sábado, 18 de janeiro de 2025

Editorial OESP

 Lula já não governa. É governado


Editorial, O Estado de S. Paulo (17/01/2025)


O governo de Lula da Silva deu uma inacreditável demonstração de covardia ao revogar uma normativa da Receita Federal sobre o Pix, voltando atrás de uma decisão correta apenas porque foi criticada e distorcida nas redes sociais. Se acreditava que a medida em questão era boa, como de fato era, o governo deveria tê-la bancado. Ao ceder facilmente à pressão das redes, o presidente da República mostrou-se incapaz de defender até mesmo suas decisões mais comezinhas, como era o caso desta. Isto é, Lula deu claros sinais de que já não governa – ao contrário, é governado.


E note-se: o veteraníssimo Lula não está sendo governado apenas pelas raposas felpudas do Centrão, mas também por um rapaz de 28 anos, mal entrado na política. O rapaz em questão é o deputado oposicionista Nikolas Ferreira (PL-MG), que gravou um vídeo singelo no qual levantou dúvidas sobre as verdadeiras intenções do governo ao obrigar bancos digitais e operadoras de cartão de crédito a informar ao Fisco movimentações mensais por Pix superiores a R$ 5 mil por pessoas físicas e a R$ 15 mil por pessoas jurídicas – como, aliás, já fazem bancos públicos e privados e cooperativas de crédito – com o propósito de fechar brechas para a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro.


É ocioso discutir se a intenção do referido deputado era suscitar questões legítimas ou explorar politicamente o receio dos pequenos empreendedores de terem sua modesta renda mordida pelo Fisco. O fato é que o vídeo teve mais de 200 milhões de visualizações e o espírito de sua mensagem chegou com força ao mundo real. É muito provável que o parlamentar tenha gastado em seu vídeo apenas uma ínfima fração do dinheiro que o governo despendeu para contra-atacar a boataria, e, no entanto, foi infinitas vezes mais bem-sucedido. E isso aconteceu porque ninguém mais acredita no governo.


Já faz algum tempo que Lula parece ter se dado conta disso, a ponto de recentemente entregar sua Secretaria de Comunicação a um profissional de marketing eleitoral, mas talvez fosse o caso de contratar um ilusionista. Diante do desafio colossal de recuperar a confiança dos brasileiros em Lula, o ministro-marqueteiro já avisou que tocará adiante uma licitação de quase R$ 200 milhões para turbinar as redes sociais governistas. Debalde: será jogar dinheiro no lixo, porque, a julgar pelo episódio da normativa da Receita, os brasileiros já se convenceram de que o único propósito do governo Lula é arrancar o suado dinheiro dos contribuintes para aumentar a capacidade do Estado de lhes atrapalhar a vida. Fazer gracinhas nas redes sociais, a título de confrontar o que o governo chama de fake news, não vai resolver o problema de fundo do governo.


Se quisesse mesmo contestar o discurso da oposição, bastaria ao governo encaminhar medidas que sinalizassem uma genuína vontade de conter os gastos públicos, de modo a demonstrar aos cidadãos ressabiados que há compromisso de reduzir a pesadíssima carga tributária. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, até tentaram fazer isso, mas foram atropelados pelos imperativos eleitoreiros do lulopetismo.


O governo, no entanto, prefere continuar a passar vergonha. Não só revogou a normativa da Receita de maneira atabalhoada, como editou uma medida provisória para garantir que o Pix não será taxado, algo que já está estabelecido na legislação sobre esse meio de pagamento. Ou seja, Lula assinou uma medida provisória – instrumento constitucional que tem força de lei enquanto vigora e, por isso, deve respeitar pressupostos de urgência e relevância – apenas para dar satisfação ao burburinho das redes sociais.


Assim, parece claro que Lula, outrora demiurgo, está a reboque dos acontecimentos e se limita a reagir a eles de maneira confusa e desorganizada. E isso tudo acontece porque, como está cada vez mais claro, Lula não tem projeto para o País. Venceu a eleição com o discurso de que era necessário impedir a vitória de Jair Bolsonaro e o avanço das forças antidemocráticas, mas, uma vez no poder, viu-se refém de uma conjuntura muito mais espinhosa do que a de seus mandatos anteriores e hoje parece perdido – e incapaz de impor a sua versão dos fatos.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Editorial do Estadão

 Trechos do Editorial do Estadão https://www.estadao.com.br/opiniao/o-problema-da-economia-superaquecida/


