Marcelo Bretas
O Brasil atravessa, mais uma vez, um momento delicado de sua vida institucional. Reportagens recentes da grande imprensa apontam para movimentos políticos e institucionais que, ao invés de fortalecerem a transparência, parecem priorizar acomodações de poder, criando um ambiente de tolerância perigosa com práticas que deveriam ser rigorosamente apuradas.
Não se trata de acusações pessoais, trata-se de padrões institucionais.
Quando investigações envolvendo grandes interesses econômicos passam a ser sistematicamente esvaziadas, postergadas ou neutralizadas por arranjos informais, o que se perde não é apenas a apuração de fatos: perde-se confiança, segurança jurídica e credibilidade internacional.
Vivemos algo que ecoa experiências recentes da nossa história. A Operação Lava Jato, com todos os seus acertos, eventuais erros e excessos, representou um marco de ruptura: pela primeira vez em nossa história, estruturas tradicionais de poder foram submetidas a escrutínio real. E justamente por isso, ela despertou reações intensas.
Hoje, o que preocupa não é um caso específico, mas a repetição de um método:
👉 normalizar acordos políticos como solução para crises de integridade;
👉 substituir governança por conveniência;
👉 trocar compliance por silêncio institucional.
Como magistrado federal por quase três décadas, tive a responsabilidade e o ônus de conduzir investigações complexas envolvendo crimes financeiros, corrupção sistêmica e estruturas sofisticadas de ocultação patrimonial. Essa trajetória me trouxe reconhecimento público, mas, sobretudo, autoridade moral para afirmar: não existe desenvolvimento sustentável sem integridade institucional.
Empresas sérias sabem disso. Investidores globais sabem disso. Conselhos sabem disso.
Compliance, hoje, não é local. É global.
É avaliado por agências internacionais, parceiros comerciais, fundos, bancos multilaterais e reguladores estrangeiros. Nenhuma organização pode se dar ao luxo de navegar em águas turvas achando que o risco é apenas reputacional — ele é financeiro, jurídico e existencial.
É justamente nesse cenário que coloco minha experiência à disposição do setor produtivo.
Quem já navegou por mares revoltos sabe:
- identificar riscos antes que eles se tornem crises;
- separar ruído político de risco real;
- estruturar governança sólida mesmo em ambientes instáveis;
- proteger empresas, conselhos e lideranças de contaminações institucionais.
Minha atuação hoje é voltada a aconselhar empresários, boards e organizações que desejam crescer de forma segura, ética e alinhada aos padrões internacionais de integridade — especialmente em ambientes onde o Estado falha em dar respostas claras.
Integridade não é discurso. É decisão.
E, nos momentos difíceis, ela exige lideranças que já provaram sua coragem.
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