segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Ouro disparando

 


O ouro sobreviveu a impérios, crises e regimes cambiais. Por mais de cinco milênios, a humanidade valoriza esse metal por sua durabilidade, escassez e pela confiança que depositamos nele. Em 2025, os preços do ouro subiram cerca de 40%, o maior aumento anual desde 1979. Os bancos centrais compraram mais de 1.100 toneladas métricas à medida que os países diversificavam as reservas.


Em uma era de ativos digitais, a durabilidade do ouro reflete não apenas a geologia, mas também a psicologia, escreve Pratik Ghansham Salvi em IMF Finance & Development Magazine.

Leia mais: https://lnkd.in/eGvQpfCW

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,03% US tech +0,3% US semis -1,2% UEM -0,1% España -0,7% VIX 16,1% Bund 2,88% T-Note 4,21% Spread 2A-10A USA=+62pb B10A: ESP 3,27% PT 3,26% FRA 3,49% ITA 3,51% Euribor 12m 2,243% (fut.2,466%) USD 1,186 JPY 182,8 Ouro 5.103$ Brent 66,2$ WTI 61,4$ Bitcoin -1,9% (87.884$) Ether -1,9% (2.888$).


SESSÃO: Yen e USD protagonistas de primeira hora. Esta madrugada, Japão -1,8% perante uma apreciação brusca do yen (154/$ vs. 159/$) entre rumores de intervenção coordenada EUA/Japão, para o afastar da fronteira 160/$. A vantagem competitiva de um yen extra-depreciado não agrada os americanos, enquanto o governo japonês não se sente confortável com o risco de importar inflação e ter de, finalmente, subir taxas de juros (agora, 0,75%, mas expetativa de +25 p.b. na reunião do BoJ, a 18 de março)… embora se deva tratar de mais pressões americanas, porque a inflação japonesa está agora em +2,1%, que é aceitável… embora incompatível a longo prazo com Taxa Diretora em apenas 0,75%. E o USD depreciou-se até 1,186/€ vs. 1,17,4/€, provavelmente consequência simples de uma corrente agressiva de compra de yens para cobrir as posições curtas perante a ameaça de intervenção e venda de USD como divisa de origem dessas posições, desfazendo-se rapidamente o carry-trade (financiar-se em yens para investir em USD, com taxas de juros superiores). 


Além deste movimento de divisas, esta semana será quase aborrecida até quarta-feira, à espera da Fed e dos resultados de 4 das “7 Magníficas”… e as suas guias! Com a geoestratégia em pausa perante a expetativa de um início de acordo sobre a Gronelândia na NATO e a possibilidade de negociações sobre a Ucrânia (embora sem notícias positivas do que tenham falado neste fim de semana), a macro e os resultados empresariais recuperarão o protagonismo que lhes corresponde. 


Na quarta-feira, a Fed repetirá taxas de juros em 3,50/3,75%, o importante será tentar perceber pela mensagem de Powell se aplicará ou não um novo corte de -25 p.b. que nós estimamos para a reunião de 18 de março.


E continuarão a ser publicados resultados corporativos, cujo fluxo ganhará bastante intensidade e será ampliado à Europa, destacando várias empresas de Defesa (Northrop Grumman, RTX…) e tecnológicas de envergadura (ASML, Tesla, Microsoft, Meta, SAP, Apple…). De facto, entre quarta e quinta-feira, serão publicadas 4 das “7 Magníficas”: na quarta-feira, Meta (EPS 8,20 $; +2,2%), Microsoft (EPS 3,92 $; +21%) e Tesla (EPS 0,44 $; -39,4%); na quinta-feira, Apple (EPS 2,67 $; +11,5%). A evolução da semana dependerá dos números e das guias dessas empresas… ceteris paribus (se nada do restante mudar, pelo menos). E aqui pode estar o mais interessante, por ser novo: na semana passada, observámos alguma fraqueza nas guias transmitidas pelas empresas de primeira linha (Netflix, GE Aerospace, Intel…), como se estivessem intencionalmente a começar a comunicar objetivos menos ambiciosos. A razão última para isso poderia ser, ou uma estratégia intencional para forçar o mercado a deixar de ser tão exigente (especialmente com as empresas tecnológicas), ou a adoção de uma atitude mais cautelosa até verificar quais são os primeiros efeitos empíricos (em custos, margens...) da aplicação da IA, ou simplesmente algum cansaço natural no crescimento. 


CONCLUSÃO: As guias que transmitirem, principalmente essas “4 Magníficas”, determinarão o saldo de uma semana que se apresenta um pouco fria. A apreciação do yen (154/$ vs. 159/$) e a depreciação do USD (1,186/€ vs. 1,17,4/€) acrescentarão ruído a um arranque semanal débil (futuras bolsas ca.-0,2%). Além disso, poderá ocorrer outro encerramento parcial do governo americano, porque a extensão atual do Orçamento expira este sábado, 31, e os democratas poderão bloquear outra extensão se forem verbas para o ICE (agentes de imigração). Isto apresenta-se fraco… 


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*

Segunda Feira,26 de Janeiro de 2.026.

*Semana tem superquarta, sucessão no Fed e big techs*


Aqui, a agenda dos indicadores é forte, com o IPCA-15 de janeiro, dados fiscais, do setor externo e mercado de trabalho


… Na primeira superquarta do ano, Fed e Copom devem manter os juros estáveis, transferindo a expectativa para os recados das reuniões. Nos dois casos, as apostas convergem para a queda das taxas em março. Em NY, investidores também esperam pelo anúncio do sucessor de Powell e pelos balanços das big techs, que geram apreensão. Já aqui, a agenda dos indicadores é forte, com o IPCA-15 de janeiro, dados fiscais, do setor externo e do mercado de trabalho. Na última semana de janeiro, as incertezas com Trump nos Estados Unidos, que incluem agora ameaças ao Canadá, tendem a manter a corrida do capital externo para os emergentes e a sustentar a festa do Ibovespa.


SUCESSÃO E BIG TECHS – O consenso de mercado aponta para a manutenção da Selic em 15% e do juro americano na faixa de 3,5% a 3,75%. Com a estabilidade das taxas precificada, o interesse estará nos comunicados, que podem sinalizar decisões futuras.


