Me estarreço com o q presenciei nestes dois anos de mandato do Bolsonaro.
O cara tinha um "bilhete premiado"!
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
Me estarreço com o q presenciei nestes dois anos de mandato do Bolsonaro.
O cara tinha um "bilhete premiado"!
Continua repercutindo a Carta dos Economistas, publicada no fim de semana, defendendo a volta da racionalidade na gestão da crise sanitária atual. Reforça a necessidade no uso de máscaras, o isolamento social, álcool gel e o apressamento nas campanhas de vacinação. É o que disse o ministro da Economia Paulo Guedes, vacinar a população evita novos gastos fiscais, auxílio emergencial, previsto para quatro meses, com R$ 43 bi. Que economia seria obtida!
Infelizmente, tudo muito confuso, bate boca entre autoridades e apenas 1,5% da população vacinada (de 210 milhões). Seria essencial o mínimo de racionalidade, coordenação, boa vontade entre os poderes da República e esferas de governo. Infelizmente, este entendimento não vai adiante.
Nesta terça-feira (23/03) os mercados estarão de olho no que será dito na ata do Copom e nos EUA, Jerome Powell e Janet Yellen estarão na Câmara, para prestar esclarecimentos. Mais um discurso do presidente do Fed é esperado sobre o “estado da economia norte-americana”, em recuperação, mas ainda demorando o uso de instrumentos monetários. Ou seja, o juro próximo à zero ainda deve ser mantido por um longo período. No Brasil, a ata do Copom tenta acalmar o mercado, diante da inclinação da taxa de juros e a “deterioração no balanço de riscos”. Para o Copom de maio, a previsão é de mais um ajuste na taxa Selic, mais próximo dos 100 pontos-base, acima do ocorrido agora em março (75 pontos).
Sobre o “balanço de riscos”, tudo piorou por estes dias, com o bate boca entre presidente e sociedade se intensificando. Várias mensagens claras vão ocorrendo aqui e acolá. Na segunda-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, condenou o negacionismo, chamando de “brincadeira de mau gosto, macabra e medieval”. Bolsonaro “respondeu” condenando o lockdown, por seus custos econômicos e sociais.
Enquanto isso, a vacinação está na “ordem do dia”. Cálculos de mercado estimam que a população acima de 20 anos estará vacinada até agosto, com outros prevendo mais de 70% destes brasileiros, vacinados em setembro. No ministério de Saúde, incrível, continuamos sem ministro. Bolsonaro segue buscando um cargo para o ministro que sai, general Pazuello, visando “blindá-lo”, enquanto que Marcelo Queiroga, o futuro ministro, aguarda.
Nas votações do Congresso, temos na quarta-feira o Orçamento de 2021, com os militares devendo amealhar quase 25% do total mobilizado para o governo federal. Em paralelo, Paulo Guedes fala sobre a necessidade do corte de R$ 17,5 bilhões em gastos, para que o teto dos gastos seja preservado.
Dia de ata do Copom, quando saberemos o que os diretores pensam do ciclo de ajustes da taxa Selic. Roberto Campos Neto participa de evento no LIFT Day 2021 e profere palestra ao fim da tarde no 14º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento. Paulo Guedes estará em evento do CORREIO BRAZILIENSE, às 18hs. Dentre os indicadores, IPC-S de março. Nos EUA, além dos discursos no Congresso de Powell e Yellen, temos as vendas de moradias novas em fevereiro.
Na Turquia, a lira deve manter pressionada, depois da nomeação do novo presidente do Banco Central, Sahap Kavcioglu, ligado ao presidente Erdogan. Como faz falta por lá um Banco Central Independente.
Bons negócios e boa terça-feira a todos!
"Muito importante a carta de banqueiros e economistas ortodoxos sobre a epidemia ano Brasil. Primeiro destaque: não se fala em teto de gastos. Parece que finalmente, pelo menos temporariamente, esse assunto cedeu lugar ao que realmente importa: o combate a pandemia. A responsabilização do Presidente da República pelo descalabro brasileiro é outro ponto essencial, ancorado num diagnostico preciso. As propostas estão corretas, seja aquelas relativa à pandemia; prioridade á vacina, distanciamento social (incluindo lockdowns quando necessários), doação de máscaras mais eficientes à população; coordenação nacional via gabinete específico; seja aquelas referentes à questão social; auxílio emergencial e apoio creditício às PMEs. A carta tem efeitos políticos colaterais importantes: certamente vai isolar ainda mais o governo Bolsonaro, desta feita dos que comandam a economia e as finanças no Brasil."
