segunda-feira, 11 de novembro de 2024

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 NEWS - 10.11


LULA ACEITOU QUE MEDIDAS FISCAIS SEJAM ESTRUTURAIS, MAS PT QUER QUE ATINJAM 'ANDAR DE CIMA’ / O anúncio ainda pode levar alguns dias, porque dependerá não apenas de Lula, mas de conversas entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira. Essa seria a “fase 2" da elaboração do pacote, que ainda está por vir. Broadcast 9/11


Por Álvaro Gribel, do Estadão


Brasília, 09/11/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já aceitou e entendeu que as medidas em discussão para cortar gastos são estruturais, e é justamente por isso que o processo vem se prolongando nas últimas duas semanas. Segundo interlocutores a par das negociações, as reuniões comandadas pelo presidente já somam mais de 20 horas de debates, envolvendo ministros, secretários, economistas, dirigentes partidários e até sindicalistas.


Lideranças do PT também já admitem que o cenário para a economia é binário, com um forte impacto no dólar, juros, e crescimento econômico em caso de frustração com o pacote. Mas entendem que é preciso uma saída honrosa para o partido, com medidas que atinjam também o “andar de cima”. Isso facilitará a comunicação das medidas, para que elas não recaiam apenas sobre os mais pobres e não sejam vistas como uma traição por parte do eleitorado petista.


O anúncio ainda pode levar alguns dias, porque dependerá não apenas de Lula, mas de conversas entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira. Essa seria a “fase 2" da elaboração do pacote, que ainda está por vir.


Pessoas a par das negociações dizem que ninguém sabe exatamente o que será decidido pelo presidente da República, mas garantem que ele está bem informado para definir o que sai e o que fica. Se a discussão envolvesse bloqueios e contingenciamentos, por exemplo, o anúncio já teria sido feito. Como são medidas estruturais, que envolvem muitos anos de governo à frente, Lula se sente no direito e dever de ouvir todos os lados para tomar a melhor decisão, a despeito da pressão do mercado financeiro.


O alinhamento entre Fazenda e Casa Civil já foi tornado público por Haddad, depois de quase dois anos de desentendimentos entre os chefes das duas pastas. Isso dá mais segurança a Lula.


O que está em discussão


O seguro-desemprego em alta, mesmo com o mercado de trabalho aquecido, é um argumento que já sensibiliza integrantes do PT. O mesmo ocorre em relação aos aposentados do INSS que recebem o mesmo valor do salário mínimo de quem tem direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas que não contribuiu para a Previdência.


A ideia em estudo pelo secretário Sérgio Firpo, de só conceder o salário mínimo ao BPC para quem fizer algum tipo de contribuição, é bem vista no PT, porque foca na arrecadação, e não na redução de gastos. Não ajuda a conter o aumento de despesas que forçará o teto de 2,5% do arcabouço, mas contribui para diminuir o déficit primário.


Outro ponto visto como crucial na estratégia de comunicação é conseguir explicar que o governo não está “reduzindo gastos sociais”, mas desacelerando o ritmo de alta. Nesse sentido, estabelecer o teto de 2,5% para o salário mínimo é uma medida palatável, porque dá ao partido o argumento de que a valorização está garantida ao trabalhador, mas de forma sustentável nos próximos anos.


 


Nova direção- Lauro Jardim – O Globo 10/11


Gustavo Guimarães, secretário-executivo do Ministério do Planejamento, tem articulado para ocupar uma das três vagas para a nova diretoria do Banco Central a partir de janeiro, sob a gestão de Gabriel Galípolo. O número 2 de Simone Tebet tem apostado em maximizar sua participação na revisão de gastos para se cacifar ao cargo. Guimarães interage ativamente com o mercado financeiro, tanto em agendas no ministério quanto nos eventos da XP, do BTG e do Itaú em São Paulo.


 


 


Transição verde está se mostrando muito mais custosa, diz Campos Neto / Para presidente do BC, transformação ecológica deve ser feita de maneira coordenada- Folha SP 10/11


Nathalia Garcia


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou neste sábado (9) que a transição para uma economia verde está se mostrando muito mais custosa do que o previsto e que o custo desse processo tem sido subestimado.


Apesar do alerta, o chefe da autoridade monetária vê a transição energética como necessária e defende que ela seja feita de maneira coordenada. Para Campos Neto, as questões climáticas devem ser incorporadas ao mandato dos bancos centrais.


De acordo com o presidente do BC, após a pandemia, as pessoas passaram a exigir que o crescimento seja mais sustentável e inclusivo.


"Os eventos climáticos estão crescendo em ritmo alarmante e, se olharmos para as inundações, é quase exponencial agora. Portanto, a transição precisa ocorrer e precisa ser coordenada", disse.


"Há sinais claros de que subestimamos o custo da transição. Também ficou claro que o clima é nosso mandato. Quero dizer, olhem para as questões de preço e estabilidade financeira no Brasil. [...] Temos os setores de seguros, as questões de produtividade. A transição verde está se mostrando muito mais custosa", acrescentou.


Ele também ressaltou que teve de lidar com três problemas climáticos em um intervalo de um ano no Brasil, sem citar especificamente quais. Mais de 2,3 milhões de pessoas e 478 municípios foram afetados por enchentes no Rio Grande do Sul em maio.


As declarações de Campos Neto foram dadas em evento organizado pelo BIS (Banco de Compensações Internacionais, o banco central dos bancos centrais), na Suíça.


No debate, Campos Neto propôs uma reflexão sobre a mobilização de políticas macroprudenciais —usadas para assegurar a estabilidade do sistema financeiro— para tratar de questões climáticas, de forma a impulsionar a transição verde.


"Costumávamos trabalhar no Banco Central com o princípio da separação, que diz que, para a política monetária, usamos a taxa de juros, e, para a estabilidade financeira, usamos a política macroprudencial. Os efeitos são um sistema flutuante. Quando temos uma crise, essas coisas tendem a se cruzar em algum momento", disse.


"Se o clima é um desafio tão grande, [...] se a questão verde está realmente nos levando ao mesmo lugar, em algum momento, não deveríamos estar usando um pouco de [política] macroprudencial para regular isso?", complementou.


Nesse caso, o presidente do BC questionou se não deveria ser cobrado, por exemplo, um custo de capital mais elevado dos bancos que não têm investimentos verdes. Na sequência, disse se tratar de uma opinião controversa.


Inflação descola da meta; carne bovina pode subir 19% no ano / IPCA atinge 4,76% em 12 meses, acima do teto do alvo perseguido pelo BC, de 4,5%- Valor 9/11


Anaïs Fernandes / Lucianne Carneiro


Em outubro, pela primeira vez no ano, a inflação do Brasil acumulada em 12 meses superou com clareza o teto de tolerância da meta para 2024, de 4,5%. E, se depender do consenso dos analistas, esse movimento não deve se reverter totalmente até o fim do ano, obrigando o futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a escrever uma carta de justificativa ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seu ex-chefe, para explicar por que o indicador de preços estourou o alvo perseguido pela autoridade monetária.


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do país, acelerou para 0,56% em outubro, de 0,44% em setembro, conforme divulgou ontem o IBGE, pressionado pela alta de alimentos e energia elétrica. A taxa ficou acima da mediana das projeções de instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de 0,53%.


Em 12 meses, a inflação acelerou de 4,42% em setembro para 4,76% em outubro. A meta para a inflação neste ano é de 3%, com tolerância de até 4,5%. Foi a primeira vez que o IPCA em 12 meses ficou bem acima desse percentual. Em janeiro, ficou 4,51%. Nos meses de fevereiro e julho, a taxa havia atingido os 4,5% do teto.


Na pesquisa Focus, do Banco Central com agentes financeiros, a expectativa mediana atual é que o IPCA encerre 2024 em 4,59% — mas há quem projete números até mais próximos de 5%.


O IPCA de outubro reforçou o cenário desafiador para a inflação brasileira, segundo Alexandre Maluf, economista da XP. “A maioria das métricas monitoradas pelo Banco Central está acima da meta de 3%”, diz em relatório. Ontem, a XP elevou suas previsões para 4,9% em 2024, de 4,6%, e para 4,7% em 2025, de 4,1%. Agora, a projeção para o próximo ano também está acima do teto da banda de tolerância da meta de inflação, que é de 4,5%. A revisão para 2024 ocorre, sobretudo, após a escalada dos preços das proteínas, enquanto a elevação para 2025 é puxada também pela pressão em alimentos e por reajustes nas estimativas de combustíveis e energia elétrica.


Cinco das nove classes de despesas tiveram aceleração da alta de preços na passagem entre setembro e outubro. Foram observadas taxas maiores em alimentação e bebidas (de 0,50% para 1,06%); artigos de residência (de -0,19% para 0,43%); vestuário (de 0,18% para 0,37%); despesas pessoais (de -0,31% para 0,70%) e comunicação (de -0,05% para 0,52%).


Por outro lado, foram registradas taxas menores em habitação (de 1,80% para 1,49%); transportes (de 0,14% para -0,38%); saúde e cuidados pessoais (de 0,46% para 0,38%) e educação (de 0,05% para 0,04%).


Com bandeira tarifária vermelha patamar 2, o preço da energia elétrica subiu 4,74% em outubro e foi a principal influência para a alta do IPCA no mês, respondendo por 0,20 ponto percentual. A bandeira vermelha 2 implica acréscimo de R$ 7,87 a cada 100kwh consumidos.


Em setembro, vigorou a bandeira vermelha patamar 1, que representa adicional de R$ 4,463 a cada 100kwh consumidos, e, em novembro, está em vigor a bandeira verde, sem cobrança adicional, o que deve trazer algum alívio para a energia no IPCA deste mês, segundo economistas.


“Os principais itens que pressionaram o IPCA em outubro foram a energia elétrica e os alimentos, em particular as carnes”, diz André Almeida, gerente do IBGE responsável pelo índice.


Os preços de carnes subiram 5,81% em outubro e, em dois meses, já acumulam alta de 8,95%. A Warren Investimentos, por exemplo, espera um salto de 19% só nos preços da carne bovina neste ano.


Segundo Almeida, a alta do preço de carnes está associada às secas no país, ao menor abate e ao aumento das exportações.


“A energia elétrica exerceu pressão preponderante, por causa da bandeira vermelha, acionada pelo receio do nível dos reservatórios, associado à falta de chuvas. E os preços de alimentos e de carnes também subiram com as questões climáticas. De maneira geral, a estiagem e as temperaturas mais altas tiveram mais influência no IPCA de setembro e outubro”, diz Almeida.


Após um mês de setembro com promoções, o preço do cinema voltou a subir em outubro e também foi uma das pressões para a inflação. O item cinema, teatro e concertos subiu 7,54% no mês. “Em setembro, houve a campanha nacional da semana do cinema, com descontos”, lembra Almeida. “Agora, em outubro, foi observado o retorno desses preços.”


Esse e outros diversos vetores pressionaram a inflação de serviços em outubro, “que vinha até bem comportada nos últimos meses”, diz Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, em comentário a clientes.


Os preços dos serviços subiram 0,35% em outubro, de 0,15% em setembro, influenciados pela alta dos ingressos de cinema, bem como por alimentação fora de casa, seguro de veículos e outros, mas foram parcialmente compensados pela grande queda nas passagens aéreas, diz Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays.


Em 12 meses, a inflação de serviços desacelerou para 4,6% até outubro, de 4,8% até setembro, mas ainda está acima da média pré-pandemia de 4,2% (entre 2017 e 2019), segundo Secemski.


Além disso, ele destaca que a inflação em 12 meses dos serviços intensivos em mão-de-obra interrompeu três meses de melhoria, subindo levemente para 5,4% em outubro, de 5,3% em setembro.


Os serviços subjacentes (mais ligados ao ciclo econômico), por sua vez, não só vieram acima do mês anterior, como superaram as previsões, segundo Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners. “Poderíamos até dar uma ‘colher de chá’ com relação à aceleração entre um mês e outro porque em setembro tivemos o impacto do item ‘Cinema, teatro e concertos’ que puxou o grupo em 0,21 p.p. [ponto percentual] para baixo. Entretanto, o 0,75% apurado não só veio acima do 0,68% esperado como é o nível mais alto para esse grupo desde janeiro”, afirma o economista.


Barbosa, da AZ Quest, nota ainda que os serviços mais sensíveis à ociosidade subiram 0,48% em outubro, ante 0,35% em setembro, acelerando de 4,5% para 4,7% em 12 meses. Ele menciona também os serviços sensíveis à inércia, que passaram de deflação em setembro para alta de 0,72% em outubro, indo de 4,58% para 5,19% em 12 meses.


“É um cenário de economia aquecida. A gente entra no quarto trimestre, que já é de sazonalidade da inflação mais pressionada, com um quadro de atividade muito forte, de mercado de trabalho apertado e de reajustes salariais relativamente altos”, diz.


Para João Fernandes, economista da Quantitas, a inflação de serviços até veio “marginalmente melhor”, diz, em particular, porque os serviços intensivos em mão de obra, relacionados aos salários e sobre os quais a política monetária tem mais poder de ação, desaceleraram de uma alta anualizada de 9% na prévia da inflação de outubro (IPCA-15) para 8% no índice cheio.


“Não dá para dizer que está em nível bom. Mas o IPCA-15 foi muito alto. Continua alto, se comparado com o IPCA de setembro, agosto, julho”, afirma. Nesses últimos meses, a inflação anualizada de serviços intensivos em mão de obra estava em 6%, após chegar a 10% entre abril e maio, segundo o economista.


“Mesmo 6% ainda é alto. A nossa meta [de inflação para o ano] é 3%, o que seria condizente com serviços intensivos em trabalho rodando perto de 4%. Em 6%, é mais condizente com um IPCA em torno de 5%”, afirma. “Mas ter desacelerado de 10% para 6% estava sendo uma ótima notícia.”


A avaliação de que a inflação de curto prazo tem se deteriorado se relaciona, entre outras coisas, com o desempenho do núcleo de inflação (medida para suavizar itens voláteis) chamado “Ex3”, que é, segundo Maluf, da XP, o mais relacionado ao ciclo econômico. O economista destaca que o Ex3 tem se mantido acima de 4% desde julho, na média móvel de três meses anualizada e dessazonalizada.


No fim, “tudo corrobora para um momento pior da inflação”, diz Barbosa. “O momento pior da inflação tem levado a revisões altistas, tanto pela parte de alimentação, quanto, mais recentemente, pela parte de serviços, que deixou de contribuir positivamente.”


Após a divulgação de ontem, Barbosa revisou sua projeção para o IPCA em 2024 de 4,6% para 4,7% e elevou a perspectiva para 2025 de 3,6% para 3,8%.


