segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

BDM Matinal Riscala 1002

 Brasil deve ser atingido por tarifas de Trump

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*.


[10/02/25]


… O IPCA, as vendas no varejo e o volume de serviços calibram as apostas para a taxa Selic nesta semana, enquanto o aumento do crédito anunciado por Lula concentra o maior foco de risco. Nos EUA, as sabatinas de Powell no Congresso e dados de inflação americana (CPI e PPI) são destaques da agenda, depois que o payroll esvaziou as chances de dois cortes de juro pelo Fed este ano. Mas o dia já começa com pressão sobre o dólar, diante da ameaça de Trump de anunciar ainda hoje a taxação sobre as importações de aço e alumínio em 25%. O Brasil é o terceiro exportador e deve ser atingido. Além disso, prometeu aplicar tarifas recíprocas de importação aos seus parceiros comerciais, a serem anunciadas “amanhã ou 4ªF”. Nesta 2ªF, entraram em vigor as medidas retaliatórias da China contra os EUA, em resposta às tarifas de Trump.


… Havia expectativa por negociações entre Washington e Pequim que pudessem evitar a guerra comercial, como aconteceu com o México e o Canadá. A Casa Branca chegou a anunciar que Trump conversaria com Xi Jinping, mas descartou o telefonema horas depois.


… Segundo o Ministério do Comércio da China informou na última semana, o gás liquefeito e o carvão exportados para os Estados Unidos serão taxados em 15%, e o petróleo, máquinas agrícolas e veículos de grande potência, em 10%.


… Ao mesmo tempo, Trump veio com novas ameaças de tarifas, falando a repórteres a bordo do avião presidencial, no fim do domingo.


… Disse que a tarifa de 25% sobre importações de aço e alumínio será anunciada nesta 2ªF para todos os países e que, na 3ªF ou 4ªF, em coletiva de imprensa, anunciará também tarifas recíprocas aos países que “estão tirando vantagem dos EUA”.


… Sobre as tarifas às importações de aço e alumínio, a Bloomberg afirmou que podem repercutir nas empresas americanas de energia, de desenvolvedores eólicos a perfuradoras de petróleo que dependem de graus especiais de aço não fabricados no país.


… Compradores e vendedores de aço e alumínio achavam que teriam pelo menos até março para se preparar para uma eventual taxação.


… A agência diz que a escala das ambições tarifárias gerais de Trump permanece incerta, lembrando que ele já falou em taxar outros bens, incluindo produtos farmacêuticos, petróleo e semicondutores, além de considerar taxas de importação contra a UE.


… Neste domingo, em debate eleitoral com o líder da União Democrática Cristã, Friedrich Merz, o chanceler Olaf Scholz reconheceu que a Alemanha será um dos países mais prejudicados por tarifas contra a UE, mas que está preparado para reagir “em até uma hora”.


… Aqui, o presidente Lula também já disse que o seu governo reagiria a uma eventual taxação de Trump.


… Em 2023, o Brasil foi o terceiro maior fornecedor de aço para os EUA, atrás de Canadá e México. Naquele ano, os EUA compraram 18% de todas as exportações brasileiras de ferro fundido, ferro ou aço.


… Durante o primeiro mandato, Trump impôs tarifas de 25% sobre importação de aço e 10% sobre as de alumínio. Mais tarde, revogou as sobretaxas. Mas houve desligamento de fornos e demissões no setor no Brasil.


… Pouco antes de embarcar no Force One, Trump deu entrevista à Fox News, quando reclamou do déficit comercial que o país tem com o México e o Canadá. “Nós temos um déficit com o México de US$ 350 bilhões. Não vou deixar isso acontecer”.


… Voltou também a falar que quer o Canadá para os EUA. “Perdemos todos os anos US$ 200 bilhões para o Canadá.”


… O presidente Trump disse ainda ter conversado com Putin sobre a guerra na Ucrânia, disse que “está fazendo progressos”, e revelou que quer se encontrar presencialmente com o líder russo no “momento apropriado”. Trump falou ainda sobre Gaza.


… “Seria um erro deixar os palestinos voltarem para lá. Não queremos a volta do Hamas. Estou comprometido a comprar e a ser dono de Gaza. Pense em Gaza como um local imobiliário. Outros lugares do Oriente Médio vão construir lugares para os palestinos morarem.”


… Os futuros de NY reagiam em queda às novas ameaças tarifárias de Trump, enquanto o dólar subia.


METRALHADORA GIRATÓRIA – A ameaça de tarifas sobre o aço ocorre em meio a um acordo paralisado pela japonesa Nippon Steel para comprar a US Steel por US$ 14,1 bi, que, se depender de Trump, não irá pra frente.


… Na entrevista no avião presidencial, ele disse que a Nippon pode até investir na US, mas não comprá-la.


… Atirando para todos os lados ontem à noite, sobrou até para o Tesouro. Para Trump, a dívida dos EUA pode ser menor do que se pensa por causa de supostas fraudes do Departamento do Tesouro.


QUEM QUER DINHEIRO? – A partir desta semana, o governo federal anuncia novos programas voltados à aceleração do crédito, enquanto os bancos privados vão na contramão e pisam no freio, diante da piora da inflação e Selic nas alturas.


… Durante agenda na Bahia, na última 6ªF, Lula repetiu que vai anunciar “muitas” políticas de crédito. Segundo ele, quando o dinheiro começar a circular no País, “ninguém aqui vai comprar dólar e depositar no exterior”.


… Reportagem da Folha de sábado informa que o presidente Lula planeja ainda que os bancos públicos tenham forte atuação na oferta do crédito pela nova modalidade do empréstimo consignado privado, prestes a sair.


… O novo modelo será lançado sem a exigência de um teto para os juros, ao contrário da versão para o INSS.


… O esforço para bombar o crédito acontece no contexto de inflação pressionada, especialmente dos alimentos, que tem levado o governo a procurar representantes de setores para cobrar as razões dos reajustes no varejo.


… O mercado vê com preocupação o risco de intervencionismo e as tentativas de segurar a inflação “na marra”.


NÃO TEM SIDÔNIO QUE DÊ JEITO – Mais uma trapalhada na comunicação do governo abriu nova crise na última 6ªF, quando o ministro Wellington Dias cogitou um aumento do Bolsa Família para compensar o impacto da pressão dos alimentos.


… Em entrevista ao portal Deutsche Welle, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome assustou ao revelar que uma alta no valor do repasse do programa assistencial “está na mesa”.


… Antecipou que está preparando um relatório sobre o assunto para apresentar a Lula até o mês que vem.


… Na tentativa de apagar o incêndio, a Casa Civil teve que redigir uma nota às pressas na tarde de 6ªF para desautorizar o ministro e negar que exista qualquer estudo circulando dentro do governo sobre o tema.


… Ao Broadcast, integrantes da equipe econômica disseram que tudo não passa de ruído. Segundo os técnicos, além de não haver espaço orçamentário para um aumento no benefício, a medida pioraria o cenário de inflação. 


… Os desmentidos, porém, não acalmaram o mercado, que já vinha estressado pelo tarifaço de Trump. Na onda de maior nervosismo, o dólar à vista encostou na marca dos R$ 5,80 e o Ibovespa devolveu os 125 mil pontos.


… Os contratos curtos dos juros futuros voltaram a pagar taxas na faixa de 15% (leia mais abaixo). 


… Profissionais do mercado acreditam que, se o governo resolver levar adiante a possibilidade de reajuste do Bolsa Família, a percepção de risco fiscal só vai piorar e que a curva do DI vai cobrar prêmios mais elevados.


… No Focus (8h25), a mediana para a Selic terminal roda em 15%. Foi interessante observar que, durante a reunião de economistas com diretores do BC na 6ªF, ninguém mencionou apostas mais agressivas, de 16%.


… Mas o governo não pode brincar com o fiscal, no risco calculado para não pressionar ainda mais a Selic.


… Segundo apurou o Broadcast, existe o consenso de que os juros mais altos, combinados à retirada de parte dos impulsos fiscais, devem frear o ritmo da atividade econômica, sobretudo no segundo semestre.


… Há divergências, porém, quanto à intensidade da desaceleração. Apesar dos sinais de menor dinamismo, o PIB pode seguir relativamente aquecido pela safra recorde de grãos, mercado de trabalho e herança estatística.


PÉ-DE-MEIA –Em Brasília, o ministro do TCU Augusto Nardes pauta para esta semana a votação de recurso do governo para liberar as verbas do programa, bloqueadas pela Corte por terem sido operadas fora do Orçamento.


… O entendimento do TCU é de que o governo federal não poderia ter operado o programa para o ensino médio, porque se desviou da lei orçamentária e dos limites fiscais ao pagar a bolsa para os estudantes.


MAIS AGENDA –O grau de esfriamento da economia poderá ser medido esta semana pelos dados de dezembro das vendas no varejo (5ªF) e do volume de serviços (4ªF). Amanhã, o mercado estará ligado no IPCA de janeiro.


… O índice oficial de inflação deve desacelerar para 0,16%, contra alta de 0,52% em dezembro. O bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica deve contribuir para a desaceleração do resultado do indicador em janeiro.


… Para a inflação em 12 meses, a mediana indica taxa de 4,56% em janeiro, abaixo de dezembro (4,84%).


… Semana reserva ainda as primeiras prévias dos preços em fevereiro: IPC-S (hoje, às 8h) e IPC-Fipe, amanhã.


BALANÇOS –Depois do início movimentado da temporada com os resultados dos bancos, a semana é mais tranquila, com destaque para Usiminas (6ªF). Hoje, BTG Pactual e TIM Brasil soltam os seus números.


… Na 4ªF, é a vez de Suzano, Banrisul, Jalles Machado e Totvs. Na 5ªF, Caixa Seguridade. Na 6ªF, Porto e Raízen.


LÁ FORA – Powell estará no Congresso americano duas vezes esta semana para apresentar o Relatório Semianual de Política Monetária em audiências nas comissão do Senado amanhã (3ªF) e na Câmara na 4ªF.


… Os investidores também estarão de olho nos dados de inflação de janeiro: CPI (4ªF) e PPI (5ªF). Entre os indicadores de atividade econômica nos EUA, saem na 6ªF as vendas no varejo e produção industrial de janeiro.


… Apesar de o payroll ter desacelerado em termos de criação de emprego em janeiro, a pressão salarial ganhou força e o desemprego diminuiu, reduzindo as chances de cortes de juro pelo Fed ao longo deste ano (abaixo).


… Além dos fundamentos econômicos, o Fed reconhece que a abordagem sobre a política monetária também continua condicionada aos potenciais efeitos do tarifaço de Trump sobre a inflação norte-americana.


… No bloco europeu, como parte de um acordo para evitar uma guerra comercial, o Financial Times informou que a União Europeia oferecerá uma redução de tarifas sobre as importações de automóveis dos EUA. 


… No campo geopolítico, Trump antecipou que se encontrará Zelensky na próxima 6ªF. Segundo relatório vazado nos últimos dias, os EUA pressionam a Ucrânia a aceitar um cessar-fogo com a Rússia até a Páscoa.


… Os planos são acompanhados de perto pelo petróleo, que monitora também os relatórios mensais da Opep (4ªF) e da AIE (5ªF). Ainda na agenda da semana, o McDonald´s divulga balanço hoje, antes da abertura.


… Também nesta 2ªF, Lagarde (BCE) participa de debate (11h). Amanhã (3ªF), o presidente do BC inglês (BoE), Andrew Bailey, discursa em evento. Na 6ªF, o BC da Rússia anuncia decisão de política monetária.


CHINA HOJE – A inflação ao consumidor (CPI) registrou alta anualizada de 0,5% em janeiro, acima da previsão de 0,4%. O núcleo subiu pelo quarto mês consecutivo, acelerando de 0,4% em dezembro para 0,6%. 


… O resultado sinaliza possível recuperação após as medidas de estímulo anunciadas pelo governo de Pequim.


… Por outro lado, o índice de preços ao produtor (PPI) caiu 2,3% contra um ano antes (mesmo resultado de dezembro). Economistas previam queda de 2,2%. O dado permanece em deflação por mais de dois anos.


