terça-feira, 28 de janeiro de 2025

New Yorker

 Um bom resumo do que foi a posse do segundo governo Trump, na revista The New Yorker, em uma rápida tradução no Google Translator.


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A tentativa de Trump de redefinir a América

Por Benjamin Wallace-Wells, na The New Yorker, em 26/01/2025


O efeito das ordens executivas do presidente foi comunicar uma temporada aberta, na qual praticamente nada — incluindo quem se torna um cidadão americano — é garantido.


O frio atormenta as posses presidenciais, Washington, D.C., tendendo a ser fria na terceira semana de janeiro. O correspondente da New Yorker em 1965 (inauguração de Lyndon Johnson) vestiu "roupa íntima térmica vermelha, branca e azul"; o despacho da revista de 1977 (de Jimmy Carter) observou "gelo branco brilhante por toda parte". Antecipando a frigidez, os organizadores da iteração de 2025 (reprise de Donald Trump) mudaram o evento para dentro de casa, para a Rotunda do Capitólio, cuja capacidade limitada de seiscentas pessoas delineou utilmente quem estava dentro e quem estava fora. Dentro: a Primeira Família, sentada atrás do Presidente, e pontuada visualmente por Barron Trump, de dezoito anos e quase dois metros de altura. Também estavam os bilionários Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Sundar Pichai, do Google, sentados na fileira ao lado, e co-ideólogos do exterior: Giorgia Meloni, da Itália, e Javier Milei, da Argentina. Fora — consignado ao Centro de Visitantes do Capitólio — estava o governador Ron DeSantis, da Flórida, que a essa altura de 2023 desfrutava de influência no Partido Republicano amplamente equivalente à de Trump, e cuja marginalização foi um lembrete do tempo extraordinariamente longo que dois anos representam na política.


Oito anos é ainda mais. Na Rotunda, Trump disse que, desde sua primeira eleição, “fui testado e desafiado mais do que qualquer presidente em nossa história de duzentos e cinquenta anos. E aprendi muito ao longo do caminho.” Talvez mais importante tenha sido o que seu movimento aprendeu: a virtude da preparação. Políticas detalhadas e programas de contratação foram negociados e montados. “Para os cidadãos americanos”, disse Trump, “20 de janeiro de 2025 é o Dia da Libertação.”


Era, se não isso, o Dia da Ordem Executiva. Os papéis fluíam. Na mesa da Resolute, um assessor entregava ordens para Trump assinar de uma pilha alta de pastas azul-marinho. Em poucas horas, os Estados Unidos estavam se retirando não apenas do acordo climático de Paris, mas também da Organização Mundial da Saúde, que ajudaram a fundar em 1948. Sobre imigração, o presidente restabeleceu sua política de Permanecer no México e cancelou entrevistas para requerentes de asilo; em um bairro latino em Detroit, agentes de gelo estavam supostamente indo de porta em porta. Programas federais de diversidade, alguns datados de uma ordem executiva assinada por L.B.J. em 1965, foram eliminados. Projetos eólicos offshore foram pausados, restrições à perfuração foram suspensas. Mil e quinhentas pessoas foram perdoadas por seus papéis em 6 de janeiro, incluindo alguns dos atores mais violentos; o Politico especulou que muitos logo concorreriam a cargos públicos.


Algumas das iniciativas soaram menos como emendas ao procedimento burocrático (o escopo usual de ordens executivas) do que como um manual para uma sociedade de startups. Regras básicas estavam sendo reescritas. Trump declarou que a política dos Estados Unidos é que há apenas dois sexos, masculino e feminino: "Esses sexos não são mutáveis ​​e são baseados em realidade fundamental e incontestável". Desde a adoção da Décima Quarta Emenda, em 1868, qualquer pessoa nascida nos Estados Unidos é cidadã, mas, na segunda-feira, Trump assinou um documento declarando que isso não é mais assim — que de agora em diante alguém nascido de pais que estão no país ilegalmente, ou mesmo legalmente, mas apenas temporariamente, não será um americano. O efeito dessas ordens executivas foi transmitir, muito mais efetivamente do que em 2017, uma temporada aberta, na qual praticamente nada — desde as fronteiras dos EUA e a solidez dos veredictos do júri até quem se torna um cidadão americano — é garantido.


Enquanto isso, estamos esperando acordos. Os instintos de Trump são transacionais, e ele está de olho na Groenlândia (e seus depósitos minerais) e no Canal do Panamá. (“Os navios da América estão sendo severamente sobrecarregados”, ele insistiu, durante um longo riff em seu discurso de posse, e prometeu: “Estamos pegando de volta.”) Tendo passado grande parte da última década investindo contra o que ele via como perfídia chinesa e prometendo uma política de altas tarifas, ele agora indicou que esquecerá tudo sobre isso se Pequim vender cinquenta por cento do TikTok para investidores dos EUA. (Shou Zi Chew, o CEO do TikTok, também estava na Rotunda, sentado ao lado de Tulsi Gabbard.) Essas jogadas foram feitas em nome do país, de certos apoiadores ou do próprio Trump? A família do presidente, pelo menos, entrou em ação cedo, emitindo uma moeda meme $TRUMP alguns dias antes da posse, que brevemente subiu para quinze bilhões de dólares em capitalização de mercado, antes de cair para cerca de metade disso. Um dia antes da posse, eles lançaram $MELANIA.


Os Trumps são sempre os Trumps, é claro, mas o que deu ao presidente uma segunda vida política foi a maneira como grande parte do país emergiu da pandemia — frustrada com regras, restrições e instruções de todos os tipos, e com os princípios por trás delas. O que antes era uma campanha de nicho contra programas de diversidade-equidade-e-inclusão se transformou em um anti-idealismo geral. Ao perdoar os criminosos violentos de 6 de janeiro — e Ross Ulbricht, que criou o bazar de drogas online habilitado para criptomoedas Silk Road — Trump deixou claro que a responsabilização cabe a ele decidir. Alguns bilionários, em particular, pareciam detectar uma mudança social na eleição de Trump: Mark Zuckerberg, pouco depois de cancelar o programa de verificação de fatos do Meta, disse a Joe Rogan que o mundo corporativo "culturalmente castrado" poderia usar mais "energia masculina" e que seria bom celebrar "a agressão um pouco mais". Levou apenas alguns dias para que o novo presidente adotasse esse sentimento e o implementasse, em pleno vigor do Estado de direito.


Ele está indo longe demais para seu próprio bem, de novo? Trump é frequentemente autodestrutivo (como, da última vez, com a proibição muçulmana e o desperdício sem fim do muro), e na semana passada até mesmo seus apoiadores na Ordem Fraternal da Polícia condenaram os perdões de 6 de janeiro. Vinte e dois procuradores-gerais estaduais democratas entraram com uma ação para bloquear a ordem executiva que ameaçava a cidadania por direito de nascimento — na quinta-feira, um juiz federal a bloqueou temporariamente — e na Catedral Nacional Trump teve que suportar um sermão da Bispa Mariann Budde, pedindo-lhe para mostrar compaixão pelas "pessoas que estão assustadas agora". Mas é desconcertante e alarmante lembrar quão furiosa e quão generalizada foi a resistência aos primeiros atos presidenciais de Trump, em 2017 — a Marcha das Mulheres, os protestos no aeroporto sobre a proibição muçulmana — e notar como a resposta a uma agenda muito mais confrontacional tem sido marcada até agora principalmente pela voz de uma mulher solitária de um púlpito. Uma semana de trabalho, parece que Trump está certo de que aprendeu muito nos últimos oito anos — e mais do que seus oponentes. Em janeiro, o que está faltando é o calor.


(ilustração de João Fazenda)

Javier Milei

 “Milei cortou substancialmente com a despesa pública em 30%, e reduziu os desperdícios fiscais ao encerrar a AFIP (Administração Federal de Ingressos Públicos), substituindo-a por uma nova  entidade: a Agência de Arrecadação e Controlo Aduaneiro (ARCA), visando otimizar a arrecadação das  receitas do Estado. 


Ademais, o governo anunciou o fim do financiamento público aos partidos políticos e diminuiu para metade o número de ministérios em relação ao governo precedente, eliminando  ministérios como o do Meio Ambiente e o da Cultura, a fim de reduzir a máquina pública. 


Aquando  destas medidas, Milei promoveu um Estado mais eficiente e menos intervencionista no tecido  económico argentino. 


Demitir cerca de 36 mil funcionários públicos foi a reforma mais polémica,  porém o Ministro da Desregulação e Transformação defendeu a seguinte tese: 


“Menos gasto público  implica menos impostos. 


Por outras palavras, devolver o dinheiro aos verdadeiros donos”.


A consolidação tributária trouxe às finanças públicas argentinas uma surpresa inédita: 


um superavit orçamental de 0,3% do produto interno bruto argentino em 2024. 


E porque é que este facto é de  extrema importância? 


Porque ao equilibrar as contas públicas foi possível controlar a inflação, que  baixou de forma impressionante de 124% para menos de 50% ao ano, conseguindo promover a estabilidade monetária que há muito não se via – essa mudança incentivou o tecido empresarial a  investir na Argentina.


“Se a Argentina é atualmente um campo fértil para captar IDE (Investimento Direto Estrangeiro), isso deve-se à desregulação económica promovida por Javier Milei, que eliminou mais de 900 regulamentos que  assolavam a atividade económica argentina. 


Adicionalmente, procedeu à abolição de alguns impostos , como o imposto que tributava pagamentos feitos em moeda estrangeira. 


A abertura dos mercados  atraiu grandes players como a Tesla, que agora explora o mercado do lítio argentino – recurso fulcral  para a produção e comercialização de tecnologias limpas nesta era de transição energética.


Já no setor agropecuário, uma das principais medidas foi precisamente reduzir temporariamente o  imposto sobre a exportação de soja de 33% para 26%, e abolir definitivamente impostos sobre  exportações sobre outros produtos agrícolas como o açúcar e o arroz. 


Por conseguinte, empresas como  a Bunge e a Cargill internacionalizaram-se no território argentino após Milei ter criado um paraíso de  competitividade, favorecido pela desburocratização e também pela simplificação do sistema fiscal.


Além de atrair capital de investidores exteriores pairava um clima de confiança por parte dos investidores domésticos. Como resultado, a Bolsas y Mercados Argentinos atingiu valores recorde em  2024, mostrando que o resgate económico do país é sentido dentro e fora do país.


O liberalismo económico é constantemente alvo de críticas, como o do suposto custo social que as suas  medidas acarretariam. 


Todavia Milei provou que, com planeamento, o liberalismo pode ser um poderoso  aliado da redução da pobreza. 


Mais do que uma utopia, pode ser a chave para a prosperidade. 


Entre  o segundo e terceiro trimestre de 2024, a taxa de pobreza caiu drasticamente de 51% para 38,9%.


Como foi possível atingir esta queda abrupta de 12 pontos percentuais?


Em primeiro lugar, ao promover o setor privado, foram criados empregos em diversos setores de  atividade, como a tecnologia, a energia e a agricultura. 


Segundo, a redução de impostos que devolveu poder de compra aos contribuintes argentinos. 


Finalmente, foi feita uma desvalorização controlada  mensal de 2% do Peso Argentino, ajustando a taxa de câmbio para refletir o valor real da moeda e, corrigir desequilíbrios cambiais. 