O Barclays também elevou ontem sua projeção de IPCA para 4,6% em 2024, de 4,3%, e ajustou a previsão para 2025 de 3,9% para 4%, levando em conta a inércia adicional deste para o próximo ano.


A partir de 2025, haverá um alvo contínuo de 3%. O BC não vai mais perseguir a meta no ano calendário, ou seja, no período de janeiro a dezembro. Haverá descumprimento se a variação acumulada em 12 meses ficar acima do teto de 4,5% por seis meses seguidos.


 


ESTADÃO/EDITORIAIS: INFLAÇÃO MAIS ALTA E MAIS DISSEMINADA- 10/11


A apuração do IPCA de outubro, além de confirmar a tendência de estouro da meta inflacionária neste ano, mostrou que a escalada de preços está ocorrendo de forma mais intensa e disseminada do que o previsto. O alerta embutido na piora do comportamento dos preços é de que o ritmo de alta dos juros tende também a acelerar - como, aliás, ocorreu na recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Se o governo não apresentar de imediato medidas capazes de contrabalançar expectativas, deverá se defrontar com uma política monetária ainda mais restritiva.


O mercado esperava avanço de 0,54% no IPCA de outubro, de acordo com a mediana das projeções coletadas pelo Broadcast, serviço de informações financeiras do Estadão. A alta de 0,56% no mês, como divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levou a taxa a acumular 4,76% em 12 meses, 1,76 ponto porcentual (p.p.) acima do centro da meta de 3% fixada para este ano e 0,26 p.p. além do limite máximo tolerado, um cenário difícil de ser revertido nas poucas semanas que faltam para o fechamento do ano.


Foi o segundo estouro de 2024 no acumulado em 12 meses. O primeiro foi em janeiro, com 4,51%, mas houve em seguida uma série de quedas até maio, quando a taxa acumulada voltou a subir. Em nenhum mês do ano o acumulado do IPCA se manteve no centro da meta. É certo que muitos fatores que contribuem para o desempenho da inflação independem de motivos internos, como a geopolítica mundial, os efeitos climáticos e a oscilação de preços das commodities. Mas fatores domésticos têm peso significativo, e a disposição do governo em buscar e manter o equilíbrio das contas públicas talvez seja o mais importante deles.


Dito isso, o governo Lula da Silva está devendo ao País o convencimento de seu compromisso com o orçamento fiscal. Mas o adiamento injustificável do pacote de cortes de gastos diz justamente o contrário, assim como alguns sinais despropositados emitidos pelo governo. Chamou a atenção, por exemplo, notícia atribuída ao Ministério das Minas e Energia (MME) dois dias antes da divulgação do IPCA dando como certo que, em dezembro, a bandeira tarifária de energia elétrica será verde.


Talvez por coincidência o aumento no serviço de energia elétrica foi isoladamente o que mais pesou no IPCA. A alta foi de 4,74% em outubro, mês em que vigorou a bandeira vermelha patamar 2, o mais alto. Os sinais emitidos pelo MME davam conta que em dezembro o período de chuvas tornará desnecessária qualquer cobrança adicional. Todos os consumidores esperam que seja assim, de fato, mas isso não é tão óbvio. Desde que o sistema de bandeiras tarifárias foi iniciado, em 2015, por quatro vezes em dezembro ela permaneceu verde, sem cobrança; em outras quatro o adicional foi mais alto (vermelhas 1 e 2 e escassez hídrica), e uma vez, em 2019, a bandeira foi amarela em dezembro.


Diante de um cenário climático caótico, é difícil prever o que ocorrerá no fim deste ano. Ademais, a definição da bandeira tarifária cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com a análise de parâmetros hídricos específicos, e não ao MME, que vem travando uma briga de foice com o órgão regulador. A retirada do adicional em dezembro, se ocorrer, por certo trará alívio inflacionário, mas não pode vir à custa da segurança energética.


Intervenções desnecessárias como esta são constantes e aumentam a percepção de que no governo Lula há uma crença generalizada de que qualquer condição pode ser criada artificialmente para se chegar ao objetivo desejado. Se o governo quer aumentar o crédito e o consumo, que o Banco Central baixe os juros; se quer elevar gastos, que se retirem alguns itens do limite de despesas; se quer mais investimentos em serviços públicos, que se obrigue empresas privadas a fazê-los.


O comportamento dos preços está deixando claro que não é assim que a banda toca. Há um espalhamento inflacionário maior e as altas já alcançam 62% dos produtos pesquisados. Se não mudar rápido de rota e entregar o prometido pacote fiscal, o governo vai colher taxas de juros ainda mais elevadas.


 


Samuel Pessôa- A inflação volta a preocupar / Há sinais de que começa a haver pressões do mercado de trabalho no índice- Folha SP 10/11


Tudo sugere que a vida do novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo (assume o cargo no início de 2015), não será fácil. Na sexta-feira (8), houve a divulgação da taxa de inflação de outubro.


O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE, fechou o mês em 0,56%. A inflação acumulada em 12 meses fechou em 4,8%, acima do teto da banda de 1,5 ponto percentual, para mais ou menos, em torno da meta de 3%.


Eleva-se o risco de que o ano feche com inflação acima de 5%.


Houve, nos últimos meses, forte choque de energia e alimentos. Em outubro, alimentos semielaborados, categoria que inclui as carnes, subiu 3,1%. Em 12 meses, o item apresentou inflação de 11,1%!


De fato, há sinais de que está ocorrendo repasse da desvalorização do câmbio do atacado para o varejo.


Segundo o FGV Ibre, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) de outubro fechou em 1,9%, acelerando com relação ao 0,7% observado em setembro. Nos 12 meses terminados em outubro, a inflação no atacado já roda a 5,9%.


Quando olhamos no atacado, o preço dos bens finais, somente em outubro, foi de 1,4%. Ou seja, os choques nas matérias-primas estão subindo na cadeia produtiva. No mercado se diz que o IPCA está "grávido" do IPA.


Mas nem tudo é choque na aceleração recente da inflação. Há sinais de que começa a haver pressões do mercado de trabalho no índice.


A inflação de serviços, para o índice que exclui passagens aéreas, rodou a 0,57% em outubro. Nos últimos 12 meses, serviços que excluem passagens aéreas registraram 5,1%.


Os serviços subjacentes, índice criado pelo BC que acompanha mais de perto o ciclo econômico, têm se elevado e fechou outubro a 5,3% na leitura acumulada em 12 meses, após um mínimo, em junho, de 4,4%.


Finalmente, o núcleo de médias aparadas (também construído para acompanhar de perto o ciclo econômico), para a leitura acumulada em 12 meses, após mínimo em maio, de 4,1%, fechou outubro a 4,5%.


Ou seja, apesar de choques estarem pressionando muito a inflação nos últimos dois meses, a dinâmica dos preços vai muito além deles. A inflação de serviços e os núcleos, que acompanham mais de perto o ciclo econômico, isto é, se elevam se houver pleno emprego e o contrário se houver ociosidade, são um avião que está decolando.


Quando os choques reverterem —choque sempre reverte—, é possível que descubramos, no primeiro semestre de 2025, que os serviços estão rodando a 6%, o que indicará, se nada for feito, inflação cheia em 2026 de 6%.


Reagindo a esses movimentos, o Banco Central acelerou o passo na elevação da taxa básica de juros. Decidiu aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual —na reunião anterior, a elevação havia sido de 0,25 ponto—, de 10,75%, para 11,25%. Tudo sugere que o ciclo levará a taxa Selic para patamares acima de 12%.


Lula começou o terceiro mandato elevando muito o gasto público. O discurso de herança maldita na política fiscal, que teria sido deixada por Paulo Guedes, visão da qual sempre discordei, foi usado de pretexto para que se elevasse o gasto público em dois pontos percentuais do PIB.


Agora, no meio do mandato, ainda a dois anos da próxima eleição, Lula enfrenta uma economia a plena carga, que sofre choques de preços e com serviços decolando.


Chegar bem em 2026 ficou mais difícil.


 


Editorial – Folha SP - Risco de inflação com crescimento pífio pela frente / Mesmo após ruína produzida por Dilma, petista ainda alimenta ilusão de que pode ampliar gastos sem sofrer consequências- 10/11


A persistente alta da inflação, mesmo diante de juros escorchantes, é sinal claro de que a política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é insustentável e precisa de ajuste urgente.


É inescapável encarar um ajuste do Orçamento federal, esforço que vem sendo publicamente conduzido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, até agora sem sucesso devido à resistência de Lula e seu partido, que continuam presos ao populismo e à crença pueril de que o gasto público é o caminho da prosperidade —e da popularidade.


Espanta que a esta altura, em seu terceiro mandato no Planalto, o presidente da República, que viveu sob inflação alta e testemunhou o enorme dano que ela causa sobretudo aos mais pobres, ainda sustente tais ilusões. Nem mesmo a ruína social produzida pela correligionária Dilma Rousseff parece ter deixado lições.


Os repetidos adiamentos do prometido pacote de controle das despesas obrigatórias, sem o qual a regra fiscal criada pelo próprio governo petista não se sustentará, não autorizam otimismo. Enquanto o mandatário não se decide, a realidade vai se impondo e acabará decidindo por ele, não sem danos para o país.


A última leitura do IPCA, relativa a outubro, mostra alta da inflação acumulada em 12 meses para 4,76% —acima do intervalo de 1,5 ponto percentual ao redor da meta oficial de 3%. Na trajetória atual, o índice de preços pode fechar o ano acima de 5%.


As tendências econômicas são preocupantes. O dólar em alta eleva os preços de matérias-primas, inclusive alimentos, que subiram 6,65% nos 12 meses até outubro. Também se agrava a carestia de caráter mais persistente, como no setor de serviços, que em certas medições já sobe em taxa entre 5% e 6% ao ano.


Além de choques conjunturais, a pressão maior sobre os preços é umbilicalmente ligada ao excesso de gastos do governo, que impulsiona a demanda além da capacidade produtiva e fragiliza as contas do Tesouro Nacional.


A desconfiança quanto à trajetória da dívida pública desvaloriza o real e eleva os juros. Na quarta-feira (6) o Comitê de Política Monetária subiu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual para 11,25% ao ano, e as projeções de mercado apontam para um pico superior a 13% nos próximos meses.


Não tardará para que o arrocho monetário forçado pela imprevidência do governo asfixie empresas e famílias. O pior cenário é novamente o país ser aprisionado na nefasta combinação de inflação e recessão.


A agenda petista até aqui se resumiu a elevar impostos —em alguns casos corretamente, como na cobrança sobre os mais ricos e o fechamento das brechas que levam a abusos de planejamento tributário por empresas.


Não é mais possível persistir apenas nesse rumo. Se Lula não aceitar um programa crível de controle de gastos, vislumbra-se deterioração econômica continuada no restante de sua gestão.


 


Lula deve ao país programa urgente de controle de gastos  Ao procrastinar apresentação de medidas sugeridas por Haddad, ele só contribui para semear mais incerteza - Editorial - O Globo 10/11


Passada uma semana de debates sobre o pacote de controle de gastos prometido pelo governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a demonstrar resistência. Não faltam estudos e simulações feitas pelas equipes dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet. Lula já dispõe faz tempo de todas as informações necessárias para tomar decisões. Infelizmente, continua a procrastinar. Promoveu uma romaria de ministros ao Planalto, sabendo que ninguém abriria mão do próprio orçamento. Com isso, só contribui para semear ainda mais incerteza e corroer o que ainda resta da credibilidade de seu governo diante dos agentes econômicos.


Os ministros se esmeram no festival de lamúrias e populismo. Luiz Marinho, do Trabalho, ameaçou pedir demissão, buscou apoio das centrais sindicais e bateu pé contra mudanças sugeridas para seguro-desemprego e abono salarial. Outro a falar em deixar o governo foi Carlos Lupi, da Previdência. Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, negou mudanças no Bolsa Família— que jamais foram cogitadas — e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a deficientes e idosos de baixa renda. Os titulares da Saúde (Nísia Trindade) e da Educação (Camilo Santana) também se encarregaram de deixar claro que resistirão a cortes em suas pastas.


O que anima essa mobilização, além do espaço aberto por Lula, é o equívoco fundamental que amaldiçoa as gestões petistas: a confusão entre melhoria na qualidade do gasto público e malefícios aos pobres e desassistidos. Nenhuma das propostas sobre a mesa defende cortes descabidos na proteção a trabalhadores, nos sistemas de aposentadorias e pensões, em programas sociais ou nos investimentos em Saúde e Educação. A ideia é trazer um mínimo de racionalidade às despesas, para evitar desperdício. É o caso de gastos ineficazes (abono salarial), da duplicidade entre seguro-desemprego e FGTS, dos reajustes acima da inflação para o BPC ou do crescimento descontrolado das despesas obrigatórias (resultado da vinculação constitucional de gastos com Saúde e Educação).


É evidente que será impossível superar todos esses desafios simultaneamente, mas não passa de hipocrisia negar-se a encarar a necessidade de diminuir despesas empunhando a bandeira da defesa dos pobres. Nada pune tanto a população desassistida quanto o descontrole fiscal, que aumenta a incerteza, pressiona a inflação e força o Banco Central a aumentar os juros, inibindo investimentos, a geração de empregos e o crescimento da economia e da renda.


A História mostra que a conta da irresponsabilidade fiscal é sempre paga pelos mais pobres e pelos trabalhadores — lição que já deveria ter sido aprendida. Desde 2010, a produtividade no Brasil cresceu mísero 0,3% ao ano. Somente na década perdida dos anos 1980 o desempenho foi pior. De 2010 a 2023, a renda per capita se expandiu apenas 0,2% anual. É uma tragédia, algo que todos os ministros de Lula deveriam lembrar todo dia ao acordar. Nesse ritmo, o brasileiro só dobrará de padrão de vida daqui a 344 anos. Será que interessa mesmo aos mais pobres manter o desequilíbrio das contas públicas? Lula precisa parar de procrastinar. Ele deve ao país, com urgência, uma resposta à necessidade de controlar gastos.


 


A lição de Esparta – Alexandre Schwartsman – Estadão 10/11


Conta a lenda que, em determinado festival na Grécia Antiga, um velho procurava lugar para se sentar, sem que ninguém se dispusesse a ceder seu assento, até que, ao passar pela delegação espartana, todos se levantaram, devidamente aplaudidos pelos demais. O velho teria virado para os espectadores e bradado: “Todos os gregos sabem o que é certo; mas apenas os espartanos escolhem fazê-lo”.


