invest – contribuía com os seus serviços gerenciais e o resultado, por sua vez, era partilhado entre as partes na forma de dividendos”, argumentam os advogados advogados da Fictor.


No documento, a Fictor afirma, ainda, que “a relação societária é clara”. “Não há que se falar em ignorância ou desconhecimento da relação contratual vivenciada pelas partes, não se trata de termo de adesão, mas de um contrato de sociedade e que, por sua vez, comportava aportes expressivos.”


A coluna também mostrou que, logo após apresentar à Justiça pedido de recuperação judicial, a Fictor enviou aos investidores um comunicado no qual avisa sobre o distrato do contrato firmado entre a empresa e quem aportou dinheiro no grupo na expectativa de receber rendimentos.


“Por meio do presente, Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, vem, formalmente, comunicar a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação”, diz o texto enviado aos investidores dia 1ª de fevereiro.


No comunicado, a Fictor recorre a uma linguagem empolada e formal ao anunciar a medida aos investidores sem dar qualquer pista sobre a devolução dos valores aplicados. Após anunciar o distrato, o texto lista os motivos que teriam levado a Fictor à recuperação judicial.


“A deliberação decorre do atual cenário enfrentado pelo Grupo Fictor, impactado pelos acontecimentos amplamente divulgados na mídia relacionados à tentativa de aquisição do controle acionário do Banco Master S.A. liderado pelo sócio fundador do grupo. O evento produziu efeitos colaterais relevantes sobre a confiança do mercado e sobre o ambiente reputacional da Fictor, os quais, de maneira reflexiva e inevitável, acabaram por alcançar as Sociedades em Conta de Participação poe ea estruturadas, ainda que tais SCPs não estejam diretamente envolvidas nos fatos que deram origem às referidas notícias”, diz o comunicado.


Em seguida, a Fictor trata os investidores como sócios. “Diante desse contexto, visando preservar o direito e manter equanimidade no tratamento entre os sócios,a sócia ostensiva [Fictor] por entender que a formalização do distrato das SCPs representa a medida mais adequada para preservar a segurança jurídica, os interesses dos sócios participantes e a escorreita prestação de contas, informa desde já a rescisão unilateral por parte da Fictor Invest.”


O texto termina sem dar indicações concretas sobre o destino do dinheiro aportado por investidores da Fictor. “O distrato é válido desde a presente data (1/2), e o seu instrumento será devidamente encaminhado com detalhamento das condições aplicáveis, incluindo, quando pertinente, a forma de encerramento das atividades, eventuais ajustes patrimoniais , quitações, renúncias e demais disposições necessárias.”


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/de-r-10-mil-a-r-3-milhoes-quanto-investidores-aportaram-na-fictor

Enrolados da Fictor

 *Caso de indústria falida de Alphaville pode arrastar Fictor à falência*


15/02/2026 05h30


*Uma série de ações trabalhistas abertas contra uma indústria de Alphaville pode provocar a falência da Fictor, a holding que pretendia comprar o Master e pediu recuperação judicial no dia 1º de fevereiro*.


Trata-se da Sun7, de Barueri (SP), que fez negócios com a Fictor em 2021: querendo investir na área de alimentos, onde dizia atuar, a holding aportou R$ 7 milhões na indústria gourmet que atendia restaurantes badalados. Era um tipo de empréstimo, chamado "contrato de mútuo".


A Sun7 não quitou a dívida. A Fictor então assumiu o controle do parque fabril e transferiu todos os ativos dela (inclusive a clientela) para a Dr. Foods, que integra a Fictor.


Segundo um memorando assinado entre as empresas em 2023, a Fictor assumiria as dívidas da Sun7, que acabou falindo, em 2024.


Foi nesse contexto que ações trabalhistas, que somam cerca de R$ 7,5 milhões, passaram a pedir para a Justiça reconhecer que diversos CNPJs da Fictor constituem um "grupo econômico" que tem "responsabilidade solidária" sobre as dívidas da Sun7, conta o advogado Lucio Mesquita.


*Integrariam o grupo, segundo as ações*:


Fictor Holding S.A. (CNPJ 08.637.270/0001-10);

Fictor Holding Financeira (CNPJ 48.223.215/0001-06);

Fictor Invest (CNPJ 12.536.691/0001-21);

Fictor AgroHolding (CNPJ 61.816.454/0001-20);

Fictor AgroIndustrial (CNPJ 61.833.951/0001-36);

Fictor Alimentos (CNPJ 55.084.579/0001-00);

Fictor Asset (CNPJ 35.713.661/0001-49);

Fictor Energia (CNPJ 55.064.127/0001-66);

Fictor Infraestrutura (CNPJ 61.725.429/0001-30);

Fictor Lab (CNPJ 46.018.759/0001-00);

Fictor Master (CNPJ 54.884.106/0001-24);

Fictor Pay (CNPJ 45.441.773/0001-41);

Fictor Real State (CNPJ 11.314.889/0001-06);

Fictor & WTT (CNPJ 51.151.729/0001-08);

Dr. Foods (CNPJ 28.169.798/0001-19);

Fredini (CNPJ 20.061.591/0001-14);

Vensa (CNPJ 30.539.900/0001-72).