APANHA DE TODO LADO – Os ativos brasileiros encararam uma sinuca de bico na 6ªF, com o exterior fugindo do risco, em meio a escalada tarifária de Trump, e a política doméstica provocando ruído fiscal, mais uma vez.


… Investidores avaliavam se a reciprocidade tarifária a ser anunciada pelos EUA poderia atingir o Brasil, quando no meio da tarde o ministro Wellington Dias veio com aquela história de estudo sobre o aumento no Bolsa Família.


… Pegos de surpresa, Fazenda e Casa Civil negaram a informação, mas ainda assim o mercado aprofundou as perdas.


… O dólar voltou aos R$ 5,80 na máxima do dia (R$ 5,8086), para fechar próximo disso, em alta de 0,52%, a R$ 5,7936. Na semana, ainda fechou com queda de 0,74%.


… Embalado pelo dólar e pela alta dos Treasuries, os juros escalaram, com os curtos de volta à marca dos 15%.


… O DI Jan/26 marcou 15,020% (de 14,930% no fechamento anterior); Jan/27 subiu a 15,195% (15,000%); Jan/29, a 14,900% (14,665%); Jan/31, a 14,820% (14,640%); e Jan/33, a 14,770% (14,580%).


… Com perdas em suas principais blue chips, o Ibovespa encerrou o dia em 124.619,40 pontos, baixa de 1,27%. O índice engatou a primeira perda semanal do ano: -1,20%. No acumulado de 2025, ainda ganha 3,60%.


… Bradesco foi destaque de baixa após o balanço do 4Tri com números positivos, mas guidance conservador. A ação PN registrou -3,93% (R$ 11,99) e a ON, -3,12% (R$ 10,88).


… Outros bancos sentiram o mau humor. Santander caiu 2,19% (R$ 26,41). Banco do Brasil baixou 1,31% (R$ 27,78) e Itaú Unibanco desvalorizou 0,73% (R$ 33,92).


… Petrobras ON teve queda de 0,68% (R$ 39,70), Petrobras PN perdeu 0,57% (R$ 36,58), na contramão do Brent/abril, em alta de 0,49%, a US$ 74,66, diante das sanções anunciadas por Trump às exportações de óleo do Irã.


… Vale cedeu 0,54% (R$ 54,83), também na direção contrária ao minério de ferro em Dalian (+0,86%).


… Outras baixas importantes foram de Automob (-7,41%; R$ 0,25), Cosan (-6,14%; R$ 7,18) e Localiza (-6,11%; R$ 29,94). Entre as maiores altas, Totvs (+2,69%; R$ 33,54), Hapvida (+2,64%; R$ 2,33) e Fleury (+1,83%, a R$ 11,69).


VAI PASSAR DE BRAVATA – Uma potencial escalada da guerra comercial nesta semana deixou os investidores com o pé atrás na 6ªF. Se o governo Trump começou num tom mais moderado, agora parece que o caldo vai engrossar.


… Em NY, o mercado já estava tenso com dados sobre o sentimento do consumidor e salários em aceleração, quando Trump falou em “tarifas recíprocas” e desandou os ativos.


… Basicamente, a reciprocidade taxa importações na mesma medida em que as exportações do país são taxadas.


… Ao lado do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, em reunião na Casa Branca, sequer descartou tarifas contra o país.


… Se aumenta o temor dos investidores sobre o impacto das tarifas na inflação, a percepção dos consumidores sobre os preços também anda preocupante.


… Pesquisa mensal da Universidade de Michigan mostrou que a expectativa de inflação dos americanos para 12 meses saltou de 3,3% em janeiro para 4,3% em fevereiro. Para o horizonte de cinco anos, subiu de 3,2% para 3,3%.


… A confiança do consumidor caiu de 71,1 em janeiro para 67,8 em fevereiro, de expectativa de 72.


… No FedWatch, do CME, ampliou-se a aposta de apenas um corte de 25 pb no juro pelo Fed este ano, de 32% para 35%. Essa possibilidade, de uma redução única, já havia crescido com o payroll.


… Os dados do mercado de trabalho vieram mistos, mas ainda firmes.


… Os EUA criaram um saldo de 143 mil vagas em janeiro, abaixo do 170 mil esperados, mas os empregos de dezembro (de 256 mil para 307 mil) e novembro (212 mil para 261 mil) foram ajustados em 100 mil vagas a mais, no total.


… Houve ganho salarial anual de 4,1%, de 3,8% esperados. Na comparação mensal, a alta foi de 0,48%, de projeção de +0,3%.


… Dois dirigentes do Fed, Austan Goolsbee (Chicago) e Adriana Kugler, consideraram o mercado de trabalho americano saudável, perto do pleno emprego, permitindo que o Fed segure os juros por mais tempo.


… Em entrevista à CNBC, Neel Kashkari (Fed de Minneapolis), disse que a inflação vai continuar a esfriar em direção à meta de 2%, permitindo um corte de juros “modesto” no fim do ano.


… No mercado de ações, o Nasdaq puxou as perdas, com queda de 1,36%, a 19.523,40 pontos. Amazon (-4,05%) se destacou após guidance que decepcionou investidores. O S&P 500 recuou 0,95% (6.025,99) e o Dow Jones caiu 0,99% (44.303,40).


… O cenário em torno da inflação pressionou os juros dos Treasuries. O da note de 2 anos subiu a 4,286% (de 4,212% na sessão anterior) e o da note de 10 anos avançou a 4,487% (de 4,440%). O do T-Bond de 30 anos subiu a 4,686% (de 4,636%).


… Pressão também no dólar, com o índice DXY em alta de 0,32%, a 108,040 pontos. O euro caiu 0,58% (US$ 1,0327). O BCE divulgou relatório apontando espaço para mais cortes de juros a fim de chegar à taxa neutra.


… A libra caiu 0,27%, a US$ 1,0327. O iene ficou perto da estabilidade (+0,07%), a 151,409/US$.


EM TEMPO… USIMINAS prepara uma queixa contra a CSN na CVM alegando que a companhia teria mentido ao mercado ao declarar que não sabia do prazo para se desfazer das ações da Usiminas até julho do ano passado…


… A disputa é um capítulo da novela que envolve a Ternium, empresa parte do conglomerado italiano Techint, e a própria CSN, referente ao controle da Usiminas.


LWSA celebrou protocolos de justificação com a finalidade de determinar os termos e condições das possíveis incorporações das suas controladas LwK e LwCommerce.


CCR assinou contrato de concessão para exploração do sistema rodoviário “Rota Sorocabana”. O lote foi arrematado no leilão de outubro, com uma oferta de outorga fixa de R$ 1,601 bilhão.


RAÍZEN negou haver qualquer decisão sobre um potencial aumento de capital da companhia, após ser questionada pela B3 e pela CVM sobre notícia veiculada no Valor.


RAÍZEN POWER foi colocada à venda pelo grupo Cosan, visando dar continuidade a redução de seu endividamento…


… A Cosan também quer levantar capital na Rumo, sua empresa ferroviária e de logística, vendendo participação em projetos. O JPMorgan está cuidando da primeira transação e o BTG Pactual, da segunda.


SÃO MARTINHO teve lucro líquido de R$ 157,9 milhões no 3TRI fiscal, queda de 25% na comparação anual; Ebitda subiu 50,4%, para R$ 1,058 bi; receita líquida aumentou 14,6%, para R$ 1,845 bi.


JHSF renovou até agosto de 2026 o programa de recompra de 28,6 milhões de ações, equivalente a 10% dos papéis em circulação.


CURY informou que realizará o resgate antecipado facultativa do total de debêntures da 4ª emissão no dia 17/2.


INTERCEMENT vai entregar hoje à Justiça seu plano de recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 14,2 bi, envolvendo suas controladoras indiretas, InterCement Participações (ICP) e Mover Participações (Broadcast).


MOOVE. Incêndio atingiu uma fábrica da empresa de lubrificantes, na Ilha do Governador (RJ), no sábado. Não houve vítimas. A Moove, subsidiária do Grupo Cosan, informou que a fábrica não estava em operação.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Donald Trump

 🇺🇸 *Trump em coletiva de imprensa*


*✓*  Assina proclamação que muda nome do golfo do México para golfo da América


*✓*  Estamos tentando acabar com guerra na ucrânia; estamos fazendo progressos


*✓*  Precisamos da Groelândia por causa da segura nacional e internacional


*✓*  Povo canadense estaria pagando metade dos impostos se fosse 51ª estado dos EUA


*✓*  Sem os EUA; Canadá praticamente não tem um país


*✓*  Reclama de déficit comercial dos EUA com México e Canadá: 'não vou deixar isso acontecer'


*✓*  _"Temos um déficit com o México de US$ 350 bilhões. Não vou deixar isso acontecer, tiram vantagem dos EUA "._


*✓*  Não quero que US Steel seja propriedade de país estrangeiro


*✓*  Nippon Steel está autorizada a investir na US Steel não comprar


*✓*  *Anunciarei tarifas recíprocas na terça ou na quarta-feira*


*✓*  *Países que estão tirando vantagem dos EUA serão alvos de tarifas recíprocas*


*✓*  *Anunciarei tarifas de 25% a importações de aço e alumínio amanhã*


*✓*  Seria erro deixar palestinos voltarem a gaza; não queremos volta do Hamas*


*✓*  Pense em Gaza como um local imobiliário, do qual os EUA serão donos


*✓*  Sem pressa; vamos desenvolver Gaza; traremos estabilidade ao Oriente Médio


*✓*  Outros países do Oriente Médio vão construir lugares para Palestinos morarem


*✓*  Tive conversa com Putin e espero ter muito mais à frente


*✓*  Imagino que vou me encontrar pessoalmente com Putin no momento apropriado


*✓*  *Estou comprometido em comprar e ser dono de Gaza*


*✓*  Podemos ter menos dívida do que achávamos por causa de fraudes no tesouro*


*✓*  *Não sei se Usaid ainda vai existir; departamento de estado pode ficar responsável*

BCB em leitura

 Leitura de Sábado: BC vê queda rápida da inflação de preços livres, apesar de câmbio e hiato


Por Cícero Cotrim


Brasília, 04/02/2025 - As projeções do Banco Central indicam uma queda rápida da inflação de preços livres, mais sensível à política monetária, apesar das preocupações com o hiato do produto positivo e o repasse cambial para os preços. Economistas divergem sobre as explicações para a diferença entre as estimativas da autarquia e do mercado. Mas concordam que os números ajudam a dar conta do gap entre projeções e expectativas de IPCA.


No seu cenário de referência, o BC estima um IPCA total de 5,2% este ano - com 5,2% tanto para os preços livres, quanto para os administrados. A projeção para os livres está 0,49 ponto porcentual abaixo da mediana do Focus, de 5,69%. A diferença é ainda maior nos 12 meses até o terceiro trimestre de 2026, horizonte relevante da política monetária, com uma alta de 3,8% para os preços livres nas projeções do BC, e de 4,68% nas estimativas do mercado.


Os preços livres, mais sensíveis à política, representam 75% do IPCA, contra 25% dos preços administrados, controlados pelo governo. Levando em conta esses pesos, a projeção de inflação total do BC em 2025 subiria de 5,2% para 5,57% usando a premissa de preços livres do mercado. A projeção para o horizonte relevante passaria de 4,0% para 4,66%.


O economista da Terra Investimentos Homero Guizzo avalia que a diferença entre as projeções do BC e do mercado para a evolução dos preços livres reside, provavelmente, em premissas distintas para o hiato do produto. Em dezembro, a autoridade monetária estimava um hiato positivo em 0,7% no fim de 2024, caindo a -0,6% apenas no segundo trimestre de 2026.


"O mercado trabalha com uma avaliação de que a ociosidade é menor do que a que o BC enxerga, e entende que o hiato é mais aberto do que aquilo que o BC tem dito", afirma Guizzo. "Essa diferença existe há vários trimestres, e pode ter a ver com uma explicação técnica, sobre a forma como o BC avalia o PIB potencial brasileiro."


Nas contas do economista, o hiato do produto estava positivo em cerca de 1,5% no fim do ano passado - mais do que o dobro estimado pela autoridade monetária. Mesmo com uma desaceleração razoável do crescimento econômico entre 2024 e 2025, de mais de 3,5% para cerca de 1,7%, Guizzo avalia que o hiato deve continuar em terreno positivo este ano e no próximo, com impactos sobre a inflação.


