terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2502

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, o otimismo alemão pós-eleitoral traduziu-se apenas em uma modesta subida da bolsa alemã (+0,6%), insuficiente para colocar

a Europa em positivo (-0,4%) e que passou despercebida em Nova Iorque, onde continua o reajuste em baixa (3 sessões consecutivas em queda, exceto SOX/semis (2)), deixando o seu YTD em apenas +1,7%... que tem bastante mais sentido do que o ainda +11,4% da bolsa europeia. Insistimos que o arranque do ano europeu foi irresponsavelmente em baixa, mas esperamos estar errados desta vez.

 

HOJE: não sai nenhuma referência forte e, após 3 dias consecutivas de quedas em Wall St., o padrão clássico dita que deverá reagir um pouco em alta. Se não conseguir, poderá significar que algo com alguma relevância se passa. Mas não parece que vá subir. Irá tentar, mas pensamos

que não conseguirá. E o que provavelmente impedirá será a espera dos resultados de Nvidia de amanhã. Sabemos que, independentemente do que publique (EPS 0,844$; +63%) e transmita, parecerá sempre insuficiente ao mercado. Portanto, cuidado com este assunto tão previsível, porque pode prolongar o enfraquecimento de Nova Iorque e preocupar um pouco. Até quinta-feira, inclusive, pelo menos. Porque na sexta-feira poderá melhorar e, por fim, subir um pouco, porque serão publicadas inflações que parecem suavizar-se: IPC alemão (repetir em +2,3%) e Deflator Consumo PCE nos EUA (+2,5% vs. +2,6%; Subjacente +2,6% vs. +2,8%).   


Por fim, mas apenas como curiosidade e para vos manter a par de tudo, porque não moverão o mercado a não ser devido a surpresas bruscas, HOJE temos, às 10 h, na UE, Salários Negociados em convénios 4T’24 (+5,4% 3T; dado importante para o BCE); às 15 h, Confiança do Consumidor EUA fraca (102,5 vs. 104,1) e falam bastantes banqueiros centrais: às 09:20 h Logan (Fed) e às 13 h Schnabel (BCE), ambas sobre tamanho dos balanços dos bancos centrais; às 16:45 h, Barr (Fed. Supervisão, mas está de saída) sobre estabilidade financeira; 18 h, Barkin (Fed Richmond) sobre inflação. 

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Improvável que consiga subir antes de sexta-feira. Hoje irá tentar, mas não resultará. Se subisse, seria milímetros e mais em Nova Iorque. Estamos em dias de reajuste em baixa em forma de ajuste, porque o arranque de 2025 foi demasiado generoso na Europa. As criptos sofrem seriamente e isso apoia o nosso ceticismo sobre um mercado bastante autocomplacente com os riscos abertos. O bom é que as yields das obrigações aguentam abaixo de níveis que consideramos fundamentais para que as avaliações não se tornem desconfortáveis: Bund < 2,50% e T-Note < 4,50%.

 

S&P500-0,5% Nq-100 -1,2% SOX -2,6% ES-50 -0,4% IBEX +0,5% VIX 19,0 Bund 2,49% T-Note 4,38% Spread 2A-10A USA=+23pb B10A: ESP 3,16% PT 3,04% FRA 3,22% ITA 3,56%Euribor 12m 2,431% (fut.2,235%) USD 1,047 JPY 156,8 Ouro 2.935$ Brent 75,1$ WTI 71,1$ Bitcoin -4,4% (91.467$) Ether -8,6% (2.496$).

 

FIM

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

BDM Matinal Riscala 2402

 *Rosa Riscala: PCE e PIB calibram apostas para o Fed*


… Trump não sai de cena, ora envolvido nas ameaças protecionistas, ora escanteando Zelensky nas negociações com a Rússia para a paz na Ucrânia, onde quer dividir com Putin o espólio da guerra. Na agenda dos indicadores nos EUA, o PCE/janeiro e o PIB/2Tri testam a falta de pressa do Fed em flexibilizar a política monetária, após uma série de dados fracos ter colocado em xeque, na última 6ªF, a chance de só um corte dos juros este ano. Outro destaque da semana é o balanço da Nvidia. Aqui, a Petrobras e a Ambev soltam resultados. A curva do DI já está precificada amanhã para um IPCA-15 de fevereiro acima de 1% e espera pelo Caged de janeiro para conferir o esfriamento da atividade, que pode encurtar o ciclo de aperto da Selic pelo Copom, apesar da percepção de risco fiscal, renovada agora pelos ruídos no Plano Safra.


… Na tarde de 6ªF, em meio ao cenário de aversão ao risco, a piora no câmbio coincidiu com as informações de Haddad sobre a decisão do governo de editar uma MP que abrirá um crédito extraordinário de R$ 4 bilhões para atender o crédito rural.


… Na véspera, o Tesouro avisou aos bancos que a contratação dos empréstimos subvencionados estava suspensa, já que o Orçamento de 2025 ainda não foi aprovado no Congresso. O impacto negativo da medida apressou uma ação do governo Lula.


… O presidente determinou ao ministro da Fazenda que arranjasse uma solução o mais rápido possível.


… Haddad explicou que, na prática, o crédito extraordinário funcionará como um adiantamento do montante previsto para as linhas de crédito. Ele garantiu que a MP respeitará os limites de gastos do arcabouço, sem exceção ao limite.