Até agora, acórdãos no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) vêm concordando:


[...] A prova dos autos demonstra que a intervenção das empresas do Grupo Fictor na gestão da Sun7 excedeu largamente o papel de um investidor passivo, caracterizando efetiva comunhão de interesses e atuação conjunta, nos termos exigidos pelo art. 2º da CLT. [...] Portanto, o juízo de origem atuou corretamente ao reconhecer a formação do grupo econômico e a responsabilidade solidária [...]” Acórdão do TRT de 6 de fevereiro de 2026


Também há pedidos de "extensão dos efeitos da falência" da Sun7 à Fictor —entre eles, um pedido da própria Sun7.


Segundo advogados ouvidos pela reportagem, se o juiz do caso Sun7 assim decidir, a Fictor pode ser arrastada à falência junto.


Uma ironia do destino, visto que, segundo uma das ações trabalhistas, a Sun7 faliu por causa da Fictor.


Quando o Grupo Fictor [...] decidiu por simplesmente encerrar as operações da Sun7 (CNPJ falido) e transferir toda a clientela, parque fabril, know-how, estoque, ativos e direitos [...] para outra empresa de seu grupo econômico [Dr. Foods], o Grupo Fictor contribuiu decisivamente com a falência formal da Sun7” Ação aberta contra Sun7 e Fictor



*É uma história de golpe dentro de golpe*.


A Sun7 nasceu do Grupo Duo, fundado pela família Federico, em 2017. Era uma indústria de sorvetes, salgados e produtos congelados, considerados gourmet, destinados a clientes como restaurantes do chef Olivier Anquier e Paris 6.


Em 2019, o Duo estava se afundando em dívidas com bancos, fornecedores e funcionários. O administrador Osvaldo Federico Junior, diz a ação, "tirou da cartola" um CNPJ aberto em 2009, registrado como uma locadora de veículos, a Fred's.


Em 2020, a Fred's virou a Sun7, que assumiu operações, contratos e clientes do Duo, como se fosse um "rebranding" —para os advogados, foi uma fraude.


Depois de um tempo, cobranças contra o Duo também foram parar na porta da Sun7.


Outro "golpe de mestre" do Duo, diz a ação, seria abraçar a Fictor, tida como "salvação" à época ao injetar R$ 7 milhões no caixa da Sun7.


Acontece que, segundo a ação, após o acordo, sócios da Fictor passaram a frequentar as instalações da Sun7, fizeram reuniões junto a funcionários e passaram a pedir informações de performance de gerentes. Também incluíram no Instagram e no LinkedIn a Sun7 como empresa do Grupo Fictor.


Em 2023, elas assinaram um memorando que, na prática, possibilitou à Fictor assumir a Sun7. Com isso, cobranças contra a Sun7 foram parar na porta da Fictor.


Atualmente, muitas das ações trabalhistas estão paradas esperando decisões no TST (Tribunal Superior do Trabalho).


Já no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) se espera a decisão que pode puxar a Fictor à bancarrota.


"Extensão dos efeitos da falência é uma situação excepcional, em que consequências da falência de uma empresa falida são estendidas a outras sociedades —e em que o patrimônio de terceiros é atingido para pagamento de dívidas da empresa falida", pondera o advogado Luis Carmona, líder do setor de recuperações judiciais no escritório Costa Tavares Paes Advogados.


"Essa medida, por ser excepcional e até extrema, não é automática, dependendo da prova de má gestão ou de gestão fraudulenta da empresa falida ou, ainda, de desvio de bens para outras sociedades", diz.


Reportagens especiais e exclusivas com o selo UOL Prime, o melhor do jornalismo do UOL


https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2026/02/15/sun7-caso-de-industria-de-alphaville-pode-arrastar-fictor-a-falencia.htm

Imposto sobre trânsito

 *Imposto sobre trânsito e estacionamento? O que é mito e verdade nisso?*


Paulo Amaral12/02/2026 às 08:55


O motorista não tem um dia de paz no Brasil. Depois do IPVA e da chamada "Indústria da Multa", uma nova dor de cabeça está em vias de chegar para atormentar o dia a dia de quem precisa utilizar o carro para se deslocar pelos grandes centros: o Imposto sobre Trânsito.


