segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2402

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: A sexta-feira foi normal na Europa, mas retrocessos duros em Wall St. devido ao impacto negativo nas expetativas sobre o Consumo

Privado da revisão em baixa do Índice de Confiança da Universidade de Michigan até nada menos que 64,0 vs. 67,3 preliminar vs. 68,7/71,3 esperado. Isso uniu-se ao fraco guidance de Walmart, um pouco antes. Entre ambos, fizeram com que Nova Iorque sofresse bastante no final da sessão americana de sexta-feira.


Como contrarreação natural, HOJE os futuros americanos sobem ca.+0,5% e com o apoio da Europa, onde os futuros sobre o DAX alemão sobem ca.+1,1% graças ao facto de CDU ter ganho na Alemanha. Mas é uma vitória amarga, porque continuará a ser necessária uma grande coligação de governo que diluirá qualquer decisão importante em termos económicos, como ocorreu até agora (o atual Ministro da Economia é do partido Verdes). Resultados preliminares (% votos/assentos): CDU 28,5%/208. AfD 20,5%/150. SPD 16,5%/121. Verdes 11,9%/86. Die Linke 8,7%/64. BSW 5%/1. A maioria absoluta para governar confortavelmente é de 314 assentos no parlamento. A única alternativa de mínimos, excluindo AfD, é CDU + SPD = 329. Não precisariam dos Verdes. Mas isso não garante, longe disso, que esse governe aceite levantar o limite constitucional à dívida (+0,35% s/PIB anual), para as quais seriam necessárias maiorias qualificadas de 2/3 em ambas as câmaras (Bundestag e Bunderat). Mas o mercado HOJE pressupõe que ambos irão efetivamente governar e que irão elevar o teto da dívida, reavivando a economia alemã com keynesianismo generoso… o que é difícil de acreditar para a Alemanha, principalmente se CDU aspira governar novamente algum dia.

 

Esta semana, além da reação em alta de hoje, segunda-feira,

pelo comentado (contrarreação a sexta-feira em Nova Iorque e eleições alemãs), teremos 2 dias importantes: quarta-feira, à noite, resultados de Nvidia (EPS 0,843$) e na sexta-feira, às 13:30 h teremos IPC alemão (repetir em +2,3%) e Deflator Consumo PCE nos EUA (+2,5% vs. +2,6%;

Subjacente +2,6% vs. +2,8%). Em relação a Nvidia, já sabemos que, independentemente do que publicar, parece sempre insuficiente, portanto a estratégia com mais probabilidade de sucesso é comprar depois da publicação (além disso, agora que na sexta-feira caiu -4,1%, seria um timing excelente). Mas Nvidia prejudicará o mercado, de certeza, antes de voltar a melhorar. E as expetativas sobre as inflações parecem quase demasiado boas, portanto cuidado, porque o risco é que dececionem e que, também, prejudiquem o mercado, mais para o final da semana. 

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Começamos a semana com uma subida, mas é pouco fiável, considerando o difícil que será uma coligação na Alemanha que elimine o limite da dívida, a publicação de Nvidia na quarta-feira à noite e as inflações na Alemanha e nos EUA na sexta-feira, sobre as quais as expetativas parecem um pouco otimistas. Cuidado a dar credibilidade a um arranque otimista da semana, porque as bolsas podem terminar a reverter e as yields das obrigações a reverterem. Provavelmente, melhor semana para as obrigações do que para as bolsas.

 

S&P500 -1,7% Nq-100 -2,1% SOX -3,3% ES-50 +0,3% IBEX -0,1% VIX 18,2 Bund 2,47% T-Note4,43% Spread 2A-10A USA=+23pb B10A: ESP 3,14% PT 2,98% FRA 3,22% ITA 3,56% Euribor 12m 2,463% (fut.2,233%) USD 1,050 JPY 157,1 Ouro 2.938$ Brent 74,4$ WTI70,3$ Bitcoin -2,7% (95.860$) Ether -1,2% (2.731$).

 

FIM

Nova Futura 2402

 Morning Call Nova Futura – 24/fev


Resumo dos mercados (às 5h30):

• S&P 500 Futuro: 0,29%

• Stoxx 50: -0,49%

• Nikkei 225: sem negociações

• Shanghai Composite: -0,18%

• Treasury 10 anos: queda em 4,423%

• DXY: -0,10% em 106,53

• Minério de Ferro (Singapura): -0,08% a US$ 108,40

• Ouro (Comex): 0,12% em US$ 2956,8 por onça-troy

• Petróleo (Brent): -0,09% em US$ 74,16 o barril


Em semana marcada pelas divulgações do PIB americano e pelo CPI na zona do Euro e do PCE americano, mercados iniciam a segunda-feira dividida, com Ásia impulsionada pelo otimismo com as ações chinesas e NY se recuperando das perdas na sexta. Na Europa, os investidores digerem os resultados da eleição alemã, levando à manhã negativa para os índices. Juros operam de lado e dólar opera sem direção definida. Commodities caem de maneira disseminada. Por aqui, a semana tem IGP-M e IPCA-15 como destaques, com a confiança do consumidor da FGV sendo divulgada hoje. O Ibovespa deve abrir com viés de baixa e dólar com viés de alta. Nos juros, as taxas devem ser pautadas pelo boletim Focus, mas a performance das taxas no exterior sugere viés de baixa na abertura.