… Pode não ser uma pedalada fiscal, como correu no mercado, mas um acórdão do TCU de 2017 definiu que novos contratos só podem ser autorizados se houver recursos disponíveis no Orçamento para bancar toda a equalização da taxa de juros naquele exercício.


… O fato é que os ruídos levaram o dólar a superar R$ 5,73 enquanto os juros futuros saíam das mínimas, num ambiente de desconfiança, no qual a tentação por novos gastos continua no radar, diante da impopularidade de Lula.


… Em nova estratégia de comunicação, o presidente cumpre intensa agenda pública.


… Hoje, participa de mais um evento no Rio Grande do Sul para impulsionar a indústria naval (11h), criando oportunidades para ocupar a mídia. O contrato prevê a aquisição de quatro navios da classe Handy para a frota da Petrobras, no valor de US$ 69,5 milhões.


… Ainda nesta semana, Lula viajará a Santos e a Montevidéu, onde participará da posse do presidente eleito do Uruguai, Yamandu Orsi.


… Na 6ªF, em cerimônia no porto de Itaguaí (RJ), Lula disse que tem “obsessão” por baratear os alimentos. O choque nos preços, como se sabe, é apontado como um dos motivos para explicar a perda de apoio do governo junto às classes mais pobres.


… No sábado, durante a festa dos 45 anos do PT, no Rio, Lula disse que não voltou ao Planalto para fracassar e pediu a ajuda dos militantes para divulgar os feitos de seu governo. Sua potencial candidatura em 2026 se depara com uma oposição cada vez mais fortalecida.


… O presidente voltou a elogiar Haddad e a comprar briga com o mercado, uma implicância recorrente. “Em 2023, enquanto o mercado previa pibzinho de 0,8%, nós tivemos um PIB quatro vezes maior, de 3,2%. Em 2024, o crescimento deve ser ainda maior, de 3,8%.”


… Hoje, Fernando Haddad participa à tarde (14h) de evento na B3, em São Paulo, para discutir PPPs e concessões.


NÍSIA ESTÁ FORA – Lula ainda não avisou a ministra da Saúde que decidiu demiti-la, mas a informação é voz corrente e a troca deverá ser feita nesta semana pelo ministro Alexandre Padilha, que deixará as Relações Institucionais, onde ele também não está bem.


… Outro anúncio esperado é a nomeação de Gleisi Hoffmann para a Secretaria Geral da Presidência, no lugar de Marcio Macedo.


EMENDAS E ORÇAMENTO – Alcolumbre se reúne na 5ªF com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tratar da votação do Orçamento deste ano, que ficou para depois do carnaval, no atraso que já exige ajustes fiscais pelo governo.


… No mesmo dia, pretende conversar com representantes do Judiciário e do Executivo para discutir as emendas parlamentares, após Flávio Dino (STF) ter congelado parte dos repasses para exigir transparência.


… Na Folha, as chamadas emendas Pix jogaram 12% dos investimentos do governo federal no escuro; só transportes e defesa nacional tiveram mais que R$ 14,3 bilhões sem finalidade definida em 2023 e 2024, classificados apenas como “encargos especiais”.


RUMBLE – A plataforma de vídeos e a empresa Trump Media & Technology entraram com uma nova ação na Justiça dos Estados Unidos para não cumprir as ordens do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.


… Moraes, que mandou bloquear o Rumble no Brasil, impôs multa diária de R$ 50 mil e determinou a indicação de um representante no País. A Rumble pede medida cautelar “de imediato” para não cumprir as determinações de Moraes.


INDICADORES – A devolução do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica e pressões do grupo Educação devem contribuir para a aceleração do IPCA-15 em fevereiro, avaliam economistas consultados pelo Broadcast.


… O dado, que será divulgado amanhã (3ªF) pelo IBGE deve acelerar para 1,37% (mediana das projeções), contra alta de 0,11% em janeiro. O intervalo das estimativas entre os analistas de mercado vai de 0,56% a 1,53%.


… Em 12 meses, a prévia da inflação oficial deve subir de 4,50% para 5,11% (apostas vão de 4,28% a 5,91%).


… O IGP-M de fevereiro sai na 5ªF. Hoje (8h), tem a prévia do IPC-S e, amanhã (3ªF), do IPC-Fipe. Do lado do emprego, além do Caged (4ªF), tem a Pnad de janeiro na 5ªF, dia ainda das contas do Governo Central (janeiro).


… Hoje serão publicados o boletim Focus (8h25) e dados semanais da balança comercial (15h).


… O mercado também monitora esta semana o rebalanceamento do índice MSCI Brazil. A XP calcula um fluxo de US$ 615 milhões em venda de ações listadas na B3, que serão excluídas da carteira teórica a partir de 3/3.


… A movimentação mais intensa é esperada para a 6ªF antes do carnaval. Os papéis da Hapvida, Cosan, Hypera e CSN serão retirados do índice. Stone&Co e Inter&Co também caem, mas não são listados na bolsa brasileira.


BALANÇOS – Na 4ªF, dia mais forte da semana, além de Petrobras (após o fechamento) e Ambev (antes da abertura), saem BRF, Marfrig, Braskem, C&A, Cosan, CPFL, Kepler Weber, Klabin, Qualicorp, Ultrapar e Weg.


… Hoje, tem Azul pela manhã. Depois do fechamento: Alpargatas, MRV, Vibra Energia, Isa Energia, Auren e 3Tentos. Amanhã é a vez de CBA, IRB Re, Marcopolo, RD Saúde, Telefônica Brasil (Vivo) e Rede D’Or.


