segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Jonas Frederighi

 Desde já, o meu candidato. Não tem outro melhor. 



O depoimento de Tarcísio ao Estadão captura bem o constrangimento histórico: um país do tamanho do Brasil, com fronteira, comércio e influência regional, terminou assistindo de camarote à implosão do regime venezuelano — e, pior, com o Executivo brasileiro reagindo tardiamente, sem liderança e em rota de colisão com o sentimento predominante na região. Na leitura dele, a queda de Maduro encerra “um ciclo ruim” e reabre uma janela de reconstrução institucional; o Brasil, em vez de conduzir uma transição negociada, teria escolhido a omissão e a camaradagem política com o chavismo, pagando o preço de virar coadjuvante.


O raciocínio central é forte porque conecta três camadas: (1) a Venezuela como caso-limite de deterioração institucional e empobrecimento, (2) o impacto regional de um regime acusado de simbiose com o crime (narcotráfico como “chaga” geopolítica) e (3) o custo estratégico da inércia brasileira. Essa crítica ecoa uma expectativa clássica de potência regional: quando o vácuo é deixado, alguém ocupa — e, aí, a forma tende a ser mais traumática do que o conteúdo. O ponto mais duro é o rótulo de “irrelevância”: a tese é que a ausência de protagonismo não foi neutra; foi uma escolha que empurrou os acontecimentos para fora do controle regional.

Na conclusão, vale amarrar o que o debate costuma varrer para debaixo do tapete: a convergência político-ideológica que marcou ciclos de proximidade Brasília–Caracas e o “ecossistema” de relações que orbitou esse eixo. Houve, sim, políticas de aproximação, financiamento e obras que viraram símbolos — como o financiamento do BNDES para projetos do metrô de Caracas, relatado na imprensa à época , além do histórico contencioso em torno da refinaria Abreu e Lima/PDVSA . Houve também o elemento eleitoral-comunicacional: delações e reportagens apontaram pagamentos ilegais ligados à campanha de Chávez em 2012 envolvendo publicitários brasileiros, com Maduro citado como operador de entregas em dinheiro . Esse pano de fundo explica por que a narrativa de “surpresa” não convence: muita coisa foi documentada, debatida e — em vários casos — judicializada.

Em 2022, o TSE determinou remoções de conteúdos considerados ofensivos ou desinformativos contra Lula (com multas que chegaram a R$ 100 mil ao dia em casos específicos) ; e há decisões que, explicitamente, tratam como falsos áudios e postagens que falavam em “acordos” com Maduro e outros líderes regionais . Defensores enxergam proteção da integridade eleitoral; críticos veem um filtro que, na prática, estreitou associações políticas que hoje aparecem de novo no centro do debate. O chamado final, então, é simples e difícil de rebater: transparência total sobre a relação Brasil–chavismo (contratos, financiamentos, interlocuções), auditoria séria do que foi feito em nome de “integração regional” e coragem institucional para encarar o óbvio — ditaduras não caem sozinhas, e democracias não se preservam no piloto automático.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Venezuela abre semana do payroll*


Ainda na sexta-feira, sai o IPCA de dezembro


… O petróleo operava estável no fim da noite deste domingo, depois da captura relâmpago do presidente venezuelano, Nicolas Maduro. Apesar da turbulência geopolítica, a Opep+ confirmou ontem a aposta de não mexer na produção. Os mercados globais abrem sob a cautela da ofensiva de Trump, mas alguns profissionais de mercado não descartam impacto moderadamente positivo nos negócios domésticos. A operação militar agita o início da semana importante em indicadores, com destaque na agenda para o payroll e o IPCA de dezembro na sexta-feira. O Conselho de Segurança da ONU convocou reunião de emergência para hoje (12h), que terá participação do Brasil.


WELCOME TO THE JUNGLE – Na reação ao interesse estratégico norte-americano, que prevaleceu sobre a soberania venezuelana, Lula foi confrontado a responder à ação, mas fez uma ginástica para evitar atrito direto com Trump.


… Em publicação no X, não citou nominalmente o presidente dos Estados Unidos, mas condenou os atos.