Ásia: em dia sem negociações em Tóquio, bolsas fecharam em alta, apoiadas pelo otimismo com as ações chinesas. Hoje, PPI do Japão (jan/25) às 20h50 e decisão de juros do BoK às 22h.


Europa: bolsas operam com viés negativo, com os investidores digerindo os resultados da eleição alemã. No Reino Unido, o PMI industrial recuou de 48,3 para 46,4 pontos (exp 48,4) em fev/25, mínima em 16 meses, e o de serviços subiu de 50,8 para 51,1, pontos (exp 50,8), 16ª expansão seguida. Na zona do Euro, o PMI industrial subiu de 46,6 para 47,3 pontos (exp 47,0) em fev/25, 32ª contração seguida, e o de serviços caiu de 51,3 para 50,7 pontos (exp 51,5), 3ª expansão seguida. Hoje, confiança industrial da Ifo (fev/24) às 6h e CPI da zona do Euro (jan/25) às 7h.


EUA: após o fim de semana sem grandes novidades, futuros se recuperam das perdas de sexta-feira. Foram vendidos, em termos anualizados, 4,08 mi (exp 4,13 mi) imóveis usados em jan/25, queda de 4,9% (2,6% a/a) na margem. O PMI industrial subiu de 51,2 para 51,6 pontos (exp 51,4) em fev/25, máxima em 11 meses, e o de serviços caiu de 52,9 para 49,7 pontos (exp 53,0), mínima desde fev/23. A confiança do consumido da Universidade de Michigan recuou de 71,1 para 64,7 pontos (prévia 67,8) em fev/25, com a inflação esperada para os próximos 12 meses subindo para 4,3% (prévia 4,3%) e de longo prazo saltando para 3,5% (prévia 3,3%). Hoje, índice de atividade do Fed Chicago (jan/25) às 10h30 e índice industrial do Fed Dallas (fev/25) às 12h30. Leilão de T-Notes (2 anos) às 15h.


Brasil: segundo a CNI, o índice de confiança da construção caiu de 51,0 para 49,6 pontos em jan/25, 1ª contração em 24 meses. David (BCB) disse que a incerteza reduziu desde janeiro, que o BC não tem um objetivo de câmbio nem um nível de reservas ideal, além de afirmar que o BC está confortável em trabalho com um juro neutro mais alto e a autoridade monetária não pode se afobar a qualquer ruído, que a atividade não vai definir a atuação do Copom e que, se necessário, o Copom voltará a ajustar os juros. Haddad declarou que o governo vai atender as linhas de crédito do Plano Safra e que vai usar uma MP para abrir crédito extraordinário, em torno de R$4 bi. Na agenda, confiança do consumidor da FGV (fev/25) e IPC-S (21/fev) às 8h, boletim Focus (21/fev) às 8h25 e balança comercial (21/fev) às 15h. Haddad fala às 14h.


Ótima segunda-feira!

Nicolas Borsoi – Economista-Chefe

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Amilton Aquino

 Uma das coisas mais lamentáveis do mundo atual é o aumento expressivo das possibilidades de criação de narrativas. Para qualquer coisa, por mais absurda que seja, uma massa acéfala estará pronta para consumi-la e disseminá-la. E, num mundo cada dia mais complexo, cheio de nuances e contradições, basta uma meia-verdade, uma foto descontextualizada ou um material qualquer falsificado pela IA para tocar o berrante da massa ávida por reforçar suas doentias crenças.


Ver a mentira ser reproduzida por um cidadão comum já é lamentável. Agora, ver a mentira mais absurda ser repetida e normalizada pelo homem mais poderoso do mundo é de embrulhar o estômago. Se o início de fevereiro de 2025 entrou para a história como a data da cisão da cooperação militar entre os EUA e as democracias europeias, esta semana marca o triunfo da mentira de Putin — o denominador comum que une populistas de direita e de esquerda. “Zelensky iniciou a guerra!”. Não foi Putin quem invadiu a Ucrânia duas vezes em seis anos (a primeira, antes mesmo de Zelensky chegar ao poder). A culpa é do “comediante” Zelensky. Ele seria o verdadeiro ditador, que não realiza eleições, apesar de a constituição ucraniana proibir expressamente eleições em tempos de guerra. Segundo Trump, o verdadeiro democrata é Putin, que realizou eleições em tempo de guerra — ainda que eliminando seus principais opositores!


Agora ficou fácil entender por que Trump prometia acabar com a guerra em 24 horas. Ele não só planejava sentar no colo de Putin, repetindo suas mais descaradas mentiras, como agora dá um xeque-mate na Ucrânia, ao exigir metade do que for extraído de minerais raros sem sequer prometer continuar ajudando o país oprimido pelos russos.


O que resta então à Ucrânia? Desenvolver seu próprio arsenal nuclear, corrigindo o erro histórico ao assinar o Acordo de Budapeste de 1994, pelo qual se comprometeu a abrir mão de seu arsenal nuclear em troca da defesa da Otan em caso de agressão russa. Mas isso, claro, só será possível se a Europa continuar ajudando a Ucrânia, pois, do contrário, o país poderá ter o mesmo destino da Chechênia, que chegou a expulsar os russos de seu território, mas acabou voltando a ser um estado fantoche de Moscou após a cooptação de seu ditador.


