sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Mar de lama 3

 

A matéria liga três frentes num mesmo fio: Master/Trustee, fraudes no INSS e uma empresa usada como “casca” societária. Um fundo administrado pela Trustee DTVM (que fazia a administração de ativos ligados ao Banco Master) investiu R$ 9,9 milhões na BSF Gestão em Saúde, empresa associada ao lobista Danilo Trento, hoje alvo da CPI do INSS. O investimento foi feito via Fundo Albali (fev/2023) por compra de 9,9 mil notas comerciais (R$ 1 mil cada), com vencimento previsto para mar/2024 — e, segundo a própria Trustee, a BSF não pagou nada (“calote”), ou seja, o fundo não teria obtido ganho.

Destaques que tornam o caso politicamente tóxico (e juridicamente “cheirando mal”): (1) Trento admite ser o “verdadeiro dono” mesmo após transferir a BSF em mar/2024 para Francine da Rosa, ex-beneficiária de Bolsa Família/Auxílio Emergencial, e confessa que a troca de titularidade foi orientada por advogado para evitar bloqueio judicial; (2) a Trustee é de Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro, e foi citada na Operação Carbono Oculto (suspeitas de uso de fundos para lavagem ligada ao PCC, segundo o texto); (3) há ressalvas de auditoria: a RSM teria se abstido de opinar por falta de dados suficientes para validar as informações do Albali; (4) o Albali teria apenas um cotista, sob sigilo, e Vorcaro já teria dito ao Valor que Quadrado era o “único beneficiário” na época do Fasano Itaim (comprado com o mesmo fundo).

No eixo INSS, a reportagem reforça que Trento é apontado como peça relevante no esquema de descontos ilegais de aposentados, com menções a repasses identificados em relatório do Coaf (ex.: R$ 300 mil de empresa ligada a contador da Conafer e R$ 100 mil de dirigente da AAB). E surge um ponto explosivo: a CPI também apura a trilha do crédito consignado, onde o Master aparece como beneficiário por ter acordo de cooperação técnica com o INSS; o jornal afirma que o banco teria deixado de apresentar mais de 250 mil documentos de comprovação de contratos, e um relatório do INSS classificaria como “falha grave e insanável”, levantando dúvidas sobre consentimento.

Conclusão prática: a história não é “só” um investimento que deu errado — é um mosaico de governança frágil, opacidade, manobras societárias confessadas e trilhas financeiras que se encostam em duas CPIs (Covid e INSS) e em estruturas de fundos com pouca auditabilidade. CTA: tratar isso como checklist de apuração: (i) cadeia de decisão do investimento (quem aprovou, quando, com qual diligência), (ii) identificação formal do cotista/beneficiário final do Albali, (iii) documentos do fluxo de pagamento (ou ausência) da BSF, (iv) trilhas do Coaf e vínculos com entidades de desconto, (v) os 250 mil contratos faltantes e a responsabilidade por guarda e validação — porque é aí que o caso deixa de ser “notícia” e vira “prova”.

Portugal



 [10:58, 23/01/2026] Julio Hegedus Netto🥸: 


Nas eleições em Portugal, o debate mudou. A imigração deixou de ser um tema lateral e passou ao centro da disputa eleitoral pelo impacto direto na vida cotidiana. O país vai às urnas, em segundo turno, em 8 de fevereiro, após anos de governo do Partido Socialista, em um pleito que se transformou num julgamento sobre o modelo econômico adotado.


O problema não é a imigração em si, mas a incapacidade do Estado de acompanhar o aumento da demanda. Moradia, infraestrutura e serviços não se expandem na mesma velocidade. Com a oferta travada por excesso de regras e lentidão administrativa, a tensão aparece onde dói primeiro: na habitação. Aluguéis disparam, Lisboa e Porto tornam-se inacessíveis e a construção segue engessada.


Com moradia cara, o custo de vida sobe em cadeia. Salários crescem pouco, impostos permanecem altos e a produtividade segue fraca. O resultado é simples: trabalhar mais e viver pior. Esse pano de fundo de estagnação explica por que o debate eleitoral ficou mais duro.