… Disse que “ultrapassam uma linha inaceitável, numa afronta gravíssima à soberania e precedente extremamente perigoso a toda a comunidade internacional”, mas disse que o Brasil “segue à disposição para promover o diálogo”.


… O governo Lula, que não chancelou as eleições que mantiveram Maduro no poder, vem tentando se colocar como interlocutor entre a Venezuela e os Estados Unidos, até agora sem respaldo, porém, de nenhuma das partes.


… No domingo, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram um comunicado conjunto, manifestando “profunda preocupação” com as ações que ameaçam a estabilidade da América Latina.


… Em ano eleitoral, o que se vê é Lula tentando modular o tom nesta crise internacional, já antecipando que a pauta da derrubada do regime de Maduro pelos americanos deverá ser amplamente explorada pela oposição em Brasília.


… Politicamente, a direita e o Centrão vão colar a imagem de Lula à ditadura venezuelana, acirrando a polarização.


… Em relação aos reflexos da crise sobre os mercados globais, analistas preveem, no máximo, volatilidade momentânea sobre o petróleo, já que hoje a Venezuela produz apenas 1% de toda a commodity global.


… A importância econômica do país diminuiu significativamente nos últimos 50 anos, considerando que, na década de 1970, a produção correspondia a 8% da oferta global, com 3,5 milhões de bpd contra 1 milhão atualmente.


… Apesar de estar em guerra declarada com o narcotráfico, Trump admitiu após a captura de Maduro o interesse no petróleo e disse que o governo de transição será bancado pelas exploração das maiores reservas do mundo.


CAIU DE MADURO – Sem dar mais detalhes e nem prazos, Trump disse que as forças de segurança dos Estados Unidos vão permanecer na Venezuela “até uma transição segura, adequada e criteriosa”, e alertou a vice de Maduro.


… Disse para a revista The Atlantic que Delcy Rodríguez pode pagar um preço maior do que o líder deposto “se não fizer o que é certo”, horas depois de ela ter dito que a Venezuela defenderia os seus recursos naturais.


… A bordo do Air Force One, na noite deste domingo, Trump disse que os EUA “estão no comando” da Venezuela.


… O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, enfatizou que o governo de Washington manterá o bloqueio sobre as exportações de petróleo venezuelano com o objetivo de “enquadrar” a vice de Maduro.


… As Forças Armadas da Venezuela reconheceram a posse de Delcy como presidente interina do país.


… Já a oposição venezuelana afirma que o presidente de direito é o exilado Edmundo González Urrutia. Trump afastou a chance de a líder da oposição e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, assumir o cargo.


… A deposição de Maduro levanta a lebre sobre até onde Trump está disposto a ir na política externa. “O que aconteceu na Venezuela poderá acontecer com outros que não sejam justos com seu povo”, disse o republicano.


… Potencial próxima da lista, a Colômbia foi classificada de “vizinho doente que gosta de vender cocaína aos Estados Unidos”. No aviso em dois, Trump disse de que o presidente colombiano, Gustavo Petro, “não ficará muito tempo”.


… Também paira um alerta sobre uma possível intervenção no Irã para tirar à força o líder supremo Ali Khamenei.


… Aliada do regime de Maduro e importante compradora de petróleo da Venezuela (80% do volume produzido por lá), a China pediu a libertação imediata do líder venezuelano, levado para um centro de detenção federal em NY.


… Apesar de Pequim condenar a ação, Trump disse que a Venezuela não atrapalha o “bom relacionamento” com Xi.


EFEITO CARACAS – O mercado acredita que o ataque à Venezuela deve ter impacto neutro a positivo por aqui.


… Para o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, a operação reforça a percepção de que a América Latina caminha para “liberdade econômica e desenvolvimento através do setor privado, e não do estatismo ou do populismo”.


… Otimista, ele disse ao Broadcast que a prisão de Maduro tende a destravar fluxos de capital de médio e longo prazo, com expectativa é de que a entrada de dólares derrube os juros locais e sustente o Ibovespa.