Lembrei-me dela acompanhando o debate sobre o ajuste fiscal no País. Não é preciso ser gênio para entender qual o tamanho do ajuste necessário, ou mesmo para saber que medidas teriam maior chance de sucesso na empreitada, muito pelo contrário.


Dado o atual patamar da dívida, equivalente a cerca de 80% do PIB, uma conta simples, que considera tanto seu custo quanto o crescimento sustentável do PIB, indica que o setor público precisaria gerar uma “economia” (o superávit primário) da ordem de 2,5% do PIB. Tal valor impediria que a dívida crescesse sem limites, fenômeno que costuma levar a crises econômicas sérias.


Por outro lado, pelas estimativas da Instituição Fiscal Independente (órgão de pesquisa sobre as contas públicas ligado ao


Senado) o resultado do governo uma vez limpo de receitas e despesas não recorrentes, assim como dos ganhos de arrecadação provenientes de uma economia superaquecida, resultaria em déficit da ordem de 1% do PIB.


Teríamos, portanto, de sair de -1% do PIB para +2,5% do PIB, ajuste de 3,5% do PIB, ou perto de R$ 400 bilhões. Isso é, obviamente, inexequível num único ano, mas também ninguém em sã consciência sugere que seja feito em intervalo tão curto.


Caso seja um processo que se estenda por quatro ou cinco anos, mas amparado em medidas técnica e politicamente sólidas, já teria efeitos no sentido de dissipar os temores de insustentabilidade da dívida. Poderia, aliás, até reduzir seu custo, como ocorreu após a aprovação do teto de gastos em 2016, facilitando a tarefa.


Tudo indica, porém, que o conjunto de medidas em estudo (e debate interno) pelo governo é muito aquém do necessário. Estudo recente sobre as contas públicas de Gabriel Leal de Barros e Johann Soares sugere que a economia de gasto poderia chegar a 0,5% do PIB, mas só em 2034! Sugere também que reajustar o salário mínimo apenas pela inflação, sem ganhos reais, poderia ter efeito muito maior, mas se trata de área vetada pelo comando político, ainda mais em período que antecede eleições.


Todos sabem o que é necessário ser feito. O que nos falta são espartanos dispostos a fazer a coisa certa.


 


Haddad quer colocar seguro-desemprego na Black Friday, diz sindicato / Presidente da Força Sindical promete reação caso governo encaminhe propostas para 'fazer ajuste fiscal em cima dos trabalhadores'- Painel – Folha SP 9/11


Danielle Brant


Em assembleia que aprovou proposta patronal na última sexta-feira (8), metalúrgicos protestaram contra a revisão de gastos da equipe econômica por causa da possibilidade de mudanças no seguro-desemprego e afirmaram que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) quer colocar o benefício na Black Friday.


As faixas foram estendidas durante reunião do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.


Presidente da Força Sindical, Miguel Torres critica as articulações envolvendo o benefício e afirma que uma mudança do tipo não poderia acontecer em um governo Lula (PT). Uma das propostas em análise seria descontar das parcelas de seguro-desemprego o valor da multa sobre o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), paga pelo empregador ao funcionário demitido.


"Preocupa muito. Nós sabemos das dificuldades que nós temos no Congresso Nacional, porque é um Congresso muito conservador. Imagina o governo enviando uma PEC (proposta de emenda à Constituição) ou um projeto de lei complementar autorizando alguns cortes. Como vai voltar isso?", questiona.


As centrais sindicais enviaram uma carta nesta semana ao governo Lula pedindo uma conversa sobre as revisões estudadas, mas ainda não receberam resposta. "Não estou falando que não tem que ter correção, que não tenha que ter controle de gastos, mas nós estamos tirando daquele que mais precisa, do trabalhador desempregado."


Torres diz que, se a proposta for enviada com mudanças no seguro-desemprego, haverá reação dos trabalhadores. Segundo ele, uma mudança possível é regulamentar dispositivo da Constituição que diz que o financiamento do seguro-desemprego receberá uma contribuição adicional da empresa cujo índice de rotatividade da força de trabalho superar o índice médio da rotatividade do setor.


"Quem mais demite, quem mais faz rotatividade, tem que contribuir mais para o sistema de proteção social dos desempregados. Tem coisas que dá para fazer", argumenta.


 


Frente parlamentar alerta para impacto do fim do saque-aniversário na economia  / Grupo se articula para barrar proposta que governo quer enviar ao Congresso, sob argumento de que fere 'liberdade financeira e econômica' da população- Painel -Folha SP 10/11


Danielle Brant


A Frente Parlamentar Pelo Livre Mercado se articula para tentar barrar no Congresso a proposta que o ministro Luiz Marinho (Trabalho) quer enviar para acabar com o saque-aniversário do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), uma de suas metas à frente da pasta.


Nesta quarta-feira (13), a frente vai realizar, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, um evento com parlamentares e especialistas com o tema "O fim do saque-aniversário do FGTS: A diminuição da oferta de crédito e o impacto na vida dos brasileiros".


Integrante da frente, o deputado capitão Alberto Neto (PL-AM) afirma que a proposta poderá gerar sérios impactos para a economia. "Essa proposta cerceia a liberdade econômica dos brasileiros. O saque-aniversário e sua antecipação são grandes facilitadores da vida do brasileiro, além de representarem um instrumento fundamental de liberdade financeira para muitas famílias endividadas."


Rodrigo Marinho, diretor-executivo do Instituto Livre Mercado, diz que a extinção desse tipo de empréstimo forçaria cidadãos em situação vulnerável a recorrer a operações financeiras emergenciais com juros mais altos.


O fim do saque-aniversário é defendido pelo ministro do Trabalho desde antes da posse do presidente Lula (PT), mas a proposta de encaminhar a proposta ao Congresso vem sendo adiada diante da resistência no sistema financeiro e em ala do governo que teme que isso afete o mercado de crédito. Em 12 de setembro, Marinho prometeu que o texto seria enviado aos parlamentares ainda neste ano.


O saque-aniversário foi criado em 2019. Ele permite ao trabalhador sacar parte do FGTS a cada ano.


Por outro lado, o trabalhador fica impedido de sacar o valor integral da conta caso seja demitido (podendo acessar somente o valor referente à multa rescisória de 40% paga pela empresa). A adesão ao saque-aniversário é voluntária e o valor que pode ser liberado anualmente depende de quanto o trabalhador tem de saldo em sua conta do FGTS.


Nem para o PT Lula é de esquerda, diz ministro / Para Renan Filho (Transportes), pragmatismo do presidente explica domínio de capital privado na infraestrutura- Painel S.A- Folha SP 9/11


O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), quer fazer 35 leilões de rodovias até o fim do mandato do presidente Lula para destravar investimentos de R$ 190 bilhões, superando o ex-ministro Tarcísio de Freitas, hoje potencial nome da direita alinhado com o mercado para disputar as eleições residenciais de 2026. Para ele, no entanto, a predominância do capital privado no setor mostra que Lula é um pragmático e de centro, posição que precisa ser difundida caso ele seja candidato à reeleição.


O senhor já disse que já fez mais do que Tarcísio, ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, e que, pela primeira vez, o capital privado será maioria em rodovias e ferrovias. A comparação entre gestões, que também se percebe em outras pastas, é uma orientação de Lula, mirando 2026?


Não é uma polarização política, nem uma obrigatoriedade [imposta pelo Planalto]. O fato é que o presidente Lula é o maior líder de centro do país. Muito antes do centro vencer as eleições municipais, PP, União, PSD, Republicanos á estavam no governo. Agora, é importante colocar para as pessoas compararem, porque é muito fácil dizer que Bolsonaro é liberal. Nunca foi. E também não foi eficiente, não fez concessão, não atraiu capital privado. Com Lula, teremos o domínio do capital privado em rodovias e ferrovias, uma inversão histórica.


Então, o ponto é reforçar que Lula é de centro para afastar a imagem de que ele é de esquerda? Só na bolha [de Bolsonaro] ele é de esquerda. Nem a bolha do Lula acha isso. Porque, para o PT, o presidente não é de esquerda.


Por isso o ministro Fernando Haddad tem problemas com o PT? 


Ele tem alguns problemas com a extrema esquerda, mas também com a extrema direita. Se ele não tivesse [problemas] com os extremos, seria com o centro. E é melhor que seja com os extremos. Então, acho que o presidente acerta. No fundo, ele é um pragmático, faz na economia o que precisa ser feito.


Mas o governo resistiu a fazer o ajuste.


Ele está fazendo. E tem que rever despesas. Mas é importante dar uma olhadinha no andar de cima. Temos R$ 500 bilhões em incentivos fiscais.


Isso depende mais do Congresso. Como resolver?


Ao invés de tirar o benefício de um setor, cortar 10% de todo mundo. É o que proponho. Fiz isso quando fui governador [de Alagoas] e funcionou. O estado foi o que mais investiu com recursos próprios. Nossas rodovias [estaduais], superaram as de São Paulo em qualidade, por exemplo.


Essa ideia de cortes funcionaria para as emendas parlamentares?


Não, as emendas cresceram muito ao longo dos últimos anos porque o governo anterior infantilizou a presidência da República. Como não há vácuo de poder, ele foi ocupado e o orçamento migrou em parcela significativa para o parlamento. O presidente Lula tenta criar uma lógica. Dá para tirar de uma vez, garantindo governabilidade, a aprovação da reforma tributária, do arcabouço? Talvez não.


As emendas não ajudam o Dnit, por exemplo, na manutenção de rodovias federais?


O Dnit tem orçamento próprio e estimula doações de emendas. O problema é que uma obra de infraestrutura não tem a mesma potência eleitoral que uma escola no bairro, um posto de saúde, um calçamento de rua. Na discussão que o STF está fazendo, o que se debate é garantir uma parte das emendas de bancadas para obras estruturantes. Algo como 20% poderiam ser direcionados para isso e o Dnit é que tem a maior carteira de obras estruturantes.


Essa discussão será definida em conjunto com o corte de gastos?


É casada. Quando for votar o orçamento, eu espero que já esteja decidida essa questão das emendas de bancada.


Então, em vez de cortar, sua pasta pode ter mais recursos?


Se obrigarem as emendas de bancada a serem para obras de infraestrutura, a chance é grande.


De quanto será seu corte?


Entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão. Acho que ainda tem espaço para, de alguma maneira, recuperar.


 


Entrevista: 'Núcleo do governo tem que entender melhor as pessoas', diz Camilo Santana / Titular do MEC avalia que falta à gestão Lula encaixar melhor a comunicação, pede ‘reflexão’ ao PT diante dos recados da eleição municipal e diz que responsabilidade fiscal é necessária para entregar resultados- O Globo 10/11


Jeniffer Gularte


Único ministro do PT a eleger um aliado em capital, com Evandro Leitão (PT) em Fortaleza, Camilo Santana afirma que o governo precisa fazer uma reflexão profunda para entender quais são as prioridades das pessoas e verificar por que parte da população mais empobrecida, principal beneficiária de programas sociais, não está mais votando no PT.


Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Educação pede que o partido faça uma avaliação com “humildade” do resultado eleitoral, diz que falta comunicação ao governo e defende que o Congresso aprove até o fim do ano o projeto que proíbe o uso de celular nas escolas.


Leia a entrevista completa:


O PL elegeu quatro prefeitos em capitais, dois deles no Nordeste (Maceió e Aracaju). O que explica esse avanço da direita numa região onde o PT costuma ser forte?


Não vejo isso. Existe essa polarização. Do ponto de vista nacional, o (ex-presidente Jair) Bolsonaro perdeu. O país foi muito mais para o centrão e para a centro-direita.


A maior parte da densidade eleitoral do PT hoje está concentrada no Nordeste. Como reconquistar a relevância em outras regiões?


É um momento importante para o PT fazer uma reflexão, principalmente no Sudeste, em São Paulo, que foi o berço do partido. E fazer uma avaliação com muita humildade, tranquilidade, para entender o que tem mudado no cenário político, na comunicação com as pessoas. Precisamos renovar os quadros. Digo isso não só do ponto de vista político, partidário e eleitoral, mas do ponto de vista do governo. O PT é o partido que mais criou programas sociais para olhar para os mais pobres, e parte dessa população não votou no PT. Então, precisamos entender a falta de comunicação. E não é falta de propaganda. É preciso compreender de que forma estamos nos relacionando com a população enquanto governo.


Se o governo prioriza os mais pobres com suas políticas, por que uma parte dessa população não vota no PT?


A gente precisa fazer pesquisas científicas, qualitativas, para entender um pouco o sentimento das pessoas. Quais são as prioridades delas? Tem que entender essa dinâmica. E não é só no Brasil, é no mundo inteiro. Tem eleição do (Donald) Trump nos Estados Unidos, do (Javier) Milei na Argentina... O governo precisa fazer uma reflexão para compreender essa dinâmica que está acontecendo e ver as estratégias que são importantes para dialogar melhor com a população, com a família e com o sentimento das pessoas. Considero que um dos temas que abala e atinge a grande maioria da população brasileira é a segurança. O Brasil não é um país produtor de droga, ela entra pelas fronteiras. As organizações criminosas tomaram conta de alguns espaços no país. Nenhum governador sozinho vai conseguir resolver esse problema.


O senhor defende uma virada no governo?


Não é questão de virada. O Lula é um grande estadista e o maior presidente da História desse país. Mas o núcleo central do governo precisa estar com todas as informações científicas, qualitativas, para que a gente possa entender melhor essa dinâmica e qual estratégia a gente precisa. Porque, às vezes, as pessoas não têm a compreensão.


O senhor foi o único ministro do PT que conseguiu eleger aliado em capital. O que falta para o partido reconquistar votos nas maiores cidades brasileiras?


Cada estado tem uma realidade diferente. No caso específico do Ceará, nós temos um projeto que tem trazido resultados importantes para o estado, com avanços importantes na educação, na economia e no crescimento do estado. As pessoas estão reconhecendo isso. Nas capitais, é um público que depende menos do Estado, das políticas públicas.


Qual deve ser o norte para a construção da aliança de Lula em 2026? Atrair o centro e a direita são prioridades?


Quanto mais a gente conseguir unir e agregar. Eu fui governador com apoio dos partidos de centro, PP, PSD, MDB e Republicanos. Agora mesmo, o Evandro (Leitão, prefeito eleito de Fortaleza) tem apoio do PP, PSD e Republicanos. Defendo que é importante o diálogo, construir consensos. Democracia é isso.


Há grupos do PT que defendem maior protagonismo do senhor para discutir os rumos do partido. Pretende assumir esse papel?