À esquerda, o candidato socialista Pedro Nuno Santos, do PS, defende dobrar aposta: mais Estado e mais regulação como resposta aos preços e às desigualdades. À direita, Luís Montenegro, da Aliança Democrática, aposta em destravar a economia, reduzir entraves e recolocar o crescimento no centro da estratégia.


No fundo, o debate não é “imigração sim ou não”, mas se um país escolhe administrar escassez ou permitir que a oferta cresça. Escassez não se resolve com controle. Integração não acontece sem crescimento. Onde há liberdade para produzir e investir, há mais prosperidade e menos conflito.

É o q eu tenho dito. E não me canso de pontuar isso. Imigração descontrolada gerou um tremendo caldo de tensão social, com mtos desocupados nas ruas, morando em barracas. Um passo para assaltos, violências diversas, tensões sociais. Não adianta negar o óbvio.

The Economist

 



"...quando o BC investigou os detalhes da fusão, descobriu que o Banco Master não tinha liquidez. Investigadores descobriram que a empresa havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões.

Mas os efeitos do colapso do Banco Master vão além do setor bancário. Isso porque Vorcaro passou anos cultivando laços com a elite brasileira. O caso expôs ligações entre políticos, figurões do mercado financeiro e o Judiciário em Brasília, a capital, prejudicando a reputação do STF e do Congresso.

Políticos do Centrão tentaram proteger o Banco Master antes de sua falência. O senador Ciro Nogueira, tentou bloquear uma investigação parlamentar sobre as transações do Banco Master e pressionou pela aprovação de um projeto de lei que daria ao Congresso o poder de demitir o presidente do BC.

Enquanto isso, Ibaneis Rocha, governador do DF, defendeu veementemente a aquisição do Banco Master pelo BRB, apesar das fortes advertências de muitos analistas.

O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o maior doador individual para a campanha de Bolsonaro em 2022 e de Tarcísio de Freitas.

A trama começou a se complicar logo após o BC ordenar a liquidação do Banco Master em novembro. Jhonatan de Jesus, membro do TCU, órgão de auditoria alegou que o Banco Central agiu com muita pressa.

Ele ordenou uma investigação para apurar se o BC poderia ter escolhido alternativas à liquidação. “Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”.

Quando os investigadores abriram o telefone de Vorcaro, encontraram ainda mais ligações ao poder. O banco havia assinado um contrato de US$ 24 milhões, com duração de três anos, com um escritório de advocacia dirigido pela mulher de Alexandre de Moraes. A vagueza do contrato e as grandes somas envolvidas “não são normais” para os padrões brasileiros, afirma um especialista jurídico. 

Logo depois, um jornal revelou que Moraes havia telefonado ou se encontrado com Gabriel Galípolo, presidente do BC, diversas vezes antes da liquidação do Banco Master. Moraes afirma que ele e Galípolo se encontraram para discutir assuntos não relacionados ao Banco Master. 

Mesmo assim, seu comportamento autoritário levantou suspeitas. Em janeiro, ele abriu uma investigação contra a UIF e a Receita Federal para apurar se haviam vazado informações sobre o contrato.

A situação não é melhor para o colega e Moraes, Dias Toffoli, um juiz que já arquivou outras investigações anticorrupção envolvendo a elite de Brasília. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master.

Posteriormente, descobriu-se que Zettel havia investido mais de US$ 1 milhão em um resort que tinha como sócios os irmãos de Toffoli. Não há provas de que Toffoli soubesse do assunto, e ele não se pronunciou publicamente sobre o tema. No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal carece de imparcialidade."

Market Makers

 


Da série "grandes conversas", nesta semana, a gente recebeu Mansueto Almeida e Samuel Pessôa no Market Makers. Ao lado de Thiago Salomão, os dois economistas falaram sobre as perspectivas para 2026, o desafio das contas públicas e o futuro do Brasil e da nossa economia.


Você pode ver a íntegra da conversa no nosso canal no Youtube: https://lnkd.in/dZRtJt24

Mudando a rotação

 

A entrevista do Milton Maluhy ganha força porque não é um “desabafo corporativo”: é um diagnóstico de arquitetura. O que ele chama de assimetria entre distribuidor e risco do FGC é, na prática, um sistema que premia volume e comissionamento no curto prazo, mas empurra o custo de eventuais quebras para uma rede difusa — FGC, bancos contribuintes e, no fim da cadeia, a confiança do poupador. Quando um caso como o Master estoura, não “surge” o problema: ele apenas fica visível, como rachadura que já estava no concreto.