O problema da economia superaquecida


"Economia brasileira opera acima de seu potencial e pressiona inflação e juros. Haddad reconhece problema e defende calibragem, mas o reequilíbrio depende da política fiscal do governo


A economia brasileira cresce a um ritmo acima de sua capacidade há sete trimestres consecutivos. O hiato positivo do produto – indicador do quanto a economia está crescendo acima de sua capacidade, o que é potencialmente inflacionário – começou com 0,7% no primeiro trimestre de 2023 e foi aumentando gradativamente até chegar a 4% no terceiro trimestre de 2024, no maior descompasso entre demanda e oferta dos últimos 30 anos, como ressaltou Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao Estadão. https://blogdoibre.fgv.br/posts/hiato-positivo-ha-sete-trimestres-o-maior-dos-ultimos-30-anos


Um estudo realizado por Considera em parceria com a pesquisadora Elisa Andrade mostra que, antes do ciclo recessivo de 2014 a 2016, o potencial da economia e o seu crescimento efetivo avançavam de forma equilibrada; depois da recessão, até 2023, passaram a rodar de forma desigual, mas com taxas ainda próximas; a partir daí, a desproporção aumentou. O levantamento apenas apresenta os dados, sem tecer comentários sobre as causas, mas por óbvio não é mera coincidência a reversão ter ocorrido a partir da política de incremento de gastos públicos adotada pelo governo Lula da Silva.


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista recente à GloboNews, admitiu pela primeira vez que a economia está operando acima de seu potencial. Começou celebrando o fato de o País ter crescido “7% em dois anos”, mas acabou por reconhecer que o déficit em transações correntes em 2024 – estimado em US$ 54 bilhões pelo Banco Central (BC) – indica que o crescimento deva “ser calibrado”. O ministro chegou a fazer uma analogia entre conduzir o crescimento econômico e dirigir um carro de Fórmula 1: “Acelerar é sempre bom? Depende”. Ou seja, se acelerar demais, pode escapar na curva e bater no muro.'

Marcos Mendes

 *Marcos Mendes - PPSA é o novo instrumento para governo driblar regras fiscais / Estatal desnecessária movimentará bilhões fora do orçamento*


_Folha SP 10/1_


_Marcos Mendes -Pesquisador associado do Insper e colunista da Folha / Luiz A. C. Bustamante- Mestre em direito da energia e dos recursos naturais_


Até 2010, a exploração de petróleo no Brasil se fazia pelo regime de concessão: a petroleira paga ao governo bônus de assinatura, royalties e participação especial. Criou-se, então, o regime de partilha, para a área do pré-sal, no qual, em vez de participação especial, o governo recebe parte do óleo e gás natural extraídos.


É um sistema complexo: calcula-se o custo das empresas, separa-se quanto do óleo e gás natural extraídos representa lucro, e retira-se deste a parte do governo, o excedente em óleo da União.

O governo tem que arcar com os custos de transportar, armazenar e vender o óleo e o gás recebidos. A PPSA (Pré-Sal Petróleo S/A) foi a estatal criada para lidar com esta complexidade.


O regime de concessão é capaz de gerar a mesma renda para o governo que se obtém na partilha, bastando ajustar as alíquotas das participações governamentais. Por isso, tanto o regime de partilha quanto a PPSA são desnecessários e impõem custo elevado ao país, como mostra Décio Oddone no livro "Para não Esquecer: Políticas Públicas que Empobrecem o Brasil".


A PPSA, que nem precisava existir, está se tornando mais um canal de política parafiscal do governo. Em 26 de dezembro foi publicada a lei no 15.075, que autoriza a remuneração da empresa por fora do orçamento fiscal. 


Até então, a totalidade dos valores obtidos com a comercialização do óleo e gás natural da União entrava no orçamento, descontadas apenas as despesas diretas com operações de vendas e tributos, sendo vedado descontar custos operacionais, investimentos ou remuneração à PPSA.


A empresa era remunerada por um contrato de gestão com o MME (Ministério de Minas e Energia), cujos valores eram registrados no orçamento fiscal.


Assim, tanto as receitas da comercialização do óleo e gás natural da União quanto as despesas da PPSA transitavam integralmente pelo orçamento.


Pela nova lei, passou a ser permitido descontar custos e remuneração da PPSA antes de se colocar no orçamento os recursos da comercialização do óleo e gás, acabando-se com a remuneração da empresa via orçamento do MME.

Ou seja, entram menos receitas no orçamento e a remuneração e custos da PPSA deixam de aparecer na despesa orçamentária.