… Embraer vem na 5ªF, mesmo dia em que Copel, Fleury e Localiza divulgam os seus resultados trimestrais.


LÁ FORA – Os relatos de que um laboratório da China identificou um novo coronavírus com potencial pandêmico devem continuar sendo monitorados esta semana, depois de já terem despertado corrida por segurança na 6ªF.


… Além disso, o investidor tem no foco o balanço da Nvidia, na 4ªF, e os indicadores nos EUA, depois de dados fracos terem aberto espaço na 6ªF para o Fed eventualmente cortar os juros duas vezes este ano (abaixo).


… O PIB americano do 2Tri será divulgado na 5ªF e o PCE de janeiro, que é o indicador de inflação olhado mais de perto pelo Fed, sai na 6ªF. Hoje (10h30), o Fed de Chicago informa o índice de atividade nacional de janeiro.


… Saem ainda a leitura final de janeiro da inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro (7h) e a pesquisa Ifo de sentimento das empresas alemãs em fevereiro (6h). O BC da Coreia do Sul decide juro no final da noite (22h).     


… Na África do Sul, começa hoje a reunião dos Ministros de Finanças e presidentes de BCs do G20.   


CHINA – Na noite de 6ªF, saem o PMI industrial e de serviços de fevereiro. O Brasil já estará no carnaval.


ELEIÇÕES NA ALEMANHA – A aliança conservadora formada pela União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU) foi a vencedora da eleição deste domingo na Alemanha, com cerca de 30% dos votos. Friedrich Merz assumirá o cargo de chanceler.


… O partido de extrema-direita AfD, da candidata Alice Weidel, ficou em segundo lugar, com aproximadamente 20% dos votos.


… Para o chanceler Olaf Scholz, “um partido de ultra direita ser tão votado não é algo que se ignora”. Sobre o desempenho de seu partido, o SPD, que ficou em terceiro lugar com 16%, Scholz disse que “foi uma amarga derrota” e que tem responsabilidade pelo resultado.


… A Capital Economics avaliou que, embora não houvesse dúvidas sobre a vitória da CDU, não está claro quais as opções de coligação que serão viáveis na Alemanha. Segundo a consultoria, essas negociações podem durar meses.


… Também o holandês ING considera que será complicada a negociação para uma coligação. Segundo o banco, “a Alemanha emerge das eleições deste domingo mais fragmentada do que nunca”.


UCRÂNIA – Colocado de lado por Trump, Zelensky articulou para hoje uma reunião com mais 30 países, tentando apoio na guerra com a Rússia. O presidente dos EUA disse que não acha importante o líder ucraniano participar das negociações.


… Neste domingo, em uma coletiva de imprensa, Zelensky disse estar disposto a renunciar ao cargo de presidente pela paz em seu país. Outra oferta que ele fez, bastante improvável, seria trocar a sua saída pela entrada da Ucrânia na OTAN.


… Trump pressiona a Ucrânia para aceitar a proposta dos Estados Unidos em negociação dez 10 dias, do pagamento para os americanos de US$ 500 bilhões com seus recursos naturais. Zelensky disse que “não assinará algo para ser pago por dez gerações de ucranianos”.


… Na noite de sábado, um grande ataque de drones russos ecoou no centro de Kiev, danificando casas e provocando incêndios.


AVERSÃO AO RISCO – Um combo de notícias negativas detonou um movimento de fuga para a segurança dos investidores na última 6ªF, acentuada pelos relatos de que um novo coronavírus com potencial pandêmico foi anunciado na China.


… Já pela manhã, o PMI aquém das expectativas nos EUA e o aumento nas expectativas de inflação americana colocou em xeque o fôlego da economia, abrindo espaço para o crescimento das apostas em dois cortes de 25pbs (e não apenas um) do juro neste ano.


… Em paralelo, Trump voltou a ameaçar com tarifas de 25% para os automóveis importados, mantendo vivas as incertezas sobre a política comercial, ao mesmo tempo em que prometeu dobrar a oferta de energia no país por meio de carvão limpo, nuclear e gás natural.


… Ainda as dificuldades para o fim da guerra na Ucrânia e as eleições na Alemanha no fim de semana completaram o desconforto.


… As bolsas em NY tiveram quedas fortes, enquanto os yields dos Treasuries caíam com as compras defensivas e o dólar subia ante o euro e a libra esterlina, perdendo apenas para o iene, que se valorizou como ativo seguro e ante a expectativa de aumento do juro japonês.


… No fim da tarde, a divisa americana se desvalorizava a 149,14 ienes, com alta de 0,22% do índice DXY (106,612 pontos).


… Em Wall Street, o Dow Jones caiu 1,69% (43.428,02 pontos); S&P 500, -1,71% (6.013,13); e o Nasdaq, -2,20% (19.524,01).


… Destaque no pregão para a queda dos papéis da Ford (-1,06%) e GM (-3,30%), com a ameaça das tarifas, e alta do setor farmacêutico: Moderna (+5,34%), Pfizer (+1,54%) e BioNTech (+1,81%), pelo risco do novo coronavírus.


… Nos Treasuries, a demanda defensiva derrubou a taxa da Note-10 anos abaixo dos 4,50% (4,427%) e do T-Bond 30 anos a 4,677%.


… Em meio ao cenário de aversão ao risco, o petróleo registrou queda forte, com o Brent/maio a US$ 74,43 na Ice (-2,68%) e o WTI/abril negociado a US$ 70,40 na Nymex (-2,87%), influenciando para a queda das ações de Petrobras na B3.