"Na nossa avaliação, o PIB vai ter de passar 2025 e 2026 crescendo abaixo do seu potencial para encontrarmos um esgotamento desse hiato positivo e observarmos alguma ociosidade na economia", diz o analista, que espera IPCA de 5,60% este ano, com altas de 6,1% para os preços livres e de 4,3% para os administrados, considerando elevação da taxa Selic a 15,50% no fim do ciclo.


O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, pondera que é difícil cravar a razão da diferença entre as estimativas do mercado e do BC para os preços livres. Como a autarquia não decompõe as suas projeções - apresentando números para os serviços, bens industriais e alimentação, por exemplo -, torna-se difícil estimar se o gap vem de uma atividade mais forte, de premissas diferentes para o câmbio ou de choques, ele explica.


"As projeções de preços livres do BC tendem a ficar um pouco abaixo das estimativas do mercado, esse é um processo normal", diz Serrano. "Nós não temos essa decomposição, mas já vimos o BC soltar estudos em que acertava mais do que o mercado. Ele tem a avaliação de riscos, tem o modelo, e tem a questão das hipóteses que são usadas."


Com premissas de desaceleração pouco mais forte da economia e de um dólar abaixo do Focus - em R$ 5,70, contra R$ 6,0 na mediana do mercado -, Serrano espera um IPCA de 5,20% este ano, desacelerando a 4,20% no terceiro trimestre de 2026. A projeção considera elevação da taxa Selic a um nível entre 14,75% e 15,25% no fim do ciclo, em meados deste ano.


Contato: cicero.cotrim@broadcast.com.br


Broadcast+

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

News 0702

 NEWS - 07.02


Medidas fiscais já deixadas de lado voltam ao radar do governo / Supersalários, previdência dos militares e aperto do BPC são alguns dos temas que podem ser retomados na busca de déficit zero- Valor 7/2


Fernando Exman / Lu Aiko Otta


O governo estuda retomar medidas que foram deixadas de lado em novembro do ano passado e acioná-las, caso as projeções fiscais apontem para a necessidade de um congelamento muito forte de despesas, a fim de cumprir a meta de déficit zero este ano. Será oferecida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a opção de promover algumas iniciativas de ajuste, em vez de dar um “tranco” nas despesas.


Sabe-se que será preciso melhorar o ambiente político para viabilizar esse plano. Além disso, não deverão ser apresentadas a Lula propostas de caráter estrutural, cobradas por especialistas em contas públicas, como a desindexação de despesas em relação ao salário mínimo. Isso só deve ocorrer após as eleições de outubro de 2026: antes do pleito não haverá condições políticas para aprovar medidas impopulares, dizem interlocutores do governo, mas sem elas o próximo presidente da República enfrentará dificuldades para operar dentro das regras definidas pelo novo arcabouço fiscal.


A estratégia tem sido discutida em reuniões da Junta de Execução Orçamentária (JEO), da qual fazem parte os ministros da Fazenda, do Planejamento, da Casa Civil e da Gestão. E a data da divulgação do segundo relatório bimestral de receitas e despesas, prevista para 22 de maio, é vista como o “Dia D” para uma decisão.


A essa altura do ano, já será possível ter um quadro mais claro sobre o comportamento das receitas, diante da queda na atividade econômica projetada para o período, fruto dos juros mais elevados. Se a retração se confirmar, é provável que se torne necessário um contingenciamento elevado. O economista-chefe da Warren Rena, Felipe Salto, por exemplo, estima que seriam precisos R$ 35 bilhões.


Neste início de ano o governo tem sido beneficiado por um ritmo mais lento na execução das despesas. É um comportamento típico dessa época, intensificado pelo fato de o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025 não ter sido aprovado ainda pelo Congresso. A lei diz que, nesses casos, os ministérios podem gastar 1/12 do previsto no ano em determinadas rubricas. No entanto, a liberação tem sido mais restrita, ao ritmo de 1/18 a 1/20 por mês.


Além disso, as receitas tendem a ser fortes neste início do ano, refletindo ainda a atividade robusta de 2024. Não se deve descartar, também, receitas extraordinárias relevantes: existe uma expectativa, por exemplo, em relação ao lançamento pela Caixa Seguridade de sua oferta subsequente de ações (“follow-on”). Segundo o Valor revelou, a operação está sendo preparada para o próximo dia 13, ou seja, logo após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2024.


Na equipe econômica, reconhece-se a necessidade de medidas estruturais para dar um claro sinal de que as contas públicas deixarão o campo deficitário. No entanto, também se avalia que só deve haver espaço político para o avanço neste momento de ajustes pontuais, os quais permitem cumprir as metas do arcabouço, mas não a estabilização da dívida - inclusive porque para isso será preciso uma redução relevante da taxa básica de juros.


Segundo fontes do governo, a novela do pacote de novembro passado deixa isso claro. O presidente Lula não concordou com as medidas de ajuste mais duras, justamente as que teriam impacto na estrutura dos gastos públicos. O conjunto já chegou desidratado ao Congresso Nacional, que, por sua vez, ao contrário do que era esperado por alguns integrantes do mercado e do próprio governo, não aprofundou o ajuste. Pelo contrário, o afrouxou.


Agora, o desafio dos articuladores políticos do Executivo será dar tração a essa agenda após a eleição das novas Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na avaliação de interlocutores do governo, o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem dado todos os sinais de alinhamento com a pauta fiscal. Depende dele o avanço da proposta de alteração do sistema de proteção social dos militares.


Recém-eleito presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) também tem uma boa interlocução com o Palácio do Planalto. Porém, não passou despercebido que em seu primeiro discurso após receber 73 dos 81 votos da Casa, o senador afirmou no sábado (1º) que o Congresso trabalhará para melhorar a vida dos brasileiros, mas que por vezes isso exigirá um “posicionamento corajoso” perante os outros Poderes, a opinião pública e o mercado. Depende dele o andamento da proposta que visa reduzir os chamados “supersalários” do funcionalismo.


Avalia-se nos bastidores do Executivo que essas duas propostas têm chances de passar, mas com alterações. Na noite de quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou durante entrevista à GloboNews que foi estabelecido um “entendimento” com Hugo Motta sobre a proposta dos “supersalários”.


“Se o projeto que já foi votado na Câmara e que está no Senado voltar com ingredientes novos para corrigir essa distorção, a Câmara está disposta [a analisar as mudanças]”, disse Haddad, acrescentando que já se encontrou com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para tratar do assunto e que se reunirá na terça-feira (11) com senadores.


Segundo Haddad, “existem indenizações [pagas atualmente] que são corretas”. “Muitas vezes um juiz está substituindo o outro em uma comarca e tem despesas de estadia e alimentação que não teria se não substituísse”, ponderou.


Em outra frente, é possível que o governo retome também a tentativa de apertar os critérios de concessão dos Benefícios de Prestação Continuada (BPC). A proposta do governo foi afrouxada pelo Congresso, que excluiu, por exemplo, a proibição de serem pagos dois benefícios numa mesma família. Além disso, forçou um acordo pelo qual Lula vetaria o dispositivo que proibia a concessão a pessoas com deficiência leve.


Neste caso, será necessário muito poder de convencimento dos parlamentares para que o aperto seja retomado, dado que o Legislativo já decidiu sobre o tema no ano passado. O governo argumenta que a concessão do BPC a pessoas com deficiência leve por decisão da Justiça tem acelerado desde 2022. No ano passado, as despesas com o programa atingiram R$ 105,7 bilhões, ante R$ 88,9 bilhões no ano anterior.


A revisão de gastos tributários, sempre prometida pelo governo federal, entra no cardápio das medidas adicionais na lógica de o ajuste não investir apenas sobre os pobres. No curto prazo, a ideia é fazer uma espécie de “pente-fino” no uso dos benefícios fiscais, e cortá-lo para empresas que não se enquadram nas regras de fruição. Esse trabalho já vem sendo feito pela Receita Federal, e poderá ser ampliado. Uma opção lembrada é buscar um maior controle em relação ao Simples, para que se evite que uma mesma pessoa abra diversas empresas com o intuito de se enquadrar nesse regime.


O plano de voo discutido na JEO pressupõe uma condução mais conservadora do Orçamento no curto prazo. É como pretende recuperar a credibilidade do mercado na política fiscal e, assim, reduzir a pressão que o desequilíbrio das contas públicas exerce sobre o câmbio, a inflação e os juros. Por isso, o contingenciamento forte e mirando no déficit zero está sobre a mesa.


Contingenciamento, bloqueios e a programação financeira limitada nas despesas que vem sendo aplicada na ausência da lei orçamentária anual são instrumentos tradicionais da política fiscal que, diz-se nos bastidores, “o mercado entende”. O primeiro é acionado quando as projeções apontam para o descumprimento da meta. O segundo, quando as despesas projetadas “estouram” o teto estabelecido no arcabouço.


O valor do teto é corrigido pela inflação, e as taxas maiores do que as esperadas no fim de 2024 farão com que haja um acréscimo da ordem de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões. Esse é um dos ajustes que o governo precisará fazer no PLOA de 2025.


No entanto, embora a margem mais elevada para gastos esteja animando ministérios, técnicos avaliam que não haverá espaço adicional para gastos. Isso porque as despesas com a Previdência também subirão acima do que consta do PLOA e consumirão toda a margem extra.


A falta de credibilidade na política fiscal atingiu seu auge no final do ano passado, quando contribuiu para impulsionar a cotação do dólar para o recorde de R$ 6,27. Admite-se nos bastidores que parte desse aumento é, de fato, explicada pelo pacote anunciado quando o mercado esperava um “pacotão”, e pela falta de aval de Lula a medidas mais ambiciosas. Mas parte é considerada um exagero que agora reflui.


Se o governo Lula não der mais sinais errados no campo fiscal, argumentam altas fontes do Executivo, o dólar pode voltar a seu padrão tradicional de funcionamento, pautado atualmente principalmente pelo cenário político externo e pelos efeitos do clima sobre a produção de commodities.


Entrevista: ‘Não adianta Lula fazer como Bolsonaro e ficar o tempo todo falando para uma bolha’, diz Hugo Motta / Novo presidente da Câmara afirma que governo tem ‘vacilado’ em tomar decisões necessárias na economia e detalha proposta ao Supremo Tribunal Federal para destravar emendas parlamentares- O Globo 7/2


Renata Agostini / Thiago Bronzatto


 O novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avalia que o presidente Lula não pode ficar refém de ideologias e “o tempo todo falando para uma bolha que o faz errar”. Em entrevista, o parlamentar antecipa a proposta que pretende levar ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para solucionar o impasse sobre as emendas que estão suspensas. Ele irá sugerir a aplicação das regras de transparência que valeriam a partir de 2025 ao que foi indicado pelos deputados e empenhado em 2024.


O novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avalia que o presidente Lula não pode ficar refém de ideologias e “o tempo todo falando para uma bolha que o faz errar”. Em entrevista, o parlamentar antecipa a proposta que pretende levar ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para solucionar o impasse sobre as emendas que estão suspensas. Ele irá sugerir a aplicação das regras de transparência que valeriam a partir de 2025 ao que foi indicado pelos deputados e empenhado em 2024.


O senhor diz ser necessário unir direita e esquerda. Como isso será possível no debate da proposta de anistiar os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro?


É um tema que dificilmente teremos consenso. A pauta da anistia cria tensão com o STF e Executivo. Não podemos inaugurar o ano legislativo gerando mais instabilidade. Teremos de, em algum momento, em diálogo com o Senado, combinar como faremos com esse tema. Vamos sentindo o ambiente na Casa. Não faremos uma gestão omissa. Enfrentaremos os temas, mas com responsabilidade e sem tocar fogo no país.


Lideranças do PL garantem que o senhor se comprometeu a pautar o projeto de anistia. Esse acordo foi feito?


Fomos instados por ambos os lados. Na conversa que eu tive com o presidente Bolsonaro, em um determinado momento, ele falou: “Eu queria que, se houver o acordo no colégio de líderes e se houver o ambiente na Casa, você não prejudique a pauta da anistia”. Na reunião com o PT, falaram: “Olha, essa pauta da anistia não pode andar. É uma pauta ruim e é uma pauta que nós não concordamos”. A nossa eleição foi construída do ponto de vista de uma convergência. Vamos sentindo o ambiente na Casa para que, a partir daí, se decida.


