sábado, 7 de dezembro de 2024

Caso Itaú 3

 Itaú vê indícios de crimes em conduta de ex-CFO


Giuliana Napolitano7 de dezembro de 2024


O Itaú Unibanco está contratando um escritório de advocacia para entrar com uma ação civil de reparação de danos contra seu ex-CFO, Alexsandro Broedel Lopes, e um sócio dele, Eliseu Martins.


O Itaú disse que uma investigação interna do banco – iniciada em 13 de agosto e encerrada no fim de novembro – mostrou irregularidades na conduta do executivo que violam o código de ética da instituição.


Segundo um executivo que acompanha as investigações dentro do Itaú, há “indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e associação criminosa.”


As informações reunidas pelo Itaú foram repassadas ao Coaf, ao Banco Central e à CVM, que podem decidir investigar o caso.


Na noite de ontem, o Itaú protocolou um protesto interruptivo de prescrição, uma medida judicial que determina que irregularidades praticadas num período anterior a três anos não prescrevam.


Também realizou uma AGE, no último dia 5, em que pede a anulação da aprovação das contas de Broedel de 2021 a 2023. A medida é necessária para que o banco possa recuperar valores que, segundo a instituição, foram pagos de maneira indevida.


O próximo passo é entrar com uma ação civil em janeiro, após o recesso do Judiciário. “Será uma ação longa, que vai precisar de perícia, e na qual pediremos indenização,” disse essa pessoa que acompanha as investigações.


Broedel reagiu ainda na madrugada de hoje, depois que o Itaú publicou ata em jornal com a acusação. O ex-CFO disse que as acusações são “infundadas e sem sentido,” e que tomará as “medidas judiciais cabíveis”.


Broedel ingressou no banco em 2012 e pediu demissão em julho. Estava em quarentena até janeiro, quando assumiria um cargo executivo no Santander em Madri. O nome de Broedel ainda precisa ser aprovado pelo BC espanhol. O Santander ainda não se manifestou.


Segundo o Itaú, de junho de 2019 a junho de 2024, Broedel contratou 40 pareceres da empresa Care, cujos sócios são Eliseu Martins e seu filho Eric Martins. O valor total foi de R$ 13,26 milhões.


Martins e Broedel são sócios desde 1998 em outra empresa, a Broedel Consultores. Mas o ex-CFO não havia informado ao Itaú este fato, nem seu relacionamento com Martins, como determinam os controles do banco para que sejam cumpridas exigências regulatórias.


“Dada a gravidade dos fatos, o aprofundamento das apurações envolveu também a revisão das movimentações financeiras em conta-corrente, para fins de verificação de indícios dos crimes previstos na Lei nº 9.613/98”, diz a medida judicial de ontem.


Essa análise identificou que Broedel e a Broedel Consultores receberam 56 transferências da Care e de outra empresa de Eliseu Martins, a Evam, que ele mantém em sociedade com os filhos Eric e Vinícius Martins.


Segundo o Itaú, 23 transferências – somando R$ 4,86 milhões – foram feitas em datas próximas às dos pagamentos do banco à Care.


O Itaú concluiu que o executivo recebia um rebate de cerca de 40% ao contratar os pareceres da Care.


O banco também diz não ter “localizado” 20 dos 40 pareceres, e que quatro deles foram pagos antecipadamente.


Por isso, no protesto protocolado ontem, pede uma indenização de R$ 6,6 milhões, um valor referente aos pareceres não encontrados e não entregues. Pede ainda uma indenização de R$ 4,86 milhões, valor que teria sido transferido pela Care e pela Evam a Broedel.


Como o protesto não é uma ação judicial, trata-se de uma espécie de notificação. Na ação civil, o banco pedirá a mesma indenização, e a decisão caberá ao Judiciário.


Como as irregularidades praticadas antes do período de três anos já prescreveram, ao mover o processo na Justiça o banco vai se concentrar no que foi identificado entre 2022 e 2024.


Em sua nota à imprensa, Broedel disse que “os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco.”


Diz ainda que Martins era fornecedor do Itaú há décadas – uma informação confirmada pelo banco. “Não vimos nenhuma irregularidade nesse fornecedor antes de 2019,” diz a pessoa que acompanha as investigações.


A investigação interna do Itaú começou por acaso. Em julho, um diretor do banco soube, de maneira informal, que Broedel fazia pareceres contábeis para outras empresas enquanto era executivo da instituição.


Este diretor informou o fato à área de riscos do Itaú, que iniciou uma investigação para apurar possíveis conflitos de interesses. No processo, descobriu que Broedel era sócio de uma empresa que continuava ativa (a Broedel Consultores) e que seu sócio atuava em outra empresa que prestava serviços para o banco (a Care).


Segundo o banco, um CFO tem alçada para contratar alguns serviços sem passar pela área de compras – pela natureza do serviço e pelo valor envolvido.


