quinta-feira, 20 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 2003

 *Rosa Riscala: BC ajusta guidance e desacelera alta da Selic*


… O PBoC da China manteve as taxas das LPRs de 1 ano em 3,1% e de 5 anos em 3,6%, no final da noite, horas após o Fed afirmar que as tarifas de Trump devem atrasar o processo de desinflação nos EUA e causar crescimento menor. As incertezas justificaram a decisão de deixar o juro americano estável, entre 4,25% e 4,50%. Mas a mensagem do Fomc foi menos hawk do que os investidores temiam e Powell ajudou a sustentar uma boa reação dos mercados, dizendo que a alta dos preços deve ser “transitória”. Hoje, é a vez do BoE decidir a taxa do juro inglês (9h), que deve ser mantida em 4,5%. Aqui, o Copom confirmou o aumento de 100pbs da Selic, para 14,25%, e ajustou o forward guidance para uma alta de menor magnitude na reunião de maio, sinalizando que o fim do ciclo de aperto do juro está próximo.


… Nas primeiras interpretações do mercado, a Selic deverá subir 50pbs no Copom do mês que vem, para 14,75%, e alguns economistas já preveem que pode ser o último aumento. Outros acreditam em mais 50 pbs ou 25pbs em junho, que ficou em aberto.


… O comunicado manteve o tradicional “firme compromisso de convergência da inflação à meta” como condicionante para o tamanho do orçamento total, mas, desde já, uma Selic de 15% deve convergir para o consenso, em consonância com a mediana das estimativas.


… O texto justificou bem o aumento de 100pbs da Selic, mas limitou os motivos da desaceleração no ritmo das altas a uma “incipiente” moderação da atividade e aos efeitos defasados da política monetária, com o juro no maior patamar desde o governo Dilma.


… O esfriamento da atividade, comprovado pelos indicadores do 4Tri, não mereceu ainda estar no balanço de riscos como fator baixista, mas a aposta é de que já está sendo considerado pelo Copom, assim como é pelo mercado financeiro.


… Foi estranho o BC não comentar sobre a recente apreciação do real, com o fechamento do dólar a R$ 5,64 nesta 4ªF, mas o câmbio já pode ter influenciado sua projeção menor da inflação para o horizonte relevante (3Tri/2026), de 4,0% para 3,9%.


… Só o ambiente externo desafiador, em função da política comercial nos Estados Unidos e de seus efeitos, como não poderia deixar de ser, consta como fator baixista, à medida que pode gerar uma onda de recessão global e atingir os emergentes.


… Em suma, o Copom avalia que o cenário atual é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções elevadas de inflação, resiliência na atividade e pressões no mercado de trabalho, exigindo uma política monetária mais contracionista.


… Não é exatamente um cenário benigno, mas o fato de estar desenhado na primeira reunião independente de Gabriel Galípolo – após o forward guidance de RCN – deve reforçar a confiança que o mercado está depositando na sua gestão frente ao Banco Central.


… Em NY, o Fed menos hawkish que o esperado, ampliou os ganhos das bolsas e do dólar, enquanto os juros dos Treasuries acentuaram as quedas com a redução do ritmo de resgate de títulos do Tesouro, de US$ 25 bilhões para US$ 5 bilhões em abril.


… Segundo Powell, foi um bom momento para desacelerar a redução do balanço patrimonial, em meio às elevadas incertezas que surgem com as tarifas comerciais do governo Trump. “É difícil saber onde isso vai levar”, disse o presidente do Fed na entrevista.


… Ele admitiu que, com as tarifas, o progresso na queda da inflação será mais demorado, mas considerou difícil, ou mesmo um “desafio”, provar que a inflação vem das tarifas, ou quanto da inflação vem das tarifas. “Saberemos isso [só] daqui a alguns meses.”


… Powell reconheceu que as leituras fortes da inflação de bens surpreendeu, causando elevação nas expectativas de curto prazo. No entanto, disse que as expectativas no longo prazo estão mais ancoradas, o que sugere que a inflação pode ser “transitória”.


… Repetiu que o Fed não precisa ter pressa para reduzir os juros, que está em boa situação para esperar e ter mais clareza do cenário.


… O ajuste no balanço patrimonial do Fed e o gráfico de pontos com as projeções dos dirigentes reduziram de três para dois o número de cortes de juro este ano. No CME, um ajuste de 50pbs é levemente majoritário, com 32%, contra 28% que ainda esperam 75pbs.


… As projeções trimestrais do Fed mostraram aumento da mediana para o núcleo do PCE de 2,5% para 2,8% no 4Tri deste ano, enquanto a mediana das estimativas dos dirigentes apontou para queda da projeção para o PIB de 2,1% para 1,7% no final de 2025.


… Questionado sobre a possibilidade de uma recessão nos EUA, Powell disse que “sempre existe”, e que “aumentaram um pouco, mas em níveis relativamente moderados”. O presidente do Fed disse que é importante “separar os sinais dos barulhos [ruídos]”.


ENFIM, O ORÇAMENTO – O senador Angelo Coronel (PSD), relator do Orçamento de 2025, confirmou a leitura de seu parecer, hoje cedo, na Comissão Mista de Orçamento. O texto será votado em seguida na CMO e pode ir ao plenário à tarde.


… Uma sessão conjunta do Congresso Nacional foi convocada às 15 horas.


… Coronel disse que a demora na votação da LOA, que deveria ter sido apreciada no ano passado, acabou sendo positiva para o governo. “Deu tempo para modificar várias rubricas, até ontem (3ªF) estavam chegando ofícios pedindo modificações.”


… O fato é que o Orçamento destravou após a aprovação da nova resolução sobre a distribuição das emendas parlamentares e do projeto de lei que revalida recursos orçamentários desde 2019, resgatando verbas do orçamento secreto.


MAIS AGENDA – Segunda prévia do IGP-M de março (8h) é o único indicador doméstico previsto para hoje.


… Como destaque, o ministro Fernando Haddad concede duas entrevistas nesta 5ªF: 1) ao programa Bom Dia Ministro, da EBC (8h), e ao vivo para a GloboNews, direto de Brasília (16h30). Ontem à noite, Haddad disse que só comentará o Copom após a Ata.


… Na zona do euro, Christine Lagarde (BCE) discursa no Parlamento Europeu à primeira hora do dia.


… No Reino Unido, a decisão de política monetária do BoE será divulgada às 9h (de Brasília).


… Assim como outros BCs, inclusive o Fed, o presidente do BoE, Andrew Bailey, já defendeu uma abordagem mais “gradual e cautelosa” da política monetária, mencionando as tarifas de Trump, que prejudicam o crescimento e afetam os cortes dos juros.


… Além do BoE, também o BC da África do Sul anuncia decisão para o juro hoje (10h).


… Nos Estados Unidos, saem pedidos de auxílio-desemprego e o índice de atividade industrial do Fed/Filadélfia de março (ambos às 9h30) e vendas de moradias usadas em fevereiro (11h).


… No Japão, o feriado do Equinócio da Primavera fechou os mercados hoje.


BALANÇOS – Automob, Brava Energia, Cemig, Cyrela, Eneva, Hapvida, Hypera, Light, Movida e Petz divulgam resultados nesta 5ªF, 20.


DON´T WORRY, BE HAPPY – Os abalados mercados de ações em NY deram um suspiro de alívio com um Fed menos hawkish do que o esperado e voltaram para o lado comprador.


… A falta de pressa do BC americano em ajustar a política monetária para qualquer lado e os dois cortes de juros ainda na mesa – mesmo com as tarifas de Trump – levaram as bolsas à melhor sessão pós-Fed desde julho passado.


… O Nasdaq avançou 1,41%, aos 17.750,79 pontos, o Dow Jones subiu 0,93% (41.965,74), o S&P 500 avançou 1,08% (5.675,34).


… Estimulado pelo bom humor lá fora e antes do Copom, o Ibovespa anotou a sexta alta consecutiva, acima dos 132 mil pontos (132.508,45) pela primeira vez desde outubro, com ganho de 0,79%. O giro foi de R$ 25,6 bilhões.


