terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Jonas Federighi

 

O artigo sustenta que a democracia liberal voltou a ser atacada por movimentos populistas que exploram frustrações sociais e canalizam ressentimento contra o capitalismo. O autor abre com a tese de Francis Fukuyama (Liberalism and its Discontents): as ameaças ao liberalismo vêm tanto da direita (mais imediata e política) quanto da esquerda (mais cultural e lenta), ambas impulsionadas por descontentamentos com distorções e “excessos” na aplicação de ideias liberais. A mensagem inicial é que o debate não é abstrato: existe uma ofensiva prática contra o capitalismo e suas instituições.

Na sequência, ele afirma que o “neossocialismo” estaria migrando do discurso para a captura institucional, usando como exemplo a eleição de Zohran Mamdani em Nova York como sinal de viabilidade eleitoral de um discurso hostil ao capitalismo no coração do consumo ocidental. A ideia é que, por vias legais e dentro das regras, esse movimento tentaria “dinamitar” por dentro os pilares da livre iniciativa e, com isso, corroer as franquias de liberdade política.

O texto amplia o foco para a geopolítica. Sustenta que a América Latina vive há décadas uma dinâmica de infiltração de agendas estatizantes e governos corruptos, num ambiente em que EUA e, mais recentemente, China competem por influência. Nesse quadro, o autor descreve o governo Trump (com Marco Rubio) como articulador de uma “Doutrina Monroe 2.0”, com três frentes: Canal do Panamá, apoio a Javier Milei e uma campanha na Venezuela associada ao combate ao narcotráfico e suas conexões com o regime — com efeito colateral no Brasil, pela discussão de segurança pública nas eleições de 2026.

A conclusão é um alerta: a maior ameaça ao capitalismo americano seria o “comunismo mercantilista e tecnológico” chinês, agravado por instabilidade russa e tensões no Oriente Médio, deixando o Brasil exposto a choques externos e disputas de influência. O autor fecha com uma aposta: o que restar da democracia dependerá, em grande medida, da confiabilidade do sistema de Justiça — se justo e previsível, há rumo democrático; se capturado e desconfiável, o país entra em “mar vermelho”, com instituições sequestradas por burocracias e interesses que substituem prosperidade por desmando.

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