… Mas o foco dos mercados estará menos na superquarta e mais na expectativa pelo sucessor de Powell, que pode sair nesta semana. O receio dos investidores é de que Trump assuma o controle do Fed, indicando um nome mais suscetível à sua influência.


… Na última sexta, Rick Rieder (BackRock) assumiu a liderança nas plataforma de apostas da Polymarket (47%), destronando Kevin Warsh (32%). Na Kalshi, ele tem uma vantagem ainda mais larga: 49% contra 32% do ex-diretor do Fed.


… Segundo reportagem da Bloomberg, com base em fontes, Rieder é visto agora como o favorito de Wall Street e de Trump.


… O presidente admitiu ter ficado “muito impressionado” com Rieder e o mercado tem esperanças de que ele terá uma postura independente depois que assumir o comando do Fed. Se for Rieder o escolhido, a reação pode ser absorvida com menos impacto.


… Outros candidatos são o diretor econômico nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, e o governador do Fed, Chris Waller.


… O início dos balanços das big techs também é aguardado com ansiedade e pode trazer volatilidade. A quarta-feira – dia do Fomc e da entrevista de Powell – concentra a divulgação dos resultados de Microsoft, Meta, Tesla, IBM e AT&T. Na quinta, saem Apple e Amazon.


… O calendário prevê ainda os resultados de UnitedHealth, Boeing, GM e American Airlines (amanhã), Visa e Mastercard (quinta-feira) e Exxon Mobil, Chevron, American Express e Verizon encerrando a semana (sexta-feira).


INDICADORES – A agenda internacional deve ficar em segundo plano esta semana, nos Estados Unidos.


… Entre os dados estão encomendas de bens duráveis hoje (10h30), índice de confiança do Conference Board (amanhã, terça), balança comercial, encomendas à indústria e estoques no atacado (quinta), PPI e PMI/ISM de janeiro (sexta-feira).


… Na Alemanha, saem o índice Ifo de sentimento das empresas hoje (6h), o índice de confiança do consumidor GfK (quarta) e o PIB/4Tri (sexta). Também o PIB/4Tri da Zona do Euro será divulgado (sexta-feira).


… Mais quatro reuniões de política monetária estão agendadas para esta semana: Chile (amanhã, terça), Canadá (quarta), África do Sul (quinta) e Colômbia (sexta). Feriado manteve os mercados financeiros fechados hoje na Austrália.


AMEAÇAS AO CANADÁ – Trump usou sua rede social no sábado e no domingo para pressionar o governo canadense a recuar no acordo comercial que está negociando com a China para reduzir tarifas sobre veículos elétricos chineses.


… Em troca, Pequim concederia menores impostos de importação sobre produtos agrícolas canadenses, como a carne bovina.


… “Esse acordo é um desastre, a China vai devorar o Canadá vivo. Se o Canadá fizer um acordo com a China, será imediatamente atingido com uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos.”


… Mencionando diretamente o primeiro-ministro Mark Carney, Trump disse ainda que, “se ele pensa que vai transformar o Canadá em um ‘Porto de Desembarque’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está redondamente enganado.”


RÚSSIA-UCRÂNIA – Ainda no fim de semana, foram encerradas as negociações envolvendo representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos “com discussões construtivas sobre possíveis parâmetros” para o fim da guerra, como disse Volodymyr Zelensky.


… O presidente ucraniano apontou que um documento de garantias de segurança dos Estados Unidos para Kiev está “100% pronto”. Os negociadores retornarão aos Emirados Árabes Unidos para a próxima rodada em 1º de fevereiro.


… As negociações representam o primeiro encontro conhecido entre autoridades do governo Trump e representantes de ambos os países, como parte dos esforços de Washington para avançar no sentido de encerrar a invasão russa, que já dura quase quatro anos.


… Um funcionário americano afirmou que autoridades russas e ucranianas provavelmente precisariam de novas conversas na Rússia ou na Ucrânia antes de Zelensky se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin, ou mesmo ter uma sessão conjunta com o presidente Trump.


… Algumas questões ainda permanecem sem solução, principalmente, questões territoriais. O Kremlin insiste que, para se chegar a um acordo de paz, Kiev deve retirar suas tropas das áreas no leste, que a Rússia anexou ilegalmente, mas não capturou completamente.


NO BRASIL – Antes da decisão dos juros pelo Copom, o IPCA-15 de janeiro amanhã (terça-feira) deve confirmar a resiliência dos preços, com pressões contínuas em alimentos e serviços — segmentos sensíveis ao aquecimento do mercado de trabalho.


… Pesquisa Broadcast apurou leve desaceleração para 0,23% na mediana das estimativas, contra 0,25% em dezembro. As projeções, todas de alta, vão de 0,15% a 0,42%, e em 12 meses o IPCA-15 deve acelerar a 4,52%, após ficar abaixo do teto da meta em dezembro (4,41%).


… Além dos dados da inflação, também pode ter impacto nos juros a divulgação da Pnad Contínua, com a taxa de desemprego de dezembro, e a criação de empregos formais apurados pelo Caged – ambos na sexta-feira.


… Outras agendas previstas para sexta-feira: IGP-M de janeiro, Dívida Pública em proporção ao PIB e resultado primário de dezembro.


HOJE – O Banco Central divulga o saldo da conta corrente e o IDP de dezembro (e do ano de 2025), às 8h30, com estimativa de um déficit de US$ 5,6 bilhões (mediana), após saldo negativo de US$ 4,943 bilhões em novembro.


… Para o Investimento Direto no País, a mediana indica entrada líquida de US$ 1,6 bilhões em dezembro, ante saldo positivo de US$ 9,82 bilhões em novembro. A mediana indica que o IDP deve somar US$ 84,86 bilhões em 2025.


… Já a estimativa intermediária para as transações correntes no ano passado é de saldo negativo de US$ 72,5 bilhões.


… Ainda nesta segunda-feira, sai o Boletim Focus (8h25), com as projeções do mercado para as principais variáveis econômicas.


MASTER – Os depoimentos relacionados às investigações de fraudes no Banco Master marcam a semana, com as oitivas conduzidas pela Polícia Federal hoje e amanhã (terça-feira). Serão interrogados executivos do Master e do BRB.


… Há expectativa de que o caso Master volte para a primeira instância depois do Carnaval, segundo informou a jornalista Ana Flor (G1). A solução está em negociação no STF e teria o objetivo de afastar o desgaste da Corte com o caso: a palavra final será de Toffoli.


