sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Bankinter Portugal Matinal 3101

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: ONTEM, a descida de taxas de juros do BCE (-25 p.b. até 2,75/2,90%) foi um evento sem impacto, porque fez o esperado e transmitiu o já transmitido: que os movimentos seguintes serão dependentes dos dados. Aborrecido. 

 

O PIB 4T americano saiu fraco para os seus padrões (+2,3%), sendo quase bom para Wall St. O da UE saiu a repetir em +0,9% vs. +1% esperado, destacando negativamente a Alemanha (-0,2%), e um pouco fracos os França (+0,7%) e Itália (+0,5%), enquanto excelente em Portugal (+2,7%) e Espanha (+3,5%), o que confirma o nosso mantra de que “ESP, PT e IRL são a nova ALE”.  

 

Exceto UPS (-14% após dececionar nas guias e comunicar uma forte queda do negócio com Amazon), os resultados corporativos foram bons ou a melhorar. O saldo do EPS 4T para o S&P500 está já em +10% vs. +7,5% esperado. E após o fecho de Nova Iorque, publicaram a bater resultados e/ou guidances bons Visa (+1,2% em aftermarket), Apple (+3%) e Intel (+3,7%). Apenas Samsung publicou um guidance 2025 fraco (-2,2% em mercado aberto, Coreia). Previamente, o SOX tinha subido +2,3%; a sua primeira subida após o surgimento de DeepSeek.  

 

O tom é bastante bom para a sessão de HOJE. As referências-chave sairão já com a sessão europeia avançada: às 13 h teremos inflação da Alemanha estável, mas elevada (repetir +2,6%), e às 13:30 h temos o Deflator do Consumo (PCE) americano a aumentar (+2,6% vs. +2,4%). Isso deverá fazer com que a sessão enfraqueça na sua última secção. A atenção estará depois nos dados de emprego da próxima semana, que poderão ser fracos devido aos incêndios na Califórnia (Payrolls +150k vs. +256k dezembro, na sexta-feira); além disso, na segunda-feira, a inflação da UE poderá aumentar (+2,5% vs. +2,4%) e, na quinta-feira, o BoE poderá baixar taxas de juros (-25 p.b., até 4,50%). 

 

Wall St. poderá subir um pouco (+0,3%/+0,5%?), mas com tendência a perder força à medida que a sessão avança (até aplanar?) porque a inflação alemã e o PCE americano poderão elevar um pouco as yields das obrigações, enquanto a Europa mais fraca.  

 

S&P500 +0,5% Nq-100 +0,5% SOX +2,3% ES-50 +1% IBEX +1,1% VIX 15,8 Bund 2,52% T-Note 4,54% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,16% PT 2,91% FRA 3,26% ITA 3,60% Euribor 12m 2,531% (fut.2,347%) USD 1,0391 JPY 160,5 Oro 2.794$ Brent 77,3$ WTI 73,3$ Bitcoin -0,6% (104.584$) Ether +2,2% (3.264$). 

 

FIN

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Melhores universidades

  Já pensou em estudar nas melhores universidades do mundo, sem sair de casa e sem pagar nada? Listamos cursos gratuitos das instituições mais renomadas do mundo para você expandir seus horizontes e mergulhar em novos aprendizados. 🚀


University of Oxford
https://lnkd.in/drCpeaYb

Dartmouth College
https://lnkd.in/druE87aZ

Duke University
https://lnkd.in/d_RfJd4s

Imperial College London
https://lnkd.in/du_m-TvX

University of Cambridge
https://lnkd.in/dW5K23KD

University of Michigan
https://lnkd.in/d9rKSrhF

Caltech
https://lnkd.in/dPKRNy8r

hashtaglifelonglearning hashtagcursos hashtagaprendizados hashtagportofino hashtagmultifamilyoffice hashtagwealthmanagement

Esther Dweck

 *Dweck: Déficit nas estatais não representa problema para o Tesouro*


A ministra da Gestão, Esther Dweck, reiterou hoje que o déficit primário de empresas estatais não representa "nenhum problema" para o Tesouro. Ela repetiu que o parâmetro técnico para verificar a saúde de uma companhia é a geração de lucro ou prejuízo. "A empresa pode acumular recursos em caixa e, em determinado ano, resolver gastar. Isso vai gerar déficit. Mas, do ponto de vista do lucro ou prejuízo, não faz o menor sentido [comparar], porque lucro ou prejuízo não é apurado desse jeito", declarou, em conversa com jornalistas na sede do Ministério. Para exemplificar, ela cita a situação do Serpro, empresa pública de serviço em tecnologia da informação. Em 2024, foram investidos R$ 210,11 milhões e o déficit foi de R$ 221,62 milhões. Por outro lado, o lucro da empresa foi de R$ 426,32 milhões até o terceiro trimestre de 2024, com expectativa de fechar com o recorde de R$ 600 milhões de lucro. "O déficit é fruto de um dinheiro que estava parado em caixa. Déficit não nos preocupa, em princípio. O déficit não é um problema. Se é por investimento, estamos super concordando com essa decisão".