Consequentemente, a competitividade das exportações argentinas aumentou, sobretudo nos setores agrícola e energético, impulsionando a entrada de moedas  estrangeiras e criando postos de trabalho. 


Este conjunto de políticas criou condições para reduzir a taxa de pobreza, ao estimular a economia e aumentar o rendimento das famílias.


Esse ciclo virtuoso prova que a prosperidade começa quando as políticas macroeconómicas são  eficientes. 


Javier Milei deu ao povo argentino a oportunidade de voltar a sonhar com uma Argentina  próspera, revelando que a redução de gastos públicos e da subsídio-dependência não se traduzem necessariamente em pobreza.”

Amilton Aquino 2801

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"E Trump tomou posse. De um lado, vejo muita euforia. Do outro, muita lamúria. Narrativas à parte, o fato é que a ordem liberal estabelecida no pós-guerra, liderada pelos EUA e apoiada pelas democracias ocidentais, parece estar chegando ao fim. E, ao que tudo indica, sentiremos muita saudade dela. 


O mais lamentável de tudo isso é que a maioria das pessoas nem sequer entende o que essa ordem mundial do pós-guerra representou para a paz global. Como todo arranjo humano, era cheia de falhas, mas o que conquistamos nessas poucas décadas foi responsável pelo período mais pacífico e próspero da história da humanidade.


O fato é que o nosso frágil consenso, intermediado por organizações internacionais com regras básicas de convivência e, principalmente, com a proibição de guerras expansionistas e mecanismos de sanções comerciais como alternativa ao uso da força, está agora sendo questionado até mesmo pelos EUA, o principal fiador do arranjo anterior.


Nesta nova ordem mundial (multipolar), os tratados internacionais perdem importância, enquanto a lei do mais forte ganha força — inclusive com os EUA de Trump, que agora fala em anexar a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá.


Naturalmente, a maioria dos analistas geopolíticos vê essas ameaças sob o ponto de vista “transacional” de Trump, caracterizado por um discurso mais duro para negociar uma posição intermediária mais vantajosa logo em seguida. Se for realmente esse o caso, o máximo que pode acontecer é EUA e Dinamarca chegarem a um acordo para a exploração de minérios raros na Groenlândia (e, talvez, a instalação de bases militares), a obtenção de condições mais favoráveis para navios norte-americanos no Canal do Panamá e uma participação mais efetiva do Canadá e do México no controle da imigração para os EUA. Melhor assim. Vamos esperar para ver.


Um resultado mais rápido parece vir justamente com a arquirrival China, que já demonstrou disposição em comprar mais dos EUA para equilibrar melhor suas balanças comerciais. E, no acordo dos gigantes, claro, pode sobrar para os emergentes exportadores de commodities, como o Brasil, que correm o risco de perder mercado em ambos os países. A ver.


Quanto à Ucrânia, a primeira impressão é que Trump falou mais grosso com Putin do que ele esperava. A ameaça de Trump de impor novas sanções contra a Rússia pode não ter grande efeito, assim como sua provocação de que seu “amigo” Putin está destruindo a Rússia. Ainda assim, a forma contida com que os russos responderam a tais declarações demonstra que eles estão um pouco menos beligerantes.


Em segundo plano nas negociações entre os gigantes, os dois maiores párias mundiais — Irã e Coreia do Norte — continuam desmoralizando o principal instrumento de dissuasão da ordem mundial do pós-guerra: as sanções comerciais. Graças à China e à Rússia, seus principais aliados no drible às sanções, esses e outros párias seguem desafiando a ordem liberal, torcendo pelo sucesso dos BRICS, especialmente no objetivo de substituir o dólar como moeda de negociação comercial.


Se não perder a mão no discurso e conseguir evitar reunir o mundo contra si, Trump pode, sim, recuperar parte do protagonismo perdido pelos EUA. O problema é que sua fórmula aponta para o protecionismo e o isolacionismo, o que é ruim para o mundo, especialmente para a Europa. Mas aí está mais um cálculo de Trump: ele espera forçar a Europa a se armar contra a ameaça russa, reduzindo sua dependência do escudo norte-americano.


Mas como investir mais em defesa em um momento economicamente difícil? Eis o dilema da Europa. Ou seja, tudo parece apontar para a redução do Estado de bem-estar social, um dos fatores que atraem imigrantes de todo o mundo, especialmente islâmicos — a principal razão da tensão social que fortalece partidos nacionalistas e partidários de políticas de deportação em massa, defendidas por Trump.


No Oriente Médio, o conflito segue complicado. Mesmo lutando em sete frentes, Israel continua firme, apesar da celebração dos terroristas pelo acordo forçado pelos norte-americanos, que libertará milhares de terroristas em troca de algumas dezenas dos reféns que sobraram vivos. E a história se repete: o idealizador do ataque de 7/10 foi um dos mais de mil libertados em troca de um único soldado israelense na década passada. O fato é que os israelenses valorizam a vida; os terroristas, não. Eis a força dos terroristas, que comemoram como se tivessem vencido uma guerra, em meio aos destroços e com um número de vítimas 22 vezes maior que o lado israelense.


E, pasmem, há “judeu” petista comemorando junto com os terroristas, sugerindo que Lula contrate o pessoal do marketing do Hamas para a Secom!


E aqui eis um dos principais responsáveis pela vitória de Trump: a loucura woke, especialmente nas universidades norte-americanas, com a defesa explícita de terroristas, ostentando a bandeira palestina ao mesmo tempo em que queimaram a bandeira norte-americana. Mas a loucura woke apenas tornou o descolamento da realidade da esquerda mais evidente. O fato é que mesmo mesmo a esquerda do pós guerra nunca deu o devido valor à ordem liberal estabelecida.


Sim, é um mundo bem mais complicado. Não por acaso, o governo brasileiro parece mais cauteloso desde antes da vitória de Trump. Rejeitou a adesão da Venezuela aos BRICS, recusou a proposta de adesão à Rota da Seda chinesa e não respondeu à altura a provocação de Trump de que o Brasil precisa mais dos EUA do que os EUA precisam do Brasil.


Enfim, seguimos assistindo a tudo como se fosse um filme. Mas é vida real. Bem mais rápido do que o esperado, o mundo parece ter se cansado da cultura woke. A vitória de Trump representa isso também. O pêndulo está mudando para uma direita iliberal, já que o esquerdismo se apropriou de algumas bandeiras liberais e as levou ao extremo, provocando uma reação igualmente extremista. Resta saber se os exageros dos nacionalistas em ascensão não levarão ao retorno da esquerda woke ao poder no futuro."

News 2801 2

 NEWS - 28.01


CEO da Petrobras diz a Lula que diesel terá reajuste / Em reunião com o presidente da República e o ministro de Minas e Energia, Magda Chambriard informou ainda que gasolina não terá remarcação-Painel S.A -  Folha SP 27/1


Julio Wiziack


A Petrobras deverá reajustar o preço do diesel nas próximas semanas. Já a gasolina não sofrerá alta. A informação foi dada por Magda Chambriard, chefe da petroleira, ao presidente Lula nesta segunda (27) em reunião ocorrida no Palácio do Planalto.


Segundo relatos, Lula perguntou sobre o índice de reajuste, mas Chambriard disse que os técnicos ainda estão fazendo os cálculos.


Conforme o Painel S.A. adiantou, a petroleira discutiu o assunto neste mês. Conselheiros disseram que o tema não poderia mais ser evitado e entraria na pauta da primeira reunião do conselho no ano.


Investidores internacionais estavam preocupados com uma interferência do governo nos preços da estatal e pressionaram por um reajuste, dada a disparidade do valor dos combustíveis comercializados no país ante a cotação do dólar e do petróleo no exterior.


Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), o diesel é comercializado nesta segunda (27) pelas refinarias da Petrobras com defasagem média de R$ 0,65 no litro, o que representa um valor 19% inferior aos preços praticados no exterior. O litro da gasolina está R$ 0,23 mais barato, 8% a menos do que deveria.


Faz três semanas que o diesel é negociado com uma defasagem perto ou superior a 20%, o que não acontecia desde agosto de 2023, quando a Petrobras precisou intervir e aumentar os preços.


Em 2024, porém, pela primeira vez em 13 anos, a petroleira fechou um ano inteiro sem qualquer reajuste no preço do óleo, mesmo com todas as oscilações no mercado no ano passado. O preço da gasolina foi alterado apenas uma vez.


Chambriard também detalhou as medidas tomadas dentro do plano de investimentos em segurança energética, com gás e refino, e segurança alimentar, com fertilizantes. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou da reunião e, segundo assessores do Planalto, elogiou a celeridade dos projetos.


Com Stéfanie Rigamonti


 


Lula discute investimentos da Petrobras em momento que estatal defende reajuste do diesel, dizem fontes / Fonte do governo federal disse que a Petrobras já faz as contas de quanto será o reajuste do diesel, mas que o reajuste da gasolina, “por enquanto, não está no radar”- Valor 28/1


Rafael Bitencourt / Renan Truffi


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na tarde desta segunda-feira (27) a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) para discutir os investimentos realizados pela estatal, segundo informaram interlocutores do governo. O encontro, no Palácio do Planalto, ocorreu em um momento de pressão sobre a petroleira para reajustar os preços dos combustíveis nas refinarias frente à defasagem crescente em relação ao mercado internacional.


Após o encontro de Lula com a CEO da Petrobras, algumas fontes oficiais, ouvidas pelo Valor, disseram que a política de preço dos combustíveis não foi discutida. Outro integrante do governo, porém, garantiu que a Petrobras já faz as contas de quanto será o reajuste do diesel e, fatalmente, este seria um assunto a ser levado hoje ao chefe do Executivo. “Os cálculos ainda estão sendo feitos”, disse a fonte. Já o reajuste da gasolina, afirmou, “por enquanto, não está no radar”.


O site da "Folha de S. Paulo" publicou que Magda disse, na reunião com Lula desta segunda-feira, que deverá reajustar o preço do diesel nas próximas semanas. Conforme o jornal, a executiva afirmou que os técnicos ainda calculam de quanto será o reajuste do combustível. Segundo também a "Folha", Chambriard teria dito a Lula que a gasolina não terá preços alterados.


A petroleira foi questionada sobre o reajuste, mas não respondeu até a publicação deste texto. O espaço continua aberto.


Defasagem de preços


De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem no preço do diesel, na data hoje, está em R$ 0,65 (-19%), enquanto que na gasolina está em R$ 0,23 (8%).


“Amanhã, as defasagens devem estar um pouco abaixo, porque o real teve uma pequena valorização e as commodities pequenas quedas nos seus preços”, disse Sergio Araujo, presidente da entidade, ao Valor.


Ao discutirem os investimentos, Silveira teria destacado que o ritmo que Magda está conseguindo dar à execução dos projetos é positivo, especialmente aqueles ligados à segurança energética, como gás e refino, e segurança alimentar, com fertilizantes.


Ausência de Haddad em reunião de Lula causa estranheza na Petrobras – CnnBrasil 27/1


Victor Irajá


Segundo fontes na empresa, não ida do ministro da Fazenda indicaria que a reunião teve como pano de fundo intenções políticas, ignorando possíveis consequências econômicas


A ausência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros Alexandre Silveira, de Minas e Energia; e Rui Costa, da Casa Civil, junto à presidente da Petrobras, Magda Chambrtiard, causou estranheza entre executivos da empresa, apurou a CNN.