Durante a investigação, Broedel informou ao banco, de acordo com a medida judicial de ontem, que os valores transferidos pela Care e pela Evam para ele e para sua empresa eram “transferências entre sócios,” mas não apresentou documentos que comprovassem isso.


“Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes,” conclui a nota do executivo.


https://braziljournal.com/itau-ve-indicios-de-crimes-em-conduta-de-ex-cfo/?utm_campaign=linkinbio&utm_medium=referral&utm_source=later-linkinbio

Caso Itaú 2

 Broedel refuta acusação do Itaú, estranha o timing e diz que também vai à Justiça


Para executivo, suspeitas acontecem somente quando assumiu cargo global em concorrente


Ex-diretor financeiro do Itaú e contratado como chefe de contabilidade global do Santander, Alexsandro Broedel definiu como “infundadas e sem sentido” as acusações do banco em que trabalhou por 12 anos, a respeito de um suposto esquema de ganhos com pareceres.


Em nota por meio de sua assessoria de imprensa, o executivo afirma que “sempre se conduziu de forma ética e transparente em todas as atividades ao longo dos seus 12 anos no banco – algo nunca contestado pelo Itaú, que tem uma rigorosa e abrangente estrutura de controle e compliance, própria de um grupo financeiro com seu porte e importância na economia brasileira.”


Diz ainda que o parecerista mencionado pelo Itaú - o professor Eliseu Martins - já prestava serviços ao banco “há décadas, muito antes de Broedel ser convidado para a diretoria da instituição. Os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco”, afirma.


Ele não comenta especificamente sobre as transferências financeiras que o Itaú definiu como rebates de contratos de serviço, que passavam pela empresa de Martins para a de seus filhos, para então chegar à conta de Broedel, segundo a acusação do Itaú (detalhes aqui, em reportagem do Valor).


Mas o executivo ressalta ainda, em sua nota, o timing das suspeitas e sua mudança na carreira. “Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes, cumprindo o período de quarentena definido pelo banco”, escreve. “Alexsandro Broedel tomará as medidas judiciais cabíveis neste caso.”


https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/broedel-refuta-acusacao-do-itau-estranha-o-timing-e-diz-que-tambem-vai-a-justica.ghtml

Caso Itaú

 Bastidores: analistas veem risco de imagem em caso entre Itaú e Broedel


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/12/2024 - O caso revelado pelas acusações feitas pelo Itaú Unibanco a seu ex-diretor financeiro, Alexsandro Broedel, pode gerar percepções de risco de imagem para o banco, avaliam reservadamente analistas de mercado. Embora os valores financeiros envolvidos no caso sejam baixos, o episódio causou comentários na Faria Lima neste sábado, especialmente por vir à tona poucos dias após o banco demitir o diretor de Marketing devido ao uso indevido do cartão de crédito corporativo.


"É mais o risco de imagem do que os valores, até porque é o ex-CFO e foram dois em uma semana", comentou um analista de banco de investimento. De acordo com ele, até agora, não há preocupações de clientes quanto ao balanço do banco, por exemplo.


O analista de outra casa afirmou que o assunto está rodando nas mesas de mercado, mas sem questionamentos de clientes até aqui. Um terceiro profissional disse que a despeito do valor envolvido ser baixo em comparação com o balanço do banco, a história parece "muito séria". "Mais do que o valor é a conduta em si", afirmou.


Alguns analistas consultados pela reportagem disseram ter procurado o banco para repercutir o assunto, mas que até agora, a área de relações com investidores do Itaú não se manifestou a respeito.


O Itaú entrou com processo na Justiça de São Paulo em que afirma que Broedel agiu em conflito de interesse ao autorizar a contratação e o pagamento de 40 pareceres contábeis confeccionados pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Martins.


De acordo com investigação interna, Broedel é sócio de Martins em uma empresa para a qual foram enviados valores correspondentes aos dos pagamentos feitos pelo banco a Martins sob a autorização do ex-diretor pelos serviços.


Broedel teria omitido do banco o fato de ter uma sociedade com Martins, como mostrou a reportagem. Fontes afirmam que a investigação mostrou que Broedel agiu utilizando atribuições do cargo, como a possibilidade de contratar diretamente pareceres contábeis de especialistas específicos, para contornar controles internos.


Em nota, o Itaú afirmou que os valores pagos indevidamente entre 2019 e 2024 somaram R$ 13,3 milhões, e que há indícios de que destes, Broedel teria recebido cerca R$ 4,9 milhões. Segundo o banco, o potencial prejuízo do caso está limitado a estes valores.