Bankinter Portugal Matinal 3001

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: As últimas horas foram um pouco fracas para as bolsas, mas o semis aguentaram bem (SOX +0,2%) e as yields das obrigações mantiveram-se mais ou menos estáveis, em níveis não problemáticos (Bund 2,58%; T-Note 4,52%). Isso é o mais importante.  

 

Ontem à noite, a Fed repetiu taxas de juros em 4,25/4,50%, como se esperava, depois de efetuar descidas sem interrupções desde setembro de 2024, e expressou-se mais hawkish/dura, relutante em baixar ainda mais a curto prazo: eliminou do comunicado a menção que a inflação “progrediu” para o objetivo de 2% e destacou que o ritmo de aumento de preços “continua a ser um pouco elevado”. Esta atitude mais fria era que a esperávamos e, na realidade, não acreditamos que voltará a realizar uma descida até setembro deste ano. isso irá apreciar o USD/depreciar o euro inevitavelmente, à medida que o mercado digere esta perspetiva, se não estamos em erro. 

 

HOJE temos PIBs da UE e dos EUA. Mas, principalmente, outra descida de taxas de juros do BCE (13:15 h), -25 p.b. até 2,75/2,90%. O mais importante será a mensagem, para tratar de averiguar o quão decididos estão a continuar a fazer descidas. O tempo corre e a Fed suspendeu as suas descidas, portanto deverão mover-se rapidamente e baixar -50 p.b. agora que ainda podem, mas é improvável que o façam e continuarão fixados em -25 p.b. O mercado já o tem descontado e não acontecerá nada. Mas, pouco a pouco, irão ficando mais frios em relação às futuras descidas, porque a depreciação do euro fará com que a Europa importe inflação e isso é muito perigoso porque pode forçar a subida de taxas de juros no futuro para a neutralizar. 

 

Mais cedo saiu um PIB 4T’24 francês mais ou menos em linha, pelo menos a crescer um pouco: +0,7% vs. +1,2% 3T. E ontem à noite o Brasil continuou com o seu suicídio na frente da política monetária ao voltar a subir taxas de juros (+100 p.b., até 13,25%), porque teme o aumento de uma inflação que está ca.+5% (PIB ca.+4%, que é muito pouco para o Brasil). Às 9 h, sairá o PIB alemão, que está há 5 trimestres em contração e que poderá sair 0% no melhor dos casos. O italiano também será a essa hora; espera-se que aumente até +0,6% desde +0,4%. O da UE, às 10 h: +1,0% desde +0,9% 3T. Depois o BCE, como comentado, e, para fechar o dia, às 13:30 h temos os PIB 4T EUA: +2,6% vs. +3,1%. Os resultados e guias das empresas mais recentes são, em geral, bons (Tesla, Meta, Lam Research, IBM, BBVA… embora Microsoft e Sanofi fracos) e darão apoio a umas bolsas que provavelmente aumentarão um pouco (+0,2%?), também ajudadas pela descida do BCE. Mas pouco, porque se mantém bastante a expetativa, insegura até que se clarifique, tanto da importância de DeepSeek (pouca, mas certamente terminará por ter impacto impulsionador para a IA) como até que ponto a Fed e o BCE podem mudar para uma perspetiva mais relutante a baixar taxas de juros, e que consequências isso tem para as avaliações. Por isso, se HOJE as bolsas subirem um pouco e as obrigações reduzirem um pouco as suas yields, como parece que acontecerá, poderemos considerar-nos satisfeitos. Porque já avisamos na Estratégia 2025, publicada este mês, que convém ter mais cautela, porque o mercado será irregular e lento. 

 

S&P500 -0,5% Nq-100 -0,2% SOX +0,2% ES-50 +0,7% IBEX +1,1% VIX 16,6 Bund 2,58% T-Note 4,52% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,18% PT 2,96% FRA 3,32% ITA 3,66% Euribor 12m 2,535% (fut.2,418%) USD 1,042 JPY 161,4 Ouro 2.761$ Brent 76,6$ WTI 72,7$ Bitcoin +1,4% (105.221$) Ether +1,6% (3.191$). 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 3001

 *Rosa Riscala: Copom mantém dúvida sobre Selic terminal*


… Às 10h15, o BCE deve cortar o juro da zona do euro hoje de 3% para 2,75%, segundo estimativas de consenso, aproveitando o bom comportamento da inflação para socorrer o fraco desempenho da economia do bloco. A decisão será seguida de entrevista de Lagarde (10h45) e ocorre um dia após o Fed manter estável sua taxa e o Copom, em decisão unânime, subir a Selic para 13,25%. O novo BC, comandado por Galípolo, manteve o guidance de nova alta de 100pbs para março, mas deixou maio em aberto e dependente do que vier. Ainda em NY, repercute a fala de Powell, que admitiu incertezas elevadas com as políticas de Trump, dizendo que o Fomc está em modo espera para entender e agir depois. Na agenda, tem Caged, IGP-M e contas do Governo Central aqui e, nos EUA, o PIB/4Tri. Wall Street reage aos balanços da Meta, Microsoft e Tesla.


