segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Setor de saneamento deve captar até R$ 24 bi no 1º semestre via mercado*


Por Elisa Calmon e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 13/02/2026 - Empresas do setor de saneamento caminham para levantar até R$ 24 bilhões no mercado de capitais ainda no primeiro semestre de 2026, estimam fontes. Em meio à corrida para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033 e a uma janela ainda considerada favorável para ofertas públicas, apesar do estresse recente com as techs nos Estados Unidos, o mercado espera pelo follow-on para desestatização da Copasa e vê chances de IPOs de Aegea e BRK.


A Aegea é o nome mais aguardado na B3 e o mais comentado na Faria Lima como provável candidata a abrir capital neste ano. A empresa teria fechado com BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para coordenar uma operação estimada entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No mês passado, realizou reuniões informais com investidores nos Estados Unidos.


A BRK Ambiental protocolou pedido de registro para IPO na Comissão de Valores Mobiliários em dezembro e trabalha com uma oferta entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com chance de sair em abril ou maio, a depender das condições de mercado. A operação tem como coordenadores BTG Pactual, Itaú BBA, Santander Brasil e Caixa Econômica Federal.


Já a desestatização da Copasa deve ocorrer entre março e abril, com expectativa de levantar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. No fim de janeiro, a companhia divulgou o modelo da operação, que repete a estrutura de follow-on adotada pela Sabesp em 2024 e prevê a entrada de um investidor estratégico.


Demanda por investimentos


O País precisará de cerca de R$ 900 bilhões para atingir o acesso pleno aos serviços de água e esgoto até 2033, estima a Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). "O setor de saneamento é hoje o que o elétrico era há 20 anos. Há uma avenida grande de crescimento, justamente porque ainda existe forte necessidade de investimento", afirma Giuliano Ajeje, do UBS BB.


Com o prazo para universalização cada vez mais curto, Estados e municípios têm intensificado parcerias com a iniciativa privada para ampliar a capacidade de investimento e cumprir as metas regulatórias. Apenas em 2026, seis grandes projetos devem ir a leilão, somando R$ 27,5 bilhões, segundo levantamento da associação com base em dados do Radar PPP e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Para fazer frente a esse volume de investimentos, o setor depende de múltiplas fontes de financiamento. "O saneamento vive um ciclo de expansão que exige previsibilidade e recursos. O mercado de capitais, como as debêntures incentivadas e de infraestrutura, complementa o crédito bancário e viabiliza investimentos no ritmo exigido pela universalização", afirma a diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias.


Janela favorável


O momento de mercado ainda é visto como oportuno para as empresas se capitalizarem, apesar do estresse observado nos últimos dias com os papéis de empresas de tecnologia nos Estados Unidos. O presidente do Citi Brasil, Marcelo Marangon, avalia que há espaço para uma retomada de IPOs no primeiro semestre e o movimento tende a ser puxado por empresas de infraestrutura e saneamento.


Para Marangon, as eleições devem trazer maior volatilidade na segunda metade do ano, incentivando empresas a acessar o mercado antes desse período. "Então, naturalmente, devemos ter uma concentração de operações no mercado de capitais neste primeiro semestre", projetou.


Como essas janelas não costumam ser longas no Brasil, é importante aproveitar o momento, afirma Mariana Saragoça, sócia responsável pela área de direito administrativo, regulatório e setores regulados do Stocche Forbes.


Segundo ela, follow-ons e IPOs ajudam a pulverizar o capital e ampliar a base acionária dessas companhias. "Em setores de utilities, como energia, gás e saneamento, há contratos de longo prazo, modelo regulatório pré-estabelecido e regras tarifárias relativamente estáveis, com dificuldade de alteração abrupta. Esses são atributos que atraem investidores no mercado de capitais", avaliou.


Contatos: elisa.ferreira@estadao.com; altamiro.silva@estadao.com


Broadcast+

Toffoli e Master

 *Extratos comprovam repasses milionários de Daniel Vorcaro para empresa de ministro Dias Toffoli*


Documentos obtidos pelo Estadão mostram que aportes em fundo que comprou fatia do Tayayá batem com mensagens de dono do Master obtidas pela PF; procuradas, defesas de banqueiro e ministro não responderam


Impeachment de Dias Toffoli: Senado está diante de tempestade perfeita


Além de aparecer enrolado nas teias do Banco Master, ministro enfrenta problemas com os três Poderes. Crédito: TV Estadão


SÃO PAULO E BRASÍLIA - O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo Estadão.


As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro. Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações milionárias no empreendimento e ainda disse que estava sendo cobrado pelos repasses, como revelou o Estadão.



Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final). Procurado neste sábado, 14, ele não se manifestou. A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos. Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não irão se manifestar. O espaço segue aberto.


O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e os extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio.


Como revelou o Estadão, o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos - também investigada pela PF no caso Master. O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.


No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro, no Paraná.


Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A. - empresa de Toffoli - nessas duas companhias, ou seja, no resort.


Porém, os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli. Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios. São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.


Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões. No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort - no qual a Maridt, empresa de Toffoli, possuía participação societária.


Segundo os extratos obtidos pela reportagem, nos dias 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano, Fabiano Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.


Em janeiro, quando o Estadão revelou que Zettel era o cotista do fundo Leal, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.


Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.


Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná. Crédito: Pedro Augusto Figueiredo e Taba Benedicto/Estadão


Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar. Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya - 15″. Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.


Em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças pelos pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.


Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, perguntou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.


Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças feitas a ele pelos repasses.


Os extratos obtidos pelo Estadão mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal. No entanto, de fato, o Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época. Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.


No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Dias Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.


Na quinta-feira, 12, um dia após vir à tona a existência de um relatório da PF com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo. O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.


*Toffoli nega recebimento de Vorcaro*



Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro. Leia a íntegra da manifestação:


“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.


O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.



https://www.estadao.com.br/economia/extratos-comprovam-repasses-milionarios-vorcaro-empresa-ministro-toffoli/

Lula e Toffoli

 *Lula se irrita com Toffoli e com PF no caso Master*


Na semana passada, Toffoli abriu mão da relatoria do processo após no STF


(Atualizado em 15/02/2026 - 11h01)


O presidente Lula (PT) ficou irritado com a atuação da PF (Polícia Federal) e do ministro do STF Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master, liquidado em 2025 pelo Banco Central.


Conforme apurou o R7 Planalto, o petista não gostou de a PF ter iniciado uma investigação sobre o ministro sem autorização da PGR ou do STF.


Na semana passada, a instituição entregou um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, que detalha um suposto envolvimento do ministro com investigados no caso Master.


*Já com relação a Toffoli, o presidente não gostou da atuação do ministro no processo. O petista considera que o magistrado poderia ter se afastado do caso, evitando todo mau estar e “suspeição” sobre si.*


Na semana passada, Toffoli abriu mão da relatoria do processo após reunião com os ministros da Corte. O caso foi redistribuído para o ministro André Mendonça


https://noticias.r7.com/prisma/r7-planalto/lula-se-irrita-com-toffoli-e-com-pf-no-caso-master-15022026/#

Agenda de carnaval

 *CALENDÁRIO DE FUNCIONAMENTO: FERIADOS E MERCADOS GLOBAIS*



​• *Brasil (B3)*: Devido ao feriado de Carnaval, a bolsa brasileira permanecerá fechada na segunda (16) e na terça-feira (17). As atividades serão retomadas na quarta-feira de cinzas (18), com abertura do pregão a partir das 13h00.


​• *EUA – Mercado à Vista (Ações)*: Na segunda-feira (16), a NYSE e a Nasdaq estarão fechadas o dia todo em celebração ao Presidents' Day. O funcionamento normal das bolsas de Nova York retorna na terça-feira (17), das 11h30 às 18h00.


​• *EUA – Mercados Futuros (CME/Globex)*: Na segunda-feira (16), os futuros de índices e juros operam em regime de plantão. As negociações param exatamente às 15h00 e permanecem suspensas durante a tarde, com a reabertura agendada para as 20h00 (horário de Brasília).


​• *Europa (Londres, Frankfurt, Paris)*: As principais praças europeias operam em horário normal durante toda a semana, sem feriados previstos. O pregão ocorre das 05h00 às 13h30 (horário de Brasília), sendo a única referência de liquidez ocidental na manhã de segunda-feira.


​• *China (Xangai e Shenzhen)*: Os mercados chineses estarão fechados durante toda a semana (de 16 a 23 de fevereiro) devido às celebrações do Ano Novo Lunar. O feriado impacta diretamente o volume de negociação de commodities metálicas, como o minério de ferro.



​📚 NEWS + SUMMARY: *DINÂMICA DE LIQUIDEZ E FERIADOS*



*Diferenciação de Ativos*: É fundamental que o investidor separe o mercado de ações do mercado futuro nos EUA. Enquanto as ações não negociam na segunda-feira, os futuros permitem o posicionamento até as 15h00, servindo como o único termômetro de sentimento global antes da reabertura noturna às 20h00.


*​Vácuo Operacional e Ásia*: A paralisação total na China durante a semana do Festival da Primavera remove um importante motor de liquidez do mercado global. Com a China e o Brasil parados simultaneamente na segunda e terça-feira, o volume de negócios em ativos ligados a emergentes deve sofrer uma retração severa, exigindo cautela extra.