… Os ativos domésticos acompanharam o mau dia para os negócios no exterior, com queda do Ibovespa para 127.128,06 pontos (-0,37%) e alta do dólar.


… Depois de operar estável na maior parte da sessão, o dólar ganhou força nas últimas horas e fechou acima de R$ 5,73, com um avanço de 0,46%. Na máxima, bateu R$ 5,7362. Na semana, a divisa americana ganhou 0,60%, mas ainda com queda de 1,82% em fevereiro.


… Os picos do dólar coincidiram com o anúncio da MP que abrirá crédito extraordinário de US$ 4 bilhões para o crédito rural.


… Já os juros futuros, acompanhando o fechamento das taxas dos Treasuries, devolveram prêmios em toda a curva, aproveitando também para ajustes após os leilões expressivos de títulos públicos do Tesouro nesta semana, segundo operadores.


… A taxa do DI/janeiro de 2026 caiu para 14,515% (de 14,650% na véspera) e do DI/janeiro de 2027 cedeu para 14,375% (de 14,621%). O para janeiro de 2029 recuou a 14,295% (de 14,460%). A fala do diretor de Política Monetária mais cedo contribuiu para as queda.


… Em evento do Bradesco BBI, Nilton David pareceu dovish, ao afirmar que uma elevação preventiva da Selic baseada em riscos no cenário seria “inadequada”. “A política monetária já está apertada, o que demanda paciência para esperar seus efeitos defasados.”


… A curva de juros precifica uma alta de 100pbs em março, 50pbs em maio e 25pbs em junho, segundo cálculos de Flávio Serrano (Bmg).


… Vindo de uma alta forte na véspera, o Ibovespa devolveu tudo na 6ªF, com o desempenho negativo das ações de primeira linha, à exceção da Vale ON, que ampliou os ganhos com o balanço e fechou na máxima, a R$ 58,16 (+0,73%).


… Já Petrobras cedeu 0,29% (PN, a R$ 38,39) e 0,56% (ON, a R$ 42,26), na esteira da queda do petróleo.


… A ausência de números fortes nos balanços pesou em Lojas Renner (-14%), B3 (-0,62% e Rumo (-2,27%). Em NY, os papéis do Nubank tomaram um tombo de 18,89%, o pior fechamento da história da fintech na Nyse.


… Segundo analistas do BB BI, a pressão nos custos de captação e uma incômoda desaceleração em algumas linhas de cartões elevaram questionamentos quanto à capacidade do Nubank de sustentar seu ritmo de crescimento.


EM TEMPO… VALE informou que está avaliando as medidas necessárias para restabelecer a plena vigência da licença de operação da mina de cobre de Sossego, em Canaã dos Carajás (PA)…


… A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará suspendeu nesta 3ªF (20) a licença de operação da mina.


M. DIAS BRANCO. Fabricante de alimentos registrou queda nos seus principais indicadores financeiros no acumulado de 2024…


… O lucro líquido de R$ 646 milhões no ano ficou 27,3% menor na comparação ante 2023; o Ebitda de R$ 1,198 bilhão recuou 16,4% e a receita líquida cedeu 10,9% na comparação anual, alcançando R$ 9,663 bilhões em 2024…


… O valor bruto total para crédito e pagamento de remuneração aos acionistas em 2024 será de R$ 174.450.157,59, considerando quatro antecipações trimestrais de JCP de R$ 0,06 por ação, além do valor residual de dividendos de R$ 0,28025295219 por ação…


… A partir de 19 de março as ações serão negociadas ‘ex-dividendos’. O pagamento será feito em 1º de abril deste ano.


ASSAÍ teve luro líquido de R$ 297 milhões no 4TRI23, queda de 26,8% s/ 4TRI22; Ebitda ajustado subiu 22,6%, para R$ 1,436 bi; receita líquida aumentou 15,5%, para R$ 18,421 bi.


HYPERA. Assembleia aprovou aumento de capital de R$ 4,56 bilhões, sem emissão de novas ações, mediante capitalização de parte da reserva de incentivos fiscais.


LIGHT disse que segue em tratativas com principais credores com vistas a um acordo; oportunamente será apresentada nova versão de plano de recuperação.


ENERGISA. Registrou crescimento no consumo de energia elétrica nas áreas de concessão em janeiro de 2025, totalizando 3.525 GWh, um volume que representa aumento de apenas 0,7% em relação a janeiro/24, quando registrou a maior alta em 21 anos (+13,6%).


CEMIG. Assinou contrato com a Âmbar Hidroenergia, braço do Grupo J&F, para a venda de quatro usinas hídricas por R$ 52 milhões…


… A Cemig anunciou ainda que fará a 12ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária e com garantia fidejussória adicional, no valor de R$ 2 bilhões, em até duas séries, no Sistema de Vasos Comunicantes.


COPEL GERAÇÃO E TRANSMISSÃO. Subsidiária da Copel comprou a participação da Neoenergia na Geração Céu Azul por R$ 984 milhões, exercendo seu direito de preferência no ativo. E, posteriormente, a empresa vendeu à DK Holding Investment a usina Baixo Iguaçu.


TENDA informou que foi liquidada a operação referente à venda de carteira pró-soluto (cessão), realizada no âmbito de operação de securitização de certificados de recebíveis imobiliários (CRI), emitidos pela True Securitizadora, por meio da 265ª emissão…


… Montante total líquido recebido pela companhia, decorrente da cessão, foi de R$ 167.692.905,74; valor total da oferta era de até R$ 173,260 milhões.