Quem será o próximo? A Europa se pergunta. No novo mundo de Trump, os EUA — que lideraram a criação dos organismos internacionais responsáveis por estabelecer consensos mínimos de civilidade nas relações internacionais — agora diz não ter nada a ver ver com qualquer esforço mundial de combate à tirania.


Ou seja, a repulsa justificável aos excessos da cultura woke nos organismos internacionais está nos levando ao outro extremo: ao vale-tudo da era anterior às duas guerras mundiais, quando prevalecia o colonialismo descarado e a lei do mais forte.


E o mais lamentável de tudo é que a Rússia está muito próxima de ser derrotada militarmente, ao ponto de ter que recorrer à ajuda da Coreia do Norte e do Irã. Mais um ou dois anos de apoio à Ucrânia, e a Rússia seria forçada a se retirar do país, assim como se retirou do Afeganistão.


“Entre a desonra e a guerra, escolhestes a desonra, e terás a guerra.” A frase profética de Churchill sobre Chamberlain aplica-se também a Trump — o tigrão com os pequenos e tchutchuca com os fortões.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Resumo

 📊 Resumo da Semana 


Os investidores estavam dispostos a encontrar desculpas para embolsar lucros em Wall Street nesta 6ªF, depois do S&P500 ter renovado seu recorde histórico no meio da semana. A possibilidade de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia alimentou o apetite por risco nos últimos dias, mesmo depois dos ataques de Donald Trump a Volodymyr Zelensky, a quem chamou de ‘ditador’. O presidente ucraniano fingiu que não ouviu e manteve a disposição de negociar com os americanos uma saída da guerra, ciente de que não há como ignorar o poderio econômico e militar dos EUA. Hoje, porém, a piora nos números de sentimento do consumidor, das expectativas de inflação e de atividade (PMI) no setor de serviços assustaram o mercado, que preferiu garantir dinheiro no bolso. Os investidores ignoraram o fato de que o PMI industrial continuou subindo e, inclusive, ficou acima do esperado. Afinal, sinais de uma economia mais fraca seriam uma boa desculpa para o Fed voltar a cortar juros e permitir que as bolsas, já esticadas, sigam subindo. A notícia, confusa, sobre uma descoberta de um novo tipo de coronavírus na China, apenas serviu para acentuar a correção dos ativos durante a tarde. A descoberta, em morcegos, seria transmissível aos humanos e teria potencial pandêmico maior que o vírus da Covid-19. A notícia não deixa claro que não houve nenhum relato de transmissão, tampouco que há dezenas de tipos de coronavírus na natureza, muitos deles com potencial de infectar humanos. Na prática, tais contaminações, como a da Covid-19, são raríssimas. Além disso, o mundo está bem mais preparado hoje, tecnicamente, para lidar com uma situação similar à pandemia de 2020. Vamos torcer para todo mundo continuar saudável na semana que vem.  

Bom fim de semana! 

(Téo Takar)


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Fernando Schuler

 Mais um artigo estupendo do Fernandos Schuler! 


Nossa Herança Comum

Fernando Schuler, Veja - 21/02/2025


"J.D. Vance fez um discurso inusitado na Conferência de Segurança europeia, em Munique. Plateia repleta de líderes do continente, grande expectativa, esperava-se que ele falasse de Putin, da guerra, mas Vance não se abalou: “O problema de vocês não são as ameaças que vêm da Rússia nem a China, mas o perigo que vem de dentro”, disse. E completou: “O recuo da Europa em seus valores mais fundamentais, que são os mesmos dos Estados Unidos”. Generosidade dele. Os valores europeus nunca foram os mesmos que os da formação americana. A inspiração que veio de Locke, Milton e do liberalismo inglês, que andava na cabeça dos fundadores da América, sempre foi um recorte muito específico da tradição europeia. O Velho Continente nunca teve nada semelhante à Primeira Emenda, garantindo a liberdade de expressão. E vem daí a raiva provocada pela fala de Vance. Na prática, ele deu um sermão na liderança europeia com base em deuses ou, ao menos, em credos não tão comuns assim.


Vance fez nove acusações. Quatro dizem respeito à agenda woke. Coisas como a prisão de Adam Smith-Connor, um fisioterapeuta condenado por rezar perto de uma clínica de aborto, na Inglaterra. Outras têm a ver com a censura e a intolerância política. Tudo bem representado, na visão de Vance, pelos firewalls, a prática de isolar a direita no jogo político. A lógica que foi se tornando comum, nos anos recentes, segundo a qual há uma “extrema direita” ilegítima e que, como tal, não deve ser admitida na democracia. O conceito é elástico e pode incluir Trump, um libertário como Milei, um partido direitista como a Alternativa para a Alemanha (AfD) ou o tradicionalismo francês de Marine Le Pen. Diria que qualquer um que Anne Apple­baum e alguns colunistas do Times resolvam chamar de “autocratas” é candidato à lista. A eleição de Trump criou um problema para essa turma, visto ser ridículo tratar um presidente eleito com maioria sólida no Congresso como uma espécie de marginal.