A PPSA poderá elevar seus custos e receber remuneração maior do que a atual.


Em 2024, o MME pagou R$ 124 milhões à PPSA pelos seus serviços. No mesmo ano, a receita com venda de óleo e gás natural da União foi de R$ 10 bilhões. Se a regulamentação da nova lei destinar, por exemplo, 10% dessas receitas para a PPSA, a empresa terá receita oito vezes maior.


Esses valores se multiplicarão nos próximos anos. A PPSA estima que a comercialização do excedente em óleo da União gerará R$ 17 bilhões em 2025, chegando a R$ 95 bilhões em 2030. No período 2025-34, a expectativa média de receita é de R$ 50 bilhões por ano.


Esse dinheiro permitirá alimentar, por fora do orçamento, políticas de compras de navios, subsídios ao gás natural e quantas outras o governante de plantão desejar, além de inflar a folha salarial e bancar prodigalidades na PPSA.


A empresa comemorou, em seu site, a "nova lei [que] permite autonomia financeira da PPSA", sugestivamente ilustrada por uma chave de ouro em meio a uma chuva de folhas douradas. Ao mesmo tempo, já anunciou concurso para contratar 100 empregados e formar cadastro de reserva, mais que dobrando o efetivo, que hoje é de 63 funcionários.


Parte do excedente em óleo da União passa a pertencer à PPSA. Uma empresa desnecessária foi transformada em uma bilionária máquina parafiscal.

BDM Matinal Riscala 1701

 Bom dia


Último pregão antes de Trump pede cautela | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[17/01/25]


… Com o PIB/4Tri acima do esperado, a China atingiu sua meta de crescimento de 5% em 2024. A expansão no último trimestre superou a previsão de 4,9%, alcançando 5,4%. Também os outros dados divulgados hoje surpreenderam positivamente. Mas o foco dos mercados está na posse de Donald Trump, na 2ªF (20). A defesa enfática do uso de tarifas pelo futuro secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já levou o investidor para a defensiva, interrompendo o entusiasmo com a fala do Fed boy Christopher Waller, que previu vários cortes do juro neste ano. Na agenda, são destaques a produção industrial americana e o relatório do FMI sobre as Perspectivas da Economia Global. Aqui, sai o IGP-10 de janeiro, enquanto diretores do BC reúnem-se com economistas de SP e Haddad dá entrevista à CNN às 15h.


… Na cerimônia de sanção do primeiro projeto de regulamentação da reforma tributária, enquanto Lula disse que um “milagre” aconteceu no Brasil, o ministro afirmou que este será “o maior legado” que o governo do presidente deixará para a economia.


… Segundo Haddad, nunca antes, desde o Plano Real, o País executou uma reforma econômica tão ampla.


… Questionado se a medida provisória publicada nesta 5ªF pelo presidente Lula proibindo taxação do PIX põe fim aos “boatos” disseminados pela oposição nas redes sociais, Haddad evitou comentar. “Vocês que vão dizer.”


… O ministro classificou os vetos ao projeto de lei complementar da reforma tributária como “laterais”, afirmou que não chegam a 1% do texto e manifestou a confiança de que os pontos vetados não despertem polêmica.


… Disse que o Senado está pronto para votar o 2º projeto da regulamentação da reforma, que aborda questões relacionadas a Estados e municípios, além da transição do ICMS para o Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS).


… Lula vetou o trecho que proibia a cobrança do Imposto Seletivo sobre exportações de bens minerais, porque a Constituição permite que o governo cobre até 1%, o que daria margem para conflito de interpretação.


… O governo também optou por vetar um dispositivo aprovado pelo Congresso que concederia uma isenção a fundos de investimento e sua caracterização como contribuintes, à margem do que a Constituição determina.


… Quanto à Zona Franca de Manaus, o governo explicou que o veto a um trecho que trata de mudanças foi feito para não extrapolar benefícios para produtos que hoje já têm IPI zero terem acesso ao crédito presumido de 6%.


… O secretário extraordinário da reforma tributária, Bernard Appy, disse que a decisão de não vetar dispositivo sobre a Refinaria da Amazônia (Ream) foi para evitar que o benefício ficasse mais amplo.


… Esse foi um dos principais pontos que geraram entraves envolvendo o texto aprovado no Congresso. O trecho foi inserido no projeto por iniciativa do senador Eduardo Braga (MDB), que é do Estado.


