Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Jonas Federighi
O STF precisou agir para estancar uma crise institucional: sob pressão interna e externa, Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações sobre as fraudes ligadas ao Banco Master. A movimentação ocorreu após a Polícia Federal entregar ao presidente da Corte um relatório que menciona o ministro em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do banco, e após o próprio Toffoli reconhecer participação societária e recebimento de dividendos em empresa que teria se relacionado a fundos ligados ao caso (ainda que negue qualquer pagamento ou vínculo pessoal com Vorcaro).
Nos bastidores, o recado foi duro: colegas avaliaram que a Corte estava “sangrando” e que a saída funcionaria como resposta pública — mesmo sem declaração formal de suspeição/impedimento, e com nota coletiva preservando a validade dos atos já praticados. O caso agora fica sob relatoria de André Mendonça (por sorteio), e o debate central passa a ser governança: como blindar a credibilidade do Judiciário quando aparecem diálogos, citações e relações comerciais cruzadas em investigações desse porte.
A consequência prática é simples: não basta dizer “não há impedimento”; é preciso parecer imparcial — e provar. Quando o país assiste a um relatório da PF com fundamentação jurídica apontando indícios a serem escrutinados, e ao mesmo tempo vê a máquina institucional tentando reduzir tudo a “normalidade processual”, o custo reputacional explode. Em democracias maduras, credibilidade se protege com regras claras, rastreabilidade de contatos e padrões objetivos de suspeição — não com comunicados defensivos após o dano feito.
E aqui entra um ponto que precisa ser tratado com seriedade (e sem linchamento): há notícias e pedidos formais de apuração sobre possíveis conexões envolvendo a gestora Reag e o PCC, tema que vem sendo levantado em arenas políticas/investigativas; nesse ambiente, qualquer proximidade — real ou presumida — vira gasolina. Some-se a isso a “coincidência” de reportagens sobre a compra de imóvel por Ricardo Lewandowski de um investigado que a imprensa descreve como alvo da PF e associado, por suspeitas, a elos com o PCC — e o padrão que sobra é devastador: a sensação pública de promiscuidade entre poder, dinheiro e submundo. O caminho civilizado é um só: apuração integral, transparência radical e regras de suspeição que não dependam do humor do plenário.
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The Economist
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