Na Câmara, há deputados usando peruca, dando tapas e travando uma guerra de bonés. O que o senhor pretende fazer para manter o decoro?


A guerra dos bonés não produzirá soluções e é ruim para a Casa. Vai contra o ritual do exercício do mandato. Vamos prezar para que isso não volte a acontecer e cobrar certo código de postura dentro do plenário, porque não é o que a sociedade quer. Com a proximidade da eleição em 2026, a temperatura deve subir. O exercício da presidência é ainda mais desafiador.


O senhor se posicionou a favor de alterações na Lei da Ficha Limpa. Isso não seria um retrocesso num projeto aprovado pelo Congresso?


Não há dessa presidência compromisso ou desejo de se mudar a lei. Se essa matéria for trazida, por exemplo, pelo PL, do presidente Jair Bolsonaro, vamos levar ao colégio de líderes. Agora, com eleição de dois em dois anos, não reconhecer que oito anos de inelegibilidade é muito tempo é não reconhecer a realidade democrática do país. Quatro eleições é uma eternidade.


O senhor defende que a transparência dos três Poderes “tem que ser total”. Por que até hoje não se tem acesso total às informações sobre a destinação das emendas parlamentares?


O Legislativo é o mais transparente de todos os Poderes. A questão das emendas tem sido desvirtuada. Sou do interior da Paraíba. Quanto mais recursos eu puder levar para lá, melhor para mim. Faço questão de divulgar. A transparência não pode ser relativa. Não podemos ter o Executivo com sigilo de 100 anos. Não vamos admitir que seja exigido apenas para nós, porque denota que estamos abaixo dos demais Poderes. Não estamos. O STF, grande bastião e defensor da democracia, não ficará contra o Judiciário ser mais transparente.


O senhor enviou R$ 10 milhões para Patos, cidade da Paraíba onde seu pai foi reeleito como prefeito. Nem todo município na região recebeu esses recursos. Isso gera um desequilíbrio?


De forma alguma. Se quer indicar recursos ao Orçamento, tem de se filiar a um partido, se candidatar e se eleger. É prerrogativa parlamentar. Consegui R$ 10 milhões para Patos porque foi a cidade que me deu as maiores votações, assim como levei recursos a outros municípios.


Qual será sua proposta ao STF para resolver o bloqueio das emendas?


Temos uma lei aprovada pelo Congresso, sancionada pelo Executivo e que foi dialogada com o Poder Judiciário. Penso que a solução seria trazer transparência para o que foi empenhado em 2024 em cima dessa nova lei, que valeria a partir de 2025. Tenho conversado com ministros do Supremo e sentido interesse em vencer essa pauta. Para o Executivo também é importante. A governabilidade está diretamente ligada ao Orçamento. É o que os deputados precisam para justificarem apoio a pautas difíceis de serem aprovadas. Essa tensão não interessa a ninguém.


Há uma série de iniciativas no Congresso para limitar o poder do STF como encurtar mandatos e limitar decisões individuais de ministros. O senhor concorda com elas?


É natural pelo nível de tensão que tivemos nos últimos anos, com decisões duras que incomodaram bastante os parlamentares. É muito ruim quando um Poder tenta emparedar ou acuar outro. O Legislativo jamais se ajoelhará ao Supremo. São medidas de reação a decisões que poderiam ter sido evitadas. Existem exageros. Será uma constante daqui para frente se essas decisões continuarem.


No caso do Marco Civil da Internet, o julgamento no STF ocorre diante da inação do Congresso. O senhor pretende pautar a regulação das redes?


Não é atribuição do STF legislar. Não estamos obrigados a legislar sobre qualquer tema no momento em que é trazido pela sociedade. A Casa pode entender que não é prioridade. É uma decisão política também. Acho até que temos de discutir, mas é um tema complexo na Casa.


O Senado aprovou a regulação da Inteligência Artificial. O senhor pretende dar sequência a esse projeto?


Antes de encerrar seu mandato, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, nos pediu para priorizar o tema. Diversos parlamentares também têm nos procurado. Queremos e vamos avançar nessa discussão. Vamos colocar na ordem do dia, porque é uma pauta mundial. É inegável a força que a Inteligência Artificial tem tido, inclusive mudando de forma significativa a vida das pessoas.


Das medidas prioritárias que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao Congresso, quais terão dificuldades para avançar?


Noto receio na Casa com aumento de carga tributária. Passamos dois anos ajudando com projetos que elevaram a arrecadação. Só que o problema não está apenas na arrecadação, mas na responsabilidade com os gastos públicos. É uma pauta que o governo tem dificuldade em avançar.


Se o objetivo é o ajuste fiscal, cabe aumentar a faixa de isenção do imposto de renda?


Quem não quer aprovar isenção para a grande maioria da população? É pauta fácil de ser votada. Mas qual será a consequência? Vai trazer mais estabilidade fiscal? As pessoas estão recebendo o salário mínimo, mas não conseguem encher o prato em casa. Temos um cenário de alta de alimentos, com moeda fraca, poder de compra da população sendo corroído. Temos de encarar de maneira responsável e não estar atrás de discurso populista, eleitoreiro. Já vimos esse filme antes e ele não acaba bem.


O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse que Haddad é um ministro fraco. O governo está errando na economia?


O ministro Haddad é uma grata surpresa no governo. A agenda que ele defende é positiva, mas muitas vezes ele fica vencido na decisão política tomada pelos ministros que estão no Palácio e, claro, pelo presidente da República. Isso não tem ajudado na condução da economia. Vamos procurar ajudar a agenda do ministro naquilo que concordamos.


O presidente do seu partido, Marcos Pereira, disse que o governo Lula está sem rumo e que a “tendência” é estar com a centro-direita em 2026. O senhor concorda com ele?


Vejo pontos positivos, como o Pé-de-Meia, o Minha Casa Minha Vida, os leilões. Agora, do ponto de vista econômico, o governo tem vacilado e deixado de tomar decisões necessárias. Isso tem trazido instabilidade. Não podemos, em um país complexo como o Brasil, ficar refém de posicionamentos ideológicos. Quem mais precisa quer resultado. O governo precisa entender isso. Não adianta Lula fazer o que Bolsonaro fez e ficar o tempo todo falando para uma bolha que o faz errar. Não tem governo que traga crescimento sem discutir responsabilidade com as contas públicas.


COLUNA DO ESTADÃO- 8/2


CONSTATAÇÃO. Relator do Orçamento da União de 2025, o senador Ângelo Coronel (PSB-BA) afirmou num artigo enviado a empresários do Esfera Brasil que “o Executivo subestimou riscos” da inflação ao enviar o projeto da lei orçamentária ao Congresso. “O salário mínimo projetado ignorava estimativas mais realistas do INPC”, observou.


DESABAFO. O texto com o título “Técnica e política na corda bamba da sustentabilidade fiscal” critica também disputa de poder sobre quem deve definir o gasto público. “Se o orçamento fosse só uma planilha, não precisaríamos de democracia. O Executivo esquece que seu próprio projeto é amplamente contestado por órgãos federais, que imploram ajustes a esse relator”, continuou.


AGENDA. A aprovação do Orçamento é prioridade do Planalto, mas com o clima azedo ainda não tem data para votação.


(Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto e Iander Porcella)


ESTADÃO: PÉ-DE-MEIA PODE ENTRAR NA PAUTA NA PRÓXIMA SEMANA- 7/2


Brasília, 06/02/2025 - O ministro do TCU Augusto Nardes vai pautar para a próxima semana votação de recurso do governo para liberar as verbas do programa Pé-de-Meia, bloqueadas pela Corte por terem sido operadas fora do Orçamento. Nardes se reuniu na terça-feira com os ministros da Educação, Camilo Santana, e da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para tentar resolver o impasse em torno do bloqueio.


Um dos principais programas do governo, o Pé-de-Meia é uma bolsa criada pelo governo federal para beneficiar estudantes de ensino médio com R$ 200 por mês e uma poupança adicional de R$ 1 mil ao fim de cada ano da etapa. A iniciativa tem custo aproximado de R$ 5,7 bilhões por ano.


O TCU bloqueou os recursos de fundos privados que foram direcionados para o Pé-de-Meia e não passaram pelo Orçamento. O entendimento da Corte é de que o governo não poderia ter operado o programa dessa forma, pois se desviou da lei orçamentária e dos limites fiscais ao pagar a bolsa para os estudantes. (Paula Ferreira)


PEC que amplia isenção de igrejas: Motta sinaliza que pode votar em fevereiro; governo quer 'travas' / Parlamentares da bancada evangélica dizem que Congresso tem voto para aprovar texto sem trava alguma e dizem que Planalto ‘volta atrás’ em acordo firmado.- Globo g1 7/2


Por Marina Franceschini, Elisa Clavery, GloboNews — Brasília


O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade tributária de templos e igrejas, deputado Fernando Máximo (União-RO), disse à GloboNews que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou que pode pautar a proposta em plenário ainda em fevereiro.


Segundo o relator, Motta pediu para que seja marcada uma reunião com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e com o autor da PEC e articulador político do texto, deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).


O novo presidente da Câmara é um dos signatários da PEC e já abriu o ano legislativo com uma missa na Câmara dos Deputados.


Tributações indiretas


Atualmente, a Constituição já proíbe a cobrança de tributos sobre patrimônio, renda e serviços vinculados a atividades essenciais de igrejas e templos.


Isso contempla, por exemplo, a isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) aos edifícios em nome de uma entidade religiosa.


Mas a ampliação da imunidade, prevista na PEC, valeria inclusive para tributações indiretas, como no imposto embutido na luz utilizada pela igreja ou no material de construção para o templo.


Interlocutores do Palácio do Planalto dizem que o governo topa votar a proposta, mas quer criar algumas travas. Por exemplo: se a igreja ou templo criar um restaurante no terreno, a isenção não serviria para o estabelecimento. O mesmo ocorreria se o chefe religioso comprar uma BMW – neste caso, a imunidade não serviria para o carro.


Aceno à bancada


Reservadamente, deputados da bancada evangélica que antes tentavam diálogo com o governo sobre o tema dizem que o Planalto combinou uma coisa e, depois, desfez. Segundo esses parlamentares, o Congresso tem voto para votar a proposta sem trava alguma – e que incluir travas na medida acaba com o "coração" da PEC.


Agora, a articulação com o Planalto para a aprovação da proposta, segundo interlocutores do governo, tem sido feita pelo deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), também da bancada evangélica.


O entendimento é que a aprovação do texto seria uma forma do governo acenar para o público evangélico.


A avaliação interna é que a aprovação da PEC também poderia cacifar Otoni para a eleição como coordenador da bancada evangélica, que acontecerá no dia 26 de fevereiro.


A frente, hoje, se divide justamente pela resistência que parlamentares da oposição têm com o nome de Otoni, que se aproximou do governo e esteve presente em um evento no Palácio do Planalto em que orou pelo presidente Lula. Por isso, parlamentares mais bolsonaristas lançaram o nome do deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP).


A PEC que amplia a imunidade tributária das igrejas chegou a entrar na pauta do plenário da Câmara e teve sua discussão iniciada no dia 13 de novembro. Contudo, a votação teve que ser interrompida por conta da tentativa de atentado na praça dos Três Poderes, quando um homem detonou explosivos em si mesmo em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).


 


Governo pedirá ao Congresso prioridade para PECs da Segurança e militares e regulação de redes / Alexandre Padilha (Relações Institucionais) entregará lista de pautas na próxima semana a presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)- Folha SP 7/2


Fábio Zanini / Danielle Brant


Após levar a agenda econômica ao novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o governo Lula apresentará na semana que vem ao Congresso a lista de projetos prioritários em outras áreas.


Entre os temas a serem levados a Motta e a seu colega do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estão a PEC da Segurança Pública, a emenda que proíbe militares da ativa de se candidatarem e projetos sobre a inteligência artificial e regulação de redes sociais.


Neste último caso, integrantes do governo, como o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defendem que não seja enviado um projeto novo pelo Executivo, como o que vem sendo elaborado pelo Ministério da Justiça.