Neste sábado, Broedel disse via assessoria que as acusações do Itaú causam estranhamento por terem sido reveladas após ele deixar o conglomerado. Ele negou as acusações, e disse que tomará as medidas judiciais cabíveis. O executivo deixou o banco em julho deste ano rumo a um posto na diretoria do Grupo Santander, na Espanha, que assumirá após cumprir período de quarentena. Eliseu Martins não se manifestou até o fechamento desta nota.


O Itaú informou que após os resultados da investigação, comunicou as autoridades competentes, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O banco disse ainda que os balanços do período em que Broedel ocupou a diretoria financeira foram revisados por um comitê interno e por uma auditoria externa, e que foram revalidados.


Contato: matheus.piovesana@broadcast.com.br



Broadcast+

Caso ITAU: contra o CFO

 ELISEU MARTINS NEGA ACUSAÇÕES DO ITAÚ E DIZ QUE TODOS OS SERVIÇOS CONTRATADOS FORAM PRESTADOS


16:56 07/12/2024 


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/12/2024 - O professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Martins negou neste sábado as acusações do Itaú Unibanco de envolvimento dele em uma suposta atuação em conflito de interesse do ex-diretor financeiro do banco, Alexandro Broedel. De acordo com ele, os serviços pagos pelo banco foram efetivamente prestados e estão dentro da regularidade.Em nota, Martins afirmou que Broedel foi seu aluno na pós-graduação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), e que se tornou professor da instituição. “Sempre tivemos ligações acadêmicas e profissionais", disse ele. O Itaú afirma que Broedel e Martins são sócios em uma empresa que teria recebido repasses de recursos após o banco ter pago a outra empresa, de sociedade de Martins e de um de seus filhos, por pareceres contábeis. Estes pagamentos foram autorizados por Broedel quando ele era diretor financeiro do banco, e ele posteriormente teria recebido parte do dinheiro em contas pessoais, de acordo com a investigação interna.


Martins não comentou diretamente sobre o suposto conflito de interesse. "Sempre fizemos pareceres para terceiros, às vezes assinando em conjunto e às vezes com ele sempre ajudando tecnicamente, como com outros colegas, com o faturamento por uma única empresa", disse ele. O professor afirma ainda que alguns pagamentos foram antecipados pelo Itaú, mas que ele declarou formalmente a necessidade de devolver os recursos dos quatro ainda não emitidos, porque não prestará mais serviços ao banco.

Entre 2019 e 2024, Broedel teria autorizado pagamentos por 40 pareceres de Martins. Destes, declarou ter recebido 36, mas o banco só encontrou arquivos referentes a 20 deles. Os demais teriam sido serviços de consultoria, de acordo com Broedel e Mar-tins. Os valores envolvidos são de R$ 13,3 milhões, sendo que Broedel teria recebido R$ 4,9 milhões deste total. “Os trabalhos prestados ao Itaú durante sua gestão foram de pareceres técnicos e consultoria", disse Martins. "Há vários materiais suporte das consultorias que foram feitos sem formalidade, algo de que me arrependo agora, dada a má-fé da interpretação dada pelo banco."

Martins afirmou que trabalha com seis outros colegas, e que eles só fornecem opiniões aos contratantes verbalmente ou por parecer. "Assim, há opiniões que não geram parecer e não aparecem em qualquer documento. Mas são serviços efetivamente presta-dos, como todos os que fiz ao Itaú." O professor da USP disse que leva sua vida profissional e acadêmica com conduta que pode ser verificada com "centenas ou mi-Ihares" de pessoas, e que muitas já lhe declararam apoio e se ofereceram para testemunhar a seu favor. Disse ainda que presta serviços ao Itaú há cinco décadas, passando por gerações de gestores do banco.


"Talvez influenciados pela perda de tão brilhante profissional, es-tão, no Banco, interpretando de forma totalmente incorreta o que de fato ocorreu. E, além de me envolverem para atingilo, cometem ainda o absurdo de envolver meus filhos, que nada têm a ver com os fatos que o Banco relata e mal interpreta", afirmou Martins. "Reafirmo, não entendo e não aceito o que o banco está fazendo: atingir meu nome e, de forma ignóbil, o da minha família."

Broedel também negou as acusações. Ele deixou o Itaú em julho, para assumir um cargo na direção do Grupo Santander, na Espanha.

Desempenho acadêmico

 Os resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciência (Timss, em inglês), divulgados nesta quarta-feira (4/12) pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), apontam que, no Brasil, 51% das crianças do 4º ano do ensino fundamental não dominam habilidades básicas de matemática, como fazer tabuada, interpretar gráficos simples ou somar e subtrair números de três algarismos (200 – 150 ou 300 + 120, por exemplo). Elas sequer alcançam o nível de conhecimento considerado “baixo”.


Na escala do Timss, a média do Brasil em matemática, entre os alunos de 9 anos, foi de 400 pontos, à frente apenas de três dos 64 países participantes: Marrocos, Kuwait e África do Sul. Em comparação ao resultado geral das demais nações nessa etapa (503 pontos), é como se estivéssemos três anos escolares atrás delas.