… A empresa de Zuckerberg se deu bem no after hours, com alta de 2,29%, após superar em muito as apostas para o 4Tri. O lucro por ação saltou 50% em termos anuais, para US$ 8,02, contra o consenso de US$ 6,76.


… A receita de US$ 48,4 bilhões registrou um aumento de 21%, acima da projeção dos analistas de US$ 47,0 bi.


… Tesla deslanchou 4,14% com a receita de US$ 25,7 bilhões vindo 2% superior na comparação anualizada.


… Só Microsoft não foi bem (-4,63%) entre as magníficas, abalada pelo aumento de gastos com inteligência artificial, que pega especialmente mal agora que a chinesa DeepSeek promete fazer mais por menos.


… Hoje, depois do fechamento, saem Apple e Intel. Antes da abertura do mercado, tem Mastercard.


… Além do noticiário corporativo, os mercados também devem se orientar pelos sinais de Powell sobre a condução dos juros nos EUA. O presidente do Fed disse que não tem pressa de entender os impactos das políticas de Donald Trump.


… “Não sabemos o que vai acontecer com tarifas, imigração, políticas fiscal e regulatória. Estamos apenas começando a ver [sinais], e eu acho que precisamos deixar essas políticas serem articuladas antes de uma avaliação plausível de suas implicações para a economia.”


… Na entrevista após o Fomc, que manteve os juros inalterados entre 4,25% e 4,50%, Powell disse que o Fed vai observar cuidadosamente as futuras políticas, mas que “não teremos pressa em entender [os seus efeitos] para definir a nossa resposta”.


… Prometeu, no entanto, que o Fed não ficará atrás. “Estamos em modo espera para ver o que acontece com a economia para agir.”


… Isso significa que Trump continua no foco, não só dos investidores, mas também do Federal Reserve e do mundo todo.


… Na noite de ontem, horas após o Fed, Trump voltou ao ataque: acusou Powell de “atrapalhar a luta contra a pior inflação da história” e qualificou de “péssimo” o trabalho do BC americano na regulamentação bancária.


DOVISH COM D MAIÚSCULO NÃO FOI – Aqui, repercute o Copom.


… Se o mercado tinha algum receio de que o BC poderia relaxar sua política monetária, já pode sossegar. Embora alguns economistas do mercado ainda tenham achado a mensagem mais para “dovish”, a prova dos nove virá na curva de juros.


… O texto do comunicado veio duro como tinha de ser, citando o ambiente externo desafiador, o dinamismo da atividade econômica e do mercado de trabalho, o câmbio depreciado e a elevação da inflação nas divulgações recentes.


… Manteve ainda o alerta sobre a política fiscal, admitindo impacto relevante sobre os preços dos ativos e as expectativas dos agentes.


… Mais do que isso, o Copom alinhou-se ao salto das projeções do último Focus e subiu sua estimativa para a inflação deste ano de 4,5% para 5,2% – apenas um pouco abaixo do que o mercado espera (5,5%) – muito acima da meta.  


… Para o 3Tri de 2026, que passa a ser o horizonte relevante da política monetária, a projeção do BC é de 4%.


… Como riscos para a inflação, que mantém assimetria altista, o BC citou a desancoragem das expectativas por período mais prolongado; maior resiliência na inflação de serviços e uma taxa de câmbio “persistentemente” mais depreciada.


… Esse cenário, concluiu o Copom, exige uma política monetária mais contracionista, que justificou a alta da Selic para 13,25% agora e a contratação de um aumento da mesma magnitude na reunião de março, de 100pbs, para 14,25%.


… Já para maio, era esperado que o BC não se comprometesse, conservando um grau de liberdade no cenário incerto, mas foi positivo ter reforçado que o tamanho total do ciclo será ditado pelo “firme compromisso de convergência da inflação à meta”.


… O ponto de estranhamento no comunicado foi colocar uma eventual desaceleração da atividade econômica mais acentuada como fator baixista no balanço de riscos. Também faltou um comentário mais incisivo sobre a nova rodada de deterioração das expectativas.


RACHA NA FARIA LIMA – A interpretação entre os economistas sobre o comunicado não foi unânime.


… Drausio Giacomelli (Deutsche) viu teor conservador no comunicado e acredita que o Brasil se aproxima da dominância fiscal. Para Roberto Padovani (BV), o BC manteve postura austera, mesmo sob nova direção.


… Sérgio Goldenstein, da Warren, reconhece que os agentes esperavam um texto mais hawkish do que veio, mas ele não descarta Selic terminal acima de 14,75% por conta de riscos fiscais e cenário externo mais adverso.