… Graças ao desempenho em março (+7,9%), a bolsa acumula alta de 10,16% no ano e está perto de zerar as perdas de 2024 (10,36%).


… Em mais um dia de queda, o dólar descolou do exterior e furou os R$ 5,65, fechando em R$ 5,6480, em baixa de 0,42%, a sétima seguida.


… Powell ajudou o câmbio doméstico e o desmonte de posições defensivas gringas prosseguiu antes de a Selic subir mais 100pb e tornar o carry trade mais atrativo. Destaque ainda para os dois leilões de linha do BC, num total de US$ 2 bilhões, com venda total dos lotes.


… Lá fora, o dólar subiu ante o euro (-0,43%; US$ 1,0899), ficou estável (-0,03%) ante a libra (US$ 1,2994) e caiu ante o iene (+0,33%, 148,796). Na média, o DXY subiu 0,18%, a 103,428 pontos.


… Na mesma toada dos últimos dias, as taxas dos DIs médios e longos caíram, desta vez com ajuda dos Treasuries, enquanto o Jan26 ficou praticamente parado (14,720%, de 14,725% na sessão anterior) à espera do Copom.


… No fechamento, o Jan/27 caiu a 14,400% (de 14,420%), o Jan/29 cedeu a 14,110% (de 14,195%), o Jan/31, a 14,280% (de 14,380%) e o Jan/33, a 14,320% (de 14,410%). O ajuste de hoje ao Copom não deve ser relevante.


… Os juros dos Treasuries inverteram o sinal e passaram a cair depois do Fed e de Powell. O menor ritmo na redução do balanço do BC dos EUA também foi lido como um sinal dovish, levando o retorno da note de 2 anos para abaixo de 4%, em 3,977% (de 4,038%).


… O rendimento da note de 10 anos recuou a 4,246% (de 4,2860%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,555% (de 4,584%).


… A baixa nos juros domésticos beneficiou ações cíclicas no Ibovespa, como LWSA, +6,15% (R$ 2,76); Vamos, +5,39% (R$ 4,30), Magazine Luiza, +3,98% (R$ 10,43%).


… Petrobras ON subiu 0,48% (R$ 39,52) e PN ficou estável (-0,08%; R$ 36,16), em dia de alta moderada do Brent/maio: 0,31%, a US$ 70,78 por barril, com o impasse na guerra da Ucrânia e tensões no Oriente Médio (Iêmen).


… Vale recuou 0,17% (R$ 57,42), seguindo o minério de ferro em Dalian (-2,12%). Entre os bancos, BB cedeu 0,39%, na mínima a R$ 28,39. Os demais subiram: Bradesco ON (+1,16%; R$ 11,35) e PN (+0,89%; R$ 12,41), Santander (+1,01%; R$ 26,97) e Itaú (+0,25%; R$ 32,38).


… Destaque do dia, Vivara saltou 7,57% (R$ 19,18), após o balanço positivo do 4Tri24.


EM TEMPO… PETROBRAS venceu leilão da PPSA para 2 cargas de 500 mil barris de Itapu; cargas arrematadas pela estatal têm previsão de carregamento até julho de 2025.


MINERVA registrou prejuízo líquido de R$1,567 bilhões no 4TRI24 e reverte lucro do 4TRI23; Ebitda somou R4 944 milhões, alta de 55,8% na comparação anual…


… Companhia concluiu recompra e cancelamento de uma parcela das notas sênior (bonds); valor médio ficou em US$ 87, com desconto de 13% sobre o valor de face, e um valor total que supera os US$ 69 mil.


HAPVIDA registrou lucro líquido ajustado de R$ 514,7 milhões no 4TRI, avanço de 98,8% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 1,062 bilhão, alta de 19,4% em relação ao mesmo período de 2023.


GUARARAPES registrou lucro líquido de R$ 249,9 milhões no 4TRI, alta de 8,8% na comparação anual; Ebitda somou R$ 565,6 milhões, crescimento de 45% ante mesmo período de 2023.


WILSON SONS registrou lucro líquido de R$ 121,6 milhões no 4TRI, alta anual de 7,2%; Ebitda somou R$ 373,8 milhões, avanço de 41% em relação ao mesmo período de 2023.


POSITIVO registrou lucro líquido de R$ 14 milhões no 4TRI, queda de 92,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 100 milhões, recuo de 61,8% em relação ao mesmo período de 2023.


PETRORECONCAVO teve lucro líquido de R$ 32,4 milhões no 4TRI, queda de 83% ante igual período de 2023. O Ebitda foi de R$ 402,9 milhões, alta anual de 63%, e a receita líquida foi de R$ 843,3 milhões, aumento de 22% em relação ao mesmo intervalo de 2023.


CAIXA SEGURIDADE captou R$ 1,2 bilhão em oferta de ações a R$ 14,75 cada. (fontes do Broadcast)


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR contratou empréstimo de 75 milhões de euros (R$ 479 milhões) junto ao banco holandês Rabobank para refinanciamento das dívidas com vencimento no curto prazo.

quarta-feira, 19 de março de 2025

BDM Riscala Matinal 1903

 Fed pode vir hawk e Copom, dove

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[19/03/25]


… A Superquarta concentra quatro das cinco reuniões de política monetária previstas para esta semana. Já no primeiro minuto do dia saiu a decisão do BoJ japonês, que manteve o juro em 0,50%, embora continue reforçando a mensagem de que poderá voltar a subir a taxa. Às 15h será a vez do Fed, que deve deixar o juro americano estável entre 4,25% e 4,50%. Neste caso, a grande expectativa é para o gráfico de pontos e a entrevista de Powell (15h30), que devem confirmar a cautela com as incertezas sobre o impacto das tarifas de Trump para a inflação e a economia dos Estados Unidos. Aqui também, o suspense é com o comunicado do Copom (18h30), que poderá vir mais dovish, após o aumento de 100pbs da Selic, para 14,25%. No final da noite, o PBoC da China define os juros das LPRs de 1 e 5 anos.


… O BC no Brasil deve entregar hoje a nova alta da taxa Selic, contratada ainda na gestão de Roberto Campos Neto, mas a equipe liderada por Gabriel Galípolo – quase toda indicada por Lula – tem, pelo menos, três bons motivos para relaxar a guarda.


… A desaceleração da atividade a partir do 4Tri foi amplamente comprovada pelos indicadores da indústria, do comércio e dos serviços. O câmbio abandonou o pico de estresse e se valorizou. E o mercado parou de pilhar as expectativas de inflação.


… A ênfase que o comunicado dará a esses fatores pode significar uma importante luz sobre as próximas decisões do Copom.


… Ajustada à essa expectativa, a curva de juros na B3 projeta a possibilidade de a Selic terminal não chegar até 15% (leia abaixo).


… A maioria dos economistas (em levantamento do Broadcast) ainda espera um ajuste de 75pbs, com a taxa básica a 15%, mas a boa maré dos mercados domésticos, que tem bombado o Ibov e valorizado o câmbio, pode acabar favorecendo uma aposta mais otimista.


… A Warren Investimentos considera que a Selic a 14,25% já estaria em um nível bastante restritivo e que há espaço para desaceleração do ritmo a 25pbs nas reuniões de maio e junho, o que poderia fazer o Copom encerrar o ciclo de aperto monetário a 14,75%.


… As opiniões sobre o recado do Copom hoje estão divididas entre a sinalização de um ajuste de menor magnitude e a opção de deixar em aberto a trajetória futura da Selic, a depender dos próximos indicadores de inflação e da atividade (data dependent).


… Mas para todo mundo é certo que o ciclo de aperto da Selic está com os dias contados, após a rápida alta de 300pbs desde dezembro.


… Já nos EUA, não há muitas dúvidas de que o Fomc virá hoje com uma mensagem de cautela diante dos riscos de recessão da economia. É o que os dirigentes do Fed vêm repetindo em cada oportunidade, alertando para o impacto incerto das tarifas comerciais.