IGUATEMI. Cristina Betts deixará de ocupar a posição de diretora presidente da Iguatemi e Ciro Zica Neto, atual vice-presidente comercial, assumirá o posto ao longo de março de 2025.


QUALICORP. Conselho de administração irá propor na próxima assembleia geral de acionistas a redução de 9 para 5 o número de membros efetivos no conselho, com o objetivo de simplificar a estrutura administrativa da empresa e reduzir os custos da administração.


BERKSHIRE HATHAWAY. Lucro operacional no 4Tri aumentou 71% após impostos em comparação com o mesmo período de 2023 e atingiu o recorde de US$ 14,5 bilhões, devido à força das operações de seguros da empresa e à maior renda de investimentos.


… O conglomerado do megainvestidor Warren Buffett não recomprou nenhuma ação no período, e ao longo de 2024 fez a recompra de apenas US$ 2,9 bilhões, o menor total anual desde 2018. As ações subiram mais de 25% em 2024 e lideraram o índice S&P 500.

Bankinter Portugal Matinal 2402

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: A sexta-feira foi normal na Europa, mas retrocessos duros em Wall St. devido ao impacto negativo nas expetativas sobre o Consumo

Privado da revisão em baixa do Índice de Confiança da Universidade de Michigan até nada menos que 64,0 vs. 67,3 preliminar vs. 68,7/71,3 esperado. Isso uniu-se ao fraco guidance de Walmart, um pouco antes. Entre ambos, fizeram com que Nova Iorque sofresse bastante no final da sessão americana de sexta-feira.


Como contrarreação natural, HOJE os futuros americanos sobem ca.+0,5% e com o apoio da Europa, onde os futuros sobre o DAX alemão sobem ca.+1,1% graças ao facto de CDU ter ganho na Alemanha. Mas é uma vitória amarga, porque continuará a ser necessária uma grande coligação de governo que diluirá qualquer decisão importante em termos económicos, como ocorreu até agora (o atual Ministro da Economia é do partido Verdes). Resultados preliminares (% votos/assentos): CDU 28,5%/208. AfD 20,5%/150. SPD 16,5%/121. Verdes 11,9%/86. Die Linke 8,7%/64. BSW 5%/1. A maioria absoluta para governar confortavelmente é de 314 assentos no parlamento. A única alternativa de mínimos, excluindo AfD, é CDU + SPD = 329. Não precisariam dos Verdes. Mas isso não garante, longe disso, que esse governe aceite levantar o limite constitucional à dívida (+0,35% s/PIB anual), para as quais seriam necessárias maiorias qualificadas de 2/3 em ambas as câmaras (Bundestag e Bunderat). Mas o mercado HOJE pressupõe que ambos irão efetivamente governar e que irão elevar o teto da dívida, reavivando a economia alemã com keynesianismo generoso… o que é difícil de acreditar para a Alemanha, principalmente se CDU aspira governar novamente algum dia.

 

Esta semana, além da reação em alta de hoje, segunda-feira,

pelo comentado (contrarreação a sexta-feira em Nova Iorque e eleições alemãs), teremos 2 dias importantes: quarta-feira, à noite, resultados de Nvidia (EPS 0,843$) e na sexta-feira, às 13:30 h teremos IPC alemão (repetir em +2,3%) e Deflator Consumo PCE nos EUA (+2,5% vs. +2,6%;

Subjacente +2,6% vs. +2,8%). Em relação a Nvidia, já sabemos que, independentemente do que publicar, parece sempre insuficiente, portanto a estratégia com mais probabilidade de sucesso é comprar depois da publicação (além disso, agora que na sexta-feira caiu -4,1%, seria um timing excelente). Mas Nvidia prejudicará o mercado, de certeza, antes de voltar a melhorar. E as expetativas sobre as inflações parecem quase demasiado boas, portanto cuidado, porque o risco é que dececionem e que, também, prejudiquem o mercado, mais para o final da semana. 

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Começamos a semana com uma subida, mas é pouco fiável, considerando o difícil que será uma coligação na Alemanha que elimine o limite da dívida, a publicação de Nvidia na quarta-feira à noite e as inflações na Alemanha e nos EUA na sexta-feira, sobre as quais as expetativas parecem um pouco otimistas. Cuidado a dar credibilidade a um arranque otimista da semana, porque as bolsas podem terminar a reverter e as yields das obrigações a reverterem. Provavelmente, melhor semana para as obrigações do que para as bolsas.

 

S&P500 -1,7% Nq-100 -2,1% SOX -3,3% ES-50 +0,3% IBEX -0,1% VIX 18,2 Bund 2,47% T-Note4,43% Spread 2A-10A USA=+23pb B10A: ESP 3,14% PT 2,98% FRA 3,22% ITA 3,56% Euribor 12m 2,463% (fut.2,233%) USD 1,050 JPY 157,1 Ouro 2.938$ Brent 74,4$ WTI70,3$ Bitcoin -2,7% (95.860$) Ether -1,2% (2.731$).