As provas são aplicadas a cada quatro anos, desde 1995 — mas esta é a primeira participação brasileira no exame.


O Timss também avaliou o conhecimento de alunos do 8º ano (idade média de 13 anos). A tendência é a mesma já revelada pelo Pisa, prova internacional que foca na faixa etária dos 15 anos: o Brasil está atrasadíssimo em relação ao que é esperado para o ensino fundamental II.


Conforme o estudo, mais de 60% dos jovens daqui não conseguiram chegar nem ao patamar considerado o mais baixo na escala geral. Isso significa que eles não sabem lidar com formas básicas (como círculo e quadrado) e suas representações visuais; não entendem relações lineares de proporção; não conseguem determinar o lado de um polígono; e não são capazes de interpretar informações em gráficos.


A média brasileira foi de 378 pontos, ficando à frente apenas do Marrocos. O Brasil foi ultrapassado por nações como Irã, Uzbequistão, Chile, Malásia, Arábia Saudita, África do Sul e Jordânia.


Entre os 5% de brasileiros com pior nota, o rendimento mais alto foi de 243 pontos. São casos em que os jovens basicamente não souberam responder a nada.


Via Luis André Wenc

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Tudo pode piorar...

 *🇧🇷 Medo de diluição do pacote fiscal blinda Brasil de clima positivo em NY após payroll*


Broadcast- Os dados divergentes trazidos pelo relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que reforçaram a aposta em um novo corte nos juros dos Estados Unidos neste mês, deram fôlego ao mercado de ações do país e quedas nas taxas dos Treasuries. 


Os dados americanos mostraram criação de emprego e aumento dos salários em novembro, mas também apontaram aumento da taxa de desemprego e uma parcela menor da população na força de trabalho


O efeito, porém, não se estendeu ao mercado brasileiro, onde o Ibovespa recuava e os juros futuros operavam em alta no final da manhã. A curva de DIs, inclusive, passava a precificar chance superior a 50% de alta de 1 ponto porcentual na Selic na semana que vem. 


. No Brasil, porém, o tema do mercado ainda é o andamento das medidas de ajuste fiscal no Congresso. Os deputados estão resistentes em validar as propostas do Executivo para cortar despesas, e os investidores temem risco de diluição do pacote. 


A desvalorização do petróleo e do minério de ferro agravava o clima negativo entre as ações, e no mercado de câmbio, assim como o receio fiscal, colaborava para o avanço do dólar ante o real. A moeda americana também se apoiava na possibilidade de uma política monetária mais rígida nos Estados Unidos em 2025 e em tensões geopolíticas.


 *Às 12h55* 


O *Ibovespa* caia 1,33%, aos 126.163,14 pontos. 


O *dólar* à vista subia 0,97%, a R$ 6,0671. 


*DI* para janeiro de 2027 operava a 14,67%, ante 14,435% no ajuste anterior*.

Cenario 1 Broadcast

 CENÁRIO-1: MEDO DE DILUIÇÃO DO PACOTE FISCAL BLINDA BRASIL DE CLIMA POSITIVO EM NY APÓS PAYROLL

Os dados divergentes trazidos pelo relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que reforçaram a aposta em um novo corte nos juros dos Estados Unidos neste mês, deram fôlego ao mercado de ações do país e diminuíram as taxas dos Treasuries. O efeito, porém, não se estendeu ao mercado brasileiro, onde o Ibovespa recuava e os juros futuros operavam em alta no final da manhã. A curva de DIs, inclusive, passava a precificar chance superior a 50% de alta de 1 ponto porcentual na Selic na semana que vem. Os dados americanos mostraram criação de emprego e aumento dos salários em novembro, mas também apontaram aumento da taxa de desemprego e uma parcela menor da população na força de trabalho. No Brasil, porém, o tema central do mercado ainda é o andamento das medidas de ajuste fiscal no Congresso. Os deputados estão resistentes em validar as propostas do Executivo para cortar despesas, e os investidores temem risco de diluição do pacote. A desvalorização do petróleo e do minério de ferro agravava o clima negativo entre as ações, e no mercado de câmbio, assim como o receio fiscal, colaborava para o avanço do dólar ante o real. A moeda americana também se apoiava na possibilidade de uma política monetária mais rígida nos Estados Unidos em 2025 e em tensões geopolíticas.