… Nos futuros dos Fed Funds, investidores ainda acreditam em três cortes de 25pbs do juro neste ano, mas essa é uma aposta que já mudou muito e pode mudar muito mais. Serão dois momentos importantes: a entrevista de Powell e o gráfico de pontos.


… Os investidores querem saber o que projetam para os juros os dirigentes do Fed e quanto estão preocupados com as tarifas e os riscos que podem representar. Um sinal temido é sobre a possibilidade de uma alta da taxa, se a inflação voltar a assustar.


… Além das projeções para os juros até 2027, serão divulgadas as estimativas de inflação ao consumidor, do mercado de trabalho, do PIB.


A REFORMA DA RENDA – O projeto de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, assinado nesta 3ªF pelo presidente Lula, foi recebido com alívio pelo mercado financeiro, já que era mais do que esperado e veio redondo, sem apresentar novidades.


… É verdade que o alerta do presidente da Câmara, Hugo Mota, de que haverá modificações na proposta, causa preocupações, sobretudo se os parlamentares não garantirem a tributação dos mais ricos para cobrir os custos da medida, piorando a situação fiscal.


… Para compensar a perda de receita, estimada em R$ 25,84 bilhões em 2026, a proposta prevê mudança de regras para rendas acima de R$ 50 mil mensais, com um imposto mínimo de 10% que incidirá de forma escalonada até as rendas acima de R$ 1,2 milhão/ano.


… A medida vai possibilitar uma ampliação de receita de R$ 25,22 bilhões, além de R$ 8,9 bilhões com a tributação de 10% na remessa de dividendos para o exterior (apenas para os brasileiros domiciliados no exterior).


… Um dos receios era de que a taxa de 10% seria única e aplicada de forma adicional sobre esses contribuintes de faixas mais altas.


… Mas o projeto não prevê isso, e isso um complemento dessa alíquota, que hoje é de apenas 2,54%. Além disso, só quem ganha acima de R$ 1,2 milhão ao ano pagará a alíquota cheia de 10%. Há uma “escadinha” para as faixas anteriores.


… Quem já paga alíquota mínima nas regras vigentes não pagará nada a mais e a tributação conjunta de empresas e pessoas físicas que recebem dividendos não pode ultrapassar 34%. Caso ultrapasse, haverá devolução do IRRF sobre dividendos.


… Um outro efeito é o impacto que essa injeção de recursos para os contribuintes isentos poderá ter sobre a inflação, já que significa mais consumo, ampliando as pressões sobre os preços, juntamente com outras medidas de expansionismo fiscal.


2026 – Na tentativa de recuperar sua popularidade e salvar a reeleição, o presidente Lula politiza o discurso da isenção do IR para as faixas de renda mais baixa, como fez na visita à fábrica da Toyota, no município de Sorocaba, interior de São Paulo.


… “Sabe quem vai pagar para que possamos dar esse benefício para 10 milhões de pessoas? Apenas 141 mil brasileiros que ganham acima de R$ 600 mil por mês. […] Estamos tirando de alguém que tem muito para as pessoas que trabalham muito e não têm nada.”


… Lula levou com ele o ministro Haddad, que citou os programas sociais reabilitados, como Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos, e os novos, como o Pé-de-meia, a isenção do IR para rendas até R$ 5 mil e o novo crédito consignado privado.


CESSAR-FOGO PARCIAL – A notícia de que Putin concordou em suspender os ataques a alvos de infraestrutura energética da Ucrânia por 30 dias, atendendo à proposta de Trump, foi lida como um avanço para a paz, embora seja apenas um primeiro passo.


… Zelensky disse que apoia a proposta de interromper os ataques à infraestrutura energética russa, mas disse esperar que os parceiros de Kiev não cortem a assistência vital para a Ucrânia, após Putin exigir o fim de toda a assistência militar e de inteligência ao país.


… No X, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, escreveu que “o próximo passo deve ser o cessar-fogo completo e o mais rápido possível”.


… Mais tarde, em entrevista à Fox News, o presidente Donald Trump disse que “é verdade” que seu governo tem interesse em melhorar a relação com a Rússia e com a China, que “ninguém quer que a Rússia e a China fiquem juntos”.


MAIS AGENDA – BC anunciou a realização de leilões de venda de dólares com o compromisso de recompra (linha), hoje e amanhã, com o objetivo de rolar o vencimento de 2 de abril de 2025, no total de US$ 2,0 bilhões (US$ 1 bilhão em cada operação).


… Fazenda divulga Boletim Macrofiscal (9h) e Prisma Fiscal (10h). E o BC, os dados semanais do fluxo cambial (14h30).


BRASÍLIA – Câmara aprovou ontem à noite, por 347 a 114, o projeto que autoriza a liquidação de recursos orçamentários não processados inscritos a partir de 2019, com o resgate de recursos do orçamento secreto. O PL prorroga o prazo de liquidação para o final de 2026.


… Ainda ontem, o ministro Flávio Dino (STF) intimou o Congresso e a AGU a se manifestarem em até dez dias sobre a resolução aprovada na semana passada para regulamentar a execução das emendas parlamentares.


… A resolução abre espaço para que as emendas continuem sendo indicadas por líderes partidários, sem identificar seus padrinhos.


BALANÇOS – Guararapes, Minerva, Petrorecôncavo e Positivo reportam resultados do 4Tri, após o fechamento.


LÁ FORA – A zona do euro informa o CPI de fevereiro (7h), com previsão de +0,5% (de -0,3% em janeiro). O núcleo da inflação deverá ficar em 2,6% na base anual (contra 2,7% em janeiro, na mesma comparação).


… Nos EUA, saem os estoques de petróleo do DoE na semana até 14/03 (11h30).


NA ONDA DA MARÉ – O Ibovespa completou o quinto pregão consecutivo de ganhos, voltando aos 131 mil pontos, e o dólar, seis sessões de quedas, no menor valor desde o final de outubro do ano passado, batendo R$ 5,65 na mínima desta 3ªF.


… Também os juros futuros caíram nos trechos intermediários e longos, enquanto os curtos mantiveram-se perto dos ajustes às vésperas do Copom, que pode sinalizar hoje a desaceleração do ritmo de alta da Selic, após o novo aumento de 100pbs, para 14,25%.


… A expectativa de um ciclo mais curto do aperto monetário, somada aos esforços da China para estimular a sua economia e à percepção de que o Brasil não deverá ser tão afetado pela guerra tarifária de Trump, sustentam o entusiasmo do mercado doméstico.


… Em NY, a alegria das duas últimas sessões durou pouco. As bolsas entraram, de novo, em modo liquidação em meio à cautela antes do Fed. Liderando as perdas, o Nasdaq caiu 1,71%, a 17.504,2 pontos. O dia ruim para as techs puxou as outras bolsas.


… O S&P 500 recuou 1,06% (5.614,72) e o Dow Jones cedeu 0,62% (41.581,50).


… Tesla, a big tech que mais vem perdendo valor de mercado, levou um tombo de 5,34%, a US$ 225, depois de a RBC Capital Markets cortar o preço-alvo da ação de US$ 320 para US$ 120, citando aumento da concorrência. No ano, o papel acumula -44%.


… Nvidia caiu 3,4% mesmo após apresentar planos de expandir seu reinado na IA com novos robôs e sistemas para desktops.


… O dado de produção industrial (+0,7%) acima do esperado (+0,2%) em fevereiro nos EUA e o salto nas construções de moradias iniciadas no mesmo mês (+11,2%) ficaram em segundo plano.


… Ainda mais porque os dados mostrando aumento nos preços de importação de bens pelos EUA ajudaram a azedar o humor do mercado no contexto da guerra comercial sob Trump. Esses preços subiram 0,4% em fevereiro sobre janeiro, ante expectativa de +0,1%.


