quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Diário de um economista (2)

Por estes dias, estava me recordando sobre a minha experiência no mestrado acadêmico da UFF.

Me lembro que fiquei alguns meses estudando no IMPA e frequentando um excelente curso no Enscyc da FGV no noturno. Passei bem, em quarto lugar, no exame da Anpec, mas fui me decepcionando ao longo da caminhada.

Não por alguns excelentes professores de Macro póskeynesiana (Cardim, principalmente), métodos quantitativos, micro, a moldarem minha formação, mas pelo erro crasso num curso ministrado, de Economia Política.

Este acabou sendo, ao meu ver, o grande equívoco do Mestrado Acadêmico da UFF nos anos 90. 

Passados tantos anos, tenho a leitura que um curso como este deva abordar a Evolução do Pensamento Econômico, nas suas várias nuances e tempos, desde Adam Smith, passando pelos clássicos como Malthus e David Ricardo, até chegar nos novos keynesianos da atualidade. 

Podemos abordar a contribuição de Karl Marx, dada a eclosão da Revolução Industrial, nas suas contradições e conturbadas relações "capital trabalho", a partir do surgimento dos socialistas utópicos, a emergência de Proudhon e outros.

Marx seria, então, o ator principal deste "refletir" sobre as contradições do nascente capitalismo industrial de então, mas é preciso "contextualizar", o que não aconteceu neste curso de Economia Política.

Aliás. Depois dos neoclássicos, tínhamos que ter estudado Marshall, Walras, dentre outros, até chegar a John Maynard Keynes, não esquecendo a contribuição de Allors Schumpeter.

Foram, portanto, dois períodos sub-aproveitados no mestrado da UFF (Economia Política 1 e 2).

No todo, no entanto, posso afirmar que este mestrado da UFF foi enriquecedor.

Coreia do Sul

 Tbem existe corrupção na Coreia. E como!

*SOB IMPEACHMENT*. _A Coreia do Sul viu-se envolvida em uma crise política complexa após o presidente do país, Yoon Suk Yeol, decretar a lei marcial temporária contra ações da oposição, o que gerou protestos entre parlamentares e a sociedade civil. No campo político, deverá ser apresentado amanhã o pedido de impeachment do presidente, para votação na sexta ou sábado. E no campo econômico, o presidente do BC sul-coreano disse que a crise política não irá alterar em nada a condução da política monetária. Para o banqueiro, as próximas decisões serão tomadas diante do quadro e fundamentos macroeconômicos._

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 NEWS - Valor - 04.12


Entrevista: 'Mercado quer antecipar 2026, mas Lula não pode trair programa de governo', diz José Dirceu / Ex-ministro defende medidas de Haddad, vê mercado como parte da disputa política e diz que Lula tem conselheiros experientes, mas talvez falte disposição para ouvi-los- O Globo 4/12


Renata Agostini


José Dirceu ajeita-se na cadeira e logo coloca sobre a mesa anotações feitas de próprio punho sobre conquistas do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Quase 20 anos após ser forçado a deixar o Palácio do Planalto e a política por causa do escândalo do mensalão, ele mantém o sentimento de pertencer ao próprio governo. É assim quando defende medidas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou quando critica o “mercado”, que vê em posição de duelo com Lula.


— Eles querem que o governo adote um programa que não apresentou ao país. Quer que façamos haraquiri. É isso que estão pedindo - disse em entrevista ao GLOBO.


Aos 78 anos, o ex-chefe da Casa Civil diz querer ajudar o governo e também o PT, partido que fundou com Lula e que, em sua visão, precisa ser reconstruído. Para isso, não descarta a volta à arena política, mas sem cargo no Executivo. Segundo ele, o presidente está bem servido de conselheiros políticos - Dirceu, no entanto, não tem certeza se Lula está disposto a ouvi-los.


O ex-ministro vê o jogo para 2026 em aberto diante da instabilidade que Donald Trump pode trazer ao mundo, da divisão na direita e de um Jair Bolsonaro que, mesmo inelegível, não pretende abrir mão de ser candidato.


O governo anunciou um pacote de corte de gastos. A agenda do ministro Fernando Haddad (Fazenda) precisa de correções?


