terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Cérebros em Fuga: A Desvalorização dos Doutores e o Abismo no Mundo do Trabalho



 Cérebros em Fuga: A Desvalorização dos Doutores e o Abismo no Mundo do Trabalho


🇧🇷 O Brasil vive um cenário desafiador: enquanto as agências de fomento ampliam a formação acadêmica para impulsionar a inovação, o título de doutor sofre forte desvalorização. O que deveria ser o ápice da carreira intelectual tornou-se, para muitos, sinônimo de incerteza econômica e subutilização profissional.

🔍 1. O Teto de Vidro da Empregabilidade
🏢 Um dos principais entraves é a dificuldade de inserção no mercado privado. Historicamente, o doutorado no Brasil foi estruturado para a docência universitária pública. Com a redução de concursos e restrições orçamentárias, muitos doutores passam a viver em um limbo profissional.

📊 Dados da FAPESP (2024) mostram que a proporção de doutores com emprego formal dois anos após a titulação caiu de 75,8% em 2010 para cerca de 65% em 2021/2022, indicando que um em cada três não se insere rapidamente no mercado.

✈️ 2. A Fuga de Cérebros e o Sucateamento das Bolsas
💸 A desvalorização também é financeira. Apesar do reajuste das bolsas da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do CNPq em 2023, após anos de congelamento, os valores não recuperaram o poder de compra perdido, afetado por uma inflação acumulada superior a 66% entre 2013 e 2022.

🌍 Consequência: em 2025, o Brasil seguiu registrando aumento na saída de profissionais altamente qualificados. Estima-se a perda de cerca de 6,7 mil cientistas, transformando anos de apoio público à educação e à pesquisa em ganhos para outros países.

🏛️ 3. A Concentração no Setor Público
🏭 Diferente de países da hashtagOCDE, onde doutores são absorvidos pela indústria e por centros privados de P&D, no Brasil a maioria ainda depende do Estado para atuar profissionalmente.

📉 Contraste: enquanto países desenvolvidos investem mais de 2,5% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento, o Brasil permanece em torno de 1,19% (dados de 2023/2024). Sem forte demanda da indústria por inovação, o doutorado é visto como excesso de qualificação, com salários incompatíveis com mais de uma década de formação.

⚠️ A desvalorização do doutorado demonstra uma crise no reconhecimento social da ciência no Brasil. O distanciamento entre universidade, Estado e mercado transformou a alta especialização em algo pouco estratégico.

🔄 O problema não está nos doutores, mas na incapacidade do país de integrar a ciência aos seus processos produtivos e decisórios. Superar esse cenário exige recolocar a ciência no centro do projeto nacional, reconhecendo o doutorado como motor de inovação e desenvolvimento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Bruce Barbosa

  Brasil: 78º lugar em produtividade mundial. De 131 países. Solução do governo: Trabalhar menos horas - mudar a 6 x 1. --- Claro. Porque o ...