… Appy afirmou que, nos próximos dias, o governo divulgará a futura alíquota padrão sobre o consumo, que deve ficar em torno de 28%, “mas é só uma projeção, não quer dizer que vai ser essa a alíquota”.


… Questionado sobre a trava de 26,5% da alíquota, Appy disse que essa questão só terá de ser revista em 2031.


… Se daqui a seis anos, explicou ele, houver sinalização de que a alíquota do IVA ficará acima deste teto estabelecido pelo Congresso, o Executivo terá de enviar um projeto de lei complementar reduzindo benefícios.


… Segundo Appy, os vetos à reforma foram poucos e a essência foi mantida. Ele afirmou que o envio do projeto de lei com as alíquotas do Imposto Seletivo “deve ocorrer nos próximos meses, mas não tem prazo ainda”.


MAIS AGENDA – Os diretores do BC Diogo Guillen e Paulo Picchetti fazem as tradicionais reuniões trimestrais com economistas, às 9h30 e às 11h.


… A FGV informa o IGP-10 de janeiro (8h), que deve desacelerar a 0,67%, de 1,14% em novembro. Em 12 meses, contudo, deve subir de 6,61% para 6,87%. A FGV também divulga o Monitor do PIB de novembro (10h15).


LÁ FORA – A produção industrial americana deve se recuperar em dezembro, com alta prevista de 0,3%, após queda de 0,1% em novembro. O Fed divulga o dado às 11h15.


… O relatório “Perspectivas da Economia Global” vai trazer, às 11h, projeções do FMI para o PIB dos principais países em 2025.


… A zona do euro informa a leitura final do CPI de dezembro (7h), que deve subir 0,4%, após queda de 0,3% em novembro. Na comparação anual, deve acelerar de 2,2% para 2,4%.


… Ainda nos EUA, o Deptº do Comércio informa o número de construções iniciadas de moradias (10h30), que deve subir 3,2% em dezembro, após cair 1,8% em novembro.


… Às 15h, a Baker Hughes informa o número de poços e plataformas de petróleo em operação no país.


… O presidente do BoE, Andrew Bailey, discursa às 13h, em evento sobre perspectivas econômicas.


CHINA HOJE – O PIB atingiu a meta estabelecida pelo governo, de crescimento de 5% em 2024, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país.


… No 4Tri24, a economia cresceu 5,4%, a maior alta em seis trimestres, superando de longe os 4,9% estimados, puxada pela série de estímulos concedidos pelo governo desde setembro. No 3Tri, o PIB havia crescido 4,6%.


… Indústria e varejo tiveram resultados positivos no último mês do ano.


… A produção industrial cresceu 6,2% em dezembro, bem acima dos 5,3% esperados. Com alta de 3,7% no mês, as vendas do varejo também superaram a estimativa de 3,5%.


… O governo chinês ainda informou que os preços de novas moradias caíram menos em dezembro (-5,3%) do que em novembro (-5,7%), na comparação anual. Foi o menor recuo desde agosto de 2023.


LEI DO MAIS FORTE – Sabotadas pela agressividade do discurso do indicado de Trump ao Tesouro sobre o plano de tarifas, as moedas latinas e emergentes não conseguiram bancar o alívio com a chance de um Fed mais dovish.


… Scott Bessent deu uma de estraga-prazer e ofuscou o efeito positivo dos comentários do Fed boy Christopher Waller, que cogitou de três a quatro cortes de juro no ano nos EUA e não descartou uma flexibilização em março.


… O dólar, que já vinha flertando com a possibilidade de furar o piso de R$ 6,00, bateu momentaneamente a mínima de R$ 5,9960 com o Fed, antes que o temor com a política protecionista dos EUA provocasse reviravolta no câmbio.


… De virada, a moeda americana fechou em alta de 0,47%, a R$ 6,0533. O peso mexicano foi bem pior. Afundou 1,70%, com o México como alvo certo de Trump em meio à crise migratória e polêmica do opioide fentanil.


… O novo governo de Washington sinalizou ainda estar pronto para impor sanções mais duras às empresas petrolíferas russas para forçá-las a negociar com a Ucrânia. Sobre a China, também pegou pesado.


… Bessent não permitirá que os chineses “inundem os EUA com produtos e com comércio injusto”, mas minimizou a pressão inflacionária, dizendo que mesmo “com 10% de tarifas”, Pequim ainda exportará com reduções de custos.


… Endossando o expansionismo fiscal, Bessent disse que trabalhará para eliminar o teto da dívida “se Trump quiser”.