•MERCADOS INTERNACIONAIS

•JUROS

•BOLSA

•CÂMBIO


MERCADOS INTERNACIONAIS 

O payroll comprovou a resiliência da economia americana ao mostrar criação de empregos acima do esperado nos EUA em novembro. Analistas apontaram que o dado não interfere em um possível corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro, mas a dirigente Michelle Bowman alertou sobre riscos de relaxar a política monetária cedo demais. Assim, as bolsas de Nova York ganharam força, enquanto os juros dos Treasuries firmaram queda em toda a curva. O dólar também foi enfraquecido temporariamente ante rivais fortes, mas o ambiente geopolítico global ainda incerto parece manter a divisa americana em valorização modesta. Na Europa, a promessa de um novo primeiro-ministro na França parece aliviar o prêmio de risco sobre ativos locais, colocando em segundo plano dado pior que o esperado na Alemanha e impulsionando os mercados acionários. Entre commodities, entretanto, o petróleo caía quase 1%. O mercado acompanhava o anúncio do acordo UE-Mercosul, após mais de 20 anos de tratativas e pesar da resistência da França.


A economia dos EUA criou 227 mil empregos em novembro, acima da mediana de 200 mil prevista por 27 analistas consultados pelo Projeções Broadcast. Já a taxa de desemprego subiu a 4,2% no período, como esperado, enquanto o avanço salarial superou projeções ao avançar 0,37% na taxa mensal e 4,03% na anual. 


Além dos números de novembro, a criação de empregos em setembro e outubro também foi revisada para cima. Contudo, o Cibc avalia que, se somados, os números não apontam uma "tendência que mereça destaque", sinalizando apenas recuperação após os impactos dos furacões e de greves de trabalhadores. Para a Capital Economics, os resultados representam uma estabilização do mercado de trabalho dos EUA em níveis saudáveis, o que torna as leituras de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) e ao produtor (PPI, em inglês) da próxima semana decisivos para a possibilidade de o Fed cortar juros em dezembro. 


Conforme ferramenta de monitoramento do CME Group, a chance de o BC americano cortar juros em 25 pontos-base saltou a 91% após o payroll, mas parte desse avanço era devolvido neste início de tarde (87,1%). Redução de taxa também parece ser o consenso entre analistas, mas o economista sênior do Inter André Valério alerta que os dirigentes devem manter tom cauteloso no comunicado e abrir discussão sobre desaceleração no ritmo de relaxamento monetário no primeiro trimestre de 2025. Diretora do Fed, Michelle Bowman alertou nesta sexta-feira que uma redução excessiva dos juros pode reaquecer a economia e acelerar novamente a inflação no país.


Em Wall Street, as bolsas de Nova York abriram em alta, mas logo passaram a operar sem direção única. Às 12h35, o Dow Jones oscilava próximo à estabilidade (+0,07%). Já o S&P 500 (+0,34%) e o Nasdaq (+0,69%) sustentavam ganhos e renovaram recordes de máxima a 6.099,97 pontos e 19.863,14 pontos. 


Por outro lado, os juros dos Treasuries firmaram queda. O juro da T-note de 2 anos recuava a 4,091%, o da T-note de 10 anos cedia a 4,160% e o do T-bond de 30 anos caía a 4,339%.


O dólar também devolveu ganhos temporariamente, contudo, retomou força diante de tensões geopolíticas globais e depois de pesquisa da Universidade de Michigan mostrar avanço maior que o esperado do sentimento do consumidor em dezembro, a 74. Entre commodities, a força do dólar e o ambiente global incerto pesaram sobre o petróleo. O euro caía a US$ 1,0559, a libra cedia a US$ 1,2704 e o índice DXY tinha alta de 0,26%. O petróleo WTI para janeiro recuava 1,83% e o Brent para fevereiro cedia 1,64%.


O Mercosul e a União Europeia anunciaram hoje, por meio de comunicado conjunto, que fecharam o acordo de livre comércio bilateral entre ambos os blocos econômicos, apesar da resistência da França e de parte do setor agrícola europeu. A Comissão Europeia destacou que a parceria apresenta oportunidades para ganhos mútuos e que os interesses de todos os europeus foram considerados.


Enquanto isso, a crise política na Coreia do Sul persiste, com impasse no partido governista sobre apoiar ou não o impeachment contra o presidente Yoon Seok Yeol ao mesmo tempo em que a oposição pressiona para adiantar o horário de votação em busca de garantir a aprovação da moção. No Oriente Médio, os conflitos na Síria intensificaram nesta manhã e alcançam agora a fronteira com a Jordânia, enquanto a embaixada da Rússia - um dos maiores aliados do governo do presidente sírio Bashar Al-Assad - ordenou a retirada de cidadãos russos do país. Na Europa, o tribunal da Romênia anulou resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, a França segue negociações em busca de um novo primeiro-ministro e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu transportar mísseis intermediários para Belarus. 