… Ainda no Globo, Lauro Jardim noticiou que a situação de Dias Toffoli como relator do caso Master no STF é descrita pela maioria dos seus colegas como “insustentável”. Mas ele só deixa o processo se quiser.


POLÍTICA – No Executivo, o destaque é a viagem do presidente Lula ao Panamá, amanhã (terça), onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina. O governo brasileiro vai assinar um acordo de cooperação e facilitação de investimentos.


… Há ainda a expectativa sobre a visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao ex-presidente Bolsonaro na Papudinha, na quinta-feira. O encontro estava previsto para a semana passada, mas foi adiado, o que causou um mal-estar entre o governador e bolsonaristas.


… No Congresso, às vésperas do fim do recesso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, convocou uma reunião do colégio de líderes para dia 28, com o objetivo de discutir e organizar o retorno dos trabalhos legislativos, no dia 2 de fevereiro.


… Entre as possíveis pautas do primeiro semestre, segundo apurou o Valor, estão o acordo Mercosul/UE, a PEC da Segurança, o PL AntiFacção, a regulamentação do trabalho por aplicativo, a regulamentação da Inteligência Artificial e a MP do Gás do Povo.


CÍRCULO VIRTUOSO – No curtíssimo prazo, a esperança de que o Copom sinalize o timing do início do ciclo de cortes da Selic pode entrar como mais um potencial driver de fôlego para o Ibovespa, que está voando cada vez mais alto.


… No intervalo de uma semana, o índice à vista da bolsa doméstica escalou 14 mil pontos, emplacou o maior rali em termos porcentuais (8,53%) em seis anos e acumula ganho de 11% neste mês de janeiro, que ainda nem terminou.


… Já são quatro pregões consecutivos desbancando recordes atrás de recordes, em uma arrancada tão impressionante, que já na sexta-feira cruzou a fronteira dos 180 mil pontos no pico intraday (180.532,28).


… Fechou em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos. O melhor de tudo tem sido ver a rotina de saltos do Ibovespa respaldada por volumes de negociação muito acima das médias recentes, dando consistência ao fluxo comprador.


… Em primeiro plano, a rotação global de recursos para os emergentes, precipitada pelos choques de Trump, deu o start para o forte apetite do k estrangeiro na B3, que só em janeiro já soma metade de tudo o que entrou em 2025.


… Em relação ao observado em igual intervalo do ano passado, houve um aumento extraordinário de 305% em ingresso de capital externo, com os gringos investindo mais de R$ 12 bilhões em ações brasileiras somente este mês.


… O último informe, do pregão de quarta-feira passada, revelou uma entrada diária monstro, de R$ 3,583 bilhões.


… A compra dos ativos domésticos responde à onda de “vender a América” e, no pano de fundo, o cenário eleitoral também tem sido citado, diante da sinalização das últimas pesquisas sobre a viabilidade de chapa de Flávio.


… Se o dinheiro vem para ficar na B3, é o que ainda se verá. Vai depender da qualidade do capital que está entrando. É torcer para grande parte não ser smart money, que tem natureza especulativa e pode sair tão rápido como veio.


… Na última sessão, Petrobras deslanchou pelo sexto pregão seguido (PN +4,35%, a R$ 35,04; e ON +3,97%, a R$ 37,72), superando com folga a alta já expressiva do petróleo Brent, que registrou valorização de 2,84%, a US$ 65,88.


… O barril operou de olho na Groenlândia, nas ameaças renovadas de Trump ao Irã, no recuo do dólar e impacto das interrupções causadas por tempestades de inverno nos EUA, com congelamento de poços de petróleo e gás natural.


… Vale também brilhou (+2,46%), subiu o dobro do minério (+1,21%) e alcançou novo recorde de preço (R$ 85,02).


… Os bancos não ficaram para trás: BB, +3,54% (R$ 24,28); Bradesco PN, +2,41% (R$ 20,79); Santander, +1,68% (R$ 35,74); e Itaú +1,14% (R$ 43,57). No acumulado da semana, BB disparou quase 14% e Itaú emplacou alta de 10%.


… A liderança na sexta-feira entre as altas do Ibovespa ficou com Braskem PNA (+10,66%; R$ 9,55), com notícia do Valor de que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deve assumir o comando do conselho da petroquímica.


… A percepção é de que isso indicaria o governo disposto a ajudar a resolver o problema da dívida da empresa.


A CARA DA RIQUEZA – O rio de dinheiro que tem entrado no País justifica não só o patamar recorde da bolsa, como o dólar abaixo de R$ 5,30, e entra como fator combinado de alívio, em meio ao carry trade atraente no câmbio.


… Semana passada, a moeda americana acumulou queda de 1,61%. Desde que o ano começou, já caiu quase 4%.


… O último pregão, porém, foi de acomodação. O dólar operou estável (+0,03%), a R$ 5,2862, sem conseguir faturar a forte alta do petróleo e nem a rodada de queda forte da moeda em escala global, com o DXY abaixo dos 98 pontos.


… A semana de briga da ptax começa hoje com dois leilões de linha para rolagem dos vencimentos para fevereiro, de no máximo US$ 2,0 bilhões a serem distribuídos, a critério do BC, entre as duas operações, a partir das 10h30.


… Como o dólar, os juros futuros registraram oscilações contidas na sexta-feira, com a ponta curta estável, à espera das novidades da comunicação do Copom, e leve queda da ponta longa, trecho em que os gringos marcam presença.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 13,695% (praticamente igual aos 13,698% do ajuste anterior); Jan/29 estava em 13,025% (de 13,060% na véspera); Jan/31, 13,345% (de 13,401%); e Jan/33, 13,530% (13,599%).


… Enquanto a ampla maioria do mercado espera manutenção da Selic na quarta-feira, a equipe econômica do BTG Pactual avalia que janeiro segue como opção viável para o início do ciclo de afrouxamento do juro básico.


… Em relatório, economistas do banco defendem que o início de um ajuste gradual da Selic agora não comprometeria o processo de convergência da inflação à meta e manteria a política monetária ainda restritiva.


AVISO EM DOIS – Desta vez, não foi tanto o dólar que afundou o índice DXY lá fora. Foi bem mais o iene que subiu com força, diante dos rumores de intervenção no câmbio para tentar frear a depreciação da moeda japonesa.