O assunto virou debate oficial no Congresso Nacional e, embora haja muitos mitos circulando em redes sociais, também há verdades no que diz respeito à possiblidade da criação de futuros impostos sobre trânsito, congestionamentos e até estacionamentos.


A Câmara dos Deputados aprovou, na última segunda-feira (9), o regime de urgência para o Projeto de Lei 3278/21, que trata do marco legal do transporte coletivo urbano e autoriza estados e municípios a criar tributos sobre o trânsito mediante legislação específica.


O texto prevê instrumentos que vão além de tributos tradicionais, como cobranças por congestionamento, taxas sobre circulação em determinadas áreas ou horários e tarifas de estacionamento, além de tributações baseadas no nível de emissão de poluentes e no uso viário por veículos de carga ou transporte individual.


*O que é verdade e o que é mito?*


Agora que você já sabe que o assunto sobre a criação do chamado Imposto do Trânsito está realmente em debate no Congresso, é importante ficar por dentro do que é efetivamente verdade e o que é mito. Confira.


https://canaltech.com.br/carros/imposto-sobre-transito-e-*Imposto sobre trânsito e estacionamento? O que é mito e verdade nisso?*


Paulo Amaral12/02/2026 às 08:55


O motorista não tem um dia de paz no Brasil. Depois do IPVA e da chamada "Indústria da Multa", uma nova dor de cabeça está em vias de chegar para atormentar o dia a dia de quem precisa utilizar o carro para se deslocar pelos grandes centros: o Imposto sobre Trânsito.


O assunto virou debate oficial no Congresso Nacional e, embora haja muitos mitos circulando em redes sociais, também há verdades no que diz respeito à possiblidade da criação de futuros impostos sobre trânsito, congestionamentos e até estacionamentos.


A Câmara dos Deputados aprovou, na última segunda-feira (9), o regime de urgência para o Projeto de Lei 3278/21, que trata do marco legal do transporte coletivo urbano e autoriza estados e municípios a criar tributos sobre o trânsito mediante legislação específica.


O texto prevê instrumentos que vão além de tributos tradicionais, como cobranças por congestionamento, taxas sobre circulação em determinadas áreas ou horários e tarifas de estacionamento, além de tributações baseadas no nível de emissão de poluentes e no uso viário por veículos de carga ou transporte individual.


*O que é verdade e o que é mito?*


Agora que você já sabe que o assunto sobre a criação do chamado Imposto do Trânsito está realmente em debate no Congresso, é importante ficar por dentro do que é efetivamente verdade e o que é mito. Confira.


https://canaltech.com.br/carros/imposto-sobre-transito-e-estacionamento-o-que-e-mito-e-verdade-nisso/-o-que-e-mito-e-verdade-nisso/

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: IPCA já deve ficar perto da meta de 3% em março, trunfo eleitoral para Lula*


Por Gabriela Jucá, Francisco Carlos de Assis, Daniel Tozzi e Eduardo Laguna


São Paulo, 11/02/2026 - A inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses deve ficar abaixo de 4% a partir de fevereiro, e se aproximar do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, já a partir de março, segundo economistas consultados pela Broadcast. O comportamento benigno não só da inflação, mas da economia como um todo, deve acontecer nos meses que antecedem a eleição presidencial de outubro e servir de trunfo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará a reeleição.


A deflação de alimentos e a apreciação cambial - essa última, que afeta tanto os alimentos como os bens industriais - devem responder por boa parte do alívio na inflação acumulada em 12 meses.


Caso o cenário de parte relevante do mercado se confirme, será a primeira vez que a inflação permanece consistentemente abaixo de 3,5% desde o início da atual série histórica do IBGE, que começa em 2021. Desde que a meta de inflação foi definida em 3%, a taxa em 12 meses nunca chegou a estar colada neste número, como deve acontecer em meados deste ano.


Para Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do BC, a inflação corrente deve atingir 3,2% já em março, em meio ao início do ciclo de redução da taxa Selic. Nos cálculos de Serra, a inflação deve permanecer nesse nível, ou abaixo, até o fim de outubro, com aceleração prevista entre os meses de novembro e dezembro. “Mas essa alta também é questionável. Estamos mais confiantes de que a inflação vai ficar abaixo de 3,2% até outubro do que em relação a esse repique no fim do ano”, afirma.