Nos mercados acionários europeus, a redução dos prêmios de risco na França, ante expectativa de resolução rápida do impasse político, deram viés positivo para as bolsas ao longo da manhã, colocando em segundo plano a queda inesperada de 1% na produção industrial da Alemanha em outubro ante setembro. Para o Commerzbank, a leitura amplia o risco de contração do PIB alemão no quarto trimestre. Na marcação, a Bolsa de Paris subia 1,36%, a de Milão avançava 0,12% e a de Frankfurt subia 0,18% - depois de renovar recorde de máxima a 20.425,86 pontos. (Laís Adriana - lais.almeida@estadao.com)

Volta


JUROS 

O risco fiscal ofuscou o relatório de emprego dos Estados Unidos e responde pela alta das taxas nesta sexta-feira. O mercado agora teme que o pacote de cortes de gastos seja desidratado no Congresso e coloca mais prêmio na curva. Há pouco, a curva precificava 52% de chance de alta de 100 pontos-base da Selic na próxima semana e 48% para 75 pontos-base, dos atuais 11,25%. A Selic terminal estava mais cedo em 15,24%, de 15,18% ontem, nos cálculos da EPS Investimentos. 


"Hoje não tem payroll, é o fiscal que predomina. Acho que o mercado de alguma forma ficou com a impressão de que o Congresso ia fazer com que o pacote fosse um pouco mais duro e o que está parecendo é o contrário. A urgência passou com voto apertado, há resistência na questão dos supersalários. Acaba sendo difícil pegar militares, o judiciário, porque são grupos que se organizam muito bem para se posicionarem contra", diz Patricia Pereira, gerente executiva de estratégia macroeconômica da Fapes. 


Na opinião da economista, o governo terá que ceder na questão das emendas parlamentares. "Os parlamentares querem dinheiro e o governo quer que o pacote seja aprovado e Dino é pouco para barra", diz Pereira, que cita também a resistência na Câmara à mudança no BPC. 


Parlamentares resistem a mexer no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda e há o impasse envolvendo o pagamento de emendas parlamentares após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).


Por causa do risco fiscal, desde o fechamento da última sexta-feira até o início desta tarde, a curva ganhou forte inclinação, com alta de ao redor de 60 pontos-base nos vértices médios e longos, e de 40 pontos na ponta curta. 


"O (pacote) fiscal já veio meio que desidratado e aquém do que o mercado esperava. Dentro do próprio partido, eles tinham pontos de resistência muito fortes, visto que se vai mexer em algumas despesas conforme, mesmo que são a parte social, e isso já gera resistência. E mais um corte de taxa de juros dos Estados Unidos também já deixa o mercado um pouquinho mais ansioso", afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.


Após o payroll, o mercado passou a precificar 90% de chance de um corte de 25 pontos-base dos Fed Funds neste mês, segundo o CME Group. 


O mercado segue revisando para cima as projeções para Selic em 2025, a poucos dias da decisão do Copom, na próxima quarta-feira. O BTG Pactual elevou a Selic terminal em 2025 de 13,25% para 14%, permanecendo estável ao longo de 2025. Já a projeção do Inter para o déficit estrutural é de 1% do PIB em 2025, o equivalente a cerca de R$ 110 bilhões.


O Inter&Co afirma, em relatório divulgado em primeira mão ao Broadcast, que vê um risco fiscal no Brasil, estimando que a relação entre a dívida bruta e o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá de 78,3% ao fim de 2024 para 82,0% no fim de 2025. Já a dívida líquida em relação ao PIB deve subir de 63,4% para 68,0% no mesmo intervalo.


O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 1,18% em novembro, após elevação de 1,54% em outubro, superando a mediana das previsões do mercado financeiro colhidas pelo Projeções Broadcast, que apontava alta de 1,06%. Em 12 meses, houve avanço acumulado de 6,62%.


Às 12h25, a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 subia para 11,828%, de 11,809%, e o para janeiro de 2026 subia para 14,295%, de 14,194% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2027 avançava para 14,525%, de 14,435% no ajuste anterior. O vencimento para janeiro de 2029 subia para 14,225%, de 14,126%. O retorno da T-note de 2 anos subia a 4,162% (de 4,139%), da T-note de 10 anos avançava a 4,180% (de 4,173%).(Luciana Antonello Xavier)


Volta


BOLSA 

O quadro de cautela com o fiscal no Brasil e em relação aos juros americanos leva o Ibovespa às mínimas no final da primeira sessão desta sexta-feira. O principal indicador da B3 já cedeu quase 1.600 - passando da máxima de 127.871,80 pontos (alta de 0,01%) à mínima de 126.211,30 pontos (-1,29%). O recuo ocorre apesar da alta das bolsas americanas.


O avanço em Nova York vem na esteira do payroll de novembro, reforçando que o mercado de trabalho dos EUA segue aquecido, mas sem elevar os temores de muito mais inflação. Assim, coloca dúvidas se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) seguirá cortando os juros depois deste mês, quando se espera baixa de 0,25 ponto porcentual.