… Autoridades do governo do Japão terem feito um “rate check”, prática de checagem junto a operadores de mesa e bancos, para conferir se o nível da taxa de câmbio está adequado, sinalizando uma atuação para proteger o iene.


… A moeda japonesa disparou 1,58%, a 155,90/US$. O euro subiu 0,50%, para US$ 1,1822, a libra esterlina avançou 0,90%, para US$ 1,3631, com o índice DXY em queda de 0,77%, a 97,599 pontos, na sua pior semana desde junho.


… Os Treasuries deram um tempo na liquidação provocada pelas turbulências de Trump e abriram espaço de queda para os juros da Note de 2 anos (3,597%, de 3,610%), 10 anos (4,232%, de 4,248%) e 30 anos (4,832%, de 4,843%).


… A pausa nas tensões geopolíticas permitiu que o Nasdaq fechasse em leve alta de 0,28% (23.501,24 pontos), apesar do tombo de 17% da Intel com o guidance fraco. O S&P 500 fechou quase estável (+0,03%; 6.915,61 pontos).


… Já o Dow Jones registrou desvalorização de 0,58%, aos 49.098,71 pontos, prejudicado pelos papéis dos bancos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE divulga amanhã, após o fechamento do mercado, os resultados de produção e venda referentes ao quarto trimestre de 2025. O balanço da mineradora está previsto para 12 de fevereiro…


… A companhia informou que, na madrugada de sábado para domingo, houve um extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, localizada em Ouro Preto (Minas Gerais)…


… De seu lado, a CSN informou, por meio de em nota, que a ocorrência provocou alagamento de áreas na unidade Pires, em Ouro Preto, de propriedade da CSN Mineração.


JBS inaugurou fábrica de alimentos processados em Jeddah, na Arábia Saudita, e ao mesmo tempo anunciou uma expansão que dobrará a capacidade da unidade deste ano.


EMBRAER. Fontes indicam que a companhia deve anunciar amanhã a instalação de uma fábrica na Índia em parceria com a Adani. A iniciativa pode incluir uma grande encomenda inicial. (Estadão)


GOL anunciou Antonio Kandir como presidente interino do Conselho após o falecimento de Constantino Junior. A companhia afirmou que operações e estratégia seguem inalteradas.


AZUL. A companhia convocou AGE para aprovar grupamento de ações na proporção de 75 para 1. A medida integra o plano de reestruturação no âmbito do Chapter 11.


SABESP vai protocolar pedido de OPA pelas ações remanescentes da Emae após assumir o controle da companhia. A nova controladora também prevê mudanças administrativas.


AXIA ENERGIA (ex-Eletrobras). A Justiça do Trabalho do RJ revogou liminar que questionava reflexos no pagamento de PLR. A decisão afastou risco jurídico e financeiro relevante para a companhia.


VIBRA ENERGIA. O fundo Samambaia Master passou a deter 4,99% do capital social da empresa.


ENEVA. O conselho de administração aprovou a 14ª emissão de debêntures, no valor de R$ 500 milhões, com prazos de até 15 anos. Os recursos serão destinados a investimentos e reembolso de despesas.


ENERGISA. O consumo consolidado de energia cresceu 2,2% no quarto trimestre do ano passado, puxado pelos segmentos residencial e industrial. No ano, o avanço foi de 1,4%.


BTG PACTUAL concluiu a incorporação do Banco Pan, que deixou de ser negociado na B3. A partir de hoje, apenas as units do BTG seguem em negociação.


GAFISA. Luis Fernando Garzi Ortiz foi eleito diretor-presidente, substituindo Sheyla Resende após 16 anos no comando. A mudança mantém a estratégia de reposicionamento da companhia no segmento de alto luxo.


EZTEC. A empresa estima VGV de lançamentos entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões em 2026.


TENDA. O Morgan Stanley passou a deter 5,14% das ações ordinárias da companhia.


VITTIA. A SFA Investimentos dobrou sua participação e atingiu 10,52% do capital social da empresa. A gestora afirmou não ter intenção de interferir na gestão.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Leitura de domingo 2

 *Leitura de Domingo: fluxo estrangeiro na B3 em janeiro é metade do observado em 2025 e deve subir*


Por Maria Regina Silva, Mateus Fagundes, Caroline Aragaki e Ana Paula Machado


São Paulo, 23/01/2026 - A rotação global de recursos para mercados emergentes, provocada pela turbulência das narrativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a expectativa de queda da taxa Selic e a aposta na alternância de poder no Brasil levaram à entrada de R$ 12,35 bilhões na Bolsa brasileira em janeiro, até o dia 21. Esse montante equivale a pouco mais da metade de tudo o que foi aportado pelo investidor estrangeiro na B3 em 2025. Também representa aumento de 305% em relação ao observado em igual intervalo do ano passado. A tendência, segundo analistas ouvidos pela Broadcast, é de que o fluxo siga forte.


Somente na sessão de quarta-feira, 21, houve ingresso de R$ 3,583 bilhões na B3, 29% de todo o saldo positivo do mês. Trata-se do maior valor em um só dia desde 21 de outubro de 2022.


Naquela ocasião, como agora, o rali foi motivado pela combinação de liquidez global com perspectivas eleitorais. Em outubro de 2022, houve sinalização de abrandamento do aperto monetário nos Estados Unidos - que se concretizou -, além de uma aposta de que o então presidente Jair Bolsonaro pudesse vencer Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, que ocorreria dali a uma semana.


Agora, a tensão geopolítica em alta - motivada por declarações de Trump sobre a relação com a Europa, a China e o Oriente Médio - levou a uma onda de redução da exposição dos investidores a ativos norte-americanos, apelidada de "Sell America". Assim, há disposição do investidor em rotacionar recursos para países emergentes.


Segundo Mauro Orefice, gestor de portfólio da B.Side Investimentos, não é de agora que o investidor estrangeiro tem aportado na Bolsa brasileira. Em 2025, lembra, houve entrada forte de cerca de R$ 25,4 bilhões. "Virou o ano, e só aumentou por 'n' razões", diz.