… No pior quadro, em que Trump adote tarifas globais de 10% e de 30% para produtos vindos da China, e o Fed só corte o juro uma vez este ano, o dólar voltaria a R$ 6,20/R$ 6,30, avalia o economista Nicolas Borsoi (Nova Futura).


… Ele projeta, porém, como cenário alternativo um dólar caindo até o nível de R$ 5,70, no caso de Trump optar pelo gradualismo na imposição das tarifas e de o Fed ganhar espaço para maior flexibilização de sua política monetária.


… Em meio à pressão da virada do câmbio ontem com Bessent, a curva do DI recompôs parte dos prêmios perdidos nos últimos dias e operou descolada da queda das taxas dos Treasuries, que conseguiram embutir o efeito Waller.


… A alta dos juros futuros também foi influenciada pelos leilões de LTN e NTN-F realizados pelo Tesouro no pregão desta 5ªF. Operadores do mercado financeiro destacaram os lotes e risco maiores na venda de prefixados.


… No fechamento dos negócios, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,900% (contra 14,815% na sessão anterior); Jan/27, 15,130% (14,995%); Jan/29, 15,010% (14,830%); Jan/31, 14,960% (14,720%); e Jan/33, 14,860% (14,580%).


… Na agenda do dia, a alta de 0,10% do IBC-Br de novembro superou a expectativa de queda de 0,1%, mas não alterou a mediana das projeções de +0,5% para o PIB/4Tri, em pesquisa realizada pelo Broadcast após o dado.


… Ainda que o IBC-Br tenha contrariado a recente onda de indicadores que sinalizaram esfriamento da atividade econômica (produção industrial, vendas no varejo e volume de serviços), a dúvida da desaceleração está plantada. 


DOIS PRA FRENTE, UM PRA TRÁS – Em realização, o Ibov devolveu parte do salto de quase 3% do dia anterior, recuou 1,15% e perdeu os 122 mil pontos (121.234,14), sem desapegar da faixa estreita em que tem operado.


… Como o resto do mundo, a bolsa doméstica está em compasso de espera pela posse de Trump, na 2ªF, quando ele pode revelar seu plano de tarifas e o quanto está disposto a comprar uma briga feia com a China.


… Hoje, tem exercício de opções sobre ações no Ibovespa, o que sempre pode trazer alguma dose extra de volatilidade. Ontem, o volume financeiro de R$ 30,1 bilhões foi inflado pela venda da fatia da Cosan na Vale.


… A Cosan (+0,58%; R$ 8,63) anunciou ter vendido 173 milhões de papéis da mineradora (ON, +0,13%, a R$ 52,67), ao preço final de R$ 52,29, na maior venda em bloco (block trade) de ações já feita na B3, reportou o Broadcast.


… Em outro destaque do dia, a potencial combinação de negócios entre a Azul (+3,63%; R$ 4,57) e a Gol (+4,29%; R$ 1,70) embalou os papéis. Analistas acreditam que a fusão deve melhorar a competitividade do setor aéreo brasileiro.


… Petrobras ON ficou estável (-0,07%), em R$ 41,63, e PN, -0,64% (R$ 37,05). O Brent/março caiu 0,90%, a US$ 81,29/barril, devolvendo parte dos ganhos recentes provocados pelas sanções dos EUA ao óleo russo.


… Bancos fecharam sem direção única. No lado positivo, ficaram BB (+0,44%; R$ 25,38) e Santander (+0,32%; R$ 25,03). Já Bradesco ON caiu 1,19% (R$ 10,79), Bradesco PN perdeu 0,85% (R$ 11,73) e Itaú, -0,31% (R$ 32,12).


… São Martinho liderou o ranking negativo, com -8,07% (R$ 23,00). Foi acompanhada por BRF, com -6,96%, a R$ 22,47, e LWSA, -6,87%, a R$ 3,12.


PAUSA ESTRATÉGICA – Depois do alívio proporcionado pelo CPI, os rendimentos dos Treasuries desceram mais um pouco, na esteira das declarações surpreendentemente dovish do diretor do Fed Christopher Waller.


… Na contramão da maioria dos dirigentes do BC americano, que pregam cautela a cada frase, Waller engatou um discurso otimista, dizendo que três ou quatro cortes de juros neste ano são possíveis “se os dados cooperarem”.


… Em entrevista à CNBC, não descartou um corte já em março. Ele argumentou que, em seis dos últimos oito meses, a inflação ficou próxima da meta e é razoável supor que essa dinâmica vai continuar.