Como o temor principal de Lula envolve o impacto inflacionário e eventual desgaste de popularidade, a ausência de Haddad indicaria, segundo alguns executivos, que a reunião teve como pano de fundo intenções políticas, ignorando possíveis consequências econômicas.


Segundo uma fonte, a partir da contenção dos preços de combustíveis, a Petrobras avançaria em participação de mercado de forma ilusória, porque empresas privadas que importam combustíveis perdem sua capacidade de concorrer.


Desde novembro, o real apresentou uma forte desvalorização perante o dólar, moeda que baseia as transações de petróleo no mercado internacional.


Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a gasolina apresenta uma defasagem de 14% em relação ao preço de paridade internacional.


Já o diesel possui uma defasagem de 27%, e seu reajuste resultaria em um acréscimo de R$ 0,94.


Na próxima quarta-feira (29), Magda Chambriard levará ao Conselho de Administração os números da gestão.


Há a perspectiva de que a possibilidade de reajustes e a sustentabilidade da atual política de preços da Petrobras seja pautada para ser discutida entre os conselheiros.


A Petrobras não reajusta os preços do diesel há mais de um ano e alterou os preços da gasolina apenas uma vez, em julho do ano passado.


ESTADÃO: PETROBRAS É COBRADA POR DEFASAGEM E LULA PODE TER OUTRA CRISE À FRENTE- 28/1


Brasília, 27/01/2025 - Nem bem conseguiu colocar em marcha um plano para a inflação dos alimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem de lidar agora com uma nova crise, a do reajuste dos combustíveis. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, que se reuniu com Lula na segunda-feira, 27, tem encontro marcado com representantes dos sócios privados da empresa na quarta-feira, 29, e tratará da defasagem nos preços da gasolina e do diesel.


Cálculos usados nas discussões internas da Petrobras, com base nos preços praticados no fim do ano passado, dão conta de que deveria ser aplicado um reajuste na gasolina de 13%, e de 11% no caso do diesel. Na semana passada, segundo estimativas do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), com a queda do dólar e do petróleo, a gasolina estava 7,5% mais barata no Brasil do que no exterior, e o diesel, 15%.


O equilíbrio é importante para empresas que concorrem com a Petrobras no refino e venda de combustível no mercado interno e que têm seus negócios impactados pela fixação dos preços no Brasil.


Em entrevista ao Estadão/Broadcast na semana passada, Magda disse, porém, que a taxa de câmbio - um dos componentes para a fixação dos preços - está muito volátil e que prefere não fazer movimentos antes que haja uma estabilidade na cotação do dólar.


Ocorre que a reunião do conselho de administração marcada para quarta-feira é para tratar de preços praticados no trimestre encerrado em dezembro.


Por isso, segundo relatos, ela deverá ser interpelada sobre o assunto por representantes de investidores privados, que desejam saber se a Petrobras vai praticar preços de mercado ou se reconhecerá que está contendo aumentos a pedido do presidente Lula.


Nenhuma das duas respostas tende a deixar Lula em situação confortável. Ou os preços subirão ou o presidente será novamente acusado de intervir na companhia.


Desde o antecessor de Magda na Petrobras, Jean Paul Prates, a companhia não segue o ritmo das cotações

internacionais do petróleo e do câmbio.


Prates introduziu na fórmula variações de custos locais de produção, o que ele classificou como de “abrasileiramento” na fórmula de preços da Petrobrás.


Sob Magda, o último reajuste ocorreu em julho e alcançou só a gasolina - o diesel ficou estável. O aumento nas refinarias da Petrobras foi de 7,12%, mas, como a composição da gasolina nas bombas leva etanol, que subiu 17,58% no ano passado, o resultado é que a gasolina ficou 9,71% mais cara em 2024. O diesel ficou praticamente estável (alta de 0,66%).


INVESTIMENTO. Apesar da atenção sobre o tema, auxiliares de Lula afirmam que Magda esteve em Brasília com o presidente, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para discutir o plano de investimentos da Petrobras. A executiva deixou o Palácio sem falar com a imprensa. Procurada, a Petrobras não comentou.


O economista Adriano Pires, do Cbie, afirma que a atual condução da política de preços se assemelha à praticada no governo Dilma Rousseff (PT), quando o então presidente José Sergio Gabrielli defendia que era preciso esperar por uma estabilidade ou que o câmbio atingisse um novo patamar para, só assim, mexer com os preços dos combustíveis.


“Acontece que o mercado de petróleo e o câmbio funcionam com alta volatilidade, é uma justificativa meio nonsense dizer que se espera uma estabilidade”, diz ele.


Pires diz não acreditar que a Petrobras faça reajuste neste momento, após a sinalização feita por Magda em entrevista ao Estadão/Broadcast, lamentando os efeitos que isso provoca em concorrentes privados. “Não existe uma política de mercado meia-boca, ou é de mercado ou não é”, critica.


“Colocaram tantas variáveis na política de preços que virou uma caixa-preta. É possível extrair argumentos tanto para seguir quanto para não seguir as oscilações de mercado”, afirma. (Mariana Carneiro)


 


Petrobras já “perdeu” R$ 20 bi com defasagem de preços, diz associação / Refina Brasil afirma que, sem reajustes da gasolina e do diesel, estatal distorce concorrência de refinarias privadas- CnnBrasil 27/1


Daniel Rittnerda CNN , em Brasília


A Petrobras já deixou de ganhar aproximadamente R$ 20 bilhões com a defasagem dos preços de combustíveis desde maio de 2023, segundo estimativas da Refina Brasil, associação que reúne as refinarias privadas de petróleo no país.


Naquele mês, cumprindo promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “abrasileirar” o valor da gasolina e do diesel, teve fim o Preço de Paridade Internacional (PPI).


Instituída no governo Michel Temer (MDB), essa política atrelava o preço dos combustíveis no Brasil às variáveis internacionais, principalmente indicadores como a cotação do petróleo e a taxa de câmbio.


De acordo com Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, o atual represamento de preços pelo governo (sócio controlador da empresa) não apenas lesa acionistas minoritários, como também distorce a concorrência no setor de refino.


Pinheiro afirma que pelo menos duas refinarias – Acelen e Brava – estão começando a exportar parte da sua produção porque não é mais rentável vender gasolina e diesel no mercado interno.


“A Petrobras vende os combustíveis por um valor que, se praticado pelas refinarias privadas, gera prejuízo”, observa.


O Brasil, segundo a associação, tem déficit de 600 mil barris por dia de derivados de petróleo e precisa importá-los para atender à demanda doméstica.


Com um investimento de R$ 20 bilhões, montante equivalente ao que a Petrobras deixou de embolsar com a defasagem de preços, seria possível ampliar o parque de refino e cortar à metade o déficit de derivados.


“O que é mais importante: a ausência de política pública, de previsibilidade mínima dos preços de combustíveis, impede o investimento privado em refino”, diz o executivo.


Pinheiro argumenta que uma política de estabilização dos preços, amortecendo variações drásticas para cima ou para baixo, seria compreensível.


O problema, segundo ele, é a falta de parâmetros claros sobre como estão sendo tomadas decisões na Petrobras e a suspeita de ingerência política.


Petrobras atinge marca de 2,7 milhões de barris por dia em 2024 e cumpre metas de plano estratégico / Empresa divulgou números ao mercado na noite de hoje- O Globo 27/1


A Petrobras informou na noite de hoje, em comunicado ao mercado, que atingiu em 2024 todas as metas de produção de petróleo e gás previstas em seu Plano Estratégico 2024-2028, dentro da margem de erro de 4% a mais ou a menos que o objetivo estabelecido.


Segundo a estatal, a sua produção total de óleo e gás natural no ano passado foi de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). A produção comercial de óleo e gás natural alcançou 2,4 milhões de boed, e a produção de óleo foi de 2,2 milhões de barris por dia (bpd).


A Petrobras diz ter quebrado "recordes anuais de produção total própria e operada no pré-sal, com 2,2 milhões de boed e 3,2 milhões de boed, respectivamente". Esse volume de produção em aguas superprofundas, portanto, correspondeu a 81% da produção total da companhia.


Ajudou nesse resultado a entrada em operação de duas novas plataformas em 2024, segundo a Petrobras: o FPSO Maria Quitéria, localizado no campo de Jubarte, no pré-sal da Bacia de Campos, cuja previsão inicial era começar a operar em 2025; e o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos.


Ainda segundo a companhia, "ao longo do ano, foi alcançada a capacidade máxima de produção de óleo da plataforma FPSO Sepetiba, no campo de Mero, após oito meses de operação".


"Estes resultados foram alcançados graças ao esforço integrado de toda a companhia, reforçando o compromisso da Petrobras com os investidores e com a sociedade brasileira", informou a estatal, dirigida por Magda Chambriard. Ela foi escolhida para o cargo pelo presidente Lula no ano passado com a missão de ampliar os investimentos e a produção da companhia.


 


Pacote fiscal acirra divergências entre Fazenda e Planejamento / OUTRO LADO: Haddad e Tebet negam atritos e afirmam que as duas pastas 'aprofundaram relacionamento'- Folha SP 28/1


Idiana Tomazelli


O processo de discussão e aprovação do pacote de contenção de despesas no fim de 2024 acirrou as divergências entre os ministérios da Fazenda e do Planejamento, segundo relatos de integrantes dos dois órgãos colhidos pela Folha.


De um lado, assessores de Fernando Haddad (Fazenda) cobram maior engajamento da pasta comandada por Simone Tebet na articulação da agenda de revisão de gastos. A avaliação desse grupo é que o trabalho de convencimento e costura das medidas dentro do próprio governo e com o Congresso "sobrou" para a Fazenda, embora o Orçamento seja uma atribuição do Planejamento.


De outro, a equipe da ministra enfrenta resistências dentro do próprio Executivo para emplacar medidas defendidas no âmbito dessa agenda, como a flexibilização de pisos de saúde e educação ou até mesmo a desindexação de alguns benefícios temporários (que não acompanhariam a valorização do salário mínimo, para evitar pressão nas despesas).


A reportagem conversou, reservadamente, com duas pessoas da confiança dos ministros e dois técnicos que participam das discussões econômicas.


O desgaste representa um novo capítulo no histórico de atritos entre os dois ministérios, muitas vezes encobertos por afagos públicos entre Haddad e Tebet.


Ambos os ministros mantêm uma relação cordial. Nos bastidores, porém, membros de suas equipes fazem críticas mútuas sobre a condução dos trabalhos e os resultados obtidos.


Procurados, os ministros enviaram uma nota conjunta à Folha em que "contestam veementemente" a existência de divergências entre as pastas.


No comunicado, Fazenda e Planejamento afirmam que "aprofundaram o relacionamento nos últimos dois anos de trabalho" e que seus secretários e técnicos mantêm reuniões "com frequência acima da média" para discutir o controle das contas públicas.


"Para além disso, os ministros responsáveis têm relação profícua desde a transição de governo. Todo o mais não procede e serve exclusivamente para gerar ruídos desnecessários", diz a nota.