… O Ibov deu de ombros para NY e subiu 0,49%, aos 131.474,73 pontos, maior nível desde 16 de outubro (131.749,72) e terceira máxima de fechamento consecutiva do ano. Ainda refletindo os estímulos econômicos na China, Vale avançou 0,74% (R$ 57,52).


… Petrobras sustentou estabilidade – ON, +0,08% (R$ 39,33) e PN, também +0,08% (R$ 36,19) – em meio à queda do Brent (-0,71%; US$ 70,56), depois que Putin concordou em suspender os ataques a alvos de infraestrutura energética da Ucrânia.


… Bancos fecharam mistos: Itaú (+0,53%; R$ 32,30) e Banco do Brasil (+0,14%; R$ 28,50) subiram, enquanto Bradesco ON caiu 0,53% (R$ 11,22) e Santander perdeu 0,48% (R$ 26,70). Bradesco PN terminou o dia praticamente estável (-0,08%, R$ 12,30).


… A maior valorização foi da JBS, com um salto de 17,8% (R$ 38,61), estimulada pelo acordo entre a controladora J&F e o BNDESPar para avançar na listagem de ações da companhia em NY.


… O movimento impulsionou outros frigoríficos. BRF subiu 7,15%, a R$ 19,64, e Marfrig, teve alta de 6,68%, a R$ 15,80.


… Na outra ponta, as maiores baixas do pregão foram de CVC (-3,47%; R$ 1,95), B3 (-3,06%; R$ 12,04) e Vamos (-2,63%; R$ 4,08).


… Ajudou a bolsa o fato de o projeto de isenção do IR para salários de até R$ 5 mil não ter embutido nenhuma novidade fiscal.


… O dólar, inclusive, fez a mínima do dia (a R$ 5,6565) durante a cerimônia de apresentação da medida pelo governo. Fechou em baixa de 0,25%, a R$ 5,6721, na menor cotação desde 24 de outubro (R$ 5,6629).


… A moeda também cedeu lá fora num dia que teve aprovação de pacote de gastos na câmara baixa da Alemanha, além de melhora nas expectativas de empresários do país. O índice ZEW avançou a 51,6 em março, de 26 em fevereiro e ante expectativa de 45.


… O euro subiu 0,56%, a US$ 1,0946. A libra avançou 0,55%, a US$ 1,3006. Na véspera do BoJ, que manteve os juros nesta madrugada, o iene ficou perto da estabilidade (+0,06%), a 149,286/US$. O índice DXY caiu 0,12%, a 103,244 pontos.


… Na B3, os DIs repetiram o movimento da véspera, com queda a partir do Jan/27, seguindo a baixa do dólar e dos yields dos Treasuries.


… O Jan/27 caiu a 14,720% (de 14,485%), o Jan/29, a 14.195% (de 14,315%), o Jan/31, a 14,380% (de 14,500%) e o Jan/33 a 14,410% (de 14,520%). O Jan/26, por sua vez, ficou perto da estabilidade, em 14,725% (de 14,745% na sessão anterior).


… Nos títulos americanos, o juro da note de 2 anos caiu a 4,039% (de 4,048%) e o da note de 10 anos recuou a 4,284% (de 4,302%.


EM TEMPO… ECORODOVIAS teve lucro líquido recorrente de R$ 206,9 milhões no 4Tri (-33,3%) e Ebitda ajustado subiu 12,3% (R$ 1,2 bilhão).


FRAS-LE registrou lucro de R$ 135,1 milhões no 4Tri (+43,8%); Ebitda somou R$ 220,4 milhões (+94,8%).


ENERGISA. Lucro líquido aos controladores aumenta 254,1% no 4Tri, para R$ 1,828 bilhão, enquanto a receita cresce 13,3% ante o 4Tri/24 e o Ebtida ajustado tem queda de 7,9% na mesma base de comparação, somando R$ 1,905 bilhão.


AZZAS (Arezzo e Grupo Soma) negou qualquer discussão sobre compra de participação, cisão ou segregação de negócios da companhia, em resposta aos rumores em torno de supostas divergências envolvendo os acionistas Alexandre Birman e Roberto Jatahy.


HYPERA foi comunicada pelos acionistas João Alves de Queiroz Filho, Maiorem e Votorantim sobre a celebração de acordo de voto para a AGO de 25/4, exclusivamente em deliberações relativas à eleição de membros do Conselho de Administração.


PRIO. Goldman Sachs passou a deter 5,06% do capital social da empresa; volume de 45.316.832 foi atingido por meio de operações de derivativos com liquidação financeira…


… Participação é um incremento sobre os 4,96% atingidos nesta 2ªF (17), cujo valor representava redução de sua antiga participação, de 5,05%.


CYRELA. BlackRock reduziu participação acionária na construtora para menos de 5%; empresa não informou valor que a gestora passou a deter; anteriormente, a BlackRock detinha 6,38% dos papéis da Cyrela, equivalente a 24.496.745 de ações.


MULTIPLAN aprovou cancelamento de 6 milhões de ações ON atualmente mantidas em tesouraria, sem redução do capital social; assim, capital social da companhia passou a ser composto por 513.163.701 de ações ON…


… Companhia aprovou a distribuição de R$ 90 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1548, com pagamento em 24/3; ex desde 5/4/24.


TOTVS aprovou a distribuição de R$ 82 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,14 por ação, com pagamento em 4/4; ex em 25/3.


WEG aprovou a distribuição de R$ 338,6 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0807 por ação, com pagamento em 13/8; ex em 24/3.


ASSAÍ aprovou programa de recompra de até 8.000.100 de ações ON, representativas de 0,59% do total em circulação.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

STF 2

 https://www.estadao.com.br/opiniao/o-sexto-aniversario-do-inquerito-sem-fim/


"*O sexto aniversário do inquérito sem fim*


_O inquérito das ‘fake news’ chega a seis anos sem que haja qualquer perspectiva de conclusão, o que autoriza a suspeita de que se tornou um instrumento de exercício arbitrário de poder_


O Inquérito 4.781, conhecido como “inquérito das fake news”, completou seis anos de tramitação na sexta-feira passada. Instaurado em 14 de março de 2019 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, o inquérito tinha como objetivo inicial apurar “fatos e infrações relativas a notícias fraudulentas (fake news) e ameaças veiculadas na internet que têm como alvo a Corte, seus ministros e familiares”. De lá para cá, como restou notório, uma investigação legítima foi transformada em um instrumento ilegítimo de exercício de poder monocrático pelo ministro designado relator, Alexandre de Moraes, em afronta aos mais comezinhos princípios do Estado Democrático de Direito que o mesmo STF diz defender.


Este jornal é insuspeito para fazer as críticas que tem feito à duração e, principalmente, ao sigilo imposto pelo sr. Moraes ao inquérito. O Estadão foi o primeiro veículo da chamada grande imprensa a apoiar a decisão de ofício do ministro Dias Toffoli. Afirmamos nesta página que, na condição de presidente da Corte, era dever de Dias Toffoli defender a instituição, pois “velar pelas prerrogativas do Tribunal” é uma das principais atribuições de seu presidente. E “não há dúvida”, sublinhamos, “de que ameaças a seus ministros e familiares são uma tentativa de subjugar a independência do STF” (ver editorial O sigilo do STF, 16/3/2019).


O fato de ainda termos de fazer essa memória, malgrado o ministro presidente do STF, Luís Roberto Barroso, ter reconhecido, no início de dezembro de 2024, que a conclusão do Inquérito 4.781 “está demorando” porque “os fatos se multiplicaram ao longo do tempo”, diz muito sobre a amplitude de uma investigação que, ao que parece, tem sido conduzida justamente para não ter fim – vale dizer, para ser instrumentalizada como um mecanismo de concentração de poder nas mãos de seu relator, algo que não se coaduna com a mera ideia de uma república democrática. “Fake news” e “desinformação” passaram a ser o que o sr. Moraes acha que é.