O ponto mais duro é moral e operacional: quem empacota e vende risco precisa carregar parte do risco, ou o incentivo fica torto. Produto “milagroso” com promessa de retorno muito acima do padrão (o famoso “140% do CDI” vendido como quase rotina) deveria acionar travas automáticas de diligência, transparência e suitability — e não virar slogan comercial. O mercado de plataformas, por melhor que seja o modelo de partnership, não pode usar a complexidade do ecossistema como álibi para terceirizar responsabilidade. Inovação e competição são bem-vindas; irresponsabilidade escalável, não.

E aqui entra o que é impossível varrer para debaixo do tapete: vai sobrar mancha reputacional para XP e BTG, sim — não como sentença antecipada, mas como consequência natural de percepção pública. Ainda mais com o ruído adicional de ontem: a circulação de vídeo associando André Esteves a um resort ligado a Toffoli cria o tipo de imagem que, numa democracia saudável, deveria ser evitado por padrão de prudência reputacional. Mesmo que não haja qualquer ilegalidade comprovada nesse episódio específico, o dano é do campo da confiança: em finanças, reputação não se discute em tribunal; se discute no comportamento do cliente.

A conclusão é direta e incômoda: o julgamento final é do mercado — e do bolso de cada investidor. A decisão sobre onde alocar patrimônio (banco público como BRB, plataformas como XP, banco de investimento como BTG, ou alternativas) passa a ser também uma decisão de confiança institucional e governança percebida. A pergunta que fica não é “quem grita mais”, mas “quem entrega controle, diligência, transparência e alinhamento de incentivos”. Porque retorno se mede em CDI; risco reputacional se mede em décadas.



Sergio Fausto




 Publiquei um artigo no ESTADÃO sobre o acordo frágil entre Trump e a ditadura venezuelana.


O próximo presidente do Brasil terá de lidar com uma situação muito instável em um país vizinho. Há o risco de uma escalada da intervenção militar dos Estados Unidos e de uma guerra assimétrica de tropas americanas com grupos armados ligados ao regime chavista.

O Brasil pode ajudar a Venezuela a encontrar um caminho. Seria trágico que o país vizinho permanecesse uma ditadura ou se tornasse um protetorado dos Estados Unidos na América do Sul. Será complexo e demorado encontrar um caminho alternativo, que desemboque em um regime democrático com soberania nacional.

O Brasil viveu uma gradual transição do autoritarismo para a democracia, permeada pela negociação entre setores da oposição e do regime. Com essa experiência e sendo o maior país da região, podemos nos tornar atores importantes na solução da crise venezuelana, em parceria com outros países e blocos, como a União Europeia, que querem uma Venezuela democrática e não submissa aos Estados Unidos ou a qualquer outra potência mundial.

Call Matinal 2301

 Call Matinal

23/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2201)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de quinta-feira (22), o Ibovespa fechou em forte alta. Após ficar perto de 5.500 pontos ontem, o Ibovespa saltou outros 3.770 hoje e fechou em inéditos 175.589,35 pontos, com alta de 2,20%. Volume financeiro foi expressivo, impulsionado por capital estrangeiro, R$ 44 bilhões. Já no mercado cambial, o dólar encerrou em R$ 5,2854, pressionando para baixo e muito próximo do suporte crítico de novembro de 2025 em R$ 5,2633.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em pequena queda nesta sexta-feira (23), refletindo as preocupações geopolíticas com Trump ameaçando a Groelândia.

 

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,06%

S&P 500 Futuro: -0,04%

Nasdaq Futuro: -0,19%

Trump acalmou os mercados, cancelou tarifas sobre oito países europeus que começariam em 1º de fevereiro. Anunciou também um “pré-acordo” com a OTAN sobre a Groenlândia. Premiê da ilha não sabe do que se trata.