No pacote de contenção de gastos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu o sinal verde para mudar a política de valorização do salário mínimo que seu próprio governo havia instituído, num gesto considerado importante inclusive por pessoas fora do Executivo. Ainda assim, outras frentes do pacote foram desidratadas antes mesmo de sua apresentação ao Congresso Nacional.


Durante as discussões, Fazenda e Planejamento elaboraram, cada um, um amplo cardápio de medidas, com diferentes cenários possíveis. A pasta de Haddad também perdeu batalhas, como no caso do seguro-desemprego, mas a percepção no time de Tebet é que muitas de suas sugestões não tiveram respaldo nem do restante da equipe econômica.


A ministra do Planejamento chegou a defender, em meados do ano passado, desvincular do salário mínimo os valores de aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais, que passariam a ser corrigidos apenas pela inflação. O posicionamento entrou na mira da esquerda e não teve, à época, apoio de Haddad.


Depois disso, a pasta de Tebet continuou defendendo medidas sensíveis politicamente, mas que, na visão do órgão, poderiam trazer um ganho fiscal mais significativo. Entre elas, a desvinculação apenas de benefícios temporários, como auxílio-doença, e a reformulação do seguro-defeso, pago a pescadores artesanais no período em que a atividade é proibida. Nenhuma dessas medidas constou no pacote apresentado pela equipe econômica no fim de novembro.


Na avaliação de um interlocutor da Fazenda, o Planejamento precisa "engrenar com o governo", no sentido de que não basta ter ideias, é preciso viabilizá-las politicamente e "encaixá-las" dentro da dinâmica do próprio Executivo.


Outro interlocutor que participa das discussões econômicas afirma que não há divergência em torno do diagnóstico de que a regra do arcabouço fiscal precisa ter resiliência, mas algumas das iniciativas defendidas pela pasta de Tebet não se coadunam ao programa de governo apresentado por Lula e apoiado por ela na eleição de 2022.


Segundo esse integrante do governo, o Planejamento dialoga bem com setores de fora, o que é positivo e segue o adotado também por outras pastas, mas não tem a mesma sintonia dentro do Executivo, e isso poderia estar se refletindo em suas propostas.


Auxiliares de Tebet, por sua vez, veem justamente nessa falta de entrosamento um dos fatores de dificuldade para participar dos debates, fazer o convencimento e emplacar suas medidas.


A ministra chegou a ficar de fora de reuniões sobre o pacote de contenção de gastos, enquanto Haddad e outros homens de confiança do presidente foram chamados ao Palácio da Alvorada.


Mais recentemente, o Planejamento também chegou a participar de reuniões iniciais para discutir a sanção do projeto de socorro aos estados, nas quais manteve uma postura mais crítica do que a Fazenda. Acabou ficando de fora da articulação final.


A sanção do texto, com flexibilizações que deixam a União exposta a impactos bilionários e riscos jurídicos, foi costurada em acordo de Haddad e Rui Costa (Casa Civil) com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), favorito para sucedê-lo no comando da Casa.


Há ainda diferenças de diagnóstico entre as duas pastas. Nos bastidores, integrantes da Fazenda reconhecem que a trajetória da dívida pública preocupa, mas avaliam que o pacote fiscal aprovado no fim do ano passado é, a princípio, suficiente ao proporcionar uma economia em linha com a que o mercado considerava necessário (cerca de R$ 70 bilhões em dois anos).


No Planejamento, a visão é que a situação fiscal e da política econômica é delicada, e é preciso traçar uma estratégia de saída. Para isso, seria necessário voltar à mesa e discutir velhas e novas medidas.


Apesar disso, parte dos aliados da ministra trata as divergências como algo natural entre equipes de diferentes perfis e avalia que a composição final é uma "decisão de governo".


 


Copom: BC começa hoje 1ª reunião liderada por Galípolo para definir taxa de juros  /Economia aquecida e inflação em alta reforça indicação do próprio BC de que a Selic vai aumentar 1 ponto percentual- O Globo 28/1


Ana Carolina Diniz/ Paulo Renato Nepomuceno


Começa hoje a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que é composto por diretores do Banco Central (BC), sob a liderança formal de Gabriel Galípolo, novo presidente da instituição.


O resultado sai amanhã, e a expectativa é que o BC cumpra o indicado em dezembro e eleve a taxa básica Selic do patamar atual, de 12,25%, para 13,25% ao ano. A escalada deve seguir em março, para 14,25% ao ano.


“Acompanhando a atividade, os mercados de crédito e, principalmente, de capitais têm surpreendido ao longo do ano, com crescimento de volume acima do que era esperado, apesar de taxas de juros elevadas. Ressalta-se que, apesar da resiliência da atividade, um ambiente de alta de juros, com nível de inadimplência e comprometimento de renda elevados, requer cautela e diligência adicionais na concessão de crédito”, disse o BC, na última ata do Copom.


A meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, para que seja considerada cumprida, não deve passar de 4,5% ao ano. No ano passado, o IPCA foi de 4,83%.


Em 2024, mesmo com a alta dos juros, o saldo de operações de crédito no sistema financeiro nacional cresceu 10,9%, após um aumento de 8,1% em 2023, segundo dados do Banco Central (BC). O resultado ficou levemente acima da projeção do BC (10,6%) e mostra que o aumento da taxa básica de juros não foi suficiente para travar o avanço dos empréstimos no ano passado.


O cenário evidencia o tamanho do desafio que o novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, terá no comando do Comitê de Política Monetária (Copom) para esfriar a economia e cumprir a meta de inflação, após o estouro em 2024.


Mercado vê inflação a 5,5% e juros a 15% no fim de 2025


A expectativa de analistas de mercado é de aumento em um ponto percentual, para 13,25% ao ano, mas chegando a 15% em dezembro. Também preveem o indicador oficial de inflação em 2025 alcançando os 5,5%. É o que apontam agentes de mercado na pesquisa Focus, do BC, divulgada ontem.


O número para a inflação do ano é um ponto percentual acima do teto definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%. A previsão para o índice de inflação estourando o teto da meta ocorre mesmo diante de uma expectativa de Selic restritiva.


A expectativa para a inflação em 2026 também foi revisada , agora em 4,22% (ante 4,10% na semana passada). Para o PIB, os investidores agora estimam o crescimento em 2,06% (ante 2,04%) na semana passada. A expectativa para o câmbio se manteve estável, a R$ 6, tanto para 2025 quanto para 2026.


Já para o ano que vem, o mercado vê a taxa de juro chegando ao fim de 2026 em 12,5% (ante 12,25% na semana passada), e o PIB a 1,72% (a previsão anterior era de crescimento de 1,77%).


Sem dar pistas


Para 2027, o mercado ainda vê o juro em dois dígitos, em mediana de 10,38% ao ano, ante previsão de uma Selic a 10,75%. Há expectativa para o IPCA acima do centro da meta, em 3,9%.


Em relatório divulgado ontem, o Itaú avalia que o Copom pode adotar uma postura mais cautelosa, evitando indicar a magnitude dos movimentos futuros, como mostrou o blog da coluna de Míriam Leitão.


Isto porque a política monetária mais restritiva tende a impactar a economia com mais força a partir do segundo trimestre deste ano. O texto lembra que desde a reunião do Copom de dezembro tem havido piora nas projeções da pesquisa Focus:


“Em meio a elevado grau de incerteza, avaliamos que a reação mais provável da autoridade monetária seja não indicar a magnitude dos movimentos para reuniões além da próxima”.


 


Governo traça plano para evitar problemas no escoamento da safra e tentar conter alta dos alimentos / Discussão envolve Transportes, Agricultura, Portos e Aeroportos, além de outros órgãos federais- Folha SP 27/1


Adriana Fernandes


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja uma força-tarefa para se antecipar a problemas nas rodovias, ferrovias e portos que possam prejudicar a logística de escoamento da safra agrícola neste início do ano, o que poderia gerar mais aumento dos preços dos alimentos.


O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, disse à Folha que a estratégia de escoamento da safra está sendo traçada em conjunto com os ministérios da Agricultura e Portos e Aeroportos, além de Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), PRF (Polícia Rodoviária Federal), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).


Santoro afirmou que uma reunião está marcada para esta semana, na qual cada área envolvida levará os pontos de atenção que possam surgir.


Ele ressaltou que o custo de operação e o tempo entre o produtor e o local de venda têm efeito direto nos preços.


"Se uma rodovia estiver em pior estado de conservação, o custo para entregar a mercadoria no mercado, nas ceasas [centrais de abastecimento], será muito maior", afirmou.


A safra começou a ser colhida agora e, segundo ele, deverá se estender neste ano até abril em razão das chuvas. O secretário disse que a ANTT fará a articulação com as concessionárias de rodovias e ferrovias, e o Dnit, o monitoramento das rodovias que não são concessões à iniciativa privada.


Esse modelo de governança conjunta já foi adotado no ano passado. São ações de curtíssimo prazo, como gestão de filas e redução de danos nas rodovias, e medidas de médio e longo prazo. O plano está atrelado a investimentos de 60 obras estruturantes de melhoria do chamado corredor de agro para o escoamento da safra.


O secretário citou como exemplo os casos em que ocorrem deslizamentos nas rodovias e é preciso agir rápido para liberar o trânsito. O governo agora tem contratos de manutenção que permitem agir imediatamente para desobstruir a via e permitir o seu funcionamento.


"Tínhamos boa parte da malha sem contrato de manutenção. Isso era muito ruim, porque se acontecesse um deslizamento, eu teria que fazer uma contratação emergencial que ainda demora para liberar o trânsito", disse. Hoje, mais de 95% da malha rodoviária federal tem contrato de manutenção.


No caso dos investimentos em obras, a estratégia é retirar os gargalos logísticos que dificultam o transporte de mercadorias. Santoro deu como exemplo a passagem urbana de Gurupi, no Tocantins, que destravou um gargalo logístico relevante no escoamento da produção da safra.


Nos portos, a força-tarefa faz um trabalho de controle do fluxo de desembarque da mercadoria por meio de agendamento para evitar que todos os caminhões cheguem ao mesmo tempo nos terminais. O controle começa nas rodovias até chegar ao porto.


No médio prazo, é feito o mapeamento para identificar com antecedência onde devem aparecer os gargalos na infraestrutura do porto para que investimentos sejam feitos no local. Um terminal portuário ineficiente, que demora mais tempo para carregar e onde o navio fica mais tempo parado, representa custo de locação do equipamento, que acaba sendo repassado para o preço final do produto.


A alta de preços dos alimentos entrou no centro das discussões do governo neste início do ano, após cobranças de Lula, que comandou uma reunião ministerial na semana passada.


Lula cobrou de ministros medidas que propiciem o barateamento dos preços dos alimentos.


A movimentação do governo, entretanto, gerou ruídos e dúvidas sobre a eficácia das propostas aventadas. Entre elas, a redução do imposto de importação, regulamentação da portabilidade do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), que usa o vale-refeição e vale-alimentação, além de medidas com efeito mais demorado, como a adoção de estímulos para a produção de alimentos básico, como arroz e feijão.


Após informações desencontradas e desmentidos de que o governo adotaria medidas intervencionistas, duas preocupações permanecem no radar dos investidores e agentes econômicos: o risco de ações com custo para as contas públicas e a possibilidade de Lula lançar mão de taxação das exportações para reduzir os preços no mercado interno.