O meu estilo é de contribuir. Nada é pessoal, tudo é um projeto. E eu aceitei o convite do presidente para vir para cá, porque eu acredito que o caminho é por meio da educação. Nós não vamos conseguir resolver todos os problemas, mas você precisa priorizar aquilo que é mais importante. O que eu quero neste momento é contribuir com o governo do presidente Lula, que, para mim, é um grande líder, muito maior do que o próprio PT. Respeito muito a liderança da Gleisi (Hoffmann, presidente do PT) e vou contribuir onde for chamado. Mas sempre respeitando os espaços, a hierarquia e a grande liderança do presidente.


Tem uma ala do PT que defende que um nome do Nordeste assuma o comando do PT, mas Lula tem outro candidato. O que o senhor acha?


Acho que o partido não é do Nordeste, é do Brasil. E, repito: caberá a discussão, sob a liderança da nossa presidente (Gleisi). E sempre respeitando o nosso maior líder, que é o presidente Lula.


O governo está discutindo um pacote de corte de gastos. O que a Fazenda pediu ao senhor?


Quem fala de questões orçamentárias é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem feito um grande trabalho. Para um governo, responsabilidade fiscal é muito importante. Você não consegue fazer entrega se não tiver o país sob equilíbrio. E o presidente Lula tem compromisso com a educação.


O deputado federal Eunício Oliveira (MDB-CE) disse que o senhor seria a melhor opção para suceder Lula na Presidência. Concorda?


Isso é bondade dele. O meu candidato à eleição chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Tenho um mandato de oito anos (no Senado) e nenhum interesse de ser candidato. Meu único foco neste momento é trabalhar muito pela educação.


A Comissão de Educação da Câmara aprovou o projeto que proíbe celulares nas escolas. O MEC está de acordo com a íntegra do texto?


A minha posição pessoal é que precisamos restringir o uso, porque todos os estudos mostram prejuízo. Não é só na escola, mas na vida das pessoas. Vários países no mundo já fizeram isso. A ideia é essa, restringir totalmente aos alunos mais novos, no ensino fundamental um, e liberar para os mais velhos e do ensino médio com a orientação pedagógica do professor para a aula. Claro que tem as exceções, como problemas de saúde. Vai ser uma medida importante. Espero que o Congresso vote ainda neste ano.


A Polícia Federal está investigando vazamento de imagens do Enem. Isso pode prejudicar outros candidatos?


A informação que eu tenho é que isso aconteceu por volta das 16h. Depois que o aluno entra em sala de aula e está lá com os portões fechados, ele fica incomunicável. Então, ao meu ver, claro que não há nenhum prejuízo para os alunos que fizeram as provas. Cada vez mais precisamos ter mais rigor nisso.


 


ESTADÃO: LULA PLANEJA ENTREGAR MINISTÉRIO PARA SE APROXIMAR DA BASE EVANGÉLICA- 10/11


Brasília, 09/11/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja convidar um representante da Frente Parlamentar Evangélica para o comando de um ministério, de preferência uma mulher. Interlocutores do petista afirmam que a ideia é resolver duas questões que atormentam o Palácio do Planalto: aproximar o governo dos evangélicos e, de quebra, fazer um aceno ao público feminino.


Na lista dos nomes avaliados no Planalto para ocupar a vaga no primeiro escalão estão a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e a deputada Benedita da Silva (PT-RJ). A petista já foi ministra de Assistência e Promoção Social de 2003 a 2004, no primeiro mandato de Lula. Agora, um dos ministérios na mira dos evangélicos é o do Desenvolvimento Social, que abriga o programa Bolsa Família e hoje está nas mãos do senador licenciado Wellington Dias (PT).


Apesar desta perspectiva, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Silas Câmara (Republicanos-AM), disse não ter qualquer compromisso com o Planalto. “O que existe é um diálogo normal. Mas conversar só não adianta. O governo precisa mudar suas atitudes”, afirmou.


Para o deputado, resoluções sobre educação infantil e nota técnica sobre aborto legal, ainda que derrubadas, indicam haver áreas do governo “desconectadas” com o desejo manifestado por Lula de se aproximar dos evangélicos.


Câmara mencionou até mesmo a vitória de Donald Trump como um sinal de alerta para o Planalto, sob o argumento de que o conservadorismo está cada vez mais forte no mundo. “A eleição nos Estados Unidos demonstrou o que dá os políticos não respeitarem o sentimento da população”, disse.


REUNIÕES. Os ministros que têm feito reuniões frequentes com líderes evangélicos, a pedido do presidente, são o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, e o titular de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.


“Sou terrivelmente pacificador”, disse Messias ao Estadão, em um contraponto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que, em 2019, disse desejar um perfil “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal.


Messias foi criado em uma família batista e desde pequeno frequenta cultos. Agora, ele se tornou a principal “ponte” entre os evangélicos e o Planalto, conversando com representantes de várias denominações, do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP) ao Bispo Rodovalho, da Sara Nossa Terra. “Tenho me esforçado para levar sempre uma mensagem de paz aos meus colegas e mostrar que nosso governo nunca se contrapôs aos valores cristãos”, observou.


‘LIVRAMENTO’. O ministro da AGU contou que estava numa reunião com Lula, mês passado, quando o presidente disse que teve um “livramento” por não sofrer nada mais grave ao cair no Palácio da Alvorada e bater a cabeça, no dia 19 de outubro. Na ocasião, o presidente levou cinco pontos e desmarcou uma viagem que faria à Rússia.


Quatro dias antes da queda, Lula recebeu orações no Planalto ao se encontrar com integrantes da bancada evangélica numa cerimônia para sancionar a lei que criou o Dia Nacional da Música Gospel. “O presidente falou para nós: ‘Ainda bem que oraram por mim’. Ele sentiu que a mão de Deus o livrou de coisa pior”, contou Messias.


Ex-integrante da tropa de choque bolsonarista, o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) foi o representante da Frente Parlamentar Evangélica que puxou as orações para Lula na cerimônia. Depois, nas palavras do próprio presidente, foi “triturado” nas redes sociais por apoiadores de Bolsonaro.


“Os parlamentares evangélicos sofrem um ataque do bolsonarismo, que sequestrou as nossas pautas”, reclamou Otoni. “Tem cara que já mandou a namorada fazer aborto, mas faz campanha dizendo que é aliado de Bolsonaro e que é a favor da vida. É esse candidato que sobe no nosso púlpito e rouba os nossos votos”.


Embora o deputado não cite nomes, o influencer Pablo Marçal (PRTB) preocupa o segmento por defender a agenda de costumes sem a intermediação das igrejas. Candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, Marçal negocia sua filiação ao União Brasil e quer concorrer ao Planalto, em 2026. As conversas ainda estão no início, mas o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já mandou recado à cúpula do partido de que não abrirá mão de sua candidatura à sucessão de Lula se Marçal entrar no seu partido.


A bancada evangélica reúne hoje 137 deputados e 19 senadores, a maioria deles ligada a Bolsonaro. Em 2022, Otoni chegou a dizer que receberia “vagabundos igual a Lula” à bala, caso eles aparecessem à sua porta porque este seria o método usado no Rio para lidar com “bandidos”. Dias antes, durante ato na CUT, o petista havia incentivado militantes a procurar deputados e suas famílias para pressionar pela votação de propostas de interesse dos trabalhadores. Otoni afirmou depois que se arrependia de ter atacado Lula.


MANIPULAÇÃO DA FÉ. Aliado de Bolsonaro, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) afirma que a investida do governo sobre os evangélicos não terá resultado. “Lula quer manipular a fé, mas nada do que ele fizer vai adiantar”, provocou Sóstenes.


Na avaliação do cientista político Vinícius do Valle, apesar das críticas de integrantes da bancada evangélica, existe uma ala que se sente desamparada por Bolsonaro e tenta se aproximar de Lula. “É uma ala que gostaria de estar no governo de forma discreta, sem sofrer o estigma de ser esquerdista. É a melhor posição em termos de estratégia eleitoral, como faz o Centrão”, disse.


(VERA ROSA)


 


 


PGR vai para cima de Bolsonaro: 'vem chumbo grosso' / Denúncia tornará mais pedregoso o caminho de ex-presidente para se livrar da inelegibilidade- Folha SP 9/11


Elio Gaspari


Nas próximas semanas, o procurador-geral Paulo Gonet deverá enviar ao Supremo Tribunal Federal a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro pela sua atividade nas armações antidemocráticas que acabaram desembocando no 8 de janeiro.


Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal em dois outros inquéritos. Um trata das joias sauditas e o outro, da emissão de atestados falsos de vacinas contra a Covid.


A PGR concluiu seu trabalho há tempo, mas Gonet não queria enviar os documentos ao STF durante o processo eleitoral. Quem acompanha o caso informa: "Vem chumbo grosso".


A denúncia da PGR tornará mais pedregoso o caminho de Bolsonaro para se livrar da inelegibilidade.

Henrique Meirelles

 Henrique Meirelles - Opinião - Brasil estará mais preparado para enfrentar a era Trump se fortalecer sua economia – Estadão 11/11


A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos provoca muita especulação sobre qual será o seu impacto na economia mundial e brasileira a partir de janeiro. É natural que isso aconteça diante de um fato dessa magnitude e do seu discurso eleitoral protecionista. Entendo a preocupação, mas acredito que, nessas situações, é mais produtivo se concentrar no que é preciso fazer para fortalecer a economia brasileira do que especular sobre um futuro fora do controle.


Costumo dizer que a economia brasileira aguenta alguns desaforos — sejam eles produzidos aqui ou em outros países. Isso se deve, principalmente, ao robusto volume de reservas internacionais, cuja maior parte foi construída quando eu era presidente do Banco Central e que está hoje em US$ 364 bilhões. As reservas foram uma ferramenta essencial para o Brasil superar mais rápido do que se esperava a crise financeira mundial de 2008, talvez a maior da história.


As reservas são uma salvaguarda. Sem elas, o Brasil ficou insolvente na década de 1980 por falta de dólares para honrar compromissos. Mas é importante pensar em outras medidas para o Brasil não só estar menos suscetível a problemas externos, como crescer mais. É fundamental que um programa para colocar as despesas do governo sob os limites do arcabouço fiscal seja realmente efetivo. Uma das maiores vulnerabilidades do Brasil, hoje, vem do crescimento do gasto público, que alimenta a elevação da dívida pública. Interromper essa trajetória reduz riscos para a economia e pode atrair investimentos externos.


O fato de o Banco Central ter elevado a Selic em 0,5 ponto percentual, em uma decisão unânime e necessária, sem ruídos externos, é positivo. O BC está fazendo seu trabalho para trazer a inflação à meta — e, desde o início do processo de sucessão em seu comando, sem críticas pesadas. Não fazer barulho desnecessário contribui para a estabilização da expectativa de inflação. O governo federal pode fazer a sua parte, ao levar a política fiscal para o campo mais restritivo.


Como já falei aqui, quando as políticas fiscal e monetária andam na mesma direção, o País ganha. Se isso acontecer, o Brasil poderá estar mais preparado para enfrentar o que quer que aconteça na economia mundial com a chegada de Donald Trump em 2025.


Conheci Trump em Nova York, no início dos anos 2000, quando era presidente do BankBoston. Seus projetos imobiliários eram ambiciosos, muitas vezes enfrentavam dificuldades financeiras, mas no fim eram bem-sucedidos. Conto o episódio em meu livro, Calma sob pressão.

Sergio Lamucci

 Mais inflação, mais juros e menos crescimento / Uma fonte de alívio mais expressivo para o câmbio terá de vir do cenário doméstico - basicamente de medidas de controle de gastos- Valor 11/11


Sergio Lamucci


O Brasil caminha nos próximos meses para uma combinação de inflação e de juros bem mais elevados do que os economistas projetavam há algumas semanas. Os preços de alimentação no domicílio têm subido com mais força, dado os efeitos dos problemas climáticos e, em menor medida, do dólar caro - fator que começa a pressionar também os bens industriais. Já os serviços mais sensíveis à demanda ganham terreno com o aquecimento do mercado de trabalho.


Nesse quadro, as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltam para o intervalo de 4,5% a 5% neste ano e acima de 4% no ano que vem, números próximos ou superiores ao teto da banda de tolerância da meta, de 4,5%. Para a Selic, que aumentou de 10,75% para 11,25% ao ano na semana passada, há quem projete uma taxa superior a 13% no fim do ciclo de aperto monetário. O resultado tende a ser uma desaceleração mais forte da atividade em 2025, após três anos de crescimento na casa de 3%.


A demora e a hesitação do governo em apresentar medidas para conter a expansão das despesas obrigatórias cobram o seu preço, num momento em que o cenário externo se torna mais complicado para países emergentes. A vitória de Donald Trump nos EUA deve se traduzir numa política comercial e numa política fiscal com impacto inflacionário, o que vai resultar num dólar mais forte e em juros americanos mais elevados, fatores desfavoráveis para economias como a brasileira. Além disso, a China também enfrenta dificuldades para sustentar o crescimento, uma má notícia para exportadores de commodities. Uma das consequências das incertezas fiscais e de um ambiente internacional adverso é o dólar acima de R$ 5,70.


O quadro inflacionário piorou, ainda que não seja explosivo. Em outubro, o IPCA subiu 0,56%, levando a variação em 12 meses a 4,76%, com alta forte de alimentação no domicílio e energia elétrica, além da aceleração dos preços de serviços mais sensíveis à demanda. O aumento da comida em casa tem chamado a atenção - no mês passado, chegou a 1,22%. Depois de cair 0,5% em 2023, o grupo voltou a acelerar e já acumula alta de 7,28% em 12 meses, devendo subir 8,2% neste ano, nas projeções do economista Fabio Romão, da LCA Consultores.


Aumento forte das cotações de alimentos costuma ser dor de cabeça para o governo, por afetar a popularidade do presidente entre os mais pobres, que gastam uma fatia maior da renda com esses produtos. A variação ainda não chega aos mais de dois dígitos do período de fevereiro de 2022 a fevereiro de 2023, mas o nível de preços da comida em domicílio já estava elevado, mesmo com o recuo de 0,5% no ano passado, como destaca Romão. “Houve três anos de altas muito importantes da inflação de alimentação no domicílio, e 2023 não devolveu essas altas. Parou de piorar, mas num nível muito elevado”, diz ele, observando que neste ano as cotações desses produtos voltaram a subir, especialmente no segundo semestre. De janeiro de 2018 a outubro deste ano, alimentação em casa aumentou 70,6%, bem mais que os 43,1% do IPCA “cheio” no período.


Os preços das carnes têm avançado com força, efeito da estiagem e dos incêndios nas áreas produtoras, pressões adicionadas a um cenário já marcado por redução do número de abates e aumento das exportações. O dólar, por enquanto, é um fator secundário nesse processo, avalia Romão. Em outubro, o avanço das carnes foi de 5,81%; em 12 meses, é de 8,33%.


O economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, nota que, em outubro, o valor da cesta básica em relação ao mesmo mês de 2023 superou a variação do salário mínimo nessa base de comparação. Enquanto a cesta de itens básicos calculada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aumentou 9% no período, o salário mínimo subiu 7,2%. Isso já tinha ocorrido em setembro e se acentuou em outubro, diz Montero. “Os próximos meses acelerarão esse descompasso”, escreve ele, acrescentando que o câmbio não é a única causa desse aumento e a alta da comida não é a única consequência do dólar mais caro. “Mas o dólar começa a machucar onde mais dói”, resume ele.


O câmbio desvalorizado se faz sentir também nos preços de bens industriais. Até o momento, a inflação desses produtos não é das mais fortes, mas a pressão já começa a aparecer nesse grupo. Em 2023, subiram apenas 1,1%; neste ano, podem avançar 2,4%, estima Romão.


O dólar avançou 1,09% na sexta-feira, fechando a R$ 5,7372. No ano, a alta é de 18,2%. Além do impacto do cenário externo mais adverso, por causa da vitória de Trump, a moeda voltou a subir devido à frustração com a demora do governo em anunciar medidas para conter gastos. Um pacote tímido, que não enfrente o crescimento das despesas obrigatórias, tende a manter o dólar nas alturas. Num cenário em que há pressões sobre a inflação derivadas dos problemas climáticos e do mercado de trabalho, uma consolidação do dólar na casa de R$ 5,70 pode fazer mais estragos.


O quadro externo deverá ser estruturalmente pior para países como o Brasil nos próximos anos. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) terá, tudo indica, menos espaço para reduzir os juros num governo Trump, dadas as políticas inflacionárias que tendem a ser adotadas pelo presidente eleito. Uma fonte de alívio mais expressivo para o câmbio terá de vir do cenário doméstico - basicamente de medidas de controle de gastos, que reduzam as incertezas sobre as contas públicas. O comportamento recente do câmbio é um alerta claro de que o anúncio de iniciativas fiscais pouco ambiciosas nesta semana terá um impacto negativo sobre o real. Num cenário como esse, os juros terão provavelmente que subir muito, para conter uma inflação que se distancia da meta de 3%, superando o teto da banda de tolerância, de 4,5%. Com uma Selic acima de 13%, a economia sofrerá mais, sendo grande o risco de interrupção do processo de retomada do investimento.


Sergio Lamucci é editor-executivo e escreve quinzenalmente


 


Inflação volta no atacarejo e juro alto atrasa planos / Escalada de preços sentida nas lojas entre 2022 e parte de 2023 afeta até hoje o nível de confiança do consumidor no país, mesmo com a melhora de renda e emprego- Valor 11/11


Adriana Mattos


A inflação alimentar voltou ao atacarejo, o canal de venda que mais cresce no país e que ajudou a proteger o poder de compra da população de menor renda nos últimos anos, com seus preços abaixo dos supermercados. A escalada de preços sentida nas lojas entre 2022 e parte de 2023 afeta até hoje o nível de confiança do consumidor no país, mesmo com a melhora de renda e emprego neste ano.


Esse movimento de alta, que reduz o volume vendido, somado com a necessidade das companhias de controlar o endividamento e o retorno da alta na taxa de juros (Selic), está adiando os planos de maiores investimentos no país.


O Carrefour, a maior empresa varejista do Brasil, e dono do Atacadão, já fala em inflação alimentar numa faixa de 6% a 7% no ano.


Os grupos Assaí e Carrefour sentiram o aumento mais acelerado de preços em setembro e outubro, e também verificaram alta da inflação em seus próprios custos, e não apenas na venda aos clientes. A expectativa é que essa pressão se estenda pelo resto do ano.


Além disso, o GPA, controlador da rede Pão de Açúcar, disse que houve “um forte aumento de preços” não só em categorias de frutas, verduras e legumes, naturalmente afetadas pela piora das condições climáticas, mas também em mercearia básica (que inclui itens como macarrão, feijão e arroz).


Somados, GPA, Assaí e Carrefour têm pouco mais de 1,5 mil lojas no Brasil e somam 30% do mercado de varejo alimentar, calculou o Valor. As informações sobre as empresas foram dadas em teleconferência nos últimos dias.


O CEO do Carrefour, Stéphane Maquaire, acredita numa inflação alimentar um pouco superior à inflação geral do país, como já chegou a ocorrer no passado, mas disse que a empresa buscou segurar repasses, para ganhar em volume.


“Sobre a inflação alimentar, é verdade que em setembro entramos em um novo cenário. Tivemos uma alta em maio e junho, impulsionada pela tragédia no Sul, seguida por uma deflação em julho e agosto. E novamente em setembro e outubro, observamos uma retomada da inflação alimentar, com analistas prevendo que possa continuar até o fim do ano”, disse o CEO, no início do mês.


Os indícios de um novo repique inflacionário estão no centro das preocupações do Banco Central, e explicam o movimento de alta nos juros, que, se por um lado funciona como ferramenta para esfriar a economia, por outro pesa no custo das dívidas de empresas, com empréstimos atrelados a juros.


Na semana passada, o IBGE informou que o IPCA alcançou 0,56% em outubro. Em 12 meses, foi a 4,76%. Com isso, superou o teto da meta perseguida pelo BC, de 3% para 2024, com margem de tolerância de 1,5 ponto. Na quarta-feira (6), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou os juros de 10,75% para 11,25% ao ano.


Até agosto, havia deflação nas lojas de varejo e atacarejo alimentar no sequencial de mês a mês. Só que, com a virada na curva, até existe uma melhora na receita nominal, porque a inflação eleva faturamento, mas tende a ocorrer um recuo em volume vendido.


Isso tem efeito positivo para a rede, porque a inflação de custos das empresas (inclui energia, insumos), mesmo pressionada, tende a ficar abaixo da inflação alimentar neste ano. É algo que ajuda na conta das despesas. Mas também pode ser negativo considerando, principalmente, o negócio de atacado, voltado a ganhos de escala, que são afetados quando a inflação sobe.


O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, também mencionou, na sexta-feira (8), a volta da inflação após agosto. Mas disse que isso ainda não havia levado o comprador pessoa jurídica (bares, hotéis, restaurantes) a se estocar mais, para se proteger de uma escalada de preços, como em 2022. “Teremos um movimento inflacionário superior no quarto trimestre”, disse.


Gomes afirmou ainda que o Assaí não seguirá o caminho adotado pelo Atacadão em abril, quando a rede do Carrefour começou a vender produtos parcelados em todos os cartões em três vezes sem juros.


Financiar a venda ao cliente foi uma forma de elevar volumes, mas há risco de aumento no consumo do capital de giro. Na conferência de resultados neste mês, o Carrefour disse que manterá a política de venda parcelada no cartão, pois tem tido resultados positivos.


Em vendas, o Atacadão cresceu 8,3% de julho a setembro, quando a inflação já voltava mais forte, e o Assaí avançou 9,3% (veja tabela acima) frente ao ano anterior.


Nesse ambiente de incertezas e custo de capital mais alto após a alta da Selic, Assaí e Atacadão mantêm postura cautelosa em termos de aumento de investimentos.


Maquaire, do Carrefour, disse que a prioridade é diminuir a alavancagem e conversões de hipermercados em Atacadão e Sam’s Club exigem menos recursos, e ainda estão no radar até 2025. Também afirmou que é “cedo demais” para falar de expansão em 2025 e 2026. “Vemos um cenário com um pouco menos de aberturas no próximo ano, sempre cuidando da nossa alavancagem”.


O Assaí já anunciou, em outubro, 10 inaugurações em 2025 (antes, falava em 20), versus 15 neste ano, além da decisão de postergar projetos - pela necessidade de gerar caixa para reduzir mais o endividamento. Isso ocorreu em 2024.


“Acabamos de anunciar revisão de plano de lojas para 2025, porque a curva de juros piorou, e agora o que temos são dez lojas em 2025, mas com redução de curva de alavancagem. Óbvio que estamos machucados, com parte do Ebitda indo para pagar juros. Podemos ter revisão de aberturas em 2026, mas para 2025, não”, disse Gomes. Ebitda mede lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação. De julho a setembro, o indicador de alavancagem financeira do Assaí (relação entre dívida e Ebitda) foi de 3,52 vezes, ante 4,4 vezes um ano atrás.


Neste ano, o recuo neste índice veio mais do Ebitda maior do que de recuo forte de dívida. Para 2025, a ideia é tentar elevar Ebitda e reduzir dívida, disse Vitor Faga, vice-presidente de finanças do Assaí.


Já houve renegociações e início de ampliação no prazo de pagamento de dívidas da cadeia, transferindo R$ 3 bilhões a vencer em 2025 e 2026 para 2028 e 2029. O Assaí teve uma queda de 16% no lucro líquido de julho a setembro, para R$ 156 milhões. O Atacadão não publica esse dado.

News 0911

 NEWS - 09.11


Após mais de três horas de reunião na sexta-feira, presidente não bateu o martelo e quer mais tempo para amadurecer a decisão / De abono a seguro-desemprego: veja o que Lula e os ministros estão discutindo sobre corte de gastos- O Globo 9/11


Jeniffer Gularte / Geralda Doca / Karolini Bandeira


Após três horas e meia de conversas ontem entre Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e outros nove ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Rui Costa (Casa Civil), sobre corte de gastos, mais uma vez não se chegou a um consenso. O presidente vai analisar as propostas que estão sobre a mesa durante o fim de semana e ouvir outros conselheiros.


Segundo integrantes do governo que participam das conversas, não há um ponto específico que está dificultando um desfecho para o anúncio dos cortes, mas a complexidade do pacote em si e suas implicações — políticas e econômicas.


Cada uma das medidas que foram levadas a Lula contempla uma série de cenários que também se desdobram em diversas alternativas a serem adotadas.


No caso do seguro-desemprego, uma das ideias é apertar um pouco mais as regras de acesso, limitar o número de parcelas, — que variam entre três e cinco pagamentos —, de acordo com o tempo de serviço e ainda fixar como critério de elegibilidade renda de até dois salários mínimos. Essa política tem um custo de R$ 57 bilhões no ano que vem.


Entre as mudanças avaliadas pelo governo estão o seguro-desemprego e o abono salarial, gastos que mais crescem depois da Previdência Social e do Benefício da Prestação continuada (BPC). A estratégia é semelhante à adotada pela ex-presidente Dilma Rousseff no início do segundo mandato, em 2015, quando essas duas políticas também foram alvos de redesenhos.


Já o abono é uma espécie de 14º pago a quem recebe até dois salários mínimos. A proposta com mais força neste momento é reduzir o critério de elegibilidade para um salário mínimo e meio. Também faz parte dessa proposta a extinção do abono salarial ao longo do tempo, mas com o prazo bastante alongado.


Um dos argumentos é que essa política é mal focalizada por beneficiar trabalhadores com carteira assinada, sendo que metade da mão-de-obra é de informais. O abono custará cerca de R$ 30 bilhões no ano que vem.


Um dos pontos para o qual ainda não há decisão é se haverá mudança nos pisos de saúde e educação. Hoje, eles estão indexados às receitas e a possibilidade em debate é limitar o crescimento dessas despesas aos mesmos índices do arcabouço fiscal — ou seja, no máximo 2,5% acima da inflação.


Se essa medida for adotada, o discurso que o governo prepara é de que não se trata de cortes, mas uma adequação das despesas ao arcabouço. Durante a reunião, todas as medidas foram discutidas, mas o anúncio deve sair na semana que vem.


Tantas opções sobre a mesa pelo lado do corte de gastos têm gerado reclamações de ministros das áreas sociais. Por isso, Lula foi aconselhado a também anunciar algo pelo lada da receita, como corte de subsídios.


Uma solução de aumento de receitas não resolve as travas criadas pelo arcabouço fiscal, o grande foco das medidas que estão sendo discutidas.


Há também intenção de apresentar o pacote aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. O plano é aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e um projeto de lei para conter o crescimento das despesas e cumprir o arcabouço fiscal.


Lula resiste


Lula tem reiterado que não pretende desindexar os benefícios previdenciários ao valor do salário mínimo. Uma limitação para o crescimento do salário mínimo ao arcabouço fiscal, até 2,5% acima da inflação, também foi discutida nas reuniões.


Entretanto, a equipe econômica cobrou dos Ministérios da Previdência e do Desenvolvimento Social (MDS), responsáveis pelo INSS, BPC, Bolsa Família, celeridade na execução do pente fino para reduzir despesas com irregularidades e fraudes.


No caso do Bolsa Família, há um compromisso para que o gasto não supere R$ 166 bilhões, orçamento previsto para 2025.


De acordo com relatos, durante as reuniões, Lula tem falado pouco e ficado a maior parte do tempo ouvindo cada um dos ministros. O próprio presidente não tem indicado ao seu primeiro escalão qual caminho seguirá para conter as despesas do governo.


Tanto o ministro da Previdência, Carlos Lupi, quanto do MDS, Wellington Dias, afirmaram durante a semana que a colaboração das duas pastas no ajuste será restrita a medidas de gestão.


 


Lula estenderá conversa sobre o corte de gastos para o fim de semana e ouvirá mais conselheiros antes de decisão / Depois disso, Lula retomará as conversas com a equipe econômica e ministérios das áreas sociais na segunda-feira. Não há definição, no entanto, do melhor timing para o anúncio e nem uma data para isso ocorrer. A palavra final sairá no momento em que Lula se convencer do melhor caminho- O Globo 8/11


Jeniffer Gularte


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou mais uma rodada de reuniões que discute o pacote de corte de gastos do governo, nesta sexta-feira, sem o martelo batido. O presidente quer mais tempo para amadurecer a decisão e adiou mais uma vez o anúncio das medidas.


Lula indicou a auxiliares que vai aproveitar o final de semana para analisar as propostas que estão na mesa e ouvir conselheiros além dos quais ele vem conversando.


Nesta sexta-feira, foram três horas e meia de conversas entre Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e outros nove ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Rui Costa (Casa Civil).


Integrantes do governo que participam das conversas afirmam que não há um ponto específico que está dificultando um desfecho para o anúncio dos cortes, mas a complexidade do pacote em si e suas implicações — políticas e econômicas.


Cada uma das medidas que foram levadas a Lula contempla uma série de cenários que também se desdobram em diversas alternativas a serem adotadas. Com espectro tão amplo à mesa, Lula sinalizou que quer ouvir mais gente para amadurecer sua decisão — o que deverá ocorrer neste final de semana.