Lula pode ter em mãos um nível baixo da inflação acumulada sobretudo em julho, de acordo com parte dos economistas. João Fernandes, da gestora Quantitas, por exemplo, considera que o IPCA deve rodar abaixo dos 3,5% de março a julho, com o ponto mais baixo justamente no sétimo mês do ano, quando ele espera que a inflação atinja 3,07%. O IPCA de julho deve ser divulgado no dia 11 de agosto, a cinco dias do início oficial da campanha eleitoral.


Segundo ele, esse “vale” deve ser atingido no período justamente por causa do impacto do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. “Em 2025, esse bônus que derrubou as contas de energia entrou em agosto. Então, a janela de 12 meses em julho de 2026 vai contar com esses dois momentos de queda forte da inflação”, explica ele. “Em agosto, se tudo ocorrer dentro do esperado, a tarifa de energia volta a subir e o acumulado em 12 meses pula de 3,07% para 3,82%”, calcula.


Na visão do economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, uma inflação abaixo de 4% por 10 meses seguidos significa um nível baixo para o padrão brasileiro. Ele também aposta em uma taxa menor em julho, a 3,25%. “Isso traz dúvidas sobre o real impacto do sobreaquecimento do mercado de trabalho”, observa. Além da ajuda da inflação de alimentos, o próprio mercado de trabalho, ainda que apresente sinais divergentes, já está em processo de acomodação, o que tende a contribuir para a desinflação, segundo Galhardo.


O cenário é corroborado também pelo BNP Paribas. A economista para Brasil do banco francês, Laiz Carvalho, prevê o ponto mais baixo da inflação em julho, praticamente colada nos 3%. Apesar de reconhecer que parte desse bom momento reflete um efeito puramente matemático, com a saída da conta do acumulado em 12 meses de leituras mais salgadas do IPCA do ano passado, ela concorda que é um número bastante positivo. “A inflação corrente ajuda na projeção para a inflação futura e o IPCA de 3% pode ajudar na ‘narrativa’ do governo, pensando em ano eleitoral”, sustenta.


Tanto o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que sai do cargo no fim do mês, quanto Lula, já vinham, por exemplo, exaltando que a atual administração conseguiu conciliar crescimento econômico e inflação baixa.


Pelo o que se observa nas pesquisas eleitorais, porém, os bons números da economia não têm sido suficientes para conquistar o eleitorado brasileiro. O cenário atual - inflação sob controle, atividade que cresce com uma taxa de juros de 15% ao ano e desemprego no menor nível histórico - implicaria, em tese, maior aprovação e menor rejeição para o presidente Lula. Contudo, segundo o analista político e sócio da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, a economia perdeu o protagonismo de definir, só por ela, o resultado das eleições presidenciais.


“Eu diria que a economia representa um conjunto de variáveis que retrata a situação de bem-estar do eleitor. São condições necessárias, mas não mais suficientes porque a sociedade brasileira tem conflitos de outras naturezas que estão cristalizados e cada vez mais crescentes”, disse.


De acordo com Cortez, antigamente, quando se abria uma pesquisa eleitoral, ficava claro: as pautas de esquerda atraíam mais o apoio do eleitor de baixa renda e com menos escolaridade, enquanto a direita se saía melhor entre os mais escolarizados e com maior renda. Hoje, porém, a situação é outra: a inflação baixa e os programas sociais, por exemplo, passaram a ser percebidos como programas de Estado e não mais de governo.


Segundo o analista político da Tendências, tanto as pessoas mais pobres quanto as mais ricas estão mais preocupadas com pautas pertinentes à segurança, por exemplo, do que com a economia. “Estão mais preocupadas com o combate à corrupção do que com uma inflação que escape ao controle ou um ajuste fiscal”, alerta.


Contato: gabriela.silva@estadao.com; francisco.assis@estadao.com; daniel.mendes@estadao.com; eduardo.laguna@estadao.com


Broadcast+

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Venda da Schroders, com mais de 200 anos, marca o fim de uma era na City de Londres

 Leia mais: (Venda da Schroders, com mais de 200 anos, marca o fim de uma era na City de Londres) https://www.bloomberglinea.com.br/2026/02/14/venda-da-schroders-com-mais-de-200-anos-marca-o-fim-de-uma-era-na-city-de-londres/?utm_source=whatsapp&utm_medium=organic&utm_campaign=whatsapp-brasil


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

The Economist

 O país deveria estar em uma situação muito melhor.


O resultado das eleições gerais no Brasil em outubro dependerá de dois temas centrais: criminalidade e o bolso do eleitor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta que a economia garantirá sua reeleição. O crescimento anual em torno de 3% superou as expectativas por três anos e a inflação de 4,3% é considerada baixa para os padrões brasileiros. O desemprego está em níveis recordes de baixa.