Decorrido tanto tempo, convém relembrar por que, afinal, o Inquérito 4.781 foi instaurado de ofício. O STF sofria uma onda de ataques articulados por apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro. Sob o beneplácito, quando não incentivo, do Palácio do Planalto, os ministros do STF e seus familiares passaram a ser atacados e ameaçados pelas hostes bolsonaristas como forma de tolher a independência funcional da Corte e, assim, evitar – pensavam os radicais – a interposição de barreiras legais aos desígnios liberticidas de Bolsonaro, que, à época, ainda em início de mandato, já demonstrava claramente seu inconformismo com as contenções ao exercício do poder que caracteriza qualquer democracia digna do nome.


Mas não demorou para que o STF enxergasse no Inquérito 4.781 um meio de controlar, de forma inconstitucional, o que pode ou não ser publicado na imprensa profissional e nas redes sociais sobre os ministros ou a própria Corte. Em português cristalino: por meio do Inquérito 4.781, o STF, garantidor maior das liberdades constitucionais, tornou-se um órgão de censura. Um mês depois da abertura do inquérito, o ministro relator já impunha censura ao site O Antagonista e à revista Crusoé porque os veículos publicaram uma reportagem, intitulada O amigo do amigo de meu pai, que implicava Dias Toffoli no acordo de colaboração premiada firmado pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht. Para lhe fazer justiça, Moraes logo reconheceu seu erro e revogou a censura aos veículos, mas o gênio já havia saído da garrafa.


E assim, de abuso em abuso, de censura em censura, chega-se a quase 2,2 mil dias de uma investigação que, a despeito de sua legitimidade inicial, há muito já deveria ter sido encerrada com o indiciamento de suspeitos sobre os quais recaiam indícios de autoria e materialidade de crimes ou o arquivamento. É inaceitável, a menos que não estejamos mais sob a égide da ordem constitucional democrática, que um inquérito perdure indefinidamente – seja por sua inconsistência material, seja pela conveniência de seu relator."

STF

 https://www.estadao.com.br/opiniao/carlos-alberto-di-franco/a-nefasta-hipertrofia-do-stf/


*A nefasta hipertrofia do STF*


_Quando a Suprema Corte age como polícia, promotoria e tribunal, o risco de abuso de poder se torna evidente_


Por Carlos Alberto Di Franco  17/03/2025


"O Brasil vive tempos inquietantes. A democracia, que deveria se firmar sobre o equilíbrio entre os Poderes, vê-se ameaçada por um protagonismo exacerbado do Supremo Tribunal Federal (STF). Não se trata aqui de uma análise política, mas de um alerta institucional de quem tem consciência da enorme importância e responsabilidade da Corte Suprema.


O tribunal, que deveria ser o guardião da Constituição, tornou-se, na prática, um superpoder, extrapolando suas funções e avançando sobre as prerrogativas do Legislativo e do Executivo. A invasão de competências, longe de fortalecer a Justiça, gera insegurança jurídica e fragiliza a democracia. A liberdade de expressão, pedra angular de qualquer democracia sólida, tem sido relativizada em nome de uma suposta defesa da ordem democrática.


A censura disfarçada, sob o pretexto de “combate à desinformação”, tornou-se prática recorrente. Perfis são derrubados, jornalistas são silenciados, cidadãos são intimados sem amplo direito de defesa. O devido processo legal, princípio sagrado em qualquer nação civilizada, parece ser um detalhe incômodo diante da síndrome persecutória de um Judiciário que se transformou em ator político.


O artigo 5º da Constituição Federal estabelece, de forma cristalina, que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. No entanto, decisões monocráticas do ministro Alexandre de Moraes têm ignorado essa garantia, impondo bloqueios financeiros, prisões arbitrárias e sanções sem a devida tramitação judicial. O inquérito das fake news, do qual o ministro é vítima, investigador e juiz, é um tiro de morte no princípio da imparcialidade, base elementar da Justiça.


O inquérito não apenas atropela o Ministério Público, que constitucionalmente tem a prerrogativa de conduzir investigações, mas também viola direitos fundamentais, impondo censura prévia e restringindo a liberdade de expressão sob justificativas nebulosas. A falta de transparência e de critérios objetivos no processo torna a perseguição política uma ameaça real. Quando a Suprema Corte age como polícia, promotoria e tribunal, o risco de abuso de poder se torna evidente.


Um dos pilares do Estado de Direito é a previsibilidade jurídica. No entanto, o STF tem reiteradamente modificado entendimentos sobre o foro privilegiado sem qualquer respaldo legislativo. A Constituição estabelece regras claras sobre o foro especial para determinadas autoridades, mas o Tribunal, apoiado em crescente politização, reconfigura o ordenamento jurídico sem o devido processo legislativo. Lula, ex-presidente, foi, corretamente, julgado em primeira instância. Agora, Bolsonaro, também ex-presidente e sem foro privilegiado, será julgado pelo STF. Como salientou o ex-ministro Marco Aurélio Mello, o STF, pior do que acontecia na época do regime de exceção, se declarou competente para as ações penais relativas ao 8 de Janeiro. E, até o momento, não existe detentor da prerrogativa de ser julgado criminalmente pelo STF. Decisão extravagante que, mais uma vez, corrói a credibilidade da Corte.


Ao atropelar competências do Congresso Nacional e reinterpretar dispositivos constitucionais conforme interesses momentâneos, o STF age como legislador e compromete a harmonia institucional. O império das leis cede espaço ao império das vontades.


Outro ponto que revela o ativismo preocupante do STF é a sequência de decisões que favorecem a impunidade. A Operação Lava Jato, responsável por revelar esquemas bilionários de corrupção, sofreu sucessivos golpes vindos da Corte. Decisões anulando condenações, reinterpretando prazos prescricionais e desqualificando colaborações premiadas desmontaram a maior iniciativa anticorrupção da história do País.


O mais emblemático desses retrocessos veio com as decisões do ministro Dias Toffoli, que reescreveram a história recente ao declarar nulos processos inteiros, sob a justificativa de supostas irregularidades.


A Transparência Internacional denunciou recentemente à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) o que classificou como um “desmonte das políticas de combate à corrupção” no Brasil.


Réu confesso, Antonio Palocci fechou acordo de colaboração premiada e delatou propinas de R$ 333,59 milhões supostamente arrecadas e repassadas por empresas, bancos e indústrias a políticos de diferentes partidos durante os governos de Lula e Dilma. Pois bem, os crimes foram apagados por uma canetada de Dias Toffoli. Com uma ponta de compreensível melancolia, a Transparência Internacional encerra sua denúncia com a seguinte constatação: “Se o Brasil antes exportava corrupção, agora exporta impunidade”.


É imperativo que o Congresso Nacional retome seu protagonismo e que a sociedade civil esteja atenta. O Brasil precisa de um STF forte, mas dentro dos limites institucionais que a Constituição impõe. A Justiça só cumpre seu papel quando é imparcial e previsível. Quando o arbítrio se traveste de legalidade, a liberdade se torna refém da força. O Brasil precisa despertar. Ainda há tempo."

Bankinter Portugal Matinal 1903

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Europa conseguiu subir +0,7%, apesar das quedas nos EUA (-1,1%), graças à aprovação por parte do Congresso alemão (Bundestag) da flexibilização do limite da dívida, que abre a porta a um aumento de investimento em defesa e a um plano de infraestruturas de até 500.000M€ a 10 anos. O otimismo gerado por estas medidas vê-se também refletido no ZEW alemão, que melhorou em março até se situar próximo a níveis pré-guerra da Ucrânia (51,6 desde 26,0 ant.). 


Hoje, a atenção está na Fed (18 h). É praticamente certo que manterá taxas de juros no intervalo 4,25%/4,50%, mas o realmente importante será a revisão do quadro macro, num momento em que a preocupação se foca no impacto das medidas alfandegárias de Trump sobre o crescimento. O mais provável é que reveja em baixa o crescimento, desde +2,1% estimado na última revisão para 2025, e em alta a inflação, desde +2,5% anterior. Isto permitirá a Powell manter o tom hawkish das suas últimas comparências. Também em bancos centrais, conhecemos esta madrugada a decisão de taxas de juros do BoJ, que as manteve sem alterações em +0,50% (em linha com o esperado), com uma mensagem cautelosa apesar de uma inflação que se situa em +4% em janeiro. Outro banco central que prefere esperar para ver as consequências das políticas alfandegárias antes de dar os próximos passos. Este será o tom geral a partir de agora entre os principais bancos centrais.


