sábado, 4 de janeiro de 2025

Amilton Aquino 0401

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"O ano termina com um grande descompasso entre a economia real, que cresceu bem pelo quarto ano consecutivo, e o mercado financeiro, que já antevê mais um voo de galinha.


Para os entusiastas do governo, trata-se de uma conspiração do tal mercado, esse ente malévolo da Faria Lima, que há alguns meses fazia boas projeções para o Brasil e, desde meados do ano, só piora suas expectativas. Mas o que aconteceu para essa mudança de humor?


Primeiro, houve a alteração da meta do arcabouço fiscal já flexibilizado logo em seu primeiro ano de vigência. De repente, a meta deixou de ser o déficit zero e passou a ser um déficit de R$ 30 bilhões, com uma contabilidade criativa embutida. Passados alguns meses, ficou claro para o mercado que seria impossível cumprir até mesmo a nova meta, já acochambrada. Então, começou um verdadeiro clamor por cortes de gastos.


Haddad, enfim, admitiu que precisava cortar despesas (ufa!) e criou uma expectativa de anúncio, que foi sendo postergado, postergado até que… veio em tom de campanha eleitoral, acompanhado de uma promessa que aumentaria os gastos em pelo menos metade do que o pacote propunha economizar. O dólar, claro, disparou, alcançando a casa dos R$ 6.


Mas eis que Lula, na tentativa de acalmar o mercado, resolveu dar uma entrevista ao Fantástico, onde garantiu que ninguém tem mais responsabilidade fiscal do que ele (!!!), que está tudo certo em seu governo e que a única coisa errada é a taxa de juros, deixando a entender que isso brevemente também seria “corrigido” com o seu indicado para a presidência do Banco Central. O dólar, claro, bateu os R$ 6,31.


Desde então, o que temos assistido é o BC queimar 10% das nossas reservas para reduzir 10 centavos da cotação do dólar, enquanto Lula ajusta o discurso, baixa o tom nas suas costumeiras acusações de conspiração do mercado e “garante”, ao lado do novo presidente do BC, que ele terá total autonomia.


O mercado, com sua fé inabalável de que balançamos, mas nunca caímos do precipício, deu até uma pequena acalmada com a aprovação do ainda insuficiente pacote de cortes de gastos. Porém, já começa a se posicionar para um cenário de piora gradativa que poderá explodir, ou não, antes das eleições.


É claro que o mercado também erra nas projeções. Desde Temer, as estimativas do PIB, por exemplo, foram sempre revisadas para cima, o que tem levado economistas, como Samuel Pessoa, a teorizar que o nosso PIB potencial aumentou. Isso se deve, muito provavelmente, à maior flexibilização do mercado de trabalho, consequência de algumas reformas estruturais, e à chegada dos aplicativos de entrega e transporte, que têm contribuído significativamente para a queda do desemprego e o aumento de renda de muita gente. Além disso, tivemos um investimento privado de R$ 70 bilhões a partir da aprovação do Marco do Saneamento nos últimos três anos — medida que contou com o voto contrário do PT, mas cujos frutos colhe agora.


Enfim, o clima ainda não é o do final de 2014, quando a crise já era dada como certa, mas há um prenúncio de algo semelhante, parecido com 2013: um mal-estar geral com as instituições, com a política e com a indiferença das castas do poder público, que, aconteça o que acontecer, sempre preservam seus privilégios. Isso ficou claro mais uma vez na tentativa de limitar os supersalários, condicionada à medidas a serem discutidas posteriormente, o que provavelmente resultará em nada.


Enquanto isso, o Congresso, que poderia conter a gastança acolhendo uma proposta de corte de despesas apresentada por três deputados, simplesmente dá de ombros, preferindo usar o orçamento secreto como barganha para aprovar o raquítico pacote de cortes do governo.


Como sempre, a conta sobra para quem não tem voz no Congresso. O grosso do corte será direcionado para a limitação do BPC, do PIS/PASEP e do Fundeb, além de alguns caraminguás do Bolsa Família, e só.


Será suficiente para chegarmos até 2026 sem uma crise aguda? Veremos. Até lá, a certeza é que a curva da dívida pública aumentará em ritmo semelhante ao do governo Dilma, com o agravante de que agora partimos do auge da maior crise da nossa história.


Apesar da pressão por cortes de gastos, a Lei Rouanet segue intacta, abocanhando R$ 17 bilhões por ano — valor sextuplicado no governo Lula. O mesmo acontece com a farra de gastos com publicidade e com o cartão corporativo, principalmente da primeira-dama. Sem dar o exemplo, como exigir qualquer sacrifício dos demais agentes públicos?


E assim seguimos, aos trancos e barrancos, rumo a uma nova fase de hiperinflação, já que as outras duas formas de financiamento do governo (endividamento e aumento da carga tributária) já estão no limite. Salvem-se quem puder."

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Pensando em melhorar o país e a qualidade da Educação, por Victor Ribeiro (contribuições dos amigos do Debates Aleatórios, destaque para o LAMBERT e o Carlos Covas)

 Sintam-se à vontade para aperfeiçoar a lista abaixo:


1) Mudar a cultura de que estudo serve apenas para diploma.

2) Instigar o genuíno pensamento crítico.  

3) Instigar a leitura e modernizar o ensino (ex.: gameficacao).

4) Aperfeiçoar a formação dos professores (ensino básico e ensino médio)

5) Tal como na Alemanha, estabelecer um caminho para profissões técnicas e outras que dependem da universidade.

6) Tal como na Coreia, os ministérios da indústria e comércio participam da definição dos currículos escolares.

7) Contratar professores externos para qualificação dos professores no Brasil : desde o ensino médio até a pós-graduação.