Como mostrou a coluna Painel, da Folha, o governo identificou cinco produtos que despertam mais atenção na atual escalada dos preços dos alimentos: carne, café, açúcar, óleo de soja e laranja.


Prepare o bolso para os ‘vilões’ da inflação: café e carnes podem subir até 20% neste ano / Previsão é de que alta dos preços de alimentos fique próxima da média projetada para a inflação geral, de 5,5%- O Globo 28/1


Carolina Nalin


Os brasileiros devem se preparar para um aumento nos preços de alimentos este ano. A alta não será generalizada, e economistas até divergem sobre a sua magnitude, já que as condições climáticas e o dólar afetam as previsões. Mas a leitura geral é que itens como carnes e café subam com força e pesem mais no bolso das famílias, acendendo alerta no governo, que teme impacto na popularidade já de olho nas eleições de 2026.


Luis Otavio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners, projeta alta de 5% nos alimentos este ano, abaixo da média histórica de 7%. Ele avalia que a dinâmica deverá ser ajudada pela safra recorde de grãos e pelo clima, já que o fenômeno La Niña tende a ser fraco este ano. No entanto, a carne bovina e o café serão os grandes “vilões”, com altas de 7,5% e 20% este ano, respectivamente.


Ele espera outros impactos significativos nos preços do frango, com chances de aumento na casa de 8%, de 9,1% sobre o arroz e de 5,5% sobre o leite longa vida:


— São alimentos que acabam tendo muita sensibilidade ao consumidor. No caso do frango, não é questão de oferta. Mas como o preço da carne sobe, as pessoas aumentam o consumo da outra proteína.


Baixa oferta global


Alexandre Maluf, economista da XP, espera alta mais significativa: um aumento de até 9,2% para os preços de alimentos e bebidas este ano. O vilão, diz ele, serão as proteínas. Ele espera que a carne bovina fique até 20% mais cara este ano, seguido do frango, que deve ter alta de 14%:


— Vimos uma escalada de preços no fim de 2024 e devemos ver uma alta similar no segundo semestre deste ano. A inversão do ciclo da pecuária faz parte do negócio do próprio setor, e não existe política governamental que consiga intervir nisso no curto prazo.


O café pode ter alta superior a 20%, projeta o economista da XP. E ele não vê instrumento efetivo para conter o preço diante da restrição do grão no mercado internacional.


— É difícil imaginar algum instrumento efetivo e poderoso no curto prazo — diz.


José Carlos Hausknecht, sócio diretor da consultoria MB Agro, diz que os preços do café e das carnes estão altos no mercado internacional pela baixa oferta global, o que traz reflexos sobre preços domésticos. E, por causa da desvalorização do real frente ao dólar, o custo fica maior e afeta a paridade interna.


No mercado interno, o preço da saca de café arábica de 60kg chegou a R$ 2.387,85, uma alta de 132% em apenas um ano, considerando preços de janeiro deste ano frente a igual mês do ano passado. Os dados são do Cepea, compilados pela MB Agro.


— Baixar o câmbio seria a melhor medida (para conter os preços de alimentos) — avalia Hausknecht.


Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, prevê que a inflação dos alimentos em 2025 fique mais próxima à média do índice geral de preços, projetado em 5,5% pelo Boletim Focus. Ele diz que a alta da carne bovina está relacionada ao ciclo da pecuária, e os preços sobem quando existem menos fêmeas disponíveis para abate:


Heron destaca, no entanto, que as perspectivas para os preços de alimentos este ano são mais favoráveis em comparação a 2024. Ele aponta menor pressão do câmbio, que não deve desvalorizar no mesmo ritmo do ano passado, e o impulso da safra agrícola recorde no país.


Estoques reguladores


Na visão do economista, o “nó” atual que impede melhora das projeções de preços é a política fiscal. Se o governo conseguir retomar a confiança dos agentes econômicos a partir da apresentação de resultado primário melhor que o esperado, traria reflexos aos preços e estabilidade à inflação.


— Essa deve ser a preocupação. Mexer em preços pode ainda perturbar o mercado, e se preocupar (com alimentos) dessa forma me parece uma preocupação prematura e exagerada com eleição. Não é boa motivação — diz Carmo, que defende a retomada da política de estoque regulador para amenizar preços em períodos de grande oscilação.


Leal, da G5 Partners, também cita a importância de o governo fazer estoques reguladores para ajustar os preços em momentos de alta, mas considera a medida mais estrutural do que de curto prazo. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) coletados até dezembro de 2024, o estoque de café está praticamente zerado desde 2018:


— É um pouco da história da cigarra e da formiga. Ninguém se prepara e depois realmente não tem nem o que fazer.


Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Agrário cita o aumento de preços de commodities, como café, açúcar, laranja e carne no mercado internacional e eventos climáticos que afetaram a safra passada como fatores para a alta de preços no mercado interno.


A pasta, recriada em 2023, cita a retomada de planos safra para agricultura familiar e a redução da taxa de juros do crédito rural do Pronaf (de fortalecimento da agricultura familiar). O ministério cita maior financiamento a alimentos como batata, feijão, banana, além da criação de programas para fomentar a produção de arroz e leite.


A nota ressalta que o país deve registrar safra recorde, de 322,3 milhões de toneladas, de acordo com a projeção mais recente, alta de 8,2% sobre a anterior.


Governo avalia que inflação afetou popularidade de Lula e crise do Pix acelerou queda / Gestão aponta que já havia detectado desde junho preocupação com alta de preços- Folha SP 28/1


Catia Seabra


Integrantes do governo atribuem a queda de popularidade do presidente Lula (PT) à alta de preços ao consumidor, especialmente dos alimentos. O custo de combustíveis e da conta de luz também pesou na desaprovação do governo.


Desde junho, pesquisas internas apontavam para o aumento de insatisfação do brasileiro com o custo de vida, de acordo com relatos no Palácio do Planalto. À época, a percepção de que os preços estavam altos e continuavam subindo atingia a maior parte dos entrevistados de diferentes faixas salariais.


Segundo integrantes do governo, no fim do ano passado 80% dos entrevistados admitiam ter deixado de comprar produtos ou de pagar contas em decorrência do aumento dos preços.


Pesquisa da Quaest, divulgado nesta segunda-feira (27), mostra que a avaliação negativa do governo Lula atingiu 37%, maior patamar desde o início de seu terceiro mandato. O índice cresceu seis pontos no intervalo de um mês e meio.


É a primeira vez que a avaliação negativa supera a positiva. A gestão é considerada positiva por 31% dos entrevistados e avaliada como regular por 28%. Outros 4% não souberam ou não quiseram responder.


Em novembro de 2024, a alta de preços foi pauta de uma reunião entre o presidente Lula, ministros e representantes da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).


Na semana retrasada, na primeira reunião ministerial de 2025, Lula cobrou da equipe medidas para redução do preço dos alimentos, questionando seus ministros especificamente sobre o preço da carne.


Nos próximos dias, o governo lançará campanha publicitária para afirmar que "ninguém mexe com o Pix" e que o Pix "é nosso". A previsão era de que a propaganda fosse levada ao ar já no sábado (25).


A Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) encomendou às agências campanha com o mote "é meu, é seu, é do Brasil", na tentativa de minimizar os estragos da divulgação de novas regras da Receita Federal e da disseminação de fake news sobre tributação da ferramenta de pagamento.


A intenção da campanha é restabelecer a confiança na operação, reforçando que o Pix já é uma conquista dos brasileiros. A publicidade terá foco em empreendedores e autônomos, segmento apontado como mais sensível à falsa informação de que a ferramenta seria tributada.


A peça será lançada poucas semanas depois de o governo ter sido obrigado a revogar uma norma que ampliava a fiscalização da Receita sobre transações de pessoas físicas via Pix que somarem ao menos R$ 5.000 por mês.


O recuo ocorreu após uma onda de críticas à medida nas redes sociais, entre elas a notícia falsa de que o Pix seria taxado. No último dia 17, a Secom avisou às agências encarregadas da publicidade do governo sobre a encomenda da nova campanha de esclarecimento.


Na mesma noite, definiu como conceito reforçar que o Pix é uma ação de Estado. Na avaliação de aliados do presidente Lula, o diálogo com o segmento de autônomos e informais já era desafiador e foi ainda mais afetado pela disseminação de fake news sobre tributação das operações.


Antes de assumir a Secom neste mês, o ministro Sidônio Palmeira tinha encomendado às agências encarregadas da comunicação do governo uma campanha de esclarecimento sobre as novas regras de monitoramento de transações da Receita.


 


ESTADÃO/EDITORIAIS: LULA IMPOPULAR É UM PERIGO – 28/1


Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada na segunda-feira, 27 trouxe más notícias para o governo do presidente Lula da Silva. Na comparação com o último levantamento, realizado em dezembro, a aprovação ao petista caiu 5 pontos porcentuais, de 52% para 47%, e pela primeira vez ficou atrás do porcentual dos que reprovam a atual gestão, com evidente viés de baixa para o governo.


Trata-se da mais significativa desaprovação ao trabalho de Lula desde o início do terceiro mandato, resultado até natural ante a corrosão constante de sua popularidade, que os petistas invariavelmente creditam aos culpados habituais - a alegada desordem deixada pelo antecessor, Jair Bolsonaro, as fake news e as big techs, a comunicação do governo e uma suposta incapacidade da população de perceber as virtudes do atual governo.


A notícia mais dura para o presidente Lula, porém, vem dos grupos em que a deterioração da popularidade apareceu com mais força: no Nordeste, tradicional reduto do presidente, onde o governo perdeu quase 10 pontos porcentuais de aprovação, e na população de baixa renda (-7 pontos) e renda média (-5 pontos). Mais: metade acredita que o País está na direção errada, e 65% acham que Lula não conseguiu cumprir suas promessas de campanha.


Ou seja, há uma fratura naquela que é a maior base social do presidente e, para piorar, o atual governo está produzindo frustração nos brasileiros em vez de incutir-lhes esperança de melhorar de vida. Um desalento que emerge não de alguma perversa conspiração da mídia ou do mercado financeiro, tampouco de uma eventual máquina de desinformação da extrema direita. É, isso sim, o retrato da vida real, cuja raiz é uma só: a inépcia de Lula e sua incapacidade de entender as aflições do Brasil que governa.


Não se gastaria tempo e esforço neste espaço se a revelação dos números servisse apenas para perturbar o humor presidencial, habituado aos aplausos frequentes que recebe dos sabujos palacianos. O problema vai além de Lula e dos morubixabas petistas, que até hoje têm a mais plena convicção de que as dificuldades com a popularidade decorrem de mentiras e desinformações que impedem que as ações do governo cheguem à população. Ocorre que ninguém que torce pelo Brasil pode sentir-se bem diante do fato de que apenas 25% dos brasileiros reconhecem que a economia melhorou no último ano e que, portanto, a percepção popular sobre a situação econômica continua majoritariamente negativa. Ou que apenas 39% acreditam que o País esteja na direção certa, que o aumento dos preços dos alimentos passou a ser uma tormenta e que a economia, mesmo malvista pela população, foi ultrapassada pela violência na lista de temas que inquietam os eleitores.