O mais provável é que as bolsas retrocedam hoje. Num contexto de menor crescimento económico, taxas de juros altas durante mais tempo e prémios de risco ainda elevados, há poucos argumentos para que as bolsas subam.


S&P500 -1,1% Nq100 -1,7% SOX -1,6% ES-50 +0,7% VIX 21,7% +1,19pb. Bund 2,82%. T-Note 4,28%. Spread 2A-10A USA=+24,0pb B10A: ESP 3,43% ITA 3,86%. Euribor 12m 2,42% (fut.12m 2,3%). USD 1,091. JPY 163,2. Ouro 3.035$. Brent 70,1$. WTI 67,5$. Bitcoin -2,3% (82.014$). Ether -1,6% (1.905$).


FIM

terça-feira, 18 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 1803

 *Rosa Riscala: Ucrânia e isenção do IR na pauta dos mercados*


… Um telefonema entre Trump e Putin, hoje, poderá decidir o destino da guerra entre Rússia e Ucrânia, embora líderes da União Europeia estejam pessimistas sobre um acordo de paz. Segundo a Eurasia, as chances são pequenas se Putin elevar as demandas como condições para aceitar a proposta. Se apresentar pedidos factíveis, como a redução de sanções, o cessar-fogo temporário é uma possibilidade. Entre os indicadores internacionais, destaque para a produção industrial de fevereiro nos EUA. Aqui, a agenda inclui o IGP-10 de março e a cerimônia no Planalto (11h30), quando o presidente Lula assinará o projeto que isenta de IR as pessoas que ganham até R$ 5 mil/mês. Os detalhes, sobretudo em relação às fontes de receita para custear mais essa renúncia fiscal, serão dados em entrevista técnica.


… Nesta 2ªF, Lula recebeu Fernando Haddad, o seu secretário-executivo, Dario Durigan, e o secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, para acertar os últimos pontos, e informou que a renúncia foi recalculada para menos, R$ 27 bilhões, e não R$ 32 bilhões.


… O ministro não quis antecipar o projeto, mas confirmou que a tese do imposto mínimo [para quem tem renda acima de R$ 50 mil] está mantida e que Lula pediu para não mexer nos descontos de contribuintes que têm doenças graves ou de aposentados por acidentes.


… Haddad também citou um pedido de Lula sobre CNPJ, sem esclarecer o que seria isso, mas pode se tratar da tributação de empresas já enquadradas na regra do imposto mínimo e que não seriam atingidas.


… A solenidade terá a presença de líderes do Congresso, inclusive dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.


… Em fevereiro, em entrevista às rádios Metrópole e Sociedade, o presidente Lula disse ter certeza de que o Congresso Nacional aprovará o projeto que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda, uma bandeira de sua campanha eleitoral.


… À época, reforçou que o Ministério da Fazenda e a Receita Federal elaboraram uma medida que compense a renúncia de receita com o aumento da faixa de isenção e que essa conta recairá sobre as “pessoas mais ricas”, para que se faça “justiça social”.


… Sobre o Orçamento, atrasou mesmo… A reunião de hoje da CMO foi cancelada e só na 5ªF, 20, o relator, senador Angelo Coronel, vai ler o texto final na Comissão, quando serão apresentados destaques. A votação deve ocorrer na 6ªF, 21.


… Em cima da hora, o governo federal pediu um novo remanejamento de recursos no Orçamento, para que R$ 15 bilhões do Fundo Social sejam destinados ao financiamento de operações no âmbito da faixa 3 do Programa Minha Casa, Minha Vida.


… Esses R$ 15 bilhões não vão gerar impacto no resultado primário pois são classificados como “despesa financeira”.


… O governo também pediu R$ 150 milhões para o Banco Central usar na reserva de contingência fiscal primária, que havia sido reduzida inicialmente para R$ 674,8 milhões e teve que ser elevada para R$ 824,8 milhões.


… Nesse puxa daqui, puxa dali para fechar as contas, o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social), admitiu ao Broadcast que não há estudo sobre o reajuste do Bolsa Família, como ele havia cogitado, gerando ruídos no mercado financeiro.


… Dias ainda falou sobre o corte de R$ 7,7 bilhões que o governo fez no Bolsa Família nos ajustes da LOA, afirmando que a retirada dessas pessoas do programa reflete menor necessidade de recursos, graças ao aumento da renda dos beneficiários.


… Segundo o ministro, há 3 milhões de pessoas que estão na faixa de transição e podem deixar de receber se mais um membro da família estiver empregado, com carteira assinada ou informar. “A previsão é de que 900 mil pessoas poderão sair do Bolsa Família.”


TRUMP & PUTIN – No mesmo dia em que disse que o presidente da China, Xi Jinping, visitará Washington “num futuro não tão distante”, Trump anunciou que agendou para esta 3ªF um segundo telefonema com o líder russo, Vladimir Putin.


… O presidente dos EUA comentou que a situação “não é boa na Rússia e nem na Ucrânia” e voltou a defender um acordo para encerrar a guerra, que se arrasta desde a invasão russa em fevereiro de 2022. “Estou muito ansioso para conversar com ele [Putin].”


… Trump não apresentou detalhes sobre possíveis propostas ou condições em negociação entre Washington e Moscou.


… Sobre a visita de Xi Jinping aos EUA, não especificou os temas que estarão na pauta do encontro, que ocorrerá em meio à escalada da guerra comercial entre as duas potências, marcada pela imposição de tarifas, além de tensões geopolíticas.


… Enquanto isso, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que o seu país está pronto para trabalhar com a União Europeia (UE) para melhorar o diálogo e a cooperação “em todos os níveis e em vários setores”.


… Por outro lado, Trump voltou a mostrar entusiasmo com as tarifas comerciais que já estão em vigor. “Já estamos arrecadando bastante dinheiro com tarifas. O dia 2 de abril, data de início das tarifas recíprocas, “é o Dia da Libertação dos Estados Unidos”.


A UNIÃO DA EUROPA – Enquanto o mundo fica menos seguro, com as investidas de Trump contra os aliados históricos, o novo premiê do Canadá e o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciaram uma parceria bilateral sobre inteligência e segurança.


… O anúncio ocorreu durante visita de Carney a Paris, nesta 2ªF, no contexto das tensões com o governo do presidente Trump.


… Em comunicado, os dois mandatários reafirmaram o seu apoio inabalável à Ucrânia e defenderam, ainda, valores compartilhados como democracia, direitos humanos e o Estado de direito. Eles planejam convidar Zelensky para a cúpula do G7.


… No Reino Unido, um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que um “número significativo” de países está disposto a fornecer tropas de manutenção da paz na Ucrânia no caso de um acordo com a Rússia para encerrar a guerra.


… Espera-se que mais de 30 países estejam envolvidos na chamada “coalizão dos desejos” para apoiar a Ucrânia.


O IMPACTO DAS TARIFAS – Novas projeções, desta vez da OCDE, indicam que as incertezas relacionadas às tarifas e tensões geopolíticas podem reduzir o crescimento da economia mundial de 3,3% para 3,1%, este ano, e de 3,3% para 3,0%, em 2026.


… Nos EUA, a OCDE reduziu as estimativas do PIB de 2,4% para 2,2% em 2025 e de 2,1% para 1,6% em 2026, baixando ainda as projeções para o Canadá, de 2% para 0,7% em 2025 e 2026, e para o México, de 1,2% para -1,3% em 2025, e de 1,6% para -0,6% em 2026.


… Em relação à China, a projeção do PIB foi elevada de 4,7% para 4,8% em 2025 e mantida em 4,4% em 2026.