Não. Ele propôs aumento insignificante de Imposto de Renda (para quem ganha mais de R$ 50 mil mensais) para contrabalancear a isenção para quem recebe até R$ 5 mil. Não tem novos gastos e, ainda assim, pressionam o presidente da Câmara e o Senado para votar isso só no próximo ano. O mercado devia estar defendendo diminuição de despesas tributárias, teto dos servidores e a medida do Imposto de Renda. Porque isso estabiliza. Mas querem diminuir o crescimento do salário mínimo, Bolsa Família, Previdência e Benefício de Prestação Continuada.


Mas o governo concordou. Essa foi a proposta.


E a proposta está certa nas circunstâncias atuais, na correlação de forças atual. Mas eles querem mais, querem sangue. O governo já fez a parte dele, agora a palavra está com o Congresso. Se tivéssemos maioria, faríamos Reforma Tributária na renda, riqueza e propriedade. A dívida pública está crescendo por causa de precatórios, herança de Bolsonaro e juros.


Temos um dólar que não para de subir e isso entra na conta de movimentos do governo.


(Entra na conta da) Especulação, da qual o governo não é responsável e que o Banco Central deveria ter impedido, pois tem instrumentos para isso. Qual razão para dólar a R$ 6? Por que o ajuste não era o que a Faria Lima queria? Economia e emprego crescendo, não há crise política, o Brasil tem paz, superávit na balança comercial, tem balança de conta corrente equilibrada, porque temos investimento direto externo e reservas de quase US$ 360 bilhões.


A decisão de anunciar o pacote junto com a reforma do IR não minou o objetivo do governo?


Por que pode diminuir salário mínimo, Previdência e Bolsa Família, que envolvem quase metade da população, e não pode aumentar o imposto para 100 mil brasileiros? É evidente que isso é inaceitável. Se querem fazer isso, eles têm que eleger um presidente que o faça ou convencer o Congresso de fazê-lo. Até as Forças Armadas aceitaram. A contragosto, mas aceitaram. A não ser que você queira desmontar o estado de bem-estar social previsto na Constituição. Então você disputa eleição e diga que quer desmontar.


Fala-se numa reforma ministerial que aumente o espaço do centrão. É o caminho correto?


O governo já tem base de centro-direita. Não adianta tapar o sol com a peneira. Tanto é que aprovou tudo o que era importante. É preciso dar uma parada agora, pensar nos próximos dois anos, que tem eleições em 2026. O governo está sofrendo com falta de recursos nos ministérios. E ainda querem mais cortes. O mercado está querendo antecipar 2026. Não é só a questão da dívida pública.


O senhor vê então como necessidade política o governo duelar com o mercado?


Quem duelou com o governo foi o mercado. Foi apresentada uma proposta dentro das possibilidades que o Executivo tem. Se faz a proposta do mercado, ele deixa de ser governo que foi eleito, ele praticamente trai seu programa. Estão pedindo que nós façamos haraquiri. É isso que eles estão pedindo.


Então tem que entregar um pouco, mas não tudo.


Tem que fazer aquilo que garanta o crescimento do país. Imagina se vem uma crise por causa do trumpismo, o país está em recessão. Nem interessa para nós. Nós temos que defender nossos pontos de vista, não podemos abrir mão daquilo que é a nossa natureza e nem o mercado. Quem dirime essa disputa é o Congresso.


Há análise recorrente de que Lula está cercado por auxiliares que não têm a mesma força política do que o grupo de seu primeiro mandato. É preciso mexer no Planalto?


Rui Costa foi governador, deputado federal. Experiência política tem. O problema é se o presidente quer (ouvi-lo). Se tem alguém que conhece a articulação, relação com os Estados e municípios, prefeitos e governadores, Câmara e Senado é Alexandre Padilha. Além disso, foi ministro da Saúde. É muito experiente. Márcio Macedo é mais jovem, mas já foi deputado federal, tem experiência política também. E o Paulo Pimenta tem uma longa experiência parlamentar. Não sei se é porque não tem gente para ele ouvir ou se o presidente não tem ouvido. É mais o estilo e como se organiza o governo. Porque não dá pra voltar atrás. Nós não estamos e não vamos mais pro governo. Já passou. Eu vou fazer 79 anos no ano que vem.