O sócio-diretor da Wagner Investimentos (WIA), José Faria Junior, considera que Trump quebrou a confiança dos países no ano passado ao aumentar tarifas sem negociações e por frequentemente fazer ameaças que não se cumpriram - postura que levou o mercado a criar o acrônimo TACO (Trump Always Chickens Out, ou, na tradução livre, Trump sempre volta atrás). "Então já víamos realocação de dinheiro, mas que entrou em modo turbo este ano depois da Groenlândia", afirma Junior, acrescentando que a Bolsa americana está cara.


O ingresso de capital estrangeiro, porém, não deve ser confundido com um movimento de busca de risco e segurança em mercados emergentes, destaca o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares. "O operador entende que vai ter um período de volatilidade elevado e decide sair dos Estados Unidos até passar a turbulência", afirma.


Segundo ele, uma parcela do fluxo tende a ficar - caso do investidor que já estava pensando em aportar em emergentes -, mas outra parte pode ser só fluxo de curto prazo.


No ano até agora, o Ibovespa saltou 10%. O S&P/BMV, principal termômetro de ações da Bolsa do México, avançou 6,52% no período. O IDX Composto, da Bolsa de Jacarta, na Indonésia, ganhou 3,99%.


A causa desse "descasamento" entre a Bolsa brasileira e as demais emergentes é o fato de as ações de cá estarem sendo negociadas a preços descontados, além da expectativa de flexibilização monetária no Brasil à frente - o que pode impulsionar o lucro das empresas. Unindo ambos os fatores, o valuation acaba sendo considerado atrativo.


Orefice, da B.Side Investimentos, afirma que a Bolsa brasileira permanece barata, com múltiplos baixos.


"Até quando as taxas de juros realmente começarem a cair e isso se refletir nos balanços, acredito que bastante dinheiro entrará no Ibovespa, mais do que já tem entrado", acrescenta o analista da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo.


"A conjuntura macro ajuda. De um jeito ou de outro, a Selic vai cair. Só não sabemos em que mês. Quando começar a cair, deve beneficiar alguns setores, estimulando mais capital estrangeiro", ressalta Orefice.


Eleição


O cenário eleitoral doméstico é um motivo adicional para o ingresso de recursos internacionais na B3. Embora inicialmente o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente tenha sido mal recebido pelos agentes financeiros, o mercado agora vê chances de o senador ser um candidato competitivo contra o presidente Lula. Com isso, aposta-se na possibilidade de eleição de um governo à direita do espectro político, que poderia fazer um ajuste fiscal mais duro.


"A eleição ainda vai ser um ponto de volatilidade, já que a diferença entre Lula e Flávio está diminuindo. Poderemos ver um movimento da direita mais forte do que anteriormente esperávamos", ressalta Mollo, da Daycoval Corretora.


O Morgan Stanley mencionou, em relatório, que "o mercado parece estar incorporando uma alternância de poder nas eleições deste ano, que acontecerão em outubro". Isso porque o grupo de ações mais relacionadas a uma mudança de governo subiu 59% em dólar desde janeiro de 2025, enquanto o que tem maior correlação com continuidade de governo avançou 47% no mesmo período.


Para o analista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, o fluxo externo para a Bolsa pode se manter mesmo em caso de vitória de Lula em outubro, uma vez que o investidor estrangeiro não vê o governo atual como "disruptivo". "O investidor estrangeiro pode seguir alocando recursos no Brasil. Acho que a diferença está na intensidade", pondera.


Contatos: reginam.silva@estadao.com; mateus.fagundes@estadao.com; caroline.aragaki@estadao.com; ana.machado@estadao.com


Broadcast+

Master, o banco das fraudes

 *Do consignado ao mercado de capitais: como o Master se tornou o ‘banco das fraudes’*


Algumas das principais operações do Banco Master estão sob investigação por suspeitas de irregularidades; procurada, instituição não respondeu a pedido de entrevista


As investigações em torno do Banco Master vêm mostrando que, aparentemente, grande parte de sua estrutura era baseada em operações irregulares, fraudulentas ou enganosas. A área que era considerada a mais sólida da instituição foi a última a entrar nessa ciranda: o Estadão revelou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) viu irregularidades em 74% das operações de crédito consignado feitas pelo Banco Master entre 2021 e 2025.


Já estavam na lista de eventuais fraudes praticadas pela instituição os R$ 12,2 bilhões em créditos fictícios vendidos ao Banco de Brasília (BRB) e uma teia de fundos e ativos inflados para aumentar o patrimônio do banco, em operações com a gestora Reag DTVM, que somam outros R$ 11,5 bilhões, segundo o Banco Central (BC).


Essas operações estão entre as que eram destacadas pelo Master em suas demonstrações financeiras mais recentes publicadas, referentes ao ano de 2024. Apesar de não serem detalhados, mereceram destaque da administração os empréstimos consignados (sobretudo do Credcesta), as operações estruturadas a empresas (como crédito corporativo por meio de fundos) e o crescimento na venda de carteiras de crédito. Procurado, o Master não respondeu a pedido de entrevista até a publicação desta reportagem. A Reag não comentou.


Na prática, todas as operações que estão sob investigação tinham como objetivo aparente tentar mostrar a solidez dos números do banco, para que ele continuasse fazendo negócios. Seja pela captação via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pagando acima da média do mercado − com a propaganda de venda baseada no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) −, via fundos com suspeita de serem turbinados ou com crédito consignado aparentemente frágil, as investigações indicam que o balanço mostra ativos inflados artificialmente, enquanto os passivos eram bem maiores.


“O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo”, afirmou o dono do banco, Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal.


Fora das tabelas da demonstração de resultados, na vida real, porém, o banco dificilmente pararia em pé.


“A dinâmica da falência de um banco é sempre igual: a instituição vem bem, obtém renome e credibilidade (que tem a mesma raiz da palavra crédito) e cresce”, diz Paulo Henrique Carnaúba, professor do programa de finanças avançadas do Insper e advogado especialista em fraudes. “A gestão passa a testar o uso do dinheiro dos outros (mais do que o dela) em operações delicadas ou irregulares e, quando dá certo, com a sensação de que continuará impune, aumenta essa prática.”


Até que a bola de neve fica tão grande, que o banco se torna insolvente, ele afirma. “Nessa hora, ou o controlador busca um aporte de capital ou fabrica ativos e tenta obter liquidez de forma agressiva”, diz Carnaúba. “Tudo o que está sendo investigado parecem ser estratégias para criar solidez e liquidez no balanço e esconder um problema maior e anterior.”