8) Criar novas zonas industriais e de novas tecnologias.

9) Retirar jovens e famílias atualmente em situação de domínio do crime organizado e levar para essas novas zonas indústrias e de novas tecnologias.☝

10) Mudar a legislação de execuções penais, caso contrário a indústria das cadeias subverte a lógica.

11) acabar com o atual modelo de Universidade Pública.

12) fomentar escritórios de projetos para que seja estabelecida uma "cultura" de captação de recursos (inovação tecnológica, greenfield, brownfield, créditos de carbono, hidrogênio verde, economia do espaço etc. etc.).

13) acabar com a LOMAM e reformar o Judiciário (cumprimento de prazos, metas, punições, fim de privilégios...).

14) Tal como feito na Colômbia, expulsar os bandidos das favelas. Retirar a população honesta das favelas e levar para novas cidades (a serem construídas, nas zonas insdustriais). Esse deveria ser um plano de 20 anos. Contando com apoio dos EUA, por exemplo.

15) redefinir o número de deputados conforme a população, para não haver subrepresentação (não tem cabimento um deputado de Roraima valer muito mais do que um deputado de São Paulo).

16) mandato para Ministros dos Tribunais Superiores e fim desses tribunais especiais (TSE, TST, STM).

José Pastore

 #Não há dúvida. Instituições de boa qualidade são cruciais para o crescimento econômico e o progresso social.  Instituições de má qualidade fazem o contrário. #

Parlamentares extrativistas - José Pastore

Correio Braziliense


À intenção do governo de dificultar as remunerações inconstitucionais, os parlamentares responderam com a criação de uma aprovação facilitada — de costas para a Carta Magna e para o povo


O leitor deve estar estranhando esse título. Explico. Fiquei espantado com o desfecho final do pacote de corte de gastos recentemente aprovado. O que foi apresentado pelo governo era de baixa potência para reequilibrar as contas públicas. E o que saiu do Congresso Nacional, ficou pior. 


Refiro-me especificamente à proposta de eliminação dos supersalários e demais penduricalhos dos altos funcionários da República, em especial, os do Poder Judiciário, Ministério Público e órgãos fiscalizadores. 


A Constituição Federal é clara ao proibir o pagamento de remuneração, a qualquer título, acima do teto do que ganham os ministros do Supremo Tribunal Federal. Isso é explicitado no artigo 37, inciso XI que, entre outras restrições, diz que "sob qualquer forma de pagamento, a remuneração dos ocupantes de cargos da administração direta, autárquica e fundacional, nos três níveis de governo, não pode exceder o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal".  


Para completar, o artigo 39, § 4º é ainda mais claro ao "vedar o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória". Isso significa que os repasses de verbas além do referido teto são ilegais, o que inclui, evidentemente, os penduricalhos. 


Pois bem. Apesar de todas essas proibições, o governo incluiu no pacote de gastos uma cláusula, dita restritiva, mas que, na realidade, abria a possibilidade de quebrar as regras acima ao permitir pagamentos acima do teto, desde que aprovados por lei complementar, que exige maioria absoluta de votos do Congresso Nacional. 


Os parlamentares tiveram o atrevimento de afrouxar ainda mais a indevida concessão, ao estabelecer que pagamentos adicionais aos servidores do alto escalão da República podem ser autorizados por lei ordinária, que é de aprovação mais fácil, com maioria simples. 


Ou seja, à intenção do governo de dificultar as remunerações inconstitucionais, os parlamentares responderam com a criação de uma aprovação facilitada — de costas para a Carta Magna e para o povo. Como diz José Paulo Cavalcanti Filho, "a Constituição, que nos países maduros é uma Lei Maior, referência e obrigação para todos, no Brasil virou enfeite" ("Até quando?", O Globo, 17/2/2024). É isso mesmo, pois, os que hoje recebem somas altíssimas, continuarão recebendo como se fossem "privilégios adquiridos".  


A conduta dos nossos parlamentares ilustra bem a razão de o Brasil não avançar e crescer. Temos instituições fracas, ardilosas e deturpadoras. Essa é a tese dos economistas Daron Acemoglu e James A. Johnson que ganharam o Prêmio Nobel em 2024 ao escreverem o best seller Por que as nações fracassam (Editora Elsevier, 2012).


Com base em uma bem fundamentada análise histórica, Acemoglu e Jonhson demonstram que inúmeras nações tiveram o progresso bloqueado pelo predomínio de "instituições extrativistas" —, referindo-se às decisões dos parlamentos que, para favorecer as minorias dos mais fortes, extraem os recursos dos mais fracos.


Essa análise cabe perfeitamente nesse caso. Os beneficiários das benesses, supersalários e penduricalhos — isentos de Imposto de Renda —, por meio de um lobby eficiente, levaram o Congresso Nacional a aprovar uma fórmula que dá legalidade às regras que extraem do povo brasileiro as facilidades que sustentam os seus privilégios. Essa foi a "contribuição" dos parlamentares extrativistas que, com sua "iluminada" decisão, reforçaram a captura do Estado pelos lobbies poderosos do serviço público.  


É assim que as nações fracassam. Nos últimos 20 anos, a média de crescimento anual do PIB do Brasil ficou em meros 2% — uma marca ridícula e insuficiente para atender as necessidades dos mais vulneráveis. 


Não há dúvida. Instituições de boa qualidade são cruciais para o crescimento econômico e o progresso social.  Instituições de má qualidade fazem o contrário. Na decisão tomada pelos nobres parlamentares, deu-se um verdadeiro tapa na cara dos brasileiros que têm de trabalhar, viver e sustentar suas famílias com o "generoso" salário mínimo de R$ 1.518,00 que os mesmos parlamentares aprovaram para 2025. 