Tão sério quanto essas evidências é o risco embutido na pressa de Lula para mudar os números de sua popularidade e, sobretudo, garantir a viabilidade de sua reeleição em 2026. Afinal, se já é mau sinal quando as pesquisas de opinião pública ditam os rumos e a ansiedade de um governo e de um presidente, torna-se um perigo para a população ter um Lula obcecado com a popularidade, inconformado com a desaprovação e ansioso pela eleição. Para o presidente, como se sabe, é algo rotineiramente menor avaliar e aperfeiçoar programas, ajustar a gestão, corrigir rotas ou modelos que não mais funcionam. É o que fazem bons governantes. Mas, como bom demagogo, Lula tem a indisfarçável ambição de quem se enxerga um mítico representante dos interesses do povo e, como tal, em situações de crise, recuperar o amor popular significa escolher atalhos populistas, capazes de gerar resultados vistosos no curto prazo e devastadores no longo.


Sempre que precisou escolher entre a responsabilidade e a popularidade, Lula nunca titubeou. Donde se conclui que os números revelados pela Quaest certamente servirão de pretexto para ampliar o arsenal de estultices produzidas pelo governo, desde “intervenção” nos preços até guerra de araque contra as big techs. Serão dois longos anos pela frente.


Governos regionais ampliam gastos e elevam desafio fiscal / Aumento de despesas de Estados e municípios nos últimos anos também tem impacto na política monetária- Valor 28/1


Anaïs Fernandes


No duro caminho que tem pela frente para promover a consolidação fiscal, o Brasil enfrenta um desafio adicional: os gastos dos governos regionais, que aumentaram significativamente nos últimos anos, superando o gasto direto da União, e não dão sinais de inflexão. Um dos problemas é que o aumento dos gastos dos entes regionais dificulta a coordenação entre política fiscal e monetária. Ainda que a consolidação, que se faz especialmente necessária em um momento de economia aquecida, exija coordenação entre os níveis de gestão, ela não dispensa o governo federal de medidas de ajuste estrutural.


Essa é a análise de Bráulio Borges, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), e base para a carta deste mês do instituto, ambas apresentadas ao Valor.


“Tanto levando em conta a questão da sustentabilidade da dívida pública (problema que assola o país há quase uma década) como o ciclo econômico, com o hiato [do produto, medida para ociosidade da economia] tendo se tornado expressivamente positivo ao longo de 2024, pela primeira vez desde meados de 2015, o momento é de consolidação fiscal”, escreve Luiz Guilherme Schymura, diretor do FGV Ibre, na carta.


Borges mostra que, em média, de 2021 a 2024, o PIB do Brasil cresceu cerca de dois pontos percentuais (p.p.) acima do que se esperava no começo de cada ano. Ao mesmo tempo, no mesmo período, a surpresa com gasto público federal é de cerca de 1,1 p.p. ao ano. Segundo pesquisadores do próprio FGV Ibre, o multiplicador do gasto médio é um pouco superior a 1%, ou seja, cada R$ 1 a mais de gasto no Brasil gera mais de 1 p.p. de PIB. “Essas surpresas de gasto explicam parte das surpresas de crescimento”, afirma Borges.


O pesquisador observa, porém, que há diferenças entre o comportamento dos gastos do governo federal e o dos governos regionais (Estados e municípios). Os gastos diretos do governo federal - sem incluir transferências para os entes, como o Fundeb - mudaram de patamar em 2023 com a “PEC da Transição”, mas recuaram nos últimos trimestres e, hoje, estão cerca de R$ 80 bilhões acima do pré-pandemia, segundo Borges.


“A grande mudança vem dos governos regionais, inclusive, sem sinais de inflexão nos dados até o terceiro trimestre de 2024. A despesa deles, que, antes da pandemia, corria em R$ 460 bilhões por trimestre, no segundo e no terceiro trimestres do ano passado chegou a R$ 620 bilhões. A gente imaginava que poderia ter alguma inflexão [no terceiro trimestre de 2024], principalmente pelas limitações da lei para gastos em período eleitoral, mas não”, diz Borges.


Historicamente, observa, o nível de gasto dos governos regionais era próximo ao da União, mas, de 2021 em diante, houve um descolamento. Parte relevante dessa expansão dos gastos dos governo regionais vem do aumento das transferências da própria União, diz Borges. O pesquisador nota que Estados e municípios são agentes econômicos do tipo “hand-to-mouth” (“mão para a boca”, em tradução literal), isto é, tendem a gastar todo a receita que porventura tiverem.


Outra parcela dessa expansão vem do endividamento. “É importante lembrar que parte desse aumento das operações tem a ver com a melhoria do risco de crédito dos governos regionais, cuja disponibilidade de caixa aumentou muito de 2020 para cá”, diz Borges. Ele observa que, hoje, os governos regionais têm cerca de 2,5% do PIB de caixa, quase o dobro da média histórica, segundo o pesquisador. “Tudo o mais constante, com risco menor, eles realmente poderiam pegar mais empréstimos. A questão é que, aparentemente, também houve um afrouxamento dos critérios de classificação de riscos.”


Além disso, com a sanção do programa para renegociação das dívidas, o Propag, neste mês, os Estados terão um espaço adicional fiscal para gastar à frente, observa Borges. “Se boa parte da aceleração de gastos tiver sido investimento, uma vez concluídos, a despesa tende a cair. Mas, se estiverem contratando despesa permanente, se for, por exemplo, despesa com pessoal, podemos estar contratando um problema bastante mais sério para frente, quando, eventualmente, o ciclo econômico já não ajudar tanto as receitas recorrentes desses governos regionais”, diz.


Esse descolamento dos gastos dos governo regionais também tem implicações para a política monetária, segundo Borges. “Por mais que o governo central possa, eventualmente, executar a política fiscal de modo a ter algum tipo de coordenação com a política monetária para reduzir o custo de desacelerar a economia e trazer a inflação para a meta, o fato é que não consegue controlar 26 Estados, Distrito Federal e 5.570 municípios. Na prática, é um problemão.”


Ainda assim, Borges reforça ser necessário que o governo federal conduza uma política fiscal anticíclica, especialmente no contexto atual de economia operando acima do potencial. Borges estima que o PIB total cresceu entre 2% e 4% a cada trimestre de 2021 a 2024, enquanto um PIB descontado do gasto primário do governo geral se expandiu num ritmo bem inferior e já estaria se contraindo em 2024.


A consolidação fiscal neste momento teria um duplo objetivo, como aponta a carta do FGV Ibre: aplacar a tensão do mercado em relação às contas públicas e ajudar diretamente o BC, pelo lado da demanda, a resfriar a economia em processo de superaquecimento, com inflação corrente acima do teto da meta e forte descolamento das expectativas mais longas.


“No front da sustentabilidade fiscal, um plano crível e robusto de consolidação mitigaria o mau desempenho recente dos ativos brasileiros, que realimenta as incertezas e as dificuldades das autoridades econômicas, como no caso do efeito inflacionário da disparada do dólar, que força o BC a praticar doses extras de aperto monetário”, escreve Schymura.


O cenário externo, marcado pela incerteza - especialmente com a nova eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, suas políticas comerciais protecionistas e os reflexos sobre a economia americana e global -, reforça a prescrição de Borges. “O ambiente internacional tem um peso grande na nossa depreciação cambial. Eu diria que mais ou menos metade dela foi gerada por fatores internacionais. A outra metade, que também foi muito grande, tem a ver com os fatores domésticos”, afirma.


Silvia Matos, também pesquisadora do FGV Ibre, pondera que alguns fatores até foram menos ruins a moedas emergentes no ano passado, por exemplo, não houve desvalorização de commodities e, no caso do Brasil, o diferencial de juros para os EUA aumentou. Ainda assim, o risco Brasil cresceu mais que o dos emergentes, já que fatores domésticos pesaram.


Independentemente de onde venha, a depreciação cambial gera “restrições severas para a política econômica brasileira, principalmente via pressão inflacionária, que rebate na própria política monetária”, afirma Borges.


 


Crise do IBGE é própria de país que perdeu o rumo, diz ex-presidente à CNN / Rabello de Castro afirmou que situação "é crônica por falta de recursos"- CnnBrasil 27/1


Da CNN , São Paulo


Ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2016 e 2017, Paulo Rabello de Castro disse que a “crise” envolvendo a estatal remete a um país sem rumo.


“A crise do IBGE é própria de um país que perdeu o rumo”, afirmou Rabello em entrevista ao CNN 360º. “Nós estamos precisando de direção segura, de direção certa, que não temos tido”.


De acordo com Rabello, o desequilíbrio dentro do instituto tem como origem a falta de recursos. O ex-presidente também acredita que o tema deveria ser pautado no Congresso Nacional.


“Crise do IBGE é crônica por falta de recursos”, continua o antigo gestor. “Isso já deveria ser objeto, inclusive, de discussão dentro do Congresso Nacional e discutir um marco geral da estatística e da informação no Brasil, aproveitando para marcar as datas certas para os censos” adiciona, mencionando o atraso da divulgação dos dados pelo IBGE.


O ex-presidente também menciona o “desinteresse” do governo federal.


“O IBGE está sofrendo uma crise que é produzida pelo relativo desinteresse do núcleo central do governo em relação às geoestatísticas e às informações no país”, opina ele.


Sob responsabilidade do Ministério do Planejamento e do Orçamento, conduzido por Simone Tebet, o ex-diretor fez críticas à pasta.


“Normalmente, quando uma situação dessa acontece, há a interferência de uma instância superior, que seria o Ministério do Planejamento”, declara Rabello. “Ela já deveria ter interferido nesse aspecto”, conclui Rabello ao se referir a Tebet.


A CNN procurou a ministra Simone Tebet e aguarda retorno.


Crise no IBGE


Em setembro passado, uma carta apócrifa com críticas à gestão Pochmann e um pedido de exoneração do presidente do IBGE chegou a circular entre servidores do instituto. Intitulado como “Declaração Pública dos Servidores do IBGE”, o documento apresenta o IBGE+ como pivô das insatisfações dos empregados.


Segundo a carta, trata-se de “uma entidade de apoio de direito privado, implementada sem qualquer diálogo com os trabalhadores”.


“Formalizada em sigilo por 11 meses e anunciada dois meses após sua oficialização em cartório, essa fundação gera dúvidas quanto a sua real finalidade e ao impacto que terá sobre a independência técnica e administrativa do instituto”, diz parte do texto.


Em janeiro deste ano, os diretores Elizabeth Hypolito e João Hallak Neto pediram exoneração e deixaram os cargos devido ao descontentamento com a gestão de Pochmann.


Ainda em janeiro, foi divulgada uma carta – dessa vez assinada majoritariamente por diretores e gerentes de diversas áreas – que afirmaram que a condução do IBGE por Pochmann tem um “viés autoritário, político e midiático”, e que “sua gestão ameaça seriamente a missão institucional e os princípios orientadores do IBGE”.


Na avaliação dos servidores que assinaram a carta, a fundação foi criada sem diálogo com os funcionários do instituto.


Os funcionários pedem a paralisação dos trabalhos da fundação e afirmam que Pochmann “impõe a criação da Fundação IBGE+ como única alternativa às demandas por recursos financeiros”.