… Já para o núcleo da inflação, a OCDE projeta alta de 2,3% para 3,0% em 2025 e de 2,0% para 2,6% em 2026.


BRASIL – Relatório do BBVA avalia que o País pode registrar crescimento menor se for alvo de mais tarifas de importação dos EUA, mas afirma que os efeitos por aqui serão menos intensos do que em outros lugares.


… Uma tarifa de 10% sobre os produtos brasileiros reduziria o PIB brasileiro em menos de 0,05 pp neste ano e em 0,21 pp em 2026. Já a média mundial, segundo o BBVA, seria de uma redução de 0,16 pp em 2025 e de 0,33 pp em 2026.


… Os Estados Unidos seriam os mais prejudicados, com reduções de 0,41 pp este ano e 0,47 pp no ano que vem.


… Diz o relatório que o Brasil está menos exposto a um choque de tarifas que outros países porque tem uma economia muito fechada e pouco integrada às cadeias globais de valor. “Além disso, os EUA perderam peso como destino das exportações brasileiras.”


… Hoje as exportações aos americanos representam pouco mais de 10% da carteira total e menos de 2% do PIB do Brasil.


MAIS AGENDA – Copom realiza hoje a primeira sessão da reunião de política monetária, que analisa a conjuntura, das 10h às 12h, e das 14h às 17h30. Dez entre dez economistas acreditam que o BC confirmará o forward guidance, elevando a Selic em 100pbs, a 14,25%.


… Dois índices de inflação serão divulgados hoje: o IPC-S da segunda quadrissemana de março (8h) e o IGP-10 de março (9h), que deve desacelerar para 0,56% (mediana de pesquisa Broadcast), após subir 0,87% em fevereiro.


… Ainda às 9h, o IBGE divulga a pesquisa industrial regional de janeiro e, às 11h, o Tesouro faz leilão de NTN-B e LFT.


… O ministro Fernando Haddad acompanha o presidente Lula em visita à fábrica da Toyota, em Sorocaba (15h30).


BALANÇOS – Divulgam resultados do 4Tri hoje, após o fechamento: EcoRodovias, Energisa, Taesa e Vivara.


MARGEM EQUATORIAL – Decisão deve ser tomada antes da COP 30 em novembro, informou Alexandre Silveira (MME), dizendo que está “extremamente otimista”. Silveira revelou que pediu reunião com o presidente do Ibama duas vezes e ainda espera um retorno.


… Rodrigo Agostinho já foi criticado publicamente pelo presidente Lula, que acusou o órgão de estar fazendo lenga-lega.


… Silveira deu entrevista para defender o E30, afirmando que a ideia do governo é ampliar progressivamente o porcentual da mistura do etanol de 27% para 30%, afirmando que, com isso, “o preço da gasolina na bomba vai cair”.


… A proposta deverá ser levada ao CNPE ainda este ano. “Vamos nos livrar das amarras do preço de paridade internacional.”


SETOR ELÉTRICO – Alexandre Silveira informou, ainda, que a proposta de reforma do setor elétrico deverá ser enviada ao Congresso em menos de 60 dias, “seja no formato de medida provisória ou em projeto de lei com regime de urgência”.


… O texto prevê a ampliação da faixa de consumo elegível para a tarifa social na conta de luz, de 50 kW para 80 kW; abertura do mercado para médios e pequenos consumidores, como residências; e a correção na distribuição dos subsídios nas tarifas de energia.


LÁ FORA – O principal destaque, a produção industrial de fevereiro nos EUA, sai às 10h15, com previsão de alta de 0,2%, abaixo do que foi registrado em janeiro (0,5%). Antes (9h30), serão divulgadas as construções de moradias iniciadas em fevereiro (previsão: -0,05%).


… Na zona do euro, a agenda inclui balança comercial de janeiro e, na Alemanha, o índice Zew de expectativas econômicas de março (7h).


MICHELLE BOWMAN – Foi confirmada por Trump como nova vice-presidente de supervisão do Fed.


NEGÓCIO DA CHINA – Um Ibovespa muito descontado e cheio de oportunidades continuou em recuperação ontem, engatando a quarta alta seguida, num movimento liderado pelas blue chips Petrobras, Vale e Itaú.


… Impulsionado pelos incentivos ao consumo e números de atividade positivos na China, o índice doméstico rompeu os 131 mil pontos na máxima do dia (131.313,48). Fechou no melhor nível desde 28 de outubro, aos 130.833,96 pontos, com alta de 1,46%.


… O efeito China juntou-se a dados ruins na economia dos EUA puxando uma queda global no dólar, que aqui furou o suporte de R$ 5,70 para fechar em R$ 5,6864, menor valor desde 7 de novembro, quando encerrou o dia a R$ 5,6753.


… Na onda da valorização doméstica, os juros médios e longos ainda tiveram um empurrão – para baixo – com a guinada retórica do ministro Wellington Dias, agora sinalizando que não haverá reajuste no Bolsa Família (você leu acima).


… O Jan/26 ainda resistiu perto da estabilidade à espera do Copom. Fechou em 14,745% (de 14,730% na 6ªF). O Jan/27 foi a 14,485% (de 14,530%); o Jan/29, a 14,315% (de 14,425%); o Jan/31, a 14,500% (de 14,580%) e o Jan/33, a 14,520% (de 14,610%).


… Lá fora, a afirmação do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, de que não há “garantias” de que o país evitará uma recessão da economia, ajudou a empurrar o índice dólar (DXY) para baixo (-0,34%, a 103,370 pontos).


… O euro subiu 0,34%, a US$ 1,0922, e a libra avançou 0,46%, a US$ 1,2994. Na véspera do BoJ, o dólar subiu a 149,370 ienes (+0,16%).


… Em NY, os índices de ações subiram pelo segundo pregão consecutivo, o que também emprestou força para o Ibov, com os investidores aproveitando preços mais baixos após quatro semanas seguidas de liquidação da bolsa.


… O Dow Jones subiu 0,85% (41.841,63 pontos). S&P500 ganhou 0,64% (5.675,12 pontos). E o Nasdaq avançou 0,31% (17.808,66).


… Abaixo do esperado (0,2% contra expectativa de 0,7%), as vendas do varejo dos EUA em fevereiro reforçaram a perspectiva de três cortes de juros pelo Fed este ano, mas também acalmaram – por ora – os nervos de quem vê recessão no horizonte.


… Excluindo automóveis, o aumento foi de 0,30%, em linha com as expectativas dos economistas. “O varejo oferece evidências de uma desaceleração modesta, em vez de sinalizar uma recessão”, disse Jennifer Timmerman (Wells Fargo), à Bloomberg.


… Outros dados frustraram expectativas.


… O índice de atividade industrial Empire State recuou a -20 em março (de 5,7 em fevereiro), o menor desde maio de 2023. Esperava-se queda a 1,5. E o Índice Nahb de confiança das construtoras cedeu a 39 em março, o menor em sete meses, de 42 em fevereiro.


… Em meio às incertezas causadas pela guerra tarifária de Trump, o Fed deve manter os juros amanhã. Nessa perspectiva, o rendimento da note de 2 anos subiu a 4,052%, mas o da note de 10 recuou a 4,301%, e do t-bond de 30 anos cedeu a 4,597%.


… Por aqui, o fluxo gringo tem feito diferença. Na rotação global de ativos em meio à baixa em Wall St, o mercado brasileiro tem atraído o investidor estrangeiro. Dados da B3 mostram entrada líquida de R$ 2,26 bilhões na bolsa em março até o dia 13.


… Estrategistas do Bank of America reiteraram “overweight” para as ações brasileiras em seu portfólio para a América Latina, citando o efeito da desaceleração da atividade na inflação, o que pode levar a cortes na Selic mais cedo que o esperado.


… Embora o IBC-Br de tenha crescido (0,90%) bem mais que o esperado (0,30%) em janeiro contra dezembro, em 12 meses o índice de atividade do BC desacelerou pela primeira vez (de 3,88% para 3,82%) desde junho de 2024.