… Também o Citi alerta que os gastos fiscais podem continuar impulsionando a inflação subjacente, o que pode gerar necessidade de Selic mais alta. O cenário-base do banco é que a taxa Selic atinja 15,50% em junho.


… Depois do comunicado, o Barclays manteve projeção de Selic terminal em 15,25%.


… Na ponta dovish, o Itaú cogita que o juro pode não subir tanto como o previsto. “Vemos 15,75%, mas o Copom pode encerrar o ciclo antes.” Ainda a XP coloca no radar a chance de reduzir o call de 15,50%.


… Na avaliação do Bradesco, a comunicação veio alinhada ao cenário do banco de juro terminal de 15,25%. É a mesma estimativa do BofA, que além do 1pp contratado para março, projeta duas altas de 50pb (maio e junho).


… Ex-diretor do BC, Fabio Kanczuk entende que o recado transmitido pelo Copom foi “mais dovish possível”.


… Mas ele não descarta que, se o mercado reagir mal, com inclinação da curva de juros e piora das projeções de inflação, o BC possa corrigir o tom e adotar uma abordagem diferente na ata da semana que vem (3ªF).


… No Santander, Marco Caruso leu o comunicado como dovish e acredita que o Copom de maio caminha para uma redução na intensidade de aperto monetário contra o ritmo atual, desacelerando a alta para 50 ou 75pb.


… Para a Capital Economics, a alta de 1pp do guidance março marcará o fim do ciclo de aperto da Selic.


E A GLEISI QUE CULPOU O RCN – Sem poder criticar Galípolo, a presidente do PT – que está sendo cogitada para ministra de Lula – disse que “a alta da Selic estava determinada e não restava muita alternativa ao novo presidente do Banco Central”.


AI, AI, AI – Nem bem uma crise se resolve e outra já está se armando, como essa agora de o governo estudar um teto da taxa de juros ao crédito consignado para os trabalhadores do setor privado. E foi Haddad quem admitiu que o debate existe.


… “Essa ação vai em direção contrária à ação do Copom, ao impulsionar o mercado de crédito e contribuir para o menor desaquecimento da demanda agregada”, avaliou o economista-chefe da Nova Futura, Nicolas Borsoi, ao Broadcast.


… A preocupação não é pequena quando se toma o volume potencial apontado pelo presidente da Febraban, Isaac Sidney. Segundo ele, o crédito consignado “pode sair de R$ 40 bilhões para R$ 120 bilhões, R$ 130 bilhões”.


… A notícia contribuiu para puxar os juros futuros de curto prazo perto do fechamento (leia abaixo).


SEM REAJUSTE? – Em meio a especulações sobre aumento nos preços dos combustíveis, a diretoria da Petrobras apresentou ao Conselho de Administração um balanço do cumprimento de sua política de preços no último trimestre de 2024, segundo apurou a Folha.


… A diretoria defendeu que, mesmo com defasagens em relação aos preços internacionais, a política foi cumprida ao garantir a venda de combustíveis acima do preço de custo e abaixo dos preços dos concorrentes, banda estabelecida na gestão Jean Paul Prates.


… Após o encontro, segundo o jornal, os conselheiros ligados ao governo entenderam que o cenário melhorou desde o início do ano, com as quedas do dólar e das cotações do petróleo, reduzindo a pressão por reajustes dos combustíveis nesse momento.


… Ainda há, no entanto, expectativa de aumento para o diesel, que não tem reajuste há um ano e está com defasagem estimada de 17%.


… O aumento do diesel (e não da gasolina) teria sido comunicado a Lula pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, na reunião que tiveram no início da semana, em Brasília.


… De qualquer forma, o preço da gasolina vai subir R$ 0,10 por litro (e o diesel deve aumentar R$ 0,06 por litro nas bombas) neste sábado (01º/2) devido ao aumento do ICMS, que ocorrerá em todo o País. Na média nacional, a alta deste ano será de 1,3%.


… O impacto no IPCA de fevereiro será de 0,08 pp, conforme estimou o economista da FGV, André Braz.


MAIS AGENDA – Hoje, o IGP-M (8h30) deve aliviar para 0,21%, contra alta de 0,94% em dezembro. O Caged (10h) tem previsão de fechamento de 405.524 vagas de empregos formais em dezembro (mediana Broadcast).


… Às 14h30, saem as contas do Governo Central. O mercado projeta superávit primário de R$ 20,30 bilhões (mediana) em dezembro. As projeções são todas de saldo positivo, de R$ 6,84 bilhões a R$ 24,40 bilhões.


… Para o acumulado do ano passado, a estimativa intermediária do mercado (-R$ 45,7 bilhões) prevê uma melhora no déficit em comparação com o resultado de 2023, que foi de saldo negativo de R$ 230,5 bilhões.


… Haddad já antecipou déficit de 0,1% em 2024, dentro da meta (zero), com intervalo de tolerância de 0,25% do PIB para cima ou para baixo. Hoje, o ministro concede entrevista à Rede TV. A gravação vai ao ar às 23h45.