As eventuais fraudes, afirma, são um meio para esconder o fim da história: uma conta de ativos e passivos que aponta para uma instituição que não para de pé. “A estratégia geral parece ser criar ou atrair ativos que significam aportes de recursos para evitar a intervenção do BC”, afirma. “Isso nunca deu certo, já que são operações muito complexas e que envolvem muitos interesses... é só a ponta do iceberg.”


O destino dos recursos com suspeita de terem sidos fraudados e desviados, diz, será respondido pelas investigações. “Desde 2023 havia rumores em torno da falta de solidez do Master”, diz Carnaúba. “Se houve demora na ação do BC, isso será investigado, mas que houve grande vontade política para que a intervenção não acontecesse, isso houve.”


De acordo com Luis Miguel Santacreu, analista da agência de classificação de risco Austin Rating, é impossível saber, por meio das informações públicas, quais e quanto das operações do Master eram ou não regulares.


“Apenas o interventor terá acesso a essas informações em profundidade, após a investigação das autoridades competentes”, diz. “Pelo que é público, é possível dizer que o Master tinha uma gestão agressiva em tesouraria e na captação de investimentos, ao mesmo tempo em que investia em ativos ilíquidos (como precatórios e participações em empresas em dificuldades), o que causava um descasamento entre ativos e passivos e riscos maiores do que o recomendado.”



*Veja abaixo as principais operações e as suspeitas levantadas por autoridades.*


*Repasse de carteiras de crédito fraudulentas*


A primeira fraude apontada pelo BC, que determinou a liquidação do Master em novembro, foi o repasse de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília (BRB). Segundo o BC, o Master transferiu R$ 12,2 bilhões ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025 sem documentação e em violação às normas regulatórias.


Após questionamento da autoridade monetária sobre as carteiras de crédito, o Master disse que R$ 6,7 bilhões eram empréstimos feitos por meio de associações de servidores públicos da Bahia. O Ministério Público Federal (MPF) passou a investigar o caso, mas não encontrou as dívidas que teriam sido feitas por associados dessas entidades.


O Master mudou então a versão e disse que os empréstimos haviam sido feitos pela Tirreno Consultoria e repassados pelo banco ao BRB. A Tirreno, porém, é operada por um ex-funcionário do Master e assinou contrato com o banco dois dias após ter seu nome mudado e seu capital social aumentado de R$ 100 para R$ 30 milhões. No mês seguinte, passou a vender as carteiras fictícias ao Banco de Brasília (BRB), que então negociava a aquisição do Master.


Segundo o BC, a carteira de crédito é inexistente e há indicativos de falsidade documental. Veja detalhes abaixo:


Foram essas investigações que deflagraram a liquidação do banco e a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro. O banqueiro ficou pouco mais de uma semana preso e, um dia útil após ser solto, as investigações sobre o Master foram colocadas em sigilo total, no Supremo Tribunal Federal (STF).


*Ciranda de fundos de investimentos*


A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14, mostrou uma ciranda de fundos de investimentos nos quais parte dos recursos captados pelo Master eram colocados em fundos administrados pela Reag DTVM − e voltavam ao próprio banco com o objetivo de tentar incrementar sua solidez. As investigações mostram também a possibilidade de desvios de recursos a “laranjas”, próximos à instituição.


O dinheiro captado via Certificados de Depósito Bancário (CDB), com fundos de pensão de servidores públicos ou por meio do caixa de empresas nos quais um grupo de investidores ligado ao Master tinha participação passava rapidamente de um fundo para outro. A Reag era a principal gestora que abrigava esses fundos. Para justificar sua valorização, os gestores compravam ativos que valiam pouco, mas registravam como se tivessem valor muito superior.


Segundo a Folha de S.Paulo, um dos papéis que tiveram essa valorização inexistente são certificados de ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Os gestores do fundo compravam esses títulos, que têm valor baixo, e registravam como se valessem muito. No caso, foram comprados R$ 850 milhões em títulos e registrados pelo valor de R$ 10 bilhões, de acordo com o portal G1.


Com o patrimônio do fundo inflado, o dinheiro passaria para outros fundos de investimento, também da Reag. Na prática, o próprio Master colocava o dinheiro e buscava mostrar retornos turbinados, como sinal de solidez. Posteriormente, os recursos parariam nas mãos de pessoas próximas aos controladores do Master.


A Reag DTVM, posteriormente batizada de CBSF, foi liquidada pelo BC um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero. A gestora foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, que investigava a ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Faria Lima.


*Fragilidade no crédito consignado*


Um processo administrativo do INSS mostra que um dos negócios apontados como um dos mais sólidos do Master, os empréstimos consignados, também estão sob suspeita. Uma das frentes de negócios consignados do Master, o Credcesta, foi suspenso em diferentes entes públicos nos últimos meses.


Segundo documento do INSS, o Master deixou de apresentar 251.718 documentos que comprovassem contratos de crédito consignado firmados. Trata-se de 74,3% de um universo de 338.608 acordos que o banco relatou ter celebrado com beneficiários da Previdência entre outubro de 2021 e setembro de 2025.


“A análise técnica empreendida demonstrou que o Banco Master S/A promoveu uma expansão agressiva de sua carteira de crédito nos últimos exercícios, resultando em um número expressivo de averbações desprovidas do devido lastro documental e sem a observância dos requisitos de segurança exigidos”, descreve o relatório.


O INSS havia proibido, em outubro, que o Master concedesse empréstimos a aposentados e pensionistas. De acordo com o órgão, o processo levou em consideração os múltiplos relatos de dificuldades para cancelamento, cobranças indevidas e operações não reconhecidas.


Também foram identificados indícios de descumprimentos de parâmetros normativos como exigência de autorização expressa, autenticação biométrica, guarda adequada de documentos e responsabilidade pela atuação de correspondentes bancários.


O Estadão também mostrou que a operação de consignado do Master distribui lucros milionários e foi parar na teia de fundos da Reag. A PKL One, empresa que atua como braço na venda e cobrança de créditos consignados do Credcesta, distribuiu lucros de R$ 32 milhões em um mês, apesar de não ter apresentado documentos a auditores independentes para que suas demonstrações financeiras pudessem ser examinadas. Por isso, as empresas de auditoria entregaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pareceres com abstenção de opinião sobre os fundos.