Há influência excessiva da primeira-dama no governo?


Não vejo. Lula pode ter qualquer homem conselheiro. Não precisa ter cargo nenhum. Ela não pode ser conselheira? Claro que pode. A única pessoa que é senhor deste assunto chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Nós só devemos dizer: que bom que o nosso presidente tá apaixonado, feliz vivendo bem, porque ele é o senhor desse destino, não somos nós.


O indiciamento de Bolsonaro no inquérito do golpe sepulta o plano dele de voltar ao poder?


Ele está e ficará inelegível porque há base para que seja condenado e há outros processos. Mas ele já dá sinais de que será candidato até a impugnação pelo TSE (da candidatura). Ele não tem sucessor e há outros candidatos, como Pablo Marçal, Ronaldo Caiado e os governadores do Paraná (Ratinho Junior) e de Minas Gerais (Romeu Zema). Portanto, Bolsonaro já está em campanha. Mas precisa ver se tem força. Parte do PL não o quer. E acredito que a elite agrária e financeira do país vai impor a Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo) que seja candidato.


O senhor acredita que Bolsonaro irá mimetizar a estratégia do Lula com Haddad em 2018?


Precisa ver se ele tem força pra isso. Se ele for o caminho certo da derrota, vai todo mundo para a derrota? Ele tem tanta influência assim no PP, no Republicanos, no União Brasil, no MDB? Não tem. Ele tem no PL. E parte do PL não o quer. Ele já abandonou os militares. Cuidou dos filhos e só. Todo mundo já conhece o Bolsonaro.


Tarcísio de Freitas seria um candidato mais difícil de Lula bater?


Sim, mas aí também há sucessão de São Paulo com possibilidade maior de disputarmos para ganhar. Vejo o jogo aberto para 2026. Ainda é cedo para dizer o que acontecerá porque existe um fator: as medidas que Donald Trump tomará quando assumir os Estados Unidos. Dependendo da intensidade, toda a conjuntura política mundial e brasileira mudará. É quase jardim de infância o que estamos assistindo agora pelo ajuste fiscal. Fico estarrecido que a elite brasileira não se dê conta da gravidade do que acontecerá no mundo. Outros países já estão tomando medidas. O Brasil devia estar se preparando. É evidente que a crise na bolsa é um chuvisco perto da tempestade que vai ter no mundo. Se ele fizer o que ele está declarando, vai ser uma hecatombe mundial.


Edinho Silva é favorito para assumir o partido e conduzir a “reconstrução” do PT?


No PT, não tem favorito. Edinho é um dos nomes, José Guimarães é outro. Agora, apareceu o nome do Paulo Okamotto, pode aparecer Rui Falcão. A maioria dos filiados vai decidir. Lula entende que, para o perfil que o PT precisa adotar, o nome mais adequado é o do Edinho. Agora, não tem essa coisa de que ele está eleito. Tem um longo caminho de negociação.


O que a nova direção tem de fazer de diferente?


O primeiro desafio é a renovação da direção. O segundo, renovação geracional. O terceiro, se empoderar das redes. A tarefa política principal é eleger 100 deputados, 10 senadores no mínimo, reeleger os governadores e ganhar novos estados para que o presidente Lula reeleito tenha base. E isso significa diálogo com PDT, PSB, PSOL e Rede, além de entre nós, PV, PCdoB e PT. O ideal é que todos esses partidos tenham uma política comum para 2026.


O senhor considera então que Lula será candidato à reeleição?


Não vejo situação em que ele não seja. Haddad é um dos prováveis candidatos em 2030. Em 2026, Lula é candidato de maneira inexorável.


Acredita ser conveniente mudar a vice?


O Lula todo dia tem que levantar as mãos e dar graças a Deus, porque ele teve o José Alencar e agora tem o Geraldo Alckmin. Um vice como ele é uma dádiva. Além de tudo, ministro da Indústria, ou seja, está ajudando.


O senhor foi preso cinco vezes. No mensalão e Lava-Jato, diz que foram prisões injustas. Ao mesmo tempo, já disse: “Nós erramos”. O que há de se reconhecer quando olhamos esses processos?