O fato mais grave citado por Vance diz respeito ao cancelamento das eleições presidenciais na Romênia em dezembro. Calin Georgescu, engenheiro agrícola de “extrema direita”, ganhou as eleições e a Corte Constitucional mandou fazer novas eleições. O motivo: suspeitas de dinheiro russo impulsionando contas do TikTok em apoio a Georgescu. Causando “desordem informacional” na cabeça do “eleitor ordinário”, para dar um toque brasileiro ao problema. Se a moda pegar, a cada vez que o povo votar errado basta a Suprema Corte anular as eleições e fazer a turma votar de novo. Vance foi direto: “Se você foge assustado de seus próprios eleitores, nem os EUA podem salvá-lo”.


Vance fez em seu discurso uma forte defesa de um velho conceito nascido no coração da Europa: a ideia das sociedades abertas. O conceito foi usado por Karl Popper em seu livro escrito sob o trauma da Segunda Guerra. Ele diz, em essência, que nosso destino, como sociedade, é aprendermos a viver junto com pessoas que divergem fundamentalmente de nós. De nossos valores, da maneira como enxergamos a vida, das relações entre homens e mulheres e do destino humano. Daí a frase de Vance sobre respeitar os direitos de nossos “oponentes”, em vez de colocá-los na cadeia, “seja o líder da oposição, seja um cristão rezando ou um jornalista tentando relatar as notícias”. E aqui é preciso ser claro: Vance tem razão. E suas razões vêm do fundo do próprio aprendizado europeu. Da renúncia a mandar os hereges para a fogueira, contrarrevolucionários para a guilhotina ou judeus para campos de concentração.


A ideia das sociedades abertas foi a pedra de toque das democracias liberais à época da Guerra Fria e depois da queda do Muro de Berlim. Época que o pensador conservador N.S. Lyons bem chamou de “longo século XX”, marcada pelo “é proibido proibir”, de maio de 68, e pelo otimismo liberal de Fukuyama, bem depois, com seu “fim da história”. De alguns anos para cá, essas coisas mudaram. Da celebração da liberdade, fomos mergulhando na era do “controle”. Lyons e muitos conservadores culpam a própria ideia das sociedades abertas pelo desmoronamento. Nossa civilização teria cedido a uma ideia empobrecida da política como técnica. A noção do Estado fundado em procedimentos “neutros” feitos de “processos burocráticos, decisões judiciais e comissões tecnocráticas”. A visão é caricatural, mas faz sentido: instituições sem “alma”, destituídas de base de valores, acreditando na ingênua ideia de neutralidade do Estado diante da diversidade de visões de mundo.


Lyons está errado. E arrisco dizer que a velha ideia de Popper nunca foi tão necessária. Digo mais: os males de nossa civilização provêm exatamente da traição aos valores das sociedades abertas, e não o contrário. Mesmo sendo um conservador, foi exatamente isso o que disse Vance. O que aconteceu, nas últimas duas décadas, foi o lento processo de captura do Estado por um novo tipo de ideologia. Quando uma Corte Constitucional diz que esse ou aquele grupo não é legítimo para ganhar uma eleição, que certos tipos de opinião são inaceitáveis no debate público, o sinal é claro: a premissa da neutralidade das instituições foi atirada pela janela. Quando a educação pública se subordina a premissas dadas pelos movimentos identitários, temos o mesmo fenômeno. E, por óbvio, quando chegamos ao ponto de o sujeito ser preso por rezar em silêncio, há muito se cruzou uma fronteira.


Não deixa de ser curioso que Vance, ele mesmo um conservador, tenha feito um discurso em defesa das sociedades abertas. E o fez por uma simples razão: porque não há outra saída. Se Vance reivindica o direito de Smith-­Connor rezar perto daquela clínica, no Reino Unido, terá de aceitar que uma ativista feminista defenda o direito ao aborto em alguma outra calçada. Isso vale para católicos, protestantes e para toda sorte de predileções. Dias atrás li sobre o 4B, uma nova seita de mulheres que não quer conversa com o sexo masculino. E há quem viva imitando cães e tartarugas por aí. O que nenhum desses agrupamentos está autorizado a fazer é converter sua moralidade privada na régua ética para a sociedade. É esse o ensinamento singelo de Popper. Isso pode irritar a esquerda, seduzida pela cultura woke. E a um certo conservadorismo que parece sonhar em fazer o mesmo a partir dos “valores tradicionais”. Mas a verdade é que a ideia liberal vem do fundo da própria tradição europeia. Do aprendizado com as guerras de religião, que fez Locke escrever suas cartas sobre a tolerância; do horror com o fanatismo religioso, que fez Voltaire dobrar a Justiça francesa, no caso Jean Calas; da reação à injustiça movida pelo ódio político e racial, que fez Zola escrever seu “J’Accuse…!”. Tudo isso pertence à Europa. Mas é também a nossa herança. Nossa melhor herança, da qual não deveríamos abrir mão."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2102

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Wall St. fraca ONTEM, sendo Walmart o principal responsável ao fornecer um guidance 1T’25 EPS em contração (-5%/-3,3%) e com aspeto insuficiente para FY2025 (+3%/+4%). Caiu -6,5%. Influenciou bastante, porque é considerado um proxy doconsumo americano. Contudo, acreditamos que está a exagerar o seu guidance intencionalmente em baixa para provocar um reajuste de avaliação e depois avançar mais confortavelmente ao longo de 2025, batendo expetativas. Palantir -15% em 2 dias devido à ameaça de Trump de reduzir despesas do Pentágono, e a empresa tem o governo americano como um dos seus principais clientes. Bostic (Fed Atlanta) afirmou que estima mais 2 descidas de taxas de juros em 2025 (agora em 4,25/4,50%), que é também o que nós estimamos desde dezembro de 2024, e que há uma elevada incerteza (claro).