*Professor (aposentado) da Universidade  de São Paulo, membro da Academia Paulista de Letras e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP

Atualização SEC

 Conexão WSJ: Multar, a SEC até multa. Já receber...


Por Dave Michaels


Paul Bilzerian está foragido da Securities and Exchange Commission há tanto tempo que agora deve à agência US$ 180 milhões com juros - quase três vezes o que um tribunal inicialmente ordenou que ele pagasse.


Por 31 anos, a agência tentou e falhou em cobrar uma sentença de US$ 62 milhões contra o ex-assaltante corporativo por fraude de valores mobiliários. Para evitar pagar a multa, Bilzerian alegou pobreza e declarou falência duas vezes. Mais tarde, ele se mudou para a nação insular de St. Kitts e Nevis, fora do alcance do governo dos EUA.


O financista disse ao The Wall Street Journal em 2014 que "preferia morrer de fome do que ganhar um dólar para me alimentar e pagar ao governo um centavo dele". Até agora, ele teve sucesso.


Recentemente, promotores federais acusaram Bilzerian, 74 anos, de novos crimes que dizem que ele cometeu com milhões de dólares que ele havia escondido da SEC. Ele não respondeu às acusações e se recusou a comentar.


O caso é emblemático da longa luta da comissão para fazer cumprir seus julgamentos contra indivíduos que fazem de tudo para evitar pagá-los. E em outras circunstâncias, a SEC divulga penalidades que nunca cobrará porque os réus podem receber isenções se fizerem pagamentos em casos criminais ou no exterior relacionados. Essas duas dinâmicas significam que a SEC normalmente arrecada menos dinheiro do que parece.


Em 2023, a comissão divulgou ordens judiciais ou acordos representando US$ 4,9 bilhões em sanções financeiras. Mas também cancelou US$ 1,4 bilhão em penalidades cobradas em anos anteriores, de acordo com dados obtidos pelo Journal.


Nos últimos 10 anos, a SEC cancelou quase US$ 10 bilhões em penalidades, de acordo com os dados obtidos pelo Journal sob a Lei de Liberdade de Informação.


"Se vamos anunciar os números que estamos impondo, devemos ser transparentes sobre o fato de que isso não significa que o dinheiro está fluindo para o governo e para os investidores", disse a comissária Hester Peirce, membro republicana da SEC.


A agência diz que trabalha agressivamente para recuperar fundos para investidores prejudicados. "Como resultado de nossos esforços contínuos, a comissão devolveu bilhões de dólares aos investidores somente nos últimos quatro anos", disse um porta-voz da agência.


No geral, a comissão tende a coletar cerca de dois terços de seus julgamentos financeiros, disseram autoridades.


Embora a SEC tenha compartilhado anteriormente quanto de sua recompensa de execução realmente foi coletada, ela parou de fazê-lo em 2019 e se recusou a dizer o porquê.


A SEC tem enfrentado pressão política desde a crise financeira de 2008-09 para extrair penalidades mais altas, de acordo com James Park, professor de direito na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que pesquisa o trabalho da agência.


Em seu ano fiscal de 2024, que terminou em setembro, a agência disse que obteve ordens de US$ 8,2 bilhões em soluções financeiras, o maior valor de sua história. Mas mais da metade desse valor provavelmente nunca chegará a uma conta bancária do governo.


A SEC assumiu o crédito por um julgamento de US$ 4,4 bilhões contra a Terraform Labs, uma emissora de criptomoedas que não pagará nada ao governo, desde que devolva dinheiro suficiente aos investidores prejudicados por meio de seu processo de falência.


Incluindo o julgamento da Terraform, em 2024 a SEC arrecadou apenas 23% das sanções pelas quais assumiu o crédito, de acordo com dados fornecidos ao Journal. Excluindo o caso da Terraform, arrecadou 51%.


A SEC anula multas e outros valores devidos à agência que não foram pagos por dois anos. Em alguns casos, ela continua tentando cobrar o dinheiro, geralmente por meio dos tribunais, de acordo com registros legais e advogados envolvidos nos casos. A agência não divulga sua taxa de sucesso em perseguir essa dívida anulada.


A comissão tem um pequeno escritório de cobranças que usa táticas como penhorar os salários dos réus e impor gravames em propriedades para cobrar multas - com sucesso misto. Os reguladores ocasionalmente colocam réus que professam incapacidade de pagar em planos de pagamento.


O ex-corretor da bolsa Randall Letcavage, que deve cerca de US$ 10 milhões à SEC, deve pagar à agência US$ 5.000 por mês. Em maio de 2022, ele havia pago apenas cerca de

US$ 12.470 do que deve, escreveram os advogados da SEC em um processo judicial naquele mês.


Um juiz impôs a penalidade em 2021 após descobrir que Letcavage e a empresa que ele dirigia, a Premier Holding Corp., enganaram os acionistas sobre o valor de seus ativos, incluindo seu maior investimento em uma startup cujos livros eram uma bagunça que a empresa não podia ser avaliada de forma confiável, de acordo com os autos do tribunal.


Phillip Trad, advogado da Letcavage, disse que seu cliente não tem mais dinheiro para pagar a SEC e que a agência estava atrasada para ir atrás de US$ 600.000 que a Letcavage usou para despesas de subsistência. "A SEC não fez nada", disse ele.


No mesmo ano em que Letcavage foi condenado a pagar quase US$ 10 milhões, a SEC assumiu o crédito por US$ 3,8 bilhões em sanções financeiras. Ela arrecadou US$ 2,4 bilhões, ou 62% desse valor, de acordo com números que a agência forneceu ao Journal.