LÁ FORA – A leitura do PIB/4Tri dos EUA (10h30) deve desacelerar para 2,5%, contra 3,1% em comparação ao trimestre anterior, enquanto Trump promete reviver os “anos dourados” da economia americana.


… Ainda nos EUA, saem o auxílio-desemprego (10h30) e as vendas pendentes de imóveis em dezembro (12h).


… Hoje também é dia de PIB na zona do euro (7h), Alemanha e Itália (6h). África do Sul decide juro às 10h.


FOGO AMIGO – Pouco antes de o mercado doméstico fechar, as taxas de curto prazo da curva do DI ensaiaram um pico de estresse com a história do teto da taxa de juros ao crédito consignado, que pega bem mal.


… O investidor não gosta nada de ver o governo sabotando toda a batalha do BC para conter a inflação.


… Em algum grau, a alta dos juros futuros por aqui também reproduziu o avanço dos Treasuries com o entendimento, depois suavizado por Powell, de que o Fed estaria mais preocupado com os preços nos EUA.  


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 15,180% (de 15,135% no fechamento anterior); Jan/27, 15,375% (de 15,310%); Jan/29, 15,115% (de 15,065%); Jan/31, 15,060% (15,020%); e Jan/33, 14,980% (14,940%).


… O esclarecimento de Powell de que a falta de referência no comunicado ao progresso da inflação não se tratava de nenhuma indireta acabou por desacelerar o dólar lá fora e zerou a alta da cotação por aqui.


… A moeda americana fechou cotada a R$ 5,8662 (-0,06%). Já faz oito pregões consecutivos que não sobe e vai terminando o mês com alívio acumulado de 5%, tirando vantagem da atratividade do carry trade do momento.


CADA UM COM SEUS PROBLEMAS – Por justificativas diferentes, faltou fôlego às blue chips da bolsa doméstica, que roubaram a força do Ibov, em queda moderada de 0,50%, a 123.432,12 pontos, com giro de nem R$ 15 bi.


… Na reta final do pregão, as ações dos bancos registraram piora simultânea às declarações de Haddad de que o governo estuda o teto de juros no novo desenho do crédito consignado para trabalhadores do setor privado.


… Os papéis caíram em bloco: Bradesco PN registrou -1,03% (R$ 11,51); Santander, -0,76% (R$ 24,78), na mínima do dia; Bradesco ON, -0,56% (R$ 10,58); Banco do Brasil, -0,33% (R$ 27,44); e Itaú, -0,24% (R$ 33,22).


… Petrobras registrou dose dupla de cautela: com a queda do petróleo e os receios de que a estatal possa estar segurando os preços dos combustíveis para aliviar a barra do governo no combate às pressões inflacionárias.


… Para o BofA, o reajuste dos combustíveis traria alívio à preocupação sobre governança corporativa e impacto negativo no fluxo de caixa livre gerado pela defasagem em relação ao preço de paridade de importação (PPI).


… A empresa informou que vai divulgar seu relatório de produção e vendas do 4TRI na próxima 2ªF, após o fechamento. Petrobras ON recuou 1,00%, a R$ 40,57, e PN registrou desvalorização de 0,62%, a R$ 36,90.


… Lá fora, o contrato do Brent para abril caiu 1,15%, a US$ 75,61 por barril, inibido pelo aumento dos estoques comerciais dos EUA, que vieram mais do que no triplo do esperado, após nove semanas consecutivas de queda.


… No caso da Vale, o otimismo foi se esgotando ao longo do dia. O papel chegou a subir mais de 1%, na reação positiva ao relatório de produção e vendas do 4Tri. Mas reduziu os ganhos a 0,28% no fechamento, a R$ 52,80.


… A perda de ânimo foi atribuída à incerteza do Fed, que ainda tem que observar se Trump vai aprontar.


… As maiores altas do dia foram Petz (+2,90%; R$ 4,97), RD Saúde (+2,14%; R$ 21,45) e Rumo (+1,88%; R$ 17,91). No negativo, Localiza (-3,79%; R$ 30,18), Automob (-3,23%; R$ 0,30) e Braskem (-2,67%; R$ 14,21).


NÃO É BEM ASSIM – As bolsas em NY já não iam bem quando saiu o comunicado da decisão do Fed sem o trecho em que o Fomc mencionava o progresso da inflação em direção à meta de 2%.


… Em teoria, estaria aí um sinal de maior preocupação com o aumento de preços.


… A mudança no texto ampliou o recuo dos índices, elevou o dólar e os juros dos Treasuries. Mas na entrevista dada logo após o Fed pausar o ciclo de queda de juros, como esperado, Jerome Powell conteve os ânimos.


… Esclareceu que a ideia era apenas encurtar a frase, sem querer enviar qualquer tipo de sinalização. Acrescentou que os dois últimos dados de inflação foram bons e não vê pressão inflacionária no mercado de trabalho.