Ele prefere que o governo encampe dois textos já em tramitação, de parlamentares de oposição: um do deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), que veda o anonimato nas redes e estabelece regulação pelas plataformas, e outro do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que prevê medidas de proteção a crianças e adolescentes nas redes.


"Eu defendo que o governo não debata a regulação, mas que debata a proteção das pessoas, das famílias e dos negócios no ambiente digital. E que o governo invista no projeto do Senado de proteção à criança e adolescente e abrace o do Silas Câmara, que foi apresentado e foi construído com mais de 30 agências públicas", diz Padilha.


Eleições de 2026 emperram troca de ministros de Lula / Desincompatibilização obrigatória em março de 2026 limita escolhas para ministérios- Folha SP 7/2


Mônica Bergamo


O presidente Lula (PT) enfrenta alguns dilemas para mexer nas peças do tabuleiro de seu governo na reforma ministerial, o que tem retardado as decisões.


MARCHA 2 - Uma delas é o fato de que ministros que serão candidatos a cargos eletivos em 2026 terão que se desincompatibilizar em março do próximo ano, permanecendo apenas por 12 meses à frente das pastas que assumirem agora.


MARCHA 3 - É o caso, por exemplo, do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Cotado para a pasta da Saúde, ele teria pouco tempo para implantar políticas de impacto na área.


MARCHA 4 - O ministério sofreria também com a descontinuidade da breve gestão. Interlocutores do presidente tem feito o alerta, e defendido que Padilha, que deve deixar as Relações Institucionais, ocupe outro cargo no governo.


MARCHA 5 - A presidente do PT, Gleisi Hoffmann também deve ser candidata em 2026. Mas ela está cotada para pastas que enfrentariam menos problemas do que a Saúde com uma gestão breve e descontinuada.


com KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e MANOELLA SMITH


 


Lula aposta em retomada de viagens contra queda de popularidade e para fortalecer alianças / Presidente começa roteiro com Rio e Bahia e deve visitar Amapá na próxima semana, estado de Davi Alcolumbre- Folha SP 7/2


Renato Machado


O presidente Lula (PT) começou nesta quinta-feira (6) a realizar as suas prometidas viagens pelo Brasil, na tentativa de reverter a tendência de queda na aprovação do seu governo e também de olho no fortalecimento de alianças políticas.


A nova fase de viagens, retomadas após se recuperar da intervenção cirúrgica na cabeça, terá a região Nordeste como um dos focos. Anteriormente considerando como berço do PT, a região foi onde a queda na aprovação do seu governo esteve mais acentuada.


Auxiliares palacianos, no entanto, minimizam essa escolha. Afirmam que é natural o Nordeste estar mais presente no roteiro, por ser a região com o maior número de estados. E que essa situação já havia ocorrido nos dois primeiros anos do mandato.


O primeiro destino do presidente em 2025 foi a cidade do Rio de Janeiro, comandada pelo aliado Eduardo Paes (PSD). Lula participou da reabertura da emergência do Hospital Federal de Bonsucesso, na zona norte da capital fluminense.


Nesta sexta-feira (7), o presidente vai a Paramirim (BA) para cerimônia no âmbito do programa Água para Todos. Serão feitos anúncios relacionados à segurança hídrica na Bahia, estado também governado por um aliado, o correligionário petista Jerônimo Rodrigues.


Lula havia interrompido as suas viagens pelo país após ter batido a cabeça em uma queda no banheiro da residência oficial do Palácio da Alvorada. O presidente precisou passar por uma intervenção no cérebro, em dezembro. No início deste ano, o mandatário foi liberado para voos.


O início das viagens acontece no momento em que a aprovação do governo se tornou motivo de alerta no Palácio do Planalto. A avaliação negativa do governo atingiu 37%, segundo pesquisa Quaest, e pela primeira vez ultrapassou a aprovação (31%).


A intensificação das viagens também acontece após a chegada do novo ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), o publicitário Sidônio Palmeira.


O novo ministro defende a ideia de que Lula representa um "produto" forte e precisa ser colocado em evidência, inclusive em entrevistas e na publicidade do governo. O próprio Lula também defendeu em reunião ministerial, no dia 20 de janeiro, "mais rua e menos palácio".


Por isso, a comunicação do governo planeja eventos em que haja mais contato do presidente com a população. O objetivo também é usar as imagens em recortes nas redes sociais ou mesmo fazer repercutirem essas cenas na mídia tradicional.


Além disso, Lula tem pedido mais rua para seus apoiadores e aliados, para ir para o enfrentamento das ideias com o bolsonarismo. O objetivo seria comparar os dois anos de governo com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em jantar com a bancada do PT da Câmara, na sexta-feira (31), o mandatário falou que "acabou o paz e amor" com os bolsonaristas.


A preocupação com o Nordeste tem relação com a queda na aprovação do governo na região. A popularidade da gestão caiu de 48% para 37%, ainda segundo a Quaest.


Além da Bahia, o presidente deve ir no fim do mês ao Ceará, para anúncios na área dos transportes. O Planalto, no entanto, ressalta que o presidente deve ter viajado para todas as regiões do país até o fim de fevereiro.


Auxiliares do presidente afirmam que o roteiro de viagens também está sendo programado com base na possibilidade de entregas de obras, inaugurações ou anúncios expressivos dos ministérios. Para isso as pastas estão sendo consultadas, para apresentar um panorama para a Casa Civil.


O presidente vem repetindo que 2025 será o "ano da colheita". A perspectiva é que as entregas sejam na área de infraestrutura, em particular ligadas ao Novo PAC ou programas específicos, como o Minha Casa Minha Vida.


As viagens também devem ser usadas pelo presidente para estreitar alianças. Lula deve ir na próxima semana ao Amapá, estado do novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil).


A confirmação da viagem foi dada pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que disse que o presidente vai inaugurar o Instituto Federal do Amapá Tartarugalzinho e visita ao parque aeroportuário.


Uma viagem à Paraíba, estado do presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos), também está no radar, segundo interlocutores, mas ainda não consta no cronograma. Auxiliares apontam que é preciso realizar um planejamento, com o levantamento de possíveis entregas no estado.


O presidente também deve ir na próxima semana a Belém, para anúncio de obras relacionada com o fato de que a cidade vai sediar a COP30 no segundo semestre. O estado é governador pelo aliado Helder Barbalho (MDB). O mandatário também deve ir ao Rio Grande do Sul.


Auxiliares de Lula têm afirmado que o cronograma de viagens será impactado com a tendência de melhor organização da área de comunicação, que vem intensificando a contratação de novas pesquisas, trackings e monitoramento das redes. Em particular as pesquisas de tracking estavam praticamente paradas no ano passado, antes das trocas na Secom.


Fala de Lula sobre ‘educar o povo’ contra inflação afeta plano do governo para reverter imagem ruim / Oposição critica Lula após ele dizer que povo pode baixar preço dos alimentos evitando itens caros; no X, a hashtag #LulaEnganouOPobre alcançou mais de 30 mil menções nesta sexta- Estadão 6/2


Por Gabriel de Sousa


BRASÍLIA - Políticos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o criticaram fortemente nas redes após ele afirmar, em entrevista às rádios Metrópole e Sociedade, da Bahia, nesta quinta-feira, 6, que os brasileiros devem parar de comprar produtos caros. A declaração de Lula foi um revés para a nova gestão da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), chefiada por Sidônio Palmeira, escalado para melhorar a imagem do petista diante do baixo índice de aprovação.


“Uma das coisas mais importantes para a gente poder controlar o preço é o próprio povo. Se você vai ao supermercado e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver a consciência e não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter de baixar para vender, porque, senão, vai estragar”, afirmou Lula.


Segundo Lula, é preciso “educar” as pessoas para trocarem produtos caros por baratos e não serem “extorquidas”. “Esse é um processo educacional que nós vamos ter que fazer com o povo brasileiro. É necessário que a gente faça isso. O povo não pode ser extorquido. A pessoa sabe que a massa salarial cresceu, que o salário aumentou, aí aumenta o preço. Não, é preciso ter responsabilidade.”


O novo ministro da Secom, que assumiu o cargo deixado por Paulo Pimenta no último dia 14, entrou na Esplanada visando corrigir os erros de comunicação cometidos por Lula, muito deles ocasionados por falas de improviso do chefe do Executivo. A nova declaração de Lula sobre os preços dos alimentos, além de municiar a oposição, foi um dos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter) nesta quinta, com a hashtag #LulaEnganouOPobre alcançando mais de 30 mil menções.


Um dos parlamentares de oposição que criticaram a fala de Lula foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o algoz da primeira grande crise do governo federal em 2025, com um vídeo que continha informações falsas sobre a fiscalização do Pix proposta pelo Ministério da Fazenda. Em uma publicação do X, Nikolas ironizou o petista e sugeriu que o povo também teria poder para derrubar o presidente da República.


“Se a água tá cara, é só não tomar banho. Se você está com fome, é só não comer. Se a conta de luz está cara, é só não ligar. Se a gasolina está cara, é só não andar de carro. Se a passagem está cara, é só ficar em casa. Se o presidente tá ruim, é só tirar”, disse Nikolas no vídeo.


Também pelo X, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reproduziu a declaração de Lula nas redes sociais dele. No final da fala do petista, ele colocou um ponto de interrogação. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, também se posicionou e afirmou a orientação do presidente seria mais uma “narrativa”. “As narrativas de Lula: não tem inflação, culpa da inflação é do BC nomeado por Bolsonaro, culpa é do empresário que quer lucrar, culpa é sua, consumidor, que compra coisa cara”, disse o parlamentar.


Outros deputados do PL também partiram para o ataque contra o presidente. Filipe Barros (PL-PR) disse que a orientação de Lula era uma “façanha” e Carla Zambelli (PL-SP) afirmou que o petista “zomba da população na cara dura”. José Medeiros (PL-MT), por sua vez, sugeriu que o chefe do Executivo deveria ganhar o Prêmio Nobel de Economia.


As críticas a Lula não ficaram concentradas nos políticos do PL. João Amoêdo, ex-presidente do Novo e candidato à Presidência em 2018, disse que o presidente “deveria trabalhar para reduzir suas despesas, em vez de perder tempo com falas inúteis e sem sentido como essa”. “Quem realmente extorque o povo brasileiro é o governo, com altos impostos e inflação elevada”, declarou Amoêdo.


O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que integra um partido que compõe a base de Lula na Câmara, afirmou que a declaração “parece deboche”. “Essa realmente foi a solução apresentada por um presidente da República para reduzir o preço dos alimentos”, completou.


Folha Editorial  - Haddad oficializa programa fiscal frouxo neste ano / Documento apresentado ao Congresso tem medidas corretas, como limitar supersalários, mas nada que detenha dívida pública – 7/2


Mudanças mais profundas e de impacto mais permanente nas contas públicas não figuram entre os objetivos do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que está oficializado no plano de trabalho que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi autorizado a apresentar ao Congresso.


A esse respeito, em sentido estrito, não há providência fiscal nova na lista de "iniciativas para o biênio 2025 e 2026".


Além de elencar ações aprovadas no ano passado, o documento em que a Fazenda apresenta seus projetos trata apenas de "implementação e acompanhamento de medidas aprovadas e política permanente de revisão de despesas", que são ou deveriam ser atividades de rotina de qualquer governo.


É verdade que outros planos oficiais podem ter efeitos positivos no Orçamento. Por exemplo, consta das propostas a necessária limitação dos supersalários, à beira de ser inutilizada pelo Congresso e pelo lobby do Judiciário e do Ministério Público, para citar os mais poderosos.


Está lá também a reforma do regime previdenciário dos militares, também correta, urgente e politicamente difícil, mas que terá ou teria pequeno impacto imediato nas públicas.


Até mesmo o projeto de lei da conformidade tributária e aduaneira pode levar algum dinheiro para o Tesouro Nacional, se vier de fato a premiar o bom pagador e punir devedores contumazes, embora não seja esse o objetivo principal dessa iniciativa. Mas isso ocorreria a longo prazo.


Quanto às dificuldades crescentes e alarmantes com a dívida pública, mais não foi dito no documento da Fazenda. Seria uma surpresa se fosse diferente.