Grandes bancos e outras empresas de Wall Street que têm que lidar com a SEC pagam regularmente suas penalidades em dia, de acordo com advogados de defesa e outras pessoas familiarizadas com o processo.


Os infratores tendem a ser pessoas que executaram esquemas Ponzi ou outros golpes que roubam dinheiro de investidores individuais, disse Jan Folena, um ex-litigante da SEC. "Esta é a fraude ruim", disse Folena. "Esses são normalmente os casos em que eles não podem cobrar."


A SEC ainda está tentando cobrar de Bilzerian. Depois que Bilzerian não conseguiu liquidar sua dívida com um pedido de falência, um administrador nomeado pelo tribunal gastou milhões de dólares tentando encontrar seus ativos dentro de uma rede complexa de fundos offshore e empresas familiares.


As novas acusações criminais contra ele alegam que Bilzerian usou sua riqueza oculta para secretamente controlar e financiar a Ignite International, uma empresa canadense de vaping afiliada a seu filho, a celebridade da mídia social Dan Bilzerian.


Os promotores dizem que o envolvimento de Paul Bilzerian com a empresa e sua alegação de que ele não tinha condições de pagar a SEC constituíram uma conspiração para evitar pagar a agência "por meios enganosos e desonestos". A SEC também entrou com um novo processo contra ele.


Ele ainda pagou apenas cerca de US$ 547.000 do julgamento original de 1993, de acordo com os promotores que abriram o novo processo criminal contra ele.


Broadcast+

Call Matinal ConfianceTec 0301

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

03/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (02/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na quinta-feira (02), fechou em suave queda,  -0,13%, a 120.125 pontos.


Já o dólar à vista acomodou, em queda de 0,28%, a R$ 6,16.


PRINCIPAIS MERCADOS, 07h00


Dia de recuperação das bolsas de NY, o mesmo na Ásia. Europa opera em queda. 


EUA🇺🇸:

Dow Jones Futuro, +0,20%

S&P 500 Futuro, +0,27%

Nasdaq Futuro, +0,41%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇹🇷), -1,57%

Nikkei (Japão🇯🇵), fechado 

Hang Seng Index (Hong Kong), +0,70%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), +1,79%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,16%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,28%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,79%

STOXX 600🇪🇺, -0,29%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,46%, a US$ 72,79 o barril

Petróleo Brent, -0,46%, a US$ 75,58 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -2,18%, a US$ 104,41.


NO DIA, 03/01/2025


Em dia de PMIs e auxílio-desemprego nos EUA, as bolsas de NY se recuperam e operam em ata. Por aqui, em agenda vazia, dia de fluxo cambial. 


Retornando aos EUA, temos um ano que terá como foco a disposição de Donald Trump de cumprir as ameaças protecionistas.


Riscos maiores acontecem no front inflacionário, observadas de perto pela China, e o Brasil, já com o futuros de dólar e juros bem estressados.


Por aqui, ainda temos o impasse em torno das emendas no Congresso o que ameaça o governo Lula neste ano.


AGENDA, 03/01


Indicadores:

05h55. Alemanha🇩🇪/S&P Global. PMI industrial dezembro

06h00. Zona do euro🇪🇺/S&P Global: PMI industrial dezembro

08h30. Reino Unido🇬🇧/S&P Global: PMI industrial dezembro

08h00. Brasil🇧🇷/FGV: IPC-S da 4ª quadrissemana de dezembro

08h00. Brasil🇧🇷/FGV: Índice de Confiança Empresarial – dezembro

10h30. EUA🇺🇸. Pedidos de auxílio-desemprego

11h45. EUA🇺🇸/S&P Global: PMI industrial dezembro

12h00. EUA🇺🇸/Gastos com construção em novembro

13h00 – EUA🇺🇸/DoE. Estoques de petróleo

14h30. Brasil🇧🇷/BCB. Fluxo cambial semanal

                                        

Julio Hegedus Netto, economistah da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira, bons negócios e feliz 2025!🥳👏🎄

Resumo 0301

 📲 As notícias do Resumo

** Saída de dólares do país em 2024 foi a terceira maior da série histórica.

** EUA devolvem esmeralda de R$ 6 bilhões ao Brasil.

** Eneva cai -9,31% no dia após ser excluída de novo leilão de térmicas.

** Putin transfere controle de joint venture da Ab Inbev na Rússia para grupo local.

** Gestora de fundo único decide lançar um segundo 30 anos depois.

** Elon Musk muda o próprio nome no X e impulsiona ‘memecoin’ desconhecida

News 2 0301

 NEWS - 03.01 / 2


Inflação, juros e crise fiscal colocam em alerta setores de consumo e de serviços / Rápida deterioração do cenário econômico, nas últimas semanas, acendeu preocupação- Valor 3/1


Adriana Mattos / Beth Koike


O risco de que o cenário de forte instabilidade visto nas últimas semanas - com juros e inflação voltando a subir, e dólar na casa dos R$ 6 - afete o bolso e a confiança da população colocou em “banho-maria” as expectativas de avanço mais forte do consumo de produtos e serviços nos próximos meses.


Sustentados pelo ganho de renda e emprego, empresas e consultores de varejo, educação e saúde até continuam a sinalizar um otimismo moderado para o início de 2025. Mas fazem ressalvas por conta da deterioração recente do ambiente econômico.


Além de projetar alta contínua na taxa Selic - já se estima juros de 15% ao ano em meados de 2025 -, os orçamentos das companhias consideram uma perda de vigor do PIB (Produto Interno Bruto) e no ritmo de geração de empregos.