… Na avaliação do economista-chefe da Equador Investimentos, Eduardo Velho, dificilmente haverá escalada no conflito e a operação militar encerra as incertezas sobre quando os Estados Unidos iriam atacar a Venezuela.


MAIS AGENDA – Ponto alto da semana, o payroll de dezembro, atrasado pelo shutdown, sai na sexta-feira e, antes dele, a situação do emprego será conferida na quarta-feira pelo relatório Jolts e pesquisa ADP do setor privado.


… A aposta principal e ampla do mercado é de que o Fed não mexerá no juro agora em janeiro. No sábado, a dirigente Anna Paulson sugeriu cortes mais adiante e disse estar “cautelosamente otimista” com o alívio da inflação.


… Hoje, ao meio-dia, sai nos Estados Unidos o PMI industrial de dezembro medido pelo ISM.


BIG TECHS – Entram no radar dos investidores hoje os discursos dos CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da AMD, Lisa Su, em evento em Las Vegas, que podem direcionar as expectativas do mercado financeiro para o setor de chips.


ZONA DO EURO – Tem inflação do CPI de dezembro na quarta-feira e o índice de preços ao produtor (PPI) no dia seguinte. Amanhã, o PMI composto é destaque no bloco europeu, na Alemanha e no Reino Unido.


UCRÂNIA X RÚSSIA – Ao longo da semana, estão marcadas conversas em Paris para discutir um plano de paz e garantias de segurança. As negociações contarão com a presença de Zelensky e de lideranças europeias.


… Questionado por um jornalista sobre a ação na Venezuela, o presidente ucraniano disse que, “se é possível lidar assim com ditadores, então os EUA sabem o que fazer a seguir”, sugerindo uma possível intervenção na Rússia.


OPEP+ – Seguindo à risca o entendimento de novembro, quando os membros concordaram em suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março, o cartel e seus aliados confirmaram a pausa neste domingo.


… A decisão ocorre após os preços do petróleo terem caído quase 20% no ano passado, a maior queda anual desde 2020, em meio a preocupações crescentes com o excesso de oferta. A Opep+ volta a se reunir dia 1 de fevereiro.


CHINA HOJE – A atividade do setor de serviços cresceu no ritmo mais lento em seis meses em dezembro. O PMI/S&P Global caiu para 52,0, de 52,1 no mês anterior, menor valor desde junho, mas ainda em território de expansão.


… Na noite de quinta-feira (22h30), o foco de interesse se volta para a inflação chinesa (CPI e PPI) de dezembro.


JAPÃO HOJE – O PMI industrial medido pelo setor privado avançou de 48,7 pontos em novembro para 50 pontos em dezembro. O resultado encerrou um período de cinco meses de contração da atividade econômica no país.


AQUI – Interessam o IPCA de dezembro, na sexta-feira, e a produção industrial de novembro, na quinta-feira, enquanto o emprego forte pressiona a inflação de serviços e consolida as apostas de corte da Selic só em março.


… Hoje, sai o IPC-S de dezembro, às 8h, que deve desacelerar para 0,22%, após alta de 0,28% em novembro. Os recuos esperados para alimentos e passagens aéreas devem aliviar os preços. As projeções vão de 0,21% a 0,30%.


… Ainda segundo pesquisa Broadcast, a mediana das estimativas do mercado indica para esta segunda-feira, às 15h, um superávit comercial de US$ 7,1 bilhões em dezembro, após saldo positivo de US$ 5,842 bilhões em novembro.


… As previsões para esta leitura da balança comercial variam de US$ 5,0 bilhões a US$ 8,0 bilhões.


… Na quinta-feira, Lula realiza evento no Palácio do Planalto para lembrar os ataques golpistas de três anos atrás.


SEM PRESSÃO – Depois do tombo de 1,43% na última sessão de 2025, o dólar continuou ladeira abaixo no primeiro dia de negócios de 2026, e fechou em baixa de 1,16%, a R$ 5,4256. No acumulado da semana, recuou 1,91%.


… O movimento nesses dois dias foi visto por operadores como um ajuste técnico, com o câmbio se acomodando ao novo cenário eleitoral e agora livre da pressão sazonal de remessas de lucros para o exterior.