Ásia-Pacífico

 

 

 

* Shanghai SE (China), +0,33%

* Nikkei (Japão): +0,29%

* Hang Seng Index (Hong Kong): +0,45%

* Nifty 50 (Índia): -0,94%

* ASX 200 (Austrália): +0,13%

A maioria das bolsas asiáticas subiu sob impulso do bom desempenho das techs, enquanto os mercados japoneses mantiveram ganhos moderados após o Banco do Japão manter as taxas de juros inalteradas (0,75%), em decisão quase unânime.

Europa

 

 

 

* STOXX 600: -0,07%

* DAX (Alemanha): +0,01%

* FTSE 100 (Reino Unido): +0,28%

* CAC 40 (França): -0,08%

* FTSE MIB (Itália): -0,52%

As bolsas europeias operam mistas nesta sexta-feira, ainda sinalizando a cautela com as tensões geopolíticas provocadas pela vontade de Donald Trump de anexar a Groenlândia. 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, +0,94%, a US$ 59,92 o barril

Petróleo Brent, +0,91%, a US$ 64,64 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,21%, a 795 iuanes (US$ 114,00)

Ouro renova topo, apesar do apetite a risco. Mesmo com as bolsas subindo, o ouro segue firme. Investidores ainda protegem parte da carteira diante das incertezas fiscais nos EUA e do ambiente geopolítico instável. Spot bate recorde de US$ 4.917,65/oz nesta quinta. Prata e platina também renovam máximas históricas no embalo da busca por proteção.

 

NO DIA, 2301

No Japão, o BoJ manteve a taxa de juros básica em 0,75%. Na agenda de indicadores, destaques para as preliminares dos PMIs na Europa e nos EUA (ao fim), além do sentimento do consumidor de Michigan. Aqui, sem dados relevantes, com o Ibov confirmando o bull market, suportado pelos estrangeiros, interessados nos emergentes, mesmo com o alívio das tensões geopolíticas. O acordo proposto por Trump para a Groenlândia pode avançar hoje com a reunião entre o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Trump disse ontem voltou que a estrutura do acordo para a Groenlândia está em construção e “será fantástica para os EUA”. Sem dar detalhes, prometeu “novidades em duas semanas”. Nesta quinta-feira, o secretário-geral da Otan defendeu a proteção do Ártico, com prioridade para a Groenlândia, afirmando que “temos que investir mais energia, mais tempo e mais atenção nisso, porque sabemos que as rotas marítimas estão se abrindo”. Fontes revelaram que os EUA buscam carta branca na Groenlândia, que querem reescrever seu acordo de defesa com a Dinamarca para remover quaisquer limites à sua presença militar na ilha estratégica. Trump também comentou que a reunião com as delegações dos EUA, Ucrânia e Rússia, nesta quinta-feira, foram “boas”.

 

PMI na Europa (prévias)

 

▪️ França: PMI Composto cai para 48,6 pontos em janeiro, após 50, e abaixo do consenso (50); Indústria sobe a 51 e Serviços cai a 47,9

 

▪️ Alemanha: PMI Composto sobe para 52,5 pontos em janeiro, após 51,3 e acima do consenso de 51,6. Indústria sobe para 48,7 e Serviços, a  avança para 53,3 pontos

 

▪️ Zona do euro: PMI Composto em janeiro fica estável em 51,5 pontos,e levemente abaixo do consenso (51,8); Serviços cai a 51,9 e Indústria sobe a 49,4

 

▪️ Reino Unido: PMI Composto sobe a 53,9 pontos após 51,4 e abaixo do consenso (51,5 pontos). Serviços sobe a 54,3 e Indústria, a 51,6

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

 

sexta-feira, 23 de Janeiro 

Reino Unido/ONS: vendas no varejo de dezembro

 Alemanha/S&P Global/HCOB: PMI composto preliminar de janeiro

 Zona do euro/S&P Global/HCOB: PMI composto preliminar de janeiro

 Reino Unido/S&P Global /CIPs: PMI composto preliminar de janeiro

 Brasil: FGV: IPC-S da 3ª quadrissemana de janeiro

 EUA/S&P Global: PMI composto preliminar de janeiro

EUA/Univ. Michigan: Índice de Sentimento do Consumidor final de janeiro

 EUA/Baker Hughes: poços e plataformas de petróleo em operação

 

 

Boa sexta-feira para todos! Feliz 2026 !

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...