O problema é que eles viraram instrumento político para mudar a realidade institucional do país. Os procuradores e o (Sergio) Moro pretendiam o poder. A lei foi sendo corrompida e as delações viraram uma farsa. O mensalão não se ateve a investigar empréstimos tomados por empresas do Marcos Valério e repassados ao PT, se transformou na maior corrupção do século, no ataque à república e à democracia. E a história da Visanet, em que está tudo provado que não existiu. (Houve) Pressão da opinião pública e julgamento ao vivo. Virou julgamento político.


Mas o senhor está delineando erros dos outros. Onde o senhor errou?


Não, eu não errei em lugar nenhum. Nenhum dos dois casos. Porque eu não tinha nenhuma relação com essa história dos dois empréstimos, do caixa dois. Roberto Jefferson foi cassado porque não provou que existia mensalão. Eu fui cassado porque era o chefe do mensalão. O Supremo me absolveu de formação de quadrilha. Eu fiu condenado por corrupção, mas não tem prova nenhuma. Agora, veja quem é o Roberto Jefferson hoje e quem sou eu hoje.


O PT foi bastante crítico ao STF no mensalão e na Lava-Jato. Não vem daí a origem dessa visão difundida pelo bolsonarismo de que a Corte não está jogando dentro das regras?


Mas o STF atuou dentro das regras do jogo. Você não pode levantar armas contra a República. Inclusive, no caso dos militares, é crime gravíssimo.


O PT argumentava que eram julgamentos sem provas, uma perseguição.


No caso da Lava-Jato, o tempo nos deu razão. No caso do mensalão, não está ainda encerrado. Fui condenado com base na teoria do domínio do fato. E o criador dessa tese disse que não tinha pé nem cabeça aplicar no meu caso. Mas não vejo o STF não seguindo (agora) o devido processo legal. As fotos e os filmes são provas. Como discutir anistiar cidadãos que foram instigados a destruir os poderes? É uma aberração.


O senhor está próximo de resolver as pendências na Justiça. Já decidiu seu futuro político?


Não tem necessidade nenhuma de resolver agora. Quero cuidar dos meus processos que estão acabando, trabalhar como advogado, porque tenho que pagar as dívidas que todo mundo agora vem me cobrar. E quero ajudar o PT nessa renovação, ajudar o presidente Lula. No final de 2025, vou decidir se serei candidato ou não.

Call Matinal 0412

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

04/12/2024
Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (03)
MERCADO BRASILEIRO

O Ibovespa encerrou o pregão na terça-feira (03), em alta de 0,72%, a 126.139 pontos. Volume negociado ficou em R$ 21,7 bi. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,21%, a R$ 6,056.

EUA🇺🇸:
Dow Jones Futuro, +0,29%
S&P 500 Futuro, +0,15%
Nasdaq Futuro, +0,36%

Ásia-Pacífico:
Shanghai SE (China🇨🇳), -0,42%
Nikkei (Japão🇯🇵), +0,07%
Hang Seng Index (Hong Kong), -0,02%
Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -1,44%
ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,38%

Europa:
FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,26%
DAX (Alemanha🇩🇪), +0,51%
CAC 40 (França🇫🇷), +0,32%
FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,82%
STOXX 600🇪🇺, +0,18%
Commodities:
Petróleo WTI, +0,20%, a US$ 70,07 o barril
Petróleo Brent, +0,24%, a US$ 73,80 o barril
Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,43%, a 812,00 iuanes (US$ 111,70).

NO DIA 04/12

Uma quarta-feira em que predominam os eventos nos EUA. Depois de 7,34 milhões de empregos pelo Jolts, agora temos os empregos do setor privado, ADP, na geração de 165 mil vagas em outubro, depois de 223 mil em setembro. Isso deve antecipar as expectativas para o payroll, a definir um novo corte do juro pelo Fed na próxima semana (0,25 pp).

Por squi, temos Haddad debatendo o Equilíbrio na Política Econômica, no site Jota. Na agenda, a produção industrial deve desacelerar a 0,1%, depois da forte expansão de 1,1% em setembro.