… A chance de apenas um corte de 25 pb em 2025 segue como mais provável (32,9%) no monitoramento do CME Group. Mas, após Waller, foram adiantadas de junho para maio as apostas (49,8%) sobre o timing da flexibilização


… Nos Treasuries, o juro da note de 2 anos cedeu a 4,239% (de 4,256% na sessão anterior), o da note de 10 anos caiu a 4,612% (de 4,653%) e o do T-Bond de 30 anos recuou a 4,853% (de 4,872%).


… A baixa nos juros não ajudou as bolsas em NY, em dia de queda expressiva nas techs.


… Apple caiu 4%, após a empresa de pesquisa Canalys mostrar que a fabricante do iPhone perdeu a liderança na China em 2024 para as rivais Vivo e Huawei.


… Tesla perdeu 3,36%; Nvidia, -1,96%; Alphabet, -1,30%; Amazon, -1,20%; Meta, -0,94%; e Microsoft, -0,41%.


… Liderando as perdas, o Nasdaq cedeu 0,89%, aos 19.338,29 pontos e o S&P500 perdeu 0,21% (5.937,34). Dow Jones recuou 0,16% (43.153,13), pressionado principalmente por UnitedHealth (-6%), cujo balanço não agradou.  


… Os resultados de BofA (-0,98%) também não foram bem-vistos, ao contrário do Morgan Stanley (+4,03%).


… Os indicadores econômicos do dia vieram piores que o esperado, mas não mudaram a leitura de que a atividade vai bem nos EUA.


… As vendas no varejo subiram 0,4% em dezembro, ante novembro (+0,6%), de 0,5% esperado. Os pedidos de auxílio-desemprego aumentaram 14 mil para 217 mil, de expectativa de alta para 214 mil.


… Wall Street manteve um olho nas declarações de Scott Bessent, indicado ao Tesouro, em testemunho no Senado.


… Bessent defendeu a política de elevação de tarifas de importação de Trump e disse que os EUA podem enfrentar uma crise se a reforma tributária de 2017, que cortou impostos, não for estendida.


… As declarações até pressionaram o dólar, mas o índice DXY renovou a queda ante pares (-0,12%, a 108,957), com avanço especialmente do iene, diante de declarações de dirigentes do BoJ sinalizando alta de juros.


… A moeda japonesa avançou 0,74%, a 155,200/US$. O euro ficou estável (+0,04%), em US$ 1,0302. A libra também não saiu do lugar, cotada a US$ 1,2242.


EM TEMPO… Lançamentos da DIRECIONAL no 4Tri24 atingiram valor geral de venda (VGV) recorde de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 55% na comparação anual.


VIBRA ENERGIA concluiu a aquisição da participação acionária na Comerc Energia, por R$ 3,7 bilhões, correspondendo a R$ 20,56 por ação.


ENEVA. Geração líquida em termelétricas totalizou 3.375 GWh no 4Tri24, alta anual de 87,6%.



AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!


*com a colaboração da equipe do BDM Online

Bankinter Portugal Matinal 1701

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: HOJE NOVA IORQUE enfraquecerá. ONTEM, lógico assentamento de níveis após as fortes subidas de quarta-feira graças, recordemos, a uma inflação subjacente americana uma décima inferior (+3,2%), embora a Taxa Geral aumentasse 2 décimas, até +2,9%. Os excelentes resultados dos bancos americanos têm sido outro apoio para o mercado. E a surpresa positiva, a melhoria do luxo graças a umas vendas de Richemont (Cartier) repentinamente boas, apesar da decadência de China, e isso melhora a perspetiva sobre todo o setor. Além disso, Waller (Fed) com tom dovish/suave, a favor de baixar taxas de juros várias vezes e, por isso, mais o anterior, as yields das obrigações reduziram-se também, ontem, entre -2/-4 p.b., e isso permitiu que as bolsas perdessem apenas alguns milímetros das subidas anteriores. Por isso, assentamento inercial em positivo. É inquestionável que se as bolsas não têm medo de uma yield do T-Note de 5%, então consigam subir um pouco devagar para melhorar. Agora, T-Note ca. 4,60% e Bund ca.2,50%. Se não subirem, as bolsas aguentam decentemente. 

 

ESTA MADRUGADA, resultados chineses tão bons quanto pouco fiáveis: PIB 4T +5,4%, Vendas a Retalho +3,7%, Produção Industrial +6,2%... e Preços de Habitação a moderar a sua queda livre (-5,3% desde -5,7%). Sem impacto por escassa credibilidade. As Vendas a Retalho no Reino Unido (07:00 h) aparentemente boas (+3,6%), mas também impactarão pouco, porque ali a chave é a sobrevivência política do P.M. Starmer e a gestão das contas públicas. 