… Na ferramenta do CME, o mercado continua a precificar junho como mês mais provável para o primeiro corte de juros do ano, com 70,8% das apostas. A chance de um recuo total de 50pb no ciclo deste ano é majoritária (33,4%).


… As bolsas saíram das mínimas depois de Powell, mas continuaram no vermelho, pressionadas pelas techs e por declarações do bilionário Howard Lutnick, indicado para secretário do Comércio dos EUA.


… Em audiência no Senado, ele saiu criticando a China, defendeu a imposição de tarifas a outros países, além dos já anunciados, e disse que a medida pode ter efeito inflacionário. Tentou se corrigir depois, mas o estrago estava feito.


… O Dow Jones caiu 0,31%, aos 44.713,52 pontos. S&P500 recuou 0,47% (6.039,31) e o Nasdaq perdeu 0,51% (19.632,32).


… Nvidia (-4,03%) voltou a cair com a notícia de que o governo Trump estaria estudando restrições adicionais à venda de chips da empresa para a China após o advento da DeepSeek.


… Na mesma toada das ações, o mercado de Treasuries reagiu às declarações de Lutnick, depois ao comunicado do Fed e declarações de Powell, com as taxas terminando o dia como começara, em alta.


… O juro da note de 2 anos subiu a 4,223%, de 4,202% na sessão anterior, e o da note de 10 anos avançou a 4,547% (de 4,534%). O do T-bond de 30 anos foi a 4,787% (de 4,782%).


… O dólar subiu, com o índice DXY voltando aos 108 pontos (+0,12%). O euro caiu 0,27%, a US$ 1,0409, na véspera da decisão do BCE. A libra ficou estável (-0,03%), em US$ 1,2440 e o iene subiu 0,24%, a 155,180/US$.


… Ontem, dois BCs cortaram os juros. O da Suécia fez uma redução de 25 pb, a 2,25% ao ano. O do Canadá também baixou o juro em 25pb para 3%, mas alertou que a política tarifária de Trump pode ter impacto inflacionário.


EM TEMPO… PETROBRAS informou que as reservas provadas de óleo, condensado e gás natural somaram 11,4 bi boe em 2024. Do total, 85% são de óleo condensado e 15% de gás natural…


… Em outro comunicado, a empresa informou que a 13ª Vara Cível Federal de São Paulo indeferiu uma demanda societária, solicitando o afastamento de Arthur Cerqueira Valério no Comitê de Pessoas…


… O TCU anulou pontos de acórdão de 2023 sobre a política de preços da Petrobras entre 2002 e 2019. A empresa alegou que havia contradição no acórdão.


AZUL teve seu rating rebaixado de ‘CC’ e ‘brCC’, escala global e nacional, para SD (default seletivo) pela S&P Global.


TELEFÔNICA aprovou convocação de AGE em 13/3 para deliberar sobre proposta de grupamento da totalidade de ações ON, na proporção de 40 para 1, e subsequente desdobramento, de 1 para 80, sem alteração do capital social.


… EVEN e MELNICK firmaram parceria para projeto imobiliário na cidade de São Paulo com VGV de R$ 700 milhões. A participação da Melnick é de 25%.


ECORODOVIAS firmou com o governo de MG o segundo termo aditivo ao contrato de concessão da BR-135, a fim de autorizar o reequilíbrio econômico-financeiro do projeto.


OPENAI. O SoftBank mantém conversas para investir entre US$ 15 bilhões e U$ 25 bilhões na companhia, em um acordo que tornaria o grupo japonês o maior financiador da empresa criadora do ChatGPT, segundo o FT.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

The Economist

 The Economist, 27/01/2025 


Se há uma única tecnologia de que os Estados Unidos precisam para criar a “nova e emocionante era de sucesso nacional” que o presidente Donald Trump prometeu em seu discurso de posse, essa tecnologia é a inteligência artificial generativa. No mínimo, ela contribuirá para os ganhos de produtividade da próxima década, impulsionando o crescimento econômico. No máximo, impulsionará a humanidade em uma transformação comparável à da Revolução Industrial.


O fato de Trump ter apresentado no dia seguinte à posse o lançamento do “maior projeto de infraestrutura de IA da história” mostra que ele compreende o potencial. Mas o mesmo acontece com o resto do mundo e, acima de tudo, com a China. Enquanto Trump fazia seu discurso, uma empresa chinesa lançou o mais recente e impressionante modelo de linguagem grande (LLM). De repente, a liderança dos Estados Unidos sobre a China em IA parece menor do que em qualquer outro momento desde que o ChatGPT ficou famoso.


A recuperação da China é surpreendente porque ela estava muito atrás — porque os Estados Unidos se propuseram a desacelerá-la. O governo de Joe Biden temia que a IA avançada pudesse garantir a supremacia militar do Partido Comunista Chinês (PCC). Assim, os Estados Unidos reduziram as exportações para a China dos melhores chips para o treinamento da IA e cortaram o acesso da China a muitas das máquinas necessárias para fabricar substitutos. Atrás de seu muro de proteção, o Vale do Silício se agita. Os pesquisadores chineses devoram os artigos americanos sobre IA; os americanos raramente retribuem o elogio.