… Afinal, boa parte da alta de 2,89% da moeda em dezembro foi provocada pelo “Flávio Day” e seus desdobramentos, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência sendo ratificada por seu pai.


… O alívio no câmbio também reflete o quadro de carry trade favorável por mais tempo. Os dados resilientes de emprego divulgados no apagar das luzes de 2025 enterraram as apostas de início de corte da Selic em janeiro.


… A queda expressiva do dólar determinou o comportamento dos juros futuros, em uma sessão de liquidez reduzida, sem novidades no noticiário político e sem indicadores econômicos relevantes.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,700%, na mínima do dia (de 13,803% no ajuste anterior); Jan/29, 13,060% (de 13,192%); Jan/31, 13,330% (de 13,472%); e Jan/33, 13,455% (de 13,589%).


FILÉ MAL-PASSADO – As ações de frigoríficos pesaram sobre o Ibovespa no primeiro pregão do ano. O mercado não digeriu bem a decisão do governo chinês de estipular cotas de importação de carne bovina de vários países.


… No caso do Brasil, principal fornecedor da China, a cota será de 1,106 milhão de toneladas neste ano. É 26% menor que o montante exportado do Brasil em apenas 11 meses de 2025 (1,499 milhão de toneladas).


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,36%, aos 160.538,69 pontos, com giro expressivo para essa época do ano, de R$ 24 bilhões. Na semana, o índice fechou estável (+0,05%).


… Minerva ON (-6,77%, a R$ 5,37) foi a maior queda do índice, enquanto MBRF ON (-1,70%, a R$ 19,64) reduziu as perdas perto do fechamento, mas ainda ficou no vermelho. Em NY, a ação da JBS caiu 1,66% (US$ 14,18).


… A lista de maiores baixas trouxe ainda Cyrela ON (-3,77%, a R$ 23,96), que anunciou novas ações PN conversíveis e resgatáveis, além de um aumento de capital de R$ 2,5 bilhões; e Direcional ON (-3,47%, a R$ 13,63).


… Entre as blue chips de commodities, Petrobras ON (-0,83%, a R$ 32,30) e PN (-0,36%, a R$ 30,71) seguiram o sinal negativo do petróleo. Vale ON (+0,58%, a R$ 72,38) oscilou bastante, mas terminou no positivo.


… As ações de grandes bancos fecharam majoritariamente em baixa: Itaú PN (-0,15%, a R$ 39,15); BB ON (-1,09%, a R$ 21,68); e Santander Unit (-0,97%, a R$ 33,73). Já Bradesco PN subiu 0,16% (R$ 18,22).


… Na lista de maiores altas do índice figuraram GPA ON (+4,21%, a R$ 3,96); SLC Agrícola ON (+3,67%, a R$ 14,79) e CVC ON (+1,85%, a R$ 2,20).


SEGUROU A ONDA – As bolsas americanas não definiram tendência na primeira sessão de 2026, com investidores cautelosos, à espera do nome do substituto de Jerome Powell e de novos dados da economia.


… O Dow Jones começou o ano em alta de 0,66% (48.382,39 pontos); o S&P 500 subiu 0,19% (6.858,47), enquanto o Nasdaq ficou de lado (-0,03%, 23.235,63 pts). Na semana, os índices caíram 0,67%, 1,03% e 1,51%, respectivamente.


… Entre os destaques negativos do dia, Tesla caiu 2,59% após perder a liderança mundial nas vendas de veículos elétricos para a chinesa BYD. A companhia de Elon Musk entregou menos carros do que o esperado no 4TRI25.


… Já Intel (+6,72%) ficou entre as maiores altas, embalada pela expectativa do lançamento do novo chip “Panther Lake”. Outras fabricantes de chips pegaram carona na rival: Micron (+10,5%) e AMD (+4,35%).


… Tirando Nvidia (+1,26%) e Alphabet (+0,69%), o primeiro pregão de 2026 foi ruim para as sete magníficas. Além da Tesla, caíram Microsoft (-2,21%), Amazon (-1,87%), Meta (-1,47%) e Apple (-0,31%).