… O Itaú manteve a estimativa de crescimento deste ano em 2,2%, mas revisou a expectativa de Selic ao fim do ciclo de alta de 15,75% para 15,25% com a valorização do câmbio. A aposta para o dólar no fim de 2025 caiu de R$ 5,90 para R$ 5,75.


… Na Focus, a projeção do IPCA em 12 meses – que ganhou importância com a meta contínua de inflação – caiu de 5,30% para 5,23%. A mediana para a Selic ao fim do ano seguiu em 15%, taxa que deve ser alcançada em junho.


… No Ibov, seguindo a valorização do Brent (+0,69%; US$ 71,07), Petrobras ON subiu 2,32% (R$ 39,30) e PN, +1,86% (R$ 36,16).


… Vale desprezou a queda de 1,14% do minério em Dalian e subiu 1,44%, a R$ 57,10. O Itaú BBA elevou o preço-alvo do ADR da companhia mineradora de US$ 12 para US$ 13, e manteve a recomendação “outperform”.


… Itaú puxou os ganhos no setor bancário (+3%), seguido de Santander (+2,25%), BB (+2,08%), Bradesco ON (+1,71%) e PN (+1,48%).


… Sensíveis à queda dos juros, Vamos (+6,08%), Magazine Luiza (+5,63%) e Hapvida (+5,05%) lideraram as altas.


… SLC Agrícola cedeu 3,92%, após aquisição de 47.822 hectares por R$ 913 milhões e Natura (-3,16%) estendeu as perdas do balanço.


EM TEMPO… J&F E BNDESPAR firmaram acordo que define mecanismo de proteção sobre listagem de ações da JBS em NY…


… BNDESPar poderá receber até R$ 500 milhões se a valorização das ações da JBS não atingirem determinada expectativa após a dupla listagem (na B3 e em NY)…


… Em função do acordo, BNDESPar se absterá de exercer seu direito de voto em assembleia que decidir sobre dupla listagem; caberá aos demais minoritários da JBS a decisão sobre a aprovação ou não da dupla listagem…


… Acordo será válido desde que dupla listagem ocorra até final de 2026.


PETROBRAS identificou presença de hidrocarbonetos no bloco Aram no pré-sal da Bacia de Santos.


PRIO. Goldman Sachs voltou a reduzir participação acionária na empresa, de 5,05% para 4,96%, resultando em posição de derivativos com liquidação financeira equivalente a 44.493.961 ações.


ITAÚ propôs aos acionistas a eleição de Marcos Lutz, presidente da Ultrapar, como conselheiro de administração independente do banco, que realizará assembleias gerais ordinária e extraordinária em 17/4… 


… Se for aprovado, Lutz sucederá a Fábio Barbosa, CEO da Natura, que é conselheiro desde 2015…


… Proposta da administração também é de reeleger todos os demais membros do conselho, inclusive os copresidentes, Pedro Moreira Salles e Roberto Setúbal.


ITAÚSA registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,679 bilhões no 4TRI, alta de 16% em um ano; ROE sobre PL médio foi de 16,6%, avanço de 1 p.p. na comparação anual…


… Ativo total somou R$ 99,125 bilhões, ganho de 10,3% ante mesmo período de 2023; endividamento líquido subiu 61,3% em um ano, a R$ 1,052 bilhão.


ALLOS registrou lucro líquido de R$ 217,4 milhões no 4TRI, recuo de 8,4% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 638,5 milhões, alta anual de 12,4%.


GRUPO SBF registrou lucro líquido de R$ 135,3 milhões no 4TRI, alta anual de 6,4%.


YDUQS teve lucro líquido de R$ 13,8 milhões no 4TRI24, revertendo prejuízo do 4TRI23; Ebitda subiu 59,3%, para R$ 361,5 milhões.


EOCORODOVIAS. ANTT aprovou publicação de edital para leilão da BR-101/ES/BA, marcado para 26/6.


QUALICORP finalizou celebração de acordo de leniência com CGU e AGU, no valor final de R$ 44.485.434,29, constituindo uma “resolução definitiva” no âmbito das Operações Paralelo 23 e Triuno…


… Em julho de 2024, o acordo foi aprovado pelo Conselho de Administração da empresa.


AGROGALAXY prorrogou por mais 180 dias o “stay period” da companhia, mantendo a blindagem da empresa contra execuções, penhoras e outras ações judiciais…


… Decisão também concedeu efeito suspensivo a recurso da companhia e proibiu temporariamente os credores de executar garantias fiduciárias, como recebíveis e grãos; “stay period” original expiraria nesta 2ªF (17).


AÉREAS. Gol, Latam e Azul estão investigando a parceria com a Despegar (holding dona da marca Decolar), após as empresas terem tomado conhecimento de uma fraude na comercialização de passagens por meio da chamada tarifa operador. (fontes do Valor)


EMBRAER aprovou novo programa de recompra de até pouco mais de um milhão de ações ON, o equivalente a cerca de 0,15% dos papéis com direito a voto em circulação.


LOCALIZA RENT A CAR realizará resgate antecipado facultativo das debêntures da sua 18ª emissão no dia 31 de março.


CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO fará 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 625 milhões.

Bankinter Portugal Matinal 1803

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, pausa nas bolsas e também nas obrigações, com rentabilidades em baixa (-5,7 p.b. no Bund para 2,8% e -1,4 p.b. no T-Note para 4,3%). O mercado viu-se favorecido por umas Vendas a Retalho americanas superiores às esperadas na sua leitura subjacente (o Grupo de Controlo +1,0% m/m vs. +0,4% m/m esperado), mas resta recordar que correspondiam a fevereiro, antes de todo este vaivém alfandegário. Contudo, o Indicador da Atividade Industrial do Estado de Nova Iorque (Empire Manufacturing) de março (-20) situou-se no nível mais baixo desde inícios de 2024. Este sim, é relevante, porque pode antecipar uma menor atividade. 


HOJE dois focos relevantes: (1) Alemanha começa o debate parlamentar (Bundestag) sobre o aumento da despesa e o fundo de Defesa e Infraestruturas, embora não se resolverá definitivamente até sexta-feira, quando deve passar pela Câmara Alta (Bundesrat). (2) Conversação Trump-Putin sobre um cessar-fogo na Ucrânia. Esta primeira abordagem poderá não ser tão construtiva como os EUA antecipam a curto prazo, perante as exigências da Rússia.


Pelo lado macro, destaca-se o ZEW alemão de Sentimento Económico (10:00 h) de março, e espera-se que o índice aumente significativamente (48,3 vs. 26 ant.), favorecido pela expetativa de aumento de investimento. Os restantes dados americanos correspondem a fevereiro. Portanto, prévios à tensão alfandegária: Habitações Iniciadas e Autorizações de Construção (12:30 h) e Produção Industrial (13:15 h). Por isso, não devem ter impacto relevante no mercado.


Por fim, hoje inicia-se a reunião de dois dias da Fed. Os investidores estarão expectantes para ver o que a Fed faz e, principalmente, quais são as suas projeções de PIB, inflação e diagrama de pontos, num contexto de tensão alfandegária. Parece descontado que não irá fazer movimentos em taxas de juros.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA:  Sessão positiva na Europa, especialmente se forem confirmadas as boas notícias de Alemanha (um bom ZEW e o início da aprovação do aumento da despesa). Em qualquer caso, ao longo da sessão, o foco passará para a conversa entre Trump e Putin, que poderá mudar a direção da sessão.


S&P500 +0,6% Nq100 +0,5% ES-50 +0,8% VIX 20,5% -1,26pb. Bund 2,80%. T-Note 4,30%. Spread 2A-10A USA=+25,1pb B10A: ESP 3,43%  ITA 3,85%. Euribor 12m 2,4% (fut.12m 2,3%). USD 1,092. JPY 163,5. Ouro 3.016,27$. Brent 71,4$. WTI 67,9$. Bitcoin -1,2% (82.930$). Ether -1,6% (1.904$).


FIM

O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor

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