Ontem, o PIB/3Tri levou a curva de juros a projetar Selic de 15,0%, ampliando os receios de inflação com o dólar a R$ 6. Já se fala em ajuste de 0,75 pp no Copom de dezembro, nao mais em 0,5 pp. É o conhecido "risco de cauda".

Para fechar. Também existe corrupção na Coreia do Sul. E como! O presidente Yoon Sun Yool tentou uma Lei Marcial ontem mas foi rechaçado pelo Parlamento em 190 a 0. Argumento era a ameaça comunista. Não convenceu. Deve cair sob suspeita de "esquemas variados".

AGENDA 04/12

Indicadores:
05h55. Alemanha/S&P Global: PMI Composto - nov (final)
06h00. Zona do euro/S&P Global: PMI Composto - nov (final)
06h30. Reino Unido/S&P Global: PMI Composto - nov (final) 
07h00. Zona do Euro/Eurostat: PPI de outubro
08h00. Brasil/FGV: Indicador antecedente de emprego - nov
09h00. Brasil/IBGE: Produção industrial de outubro  
10h15. EUA/ADP: Empregos no setor privado em novembro
11h45. EUA/S&P Global: PMI Composto novembro (final) 
12h00. EUA/ISM: PMI de serviços em novembro
12h00. EUA/Deptº Comércio: Encomendas à indústria - out
12h30. EUA/DoE: Estoques de petróleo
14h30. Brasil/BC: Fluxo cambial semanal
22h00. Coreia do Sul/BoK: PIB do 3º trimestre

Eventos:
06h00. OCDE: Relatório de perspectiva econômica global
06h00. Presidente do BoE, Andrew Bailey, fala em evento do FT
08h30. BCB divulga "O brasileiro e sua relação com o dinheiro"
10h00. Diretor do BC Rodrigo Teixeira comenta a pesquisa
10h30. Presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa
10h45. Alberto Musalem (Fed/St. Louis) discursa
11h00. Fernando Haddad participa de evento do site Jota
15h45. Jerome Powell (Fed) participa de evento do NYT
16h00. Fed divulga o Livro Bege.

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec

Boa quarta-feira e bons negócios!

JP Morgan

 JP Morgan alerta para ciclo vicioso no mercado e aposta em inversão da curva de juros


A deterioração adicional dos mercados de juros e câmbio do Brasil após a apresentação do pacote fiscal do governo, casado com um quadro externo desfavorável a países emergentes após a eleição dos EUA, põe os ativos domésticos em risco de entrarem em um ciclo vicioso, alertam estrategistas do JP Morgan em relatório. Segundo eles, a aceleração da depreciação do real ante o dólar alimenta as expectativas de inflação, o que por sua vez eleva o prêmio de risco e exacerba as preocupações do mercado com a sustentabilidade fiscal. Nesse contexto, é necessária uma resposta das autoridades para atuar como um freio à deterioração constante, diz o relatório assinado pelos estrategistas Saad Siddiqui, Tania Escobedo Jacob, Gisela Brant e Santiago Olalquiaga Calcano. Diante do risco de que os mercados brasileiros entrem em um “ciclo vicioso”, o JP Morgan abriu posição tomada (que aposta na alta das taxas) em DIs com vencimento de janeiro de 2026, contra uma posição aplicada (que aposta na queda das taxas) no DI de janeiro de 2028, apostando em uma inversão da curva a termo. A meta da operação é uma diferença de 100 pb a favor da taxa do título de menor prazo. No início da operação, a taxa do DI de janeiro de 2026 operava em 13,91%, enquanto a do DI de janeiro de 2028 estava em 13,99%, uma diferença positiva de 8 pb. Ele ressaltam que, para frear a deterioração do câmbio e dos juros futuros, um aperto monetário agressivo pelo BC pode não ser suficiente sem uma “consolidação fiscal”, já que a elevação dos juros fragiliza ainda mais a trajetória da dívida pública, uma vez que aumenta o seu custo de rolagem.