… No câmbio, o dólar subiu frente aos pares (DXY, +0,15%, aos 98,472 pontos) diante da expectativa de manutenção dos juros pelo Fed em janeiro, com o euro em baixa de 0,26% (US$ 1,1717) e a libra em -0,12% (US$ 1,3451).


DE LADO – O petróleo fechou em leve baixa na 6ªF, em sessão de poucos negócios, com o investidor monitorando as tensões geopolíticas (horas antes do ataque-surpresa à Venezuela) e em compasso de espera pela reunião da Opep+.


… O Brent para março recuou 0,16% na ICE, para US$ 60,75 o barril. Na semana, ganhou 0,26%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – As ações da União Pet, resultante da fusão da PETZ e Cobasi, começarão a ser negociadas na B3 nesta segunda-feira (5), sob o código AUAU3.


TIM anunciou a retificação do valor bruto por ação a ser pago como JCP até 30 de junho deste ano, de R$ 0,1755 por ação para R$ 0,1757; montante total de R$ 420 milhões permanece inalterado.


CNS. Transnordestina Logística (TLSA), empresa do grupo, nomeou Ismael Trinks como diretor-presidente, diretor de administração e finanças e diretor de RI, em substituição a Tufi Daher Filho, que ocupava os cargos anteriormente…

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,2% US tech -0,2% US semis +4% UEM +1% España +1,1% VIX 14,5% Bund 2,90% T-Note 4,18% Spread 2A-10A USA=+71pb B10A: ESP 3,34% PT 3,20% FRA 3,62% ITA 3,57% Euribor 12m 2,245% (fut.2,462%) USD 1,169 JPY 183,6 Ouro 4.420$ Brent 60,4$ WTI 56,9$ Bitcoin +3,9% (92.427$) Ether +4,2% (3.156$).


SESSÃO: A atividade regressa, acompanhada da abundante macro provavelmente positiva e petróleo mais barato da Venezuela. Provável subida mais energética do que os futuros indicam à primeira hora (+0,5% Europa e +0,2% Wall St.). Poderíamos pensar em, no mínimo, +1%, e a tecnologia mais, tanto pelo FOMO como pela mudança na Venezuela tornar o petróleo mais barato (menos custos, menos inflação) e permite pensar em investimentos para reconstruir a sua economia.


Wall St. +16% em 2025, +23% em 2024 e +24% em 2023… e essa inércia favorece uma abertura em alta em 2026, pelo menos enquanto não surgem ameaças imediatas. As 3 principais chaves são a IA, as descidas de taxas de juros da Fed e lucros empresariais expansivos de duplo dígito baixo, em termos gerais. As notícias sobre a IA continuam a empurrar o mercado a curto prazo (semis +4% na sexta-feira), embora possa chegar a tornar-se um presente envenenado à medida que o ano avança, se alguma das empresas especializadas no seu desenvolvimento saírem à bolsa com avaliações ambiciosas. Mas isso ainda não aconteceu e sobram meses de tranquilidade relativa até então. De momento, na sexta-feira (2), Biren, designer de chips para IA, saiu à bolsa em HK a duplicar o seu preço de OPV (42,9HK $ vs. 19,60HK $ de saída).


A frente macro reativa-se esta semana, com inflação europeia e emprego americano com eixos principais, embora acompanhados de outros indicadores não tão influentes, mas também influentes: Sentimento Investidor na Europa, enquanto nos EUA teremos ISM Industrial, Custos Laborais, Produtividade e Ganhos Pessoais. De que forma esta macro abundante influenciará? Provavelmente em positivo, porque a inflação europeia irá retroceder (+2,0% vs. +2,1%), embora não seja fácil interpretar o emprego americano devido à rutura tenológica que a IA provoca (adiam-se contratações até comprovação dos ganhos de produtividade) e as distorções na receção de dados durante e depois do encerramento do governo. Mas o mercado irá conceder à Fed o benefício da dúvida, mantendo a sua fé em mais descidas de taxas de juros. E a mudança na Venezuela irá tornar o petróleo mais barato, o que reduzirá as escassas tensões inflacionistas e permite pensar numa reconstrução económica que deverá ajudar um pouco o tom do mercado.