Neste cenário, o Ibovespa tenta defender alta no acumulado da semana. Até as 12h37, subia 0,53%, mas com poucas elevações na carteira, quando só oito avançavam (de 86 papéis). O temor de desidratação das medidas fiscais também reforça o mau humor dos investidores, com o dólar subindo 0,89%, a R$ 6,0626, na máxima intradia, influenciando os juros futuros, a poucos dias da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Para a decisão da semana que vem, as expectativas majoritárias são de alta de 0,75 ponto porcentual, para 12% ao ano. Mas há quem estime elevação para 12,25%.


A desvalorização das commodities também pesa no Ibovespa, uma dia após a Opep+ adiar para o 2° trimestre do ano que vem os esperados aumentos na produção de petróleo. O óleo cede perto de 1,50%, enquanto o minério de ferro fechou com queda de 0,93% hoje em Dalian. Os investidores aguardam a reunião na semana que vem de membros do Politburo, na China, na tentativa de ver se haverá anuncio de medidas de estimulo ao país.


Nos EUA, houve criação de 227 mil empregos em novembro, acima da mediana de analistas de mercado de 200 mil. A taxa de desemprego dos EUA ficou em 4,2% em novembro, uma alta em relação à do mês anterior, de 4,1%, em linha com o esperado. Ainda houve aumento dos salários.


Para Harrison Gonçalves, CFA e sócio da CMS Invest, a geração de vagas acima da esperada nos Estados Unidos coloca uma incógnita em relação ao ritmo de corte de juros e se inclusive haverá novas reduções pelo Fed. "O mercado de trabalho aquecido coloca mais pressão nos salários e eleva a inflação, que é o que o Fed está tentando combater sem gerar uma recessão", analisa Harrison Gonçalves, CFA e sócio da CMS Invest. 


Segundo Gonçalves, um eventual ritmo de queda mais lento nos EUA ou se nem reduzem mais as taxas é ruim para a Bolsa, pois o diferencial de juros com o Brasil tenderá a seguir pequeno e o fluxo cambial continuará saindo daqui. "É ruim para a Bolsa pois pressiona os juros aqui. E pode-se ter uma perspectiva ainda pior para os ativos dado o que temos visto em todo o contexto de inflação e fiscal no Brasil", diz. 


Já para o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, os dados do payroll indicam que a economia dos EUA está aquecida, mas é algo que não preocupa, que não tende a intensificar muito a inflação no país. "Tem cenário para cortar juros", diz.


Também para Bruno Takeo, da Potenza Capital, os dados americanos corroboram a expectativa de um corte de 0,25 ponto porcentual no juro dos EUA este mês. "O número de vagas veio bem acima, mas a taxa de desemprego está controlada, e ainda tem de levar em conta toda a volatilidade que teve o dado do mês anterior", analisa.


No Brasil, afirma Laatus, a queda das commodities e o fiscal pesam no Índice Bovespa. "O mercado amenizou um pouco após perceber andamento das medidas, mas há muitas duvidas quanto ao valor em si da economia que será gerada, quanto isso custará e se o pacote será desidratado", acrescenta Laatus.


Para Inácio Alves, analista da Melver, há dias as preocupações internas têm influenciado mais os ativos no Brasil do que as questões externas. Segundo avalia, o andamento dos mercados está muito relacionado a perspectivas, sobretudo em relação ao plano de redução de despesas fiscais. "O mercado não enxerga o pacote como um programa de corte de gastos, mas apenas como uma troca financeira. Espera-se um valor menor do que os R$ 70 bilhões anunciado", analisa.


Há temores de uma desidratação do pacote de corte de gastos. Isso porque parlamentares resistem a mexer no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. "Aqui, segue a expectativa em relação às medidas fiscais. A tramitação na Câmara nesta semana ajudou a aliviar um pouco as preocupações, ao indicar celeridade ao processo. No entanto, há dúvidas se haverá desidratação. Assim, o mercado segue cauteloso", analisa Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria.


Em meio ao avanço dos juros ações ligadas ao ciclo econômico se destacam em baixa. CVC ON puxava o grupo das baixas, ao ceder 6,87%, seguida por Carrefour (-5,01%) e Assai (-4,70%). Na contramão MRV subia 2,98%. A construtora anunciou ontem revisão estratégica em sua subsidiária Resia, nos EUA, para simplificar operações e acelerar a desalavancagem do grupo. Outro destaque é B3, com alta de 2,66%. Hoje o Goldman Sachs elevou recomendação das ações da empresa para compra.


