segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +2% US tech +2,2% US semis +5,7% UEM +1,2% España +1,1% VIX 17,8% Bund 2,84% T-Note 4,23% Spread 2A-10A USA=+72pb B10A: ESP 3,22% PT 3,21% FRA 3,44% ITA 3,47% Euribor 12m 2,227% (fut.2,374%) USD 1,185 JPY 185,3 Ouro 5.035$ Brent 67,4$ WTI 62,9$ Bitcoin +9% (70.525$) Ether +9,6% (1.895$).


SESSÃO: Nova Iorque subiu com muita força na sexta-feira, principalmente no final da sessão e particularmente semis (quase +6%), numa reativação da caça às pechinchas depois do sofrido ao longo da semana, principalmente pelo ceticismo perante os investimentos em IA, que cobram seriamente a Alphabet, Microsoft e Amazon (semana: -4,5%, -6,8% e -12,1%, respetivamente). Os futuros para hoje vêm a subir um pouco depois desse esforço de última hora na sexta-feira.


Takaichi (PM) vence as eleições com maioria absoluta (328 assentos de 465) e a bolsa japonesa +4% porque descontam-se estímulos fiscais pró-PIB (menos impostos e mais despesa), embora implica mais dívida e isso eleve as yields das obrigações japonesas. Contudo, o yen aguenta firma, próximo de 156,5/$ e 185,5/€ pela ameaça de outra intervenção, mas também porque se o risco de inflação aumenta, também o faz a probabilidade de outra subida de taxas de juros (agora 0,75%). 


Reino Unido: Starmer (PM) em risco depois de estar indiretamente envolvido no caso Epstein: o seu chefe de gabinete demite-se ao assumir a responsabilidade por ter nomeado Mandelson embaixador dos EUA, apesar de conhecer os seus vínculos a Epstein. Significa yield de obrigações em alta e libra em baixa, além de um risco sério para Starmer, que poderá ter de se demitir. 


Devemos habituar-nos a apoiar sell-offs passageiros e frequentes até que ocorram duas condições: (1) se contenham as avaliações das empresas desenvolvedoras puras de IA (Anthropic, xAI, OpenAI, etc) que pretendem sair à bolsa em finais de 2026, em vez de se expandirem indefinidamente. (2) Se comprove que, mais ou menos, os investimentos em IA das empresas realmente oferecem retornos aceitáveis. 


Estendeu-se a sensação de que a tecnologia – e particularmente tudo o relacionado com IA – deva deter as suas subidas e corrigir até que se comprove que as peças (resultados/expetativas/investimentos) encaixam mais ou menos bem. Não ocorre nenhuma mudança de fundo, mas sim um ceticismo sobre a elevada velocidade que a tecnologia desenvolveu e, particularmente, os semis, tornando-se necessária uma correção preventiva… justamente o que aconteceu nos últimos dias. As bolsas deverão evoluir lentamente ou planas durante umas semanas após a brusca recuperação de sexta-feira em Nova Iorque, apesar da vitória de Takaichi no Japão. Esta perspetiva seria, desde logo, muito melhor do que qualquer exuberância ambiciosa.


No plano convencional, na quarta-feira será publicado o emprego americano de janeiro, que poderá ser mais fraco do que o esperado porque a metodologia é alterada, acompanhado da revisão dos dados de 2025, muito provavelmente em baixa. Será bom para que a Fed baixe taxas de juros, mas a sua interpretação será complexa e o mercado poderá reagir com ceticismo. Na sexta-feira, inflação americana a retroceder (+2,5% vs. +2,7%) e isso será bom. Mais resultados e guias empresariais submetidos à incerteza da IA e, na sexta-feira, o arranque da Conferência de Segurança de Munique, que voltará a colocar à geoestratégia em primeiro plano, e isso pode significar volatilidade em alta. Com tudo isto, o mais provável é um assentamento de níveis e não uma recuperação rápida. Isso seria melhor do que voltar a uma exuberância questionável…


CONCLUSÃO: Hoje, provável subida suave (+0,5%?) depois da mudança em Nova Iorque, na sexta-feira. A vitória de Takaichi no Japão ajudara bastante. Esta semana, poderemos ter uma subida fraca, que deveremos interpretar como um assentamento do mercado e não uma recuperação dos níveis prévios à fase recente de queda; pelo menos, não ainda.


FIM

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