Não há também um novo “gatilho” de renda à vista que possa ser um fato gerador de novas expectativas, a ponto de transformar a atual dinâmica desses mercados. Em 2024, o governo chegou a antecipar a liberação de bilhões em precatórios e do abono do INSS para dar um novo fôlego ao mercado local. Só que, para 2025, pelo risco sobre as contas públicas, a antecipação não foi confirmada ainda.


“Para muitos negócios, vai pesar o fato de termos muitas variáveis negativas no começo de 2025, se movendo na mesma hora, o que torna difícil alguma estabilidade maior no mercado. E isso não ajuda o consumo em geral”, disse João Soares, analista do Citi, ao se referir à incerteza causada pelos ruídos no cenário fiscal, inflação e juros.


A deterioração do ambiente após novembro, e de maneira muito rápida, vem moldando o atual cenário.


No varejo, por exemplo, as vendas da Black Friday superaram as expectativas, com alta entre 8% e 19%, a depender do levantamento, e chegaram a reforçar a percepção de uma nova onda de aceleração na demanda. Porém, três semanas após a data, com a crise fiscal dando o tom de fim de ano, voltou o discurso de prudência para o primeiro semestre de 2025.


O economista da Confederação Nacional do Comércio, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, projeta uma alta superior a 4% no faturamento do comércio em 2024. Em 12 meses até outubro, avança 4,8% e, para 2025, a estimativa é de crescimento de até 2%.


Na visão de Bentes, o país conseguiu “quebrar”, em 2024, o círculo anterior de alta nas vendas pouco superior ao crescimento vegetativo do país - o ano deve ser o melhor em taxa de expansão do comércio em 11 anos. Só que a desaceleração de 2025 não se dará apenas por uma questão de base mais forte de comparação. “É fato que, no primeiro semestre de 2025, vamos ter que levar em conta que a comparação se dará sobre uma alta de 5,2% nas vendas [de janeiro a junho de 2024], que é um número muito bom. Mas ainda temos que adicionar o efeito da concorrência das ‘bets’, que tiram renda do consumo, e do avanço dos ‘crossborders’ [as plataformas de compras estrangeiras]”, disse o economista.


Em novembro, o Valor antecipou a existência de um movimento de negociação de reajuste de preços em alimentos, bebidas, itens de higiene, beleza, limpeza, e em eletrônicos e eletrodomésticos, na faixa de 5% a 10%, para repasses neste mês de janeiro. É algo em andamento, e contaminado pela escalada da moeda americana, por conta da crise de credibilidade enfrentada pelo atual governo.


Segundo João Soares, do Citi, nesse ambiente, se consolidam mais as preferências de investidores por determinadas empresas e negócios. “Vemos, de novo, um cenário melhor para consumo de luxo, com o dólar a R$ 6, pois aumenta a demanda local por produtos, já que viagens e compras no exterior são afetadas”, afirmou ele.


Quem também se beneficia são empresas que estão em momento diferente nos seus setores, com visões positivas que foram se consolidando entre os investidores, como Mercado Livre, Vivara e C&A, por exemplo.


Bentes, da CNC, lembra que há fatores positivos que podem, eventualmente, equilibrar, um cenário mais difícil nos primeiros meses de 2025. Isso inclui uma retomada na aceleração do emprego, e os sinais de uma boa safra de alimentos, com uma oferta no mercado que pode barrar mais pressões em preços.


Uma eventual acomodação da atual crise de credibilidade e confiança do mercado, relativa à situação fiscal do país, também pode ajudar a mudar esse ambiente no começo de 2025, de acordo com ele.


No setor de ensino superior, o sentimento é de prudência nesse primeiro semestre, momento mais importante para as faculdades por conta do período de matrículas, diante de um ambiente de pressão da inflação e juros elevados que podem comprometer a renda do estudante com pagamento de dívida. Já no segundo semestre de 2024, o setor patinou. Mesmo com o aumento de renda e do emprego, não houve crescimento relevante no número de matrículas, inclusive em cursos de ensino a distância, cuja mensalidade média é de R$ 250.


“Não há nada transformacional para mudar o setor no curto prazo. Ao contrário, tem a regulação do ensino a distância, que pode elevar o valor da mensalidade desse curso que atende à baixa renda, e é muito suscetível a preço”, disse Vinicius Figueiredo, analista do Itaú BBA. “Quando a renda aumenta, o ensino superior não é a primeira opção de consumo do aluno. Ele tem que estar estabilizado no emprego para tomar a decisão de se matricular”, afirmou Leandro Tavares, do Citi.


Já no setor de saúde, há uma expectativa um pouco mais otimista para 2025, principalmente na comparação com os últimos três anos, quando as operadoras de convênio médico acumularam prejuízos de R$ 15 bilhões. Porém, não é todo o setor de saúde que respira aliviado. Para a Anahp, associação que reúne os maiores hospitais do país, o ano ainda vai ser de dificuldades, apesar de as operadoras de planos terem registrado lucro operacional de R$ 3 bilhões nos nove primeiros meses. “As operadoras melhoraram, mas isso ainda não se reflete para os hospitais, elas ainda nos pressionam”, disse Antonio Brito, diretor superintendente da Anahp.


Para José Marcelo, presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o setor hospitalar terá um próximo ano parecido com 2024. “Hoje, não dá para arriscar em grandes projetos de longo prazo com esse patamar de juros, e também não temos muita visibilidade de um crescimento disruptivo em 2025”, disse.


Outro ponto que chama atenção no setor de saúde é que, mesmo com o aumento de empregos com carteira registrada, o que acaba impactando o volume de pessoas com planos de saúde, o que sustentou o crescimento do mercado de convênios médicos foram as MEIs (microempreendedores individuais).