Entre as blue chips, Vale cedia 1,21%; Petrobrás perdia entre 1,54% (PN) e 2,00% (ON). No caso dos bancos, Banco do Brasil perdia 3,18% e Itaú Unibanco PN, 1,53%; Bradesco cedia quase 2,00% e Unit de Santander recuava 1,51%. (Maria Regina Silva - Contato: reginam.silva@estadao.com




12:51 


 Índice Bovespa   Pontos   Var. %  

Último 126149.36 -1.3360 

Máxima 127871.80 +0.01 

Mínima 126149.36 -1.34 

Volume (R$ Bilhões) 7.71B 

Volume (US$ Bilhões) 1.28B 

 




12:51 


 Índ. Bovespa Futuro   INDICE BOVESPA   Var. %  

Último 126400 -1.4809 

Máxima 128055 -0.19 

Mínima 126390 -1.49 

 




Volta


CÂMBIO 

O dólar à vista começa a tarde em alta, rodando em torno de R$ 6,06, em linha com a valorização da divisa lá fora e com temor fiscal aqui. A máxima ficou em R$ 6,0706 (+1,01%) há pouco, maior valor intradia desde quarta-feira (R$ 6,0734). Fortes perdas de petróleo e minério de ferro e a perspectiva de um Federal Reserve mais rígido na política monetária em 2025 justificam a demanda cambial defensiva. Há também receio com o tamanho do pacote de corte de gastos após a tramitação no Congresso. 


Durante a manhã, houve relatos de ingressos de fluxo comercial pressionando a moeda, que caiu até R$ 5,9847 (-0,42%), após os dados do payroll dos EUA de novembro. Pouco acima da mediana e dentro das expectativas do mercado, os números consolidaram as apostas em corte de juros no país em 18 de dezembro. 


O relatório do payroll mostrou que foram criados 227 mil empregos no período, em termos líquidos, pouco acima da mediana das projeções do mercados (200 mil); com taxa de desemprego de 4,2%, acima da mediana esperada(4,1%) e aumento no salário médio por hora na comparação mensal e anual. Logo após o dado, a chance de uma redução de 25 pontos-base neste mês disparou e chegou a registrar mais de 91% de probabilidade. A chance estimada de redução acumulada de 50 pontos-base pelo Fed até maio de 2025 também aumentou, de 41,4% para 44,2%.


O mercado volta a busca proteção no dólar lá fora e aqui o risco fiscal segue como principal fator de incerteza, afirma a economista-chefe e CEO da Buysidebrazil, Andrea Damico. O tempo é curto para a aprovação do pacote neste ano e há temor com uma desidratação das medidas, após a tramitação no Congresso. 


Damico diz que havia expectativa de uma surpresa mais forte no payroll, mas que a leitura perto da esperada no indicador sobre a criação de empregos trouxe tranquilidade aos mercados. Além disso, segundo ela, a média trimestral de geração de emprego mostra desaceleração no mercado de trabalho americano. Os salários vieram mais fortes em novembro, não desaceleraram como o esperado, o que é um elemento desconfortável para o Fed, mas não deve impedir corte nos juros neste mês, aposta.


O analista de mercado da Stonex, Leonel Mattos, diz que o mercado opera sob incertezas com a tramitação do pacote fiscal no Congresso e preocupações com a trajetória da dívida pública em meio à subida dos juros futuros e da Selic. 


A maioria do mercado espera aceleração no ritmo de aperto monetário na reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira, com uma alta de 0,75 ponto porcentual na Selic, para 12%, conforme pesquisa do Projeções Broadcast. 


Pesquisa realizada pelo BTG Pactual aponta que, para 78% de instituições do mercado, o Copom irá elevar a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual na próxima semana. Uma alta de 1,0 ponto porcentual no juro é esperada por 15% dos participantes da pesquisa, enquanto 7% dos entrevistados apostam em alta mais modesta, de 0,5 pp. Além disso, o mercado segue revisando para cima as projeções para Selic em 2025. O BTG Pactual elevou a Selic terminal em 2025 de 13,25% para 14%, permanecendo estável ao longo de 2025. 


Em relação ao payroll, Mattos comenta que a leitura de novembro favorece a expectativa de que o Federal Reserve vá cortar os juros na decisão deste mês. Porém, a perspectiva é de maior cautela à frente. "O novo governo de Donald Trump promete tarifas comerciais que são inflacionárias, e o Fed poderá fazer menos cortes de juros, o que deve manter os rendimentos dos Treasuries mais elevados e ajudar à força do dólar ao longo de 2025, comenta.


A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é considerado positiva para o País, mas não afetou a precificação da taxa de câmbio. O desfecho desse acordo é ultra relevante, mas a tramitação no congresso do pacote de contenção de gastos e as sinalizações do governo em relação ao fiscal são bem mais relevantes para a precificação dos ativos financeiros, avalia Damico, da Buysidebrazil.


Às 12h26, o dólar à vista subia 0,85%, a R$ 6,0596, e apontando ganho na semana de 0,97%. O dólar futuro para janeiro ganhava 1,11%, a R$ 6,0745, com giro de negócios registrado de cerca de US$ 7,017 bilhões. (Silvana Rocha - silvana.rocha@estadao.com)

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...