Depois disso, Lula retomará as conversas com a equipe econômica e ministérios das áreas sociais na segunda-feira. Não há definição, no entanto, do melhor timing para o anúncio e nem uma data para isso ocorrer. A palavra final sairá no momento em que Lula se convencer do melhor caminho.


De acordo com relatos, durante as reuniões, Lula tem falado pouco e ficado a maior parte do tempo ouvindo cada um dos ministros. O próprio presidente não tem indicado ao seu primeiro escalão qual caminho seguirá para conter as despesas do governo.


 


Governo adia para próxima semana anúncio de corte de gastos e frustra Haddad / Chefe da equipe econômica sinalizou nos últimos dias que as medidas seriam anunciadas ainda nesta semana- Folha SP 9/11


Brasília


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empurrou mais uma vez o anúncio do pacote de corte de gastos para equilibrar as contas públicas, frustrando as expectativas alimentadas pelo próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad.


O chefe da equipe econômica sinalizou em diversos momentos nos últimos dias que as medidas seriam anunciadas nesta semana, a despeito dos relatos de que o presidente ainda não havia tomado uma decisão definitiva sobre as ações.


A mais recente tentativa de fechar essa lista ocorreu nesta sexta-feira (8), quando Lula reuniu no Palácio do Planalto, pela terceira vez nesta semana, os ministros que integram a JEO (Junta de Execução Orçamentária) — Haddad, Rui Costa (Casa Civil), Simone Tebet (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão e da Inovação em Serviço Público) — e os titulares das pastas que devem ser afetadas pelos cortes nos gastos. O encontro durou cerca de 3h30 e terminou sem anúncios


Os encontros sucedem uma série de reuniões entre a Casa Civil e os ministérios setoriais, sem a presença de Lula. Nos bastidores, ministros da área social do governo travam um embate duro para tentar manter inalterados os benefícios e as políticas administradas por suas pastas.


A semana começou com o próprio Haddad alimentando a expectativa de anúncio do pacote nesta semana, após ter cancelado uma viagem à Europa, a pedido de Lula, para "se dedicar a temas domésticos".


O ministro afirmou, na manhã de segunda-feira (4), que as coisas estavam "adiantadas do ponto de vista técnico" e que acreditava que o governo Lula estava na reta final para o anúncio. A sua fala repercutiu no mercado positivamente, com queda da cotação do dólar.


"Em relação à Fazenda, tem várias definições que estão muito adiantadas. O presidente passou o final de semana, inclusive, trabalhando no assunto, pediu que técnicos viessem a Brasília para apresentar detalhes para ele", disse. "Acredito que estejamos prontos esta semana para anunciar [o pacote]", afirmou na ocasião.


O chefe da equipe econômica voltou a prever um desfecho próximo na noite da última quarta (6), quando disse que esperava ter uma decisão final de Lula no dia seguinte –o que não se concretizou. Segundo Haddad, restavam apenas "dois detalhes" que precisavam ser alvo de uma "arbitragem simples" do chefe do Executivo.


Um dia depois, os ministros tiveram uma reunião que se estendeu por mais de cinco horas, dividida em duas etapas, mas também foi inconclusiva. Haddad adiou seu voo para São Paulo para comparecer ao novo encontro realizado na tarde desta sexta-feira.


Uma semana antes, Haddad tinha provocado desconforto no mercado financeiro ao dizer que não havia um prazo para a divulgação das medidas, gerando uma disparada do dólar. Depois disso, houve a primeira reunião com Lula no Palácio da Alvorada –encontro que também contou com a participação do futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.


A equipe econômica voltou a prometer avanços na agenda de revisão dos gastos para assegurar a sustentabilidade das contas públicas depois do segundo turno das eleições municipais. A deterioração do dólar e das taxas de juros, na esteira da piora na percepção do mercado financeiro sobre a situação fiscal do país, colocou pressão sobre o governo.


As medidas estão sendo avaliadas tanto sob o ponto de vista do impacto fiscal quanto pela viabilidade política. Sob esse filtro, o governo já descartou a desvinculação de benefícios sociais, como o abono e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), em relação ao salário mínimo —embora ainda haja defensores de mudanças no valor do BPC.


Mudar os pisos de gastos em Saúde e Educação, por sua vez, figurava como um "candidato fraco", dado o elevado desgaste político para um ganho fiscal pequeno nos próximos anos.


Já o abono salarial (espécie de 13º salário pago a trabalhadores com carteira que ganham até dois salários mínimos) deve ser alvo de um redesenho e há mais de um formato em análise. O diagnóstico é de que o benefício, que custará R$ 30,7 bilhões em 2025, pode ser melhor focalizado.


Também está na mesa a possibilidade de limitar o ganho real do salário mínimo a 2,5%, mesma correção máxima da regra fiscal do arcabouço.


A medida, se adotada, traria alívio para as contas porque, no formato atual, a política de valorização garante um ganho equivalente ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. No ano que vem, por exemplo, será a variação do PIB de 2023, que teve alta de 2,9% (acima de 2,5%). Em 2026, a correção será pelo resultado deste ano, cuja projeção de analistas indica alta de 3,1%, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.


No acumulado desses dois anos, o governo poderia economizar cerca de R$ 6 bilhões, caso impusesse o limite ao ganho real do salário mínimo. A iniciativa, porém, deve enfrentar resistências.


Na tentativa de criar uma narrativa política para emplacar o ajuste sem desagradar tanto suas bases, Lula também tem sido aconselhado a incluir no pacote medidas de revisão de subsídios e desonerações. Na reunião desta sexta, inclusive, Haddad levou consigo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, para participar das discussões com o presidente e demais ministros.


Eventuais revisões pelo lado das receitas não garantem a sustentabilidade do arcabouço fiscal, que depende de uma trajetória mais moderada de crescimento dos gastos obrigatórios (que incluem os benefícios sociais). Porém, ajudam no cumprimento da meta fiscal e servem ao discurso político do governo de atacar também o andar de cima.


A ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) defendeu, em entrevista à Folha, uma redução gradual dos subsídios tributários, financeiros e creditícios, hoje ao redor de 6% do PIB. "É urgente fixarmos pela Constituição, ainda que com uma escala em oito anos, a saída de 6% até 2% do PIB desses gastos tributários", disse na ocasião.


Uma das possibilidades, segundo um auxiliar do presidente, seria fazer um corte linear nesses incentivos. O modelo já foi testado em uma emenda constitucional, mas acabou não tendo eficácia.


Uma das preocupações de auxiliares do presidente Lula é com a comunicação das medidas no momento em que o Congresso Nacional está prestes a aprovar um projeto para ampliar em R$ 11,5 bilhões as emendas parlamentares. O acordo para a aprovação da proposta, que já passou na Câmara dos Deputados, está sendo costurado com o Executivo.


Será uma tarefa difícil para o presidente propor cortes em benefícios como BPC, abono salarial ou seguro-desemprego para bancar emendas parlamentares. O governo já foi alertado também de que enfrentará problemas com o projeto que ainda terá que ser enviado ao Congresso para formalizar os acordos de reajuste salarial das carreiras de servidores do Executivo, antes mesmo de a proposta chegar ao Legislativo.


Apesar da demora na conclusão das conversas, um auxiliar de Haddad diz que a equipe econômica está confiante de que vai apresentar um pacote consistente com a necessidade de afastar as incertezas fiscais.


Outra vertente das medidas deve ser o combate a fraudes. O governo vai ampliar o público-alvo da revisão do Cadastro Único, antes restrita a quem está com o cadastro desatualizado há mais de 48 meses. Agora, esse horizonte será reduzido para 24 meses. "Este prazo de 48 meses foi dado em razão da pandemia de Covid-19. Agora, a renovação será a cada 24 meses para Bolsa Família e também BPC", disse o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social).


Quanto custarão em 2025 as políticas em discussão


Abono salarial - R$ 30,7 bilhões

Seguro-desemprego - R$ 56,8 bilhões

BPC - R$ 112,9 bilhões

Piso da Saúde - R$ 228 bilhões

Piso da Educação - R$ 113,6 bilhões

Adriana Fernandes , Catia Seabra , Idiana Tomazelli , Marianna Holanda , Nathalia Garcia e Renato Machado


 


 


Pacote de corte de gastos não deve impor estabilização da dívida, diz Arko Advice ao WW / Comparado ao Teto de Gastos e Reforma da Previdência, Cristiano Noronha avalia que medidas não devem ser estruturais o suficiente- CnnBrasil 8/11


Da CNN , São Paulo


O governo encerrou mais uma reunião sobre ajuste fiscal nesta sexta-feira (8) sem dar nenhum anúncio sobre o aguardado pacote.


Mas ao olhar para reformas anteriores – como a PEC do Teto de Gastos e a Reforma da Previdência -, Cristiano Noronha, cientista político da Arko Advice, aponta ao WW que as novas medidas deve ficar bem abaixo num quesito estrutural.


No caso, uma reforma estrutural seria aquela capaz de estabilizar o rumo da dívida pública, um problema que acompanha as contas do Executivo há anos.


Apesar disso, Noronha acredita que a equipe econômica deve ter trabalhado bem o suficiente para fazer o Executivo entender a necessidade do reajuste.


A expectativa do cientista político é de que as medidas sejam capazes de dar um alívio de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões às contas públicas.


“Acredito que [o pacote] vai ser robusto a ponto de nao deixar o ministro [da Fazenda, Fernando Haddad] ‘na chuva'”, avalia Noronha ao WW desta sexta.


Reuniões de ajuste fiscal


Ao longo da semana, o governo teve quatro reuniões para tratar do assunto, e a dessa sexta-feira poderia ser a última entre os ministros.


O encontro durou cerca de três horas e nenhum ministro se pronunciou ao final. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixou Brasília e foi para São Paulo, onde passará o final de semana.


Não há data certa para o retorno dos debates em Brasília.


Além de Lula e Haddad, participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Simone Tebet (Planejamento), Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão), Camilo Santana (Educação), Nísia Trindade (Saúde), Luiz Marinho (Trabalho) e o Advogado Geral da União, Jorge Messias.


Havia uma expectativa do mercado por um anúncio hoje. Após rumores de que não haveria nenhuma definição, o dólar fechou em alta ante o real, chegando a se aproximar dos R$ 5,80 durante o dia. O dólar à vista fechou o dia em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,7376.


A apresentação de um pacote para ajustes fiscais foi anunciado pelo governo em meados de outubro. À época, foi informado que a medida seria apresentada após o fim do segundo turno das eleições municipais, realizado no último dia 27.


Dias depois, porém, Haddad afirmou que não havia previsão de anúncio, gerando estresse no mercado financeiro com disparada do dólar e queda da bolsa brasileira.


Nesta semana, houve uma série de reuniões para tratar sobre o tema, porém sem uma sinalização concreta de um anúncio.


Com uma nova insatisfação do mercado, Haddad, na última quarta (6), afirmou que restavam apenas “dois detalhes” a serem decididos.


“Pelo nível de decisão, é uma conversa muito simples. A conversa com o Congresso será definida amanhã com o presidente Lula. São dois detalhes que precisamos discutir”, disse ao deixar o Ministério da Fazenda na última quarta.


Ao longo do terceiro mandato de Lula, a base do governo tem se mostrado resistente a ajustes fiscais. “Se Haddad já vinha com inimizades no Congresso por insistência de ajuste fiscal, a lista de inimigos tende a aumentar”, conclui Cristiano Noronha.


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ESTADÃO: ANALISTAS ALERTAM SOBRE OS EFEITOS DE INDEXAÇÃO PARA A ALTA DE PREÇOS- Broadcast 8/11


Por Márcia de Chiara


São Paulo, 8/11/2024 - A alta dos preços da alimentação e a elevação das despesas com habitação - no caso, o reajuste da tarifa de energia elétrica, que seguiu em outubro a chamada bandeira vermelha nível 2, o patamar mais alto - têm grande poder de espalhar a inflação, diz o economista Guilherme Moreira, coordenador do IPC da Fipe.


Isso porque, juntos, esses dois grupos respondem pela maior fatia das despesas das famílias. Quando os preços dos alimentos e dos gastos com habitação sobem, eles provocam perda do poder de compra e as famílias tentam uma compensação. "Geralmente, os prestadores de serviços têm como parâmetro para aumentar seus preços a conta do supermercado", afirma Moreira.


Além de os alimentos funcionarem, na prática, como um parâmetro para reajustar outros preços, existe a indexação formal que realimenta a inflação. Parte do que está ocorrendo com a inflação deste ano terá reflexos na inflação do ano que vem.


O economista da LCA Consultores Fabio Romão diz que, em razão do câmbio e da pressão das commodities, especialmente dos bovinos, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), que é o indexador dos aluguéis, por exemplo, pode fechar 2024 com uma alta de 6% a 6,5%. "Isso é indexação não só para agora, mas também para 2025, pensando no aluguel e na conta das distribuidoras de energia que consideram o IGP-M nas tarifas", afirma.


Mais da metade do IGP-M (60%), indicador de preços apurado pela FGV, vem dos preços no atacado (IPA), formados por matérias-primas agropecuárias e minerais, ambas cotadas em dólar. E o IGP-M é o indexador de vários outros preços que entram na composição do IPCA.


Outro foco de pressão na inflação, na opinião de Romão, é o câmbio desvalorizado, que tira a possibilidade de uma eventual queda nos preços dos combustíveis, por exemplo, o que poderia aliviar o IPCA.


'DOENÇA'. Maria Andreia Parente, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, compara a situação atual da inflação ao caso de uma pessoa doente. Quando a infecção está num ponto específico, é mais fácil escolher o tratamento para conter a moléstia. No entanto, quando a doença começa a se espalhar, um remédio não basta: é preciso combinar vários para atacar pontos diferentes ou aumentar a dose do remédio, diz a economista. No caso da inflação, o remédio é a taxa de juros. "É um pouco o que está acontecendo nesses últimos meses com a inflação."


Para avaliar como anda a inflação, normalmente a economista reagrupa os itens do IPCA em quatro grandes grupos: alimentos, bens industriais, serviços e preços administrados. Neste ano, ela constatou que preços dos quatro grupos que compõem o IPCA têm sido afetados por algum dos três motivos: clima, câmbio ou mercado de trabalho aquecido. "Foi um pouquinho de cada coisa", observa ela.


 


Alta de preços pressiona e inflação deve estourar meta neste ano e em 2025, diz XP / Segundo economistas, câmbio, cenário fiscal e preço de proteínas devem forçar IPCA e juros além do previsto- CnnBrasil 8/11


João Nakamura


A inflação subiu 0,54% em outubro, mostrando aceleração ante o avanço de 0,44% em setembro, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados nesta sexta-feira (8).