 

HOJE temos 2 referências: (i) 13:30 h Produção Industrial EUA (+0,3% vs. -0,1%) + Nível de Utilização da Capacidade Produtiva (77,0% vs. 76,8%). Se saírem resultados bastante bons para o ciclo, pior para o mercado a curto prazo. E isso parece o mais provável. (ii) Às 14 h, WEO (World Economic Outlook) do FMI: é chave é se os PIBs 2025/26 estimados melhoram um pouco ou não, que agora estão em +3,2% para Mundo e +1,8% economias desenvolvidas (EUA +2,8% e +2,2%). Não há argumentos sólidos a favor de serem revistos em alta, porque essas estimativas já são generosas e, contudo, se considerassem que as descidas de taxas de juros serão menores e/ou mais lentas (parece sensato pensar assim), então teriam de rever PIBs em baixa. Isso teria uma interpretação mista para o mercado a curto prazo. 

 

Mas tenhamos em conta os condicionantes não tão formais: na segunda-feira, Nova Iorque fechada (M Luther King) e Trump toma posse. 

 

CONCLUSÃO PRÁTICA: Intuitivamente, e por via das dúvidas, o mercado deverá tender a recolher posições até terça-feira. Principalmente se Trump antecipar alguma medida já conhecida, mas em tom impactante (impostos alfandegários, imigração, impostos, desregulação…). Por isso, a sessão deverá enfraquecer na tarde americana, inclusive ao realizar lucros de forma suave e preventiva. É provável que a Europa aguente melhor. E as yields das obrigações já não se reduzirão mais, de momento. USD a apreciar-se um pouco (1,0285/€?), como também o petróleo, que aguantará ca. 80$ ou um pouco acima. Espera tensa com tendência a aligeirar posições. 

 

S&P500 -0,2% Nq-100 -0,7% SOX +0,2% ES-50 +1,5% IBEX -0,5% VIX 16,6 Bund 2,51% T-Note 4,61% Spread 2A-10A USA=+37pb B10A: ESP 3,17% PT 2,96% FRA 3,33% ITA 3,65% Euribor 12m 2,563% (fut.2,319%) USD 1,029 JPY 159,9 Ouro 2.714$ Brent 81,6$ WTI 79,2$ Bitcoin +1,7% (101.404$) Ether -0,3% (3.363$). 

 

FIM

Isenções vetadas

 👉*O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou a isenção para fundos de investimento, patrimoniais e que realizam operações com bens imóveis na nova regulamentação da reforma tributária, que foi sancionada nesta quinta-feira (16).*


👉*A exclusão vale também para FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) e o Fiagro (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio).*


Os fundos foram excluídos das exceções à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), novos tributos que entrarão em vigor com a reforma.


https://www.infomoney.com.br/politica/lula-veta-isencao-para-fundos-de-investimento-na-regulamentacao-da-reforma-tributaria/?utm_source=whatsapp&utm_medium=social

Sobre as fakenews

 Opinião | Culpar as fake news pelos erros do governo Lula é fake news


A questão da taxação do Pix e a resposta que se pretender dar a essa fragorosa derrota política do governo, por meio da punição severa a quem reagiu, mesmo que seja por meio de desconfianças e insinuações, se encaixa nessa visão autoritária e enganosa dos fatos


Fabiano Lana

Temos uma nova fake news na praça, e de teor oficial: sustentar que o governo federal é excelente, que oferece serviços satisfatórios à população, que nos colocou novamente na rota do desenvolvimento e da democracia, mas a população em sua esmagadora maioria só não tem consciência desses magníficos fatos porque está com a sua percepção turvada pelas fake news estimuladas pelas bigh techs, como a Meta de Mark Zuckerberg ou o “X” de Elon Musk, trumpistas, logo gente má.


Um corolário desse tipo de pensamento auto ilusório é colocar a culpa nos próprios problemas como se fosse algo de ajuste de “comunicação” para enfrentar essas big techs. Como se questões de sentimentos em relação à gestão, algo de uma complexidade e profundidade significativas, tivesse a ver sobretudo com propaganda. O resultado dessa soma de autoenganos tem sido querer criminalizar, censurar ou mesmo perseguir politicamente quem não possui essa visão rósea da administração Luiz Inácio Lula da Silva.