No entanto, a oposição pinta um quadro sombrio. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, afirma que o país vive uma "crise fiscal". Especialistas alertam para uma recessão iminente. Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, compara a situação a um paciente que caminha para a UTI.

O Diagnóstico da Dívida

A dívida brasileira é considerada insustentável em sua trajetória atual. Segundo o FMI:

•  A dívida pública bruta deve chegar a 99% do PIB em 2030.

•  O déficit nominal é de impressionantes 8,1% do PIB, composto quase totalmente por pagamentos de juros.

•  A falta de confiança na capacidade do governo de limitar a dívida força o Banco Central a manter taxas de juros reais próximas de 10%, uma das maiores do mundo.


O Peso das Pensões e Privilégios


Os problemas vão além dos gastos do governo Lula e residem em benefícios garantidos por grupos poderosos na Constituição:


Previdência: Custa ao governo 10% do PIB. Sem reformas, o déficit da seguridade social pode subir de 2% para 16% do PIB até 2060.


Setor Público: O sistema é desigual. Juízes e militares possuem aposentadorias generosas. O judiciário brasileiro custa 1,3% do PIB, sendo o segundo mais caro do mundo.


Militares: Um soldado típico se aposenta antes dos 55 anos com salário integral.


O Caos Tributário


O sistema tributário brasileiro é apontado como o mais complicado do mundo, segurando o crescimento:


•  Empresas líderes gastam até 63.000 horas por ano apenas para declarar impostos.


•  O Brasil gasta 7% do PIB em isenções fiscais, um salto drástico em comparação aos 2% de 2003.


•  Embora a alíquota nominal de imposto corporativo seja de 34%, a taxa efetiva fica entre 16% e 18% devido a regimes especiais como o "Simples".


Perspectivas de Reforma


Embora reformas tenham sido aprovadas, como a simplificação do imposto sobre consumo (IVA dual), muitas exceções foram mantidas, como a Zona Franca de Manaus e o regime do Simples. O artigo conclui que, a menos que os políticos tenham coragem de enfrentar esses interesses estabelecidos e reformar as pensões de elite, o Brasil corre o risco de estagnar em uma crise permanente.


Texto com IA


Materia completa: https://www.economist.com/the-americas/2026/02/11/brazils-economy-is-being-throttled-by-entrenched-interests

Jonas Federighi


 O STF precisou agir para estancar uma crise institucional: sob pressão interna e externa, Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações sobre as fraudes ligadas ao Banco Master. A movimentação ocorreu após a Polícia Federal entregar ao presidente da Corte um relatório que menciona o ministro em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do banco, e após o próprio Toffoli reconhecer participação societária e recebimento de dividendos em empresa que teria se relacionado a fundos ligados ao caso (ainda que negue qualquer pagamento ou vínculo pessoal com Vorcaro).


Nos bastidores, o recado foi duro: colegas avaliaram que a Corte estava “sangrando” e que a saída funcionaria como resposta pública — mesmo sem declaração formal de suspeição/impedimento, e com nota coletiva preservando a validade dos atos já praticados. O caso agora fica sob relatoria de André Mendonça (por sorteio), e o debate central passa a ser governança: como blindar a credibilidade do Judiciário quando aparecem diálogos, citações e relações comerciais cruzadas em investigações desse porte.

A consequência prática é simples: não basta dizer “não há impedimento”; é preciso parecer imparcial — e provar. Quando o país assiste a um relatório da PF com fundamentação jurídica apontando indícios a serem escrutinados, e ao mesmo tempo vê a máquina institucional tentando reduzir tudo a “normalidade processual”, o custo reputacional explode. Em democracias maduras, credibilidade se protege com regras claras, rastreabilidade de contatos e padrões objetivos de suspeição — não com comunicados defensivos após o dano feito.

E aqui entra um ponto que precisa ser tratado com seriedade (e sem linchamento): há notícias e pedidos formais de apuração sobre possíveis conexões envolvendo a gestora Reag e o PCC, tema que vem sendo levantado em arenas políticas/investigativas; nesse ambiente, qualquer proximidade — real ou presumida — vira gasolina. Some-se a isso a “coincidência” de reportagens sobre a compra de imóvel por Ricardo Lewandowski de um investigado que a imprensa descreve como alvo da PF e associado, por suspeitas, a elos com o PCC — e o padrão que sobra é devastador: a sensação pública de promiscuidade entre poder, dinheiro e submundo. O caminho civilizado é um só: apuração integral, transparência radical e regras de suspeição que não dependam do humor do plenário.

Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros* Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está desca...