CONCLUSÃO: O FOMO (Fear Of Missing Out) continuará a dominar visto que ninguém quer arriscar-se a ficar de fora, porque perder um hipotético arranque de ano em alta pode significar ficar numa posição delicada para o resto do ano, talvez difícil de recuperar. Se subir hoje, pode ser +1%/+2%, e a mudança na Venezuela contribuirá para essa subida, apesar das incertezas em relação aos detalhes.


FIM

domingo, 4 de janeiro de 2026

Personagens do mercado financeiro

 


De Volta ao Jogo


Para quem gosta do mercado financeiro ou para quem trabalha com finanças, recomendo a leitura do livro da Ariane Abdallah, que, como dito no subtítulo, conta “a história de sucesso, dramas e viradas do BTG Pactual”.

A narrativa é instigante, célere e muito interessante. Explica como personagens icônicos dos mercados financeiro e de capitais iniciaram suas carreiras e como se tornaram sócios do banco em distintos momentos da vida da instituição.

Tudo começa no Rio de Janeiro dos anos 1980, quando um banqueiro self-made, um trader fora da curva e um economista com credenciais acadêmicas, Luiz Cezar Fernandes, André Jakurski e Paulo Guedes, respectivamente, fundam uma distribuidora de valores mobiliários, que viria a se destacar por apostas precisas e pela retenção de talentos.

São histórias que envolvem muito trabalho, ousadia, visão de longo prazo, gestão de riscos, planejamento, estudo e muito poder e ambição. Demonstra também o quanto o sistema era (e de certa forma ainda é) um ambiente machista, predominantemente masculino, com pouquíssimas mulheres em posição de destaque.

A autora fez uma pesquisa minuciosa, entrevistou mais de 100 pessoas e trouxe muitas referências de artigos, entrevistas, relatórios e outros documentos públicos.

A história e o crescimento do banco ocorrem em meio a períodos de hiper inflação, crises cambiais, planos econômicos, trocas de moeda, quebra da Bolsa do Rio, graves crises econômicas no Brasil e no mundo e tantos outros momentos históricos.

A trajetória do BTG Pactual reforça como a cultura de "partnership", a agilidade no processo decisório e uma cuidadosa análise de risco foram essenciais para que o banco superasse turbulências e grandes crises, conseguindo se manter relevante no mercado.

A venda do antigo Pactual para o gigante suíço UBS, posteriormente recomprado pelo recém fundado BTG, parece roteiro de filme, de tão improvável. Igualmente espetacular foi como o banco reagiu rapidamente ao que seria a sua maior prova de fogo: a prisão de André Esteves durante a Operação Lava Jato.

O livro é um testemunho da grande capacidade de trabalho dos personagens envolvidos, do faro para identificar oportunidades de negócio, da ousadia para inovar e da disciplina na execução.

Há boas lições sobre empreendedorismo, formação de equipes, gestão de riscos, networking, bem como aprendizados relevantes com os percalços e erros cometidos ao longo da bem sucedida trajetória do banco.

Ao longo da minha carreira em finanças corporativas, tive a oportunidade de conhecer alguns dos personagens citados no livro, mas não conhecia os bastidores dessa história incrível.

Amilton de Aquino

 Sobre a Venezuela, o resumo da ópera é o seguinte: num país democrático, o poder emana do povo. Entre nações a conversa é outra: o poder emana da força.