Bets e lavagem de dinheiro

 ESPECIAL: DONOS DE BETS MONTARAM OFFSHORES NO PANAMÁ E NA FLÓRIDA COM BICHEIROS E DOLEIROS


18:00 03/12/2024 


Por André Shalders, do Estadão

Brasília, 03/12/2024 - Empresários brasileiros do ramo das bets abriram empresas no Panamá e no Estado americano da Flórida com doleiros e pessoas ligadas ao jogo do bicho. As bets em questão estão entre as principais do País e somam centenas de milhares de seguidores no Instagram. Ambas operam com permissão do Ministério da Fazenda, e uma delas tem o apresentador Ratinho e o cantor Wesley Safadão como divulgadores. À reportagem, um dos empresário diz que a empresa no Panamá nunca atuou, e que ele não tem relação com contraventores. O outro não respondeu. Ratinho e Wesley Safadão também foram procurados. O apresentador não respondeu, e Wesley Safadão disse, por meio da assessoria, não conhecer detalhes da vida do dono da bet divulgada por ele. Já o Ministério da Fazenda diz não comentar casos de empresas individuais.As bets Marjosports e Multibet receberam os números 93 e 62, respectivamente, na lista de empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. A Marjo pertence ao empresário pernambucano Jorge Barbosa Dias, enquanto a Multibet foi criada pelo mineiro Ricardo Rezende Soares Oliveira.

Jorge Barbosa Dias teve duas offshores, uma no Panamá e outra na Flórida, com Waldenio Carneiro de Farias, um consultor acusado pela Polícia Federal de atuar como doleiro. Já Ricardo Rezende, dono da Multibet, teve duas offshores no Panamá com José Ângelo Beghini de Carvalho, ex-sócio e homem forte do contraventor Carlinhos Cachoeira. Esse ex-sócio hoje mantém uma offshore com os herdeiros de um dos principais bicheiros do Rio de Janei-ro. Além da Multibet, Ricardo Rezende tem autorização para operar uma empresa de jogos de azar no Estado do Maranhão.

As offshores de Ricardo Rezende foram abertas em outubro de 2015 no Panamá. Chamam-se BRTech Enterprises Corporation e Global Enterprises and Events S.A, ambas em sociedade com Ângelo Beghini de Carvalho, ex-sócio de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Preso em 2012 por explorar máquinas de caça-níquel em Goiás, Cachoeira foi também o pivô da CPI dos Correios, em 2005 - José Ângelo foi chamado a depor, na época.Segundo Ricardo Rezende, a BRTech foi aberta para explorar a atividade de jogos no Panamá, mas nunca teve atividade. A firma aparece como ativa nos registros públicos, enquanto a Global Events consta como suspensa. O empresário diz que a firma está suspensa e nunca chegou a operar. "Eu contratei ele (Beghini) porque ele era especialista nesse tema (empresas de jogos)", disse Rezende ao Estadão. O empresário diz ainda que não sabia do envolvimento de Beghini com Cachoeira, apesar das investigações envolvendo a CPI dos Correios.

Em 2019, Beghini foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal por improbidade administrativa, sob a suspeita de ter se associado a auditores da Receita Federal para importar máquinas de caça-níquel como se fossem computado-res. Segundo o MPF, Beghini foi "um dos principais beneficiários e mentor da fraude" que possibilitou a importação das máquinas.

Segundo o Ministério Público, a intenção de Beghini era importar

3,6 mil máquinas caça-níqueis.


À reportagem, Beghini disse que não faria comentários. O processo sobre máquinas caça-níqueis foi encerrado anos atrás, disse ele, e a offshore no Panamá jamais operou. "Também não tenho nenhuma ligação com bets ou empresas do gênero no Brasil", disse ele.Além das bets, Ricardo Rezende tem negócios em outros setores e bom trânsito no mundo político. O casamento dele, em 2011, contou com a presença do senador Ciro Nogueira (PP-PI) - autor de um dos projetos para legalizar os jogos de azar no Brasil - e dos deputados federais Fred Costa (PRD-MG) e Antônio Roberto (1942-2022). Como mostrou o Estadão, Ciro Nogueira é um dos principais nomes da "bancada das bets". Os parlamentares não se manifestaram. Depois de Ricardo, Beghini parece ter se associado a outro grupo no mundo das apostas: o das famílias do jogo do bicho. Em maio deste ano, ele constituiu uma empresa no Estado americano da Flórida com Luiz Antônio Lourenço Drummond, filho e herdeiro de Luiz Pacheco Drummond, mais conhecido como Luizinho Drummond (1940-2020).