 

FIM

Nova Futura 2402

 Morning Call Nova Futura – 24/fev


Resumo dos mercados (às 5h30):

• S&P 500 Futuro: 0,29%

• Stoxx 50: -0,49%

• Nikkei 225: sem negociações

• Shanghai Composite: -0,18%

• Treasury 10 anos: queda em 4,423%

• DXY: -0,10% em 106,53

• Minério de Ferro (Singapura): -0,08% a US$ 108,40

• Ouro (Comex): 0,12% em US$ 2956,8 por onça-troy

• Petróleo (Brent): -0,09% em US$ 74,16 o barril


Em semana marcada pelas divulgações do PIB americano e pelo CPI na zona do Euro e do PCE americano, mercados iniciam a segunda-feira dividida, com Ásia impulsionada pelo otimismo com as ações chinesas e NY se recuperando das perdas na sexta. Na Europa, os investidores digerem os resultados da eleição alemã, levando à manhã negativa para os índices. Juros operam de lado e dólar opera sem direção definida. Commodities caem de maneira disseminada. Por aqui, a semana tem IGP-M e IPCA-15 como destaques, com a confiança do consumidor da FGV sendo divulgada hoje. O Ibovespa deve abrir com viés de baixa e dólar com viés de alta. Nos juros, as taxas devem ser pautadas pelo boletim Focus, mas a performance das taxas no exterior sugere viés de baixa na abertura.


Ásia: em dia sem negociações em Tóquio, bolsas fecharam em alta, apoiadas pelo otimismo com as ações chinesas. Hoje, PPI do Japão (jan/25) às 20h50 e decisão de juros do BoK às 22h.


Europa: bolsas operam com viés negativo, com os investidores digerindo os resultados da eleição alemã. No Reino Unido, o PMI industrial recuou de 48,3 para 46,4 pontos (exp 48,4) em fev/25, mínima em 16 meses, e o de serviços subiu de 50,8 para 51,1, pontos (exp 50,8), 16ª expansão seguida. Na zona do Euro, o PMI industrial subiu de 46,6 para 47,3 pontos (exp 47,0) em fev/25, 32ª contração seguida, e o de serviços caiu de 51,3 para 50,7 pontos (exp 51,5), 3ª expansão seguida. Hoje, confiança industrial da Ifo (fev/24) às 6h e CPI da zona do Euro (jan/25) às 7h.


EUA: após o fim de semana sem grandes novidades, futuros se recuperam das perdas de sexta-feira. Foram vendidos, em termos anualizados, 4,08 mi (exp 4,13 mi) imóveis usados em jan/25, queda de 4,9% (2,6% a/a) na margem. O PMI industrial subiu de 51,2 para 51,6 pontos (exp 51,4) em fev/25, máxima em 11 meses, e o de serviços caiu de 52,9 para 49,7 pontos (exp 53,0), mínima desde fev/23. A confiança do consumido da Universidade de Michigan recuou de 71,1 para 64,7 pontos (prévia 67,8) em fev/25, com a inflação esperada para os próximos 12 meses subindo para 4,3% (prévia 4,3%) e de longo prazo saltando para 3,5% (prévia 3,3%). Hoje, índice de atividade do Fed Chicago (jan/25) às 10h30 e índice industrial do Fed Dallas (fev/25) às 12h30. Leilão de T-Notes (2 anos) às 15h.


Brasil: segundo a CNI, o índice de confiança da construção caiu de 51,0 para 49,6 pontos em jan/25, 1ª contração em 24 meses. David (BCB) disse que a incerteza reduziu desde janeiro, que o BC não tem um objetivo de câmbio nem um nível de reservas ideal, além de afirmar que o BC está confortável em trabalho com um juro neutro mais alto e a autoridade monetária não pode se afobar a qualquer ruído, que a atividade não vai definir a atuação do Copom e que, se necessário, o Copom voltará a ajustar os juros. Haddad declarou que o governo vai atender as linhas de crédito do Plano Safra e que vai usar uma MP para abrir crédito extraordinário, em torno de R$4 bi. Na agenda, confiança do consumidor da FGV (fev/25) e IPC-S (21/fev) às 8h, boletim Focus (21/fev) às 8h25 e balança comercial (21/fev) às 15h. Haddad fala às 14h.


Ótima segunda-feira!

Nicolas Borsoi – Economista-Chefe

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Amilton Aquino

 Uma das coisas mais lamentáveis do mundo atual é o aumento expressivo das possibilidades de criação de narrativas. Para qualquer coisa, por mais absurda que seja, uma massa acéfala estará pronta para consumi-la e disseminá-la. E, num mundo cada dia mais complexo, cheio de nuances e contradições, basta uma meia-verdade, uma foto descontextualizada ou um material qualquer falsificado pela IA para tocar o berrante da massa ávida por reforçar suas doentias crenças.


Ver a mentira ser reproduzida por um cidadão comum já é lamentável. Agora, ver a mentira mais absurda ser repetida e normalizada pelo homem mais poderoso do mundo é de embrulhar o estômago. Se o início de fevereiro de 2025 entrou para a história como a data da cisão da cooperação militar entre os EUA e as democracias europeias, esta semana marca o triunfo da mentira de Putin — o denominador comum que une populistas de direita e de esquerda. “Zelensky iniciou a guerra!”. Não foi Putin quem invadiu a Ucrânia duas vezes em seis anos (a primeira, antes mesmo de Zelensky chegar ao poder). A culpa é do “comediante” Zelensky. Ele seria o verdadeiro ditador, que não realiza eleições, apesar de a constituição ucraniana proibir expressamente eleições em tempos de guerra. Segundo Trump, o verdadeiro democrata é Putin, que realizou eleições em tempo de guerra — ainda que eliminando seus principais opositores!