Lula repete com frequência que é grande e histórico defensor da responsabilidade fiscal, mas afirma que, no que depender dele, não haverá mais medidas que possam reduzir o déficit orçamentário de modo expressivo.


Assim, o governo petista reitera que sua noção de responsabilidade fiscal permite o crescimento ainda sem limite do endividamento. No máximo, talvez se possa esperar, logo no início do ano, uma contenção de despesas suficiente para o cumprimento, de modo seguro, da relaxada meta fiscal fixada para este 2025.


Note-se, porém, que mesmo a observância dos limites de gasto e de saldo primário não causa impacto maior em expectativas e condições financeiras.


As exceções na contagem de despesas, formais ou não, levam economistas independentes a desenvolver seus próprios métodos de aferição do saldo do Tesouro.


Não se pode dizer com justiça que o método atual da Fazenda lembra as artimanhas do governo Dilma Rousseff (PT), várias delas ilegais. Mas a contabilidade oficial padece de descrédito, o que contribuiu de modo importante para o salto das taxas de juros de mercado com início em maio de 2024. Apenas discursos e objetivos frouxos não vão alterar de modo decisivo tal cenário.


ESTADÃO/EDITORIAIS: LULA RAZOAVELMENTE PERDIDO- 7/2


A retomada do circuito radiofônico de Lula da Silva é, sem dúvida, parte da estratégia para tentar estancar a queda de popularidade. Mas as primeiras entrevistas do ano mostram o presidente perdido ao avaliar a inflação, o problema que atualmente mais aflige a população. A tática tem sido a de terceirizar responsabilidades, com argumentos que colocam o governo como vítima da alta de preços, e não como um de seus principais causadores, numa narrativa absolutamente desconectada da realidade.


Primeiro, a ouvintes de Minas Gerais, Lula buscou passar a ideia de que o governo leva “muito a sério” a inflação, que, segundo ele, “está razoavelmente controlada”. No dia seguinte, para rádios baianas, jogou a culpa do descontrole dos preços sobre o Banco Central (BC), acusando a gestão passada da instituição - sob o comando de Roberto Campos Neto - de ter armado “uma arapuca” para seu governo. Essa armadilha, segundo o petista, não pode ser desmontada “de uma hora para outra”.


Difícil convencer a audiência de que a inflação está “razoavelmente controlada” diante do avanço dos preços de alimentos. Levantamento divulgado no fim de janeiro pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostrou aumentos significativos em itens como leite longa vida (18,83%), carne (25,25%), óleo de soja (29,22%) e café torrado (39,6%). Todos esses produtos integram a cesta básica, ou seja, ao menos em teoria são imprescindíveis a todas as famílias.


Tampouco é irretorquível o discurso sobre a seriedade com que o governo Lula da Silva trata a estabilidade inflacionária. Por óbvio, efeitos climáticos extremos têm prejudicado a agricultura e a pecuária com reflexos nos preços, mas considerável parcela dessa escalada se deve, como é notório, a uma demanda que cresce acima da capacidade econômica do País. Esse sobreaquecimento, por sua vez, é causado por políticas de governo sustentadas na expansão de gastos e no incentivo desmesurado ao crédito.


Lula diz que sua preocupação maior é evitar que o preço dos alimentos “prejudique o povo” e, para que isso não aconteça, tem feito “reuniões sistemáticas com os setores”. Ora, qualquer consumidor sabe que a inflação dos alimentos é sentida mais fortemente pela população mais carente, que despende maior parcela do orçamento mensal para custear a alimentação. E não serão reuniões com varejistas ou agricultores que derrubarão preços. Afinal, não há como o governo intervir em preços livres, e o passado recente demonstrou da pior forma para o consumidor a ineficácia de congelamentos.


Ao governo Lula da Silva cabe, principalmente, o respeito à responsabilidade fiscal, que parece se distanciar do Planalto na proporção inversa à proximidade das eleições de 2026. O presidente fala em “compensação” caso o reajuste dos combustíveis - que também têm preços livres e deveriam ser ditados por critérios de mercado - tenha impacto sobre os preços de transporte e alimentos. Vende um discurso vazio, como se tivesse o poder de evitar o repasse do aumento de gasolina e diesel aos transportes e às cargas conduzidas por caminhões.


O maior problema é que Lula enxerga o que quer enxergar e parece acreditar no dom de fazer com que o eleitorado veja o cenário sob a mesma ótica. “A economia está bem, o emprego está crescendo, massa salarial crescendo, coisas estão crescendo”, afirmou. O resultado imediato da política expansionista foi, de fato, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego, mas indicadores recentes começam a apontar para a perda de fôlego, tanto que o temor de retração da economia já entrou no radar para 2025 e 2026.


Entre as “coisas que estão crescendo” Lula poderia incluir a dívida pública federal, que no ano passado

chegou a R$ 7,3 trilhões, aumento de 12,2% em relação ao fim de 2023, sem contar a correção da inflação. O esforço para conter a inflação ficou por conta apenas do Banco Central, alvo de críticas do presidente por elevar juros com o único intuito de conter a inflação - esta sim uma arapuca capaz de minar a popularidade de qualquer governo.


Editorial / Valor - Ampliar crédito de bancos públicos é real ‘arapuca’ / O presidente Lula pode estar montando outra arapuca para seu governo, diferente da que atribui fantasiosamente ao Banco Central- Valor 7/2


Não há pior época para expandir o crédito do que quando as taxas de juros estão subindo muito, mas isso pode estar nas intenções do governo Lula. O Banco Central tem tentado, sem sucesso até agora, esfriar a economia, trazendo a inflação para a meta de 3%, e já avisou que o IPCA continuará acima de 4,5%, o teto do objetivo, pelo menos nos próximos seis meses. O presidente Lula, porém, não parece estar muito preocupado com isso, mas sim com seu índice de popularidade, em baixa nos últimos meses. Ele disse que nos próximos dias vai anunciar medidas para ampliar a atuação dos bancos públicos. “O crédito está crescendo, e haverá mais medidas nos próximos dias, porque não parou por aí”, afirmou.


Lula acredita que seu indicado para a presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu uma herança maldita, “uma arapuca que não se pode mudar de uma hora para outra”, a saber, a indicação futura de que a Selic teria de subir mais 1% nas reuniões do Comitê de Política Monetária de janeiro e março, elevando-a para 14,25%. O IPCA fechou o ano passado em 4,83% e, pelas projeções dos analistas, atingirá 5,5% ou mais em 2025, mesmo com juros reais acima de 8%, uma anomalia até para um país acostumado a ocupar rotineiramente o ranking das maiores taxas do mundo.


Na ata do Copom é apontado que o mercado de crédito se manteve “pujante” e que a autoridade monetária espera, como é natural, que com um aperto das condições financeiras e a elevação dos prêmios de risco o crédito bancário declinará. É insólito que a oferta de crédito continue crescendo acima dos dois dígitos mesmo com o custo do dinheiro tão alto como agora. Um dos motivos principais para isso é o aumento dos gastos públicos, que aqueceu a economia, reduziu o desemprego, aumentou os salários e propiciou que o consumo mantivesse um fôlego incompatível com o potencial de crescimento, com a alavanca coadjuvante do crédito. Não é pouca coisa. O estoque de crédito no ano subiu 2 pontos percentuais do PIB, para 54,4%. Somado ao déficit primário de 0,4% do PIB, obtêm-se 2,5% do PIB de injeção de recursos, o que em grande parte explica um crescimento de 3,5% no ano passado.


Com limitações para ampliar gastos em decorrência de metas fiscais que ele próprio criou, e para as quais gera exceções, o governo tem no crédito uma válvula de escape que poderá usar para sustentar a economia, ainda que isso dificulte o combate à inflação. O crédito direcionado, oferecido principalmente por bancos públicos, mas não só eles, atingiu R$ 2,68 trilhões - ou 22,7% do PIB -, e cresceu mais que o crédito livre, 11,4% ante 10,6%, respectivamente, segundo estatísticas do Banco Central.


A diferença do grau de expansão entre crédito livre e direcionado é pequena, mas chama a atenção a disparidade das taxas de juros. A média dos juros cobrados no crédito livre foi de 40,8% ao ano, enquanto no direcionado foi de 10,9%, quase um quarto. Essa taxa já está abaixo da que o Tesouro paga para se financiar, cada vez mais alta à medida que a Selic sobe. A situação é muito diferente da do governo Dilma, quando a TJLP, cobrada nos empréstimos do BNDES, era altamente subsidiada, com funding alavancado por dotações do Tesouro para o banco.


O BNDES tem aumentado expressivamente seus empréstimos para pessoas jurídicas, que crescem em algumas linhas acima da expansão do mercado (10,5%), como nas de capital de giro, que avançaram 84,7% nos últimos 12 meses. O financiamento para a agroindústria avançou 45,1%, e, no carro-chefe dos empréstimos, o do financiamento a investimentos, a alta foi de 14,9%. No total, os empréstimos do BNDES para empresas subiram 20,9%. O total do crédito, para empresas e pessoas físicas, atingiu R$ 431,6 bilhões, 7,8% maiores que no período anterior.


O saldo dos empréstimos dos bancos públicos encostou no dos bancos privados, R$ 2,72 trilhões ante R$ 2,79 trilhões, respectivamente. No fim do governo Bolsonaro, a diferença, ainda pequena, colocava os bancos privados à frente. Não há nenhuma disparada do crédito estatal até agora, como ocorreu no governo de Dilma Rousseff, o que não impede que um governo acuado pelas pesquisas não tente melhorar sua posição oferecendo dinheiro barato com alguma prodigalidade. O presidente Lula, que não está convencido de que equilíbrio fiscal é essencial para o combate à inflação, pode se sentir tentado a isso.


Há pouco tempo, quando o resultado da meta fiscal estava na berlinda, Lula se empenhou em iniciativa pública para aumentar o crédito consignado para os trabalhadores do setor privado, cujo montante é uma fração ínfima daquela hoje ofertada a aposentados e servidores públicos. Agora parece se entusiasmar com a ideia de elevar a disponibilidade de recursos a empresas e consumidores em um período de juros proibitivos e ainda em elevação. O presidente pode estar montando outra arapuca para seu governo, diferente da que atribui fantasiosamente ao BC. A inflação vai demorar mais a cair se a economia for estimulada, estendendo-se pelo período eleitoral. E os juros permanecerão altos, com enorme impacto na dívida pública.


Kassab agora diz que Lula é forte e pode reverter cenário para 2026 e nega querer ser vice em SP / Presidente do PSD ainda elogiou André do Prado como um “excelente nome” para compor a chapa ao governo estadual e disse que reforma ministerial “não faz diferença” para o PSD- Estadão 6/2


Por Geovani Bucci (Broadcast)


O secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, recuou sobre a declaração que deu na semana passada de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se reelegeria se a eleição de 2026 fosse hoje. “Ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa sobre a eleição. Ele ainda pode reverter o cenário. Ele é forte”, disse em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast nesta quinta-feira, 6, durante a Premiação Outliers Infomoney.


A fala do presidente do PSD causou muita repercussão porque seu partido possui três ministérios no governo federal – Minas e Energia, Agricultura e Pesca. O próprio presidente respondeu à declaração, afirmando que “começou a rir quando olhou para o calendário e viu que a eleição não é hoje.”


Conforme apurou o Estadão/Broadcast, Lula teria se irritado com a fala do secretário e cobrado o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, filiado à legenda, para procurá-lo e evitar que falas como essa se repetissem.


Kassab também disse na ocasião que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é “fraco” e que isso seria um “péssimo indicativo” para um governo durante o evento em questão. “O que eu disse deu muita repercussão, não era para tanto. Era apenas algo relacionado à postura dele no governo”, afirmou.


Ainda sobre as eleições de 2026, o secretário garantiu que não quer ser candidato a vice-governador na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para ele, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, André do Prado (PL), é um “excelente nome” para o cargo hoje ocupado por Felicio Ramuth do PSD.


Presidente do PSD diz que reforma ministerial não faz diferença para o partido


Na conversa, Gilberto Kassab, afirmou que a reforma ministerial pretendida por Lula “não faz diferença” para o partido. “Nossa torcida é que o presidente Lula faça um bom governo para o Brasil”, disse durante painel. Lula pretende manter nos ministérios apenas partidos que devem continuar na base de apoio do governo nas eleições de 2026.