No entanto, o progresso mais recente da China está revolucionando o setor e deixando os formuladores de políticas americanos constrangidos. O sucesso dos modelos chineses, combinado com mudanças em todo o setor, pode virar a economia da IA de cabeça para baixo. Os Estados Unidos devem se preparar para um mundo no qual a IA chinesa está respirando em seu pescoço.


Os LLMs da China não são os melhores. Mas sua fabricação é muito mais barata. O QwQ, de propriedade do Alibaba, um gigante do comércio eletrônico, foi lançado em novembro e está menos de três meses atrás dos melhores modelos dos Estados Unidos. 


O DeepSeek, cujo criador saiu de uma empresa de investimentos, está em sétimo lugar em um benchmark. Aparentemente, ele foi treinado usando 2 mil chips de segunda classe — contra 16 mil chips de primeira classe do modelo da Meta, que o DeepSeek supera em algumas classificações. O custo do treinamento de um LLM americano é de dezenas de milhões de dólares e está aumentando. O proprietário do DeepSeek diz que gastou menos de US$ 6 milhões.


As empresas americanas podem copiar as técnicas da DeepSeek se quiserem, pois seu modelo é de código aberto. Mas o treinamento barato mudará o setor ao mesmo tempo em que o design do modelo estiver evoluindo. O lançamento do dia da inauguração na China foi o modelo de “raciocínio” da DeepSeek, projetado para competir com uma oferta de última geração da OpenAI. Esses modelos conversam entre si antes de responder a uma consulta. Esse “raciocínio” produz uma resposta melhor, mas também usa mais eletricidade. À medida que a qualidade do resultado aumenta, os custos crescem.


O resultado é que, assim como a China reduziu o custo fixo da construção de modelos, o custo marginal de consultá-los está aumentando.


Se essas duas tendências continuarem, a economia do setor de tecnologia se inverterá. Na pesquisa na web e nas redes sociais, replicar um gigante estabelecido como o Google envolveu enormes custos fixos de investimento e a capacidade de suportar grandes perdas. Mas o custo por pesquisa era infinitesimal. Esse fato — e os efeitos de rede inerentes a muitas tecnologias da web — fizeram com que esses mercados fossem como “o vencedor leva tudo”.


Se modelos de IA suficientemente bons puderem ser treinados de forma relativamente barata, eles se proliferarão, especialmente porque muitos países estão desesperados para ter seus próprios modelos. E um alto custo por consulta também pode incentivar mais modelos criados para fins específicos que produzam respostas eficientes e especializadas com o mínimo de consultas.


A outra consequência do avanço da China é que os Estados Unidos enfrentam uma concorrência assimétrica. Agora está claro que a China inovará para contornar obstáculos, como a falta dos melhores chips, seja por meio de ganhos de eficiência ou compensando a ausência de hardware de alta qualidade com mais quantidade. Os chips chineses estão ficando cada vez melhores, inclusive os projetados pela Huawei, uma empresa de tecnologia que, há uma geração, conseguiu a adoção generalizada de seus equipamentos de telecomunicações com uma abordagem barata e desonesta.


Se a China permanecer perto da fronteira, poderá ser a primeira a dar o salto para a superinteligência. Se isso acontecer, ela poderá obter mais do que apenas uma vantagem militar. Em um cenário de superinteligência, a dinâmica do “vencedor leva tudo” pode se reafirmar repentinamente. Mesmo que o setor permaneça nos trilhos atuais, a adoção generalizada da IA chinesa em todo o mundo poderá dar ao PCC uma enorme influência política, pelo menos tão preocupante quanto a ameaça de propaganda representada pelo TikTok, um aplicativo de compartilhamento de vídeos de propriedade chinesa cujo futuro nos Estados Unidos ainda não está claro.


O que Trump deve fazer? Seu anúncio sobre infraestrutura foi um bom começo. Os Estados Unidos precisam eliminar os obstáculos legais à construção de data centers. Também deve garantir que a contratação de engenheiros estrangeiros seja fácil e reformar as compras de defesa para incentivar a rápida adoção da IA.


Alguns argumentam que ele também deve revogar as proibições de exportação da indústria de chips.


O governo Biden admitiu que a proibição não conseguiu conter a IA chinesa. No entanto, isso não significa que ela não tenha feito nada. Na pior das hipóteses, a IA poderia ser tão mortal quanto as armas nucleares. Os Estados Unidos jamais enviariam a seus adversários os componentes para armas nucleares, mesmo que eles tivessem outras maneiras de obtê-los. A IA chinesa certamente seria ainda mais forte se agora voltasse a ter acesso fácil aos melhores chips.


Agências ou agência


O mais importante é reduzir o projeto de Biden sobre a “regra de difusão de IA”, que definiria quais países têm acesso à tecnologia americana. Isso foi projetado para forçar outros países a entrarem no ecossistema de IA dos Estados Unidos, mas o setor de tecnologia argumentou que, ao reduzir a burocracia, isso fará o oposto. A cada avanço chinês, essa objeção se torna mais crível. 