O problema é que o uso da força tem um custo — em dinheiro, em vidas e na imagem internacional do país que opta por esse caminho. Além disso, esse tipo de decisão pode desencadear reações contrárias e escalar para conflitos maiores, como já vimos tantas vezes na história.
Acontece que, hoje, a porra da maioria dos países é autoritária. Não estão nem aí para o direito internacional. Ponto. No mundo ideal, teríamos as nações mais poderosas dando suporte, com poder militar, ao cumprimento da legislação internacional. Mas o problema é que, entre essas potências, sempre coexistiram democracias e regimes autoritários. Nunca foi possível, portanto, construir consensos duradouros em favor de um mundo regido por regras internacionais, baseadas na democracia.
O que sobrou foram cartas de boa intenção que, no final, só servem para hipócritas — como Lula, aiatolás e Putins da vida — ficarem arrotando soberania enquanto promovem ou dão sustentação à barbárie ao redor do mundo.
Durante décadas, as democracias liberais, capitaneadas pelos EUA, tentaram construir um arcabouço de leis internacionais que garantisse o mínimo de estabilidade global. Durante todos esses anos, a porra da esquerda torceu o nariz para essa tentativa, pois sempre esteve mais interessada em promover as famigeradas ditaduras do proletariado e demonizar o único império da história da humanidade que, desde que assumiu a liderança, nunca anexou um único quilômetro quadrado ao seu território. Quando os equerdistas hipócritas perceberam que estavam apostando numa miragem, o comunismo, mudaram o foco para o identitarismo, radicalizando pautas liberais, deturpando-as com os mil identitarismos e, mais recentemente, apostando na globalização da intifada contra a única democracia liberal rodeada por ditaduras muçulmanas.
Portanto, não me venham agora posar de democráticos.
Pela primeira vez em décadas, os EUA têm um presidente que está cagando para a ONU, assim como a esquerda esteve por décadas, quando passava pano para a nação mais imperialista da história: a Rússia. Se esse sujeito chegou ao poder justamente na nação que capitaneou o mínimo de ordem que o mundo conheceu em milênios, a culpa é principalmente da esquerda hipócrita, que nunca falou um pio sobre as invasões de Putin na Chechênia, na Geórgia e, agora, na Ucrânia.
Enquanto vcs destilam hipocrisia, os venezuelanos, na Venezuela e espalhados pelo mundo, na maior diáspora do mundo conteporâneo, comemoram.
O que vem daqui por diante? Não sei. Só sei que se houvesse uma disposição dos mais poderosos em tirar do poder tiranos que oprimem seus povos o mundo seria um lugar bem melhor.
Ah, sim, tem o petróleo e blá blá blá. Pois é. Como disse no início, tudo tem custos. Os EUA certamente vão querer compensar os bilhões gastos na operação e, claro, na restituição das empresas norte-americanas confiscadas pelo chavismo. Realpolitik

Pensatas sobre a Venezuela

 


O que vem a seguir na Venezuela?


Artur Wichmann, CIO da XP


A experiência histórica mostra que remover um ditador costuma ser muito mais fácil do que construir, posteriormente, um governo funcional e estável



Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.


“May you live in interesting times” — suposta praga chinesa


Não era este o texto que gostaríamos de escrever como o primeiro do ano. No entanto, é essa a realidade que se impõe: iniciamos o ano com mais um evento de grande relevância geopolítica.


Escrevemos imediatamente após os acontecimentos e, por isso, o que pode ser afirmado de forma definitiva ainda é limitado. Ainda assim, alguns fatos parecem estar fora de dúvida. O governo norte-americano conduziu uma operação que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa. Até o momento, as acusações divulgadas referem-se ao tráfico internacional de drogas.


Há precedentes para esse tipo de ação? Sim, embora nenhum com características exatamente idênticas. O caso mais próximo é a invasão do Panamá, em 1989, que removeu do poder o ditador Manuel Noriega, posteriormente levado aos Estados Unidos, julgado e condenado a 40 anos de prisão. Portanto, embora rara, a ação atual não é inédita.


A questão central, porém, diz menos respeito ao passado e muito mais ao futuro: o que vem a seguir? A partir daqui, entramos no terreno da especulação. Quem governa a Venezuela agora? O presidente norte-americano afirma que os Estados Unidos exercerão controle temporário até a realização de eleições para um novo governo. Em contrapartida, a vice-presidente venezuelana declara que o país resistirá a qualquer tentativa de controle externo.


Aqui surge o primeiro grande problema. Do ponto de vista americano, declarar que exercerá o controle é a parte simples. Para que esse controle se concretize, seria necessária alguma forma de ocupação militar — o que os próprios americanos chamam de boots on the ground. Já do lado venezuelano, resistir significaria enfrentar a força militar mais poderosa do planeta e, talvez mais relevante, fazê-lo sem apoio popular significativo.