A questão da taxação do Pix e a resposta que se pretender dar a essa fragorosa derrota política do governo, por meio da punição severa a quem reagiu, mesmo que seja por meio de desconfianças e insinuações, se encaixa nessa visão autoritária e enganosa dos fatos.


O vídeo do deputado Nikolas Ferreira criticando a acesso da receita a movimentações via Pix acima de R$ 5 mil chegou a mais de 200 milhões de views não devido a fake news, crimes, ou teorias da conspiração como “auxílio deliberado da Meta para aumentar a visualização” (outra fake news). Mas porque a sociedade, majoritariamente, tem percebido que o governo está obcecado em aumentar a arrecadação buscando qualquer brecha disponível. O fato tornou um prato cheio para um parlamentar oportunista e com amplo domínio do modus operandi das redes.


Como o PT bem sabe, por ser mestre no assunto ao longo de sua trajetória até bem recentemente, fake news sempre foi parte do debate político. E que considerar versões divergentes sobre um acontecimento como fake news também faz parte da luta política. Muitas vezes, quando se quer coibir “fake news”, o que se pretende, na verdade, é restringir opiniões e informações que não corroborem a versão oficial das coisas. É o que estão buscando fazer quando clamam por regulação e controle.


De fato, é angustiante para um presidente que já foi quase unanimidade nacional, no ano de 2010, imaginar que hoje mal consegue agradar a metade do eleitorado. Talvez um pouco menos. E que boas notícias na economia como baixo índice de desemprego e um crescimento do PIB pouco acima de 3% não levem à consagração popular. Pior que hoje não é mais possível colocar a culpa nos tucanos, no ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ou mesmo na Rede Globo. É preciso encontrar outro inimigo.


Mas ao invés de jogar a responsabilidade em desafetos físicos ou jurídicos não seria melhor ter um diagnóstico mais preciso e sincero das circunstâncias? Imaginar, por exemplo, que uma parcela da sociedade, quando prospera, acredita que seja mérito próprio e não do governo de plantão, caso do segmento evangélico? Que certos posicionamentos, seja na área internacional, seja na questão de valores, não encontram mais aderência na população brasileira?


Admitir que se fale demais para convertidos e não com aqueles que ainda veem o governo com desconfiança? Que muitas vezes até os que apoiaram o presidente Lula no segundo turno de 2022, alegando querer evitar o mal maior, são gratuitamente agredidos. Que mesmo o estilo deslumbrado da primeira-dama e seu alto custo na estrutura de governo pode ser uma âncora na aprovação. Que a leniência com a inflação pode ser um fator de corrosão de popularidade? Será que as falas do presidente Lula, em geral longas e autocongratulatórias, não têm mais o poder de encantar como era antigamente, num mundo dos cortes rápidos das redes sociais? É preciso investigar tudo isso.


Lembrar, por exemplo, que Lula venceu apenas nas faixas de renda de até dois salários mínimos. O que levaria a conclusão, lógica, de que quanto maior o acesso à internet maior a rejeição ao governo – e talvez por isso o banho que o petismo leve nas redes e qualquer tentativa de coibir o debate seria contraprodutiva. O que se vê nas redes é consequência de um estado de espírito de quem por lá frequenta, não exatamente uma manipulação perversa de um algoritmo.


Enfim, sem preconceitos e ideias preconcebidas, entender as razões do mal humor da população para tentar buscar a solução correta. Admitir que o governo é medíocre, no sentido do termo de “estar apenas na média”, sem entregas ou realizações vistosas, e aproveitar que neste momento, devido às divisões no campo político adversário, o presidente Lula, mesmo com números insatisfatórios de aprovação, segue como favorito para as eleições de 2026 – o que pode mudar caso os erros de diagnóstico continuem.


Por último, mas não menos relevante: na crise do Pix o deputado bolsonarista Nikolas, evangélico, de 28 anos, passou a ter mais seguidores nas redes do que o presidente Lula, com décadas de trajetória política. Melhor do que tentar cassar ou prender o rapaz, talvez o melhor é se aprofundar nas suas técnicas e meios e buscar algum aprendizado nisso – para neutralizar movimentos como o dele na política, na comunicação correta, e não na polícia.



https://www.estadao.com.br/politica/fabiano-lana/culpar-as-fake-news-pelos-erros-do-governo-lula-e-fake-news/

O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor

  O alívio nas NTN-Bs ficou para trás- Valor Em dezembro, taxas reais ultralongas chegaram a operar abaixo de 7%, mas foram afetadas pela pi...