*Interesse no mercado de capitais*


Outra frente que não aparece entre os ativos do banco, mas que ajudou a aumentar o patrimônio do banco, são investimentos em títulos do Master, feitos por empresas nas quais Vorcaro e seu parceiros de negócios investiram.


Diferentes companhias que receberam investimentos da holding de Vorcaro, a Titan, aplicaram parte de seu caixa em fundos do Master. Entre elas, estão a Oncoclínicas, a Emae, a Cedae e a Rede Día. Algumas delas têm como investidor em comum o empresário Nelson Tanure.


Ambipar foi citada em protesto na frente da sede do Banco Master Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga a conexão entre fundos do Master, Tanure e o CEO da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior. Fundos como o Texas abrigavam ações da Ambipar, que tiveram alta superior a 800%, pelo que a área técnica do xerife do mercado de capitais colocou sob suspeita como manipulação de mercado. Um voto polêmico do presidente interino da CVM considerou desnecessária a oferta pública de aquisição das ações da empresa.


Foi essa alta astronômica, que fez a Ambipar valer mais do que empresas como a Embraer na Bolsa, que permitiram que Tanure tivesse garantias para adquirir a empresa de energia Emae. Fundos com papéis quase que exclusivamente da Ambipar também estavam entre os ativos do Letsbank, uma das instituições controladas pelo Master. Procurado, Tanure não se pronunciou.


https://www.estadao.com.br/amp/economia/negocios/como-master-se-tornou-banco-das-fraudes/

Filosofia de Clausewitz no Artico

 *Filosofia de Clausewitz no Ártico*


Nesta semana, a agenda econômica nos EUA foi ofuscada pelas movimentações geopolíticas. A crescente tensão em torno da Groenlândia levou o presidente americano a ameaçar sanções contra países europeus que se opusessem a uma eventual anexação. A Dinamarca, por sua vez, tem reiterado a soberania dos Estados-membros e coordenado respostas conjuntas no âmbito da União Europeia — até aqui, em tom de repúdio.


O ambiente mais tenso sustentou a demanda por ouro e outros metais, com forte valorização. Três óticas ajudam a entender o movimento: (i) o ouro como proteção clássica em cenários de fricção política, estimulando compras de investidores e de bancos centrais; (ii) a expectativa de maior demanda da cadeia bélica, como derivada das tensões, beneficiando metais industriais; e (iii) a preferência por ativos reais diante da perda de credibilidade de trajetórias fiscais e do controle inflacionário, à luz da expansão de gastos.


Essa mudança de regime tem se somado aos preços descontados de ativos de emergentes, alimentando o ciclo de alocação observado desde o ano passado. O fluxo para esses países se ancora na exposição a ativos reais — dado que a cadeia de produção de materiais básicos é, em geral, sediada neles — e costuma vir acompanhado de exposição à moeda local, razão pela qual ciclos positivos em emergentes tendem a ocorrer concomitantemente a um dólar globalmente mais fraco. Esses vetores embasam nossa visão construtiva para emergentes nos próximos anos.


Do lado macro, os principais indicadores americanos — atividade, consumo e preços — vieram em linha com as expectativas, com impacto contido nos ativos.


Merece destaque o movimento atípico da curva japonesa: na semana, o rendimento do título de 30 anos chegou a avançar 12,5% (variação relativa), tocando 3,9% a.a.; depois cedeu e encerrou em 3,6% a.a., alta semanal de 4,6%. Como ressaltado em outras ocasiões, esse ponto é crucial para o quadro global, dada a relevância histórica do Japão como provedor de liquidez barata para alavancagem.


Em nossa leitura, esse é um dos principais riscos prospectivos. Se a tendência de alta persistir, pode deflagrar movimentos de desalavancagem no sistema financeiro — dinâmica que precedeu diversas crises, como a de 2008, após a correção imobiliária. Esse não é o nosso cenário-base, mas ainda nos parece nebulosa a saída para o dilema japonês.


Nesse contexto, S&P 500 e Russell 2000 recuaram 0,4%; o Dow Jones caiu 0,5%, enquanto o Nasdaq subiu 0,3%. A perda de tração na alta dos yields japoneses refletiu receios de intervenção cambial, provocando forte valorização do iene e queda de 1,9% do índice do dólar — apesar da estabilidade na curva americana e da leve alta (+0,2%) dos Treasuries longos. Entre as bolsas, DAX -1,6%, Nikkei -1,7%; emergentes +2,1% (China tradicional +0,4%; tecnologia +0,5%). Ouro +8,7%; petróleo +1,7%.


Aproveitamos a alta expressiva do ouro para reduzir parcialmente a exposição em mineradoras do metal, buscando recomposição em pontos técnicos mais atrativos. Em contrapartida, elevamos a alocação em ativos brasileiros como juro real e ações de mercado interno, além de ações chinesas, com ênfase em varejistas consolidadoras de marketplaces e empresas que avançam no uso de IA em plataformas abertas de desenvolvimento.


*A Suíça dos trópicos*


Os ativos locais vêm se beneficiando do forte fluxo estrangeiro: até o dia 21, as entradas em ações brasileiras somaram R$ 12 bilhões, metade do registrado em todo 2025. O Brasil tem figurado entre os destaques de emergentes, com desempenho liderado por commodities e materiais básicos, beneficiários da busca por ativos reais.


Esse fluxo foi acompanhado por pesquisas eleitorais que apontam enfraquecimento do presidente Lula em eventual campanha neste ano. Os levantamentos mostram queda de rejeição e avanço de intenção de voto de Flávio Bolsonaro no segundo turno, aproximando-o do atual presidente.


Em uma semana esvaziada de indicadores locais, o Ibovespa apresentou valorização bastante expressiva de 8,5% e o dólar queda de 1,5%, acompanhando o tom global. Na curva, as taxas dos títulos com vencimento em 2030 recuaram: prefixada caiu 1,2%, a 13,3%, e IPCA+ recuou -1,2%, a IPCA+7,8%.


Seguimos vendo oportunidades atrativas na Bolsa doméstica; assim, realocamos parte dos ganhos para setores voltados ao consumo interno. Nos portfólios adequados, ampliamos a posição em títulos públicos de prazo mais longo, onde a relação risco-retorno nos parece hoje superior e oportuna para novas alocações. Entendemos que o Copom deve iniciar os cortes de juros ainda no primeiro semestre, catalisando o fechamento dos juros reais, que seguem próximos aos níveis do fim de 2024 — quando houve estresse generalizado e o dólar tocou R$ 6,30.