No ano passado, havia 5,3 milhões de usuários em planos de saúde PME com até cinco integrantes, o que representa cerca de 10% do total do setor. Nos oito primeiros meses do ano, 548 mil pessoas contrataram o convênio médico por meio de suas MEIs.


“Temos crescimento de emprego em ritmo menor, a abertura de MEIs também cresce, mas vem perdendo fôlego. Então, o desempenho do setor de planos de saúde deve ficar meio parecido com o que foi 2024”, disse Luiz Feitoza, sócio da consultoria Arquitetos da Saúde.


Em outubro, havia no país 47 milhões de empregos formais, o que representa um incremento líquido (já subtraindo as demissões) de 132,7 mil de pessoas com carteira assinada. Neste mesmo período, havia 16,2 milhões de MEIs, um acréscimo de 535 mil CNPJs (Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica) de micro empresários individuais, segundo dados do Caged e da Receita Federal, respectivamente.


Os professores Walter Cintra, da FGV, e Rudi Rocha, da FGV e do IEPS, ressaltam que a melhora nos indicadores financeiros das operadoras vem acompanhada de piora nas condições dos planos de saúde, com cobertura de atendimento menor e custo elevado para a população.


Enquanto professores e economistas adotam postura mais cética, há companhias e entidades de varejo e serviços que veem sinais de uma retomada em curso.


Em comum, há um entendimento entre lojas e indústrias de consumo de que já houve uma “virada de página” e de que o pior já passou, assim como entendem que as empresas estão bem melhor estruturadas para suportar uma alta na taxa Selic do que em 2021, quando a escalada foi muito rápida e pegou muitos negócios desprevenidos.


Para o IDV, maior entidade empresarial do varejo, apesar de uma inflação com projeções maiores, ela segue controlada e com sinais claros do BC (Banco Central) atuando com foco na meta anual traçada. E o uso dos juros para reduzi-la, apesar de seu efeito na venda a prazo, pode ser administrável com o aumento do número de parcelas a prazo em datas comemorativas.


Na Black Friday, o prazo chegou a 30 vezes, o que ajuda a compra a caber no bolso. No Natal, os parcelamentos atingiram 21 vezes, sem juros, nos cartões de varejistas, como Magazine Luiza. Em dezembro, a Casas Bahia ofereceu parcelamento no carnê em 24 vezes, com juros.


Jorge Gonçalves Filho, do IDV, ainda cita alta da massa salarial de 7% no ano, descontada a inflação, e seu efeito ao longo do tempo. “Acreditamos que o ambiente positivo de novembro se estende no Natal e começo do ano, mesmo com Selic maior.”


Gonçalves lembra que, após agosto, a definição de imposto para compras de itens estrangeiros acima de US$ 50 - a chamada “taxação das blusinhas” - também pode favorecer a venda do mercado local, como já ocorreu no segundo semestre.


“As pessoas têm de entender que o varejo hoje já é outro, que o chip já virou. Temos que parar de ver o varejo como vítima”, disse Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, associada ao IDV. Segundo ele, ao se olhar o resultado do segundo e terceiro trimestres, os indicadores mostram a melhoria de indicadores. E a precificação dos ativos financeiros das empresas, como dívida e ações, não está mais compatível com os resultados positivos que as empresas vêm apresentando.


“Não vejo nenhuma questão de confiança, nem de endividamento”, afirmou. Trajano cita os dados do BC, que mostram estabilidade na inadimplência no acumulado do ano, e afirma que a venda do setor subiu em 2024, e não está ancorada em crédito, “o que é bom porque isso significa que elas [vendas] não estão anabolizadas”, disse ele.


No setor de educação, o diretor do Semesp, entidade do setor, Rodrigo Capelato, afirma que a maior procura dos jovens por cursos de ensino presencial - cuja demanda dos calouros cresceu em 2024, após nove anos de queda - vai se manter em 2025.


“É um movimento que vem crescendo aos poucos desde 2022. Mas, vale ponderar que essa demanda é para determinados cursos como saúde, medicina, direito e tecnologia”, disse Capelato. “Nas rodagens que fazemos, percebemos os alunos otimistas para fazer matrícula em 2025”, complementou.


O presidente da Yduqs, dona da Estácio, Eduardo Parente, diz que o quatro trimestre está melhor do que o terceiro trimestre, o que é um indicador a se considerar para o início de 2025, quando ocorre o principal período de matrículas no setor.


Há um consenso de que as empresas de saúde - que fizeram dezenas de aquisições entre 2021 e 2022, com Selic abaixo de 5% - deverão adotar uma estratégia mais conservadora no atual cenário de juros com viés de alta.


Em educação, as aquisições ocorrem praticamente no segmento de cursos de medicina, cujos “valuations” despencaram pela metade com a onda de judicialização que está colocando centenas de cursos no mercado.


No setor de consumo, as operações de fusões e aquisições perderam fôlego após 2022, quando o custo do capital disparou, pela necessidade de as empresas tocarem uma agenda de corte de despesas e renegociação de dívidas. E aquelas operações que ocorreram, foram em segmentos muito resilientes, como em moda premium (Arezzo e Soma) e “pets” (Cobasi e Petz).


Governo planeja crédito a pequenas empresas com garantia do Pix – Valor 3/1


O governo prepara uma espécie de “crédito consignado” para micro e pequenos empresários, com base no faturamento deles com o Pix. O projeto é elaborado numa parceria do Ministério da Fazenda com o Banco Central (BC) e faz parte da linha de trabalho que busca reduzir o custo do crédito no Brasil.