 


Ibovespa descola de ativos de risco no exterior e sobe 1,97% / Desempenho do índice foi impulsionado por movimento de rotação para mercados emergentes devido a 'efeito DeepSeek'- Valor 28/1


Bruna Furlani / Maria Fernanda Salinet / Arthur Cagliari / Gabriel Caldeira


Dúvidas em torno da manutenção da dominância das empresas americanas ligadas a inteligência artificial (IA) geraram uma forte reprecificação nos mercados internacionais na sessão de ontem. O movimento, porém, não foi seguido pelo Ibovespa, que se descolou dos índices americanos e engatou uma alta firme de 1,97%, aos 124.862 pontos, fechando na máxima do dia. Mesmo em um dia de maior aversão a risco, o dólar à vista teve a sexta sessão seguida de recuo e os juros registraram queda firme ao longo de toda a curva.


A reavaliação global do mercado de tecnologia teve como origem a notícia de que a startup chinesa DeepSeek lançou um modelo de tecnologia avançado de IA por um custo bem mais baixo, de US$ 6 milhões. A informação colocou em dúvida os grandes investimentos de gigantes da tecnologia de inteligência artificial.


 


O movimento teve reflexo direto nas bolsas americanas. O S&P 500, por exemplo, recuou 1,46%. Dados levantados pelo Valor Data mostram que a correlação positiva anual entre o Ibovespa e o S&P 500 diminuiu na passagem de 2023 para 2024, cedendo de 0,90 para 0,04 no ano passado. Já no acumulado dos últimos 12 meses até ontem, a correlação entre os dois índices estaria até mesmo negativa, em 0,04.


O estrategista de ações da Santander Corretora, Ricardo Peretti, pontua que o descolamento do Ibovespa em relação aos mercados internacionais na sessão de ontem parece mais “pontual” e “intradiário” do que uma “virada de tendência”. Para ele, o movimento pode ser explicado por fluxo e por uma rotação de investidores para mercados emergentes.


Segundo ele, investidores aproveitaram o pregão para reduzir a exposição a teses que envolvem “big techs”, ao mesmo tempo em que o alívio nos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) ajudou a reduzir a pressão sobre o dólar e sobre a curva de juros local, o que impulsionou o principal índice da bolsa brasileira.


 Peretti não descarta que novas correções “pontuais” e “sadias” em Wall Street poderiam oxigenar o interesse para mercados emergentes, como o Brasil, devido a questões de “valuation” (avaliação de valor) e nível de preço.


“Contudo, se tivermos uma correção mais contundente dos mercados americanos, catalisada pelos receios com a DeepSeek ou políticas do [presidente dos EUA, Donald] Trump, acreditamos que o mercado brasileiro não estaria imune a um ‘sell-off’ [venda generalizada] global e poderia sofrer tanto (ou mais) que outros mercados”, resume o especialista.


O sócio-fundador e gestor de renda variável na Persevera Asset Management, Fernando Fontoura, acrescenta que o movimento é de “risk-on” (maior apetite a risco) na bolsa brasileira, com grande influência do cenário internacional, mas também como reação às novas pesquisas de avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo levantamento da Quaest divulgado ontem, a avaliação negativa de Lula aumentou de 31% para 37%.


Caso o pessimismo com as ações americanas persista no curto a médio prazo, Fontoura avalia que o movimento poderia abrir espaço para investidores olharem para outras geografias, inclusive o Brasil. “Na verdade, esse é um movimento que já tinha se iniciado em janeiro com o cenário do DXY [índice que mede o dólar contra seis moedas fortes] um pouco mais fraco e o juro do Tesouro americano de dez anos arriscando entrar numa tendência de queda. Esses eventos parecem ir nessa mesma direção”, completa.


O dólar à vista, por sua vez, encerrou a sessão bem perto da estabilidade, ao cair 0,10%, para R$ 5,9122. A dinâmica se deu mesmo com as moedas da América Latina em um processo consistente de desvalorização, diante das ameaças de sanções e tarifas de Trump contra a Colômbia.


A moeda americana chegou a abrir as negociações em alta frente ao real, mas oscilou ao longo de toda a sessão. Operadores viram fluxos pontuais e desmonte de posições como motivos para a melhora do real, além de notícias sobre a DeepSeek.


Thierry Larose, da suíça Vontobel Asset Management, avalia que o clima de aversão a risco nas moedas dos mercados emergentes parece ter sido mais influenciado pela venda das ações ligadas ao setor de tecnologia, impulsionada pelas preocupações sobre o surgimento de um eventual concorrente chinês disruptivo no setor de inteligência artificial dos EUA. “Um declínio prolongado nas ações dos EUA, porém, poderia enfraquecer o dólar, dando suporte às moedas dos mercados emergentes.”


 


O movimento de recuperação da moeda brasileira tem chamado a atenção. Para o gestor da Vontobel, a apreciação da moeda brasileira neste começo de ano ocorre depois da perda forte no fim do ano passado, em meio a um “sell-off” causado por pânico com o fluxo de saída. “Muitos investidores offshore [estrangeiros] provavelmente fecharam as suas posições longas por razões de gestão de risco. Como é típico nessas vendas, o mercado reagiu exageradamente e uma correção foi inevitável”, afirma o executivo.


Olhando para o futuro, porém, Larose diz não acreditar que o real esteja tão desalinhado com os seus fundamentos, com o dólar em torno de R$ 5,90.


Com uma perspectiva semelhante, o Citi anunciou ontem o encerramento de sua posição comprada em real e vendida em euro. “Ao longo deste mês, o real se beneficiou de um ambiente em que ‘nenhuma notícia é uma boa notícia’”, afirmaram os estrategistas Juan Paez, Ivan Riveros e Luis Costa, em nota.


“No entanto, com o Congresso brasileiro retomando as atividades no dia 2 de fevereiro, acreditamos que há riscos de que o ruído fiscal volte a ser foco”, disseram os especialistas do Citi.


Orientados pelo movimento externo, os juros futuros encerraram o pregão em queda firme, principalmente nos vértices longos da curva a termo. Embora as taxas de curto prazo tenham sido pressionadas pela desancoragem das expectativas de inflação, conforme mostrou o relatório Focus divulgado ontem, elas ainda encontraram suporte para encerrar o dia em leve queda, à medida que o restante dos vértices ampliou o movimento de baixa.


A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2026 teve leve queda de 15,145%, do ajuste anterior, para 15,135%; e a do DI de janeiro de 2031 recuou de 15,14% a 15,01%.


No cenário doméstico, permaneceu a preocupação com a convergência da inflação à meta. Em nota, os economistas da AC Pastore afirmaram que a autoridade monetária não vem tendo sucesso em controlar as expectativas de inflação, mesmo com a indicação de um aperto monetário mais duro do que era esperado.

News 2801

 NEWS - 28.01 / 2


Ruídos macro não afastam interesse por ativos brasileiros, diz UBS BB / Para Anderson Brito, presidente da área de banco de investimento, investidor estrangeiro vê oportunidades em setores considerados resilientes- Valor 28/1


Mônica Scaramuzzo


Na contramão de boa parte da Faria Lima, Anderson Brito, presidente da área de banco de investimento do UBS BB, vê interesse de investidores estrangeiros pelo Brasil, em setores de longo prazo e em ativos considerados resilientes. A operação de venda das ações da Vale pela Cosan é um dos exemplos que ilustram que há ativos no país que podem atrair investidores de fora.


“De uma maneira geral, existe uma visão negativa de Brasil e muito ‘hype’ [entusiasmo] sobre Argentina, por exemplo. Mas a gente tem de dar um passo para trás e olhar a diferença entre mercados endereçáveis”, disse o executivo, que esteve na semana passada em Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês). A entrevista foi concedida em Zurique na sexta-feira, poucas horas antes de Brito embarcar para o Brasil.


Segundo ele, a bolsa de valores Argentina, mesmo com a correção positiva do ano passado, movimenta por dia US$ 100 milhões, enquanto a brasileira gira entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões por dia. O mesmo ocorre em interesse de ativos - Brito observa que o país vizinho cresceu três vezes em fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), para cerca de US$ 3 bilhões em operações, mas no Brasil o volume fica entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões.


“No macro pode ter algum ruído de Brasil, mas tem tantos setores que vão bem, que estão subpenetrados, que no final do dia a gente tem vantagem competitiva. E tem interesse internacional para esses segmentos. Quando se olha o micro, para vários setores, existe uma demanda relevante, seja pelo tamanho de mercado endereçável do país, seja pelo tamanho da população.”


Brito também vê o mercado americano bem posicionado na segunda gestão do presidente americano Donald Trump, apesar dos ruídos e incerteza que sua administração já tem provocado.


“A gente espera um ‘approach’ [abordagem] mais positivo de mercado. De alguma forma, vamos ver os Estados Unidos positivos, com volume de transações maior”, disse, lembrando que os resultados de bancos americanos como J.P. Morgan, Citi, Goldman Sachs e Bank of America vieram fortes em 2024.


“Temos de tirar o ruído. A primeira notícia pode ser negativa e a turma fica um pouquinho mais negativa, mas se você avalia [a gestão anterior de Trump], foi a favor de mercado.”


Para Brito, o mercado de dívida deve continuar positivo, depois do recorde no volume de emissões no ano passado. O executivo prevê que haverá um crescimento de 5% a 10% nas transações de renda fixa local. Já o mercado de “equities” (ações) deverá ver movimentos concentrados em ofertas subsequentes, os chamados “follow-ons”, e muita oferta de venda de ações em bloco.


Neste início de ano, a Cosan colocou à venda seus papéis da Vale e teve forte interesse de investidores, sobretudo estrangeiros. A operação foi da ordem de R$ 9 bilhões.


“Para alguns ativos, o Brasil continua bem interessante”, afirmou, embora reconheça que outros países estejam na frente entre as prioridades do capital internacional. “Obviamente, quando você tem uma correção de mercado, quando o país não está tão ‘hypado’, diferente, por exemplo, a Índia em Davos, com dez casas de cada Estado diferente [se apresentando a investidores].”


O cenário de reestruturação de empresas deverá seguir movimentado, na visão do executivo, com grupos buscando refinanciamento de dívidas. Brito, entretanto, não vê um cenário de “quebradeira”.


De acordo com ele, as discussões em relação à renegociação de prazo de pagamento de dívidas continuam, em um ambiente de custo de crédito mais caro e empresas pedindo para alongar os débitos. Para o executivo, os principais bancos no país se mantêm dispostos a prosseguir com essas renegociações.


“A gente tem que ver onde vai bater essa taxa de juros. Mas a economia brasileira tem sido resiliente. Surpreendendo do ponto de vista de crescimento. O humor da Faria Lima está negativo. Mas quando você vai lá conversar com o ‘founder’ [empresário], há mais otimismo.”


Mesmo quando se trata do posicionamento de Trump em relação à transição energética, o executivo faz uma ponderação. Brito disse não ver pragmatismo do americano sobre o tema interferindo na meta em relação a emissões de gases nem em energias renováveis.


“O Brasil tem uma vantagem competitiva e é uma matriz verde. Não é agora, porque Trump está um pouco mais pragmático em relação ao mercado, que isso vai atrapalhar”, disse. Por conta disso, avalia, é preciso um pouco mais de pés no chão. “O Brasil é tão grande que a gente tem de olhar micro por setor.”