No horizonte, devem surgir questionamentos institucionais relevantes, especialmente sobre a capacidade do presidente norte-americano de conduzir ações militares ofensivas sem aprovação do Congresso — algo que, segundo nosso entendimento, seria inconstitucional. Esse debate, no entanto, pertence ao futuro.


No momento, nosso objetivo não é emitir juízos morais sobre se os fins justificam os meios, mas sim analisar os possíveis impactos econômicos e de mercado.


Na verdade, o governo americano parece ter copiado as páginas da doutrina de “realpolitik” do saudoso Henry Kissinger.


As ações foram baseadas no:

Realismo;

Uma visão de interesse nacional acima de ideologia;

Legitimidade acima de justiça;

Pragmatismo e flexibilidade.


Em suma, pura realpolitik.


O que nos cabe é analisar os possíveis impactos econômicos e de mercado.


O canal mais direto é o preço do petróleo, embora o efeito esteja longe de ser claro. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), a produção venezuelana gira em torno de 945 mil barris por dia. O mercado físico de petróleo encontra-se atualmente bem abastecido, e países da OPEP dispõem de capacidade ociosa mais do que suficiente para compensar essa eventual perda de oferta.


Paradoxalmente, no longo prazo, o efeito pode ser o oposto. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris. Nos anos 1990, sua produção chegou a quase 3,5 milhões de barris por dia. O presidente norte-americano já declarou que um dos objetivos da operação é garantir o acesso de empresas americanas a essas reservas. Evidentemente, isso demandará tempo, dada a condição altamente depreciada da infraestrutura local.


Do ponto de vista de contágio regional e instabilidade geopolítica, os efeitos iniciais parecem limitados. A Venezuela já era um país isolado, com um governo amplamente considerado ilegítimo pela comunidade internacional após fraudes eleitorais. O risco de contágio poderia aumentar caso os Estados Unidos optem por estender esse tipo de ação à Colômbia — um ator ainda mais relevante no narcotráfico global e cujo presidente vem antagonizando o governo Trump há algum tempo.


De modo geral, portanto, os impactos imediatos sobre os mercados parecem restritos.


É importante deixar claro: isso não significa minimizar o risco de uma crise humanitária. Há, neste momento, um vácuo de poder que pode desencadear uma onda de violência. A economia local, já profundamente deprimida, pode praticamente paralisar, e a interrupção de serviços básicos e do abastecimento de alimentos é uma possibilidade concreta.


O desfecho dependerá, em grande medida, da existência — ou não — de um plano americano para o day after. A experiência histórica mostra que remover um ditador costuma ser muito mais fácil do que construir, posteriormente, um governo funcional e estável.

Doutoramento na China

 


Universidades chinesas como o Instituto de Tecnologia de Harbin começaram a mudar a lógica do doutoramento: em vez de exigir apenas uma tese clássica, alguns programas já aceitam tecnologias reais e operacionais como resultado final.


Não é sobre escrever mais.
É sobre construir.

Sistemas, protótipos, soluções aplicadas: coisas que funcionam fora do PDF.

Isto contrasta com o padrão dominante no Ocidente, onde o doutoramento ainda é medido sobretudo por papers, citações e prestígio académico.

Na China, o critério começa a deslocar-se: valor é aquilo que se traduz em capacidade prática.
E isto não acontece por acaso.

O país está a apostar em áreas tecnológicas críticas e precisa de investigadores capazes de transformar conhecimento em produção, inovação e autonomia.

Não basta compreender, é preciso executar.
Não basta argumentar, é preciso entregar.

Com isso, a universidade deixa de ser apenas um espaço de validação intelectual e passa a ser parte ativa da estratégia nacional de inovação.

O doutoramento, nesse modelo, deixa de ser o fim da teoria. Torna-se o começo de algo que vai para o mundo.

No fundo, a China parece estar a responder uma pergunta que muitos evitam: para que serve formar doutores hoje?

E talvez a mensagem seja dura, mas clara: numa corrida tecnológica, o conhecimento que não vira capacidade fica para trás.

Simon Schwartzman