A ideia é que os empresários possam oferecer o fluxo de recebimentos em Pix como garantia para tomar empréstimos bancários. “Em uma parte ele vai receber o Pix, e outra parte vai ser direcionada para pagar o financiamento que ele tem com o banco”, disse ao Valor o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto. “É como se fosse um consignado do lojista.”


Uma medida de segurança, explicou, é limitar o número de chaves Pix que podem ser criadas pelo empresário.


Economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni aponta que se espera em 2025 um ambiente mais difícil para o pequeno empresário, com juros mais altos e consequente aumento do custo de crédito. A Selic está atualmente em 12,25% ao ano, e o Banco Central sinalizou que pode fazer mais duas elevações e levar a taxa para 14,25% ao ano em março.


Para Beni, criar essa alternativa de crédito para o pequeno empresário pode ser interessante, mas ainda é necessário saber se haverá uma efetiva redução de custos. “O empresário está com a faca da taxa Selic de um lado e a faca do spread bancário do outro. Resta saber se ele conseguirá algum tipo de redução séria no custo de operação se der seu fluxo futuro”, disse.


Para esse novo produto ser oferecido, ainda falta desenvolver uma tecnologia própria, explicou Pinto. É algo que será feito ao longo de 2025.


Será necessário agregar em uma base de dados as informações de fluxo de recebimentos do lojista via Pix. Os bancos teriam acesso a essas informações, e com base nelas poderiam oferecer os empréstimos.


Leandro Vilain, sócio da Oliver Wyman na área de prática de serviços financeiros, avaliou que a ideia é positiva e “bem-vinda”, mas apontou que há algumas questões operacionais que precisam ser superadas. Uma delas é justamente o compartilhamento de informações.


Vilain disse que, caso o Pix Agendado (quando o pagador programa a transferência para uma data futura) seja utilizado para possibilitar esse crédito, será necessário realizar algumas mudanças. Isso porque, atualmente, o banco do lojista não tem a informação de que há um pagamento a ser recebido com o Pix Agendado. “O banco com o qual esse lojista tem relacionamento precisa saber que o lojista tem um fluxo de recebíveis de Pix para ser recebido daqui pra frente”, disse.


Além disso, Vilain pontua que, se o projeto utilizar o fluxo de recebimentos do Pix Agendado, será necessário ter garantia de não cancelamento do pagamento, por exemplo. O especialista destacou também que o Pix Agendado ainda não é muito popular e, se esse for o caso, as inovações necessárias não seriam de curto prazo. “A medida é bem positiva, principalmente para o pequeno lojista, mas é de efeito mais limitado, pelo menos no curto prazo”.


O Pix como garantia é sequência de outras inovações que ajudaram a reduzir o custo dos financiamentos para os lojistas, disse o secretário. Já houve uma queda depois que começaram a funcionar os novos mecanismos de descontos de duplicadas e o de recebíveis de cartão de crédito. “A gente acertou”, comentou o secretário. “O custo de capital para os lojistas caiu muito.”


Os financiamentos ficaram menos caros porque esses mecanismos atacam um problema de boa parte dos empresários brasileiros, que é a falta de garantias para oferecer aos bancos na tomada de crédito.


O Pix como garantia é mais uma alternativa e será diferente do Pix Garantido, que é uma forma de os consumidores fazerem compras parceladas por esse meio de pagamento. Também é diferente do Pix Crédito, que permite às pessoas fazerem transferências usando o limite do cartão.


O governo também pretende “turbinar” o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. Para isso, é necessário aprovar uma lei no Congresso Nacional. As regras, porém, ainda estão em discussão dentro do governo e deverão ser apresentadas ao longo de 2025.


Pelo que se sabe das discussões internas do governo, a principal diferença do novo consignado em relação ao atual é que as operações serão feitas diretamente entre o trabalhador e a instituição financeira, e não mais por meio das empresas. Com essa mudança, empregados domésticos com carteira assinada poderão ter acesso a esse crédito.


Os bancos deverão informar aos trabalhadores, por meio da carteira de trabalho digital, sobre a existência de empréstimo disponível e a taxa de juros a ser cobrada. Várias ofertas da modalidade poderão ser apresentadas, como se fosse um leilão.


Há, porém, uma questão política a ser resolvida antes de o projeto ser apresentado ao Congresso Nacional. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, quer acabar com o saque-aniversário Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e com os empréstimos feitos com base nele. Quer substituí-los pelo novo consignado. O Ministério da Fazenda e os bancos são contra, pois o crédito com base no saque-aniversário é a modalidade mais barata disponível hoje aos trabalhadores privados.


Além disso, há discussões pendentes quanto ao funcionamento dessa plataforma de crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A tecnologia, porém, já está desenvolvida.


Governo vai recorrer ao STJ para permitir empréstimo consignado imediato a novos aposentados- Valor 2/1


Jéssica Sant'Ana


O governo vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF-1) que suspendeu uma instrução normativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que permitia, a partir deste ano, que aposentados e pensionistas pudessem tomar empréstimo consignado sem respeitar o prazo de 90 dias da concessão do benefício.


A informação foi antecipada pelo jornal "O Globo". Segundo apurou o Valor, o recurso é preparado pela Procuradoria Federal Especializada do INSS.


Até o ano passado, havia uma regra que proibia que os novos aposentados e pensionistas pegassem empréstimo consignado – que tem desconto em folha – por 90 dias após a concessão do benefício. O objetivo era oferecer um prazo para reflexão sobre a necessidade da contratação do empréstimo.