Atualmente, o PSD possui três pastas sob seu comando - Minas e Energia, Agricultura e Pesca. Kassab ressaltou que o Brasil é um “País de moderados” e que o “liberalismo econômico” caminha para ser a preferência da maioria da população. “É um País de centro, mas não um centro fisiológico”, disse.

Call Matinal JHN Consulting 0702

 Call Matinal. JHN Consulting                                   

07/02/2025 

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (06/02)

MERCADOS


O Ibovespa, na quinta-feira (06), fechou em alta de 0,55%, a 126.224 pontos, o dólar, em queda de 0,52%, a R$ 5,76. 


 PRINCIPAIS MERCADOS, 7h00


Índices futuros dos EUA operam em leve queda nesta sexta-feira (07). As bolsas europeias operam majoritariamente em leve baixa e as asiáticas “mistas”. Nos EUA, investidores seguem cautelosos com a divulgação da folha de pagamento não do payroll a influenciar o mercado e fortalecer as expectativas de maior flexibilização por parte do Fed.


EUA:

Dow Jones Futuro, -0,04%

S&P 500 Futuro, -0,08%

Nasdaq Futuro, -0,12%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China), +1,01%

Nikkei (Japão), -0,72%

Hang Seng Index (Hong Kong), +1,16%

Kospi (Coreia do Sul), -0,72%

ASX 200 (Austrália), -0,11%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido), -0,08%

DAX (Alemanha), +0,10%

CAC 40 (França), +0,09%

FTSE MIB (Itália), 0,00%

STOXX 600, +0,09%


Commodities:

Petróleo WTI, +0,79%, a US$ 71,17 o barril

Petróleo Brent, +0,87%, a US$ 74,94 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,86%, a 817 iuanes (US$ 112,11)



NO DIA, 0602


Fechando a semana com o payroll nos EUA, depois dos dados do ADP e do Jolts um pouco mais fracos, mostrando o mercado de trabalho em suave desaceleração. No payroll, espera-se a criação de 170 mil em janeiro, após +256 mil em dezembro, com a taxa de desemprego estável em 4,10%. 


Por aqui, o dia começa com o IGP-DI de janeiro e uma entrevista de Haddad a uma rádio de Pernambuco. Lula não fala hoje. Ainda bem. Suas intervenções têm sido muito mal absorvidas. Bradesco divulga balanço agora cedo e, à tarde, o MDIC informa a balança comercial de janeiro. Ainda pela manhã, os diretores do BCB Diogo Guillen e Paulo Picchetti participam da reunião trimestral com economistas de São Paulo, quando devem ouvir as preocupações recorrentes sobre o fiscal.


Seguem os estudos sobre possíveis medidas adicionais a amenizar a possibilidade de contingenciamento de despesas em torno de R$ 30 bi neste ano. 



Julio Hegedus Netto, economista JHN Consulting 

 

Boa sexta-feira a todos!

Bankinter Portugal Matinal 0702

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Temos 3 assuntos destacáveis: (1) o receio de uma guerra comercial em grande escala reduz-se, o que, principalmente, permitiu que ontem fosse a terceira sessão encadeada de subidas. (2) Apreciação do yen (157,4/€; 151,5/$) ao consolidar-se a expetativa de que o BoJ feche 2025 em 1%... coincidindo com a nossa estimativa de dezembro de 2024. (3) Emprego americano hoje. Pelo menos, os dados formais, visto que já saíram os JOLTS ou Vagas Disponíveis (fracos, melhor) na terça-feira, o Inquérito de Emprego Privado ADP (forte, pior) na quarta-feira, e ontem o Desemprego Semanal (fraco, melhor), os Custos Laborais (+3,0% desde +0,5%) e a Produtividade (+1,2% desde +2,3%). Às 13:30 h, sairá a Criação de Emprego Não Agrícola, que deverá ser fraca devido aos incêndios da Califórnia: espera-se 170/175k vs. 256k. E que a Taxa de Desemprego repita em 4,1%. Mas neste assunto do emprego, o risco é que saia mais sólido do que o esperado, apesar de tudo. 

 

Ontem à noite, Amazon publicou resultados que bateram expetativas, mas guidance fraco em receitas devido ao negócio na nuvem pouco sólido, caindo -4% em aftermarket. Isto vai pesar hoje. Embora Fortinet e Cloudflare tenham batido expetativas e oferecido bons guidances, subindo +8% e +12%, respetivamente em afetermarket, Amazon pesa muito mais, sem dúvida.  

 

Por isso, após 3 dias de subidas e com as obrigações a aguentarem as yields mais baixas, o normal é que hoje seja um dia fraco, com -0,2%, por exemplo. O bom é que o fundo do mercado acalmou um pouco em relação a impostos alfandegários, taxas de juros, inflação, etc., e isso deverá resultar nuns dias de aplanamento ou subidas minúsculas, como descanso e aterragem. 

 

Na próxima semana teremos, na quarta-feira, inflação americana sem grandes mudanças esperadas (+2,9% e +3,2% Subjacente) e, principalmente, a Conferência de Segurança, em Munique, de sexta-feira a domingo, que é fundamental visto que acrescentará uma visão confusa sobre um hipotético cessar-fogo promovido por Trump. Isto trará erraticidade do tipo “ilusão-deceção”, porque as terras raras (necessárias para defesa, mísseis, automóveis elétricos, tecnologia de diferentes tipos…) da Ucrânia estão em Donesk e Lugansk, que são áreas fronteiriças com a Rússia e ocupadas por esta, que não irá renunciar simplesmente porque Trump aspira um cessar-fogo para conseguir uma vitória política e ganhar autoridade moral. Mas é certo que bastaria que se falasse de um cessar-fogo para que o prémio de risco geoestratégico (que nós quantificamos em não inferior a 100 p.b.) se reduzisse e as bolsas subissem… para depois dececionarem-se e corrigirem com uma provável realidade de avanço zero. 

 

S&P500 +0,4% Nq-100 +0,5% SOX +0% ES-50 +1,6% IBEX +1,6% VIX 15,5 Bund 2,37% T-Note 4,44% Spread 2A-10A USA=+22pb B10A: ESP 3,04% PT 2,88% FRA 3,08% ITA 3,44% Euribor 12m 2,354% (fut.2,178%) USD 1,038 JPY 157,3 Ouro 2.862$ Brent 74,7$ WTI 71,0$ Bitcoin -1,5% (96.815$) Ether -5,9% (2.681$). 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 0702

 *Payroll, Haddad e Bradesco fecham a semana*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato.


[07/02/25]


… Queda da Amazon no after hours não é boa notícia para a abertura das bolsas em NY, mas a agenda decisiva vem com o payroll (10h30), que deve ajustar as apostas para os juros nos Estados Unidos. Investidores esperam um esfriamento do mercado de trabalho, com a criação de 170 mil em janeiro, após +256 mil em dezembro. A taxa de desemprego deve permanecer em 4,10%. Aqui, o dia começa com o IGP-DI de janeiro e uma entrevista de Haddad a uma rádio de Pernambuco (8h20). Lula não fala hoje. Bradesco divulga balanço agora cedo e, à tarde, o MDIC informa o resultado da balança comercial de janeiro. Ainda pela manhã, os diretores do BC Diogo Guillen e Paulo Picchetti participam da reunião trimestral com economistas de São Paulo, quando devem ouvir as preocupações recorrentes sobre o fiscal.


… Nesta 5ªF, o tom de campanha eleitoral do presidente Lula, em entrevista a emissoras de rádio da Bahia, reforçou as desconfianças de que ele, cada vez mais, tende a insistir em um discurso e medidas que possam melhorar sua popularidade para 2026.


… Disse que “a economia vive o seu melhor momento”, que “a inflação está totalmente controlada”, culpou a “arapuca armada por RCN pela alta do dólar” e pediu ajuda do consumidor para que os preços dos alimentos sejam reduzidos.


… “Se você vai no supermercado e vê que um produto está caro, não compre, a população tem que se educar. Para que a mercadoria não estrague, o supermercado vai baixar o preço.” O apelo foi muito explorado pela oposição nas redes sociais.


… No diagnóstico, Lula acertou, reconhecendo que existe uma demanda maior com o aumento do salário mínimo acima da inflação e da massa salarial, mas continuou prometendo mais dinheiro, com a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais.


… “A gente vai apresentar essa proposta e tenho certeza de que a Câmara e o Senado vão aprovar, porque todo mundo está preocupado com a melhoria da qualidade de vida do povo.” Sem dar detalhes, disse que essa conta recairá “nas pessoas mais ricas”.


… Para cobrir esse custo, a Fazenda propõe uma alíquota mínima para quem tem renda acima de R$ 50 mil e não é tributado.


… O presidente ainda revelou que, nos próximos dias, o governo federal anunciará mais medidas para o aumento do crédito, dizendo que isso já foi conversado com os bancos públicos. Voltou a defender que “o dinheiro tem que circular no País”.


… Por fim, Lula previu que o PIB deve crescer 3,5% ou 3,7% este ano, contra as projeções de desaceleração do mercado financeiro.


… O mercado até pode se acostumar a separar o que é fumaça (retórica política) do que é fato, mas as declarações do presidente causam insegurança sobre a política fiscal e acabam tendo impacto nas expectativas de inflação, nos juros e no câmbio.


… Nesta 5ªF, o dólar retomou a queda, devolvendo o prêmio atribuído ao risco Trump, mas poderia estar mais barato se o horizonte fosse menos incerto no cenário doméstico. Já na curva de juros, Lula fez pressão nos contratos de longo prazo (abaixo).


MAIS AGENDA – O IGP-DI (8h) deve desacelerar a alta em janeiro para 0,11%, na mediana das estimativas de pesquisa Broadcast, entre o piso de -0,10% e o teto de 0,29%. Em dezembro, o indicador subiu 0,87%.


… Às 15h, o MDIC divulga a balança comercial de janeiro, que deve mostrar superávit de US$ 3,0 bilhões, após saldo positivo de US$ 4,803 bilhões em dezembro. As projeções variam de US$ 2,6 bilhões a US$ 3,8 bilhões.


BRADESCO – A previsão é de lucro líquido de R$ 5,344 bilhões no 4Tri, segundo a média das estimativas das sete casas consultadas pela AE (BTG Pactual, BofA, Itaú BBA, Citi, Safra, JPMorgan e XP), o que marcaria um crescimento de 85,7% sobre o 4Tri/2023.


AMAZON – A ação caiu 4,05% no after hours, apesar de o lucro líquido de US$ 20 bilhões no 4Tri ter superado as expectativas, vindo quase no dobro do registrado em igual período de 2023. O lucro por ação, de US$ 1,86, ficou bem acima da previsão da FactSet (US$ 1,49).


… Apesar disso, a estimativa do guidance de vendas para 2025, na faixa entre US$ 151 bilhões e US$ 155 bilhões, frustrou as estimativas.


PAYROLL – O relatório do emprego nos Estados Unidos em janeiro deve indicar a criação de 170 mil vagas, de acordo com projeções do Broadcast, mas o resultado pode ter a leitura relativizada pelos eventos climáticos, que voltam a influenciar.


… Caso se confirme, o número representará uma desaceleração, depois da criação de 256 mil postos em dezembro, com a mediana das estimativas apontando para um aumento de 0,3% no salário médio por hora e taxa de desemprego mantida em 4,1%.


… Segundo o Morgan Stanley, os incêndios florestais na Califórnia podem subtrair até 40 mil vagas e a temperatura mais fria que assolou várias áreas do território americano na segunda semana de janeiro pode ter um efeito negativo de até 30 mil postos.


… O Goldman Sachs tem uma estimativa mais moderada para o impacto dos incêndios e do frio, com 20 mil postos retirados de janeiro.


… Já o BMO Capital observa que, se os dados reforçarem a narrativa de que o mercado de trabalho está em uma base sólida, devem dar ao Fed argumentos para continuar a batalha contra a inflação, sem a preocupação com uma deterioração mais acentuada do emprego.