 

HOJE à primeira hora saiu uma inflação japonesa a aumentar até +4,0% desde +3,6%, como esperado, mas a Subjacente surpreender negativamente:+3,2% desde +3,0% vs. +3,1% esperado. Não move demasiado o yen, mas reforça a nossa estimativa de mais 2 subidas de taxas de juros em 2025, até 1%. Temos PMIs talvez a avançar um pouco: às 9 h UE (47,0 vs. 46,6) e às 14:45 h EUA (51,4 vs. 51,2). O seu impacto provavelmente será neutro. O mercado já tem a atenção na próxima semana, com a intenção de subir um pouco, muito pouco, se nada ocorrer. Identificamos umindício que consideramos estruturalmente positivo: o SOX (semis) está há 6 sessões consecutivas a subir: em fevereiro +5,9% e de 13 sessões no mês, subiu 10. Se a tecnologia voltar a ser avaliada adequadamente após um breve período de dúvida, então o tom do mercado no seu conjunto melhorará. E isso é o que faz sentido que aconteça, porque é a tecnologia, e particularmente os semicondutores, que acresce ao mercado a expansão mais rápida em lucros.

 

Elevando um pouco a perspetiva, os próximos acontecimentos realmente importantes são: 


(i) Eleições alemãs este domingo (23), com base no qual o DAX tem-se saído excecionalmente bem (+12,1% em 2025, subindo em 6 das 8 semanas de mercado deste ano), porque acredita-se que o novo governo anulará o limite constitucional da despesa pública e outras coisas boas. Contudo, acreditamos que a Alemanha enfrenta uma governabilidade diabólica, porque é muito difícil que CDU consiga formar um governo que não seja híbrido e diluído… e irá demorar a consegui-lo.


(ii)  Nvidia publica resultados 2024 na quarta-feira (26) após o fecho de Nova Iorque, esperando-se um EPS de 0,843$, e acreditamos que se cumprirá o padrão típico pós-publicação com esta empresa: nada é suficiente, realização de lucros e recuperação posterior (semana

seguinte).  

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Hoje aspeto misto, embora possa subir um pouco. Mas cuidado com os próximos dias, porque é provável que o

desenvolvimento eleitoral na Alemanha, a publicação de resultados de Nvidia e talvez qualquer declaração criativa de Trump sobre a Ucrânia revertam as bolsas em baixa, numa realização de lucros após um arranque de ano imprudentemente bom.


 

S&P500-0,4% Nq-100 -0,5% SOX +0,02% ES-50 0% IBEX +0,3% VIX 15,7 Bund 2,53% T-Note 4,53% Spread 2A-10A USA=+23pb B10A: ESP 3,20% PT 3,04% FRA 3,26% ITA 3,61%Euribor 12m 2,446% (fut.2,290%) USD 1,0494 JPY 157,9 Ouro 2.932$ Brent 76,3$ WTI 72,3$ Bitcoin +1,6% (98.491$) Ether +1,4% (2.763$).


 

FIM

BDM Matinal Riscala 2102

 *Rosa Riscala: De volta ao Brasil, Haddad dá entrevista ao ICL*


… O avanço das negociações para o fim da guerra na Ucrânia traz lívio para o dólar em escala global, após Zelensky dizer que está pronto para um acordo com Trump, enquanto o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sinaliza que os Estados Unidos podem iniciar negociações com a China. Hoje, ele fará contato por telefone com representantes do governo de Pequim. Entre os indicadores externos, o destaque são os PMIs de vários países, incluindo zona do euro e EUA, que têm também o sentimento do consumidor de Michigan. No Brasil, sem dados econômicos, o mercado acompanha a entrevista ao vivo de Haddad ao Portal ICL, às 9h. De volta da viagem ao Oriente Médio, o ministro tem o desafio de equilibrar a pauta popular de Lula e o compromisso com as medidas de responsabilidade fiscal.


… Haddad chegou de madrugada e ua única agenda em Brasília foi um almoço no Planalto com o secretário de Comunicação Social, sob a nova direção de Sidônio Palmeira, personagem que concentra a esperança de recuperar a popularidade do presidente.


… Enquantoo ministro esteve fora, um encontro de ministros no domingo, na Granja do Torto, apontou que os principais problemas do governo estavam ligados à economia, como a portaria do Pix, a taxação das compras internacionais e a inflação dos alimentos.


… Segundo apurou o Estadão, as críticas mais fortes nesta reunião partiram dos inistros da Casa Civil, Rui Costa, e das MME, Alexandre Silveira, que buscavam explicações para o baque da pesquisa Datafolha.


… Nesta 5ªF, no entanto, Lula siu em defesa de Haddad, afirmando que “se tem alguém que quer cuidar corretamente da economia, é o ministro Haddad”. O presidente disse ainda que ele próprio quer cuidar das contas públicas e que não vai ser irresponsável.