Agora ficou fácil entender por que Trump prometia acabar com a guerra em 24 horas. Ele não só planejava sentar no colo de Putin, repetindo suas mais descaradas mentiras, como agora dá um xeque-mate na Ucrânia, ao exigir metade do que for extraído de minerais raros sem sequer prometer continuar ajudando o país oprimido pelos russos.


O que resta então à Ucrânia? Desenvolver seu próprio arsenal nuclear, corrigindo o erro histórico ao assinar o Acordo de Budapeste de 1994, pelo qual se comprometeu a abrir mão de seu arsenal nuclear em troca da defesa da Otan em caso de agressão russa. Mas isso, claro, só será possível se a Europa continuar ajudando a Ucrânia, pois, do contrário, o país poderá ter o mesmo destino da Chechênia, que chegou a expulsar os russos de seu território, mas acabou voltando a ser um estado fantoche de Moscou após a cooptação de seu ditador.


Quem será o próximo? A Europa se pergunta. No novo mundo de Trump, os EUA — que lideraram a criação dos organismos internacionais responsáveis por estabelecer consensos mínimos de civilidade nas relações internacionais — agora diz não ter nada a ver ver com qualquer esforço mundial de combate à tirania.


Ou seja, a repulsa justificável aos excessos da cultura woke nos organismos internacionais está nos levando ao outro extremo: ao vale-tudo da era anterior às duas guerras mundiais, quando prevalecia o colonialismo descarado e a lei do mais forte.


E o mais lamentável de tudo é que a Rússia está muito próxima de ser derrotada militarmente, ao ponto de ter que recorrer à ajuda da Coreia do Norte e do Irã. Mais um ou dois anos de apoio à Ucrânia, e a Rússia seria forçada a se retirar do país, assim como se retirou do Afeganistão.


“Entre a desonra e a guerra, escolhestes a desonra, e terás a guerra.” A frase profética de Churchill sobre Chamberlain aplica-se também a Trump — o tigrão com os pequenos e tchutchuca com os fortões.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Resumo

 📊 Resumo da Semana 


Os investidores estavam dispostos a encontrar desculpas para embolsar lucros em Wall Street nesta 6ªF, depois do S&P500 ter renovado seu recorde histórico no meio da semana. A possibilidade de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia alimentou o apetite por risco nos últimos dias, mesmo depois dos ataques de Donald Trump a Volodymyr Zelensky, a quem chamou de ‘ditador’. O presidente ucraniano fingiu que não ouviu e manteve a disposição de negociar com os americanos uma saída da guerra, ciente de que não há como ignorar o poderio econômico e militar dos EUA. Hoje, porém, a piora nos números de sentimento do consumidor, das expectativas de inflação e de atividade (PMI) no setor de serviços assustaram o mercado, que preferiu garantir dinheiro no bolso. Os investidores ignoraram o fato de que o PMI industrial continuou subindo e, inclusive, ficou acima do esperado. Afinal, sinais de uma economia mais fraca seriam uma boa desculpa para o Fed voltar a cortar juros e permitir que as bolsas, já esticadas, sigam subindo. A notícia, confusa, sobre uma descoberta de um novo tipo de coronavírus na China, apenas serviu para acentuar a correção dos ativos durante a tarde. A descoberta, em morcegos, seria transmissível aos humanos e teria potencial pandêmico maior que o vírus da Covid-19. A notícia não deixa claro que não houve nenhum relato de transmissão, tampouco que há dezenas de tipos de coronavírus na natureza, muitos deles com potencial de infectar humanos. Na prática, tais contaminações, como a da Covid-19, são raríssimas. Além disso, o mundo está bem mais preparado hoje, tecnicamente, para lidar com uma situação similar à pandemia de 2020. Vamos torcer para todo mundo continuar saudável na semana que vem.  

Bom fim de semana! 

(Téo Takar)


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Fernando Schuler

 Mais um artigo estupendo do Fernandos Schuler! 


Nossa Herança Comum

Fernando Schuler, Veja - 21/02/2025


"J.D. Vance fez um discurso inusitado na Conferência de Segurança europeia, em Munique. Plateia repleta de líderes do continente, grande expectativa, esperava-se que ele falasse de Putin, da guerra, mas Vance não se abalou: “O problema de vocês não são as ameaças que vêm da Rússia nem a China, mas o perigo que vem de dentro”, disse. E completou: “O recuo da Europa em seus valores mais fundamentais, que são os mesmos dos Estados Unidos”. Generosidade dele. Os valores europeus nunca foram os mesmos que os da formação americana. A inspiração que veio de Locke, Milton e do liberalismo inglês, que andava na cabeça dos fundadores da América, sempre foi um recorte muito específico da tradição europeia. O Velho Continente nunca teve nada semelhante à Primeira Emenda, garantindo a liberdade de expressão. E vem daí a raiva provocada pela fala de Vance. Na prática, ele deu um sermão na liderança europeia com base em deuses ou, ao menos, em credos não tão comuns assim.


