segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Quem já enfrentou tempestades sabe orientar em mares revoltos

Marcelo Bretas

O Brasil atravessa, mais uma vez, um momento delicado de sua vida institucional. Reportagens recentes da grande imprensa apontam para movimentos políticos e institucionais que, ao invés de fortalecerem a transparência, parecem priorizar acomodações de poder, criando um ambiente de tolerância perigosa com práticas que deveriam ser rigorosamente apuradas.

Não se trata de acusações pessoais, trata-se de padrões institucionais.

Quando investigações envolvendo grandes interesses econômicos passam a ser sistematicamente esvaziadas, postergadas ou neutralizadas por arranjos informais, o que se perde não é apenas a apuração de fatos: perde-se confiança, segurança jurídica e credibilidade internacional.

Vivemos algo que ecoa experiências recentes da nossa história. A Operação Lava Jato, com todos os seus acertos, eventuais erros e excessos, representou um marco de ruptura: pela primeira vez em nossa história, estruturas tradicionais de poder foram submetidas a escrutínio real. E justamente por isso, ela despertou reações intensas.

Hoje, o que preocupa não é um caso específico, mas a repetição de um método:

👉 normalizar acordos políticos como solução para crises de integridade;

👉 substituir governança por conveniência;

👉 trocar compliance por silêncio institucional.

Como magistrado federal por quase três décadas, tive a responsabilidade e o ônus de conduzir investigações complexas envolvendo crimes financeiros, corrupção sistêmica e estruturas sofisticadas de ocultação patrimonial. Essa trajetória me trouxe reconhecimento público, mas, sobretudo, autoridade moral para afirmar: não existe desenvolvimento sustentável sem integridade institucional.

Empresas sérias sabem disso. Investidores globais sabem disso. Conselhos sabem disso.

Compliance, hoje, não é local. É global.

É avaliado por agências internacionais, parceiros comerciais, fundos, bancos multilaterais e reguladores estrangeiros. Nenhuma organização pode se dar ao luxo de navegar em águas turvas achando que o risco é apenas reputacional — ele é financeiro, jurídico e existencial.

É justamente nesse cenário que coloco minha experiência à disposição do setor produtivo.

Quem já navegou por mares revoltos sabe:

  • identificar riscos antes que eles se tornem crises;
  • separar ruído político de risco real;
  • estruturar governança sólida mesmo em ambientes instáveis;
  • proteger empresas, conselhos e lideranças de contaminações institucionais.

Minha atuação hoje é voltada a aconselhar empresários, boards e organizações que desejam crescer de forma segura, ética e alinhada aos padrões internacionais de integridade — especialmente em ambientes onde o Estado falha em dar respostas claras.

Integridade não é discurso. É decisão.

E, nos momentos difíceis, ela exige lideranças que já provaram sua coragem.

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