Qualquer necessidade, estou à disposição.


Um abraço, Breno - Rubik Capital

Leitura de domingo

 *Leitura de Doningo: Advogados veem com receio proposta de transferir regulação de fundos ao BC*


Por Marianna Gualter


Brasília, 20/01/2026 - Uma eventual transferência para o Banco Central da competência de regular e fiscalizar fundos de investimento é vista com receio por advogados consultados pela Broadcast. Eles avaliam que a mudança poderia ampliar a carga sobre a autoridade monetária e provocar um esvaziamento desnecessário da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).


Afirmam que o órgão, hoje responsável pelos fundos, executa um bom trabalho técnico e entendem que, a fim de aprimorá-lo, outras questões poderiam ser endereçadas antes de uma transferência de competência, como o reforço orçamentário e melhoria da comunicação entre as autarquias.


A possibilidade voltou a ganhar força ontem, depois que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao UOL que apresentou uma proposta ao governo para ampliar o perímetro regulatório do BC. "Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM - na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos", disse.


O uso de fundos em fraudes está no centro das discussões desde que a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação Compliance Zero, mirando fraudes do Banco Master por meio de fundos da Reag Investimentos, na última quarta-feira, 14. Um dia depois, na quinta-feira, o BC decretou a liquidação extrajudicial da administradora.


"A CVM já tem o know-how, o conhecimento necessário para isso. O BC ainda teria que aprender, criar toda uma expertise, o que eu entendo que não seria benéfico, tendo em vista que a CVM já há muito tempo faz essa fiscalização, tem pessoas especializadas nisso e exerce bem o seu trabalho", afirma o advogado Thiago Amaral Santos, sócio do escritório BTLaw, sobre a possibilidade de alterar a autoridade competente.


Ele enfatiza que, em sua visão, a CVM tem desenvolvido um trabalho técnico na fiscalização dos fundos, atuando na investigação e, quando constatadas irregularidades, nas punições. "Claro que pode ser que tenha que melhorar, talvez porque ela não tenha meios, não tenha pessoal - todo órgão público hoje sofre com isso. Mas dentro da competência dela, ela atua bem, é diligente, responde rápido e é proativa."


O advogado também chama a atenção para a possibilidade de a atribuição da competência ao BC aumentar a sobrecarga da autoridade monetária. Diz que o número de instituições sob guarda-chuva da autarquia cresceu nos últimos anos, e relembra, como exemplo, a criação recente das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).


A preocupação é corroborada pelo advogado e professor de regulação financeira Aylton Gonçalves. "Poderia ser que mais essa atribuição, de alguma maneira, prejudicasse os trabalhos atuais do BC, que já são muitos."


Gonçalves avalia que a mudança poderia ser prejudicial ao mercado de capitais e ao mercado de fundos de investimento, uma vez que a CVM já desenvolveu um arcabouço robusto quanto ao tratamento de fundos, a exemplo do marco regulatório publicado em 2022. Ele detalha que, nas últimas quase três décadas, o órgão criou uma jurisprudência extensa em relação ao assunto, que costuma ser aplicada em seus julgados, o que fornece mais segurança ao mercado. Esse comportamento, diz, é similar ao exercido pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).


Considerando a interação entre os fundos e instituições que fazem parte do perímetro regulatório do BC, ele pontua ser importante um olhar especial para a comunicação entre as autarquias, mas também observa que essa relação vem sendo endereçada nas normas da própria autoridade monetária.


"Essa solução que o Haddad trouxe, no sentido de alterar a competência não necessariamente seria importante, uma vez que os bancos e as instituições financeiras que, de modo geral, se relacionam com esses fundos já precisam lidar e informar o BC", afirma o advogado. Ele detalha que essa atenção das instituições reguladas pelo BC aos parceiros escolhidos já é exigida por normas da autarquia, a exemplo das regras quanto à prevenção à lavagem de dinheiro.


Em resposta à declaração de Haddad, a CVM afirmou, por meio de nota, que a competência para regular os fundos de investimento é estabelecida via lei, não em atos do Poder Executivo. Na entrevista, o ministro afirmou que já apresentou uma proposta ao governo, mas não detalhou como a mudança está sendo desenhada. Conforme apurou a Broadcast, ainda não há um consenso no governo sobre o instrumento jurídico que seria usado para modificar o perímetro regulatório do BC, mas a avaliação é de que qualquer mudança teria que passar pelo Congresso Nacional.


O advogado Rodrigo Caldas de Carvalho Borges, sócio do CBA Advogados, entende que a sugestão de Haddad busca aplicar ao Brasil um modelo de regulação inspirado no que há hoje em países como a Inglaterra. Ele avalia que a mudança pode fazer sentido, mas frisa que antes de uma modificação é necessário um amadurecimento maior da discussão sobre o tema. "Não digo em termos de timing,/>, mas de envolver os players de mercado, fazer consultas públicas, trazer isso mais para indústria, para entender o reflexo."


O advogado pondera que uma medida abrupta, sem o diálogo adequado, pode resultar em impactos indesejados para a indústria financeira no Brasil, como a questão da concentração do controle em um único órgão.


Mais urgente que uma eventual alteração, diz, é fortalecer o quadro de ambas as autarquias. "Agora estamos discutindo o problema do Banco Master e da Reag, mas há pouco tempo tivemos o problema das fintechs. Os reguladores fizeram um trabalho excelente, BC e CVM, mas com quadros reduzidos", afirma.


O advogado observa que, do ponto de vista técnico, enquanto avança a discussão sobre uma potencial reforma da estrutura regulatória, seria possível caminhar em alguns passos para já melhorar a atuação das autarquias, como a concessão de maior autonomia orçamentária e financeira, além de intensificar o intercâmbio de informações entre os órgãos.


"Criar um ambiente para compartilhamento de informações em tempo real, de dados específicos, permitindo uma detecção mais automatizada das fraudes. Algo para criar uma proximidade maior entre esses órgãos para depois se pensar em talvez segregar ou distribuir melhor essas competências."


A reportagem entrou em contato com o BC, mas não houve retorno até a publicação deste texto.


Contato: marianna.gualter@broadcast.com.br


Broadcast+

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...