Em agosto do ano passado, o INSS publicou uma Instrução Normativa (IN) permitindo que, a partir de 2025, os novos segurados pudessem pegar empréstimo imediatamente após o benefício ser concedido, desde que com o banco que venceu a licitação da folha. Foi uma forma de tornar o leilão, realizado em outubro do ano passado, mais atrativo.


A Crefisa venceu 25 dos 26 lotes oferecidos, só perdendo os benefícios concedidos em cidades do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que ficarão com o banco Mercantil.


A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa instituições financeiras de médio porte, entrou na Justiça pedindo a suspensão da nova regra do INSS. A associação afirmou que a medida “claramente resulta em um desequilíbrio concorrencial em relação às demais instituições financeiras autorizadas a oferecer a modalidade”.


Para a ABBC, a mudança na regra do consignado cria uma reserva de mercado para os bancos pagadores da folha do INSS, prejudicando a livre concorrência.


Pela IN publicada pelo INSS, o banco vencedor do leilão, além de ficar com a folha de pagamento dos benefícios concedidos entre 2025 e 2029, poderia oferecer empréstimo consignado durante os 90 primeiros dias de concessão. Os demais teriam que esperar esse prazo.


Ainda em outubro, o Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF-1) acatou o pedido da ABBC e suspendeu a nova regra, fazendo valer a regra de 90 dias para todos os bancos. O governo vai agora recorrer ao STJ.


MEC libera R$ 774 milhões e 112 mil novas vagas para o Fies neste ano / De acordo com a pasta, esse volume de vagas também será disponibilizado em 2026 e 2027- Valor 2/1


Beth Koike


O Ministério da Educação (MEC) vai liberar, neste ano, R$ 774 milhões para a criação de 112 mil novas vagas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).


Do total de vagas, 67.301 serão ofertadas nos seis primeiros meses do ano e 44.867, no segundo semestre. De acordo com o MEC, esse volume também será disponibilizado em 2026 e 2027.


Desde o ano passado, o Fies opera com novas regras. Das vagas totais, 50% são destinadas a candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e com renda familiar per capita de até meio salário mínimo. Além disso, há cotas para pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.


A nova modalidade do programa, batizado de Fies Social, permite financiamento de até 100%. No primeiro semestre de 2024, 39.419 estudantes migraram do Fies para o Fies Social.


Das 112,1 mil vagas de Fies abertas no ano passado, apenas 19,15% foram preenchidas, entre janeiro e novembro de 2024. Nesse período, foram fechados 21,8 mil contratos de financiamento estudantil contra 48 mil no ano de 2023.


‘O juro alto também embute risco mais alto’, diz economista sobre saída forte de dólares do país em dezembro / Para Alex Agostini, da Austin Rating, incerteza fiscal por aqui também explica a fuga dos investidores- O Globo 3/1


João Sorima Neto


Para o economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, a saída forte de dólares do país em dezembro tem explicações diversas. Entre elas, os juros nos Estados Unidos, que caíram menos do que se esperava, e, claro, o risco fiscal do Brasil. Ele alerta ainda que, a Selic mais elevada no Brasil embute um risco maior.


Por que dezembro bateu recorde de saída de dólares do Brasil, mais até do que durante a crise de 2008?


Há várias explicações, e a taxa de juros nos Estados Unidos é uma delas. Havia expectativa de que ela caísse um pouco mais forte, mas, com a resiliência da atividade econômica e também do mercado de trabalho e da inflação, o juro está caindo em um ritmo mais moderado.


Com a chegada de Donald Trump a expectativa é de mais inflação e, portanto, de juro mais alto?


A expectativa é de mais inflação com Trump na presidência, o que exigirá do Federal Reserve (o Fed, banco central americano) uma postura mais austera em relação à taxa. Com juro mais alto nos EUA, os investidores neste momento de dúvida acabam indo para os Treasuries (títulos do Tesouro) americanos para proteger seu capital.


O que mais explica a fuga de investidores do Brasil?


A incerteza fiscal por aqui. Isso preocupa porque já temos um descontrole inflacionário, com o IPCA fechando em quase 4,9% este ano. Outro fator é o mercado doméstico aquecido, com crescimento de vendas, o que acabou elevando o envio de remessas de lucros e dividendos mais expressivos de companhias multinacionais.


Mas por que essa saída de dólares acabou sendo maior do que a da crise de 2008?


Nesses momentos de incerteza global, com riscos geopolíticos (Oriente Médio, Rússia e Ucrânia), os investidores tiram os recursos de países emergentes e levam para economias mais seguras. Esse cenário teve mais potencial para levar o investidor a tirar dólares daqui do que na crise de 2008.


Normalmente, quando o Brasil tem juro mais alto, atrai mais recursos de investidores. O que mudou?


Sim, quando o Brasil tem juro alto, o país recebe mais capital para aproveitar essa taxa. O problema é que agora o juro alto também embute risco mais alto, com uma dívida bruta em relação ao PIB crescente. Por isso o investidor saiu.


A possibilidade de taxação da alta renda também poderia ter levado à saída de dólares?


Não acredito. Na verdade é uma taxação de quem ganha R$ 50 mil ao mês. Alta renda a gente sabe que é muito mais que esse valor. Claro que quando a gente compara com a renda medina ado país, que é de R$ 3 mil, os R$ 50 mil são alta renda. Mas, para estímulo de investimento ou saída de capital, R$ 50 mil não é considerado alta renda.


Essa saída recorde se configura como uma fuga de dólares, uma crise?


Não, não é uma crise, que estimule uma fuga de capitais. É um “voo para qualidade”, o chamado fly to quality. Um momento mais para o país colocar as barbas de molho em termos domésticos e globais do que uma preocupação como na crise de 1997, no Sudeste asiático.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...