… Nesta semana, a pesquisa ADP apontou a criação de 183 mil empregos em janeiro no setor privado dos EUA, acima do esperado, e com dezembro revisado em alta. Já o relatório Jolts mostrou queda na abertura de postos de trabalho para 7,600 milhões em dezembro.


… Ontem, os pedidos semanais de auxílio-desemprego indicaram uma possível desaceleração da atividade americana, o que, em conjunto com outros dados, contribui para a percepção de que o Fed possa retomar os cortes dos juros mais cedo (abaixo).


SENTIMENTO DO CONSUMIDOR – Outro indicador importante na agenda dos EUA, o índice de sentimento do consumidor medido pela Universidade de Michigan (12h) tem previsão de subir para 72,0 em fevereiro (estimativa preliminar), contra 71,1 em janeiro.


… O índice traz também as expectativas para a inflação em 1 ano (3,3% em janeiro) e 5 anos (3,2%).


FED GIRLS – Michelle Bowman discursa às 11h25 (Brasília) e Adriana Kugler, às 14h.


… No final do dia, Lorie Logan (Fed/Dallas) afirmou em painel do Bis que o arrefecimento do mercado de trabalho pode evidenciar que é hora de o Fed cortar os juros. Ela também destacou a inflação próxima de 2% nos Estados Unidos.


… Mais cedo, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) disse que uma economia de pleno emprego com sólido crescimento e inflação em queda permitirá que o Fed continue cortando os juros, embora em ritmo mais lento com as incertezas sobre o impacto de tarifas.


… Um estudo do Fed/Boston calculou que, se as tarifas do Canadá (25%), México (25%) e China (10%) forem realmente implementadas, podem ter um impacto de 0,50 a 0,80 ponto porcentual por ano no índice de preços de gastos com consumo (PCE).


OUTROS INDICADORES – Ainda nos EUA, saem estoques no atacado (12h) e crédito ao consumidor (17h), ambos de dezembro.


JÁ ESTÁ NO PALANQUE – Não costumam cair bem para os negócios as cartadas populistas de Lula, já de olho em 2026. Os ruídos de ontem podem até não passar de jogos de cena para a torcida. Mas levantam a lebre.


… A ponta mais longa da curva do DI, que melhor reflete a percepção de risco dos investidores estrangeiros, exibiu viés de alta: Jan/29 a 14,665% (de 14,645%); Jan/31, a 14,640% (14,590%); e Jan/33, 14,580% (14,540%).


… Já os contratos mais curtos ainda conseguiram aliviar junto com o dólar abaixo de R$ 5,80. O DI para janeiro de 2026 marcou 14,930% (de 14,965% no fechamento anterior) e o Jan/27 terminou a 15,000% (de 15,020%).


… Depois de ter quebrado a sequência de doze quedas, o dólar já retomou ontem a trajetória de baixa, ajudado pelo avanço nos preços do minério na China e fluxo cambial positivo, segundo traders.


… Exportadores teriam aproveitado a alta pontual do pregão de 4ªF para entrar vendendo de novo, o que levou a moeda norte-americana a fechar com desvalorização de 0,52%, cotada a R$ 5,7639. Mas dizem que tem piso.


… “O que impede o dólar de cair ainda mais é a preocupação com o risco fiscal elevado. Vejo um suporte muito forte em R$ 5,70”, disse ao Broadcast Ricardo Chiumento, superintendente da mesa de derivativos do BS2.


… Em relatório, a XP Investimentos também não se mostra convencida de que a apreciação rápida do real vem para ficar e alerta que a valorização recente tem bases frágeis. A corretora mantém a projeção R$ 6,20 no ano.


… “As incertezas em torno da política fiscal e parafiscal persistem e tendem a se intensificar à medida que o ano eleitoral se aproxima. O cenário de inflação segue desafiador, com expectativas divergindo da meta do Copom.”


… No cenário externo, o principal risco está na intensidade das políticas comerciais do novo governo dos EUA.


VALE QUANTO PESA – Principal motor do Ibovespa para a reconquista da marca dos 126 mil pontos, Vale saltou 1,51% e voltou a ser cotada acima do preço de tela de R$ 55, a R$ 55,13, impulsionada por dois gatilhos.


… Além de ter colado na alta do minério de ferro (+1,43%), os papéis refletiram a participação de 50% que a mineradora adquiriu da siderúrgica chinesa Baoshan Iron & Steel Co na Baoval, por valor não revelado.


… Considerado por muita gente barato e atraente ao capital externo de curto prazo, o Ibovespa fechou com valorização de 0,55%, aos 126.224,74 pontos, e volume financeiro fraco, limitado a só R$ 19 bilhões.


… Além de Vale, outro ponto de apoio à bolsa foram os bancos, que fecharam majoritariamente no campo positivo. À espera do balanço desta manhã, Bradesco registrou +1,38% (PN, a R$ 12,48) e +1,08% (ON; R$ 11,23).


… Itaú teve inicialmente performance negativa, devido ao guidance conservador em seu resultado do 4Tri, mas deu tempo de se recuperar levemente (+0,18%; R$ 34,17), com a reavaliação dos investidores sobre o balanço.


… Banco do Brasil registrou valorização de 1,15% (R$ 28,15). Já Santander perdeu 0,30%, a R$ 27,00.


… Os ativos da Petrobras também recuaram, contaminados pela virada negativa do petróleo. Petrobras ON perdeu 0,60% (R$ 39,97) e Petrobras PN caiu 0,19% (R$ 36,79). Lá fora, o Brent/abril recuou 0,42%, a US$ 74,29.


… A commodity enfraqueceu com o vazamento na imprensa britânica de um suposto plano de paz de Trump, que estaria tentando pressionar Volodymyr Zelensky a aceitar um cessar-fogo com a Rússia até a Páscoa.


… As perdas do barril, porém, foram limitadas pelo anúncio do Tesouro americano de mais uma rodada de sanções contra o Irã, tendo como alvo uma rede facilitadora de transporte do petróleo e energia do país.


… O maior ganho do pregão no Ibovespa foi de Raízen, com +8,28%, a R$ 1,83, beneficiada pela notícia de que estuda aumentar o capital para aliviar a dívida da Cosan, que, por sua vez, subiu 1,86% (R$ 7,65).


… Em seguida no ranking, Magalu disparou 7,41% (R$ 7,39); Cogna, +7,14% (R$ 1,50); e Yduqs, + 4,11% (R$ 10,39). Nas maiores perdas: Automob (-6,90%; R$ 0,27), Embraer (-2,82%; R$ 64,50) e Vamos (-2,29%; R$ 4,27).


A LEI DO MAIS FORTE – Duas declarações ontem em NY, uma do governo Trump e outra de um dirigente do Fed, defenderam a supremacia do dólar, em meio às incertezas sobre a política de tarifas nos EUA e o rumo do juro.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, avisou que Washington vai preservar a política do dólar forte, que segue “intacta”, para evitar que outros países enfraqueçam suas moedas artificialmente e manipulem o câmbio.


 … De seu lado, Christopher Waller (Fed) não espera que o dólar perca a sua posição dominante como reserva de valor global e disse que vários fatores contribuem para a primazia da moeda norte-americana.


… “Os EUA são a economia mais vibrante do mundo, temos mercado de capital profundamente líquido,  certamente o de Treasuries, e boa conexão com outras economias mundiais”, enumerou o dirigente.


… Na contagem regressiva para o payroll, o índice DXY, termômetro do dólar contra rivais fortes, ensaiou leve alta de 0,10%, a 107,689 pontos. O peso mexicano subiu a 20,4822/US$, apesar de o Banxico ter cortado juro.


… O BC mexicano reduziu a taxa básica em meio ponto, para 9,50% ao ano, mas alertou que o protecionismo econômico de Trump aumenta as incertezas nas projeções de novos cortes de juro da mesma magnitude.


… A consultoria Capital Economics reconhece que o risco de tarifas maiores dos EUA sobre o México fecharia a porta ao ciclo de flexibilização, mas acredita que o Banxico se manterá dovish e reduzirá o juro até 8,5% (-1pp).


… Em outra decisão de política monetária ontem, o BC inglês (BoE) decidiu por unanimidade cortar os juros pela terceira vez desde agosto, de 4,75% para 4,50%, e sinalizou mais duas doses de desaperto à frente.


… A libra perdeu 0,51%, a US$ 1,2438, o euro caiu 0,14%, a US$ 1,0387, e o iene subiu 0,80%, a 151,52/US$.


… Nos EUA, que têm no centro do debate as chances de o Fed cortar o juro uma ou duas vezes este ano, os pedidos de auxílio-desemprego registraram alta de 11 mil, para 219 mil, acima do previsto (213 mil).


… Se também o payroll confirmar hoje os sinais de desaquecimento do mercado de trabalho, o mercado pode começar a especular cada vez mais fortemente com a possibilidade de queda total de 50pb do juro este ano.


… Dividido entre os próximos passos do Fed e os relatos de potencial plano de paz de Trump para a guerra da Ucrânia, os juros dos Treasuries operaram perto da estabilidade, preferindo ainda não arriscar antes do payroll.


… A taxa da Note de dois anos fechou a 4,210%, contra 4,186% na véspera. O rendimento do bônus de 10 anos encerrou a 4,438%, de 4,428%, enquanto o T-bond de 30 anos pagou 4,645%, contra 4,648% no pregão anterior.


… Nas bolsas em NY, o bom desempenho do setor de tecnologia impulsionou o Nasdaq (+0,51%, a 19.791,99 pontos). Os demais índices de ações registraram oscilações levemente mais moderadas antes do payroll.


… O índice Dow Jones caiu 0,28%, a 44.747,63 pontos, e o S&P 500 avançou 0,36%, para 6.083,57 pontos.


EM TEMPO… MULTIPLAN teve lucro líquido de R$ 512,477 milhões no 4Tri, alta de 69,4% contra o mesmo período de 2023. O Ebitda somou R$ 666,459 milhões, crescimento de 69,6% na mesma base de comparação…


… A receita líquida totalizou R$ 936,302 milhões, alta de 64,1%.


GRUPO CCR reportou lucro líquido ajustado de R$ 360 milhões no 4Tri. O montante representa uma queda de 8,6% ante a cifra registrada no mesmo período de 2023…


… O Ebitda ajustado consolidado da companhia somou R$ 2,017 bilhões, alta anual de 5,2%. A receita líquida ajustada consolidada foi de R$ 3,790 bilhões. O número é 9,2% maior quando comparado a um ano antes.


EMBRAER confirmou a oferta de US$ 650 mi de bonds com vencimento em 2035 e juro anual de 5,980%.


TENDA informou que o Morgan Stanley, representado por suas subsidiárias, atingiu uma participação de 6.225.252 ações ordinárias, correspondentes a 5,08% do total dessa classe de ação.


ULTRAPAR pretende investir R$ 2,542 bilhões neste ano de 2025, R$ 136 milhões a menos em comparação ao plano divulgado em 2024. A queda decorre, principalmente, da conclusão de expansões da Ultracargo.


EQUATORIAL. O volume de energia distribuída no 4Tri subiu 3,6% na comparação anual, para 15.365 GWh. O volume de energia injetada teve crescimento anual no período de 2%, para 18.473 GWH.


AMAZONAS ENERGIA. A diretoria da Aneel discute hoje, em reunião administrativa extraordinária e interna, a transferência de controle da companhia, segundo antecipou ao Estadão/Broadcast uma fonte do regulador.


SANTOS BRASIL. O número de contêineres movimentados subiu 11,9% em janeiro contra o mesmo período de 2024, para 125.417 unidades, segundo dados operacionais.


BRASILAGRO registrou prejuízo líquido de R$ 19,625 milhões no 2Tri do ano agrícola 2024/25, encerrado em 31 de dezembro. O resultado representa um aumento de 237% no prejuízo em relação ao mesmo período de 2023.


AGROGALAXY. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) determinou que créditos garantidos por cessão fiduciária de recebíveis e bens móveis não se submetem à recuperação judicial…


… A decisão favorece o Itaú, Banco Daycoval, Banco Votorantim e Corteva Agriscience, que conseguiram excluir seus créditos do processo de reestruturação da dívida da empresa, estimada em R$ 4,6 bilhões.

O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor

  O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor Em dezembro, taxas reais ultralongas chegaram a operar abaixo de 7%, mas foram afetadas pela pi...