BC deve mirar parte de cima da meta da inflação, defende Aloisio Araújo / Para economista, busca por alta de 3% nos preços pode levar a dominância fiscal- Valor 28/1


Alex Ribeiro


O economista Aloisio Araújo defende que o Banco Central utilize a flexibilidade do intervalo de tolerância da meta para acomodar temporariamente uma inflação mais alta. Para ele, o objetivo de 3% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é inadequado para a economia brasileira, que vive uma situação de fragilidade fiscal.


Ele afirma que, ao mesmo tempo, o governo deveria reforçar o arcabouço fiscal, gerando um superávit. “Estamos numa situação perigosa porque, se aumentarem muito os juros, pode-se entrar em dominância fiscal”, diz Araújo, professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV EPGE) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).


Araújo também desaconselha que o governo altere a meta. “Pode ser complicado, pois pode ser interpretado como licença para gastar”, afirma.


Seus argumentos em favor de uma meta de inflação superior a 3% são expostos, com rigor acadêmico, no artigo “Inflation Targeting Under Fiscal Fragility” (em tradução livre, “Meta de Inflação sob Fragilidade Fiscal”), escrito em coautoria com outros pesquisadores e recentemente aceito para publicação no American Economic Journal: Macroeconomics, uma das mais importantes revistas internacionais de macroeconomia.


Ao definir uma meta de 3%, o CMN se alinhou a uma corrente de economistas que defende que não há razões para o Brasil operar com um objetivo maior do que o do Chile. Parte desses economistas argumenta que, se o governo fizer sua parte no lado fiscal, nada impede que o Banco Central busque essa meta de inflação mais ambiciosa.


“Essa é uma discussão mais complexa”, diz Araújo. “Um dos fatores que definem a relação entre a dívida e o PIB é a taxa de juros. A taxa de juros é determinada em função da meta de inflação.” Para ele, o ajuste fiscal necessário para justificar uma meta de inflação de 3% seria muito profundo. “Esquece, esquece, esquece”, afirma. “O Brasil está há décadas tentando fazer isso e nunca conseguiu.”


A seguir, os principais trechos da entrevista.


Valor: Como o senhor tem visto o trabalho do Banco Central, que indicou que levará o juro para pelo menos 14,25% ao ano?


Aloisio Araújo: O problema não é o Banco Central, o problema é a meta de inflação. O CMN estabeleceu uma meta de 3%, e a meta [anterior] de 4,5% já não era tão fácil de atingir. Foi furada para cima algumas vezes. Mas, durante 15 anos, quebrou o galho. Havia uma promessa de mudança, de melhora nas condições econômicas, quando foi definida uma trajetória de redução da meta. O Brasil não mudou tanto assim para melhor, a ponto de justificar a redução da meta. Acho que foi uma visão errada. Não adianta o CMN, com essa meta mais baixa, indicar alguma coisa para o futuro, achando que o resto do Brasil vai se enquadrar a esse desejo. Ou seja, acreditar que, porque a meta é menor, ela vai enquadrar a Câmara, o Senado, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Supremo Tribunal Federal (STF), o restante do governo atual e os futuros governos.


Valor: O senhor apresenta esses argumentos, de maneira formal, em um artigo acadêmico. Qual é a mensagem principal do artigo?


Araújo: Esse modelo é uma crítica, em certo sentido, aos monetaristas, que acreditam que a taxa de juros resolve tudo. E também, de certa forma, aos primeiros modelos de metas de inflação, que não estavam errados, mas foram pensados para países desenvolvidos, onde há a chamada dominância monetária. Ou seja, você estabelece a meta de inflação e coordena as expectativas para atingi-la. Acho que essa visão é incompleta, principalmente em países como o Brasil.


Valor: Por que funciona para outros países, e não para o Brasil?


Araújo: De forma simplificada, havia duas situações em termos de relação entre a dívida pública e o PIB, obviamente levando em conta as características próprias de cada país. Quando a relação dívida/PIB é baixa para esse país, você tem a dominância monetária. O governo estabelece a meta de inflação de forma a minimizar a inflação, pois a inflação é algo ruim. Na outra ponta, você tem a dominância fiscal. Nessa situação, não adianta mais nada, o Banco Central perde o controle [sobre a inflação]. A novidade que apresentamos [no artigo] é que existe uma zona intermediária, de fragilidade fiscal, que é particularmente importante para países emergentes. Se o país se encontrar nessa zona de fragilidade, quando ocorre um choque ruim, como a crise financeira global de 2008 ou a pandemia, pode ficar numa situação em que não consegue cumprir a meta de inflação. Isso deve inspirar maior cuidado de um país como o Brasil ao definir sua meta de inflação. Se colocar a meta um pouco mais alta, você sai dessa zona de fragilidade fiscal. Um país que está em dominância monetária não precisa de uma meta de inflação maior. Um emergente com fragilidade fiscal, sim. Um país perto da fragilidade fiscal não deveria diminuir a meta, pois isso poderia levá-lo para a fragilidade fiscal. A Turquia tem uma meta de inflação mais alta. Mas não podemos ter a mesma do Chile, que é 3%. Da mesma forma que os chilenos sabem que não podem ter 2%, que seria igual aos Estados Unidos. Para aumentar agora a meta, pode ser complicado, pois isso pode ser interpretado como licença para gastar.


Valor: O Brasil, em sua visão, não está em dominância fiscal. Por quê?


Araújo: Acho que estamos numa situação perigosa porque, se aumentarem muito os juros, podemos entrar em dominância fiscal. A relação dívida/PIB vai aumentar. O que está contribuindo para a alta da dívida são os próprios juros. Isso eu verifico claramente no meu modelo, quando o país está na zona de fragilidade fiscal e sofre um choque ruim. Veja a posse de Trump, que descreve bem essa situação. Traz mais uma incerteza, ninguém sabe muito bem o que pode acontecer. Os mercados ficaram mais nervosos, e o dólar subiu. Se você está com uma meta que não deveria ser a sua meta, pior ainda.


Valor: O que acontece se você coloca a meta de inflação muito baixa, estando na situação de fragilidade fiscal?


Araújo: Vai ter uma inflação muito maior. Ninguém acredita nos seus títulos, que passam a exigir juros cada vez maiores. O governo monetiza e tem uma inflação muito maior. Eu não gosto de inflação. Mas detesto ainda mais as grandes inflações.


Valor: Hoje, temos uma meta contínua de 3%. O que, na prática, o Banco Central e o governo podem fazer diante dessa realidade?


Araújo: Têm que fortalecer o arcabouço fiscal. Algumas medidas que já foram anunciadas pelo governo são muito boas. O supersalário, por exemplo. Não está definido que existe um teto salarial? Como algumas pessoas ganham acima dele? É preciso parar de contratar funcionários e não conceder aumentos salariais. Mas acho que não se deve seguir a ferro e fogo o centro da meta [de inflação]; acho que isso é impossível. A meta contínua é uma boa ideia. Devíamos atingir, o mais rápido possível, no ano que vem, ou em algum momento, a parte de cima da meta.


Valor: Ou seja, em vez do centro de 3%, o Banco Central deve trabalhar no intervalo de tolerância, que vai até 4,5%?


Araújo: Não quero dar um conselho específico ao Banco Central, mas acho que seria razoável pensar dessa forma.


Valor: Tem muita gente que acha que, se o Banco Central desistir do centro da meta, haverá uma desancoragem adicional de expectativas.


Araújo: Já está tudo desancorado.


Valor: O argumento é que, se mudar a meta, desancora mais e o custo fica mais alto.


Araújo: Não estou fazendo uma recomendação normativa. A questão é que, se você continuar subindo o juro, pode chegar na dominância fiscal. O perigo maior, para mim, é esse.


Valor: O sr. está propondo não apenas ter mais flexibilidade utilizando o intervalo de tolerância da meta, mas também medidas fiscais. O que pode ser feito?


Araújo: O governo deve tentar fazer um pouco mais do que o arcabouço. Há coisas que têm que ser feitas em outra magnitude, mais complexas, como uma nova reforma da Previdência e a reforma administrativa. São, obviamente, coisas muito difíceis de superar em dois anos. É algo para fazer no começo do mandato. Este governo fez uma reforma muito importante, do Imposto Sobre Valor Agregado (IVA), que não é perfeita, mas foi muito boa. E teve o arcabouço fiscal, que podia ter sido mais forte, mas houve essa opção. Fortalecer o arcabouço fiscal acho que é essencial.


Valor: Muitos economistas entendem que esse arcabouço é insuficiente para garantir uma trajetória sustentável da dívida pública.


Araújo: Essa é uma discussão mais complexa. Um dos fatores que definem a relação entre a dívida e o PIB é a taxa de juros. A taxa de juros é definida em função de sua meta de inflação. É o equilíbrio geral; deve-se olhar de forma integrada, interativa. A meta obriga o Banco Central a colocar o juro do tamanho de um bonde. Isso não afeta a relação entre a dívida e o PIB? Veja bem: inflação é ruim. Mas perder a credibilidade porque você não cumpre a meta é muito ruim também. Você perde a credibilidade porque coloca uma meta que não cumpre. Quer ver os Estados Unidos perderem a credibilidade? Bota a meta em 1% para o ano que vem.


Valor: O pacote lançado no final de novembro decepcionou o mercado porque mostrou pouca vontade política do governo para enfrentar o problema.


Araújo: O ajuste fiscal, a gente tem que ver a magnitude dele. Um ajuste fiscal para justificar essa meta de inflação? Esquece. Esquece, esquece, esquece. O Brasil está há décadas para fazer e nunca fez. Há alguma confusão das pessoas sobre isso. Muitos dizem que não cumprem a meta de inflação por causa do fiscal, que está ruim. Mas, em quatro anos de independência do Banco Central, não cumpriram a meta em três anos. Em um ano, cumpriram na beiradinha. O que é o ajuste fiscal? Essa é uma expressão vaga. Sou favorável a mudar o Brasil. Posso citar várias coisas que vão deixar você de boca aberta. Mas, no curto prazo, você não vai ser capaz de fazer tudo isso. Agora, fazer um arcabouço fiscal mais duro, que é o que pode ser feito, eu acho que sim.


Valor: O que seria possível fazer?


Araújo: Tem que fortalecer o arcabouço fiscal e gerar um superávit. E ter avanços nas reformas micro, como a regulamentação do IVA. O governo está falando na nova Lei de Falência. Acho delicado, porque o que passou na Câmara não foi como o governo queria. Essa seria a terceira reforma e, como saiu da Câmara, piora as anteriores. Outra reforma importante é a Lei de Resolução Bancária. Acho que ela tem um defeito: dá poder ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de intervir em bancos grandes. É diferente de entrar em pequenos e médios. Nos grandes bancos americanos, quem intervém é o Fed junto com o Tesouro. No Brasil, deveria ser o mesmo. Nosso FGC tem gerência privada. Se colocá-lo para usar recursos públicos nas intervenções, seria complicado. Deveria ser o Banco Central quem faz as intervenções. Uma coisa muito importante, que acho que não deveria deixar recuar, é a reforma trabalhista feita oito anos atrás. O Supremo Tribunal Federal está mexendo muito nela. Está havendo um aumento de casos trabalhistas. É uma questão judiciária, mas o STF tem que ser alertado.

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