No acumulado de 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a 4,76%, superando o teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC) para este no e os próximos, de 4,5%.


Os resultados fizeram a XP revisar para cima as expectativas para a alta dos preços deste ano e de 2025. A avaliação da casa de investimentos é de que “todos os determinantes da inflação pioraram”.


Para 2024, a XP revisou o IPCA de 4,6% para 4,9%. Já para 2025, as expectativas passaram de 4,1% para 4,7%.


A perspectiva é mais dura do que a previsão do mercado, de 4,59%, conforme dados do Boletim Focus publicado nesta segunda-feira (4). Para 2025, os analistas enxergam a inflação em 4,03%.


Entres os destaques, a XP elenca o crescimento econômico acelerado do país, a demanda acima da capacidade produtiva, o câmbio desvalorizado, o mercado de trabalho aquecido e o cenário fiscal.


“De fato, a taxa de desemprego e a utilização da capacidade instalada na indústria estão no nível mais baixo/alto em muitos anos. A taxa de câmbio atingiu o nível mais fraco desde 2021 (quase 20% de depreciação acumulada no ano). As expectativas de inflação para 2025 subiram, se aproximando do limite superior do intervalo de tolerância”, elencam os economistas da XP.


O resultado do IPCA em outubro foi puxado pelo grupo de Habitação, com salto de 1,49%. Abrindo os dados, o subitem de energia foi o com maior impacto, de 4,74%, devido ao acionamento da bandeira vermelha 2 no mês, com cobrança adicional na conta.


Apesar da oneração ter sido revertida à bandeira amarela em novembro, o grupo Alimentação e Bebidas segue exercendo forte pressão, com aumento de preços na alimentação no domicílio, que chegou a 1,22% em outubro, pressionada pela variação de 5,81% nos preços das carnes em geral – acém (9,09%), costela (7,40%), contrafilé (6,07%) e alcatra (5,79%).


A alta dos preços das carnes foi um dos pontos levantados no relatório da XP para justificar a alta de suas expectativas.


“Os preços do boi gordo avançaram para além do que esperávamos, subindo nossa projeção para a inflação de carne bovina e de outras proteínas. Como reflexo, elevamos nossa estimativa para alimentação fora do domicílio, inclusive incorporando a surpresa altista em outubro”, aponta a análise.


Além do encarecimento dos alimentos, a XP aponta para outras pressões que devem puxar a inflação para cima.


“Em linhas gerais, os preços de serviços devem continuar pressionados pela demanda doméstica aquecida, enquanto os preços de bens industrializados também devem ser impactados pela recente depreciação cambial”, conclui o analista da XP.


Juros sob pressão


Por conta desse cenário de deterioração, a XP faz um alerta: a reação da política monetária do Banco Central (BC) deve ser “mais intensa que o previsto”.


Nesta quarta (6), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC subiu os juros em 0,5 ponto, elevando a Selic a 11,25% ao ano. A previsão veio em linha com o esperado pelo mercado, que vê mais uma alta do mesmo ritmo em dezembro.


Em nota, o colegiado não indicou quais serão os próximos passos, também chamado de guidance, e disse que o ritmo deve ser ditado pela convergência da inflação à meta.


O cenário, porém, apontou mais fatores de risco para alta dos preços do que para queda.


Com base neste cenário, a XP prevê que a Selic chegue na casa de 13,25%.


Além dos pontos já levantados, os economistas volta a bater na tecla da questão fiscal.


“Cumprir a meta de déficit primário zero exige difíceis receitas adicionais, ao redor de R$ 200 bilhões. As despesas parafiscais também estão aumentando, o que não está incorporado na meta formal, mas pressiona a dívida pública. Esta tendência não combina bem com a inflação baixa e estável perseguida pelo Banco Central”, conclui.


 


C6 BANK REVISA PROJEÇÃO DE IPCA 2025 DE 4,8% PARA 5,0% E DE SELIC, DE 10% PARA 12,5%- Broadcast 8/11


Por Denise Abarca


São Paulo, 08/11/2024 - O Departamento Econômico divulgou há pouco uma série de revisões para variáveis macroeconômicas, principalmente para 2025, trazidas em relatório antecipado ao Broadcast. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o banco manteve a projeção de 2024 em 4,7%, mas elevou para 2025, de 4,8% para 5% "em função do real depreciado e do mercado de trabalho aquecido".


Também passou por revisão a estimativa para câmbio no próximo ano, para R$ 5,80, de R$ 5,50 anteriormente. “A perspectiva de um dólar global estável, combinado com a tendência de aumento da dívida pública doméstica, deve levar a uma taxa de câmbio mais depreciada à frente”, afirma Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank. Para o fim de 2024, foi mantida a previsão de R$ 5,50, mas agora a instituição colocou um viés de alta.


A equipe manteve a projeção de Selic em 11,75% no fim de 2024, mas ajustou a do ano que vem. “Em função da mudança do cenário externo, em particular um dólar mais forte que antevíamos, revisamos nossa projeção para a Selic de 10% para 12,5% em 2025”, diz Salles.


Para o PIB, o C6 Bank revisou os números tanto para 2024 quanto para 2025. Para este ano, a expectativa subiu de 3% para 3,2% e para o próximo, foi revisada de 1,2% para 1,5%. “Em 2025, a contribuição positiva do crescimento de 2024 (carrego estatístico) e a perspectiva de uma forte safra de grãos nos levou a revisar a projeção de crescimento de 1,2% para 1,5%”, diz Salles.


 


Passagens aéreas podem ficar mais caras com combustível sustentável de aviação, dizem empresas / Companhias serão obrigadas a reduzir as emissões de gases do efeito estufa por meio do uso do combustível sustentável de aviação, que é mais caro do que o querosene de aviação tradicional- CnnBrasil 9/11


 


Vitória Queiroz


As empresas aéreas brasileiras avaliam que os preços das passagens aéreas podem aumentar com a implementação de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) em suas operações a partir de 2027. O combustível é mais caro do que o querosene de aviação tradicional.


Com a lei de Combustível do Futuro, os operadores aéreos serão obrigados a reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos voos domésticos por meio do uso do combustível sustentável de aviação a partir de 2027. As metas começam com 1% de redução e crescem gradativamente até atingir 10% em 2037.


O diretor do CCO da Gol, Eduardo Calderon, disse que o querosene de aviação representa atualmente 40% dos custos operacionais da companhia aérea. De acordo com o executivo, a empresa deve cumprir a Lei de Combustível do Futuro à risca, reduzindo suas emissões em 1% a partir de 2027.


“Hoje o SAF custa de dois a três vezes o valor querosene de aviação. Imagina algo que já representa 40% dos nossos custos, e em cima disso você está colocando um incremento de duas a três vezes. É muito impactante. Ainda há muita discussão com o governo de como a gente pode fazer para mitigar esse impacto”, disse em entrevista à CNN.


Atualmente, não há produção de combustível sustentável de aviação em escala comercial por nenhuma empresa brasileira. A estimativa é de que cerca de 1,6 bilhão de litros de SAF devem ser produzidos no Brasil a partir de 2027.


 


“Não tem como as companhias aéreas absorverem um incremento de custo tão alto como esse. Isso acaba sendo repassado para a tarifa de alguma maneira. Essa é uma discussão que vai ter que existir ao longo dos próximos anos para ver qual a melhor maneira de fazer essa implementação a partir de 2027”, afirmou Calderon.


De acordo com a gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da Latam Brasil, Raquel Argentino, o valor do SAF é um dos principais desafios para a descarbonização do setor aéreo.


A companhia aérea quer incorporar 5% de combustível sustentável de aviação em suas operações até 2030, dando preferência à produção da América do Sul.


Para a gerente da Latam, é necessário considerar a adoção de meios alternativos para a descarbonização do setor, diante do estágio inicial de desenvolvimento da produção de SAF na América Latina.


Segundo Raquel Argentino, o Brasil tem potencial para o desenvolvimento do combustível, mas que ainda são necessárias mais políticas públicas que estimulem sua produção.


“Especificamente sobre o combustível, a Latam tem dado sinalizações claras ao mercado e autoridades de que a obtenção do SAF de qualidade deve superar os desafios de disponibilidade limitada e altos custos”, disse a CNN.


O repasse do valor do SAF para as passagens aéreas também é uma preocupação da Azul. Segundo Filipe Alvarez, gerente de Sustentabilidade da companhia aérea, a empresa está dialogando com o governo federal sobre a possibilidade de implementação de incentivos fiscais para desonerar a cadeia de produção do combustível.


“Estamos discutindo com a ANP, Anac, Ministério de Minas e Energia, Ministério da Fazenda para que o preço final do SAF chegue a um patamar aceitável e factível para as companhias aéreas brasileiras para que não haja o repasse e o aumento de custos das passagens”, disse à CNN.


A Azul estima utilizar em sua frota cerca de 25 milhões de litros de SAF em 2027, com crescimento proporcional de 25 milhões nos anos subsequentes.


Para alcançar as metas estabelecidas pela Lei de Combustível do Futuro, a companhia não descarta importar o combustível, caso não haja produção suficiente no Brasil, o que pode tornar o custo ainda mais alto.


“Todos somos responsáveis e todos precisamos trabalhar em conjunto. Mas não é justo que a população brasileira e latino-americana tenha que pagar um preço maior pelas passagens, enquanto nós, como continente, não somos os principais emissores”, afirmou Filipe.


Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) informou que a definição sobre incentivos para a produção do combustível sustentável de aviação no Brasil faz parte de uma ampla discussão sobre a regulamentação do setor nos próximos anos.


 


Vagas no varejo de SP deverão aumentar 34% no fim do ano / A FecomercioSP prevê ainda que cerca de 20% das 30 mil vagas projetadas têm a possibilidade de se efetivarem a partir do início de 2025- Valor 8/11


Por Agência Brasil


A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima que o varejo paulista irá criar 30 mil postos de trabalho formais no último trimestre do ano. Caso se concretize, o resultado significará um crescimento de 33,9% em relação ao saldo de empregos gerados no mesmo período de 2023, quando aproximadamente 22,4 mil vagas foram criadas.


A FecomercioSP prevê ainda que cerca de 20% das 30 mil vagas projetadas têm a possibilidade de se efetivarem a partir do início de 2025. “Esse cenário positivo, que também ocorreu em anos anteriores, é uma resposta do mercado de trabalho ao desempenho acima do esperado da economia brasileira, que tem pilar no consumo das famílias”, disse a entidade, em nota divulgada nesta sexta-feira (8).


“É natural que o varejo, um dos setores mais próximos do consumidor final, sinta de forma mais evidente o aquecimento da demanda, seja proveniente do avanço da massa de salários advinda do crescimento do emprego em geral no país, seja pelo avanço do crédito e das políticas fiscais”, acrescentou a entidade.


De acordo com a FecomercioSP, do total dos novos postos de trabalho, 75% deverão ser gerados já no mês de novembro, quando está previsto o pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário aos celetistas.


Segundo a entidade, as funções mais requisitadas serão as de atendentes e vendedores, seguidas pelas de operadores de caixa, repositores de mercadorias e embaladores. A FecomercioSP ressalta que 40% dos empregos previstos serão provenientes dos segmentos de vestuário, calçados e artigos de viagem.


Na sequência, abrirão mais postos o grupo que comercializa produtos alimentícios, em especial os supermercados e hipermercados, com a criação de 35% das vagas. Outros 25% devem ser gerados em atividades específicas também de gêneros alimentícios, como açougue, lojas de bebidas e hortifrútis, seguido de lojas de cosméticos, perfumarias e de aparelhos de uso doméstico.


Vagas no varejo de SP deverão aumentar 34% no fim do ano / A FecomercioSP prevê ainda que cerca de 20% das 30 mil vagas projetadas têm a possibilidade de se efetivarem a partir do início de 2025- Valor 8/11


Por Agência Brasil


A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) estima que o varejo paulista irá criar 30 mil postos de trabalho formais no último trimestre do ano. Caso se concretize, o resultado significará um crescimento de 33,9% em relação ao saldo de empregos gerados no mesmo período de 2023, quando aproximadamente 22,4 mil vagas foram criadas.


A FecomercioSP prevê ainda que cerca de 20% das 30 mil vagas projetadas têm a possibilidade de se efetivarem a partir do início de 2025. “Esse cenário positivo, que também ocorreu em anos anteriores, é uma resposta do mercado de trabalho ao desempenho acima do esperado da economia brasileira, que tem pilar no consumo das famílias”, disse a entidade, em nota divulgada nesta sexta-feira (8).


 


É natural que o varejo, um dos setores mais próximos do consumidor final, sinta de forma mais evidente o aquecimento da demanda, seja proveniente do avanço da massa de salários advinda do crescimento do emprego em geral no país, seja pelo avanço do crédito e das políticas fiscais”, acrescentou a entidade.


De acordo com a FecomercioSP, do total dos novos postos de trabalho, 75% deverão ser gerados já no mês de novembro, quando está previsto o pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário aos celetistas.


Segundo a entidade, as funções mais requisitadas serão as de atendentes e vendedores, seguidas pelas de operadores de caixa, repositores de mercadorias e embaladores. A FecomercioSP ressalta que 40% dos empregos previstos serão provenientes dos segmentos de vestuário, calçados e artigos de viagem.


Na sequência, abrirão mais postos o grupo que comercializa produtos alimentícios, em especial os supermercados e hipermercados, com a criação de 35% das vagas. Outros 25% devem ser gerados em atividades específicas também de gêneros alimentícios, como açougue, lojas de bebidas e hortifrútis, seguido de lojas de cosméticos, perfumarias e de aparelhos de uso doméstico.


 


COLUNA DO ESTADÃO: PETROBRAS PODE SER PROIBIDA DE COMPRAR GÁS NATURAL DE OUTRAS EMPRESAS- 9/11


A Petrobras pode ser proibida de comprar gás natural de outras empresas. Um “freio” à estatal nesse mercado é negociado entre técnicos da companhia e do gabinete do senador Laércio Oliveira (PP-SE). Ele é relator, na Comissão de Infraestrutura do Senado, do projeto de lei que institui o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), que integra a chamada “agenda verde” do Congresso. Para o senador, a Petrobras controla o preço do gás natural do País ao comprar de 16 produtores diferentes e ainda importar da Bolívia, com o objetivo de revender. A proposta em discussão, então, permitiria à estatal comercializar a própria produção de gás natural e aumentar a concorrência. Procurada, a empresa não comentou. O espaço segue aberto.


MOTIVOS. “A Petrobras controla preços e quantidade do gás vendido porque, hoje, compra e revende sozinha. O que buscamos é que os produtores vendam direto para o consumidor. A Petrobras iria disputar a fatia do bolo. Mais gente vendendo, o preço cai”, disse o senador à Coluna.