Se os Estados Unidos presumirem que sua tecnologia é a única opção para países como a Índia ou a Indonésia, correm o risco de exagerar. Alguns gênios da tecnologia prometem que a próxima inovação colocará novamente os Estados Unidos na frente. Talvez. Mas seria perigoso considerar a liderança dos EUA como garantida.

IA Chinesa

 A destruição criativa da IA chinesa

29 jan. 2025
Estadão
A competição pela IA parecia vencida por umas poucas ‘big techs’ americanas. Mas uma startup chinesa mostrou que o jogo só começou e está aberto a empresas de todo o mundo
No seu discurso de posse na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma “nova era eletrizante de sucesso nacional”. Turbinado pela tecnologia mais disruptiva de nosso tempo, talvez de todos os tempos, a inteligência artificial (IA), o sucesso do novo império americano poderia ir tão longe até fincar sua bandeira em Marte. Um dos primeiros compromissos de Trump foi anunciar planos para investimentos privados de meio trilhão de dólares no “maior projeto de infraestrutura de IA na história”.
Faz todo sentido. Dois anos após a OpenAI lançar o ChatGPT, o primeiro aplicativo de IA para o público em geral, o consenso é de que o desenvolvimento exige uma quantidade brutal de energia e de chips de última geração. Os investimentos em centros de dados pelas três gigantes da computação em nuvem (Alphabet, Amazon e Microsoft) e a Meta cresceram 57% em um ano, chegando a US$ 180 bilhões. A Microsoft, principal investidora da OpenAI, anunciou US$ 80 bilhões em infraestrutura para este ano; e a Meta, US$ 65 bilhões em IA. A tecnologia da IA parecia se concentrar em umas poucas big techs americanas, e os custos formariam uma fortaleza inexpugnável para os competidores.
Então, uma jovem, pequena e obscura startup chinesa, a DeepSeek, jogou uma granada na sala: lançou um modelo de linguagem de grande escala tão eficiente quanto o ChatGPT, mas produzido com uma quantidade muito menor de chips de segunda categoria e, portanto, com custos comparativamente ínfimos.
No fim de semana, o DeepSeek-R1 ultrapassou o ChatGPT em downloads. Na segunda-feira, as empresas de tecnologia americanas perderam US$ 1 trilhão no mercado de ações. As ações da campeã da produção de chips, a Nvidia, que cresceram 10 vezes em dois anos, o que a tornou a empresa mais valiosa do mundo, despencaram 17%, com perda de quase US$ 600 bilhões, a maior de um único ativo na história. Entre as empresas de energia, também foi um banho de sangue.
Rapidamente, investidores concluíram que estamos no “momento Sputnik da IA”, numa referência ao lançamento do satélite Sputnik pelos russos em 1957, evento que assustou os americanos, temerosos de perder a decisiva corrida espacial em meio à guerra fria. Para alento dos EUA, sabe-se que o “momento Sputnik” da URSS foi efêmero, pois os americanos, depois de investirem muito dinheiro e criatividade, acabaram superando os soviéticos nessa disputa e chegaram à Lua.
Mas a comparação tem limites. A DeepSeek não só é brutalmente mais barata, mas seus códigos são abertos. Qualquer empreendedor com uma quantidade moderada de dinheiro pode replicálos e redesenhá-los, o que deve multiplicar exponencialmente a oferta do serviço mundo afora.
Além do choque no mercado, as implicações geopolíticas são imensas. “O lançamento do DeepSeek deve ser um alerta para as nossas indústrias de que precisamos estar focados em competir para vencer”, disse Trump. “Isso é bom porque você não precisa gastar tanto dinheiro”, arrematou, como se fosse um CEO empenhado em aumentar margens de lucro, e não um presidente da República que deve pensar em estratégias de longo prazo.
No início dos anos 2000, a China se abriu ao mercado global e o inundou com produtos baratos. Como reação, não poucos países parecem ter entendido que esse desenvolvimento chinês se deu por causa do “capitalismo de Estado”, e não a despeito dele. Até os EUA agora emulam esse modelo, seja através de políticas industriais com impulso estatal, seja por meio de protecionismo brutal. Mas, assim como o crescimento econômico chinês das últimas décadas, o DeepSeek foi resultado do empreendedorismo. As tentativas dos EUA de controlar exportações de tecnologia, ao invés de sufocar a inovação chinesa, as estimularam. Os EUA e outros países precisam focar em competir, e não em proteger.
O jogo da IA parecia definitivamente vencido pelas big techs americanas. Mas a pequena DeepSeek não só mostrou que esse jogo está apenas começando, como conseguiu mudar completamente as regras. A corrida espacial foi disputada pelos governos de duas superpotências. A corrida pela IA agora pode ser disputada por empresas de todo o mundo.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...