Resumo Luis Stuhlberger evento WHG- 18/03:.
BRASIL
Pandemia e Vacinação
• Tempestade perfeita em 4 semanas: 2ª onda agressiva da pandemia, atrasos na vacinação, aumento rápido da inflação, normalização da taxa de juros e instabilidade política
• Gráficos de novas internações diárias no estado de SP e Grande SP (proxy do BR) são reais e assustadores
• Revisamos a previsão do PIB de 4,5% para 3,5% devido a nova onda de restrição à mobilidade
• Após o evento Lula, aumentou-se a preocupação com a vacina
• A aceleração da vacinação, reduzirá a utilização dos leitos de UTI, e consequentemente o número de óbitos. Imaginamos que a partir de Junho, pessoas com idade abaixo de 50 anos começarão a ser vacinadas
• Vacina de Oxford que será produzida pela Fiocruz traz mais alento para o mercado, e se for eficien…
Inflação
• Aumento rápido da inflação, terceiro ponto do perfect storm
• BC não previu corretamente o aumento do gastos no setor de bens, e redução de consumo de serviços
• Além disso, não se imaginava um salto enorme do petróleo
• CRB, cesta de commodities brasileira subiu mais de 25% (parte disso, efeito câmbio)
• BC teve que subir juro acima do esperado porque o IPCA anualizado para junho estava próximo de 8%. Com a alta, pode convergir para 5%
• Vantagem do IPCA anualizada em junho: o Teto do orçamento e junho/2021 x 2020. O governo terá uma folga maior para gastar
• Demanda interna forte na indústria de transformação, mas insuficiência de estoque no setor preocupa o BC
• Conforme o juro e inflação foi diminuindo, o fluxo cambial acompanhou esse movimen…
Político
• Dificilmente alguém do centrão passará para o segundo turno. Acredita que Lula tenha mais rejeição que o Haddad
• Bolsonaro e Covid: Se o quadro de vacinação der certo, a tendência é que tenhamos um 2022 de recuperação, e isso beneficia o presidente.
Além disso, a memória do brasileiro é muito curta
• Alguns investidores estrangeiros consideram que o Brasil teve um ótimo período econômico na era Lula, mas o mundo da época com boom das commodities não existirá mais. Não conseguirá repetir a fórmula do mandato anterior – melhora social via aumento de gastos – não há condições fiscais para que seja repetida
• Bolsonaro ressuscitou uma esquerda que já tinha morrido, acha pouco provável uma 3ª via nas eleições de 2022
GLOBAL
• Mercado segue desafiando o FED com a alta da curva de juro
• Ritmo de vacinação acima de outros países
• Aprovação do pacote de USD 1,9T e perspectiva de PIB subir mais de 8% em 2020
• O problema não é a recuperação dos preços/taxas das treasuries, mas a velocidade como ela está subindo
• Não é razoável imaginar que uma economia como a dos EUA, o título público atrelado à inflação (TIIPs) de 10 anos opere com taxas negativas. A explicação está no fato de a inflação projetada ser de 2.7%
• K-Shaped Recovery: A recuperação da crise está sendo extremamente desigual entre as camadas sociais. Nas classes mais altas (renda acima de USD 60.000/ano) nível de emprego já está nos níveis pré-pandemia, enquanto a concentração do desemprego gerado está na população de renda mais baixa. Esse foi o motivo para mais um pacote fiscal
• Tecnologia será uma das responsáveis pela desinflação em segmentos como educação e saúde
• Devido ao grande desemprego estrutural, a Europa é a que mais assusta com o juro real negativo de aproximadamente -1,6 para 10 anos
• Rotações acontecendo entre Global Growth x Global Value
• Em algum momento, a abertura das treasuries deve fazer o S&P cair
• Acredita haver bolhas setoriais
• FAAMGs - Crescimento de 25% ano, é possível esperar que sigam crescendo na média de 15% nos próximos anos
É o momento de olhar para fora dos EUA e ir para outros países?
LS: Temos dificuldades para achar bons gestores na Ásia, mas devemos olhar. A Ásia, capitaneada pela China e tigres asiáticos está sendo o grande motor do mundo. Segue alocando nos EUA, porém cada vez mais dedicando tempo na Ásia.