… É possível que o ministro seja questionado sobre o fogo amigo na entrevista de hojeao ICL, mas muito improvável que faça declarações públicas contra seus colegas de Ministério. Pelo contrário, Haddad vem dando sinais de empenho para tocar a agenda de Lula.


… Resta saber o tamanho desse empenho, é nisso que o mercado estará atento.


… Antes da viagem, Haddad citou dois projetos que a Fazenda pretendia trabalhar junto ao Congresso: a isenção do IR para aqueles que ganham até R$ 5 mil/mês e o crédito consignado privado. Devem ser a prioridade do governo logo depois do Carnaval.


… Na avaliação da equipe econômica, a medida irá reduzir a complexidade das operações e melhorar as condições para financiamentos, em especial por micro e pequenas empresas. O plano é que seja enviada por Medida Provisória no próximo mês.


… Outra medida na área do crédito gestada pela Fazenda diz respeito ao uso de pagamentos eletrônicos como garantia para empresas e a ampliação de garantias em operações de crédito. Nesse caso, as ações só dependem de regulamentação e operacionalização.


… No esforço de tentar recuperar a popularidade, Lula tem anunciado “três medidas engatilhadas para o crédito” e ontem voltou a dizer que elas irão favorecer o pequeno e médio empreendedor. “Será a maior política de crédito deste País.”


… No mercado, a preocupação é com a nova injeção de dinheiro na economia, no contexto de uma inflação já pressionada pelo aumento da renda e do consumo, embora algum alívio esteja sendo percebido nas últimas semanas em relação aos riscos fiscais.


… Após a entrevista ao ICL, Haddad encontra-se com o sócio executivo da SPX, Rogério Xavier (11h).


NILTON DAVID – O diretor de Política Monetária do Banco Central participa nesta 6ªF de uma live do Bradesco BBI sobre desafios para os juros e câmbio em 2025. O evento, aberto à imprensa por transmissão, ocorrerá das 11h às 12h.


… Já os diretores de Política Econômica, Diogo Guillen, e Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, terão novas reuniões com economistas do mercado em São Paulo no período da manhã, das 9h30 às 11h e das 11h às 12h30.


MAIS AGENDA – Nos EUA, a leitura final de fevereiro sobre a confiança do consumidor, medida pela Universidade de Michigan, sai às 12h e traz embutida as expectativas de inflação para 1 ano e 5 anos.


… Esta semana, a ata do Fomc reforçou o feeling de que, tão cedo, não é hora de cortar juro. Ontem à noite, a diretora do Fed Adriana Kugler disse que a inflação caiu muito desde seu pico (2022), mas segue “um tanto alta”.


… Hoje, às 13h30, o vice de Powell, Philip Jefferson, discursa em conferência sobre política monetária.      


… O PMI/S&P Global composto preliminar de fevereiro sai nos EUA (11h45), zona do euro (6h), Alemanha (5h30) e Reino Unido (6h30). Ainda na agenda americana, têm as vendas de moradias usadas em janeiro (12h).


JAPÃO HOJE – A inflação ao consumidor acelerou de 3,6% em dezembro para 4,0% em janeiro, na maior leitura em dois anos, reforçando a expectativa de que o BoJ ampliará o seu ciclo de aperto nos próximos trimestres.


… Ainda na noite de ontem, saiu o PMI composto japonês, que subiu de 51,1 em janeiro para 51,6 em fevereiro.


… O PMI industrial avançou de 47,3 para 48,6 no mesmo período, ainda em território de contração. Já o PMI de serviços teve alta de 53,0 para 53,1 na mesma comparação, continuando a apontar expansão da atividade.


FAZ PARTE DO MEU SHOW – Em clima BFF com a China, apesar das tensões e das recentes tarifas de 10% impostas sobre as importações, Donald Trump demonstrou interesse em um acordo comercial “maior e melhor”, nesta 5ªF.


… O presidente americano elogiou sua relação “ótima” com Xi Jinping, embora não tenha detalhado os termos de um possível pacto. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que dará telefonema hoje a Pequim.


… Na ligação com representantes chineses, antecipou que cobrará que “eles reequilibrem a economia”.


… A aproximação entre os EUA e a China, junto com o possível acordo de paz na Ucrânia, aliviou o dólar em escala global.


… Aqui, o real redobrou o fôlego após Pequim reforçar a intenção de anunciar estímulos, animando as moedas de países produtores de commodities. Chegou a furar R$ 5,70 na mínima, fechando nessa marca (leia abaixo).


… Dobrando-se às pressões de Trump, mesmo após de ter sido chamado de ditador, Zelensky exibiu disposição em negociar. Afirmou estar pronto para um “acordo forte e realmente benéfico com o presidente dos Estados Unidos”.


… Bessent também sinalizou aproximação maior com a Rússia, dizendo que, se necessário, a Casa Branca retirará as sanções contra o país.


… O ambiente menos hostil, com chance de a guerra acabar e de Washington parar de provocar Pequim sobre o tarifaço, levou o índice DXY do dólar a furar a linha dos 107 pontos (106,372), em queda expressiva de 0,74%.