*​Retomada de Fluxo*: A normalização completa do fluxo global só é esperada para a quarta-feira, quando a B3 retoma as operações à tarde e os futuros americanos já operam em ritmo de pré-abertura total. O foco do investidor deve se voltar para como os mercados europeus absorveram as notícias do final de semana enquanto o restante do mundo estava em pausa


.

Investigações do Master

 *Receita rastreia nomes de 100 familiares e ministros do STF para verificar se houve vazamento*


A pedido de Alexandre de Moraes, órgão checa pais, filhos, irmãos e cônjuges dos 11 ministros da Corte OUTRO LADO: Receita diz que processo está sob sigilo de justiça e que só STF pode autorizar divulgação


15.fev.2026 às 18h16


A Receita Federal faz um rastreamento nos seus sistemas para verificar se houve quebra de sigilo de dados de cerca de 100 pessoas, entre ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares.


A lista inclui pais, filhos, irmãos e cônjuges dos 10 ministros da corte. O pedido de análise das informações foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes.


Para finalizar o processo, os auditores da Receita terão que fazer cerca de 8.000 procedimentos de checagem de quebra de sigilo, o que leva tempo, segundo pessoas a par do tema ouvidas pela Folha na condição de anonimato.


O trabalho do Fisco federal envolve dados de 80 sistemas. Os relatórios que ficam prontos já estão sendo remetidos diretamente a Moraes.


O procedimento da Receita se encaixa no contexto da crise institucional entre os Poderes e órgãos públicos provocada pela quebra e liquidação do Master.


O escândalo financeiro do banco de Daniel Vorcaro gerou uma avalanche de desconfianças de todos os lados e suspeitas de vazamentos de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal.


Uma guerra foi travada entre o STF e a Polícia Federal, acusada pelos integrantes do Supremo de ter investigado ministros da corte sem amparo da lei. Por outro lado, investigadores do caso consideram que decisões tomadas por Toffoli na relatoria do caso atrapalharam as investigações.


A Polícia Federal não participa dessa busca de possível vazamento, ao menos no momento.


A solicitação de Moraes foi feita, segundo pessoas que acompanham as investigações, no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 e que investigou ataques de bolsonaristas aos integrantes do Supremo.


Como mostrou a Folha, ministros do tribunal avaliam uma investigação sobre as condutas da PF e da Receita em uma apuração na corte, segundo três pessoas com conhecimento das discussões.


Como a PF e a Receita estão sob o comando de nomes de confiança do governo, os magistrados estenderam a responsabilidade ao Planalto.


Moraes pediu as informações em janeiro, após a divulgação de informações mostrando ligações entre familiares dele e do colega Dias Toffoli com o Master.


O banco é supeito de estar envolvido numa série de fraudes investigadas pela PF em Brasília, São Paulo e outros estados.


A crise aumentou, na semana passada, depois que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou um relatório de cerca de 200 páginas ao presidente do STF, Edson Fachin, com trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem o ministro entre seus sócios.


O ministro Dias Toffoli confirmou, em nota, que "faz parte do quadro societário" da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná, mas negou que tenha recebido dinheiro de Vorcaro.


Toffoli era o relator do processo no STF, mas deixou a posição, na semana passada, sob pressão, numa reunião fechada com todos os membros da corte. As conversas dos ministros na reunião também estão sob suspeita de terem sido gravadas por Toffoli e repassadas para o site Poder 360, agravando o alcance do escândalo.


Toffoli sofreu uma pressão crescente para se afastar do caso Master, principalmente depois que a Folha revelou conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro.


A abertura de uma apuração foi vista na época como um medida de autoproteção dos magistrados, após a divulgação de informações sobre a ligação de Toffoli com o Tayayá e a reportagem do jornal O Globo que revelou a contratação do escritório da esposa de Moraes pelo Banco Master, por R$ 3,6 milhões mensais.


Na solicitação feita ao Fisco, Moraes não deu nomes, mas incluiu na lista todos os magistrados do STF e as pessoas com os graus de parentesco a serem pesquisadas pela Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O pedido foi encaminhado há cerca de três semanas.


Procurada, a Receita enviou a seguinte nota: "Esse processo está sob sigilo de justiça, só cabe ao STF qualquer autorização de divulgação. A Receita recebe diversas demandas judiciais de informação, não se manifestando sobre elas por conta de sigilo tributário e, muitas vezes, também judicial, como é o caso".