Vance fez nove acusações. Quatro dizem respeito à agenda woke. Coisas como a prisão de Adam Smith-Connor, um fisioterapeuta condenado por rezar perto de uma clínica de aborto, na Inglaterra. Outras têm a ver com a censura e a intolerância política. Tudo bem representado, na visão de Vance, pelos firewalls, a prática de isolar a direita no jogo político. A lógica que foi se tornando comum, nos anos recentes, segundo a qual há uma “extrema direita” ilegítima e que, como tal, não deve ser admitida na democracia. O conceito é elástico e pode incluir Trump, um libertário como Milei, um partido direitista como a Alternativa para a Alemanha (AfD) ou o tradicionalismo francês de Marine Le Pen. Diria que qualquer um que Anne Apple­baum e alguns colunistas do Times resolvam chamar de “autocratas” é candidato à lista. A eleição de Trump criou um problema para essa turma, visto ser ridículo tratar um presidente eleito com maioria sólida no Congresso como uma espécie de marginal.


O fato mais grave citado por Vance diz respeito ao cancelamento das eleições presidenciais na Romênia em dezembro. Calin Georgescu, engenheiro agrícola de “extrema direita”, ganhou as eleições e a Corte Constitucional mandou fazer novas eleições. O motivo: suspeitas de dinheiro russo impulsionando contas do TikTok em apoio a Georgescu. Causando “desordem informacional” na cabeça do “eleitor ordinário”, para dar um toque brasileiro ao problema. Se a moda pegar, a cada vez que o povo votar errado basta a Suprema Corte anular as eleições e fazer a turma votar de novo. Vance foi direto: “Se você foge assustado de seus próprios eleitores, nem os EUA podem salvá-lo”.


Vance fez em seu discurso uma forte defesa de um velho conceito nascido no coração da Europa: a ideia das sociedades abertas. O conceito foi usado por Karl Popper em seu livro escrito sob o trauma da Segunda Guerra. Ele diz, em essência, que nosso destino, como sociedade, é aprendermos a viver junto com pessoas que divergem fundamentalmente de nós. De nossos valores, da maneira como enxergamos a vida, das relações entre homens e mulheres e do destino humano. Daí a frase de Vance sobre respeitar os direitos de nossos “oponentes”, em vez de colocá-los na cadeia, “seja o líder da oposição, seja um cristão rezando ou um jornalista tentando relatar as notícias”. E aqui é preciso ser claro: Vance tem razão. E suas razões vêm do fundo do próprio aprendizado europeu. Da renúncia a mandar os hereges para a fogueira, contrarrevolucionários para a guilhotina ou judeus para campos de concentração.


A ideia das sociedades abertas foi a pedra de toque das democracias liberais à época da Guerra Fria e depois da queda do Muro de Berlim. Época que o pensador conservador N.S. Lyons bem chamou de “longo século XX”, marcada pelo “é proibido proibir”, de maio de 68, e pelo otimismo liberal de Fukuyama, bem depois, com seu “fim da história”. De alguns anos para cá, essas coisas mudaram. Da celebração da liberdade, fomos mergulhando na era do “controle”. Lyons e muitos conservadores culpam a própria ideia das sociedades abertas pelo desmoronamento. Nossa civilização teria cedido a uma ideia empobrecida da política como técnica. A noção do Estado fundado em procedimentos “neutros” feitos de “processos burocráticos, decisões judiciais e comissões tecnocráticas”. A visão é caricatural, mas faz sentido: instituições sem “alma”, destituídas de base de valores, acreditando na ingênua ideia de neutralidade do Estado diante da diversidade de visões de mundo.


Lyons está errado. E arrisco dizer que a velha ideia de Popper nunca foi tão necessária. Digo mais: os males de nossa civilização provêm exatamente da traição aos valores das sociedades abertas, e não o contrário. Mesmo sendo um conservador, foi exatamente isso o que disse Vance. O que aconteceu, nas últimas duas décadas, foi o lento processo de captura do Estado por um novo tipo de ideologia. Quando uma Corte Constitucional diz que esse ou aquele grupo não é legítimo para ganhar uma eleição, que certos tipos de opinião são inaceitáveis no debate público, o sinal é claro: a premissa da neutralidade das instituições foi atirada pela janela. Quando a educação pública se subordina a premissas dadas pelos movimentos identitários, temos o mesmo fenômeno. E, por óbvio, quando chegamos ao ponto de o sujeito ser preso por rezar em silêncio, há muito se cruzou uma fronteira.


Não deixa de ser curioso que Vance, ele mesmo um conservador, tenha feito um discurso em defesa das sociedades abertas. E o fez por uma simples razão: porque não há outra saída. Se Vance reivindica o direito de Smith-­Connor rezar perto daquela clínica, no Reino Unido, terá de aceitar que uma ativista feminista defenda o direito ao aborto em alguma outra calçada. Isso vale para católicos, protestantes e para toda sorte de predileções. Dias atrás li sobre o 4B, uma nova seita de mulheres que não quer conversa com o sexo masculino. E há quem viva imitando cães e tartarugas por aí. O que nenhum desses agrupamentos está autorizado a fazer é converter sua moralidade privada na régua ética para a sociedade. É esse o ensinamento singelo de Popper. Isso pode irritar a esquerda, seduzida pela cultura woke. E a um certo conservadorismo que parece sonhar em fazer o mesmo a partir dos “valores tradicionais”. Mas a verdade é que a ideia liberal vem do fundo da própria tradição europeia. Do aprendizado com as guerras de religião, que fez Locke escrever suas cartas sobre a tolerância; do horror com o fanatismo religioso, que fez Voltaire dobrar a Justiça francesa, no caso Jean Calas; da reação à injustiça movida pelo ódio político e racial, que fez Zola escrever seu “J’Accuse…!”. Tudo isso pertence à Europa. Mas é também a nossa herança. Nossa melhor herança, da qual não deveríamos abrir mão."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

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