… O euro subiu 0,69%, a US$ 1,0504, a libra esterlina avançou 0,63%, para US$ 1,2672, e o iene escalou mais 1,21%, a 149,55/US$, diante das chances reais de o BoJ subir o juro de novo, possivelmente na reunião de maio.


… No câmbio doméstico, além da China e da Ucrânia, também o noticiário positivo do fluxo com as captações corporativas abriu espaço para que o dólar à vista voltasse à faixa de R$ 5,70, em queda de 0,39%, a R$ 5,7044.


… O Itaú, que buscava inicialmente US$ 500 milhões, captou US$ 1 bilhão com prazo de cinco anos. A demanda bombou (US$ 2,9 bi), o que garantiu redução da taxa de remuneração dos 6,35% indicados de início para 6%.


… Já a Raízen fez duas operações. A primeira correspondeu a uma nova emissão com vencimento em 12 anos. Nela, a companhia levantou US$ 1 bilhão com taxa de 2,25%, também abaixo da que era prevista a princípio (2,55%).


… A segunda operação foi de reabertura de emissão de green bonds que vencem em 2054. A empresa emitiu US$ 750 mi, mas teve demanda para US$ 2 bi. A remuneração foi reduzida em 0,25pp contra a estimativa inicial, a 2,5%.


… Dólar e juros dos Treasuries em baixa abriram espaço para queima moderada de prêmios nos DIs curtos e médios. Os longos, contudo, sentiram o peso do grande leilão de prefixados do Tesouro, o maior desde o 2º semestre/2020.


… O Tesouro vendeu 23,7 milhões das 25 milhões de LTNs oferecidas e todas as 7 milhões de NTN-Fs, com risco maior para o mercado (dv01).


… No X, o professor Alexandre Cabral, da B3 e Saint Paul, avaliou que o Tesouro se antecipa ao calendário expressivo de vencimentos do 1º semestre. Há cerca de R$ 750 bi em títulos públicos com vencimento até o fim de maio.


… Com as operações realizadas neste ano até agora, o órgão já conseguiu repor R$ 280 bilhões. “O Tesouro está aproveitando a melhora do mercado para aumentar o seu colchão de liquidez”, comentou Cabral.


… No fechamento, o DI Jan/26 marcou 14,630% (de 14,685% no fechamento anterior); Jan/27 caiu a 14,600% (14,685%); e Jan/29, a 14,440% (14,480%). Já o Jan/31 subiu a 14,510% (14,470%); e Jan/33, a 14,490% (14,430%).


RALI FRUSTRADO – O Ibovespa teve uma alta discreta (+0,23%, a 127.600,58 pontos), mesmo com a disparada da Vale (+3,68%, para R$ 57,74). Banco do Brasil e Gerdau jogaram contra.


… Apesar do prejuízo do 4tri24, a mineradora trouxe boa distribuição de dividendos (valor bruto de R$ 2,142 por ação) e anunciou recompra de ações. O papel da acionista Bradespar subiu 2,61%, a R$ 17,29.


… Já o Banco do Brasil teve lucro recorde de R$ 37,89 bilhões em 2024 (+6,6%), mas a ação caiu 2,98% (R$ 28,00), em meio à cautela da instituição em relação ao crédito.


… Entre seus pares, ficaram no vermelho Itaú (-0,27%; R$ 32,80) e Bradesco PN (-0,25%; R$ 11,95). Já Santander (+0,11%; R$ 26,33) e Bradesco ON (+0,09%; R$ 10,91) operam no azul, por pouco.


… Também afetadas pelo balanço do 4Tri24, Gerdau (-5,36%; R$ 16,43) e Metalúrgica Gerdau (-4,92%; R$ 9,09) se destacaram entre as maiores baixas.


… Petrobras seguiu a alta discreta no Brent/abril (+0,57%; US$ 76,48 por barril). O papel ON subiu 0,59% (R$ 42,50) e o PN, +0,16% (R$ 38,50). A maior alta da sessão foi de Petrorecôncavo, com +7,41%, a R$ 16,95.


RED FLAG – Apesar do sinais de pacificação na guerra da Ucrânia e na guerra comercial contra a China, as bolsas em NY assumiram cautela, diante do guidance pessimista do Walmart, primeira grande varejista a soltar balanço do 4Tri.


… Com queda de 6,5%, a ação da empresa liderou a baixa do Dow Jones (-1,01%), a 44.176,65 pontos, interrompeu os recordes do S&P 500 (-0,43%, a 6.117,52 pontos) e derrubou o Nasdaq (-0,47%, a 19.962,36 pontos).


… Outros varejistas foram mal na esteira da repercussão negativa ao balanço. Target caiu 2% e CostCo cedeu 2,6%.


… O Walmart previu que as vendas do 1Tri devem crescer entre 3% e 4%, mesma estimativa para o ano. A expectativa do mercado era de 3,7% para o primeiro trimestre e 4,2% para 2025.


… Também estimou lucro por ação entre US$ 0,57 e US$ 0,58 no 1tri e US$ 2,50 a US$ 2,60 no ano, ambos abaixo do consenso. Segundo a empresa, as projeções acompanham “as incertezas com o consumo, economia e geopolítica”.