O gabinete de Moraes também foi procurado, por meio da assessoria do Supremo, mas não se manifestou.



https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/receita-rastreia-nomes-de-100-familiares-e-ministros-do-stf-para-verificar-se-houve-vazamento.shtml

Negociação no mercado

 *Blue3 compra Squad Capital e avança para R$ 12 bi sob assessoria em São Paulo*


Por Bruna Camargo


São Paulo, 13/02/2026 - A Blue3 Investimentos, escritório com sede em Ribeirão Preto (SP) e cerca de R$ 45 bilhões sob assessoria, adquiriu a paulistana Squad Capital. O negócio trouxe 35 profissionais, quatro mil clientes e R$ 2,5 bilhões para a carteira da Blue3, e levou a empresa a alcançar R$ 12 bilhões em São Paulo, a maior unidade do grupo.


"São Paulo é a unidade mais relevante e vai continuar sendo, pois sabemos que é o coração do mercado financeiro na América Latina. Não tem como não dar uma atenção mais que especial para a cidade", afirmou Wagner Vieira, sócio-fundador e presidente executivo (CEO) da Blue3, em entrevista à Broadcast.


Segundo Vieira, a Blue3 começou a investida em São Paulo em 2022, quando o executivo abriu a primeira unidade na capital paulista, e vem galgando espaço desde então. Mas foi após a aquisição da CMS Invest que a empresa acelerou no encontro a outras oportunidades. "O Charles [M. Susskind, sócio-fundador da CMS] abriu os olhos de outras operações. E quando eles conhecem nosso ecossistema e tudo que entregamos para facilitar a vida do assessor e para melhorar a experiência do cliente, é difícil não fechar negócio", diz Vieira.


Em movimento de expansão nos últimos anos, as aquisições mais recentes da Blue3 incluem a Únimo Investimentos e a M Capital. Vieira conta que, por enquanto, não há outras aquisições no pipeline, com o foco voltado para contratações, especialmente em São Paulo.


A meta da Blue3 é alcançar R$ 100 bilhões sob assessoria nos próximos três anos.


Contato: bruna.camargo@estadao.com



Broadcast+

Uma reforma urgente

 *Artigo/Henrique Meirelles: reajustes, penduricalhos e uma reforma administrativa urgente* 


Quando terminar o carnaval, uma das inúmeras questões a serem resolvidas pelo presidente Lula será sancionar, não sancionar ou vetar o projeto que concede reajuste salarial aos servidores do Congresso e cria verbas indenizatórias que podem levar a pagamentos acima do teto constitucional, resultando nos chamados supersalários. Independente do mérito dos servidores, a medida vai contra o que o País precisa: uma reforma administrativa para reduzir - não aumentar - o custo da máquina pública.


Estimativas conservadoras dizem que o reajuste custará R$ 790 milhões a mais por ano. No ano passado, o governo gastou R$ 398 bilhões com funcionários públicos, 3% a mais que no ano anterior. Se incluirmos nessa conta sentenças judiciais e precatórios de pessoal mais encargos foram R$ 408 bilhões, 4,3% maior que em 2024.


Quando instituímos o teto de gastos em 2016, as despesas do governo passaram a ser corrigidas apenas pela inflação. As despesas com pessoal tiveram um freio - inclusive as do Legislativo, Judiciário e órgãos que têm autonomia orçamentária.


Uma das mudanças com a troca do teto de gastos pelo arcabouço fiscal, em 2023, é que esses Poderes e órgãos podem ter aumento real de 2,5% ao ano em suas despesas - que são, em sua maioria, com funcionários.


Uma das coisas que aprendi em mais de 20 anos de vida pública é que, se há espaço para gastar, surgirão demandas justificadas e o dinheiro público será gasto. O gasto é inercial, a economia requer um esforço tremendo. Por isso, são necessárias muita energia e regras simples e claras para evitar o aumento das despesas.


Na semana passada, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, expediu uma liminar que suspende os pagamentos dos chamados penduricalhos - pagamentos feitos além dos salários, que superam o teto - nos Três Poderes. Exigiu também que o Congresso trate do assunto. É um avanço, mas é preciso mais.


A melhor forma de tratar disso é por meio da reforma administrativa. O quadro atual da máquina pública é confuso, com um número excessivo de carreiras, diferentes regras e possibilidades de verbas extras com os mais diversos nomes e justificativas. É urgente uma uniformização e regras claras para todos.


O projeto de reforma administrativa do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) que está na Câmara tem 70 propostas. Uma delas elimina as verbas extras para pagamentos que superam o teto salarial que está na Constituição. Outra proposta limita o número de cargos comissionados. A reforma administrativa é urgente.


*Henrique Meirelles é ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda. Artigo publicado na sessão de Opinião do Estadão.


Broadcast+

Federalização do BRB

 *Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros* Opção não está no topo das alternativas para crise, mas saída não está desca...