VAIVÉM. O Paten é um projeto já aprovado na Câmara. Se aprovado no Senado com o mecanismo de gás release, com limites ao agente econômico dominante do mercado, no caso a Petrobras, o texto terá de passar novamente pelo crivo dos deputados.


NOVIDADE. Ainda sobre Petrobras, o ex-presidente da estatal Jean Paul Prates será o head do Lide Energia, a partir de 1.º de dezembro. Trata-se de uma unidade temática do grupo empresarial que visa debater assuntos relevantes sobre o setor. Prates terá um mandato não remunerado de dois anos, e também integrará o conselho consultivo do Lide.


(Roseann Kennedy, com Eduardo Gayer e Pedro Lima)


 


DOU EXTRA: DECRETO REGULAMENTA QUOTAS DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA PARA NAVIOS-TANQUES- Broadcast 8/11


Por Sandra Manfrini


Brasília, 08/11/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou Decreto, publicado nesta noite em edição extra do Diário Oficial da União, que regulamenta a concessão de quotas diferenciadas de depreciação acelerada para navios-tanques novos produzidos no Brasil destinados ao ativo imobilizado e empregados exclusivamente em atividades de cabotagem de petróleo e seus derivados.


Segundo o texto, poderão fazer uso da depreciação acelerada as pessoas jurídicas adquirentes de navio-tanque novo: adquirido a partir da data de publicação deste Decreto; produzido no Brasil conforme índices mínimos de conteúdo local definidos por ato do Conselho Nacional de Política Energética - CNPE, no exercício da competência conferida pelo art. 2º, caput, inciso XVI, da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997; identificado pelo código 8901.20.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM; destinado ao ativo imobilizado; empregado exclusivamente em atividade de cabotagem de petróleo e seus derivados; e sujeito a desgaste por uso, causas naturais ou obsolescência normal.


A medida se aplica às aquisições de navios-tanque cujos contratos tenham sido celebrados até 31 de dezembro de 2026 e que entrem em operação na atividade de cabotagem de petróleo e seus derivados a partir de 1º de janeiro de 2027.


De acordo com o Decreto, a renúncia fiscal decorrente da depreciação acelerada estará limitada a R$ 1,6 bilhão e terá vigência a partir de 1º de janeiro de 2027 até 31 de dezembro de 2031.

Matinal ConfianceTec 1111

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

11/11/2024
Julio Hegedus Netto,  economista.

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO DE SEXTA-FEIRA (08)
MERCADO BRASILEIRO

O Ibovespa encerrou o pregão na sexta-feira (08) em queda de 1,43%, a 127.829 pontos. Volume negociado ficou em R$ 30,2 bi. Na semana recuou 0,23%. Já o dólar encerrou em alta forte de 1%, a R$ 5,7359. Há toda uma expectativa em torno do pacote fiscal.

Mercados hoje (11): Bolsas asiáticas fecharam, em maioria, em queda; bolsas europeias e Índices Futuros de NY em alta (seguem o rally Trump)

Pacote fiscal na terceira semana em impasse

EUA 🇺🇸
Dow Jones Futuro: +0,21%
S&P 500 Futuro: +0,32%
Nasdaq Futuro: +0,43%
Ásia-Pacífico:
Shanghai SE (China), +0,51%
Nikkei (Japão): +0,08%
Hang Seng Index (Hong Kong): -1,45%
Kospi (Coreia do Sul): -1,15%
ASX 200 (Austrália): -0,35%
Europa: 🇪🇺
FTSE 100 (Reino Unido): +0,76%
DAX (Alemanha): +1,17%
CAC 40 (França): +1,03%
FTSE MIB (Itália): +0,95%
STOXX 600: +1,04%
Commodities:
Petróleo WTI, +0,10%, a US$ 70,45 o barril
Petróleo Brent, +0,26%, a US$ 74,05 o barril
Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -2,87%, a 762,00 iuanes (US$ 105,93).

NO DIA (11Nov)

Semana mais curta por aqui, pelo feriado do dia 15 (Proclamação da República) e nos EUA, pelo Dia do Veterano hoje, quando o mercado de Treasuries não funciona, mas as bolsas em NY operam normalmente.

Por lá, expectativa pelo CPI de outubro (quarta-feira) e a participação de Powell em evento (quinta), após ele não ter descartado nova queda do juro em dezembro.

No Brasil, ingressamos na terceira semana à espera do pacote fiscal. Intervenções em alguns gastos sociais estressam o governo, que não consegue encontrar uma saída.

Na China, frustrado com os estímulos fiscais, mercado repercute os dados de inflação divulgados no fim de semana e aguarda pela produção industrial e vendas no varejo na quinta-feira.

Por aqui, na agenda, temos o resultado do setor público consolidado em setembro (hoje, 8h30). É divulgado também o IBC-Br, o volume de serviços (PMS) e as vendas no varejo (PMC), além da ata do Copom amanhã.

O foco de interesse desta semana é o risco de "dominância fiscal", se o pacote de Lula decepcionar.

AGENDA DO DIA (11Nov)

Indicadores:
05h00. Brasil/Fipe: IPC 1ª quadrissemana de novembro
08h25. Boletim Focus
08h30. Brasil. Resultado primário do setor público consolidado em setembro (BCB).
15h00. Brasil/Mdic: Balança comercial semanal.

Eventos:
Feriado do Dia dos Veteranos nos EUA mantém o mercado de Treasuries fechado
BCB: Campos Neto e Gabriel Galípolo participam de reuniões trimestrais do BIS, em Basileia.
10h30. Brasil: BC concede coletiva sobre resultado primário

Balanços:
Brasil/noite: Sabesp, São Paulo.
            

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec

Boa segunda-feira e bons negócios!

PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Amilton Aquino

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"Este post é a continuação do de ontem. Acho que ficou clara a diferença entre democratas (que tendem mais ao globalismo) e republicanos (que tendem mais ao isolacionismo). Portanto, este post tem como objetivo esclarecer uma confusão que virou modinha entre uma parte da direita, rotulada hoje como “extrema” pela mídia. Curiosamente, o brasileiro Olavo de Carvalho é um dos teóricos dessa corrente, especialmente após seu famoso debate com o guru de Putin, Alexandre Dugin, em 2012.


O tema do debate foi “A Nova Ordem Mundial”, que acabou se transformando em um livro, hoje considerado quase “profético” pelos seguidores de Olavo. A tese central descrevia o futuro como um embate entre quatro grandes forças pela hegemonia mundial:


- Globalismo Ocidental, que visaria consolidar uma ordem mundial liberal e democrática, baseada no livre mercado, nos direitos individuais e em instituições globais, como a ONU e o FMI.


- Eurasianismo Russo, uma alternativa ao liberalismo ocidental, que vê a Rússia como a "Terceira Roma", uma força civilizatória distinta com o dever de proteger o "mundo eurasiano" da influência ocidental.


- China, que representa uma força que combina práticas econômicas de mercado com um governo centralizado e autoritário, buscando expandir sua influência global através de iniciativas como a Nova Rota da Seda.


- Islamismo Radical, que visa estabelecer um califado mundial, liderado pelo Irã, e expandir a influência do Islã político globalmente, com uma implementação gradual da Sharia, a lei islâmica que se sobrepõe às legislações ocidentais.


Já neste debate, Olavo mencionava momentos de aproximação, especialmente entre a Russia e a China, contra os globalistas ocidentais. Na prática, hoje vemos uma aliança tripla, incluindo também o islamismo radical, consolidada nos BRICS.


Ou seja, em pouco mais de uma década, o cenário evoluiu significativamente, a ponto de alguns teóricos considerarem já estar em curso uma terceira guerra mundial indireta entre as democracias ocidentais e o eixo autoritário, nas guerras da Ucrânia e no Oriente Médio. 


Aqui começa a confusão que pretendo esclarecer com minha humilde contribuição. Embora Olavo estivesse nitidamente ao lado dos “globalistas” nesse embate em sua defesa dos EUA como baluarte da defesa das democracias liberais contra o autoritarismo das demais forças, com o tempo, ele passou a adotar uma visão mais crítica aos globalistas, absorvendo parcialmente a perspectiva de Dugin. Isso explica a curiosa defesa de Putin por uma ala dos seus seguidores atuais.


Ora, o que está em jogo é a ordem internacional do pós-guerra. Embora falha, essa ordem possibilitou as décadas mais pacíficas da história recente. Os BRICS, por sua vez, procuram criar meios de contornar as legislações internacionais e os mecanismos de sanções comerciais dessa ordem pós-guerra, a única alternativa pacífica para tentar punir países autoritários por desvios dos acordos internacionais sem recorrer ao embate de fato.


Quando Lula critica a ONU, por exemplo, o faz pelos motivos errados. Ele não visa torná-la mais “democrática”, mas sim desbalancear a influência das democracias ocidentais no Conselho de Segurança, ampliando o poder da China e da Rússia.


A crise da ONU reflete, portanto, em escala reduzida, a crise das democracias liberais, corroídas pelo “multiculturalismo” woke que na sua complacência irresponsável com os "diferentes" permitiu a inclusão gradativa de ditaduras no órgão, até que estas se tornassem maioria. Isso explica o porquê de Israel acumular no órgão mais condenações do que todas as ditaduras do mundo juntas.


Temos aqui o clássico caso de “jogar a água suja com o bebê dentro”. Sim, a ONU precisa de reformas, mas não para dar mais voz a regimes autoritários, e sim para reafirmar sua essência de congregar nações em busca da paz — uma busca que deve ter como pressuposto básico o respeito às fronteiras estabelecidas e reconhecidas desde o pós-guerra. 


Mais do que nunca, as democracias devem se unir, não se afastar. Faz sentido a cobrança dos republicanos para que os europeus aumentem sua participação na defesa da Europa e do restante do mundo. Mas não faz sentido desmontar a União Europeia com saídas do bloco como fez o Reino Unido, apenas para evitar a burocracia de Bruxelas.


A realidade aos poucos vai se impondo.  Seria saudável que a esquerda fizesse uma autocrítica sobre sua responsabilidade na polarização do Ocidente, especialmente por sua complacência com autoritários que ameaçam a liberdade que gozam, existente nas democracias ocidentais, principal alvo de suas críticas. E como a esquerda domina as universidades — que formam nossa elite, inclusive a econômica —, cabe a ela a responsabilidade pela confusão ideológica que virou o debate político. É a esquerda que deveria estar apontando as questões que levanto aqui, não eu, um cidadão comum. A esquerda é, portanto, uma das grandes responsáveis pela fraqueza do ocidente que anima os autoritários de plantão. Ainda dá tempo para uma correção de rota, mas isso exige humildade, algo desconhecido  pelos nossos luminares esquerdistas."

Amilton Aquino

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"Não comentei muito sobre as eleições norte-americanas por puro tédio. De fato, como ocorre no Brasil e em grande parte do Ocidente, a política está polarizada, reduzindo as chances de que a centro-esquerda e a centro-direita democrática consigam construir consensos para enfrentar os desafios atuais. Mas por que essa polarização?


A raiz do problema está no descolamento entre a cultura “woke” de esquerda, que domina a mídia e grande parte da burocracia estatal, e a “maioria silenciosa” – o cidadão comum, cada vez mais incomodado com a hipocrisia de uma elite que vive num mundo paralelo. Nesse universo, essas figuras arrotam virtudes e posam de pacifistas, mas, na prática, fomentam ódio e ressentimento por todas as democracias liberais, algo que ficou muito evidente na defesa do Hamas e no antissemitismo descarado em universidades norte-americanas.


Até mesmo parte da esquerda reconhece esse diagnóstico. Vladimir Safatle, por exemplo, uma das referências da esquerda sul-americana, tem criticado - muito antes da derrota de Boulos - não só o excesso de identitarismo “woke”, mas também o fato da esquerda ter se tornado mainstream, o status quo, acomodando-se ao poder e perdendo seu caráter revolucionário. Ironicamente, figuras como Trump, Milei e Bukele são hoje percebidas como mais “revolucionárias” e “anti-sistema” do que a estrela da cultura woke, Kamala Harris, esta sim, mainstream, aclamada pela mídia.


Contudo, os benefícios de uma possível vitória de Trump param por aí. A postura isolacionista defendida pelos republicanos é, no final, prejudicial para o mundo. De fato, se os EUA parassem de gastar trilhões anualmente com a segurança global, certamente os cidadãos norte-americanos estariam em muito melhor situação econômica. Os EUA são autossuficientes em quase tudo. É um dos poucos países do mundo que pode se isolar sem maiores consequências. E, num mundo em constante ebulição, com um ódio generalizado contra os “imperialistas” norte-americanos (o único império da humanidade que desde que conquistou a hegemonia, nunca anexou um quilômetro de qualquer nação), é perfeitamente compreensível esta visão isolacionista dos republicanos.


Porém, para o mundo – especialmente para a Europa, Japão, Taiwan, Coreia do Sul e Filipinas, que dependem do “escudo” norte-americano – o lema “America First” de Trump pode ser catastrófico, já que pode favorecer as ditaduras do bloco autoritário dos BRICs, que se fortalece a cada ano. A proposta de Trump para a Ucrânia, por exemplo, consolidaria a ocupação russa, criando uma zona de contenção entre o que restar da Ucrânia e os territórios ocupados, sob controle de exércitos europeus. Isso basicamente romperia com os tratados internacionais do pós-guerra, que proíbem anexações territoriais.


Os defensores de Trump que também apoiam a Ucrânia esperam que ele mude sua postura no poder. Outros dizem que, por ser um negociador nato, ele pode conseguir acordos vantajosos. A ver.


De fato, Trump tem, em seu histórico, os Acordos de Abraão, que levaram alguns países árabes a reconhecerem a existência de Israel – o primeiro passo para uma paz duradoura no Oriente Médio. O reconhecimento da Arábia Saudita, o principal país muçulmano do mundo, estava próximo, até que o pogrom de 7 de outubro levou ao cancelamento do encontro que selaria o acordo.


Por outro lado, Biden, que iniciou seu governo prometendo a paz, com uma retirada desastrosa e humilhante do Afeganistão, na prática, encorajou Putin e os terroristas muçulmanos a desafiarem o poder norte-americano.


Enfim, tais eventos mostram que, nem sempre, as boas intenções levam a soluções eficazes. Curiosamente, Trump, que a mídia muitas vezes retrata como “nazi-fascista” e que iniciou seu primeiro mandato com a polêmica e desnecessária mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém, foi quem mais conseguiu construir pontes entre árabes e judeus desde Clinton. Resta ver o que o futuro nos reserva."

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...