… O guidance fraco ofuscou o lucro do 4Tri acima das estimativas. “Se o Walmart tem uma perspectiva ruim, temos que prestar atenção. Talvez isso sugira certo esgotamento do consumo”, disse à CNBC Tom Fitzpatrick (R.J. O’Brien).


… “Isso levanta questões sobre quão forte será o crescimento no ano”, disse Matt Maley (Miller Tabak + Co) à BBG. “Já vimos números bem decepcionantes de confiança do consumidor e vendas no varejo semana passada”.


… Quem fugiu do risco das bolsas comprou a segurança dos Treasuries, derrubando as taxas da note de 10 anos, a 4,502% (de 4,533%); e do T-bond de 30 anos, a 4,744% (de 4,773%). A da note de 2 anos ficou estável em 4,269%.


… Entre os muitos discursos do dia, os integrantes do Fed Raphael Bostic, Alberto Musalem e Adriana Kugler pregaram cautela, chamando atenção para o caráter acidentado da desaceleração da inflação e dos riscos de alta.


… Segundo Bostic, há “apreensão generalizada” entre as empresas com os aumentos de tarifas de importação e a guerra à imigração. Dirigentes do Fed têm dito que as empresas vão repassar o aumento de custos ao consumidor.


… Nos indicadores do dia, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiu para 219 mil, acima dos 215 mil esperados.


EM TEMPO… Marcelo Gasparino da Silva renunciou ao cargo de Conselheiro de Administração da PETROBRAS. Ele sai em 20/3…


… Segundo o Valor e o Broadcast, renúncia está vinculada à discussão por conflito de interesses na Eletrobras, onde ele também participa do conselho.


… A petroleira assinou com BB a contratação de duas Notas de Crédito à Exportação (NCE) com compromissos de sustentabilidade, sendo uma no valor de R$ 3,5 bi e a outra de R$ 3 bilhões, ambas com vencimento em 2032…


… Também foi assinada com o banco a renovação de Linha de Crédito Compromissada (Revolving Credit Facility – RCF) no valor de R$ 2 bilhões, com vencimento original em 2026, agora prorrogado para 2030.


B3 teve lucro líquido recorrente de R$ 1,2 bilhão no 4Tri24, alta anual de 13,6%. Receita total subiu 7%, totalizando R$ 2,66 bilhões; Ebitda recorrente foi de R$ 1,59 bi, alta de 9,5%.


LOJAS RENNER registrou lucro líquido de R$ 487,2 milhões no 4Tri24, queda anual de 7,5%. Ebtida total ajustado foi de R$ 1,024 bilhão, alta de 1,7%. Receita líquida totalizou R$ 4,174 bilhões, alta de 9,7%…


… Conselho aprovou programa de recompra de até 75 milhões de ações, ou 7,13% do total em circulação, no período de 18 meses.


RUMO teve prejuízo líquido de R$ 259 milhões no 4Tri24, revertendo lucro de R$ 1 milhão um ano antes. Ebitda somou R$ 1,202 bilhão, 0,4% abaixo do 4Tri23. Receita líquida cresceu 32,4%, para R$ 3,4 bilhões…


… Companhia estima que vai transportar entre 82 bi e 86 bi de TKU em 2025. Ebitda deve ficar entre R$ 8,1 bi e R$ 8,7 bi neste ano. Investimentos (Capex) devem somar entre R$ 5,8 bi e R$ 6,5 bi em 2025.


ENGIE teve lucro líquido ajustado no 4Tri24 de R$ 1,06 bilhão, alta anual de 29,4%. Ebitda ajustado subiu 18,1%, a R$ 1,934 bilhão. Receita líquida somou R$ 3,271 bi, alta anual de 20,7%. Dívida líquida aumentou 31,2%, a R$ 20,126 bi.


SANTOS BRASIL apurou lucro líquido de R$ 206,3 milhões no 4Tri24, queda anual de 8,3%. Ebitda aumentou 10,2%, a R$ 404 milhões; receita líquida somou R$ 790,7 milhões, alta de 18,5%…


… Santos Brasil aprovou distribuição de R$ 235,2 milhões em dividendos complementares, equivalente a R$ 0,2734 por ação, com pagamento a partir de 17/3; ex em 7/3.


ENERGISA aprovou pagamento de R$ 868,57 milhões em dividendos, correspondente a R$ 0,38 por ação ON e PN e R$ 1,90 por unit. Ex em 26 de fevereiro. O pagamento será em 28 de março.


NUBANK apurou lucro líquido ajustado de US$ 610 milhões no 4TRI24, alta de 87% sobre o 4Tri23. Carteira de crédito total cresceu 45%, para US$ 20,7 bilhões…


… Banco conquistou 4,5 milhões de clientes no trimestre, totalizando 114,2 milhões no fim de 2024.


PAGBANK registrou lucro líquido de R$ 631 milhões no 4Tri24, alta anual de 21%. Receita subiu 18%, a R$ 5,115 bilhões. Carteira de crédito somou R$ 48 bilhões no 4Tri24, alta anual de 46%…


… Volume processado pela adquirência foi de R$ 146 bilhões, alta de 28%.


MERCADO LIVRE teve lucro de US$ 639 milhões no 4Tri24, alta de 287,2% sobre o 4Tri23. Receita líquida cresceu 37%, para US$ 6,1 bi.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...