Beghini e Drummond são sócios na empresa Lab Monitoring and

Services LLC, sediada na cidade de Kissimmee, nos arredores de Orlando, onde Beghini vive hoje. Em 2013, Luiz Antônio foi preso num condomínio de luxo em Belém (PA), sob a acusação de comandar o jogo do bicho no Estado.


Luizinho Drummond, o pai de Luiz Antônio, foi um dos principais bicheiros do Rio de Janeiro e ex-presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, bem como da Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa. Em 1993, ele foi condenado pela juíza Denise Frossard com outros banqueiros do jogo do bicho por 53 assassinatos, motivados por disputas em torno da jogatina. A reportagem do Estadão/Broadcast Político não conseguiu contato com Luiz Antônio. Investigado por lavagem e investidor da vaquejadaOutro empresário de bets com empresas internacionais é Jorge Barbosa Dias, dono da Marjo Sports. A bet é famosa nas redes - soma 423 mil seguidores no Instagram. Baseado em Recife (PE), Dias é investigado desde 2018 pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por, supostamente, lavar dinheiro de jogos de azar - em 2021, ele foi alvo de uma operação do MPPE, a Game Over, e denunciado em 2022. A reportagem do Estadão/Broadcast Político procurou Jorge

Barbosa Dias, mas não houve resposta.

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BofA recomenda Brasil

 🇧🇷 *Bank of America recomenda 'compra' em Brasil, na contramão de outros bancos*


Por: Luca Boni e Gabriel Ponte 


TC Mover- O Bank Of America manteve recomendação de "compra" para o mercado acionário brasileiro, apesar da frustração dos investidores com a apresentação do pacote de contenção de gastos do governo na semana anterior, em postura contrária às recomendações negativas recentes de outros grandes bancos americanos para o país.  


*O BofA antevê Ibovespa encerrando o ano de 2025 aos 145 mil pontos* – representando um potencial altista de 15% ante os níveis atuais, sem considerar reclassificações de múltiplos, dado o ambiente de juros consistentemente elevados e crescentes riscos para os lucros nos próximos anos.  


*No relatório, com data de ontem*, o BofA acrescenta que, apesar da recomendação, opta por postura defensiva, favorecendo *setores menos expostos a um ambiente de juros elevados, como bancos selecionados, habitação de baixa renda, seguradoras, processadores de proteínas e indústrias globais*.  


Os analistas do BofA, liderados por David Beker, alertam, entretanto, que o ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central encarece o custo de crédito, e que riscos adicionais podem vir oriundos de um enfraquecimento do câmbio, dada a deterioração fiscal.  


*O BofA antevê Selic terminal de 13,0% em maio de 2025, embora com riscos altistas*. Também na visão do banco, o ritmo de crescimento da atividade econômica deve desacelerar a 2,0% em 2025, diante de um menor impulso fiscal, efeitos de base e taxas de juros acima do nível neutro, e avançando.  


A leitura do BofA interrompe uma sequência de rebaixamentos dos mercados acionários locais por estrangeiros, dadas preocupações com a dinâmica dos gastos públicos, e disposição do governo local em conter as despesas, após o pacote de gastos mostrar-se insuficiente para conter temores entre operadores com o compromisso real do governo em torno do arcabouço fiscal.


*Na ponta oposta*


Na semana anterior, estrategistas para América Latina do JPMorgan reduziram recomendação de ações no Brasil para "neutra", favorecendo "compra" ao México, e classificando o Brasil como "Dia da Marmota" em relação às preocupações fiscais, que estão sempre voltando ao radar.  


Também na semana anterior, o banco suíço Julius Baer rebaixou o Brasil a "neutro", ante "compra", diante de uma "corrosão da credibilidade fiscal". 


O Morgan Stanley também recomendou "venda" às ações locais, diante da dificuldade de ver "expansão dos múltiplos" com juros elevados e seguindo em movimento de alta, enquanto o crescimento encontra-se sob risco.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...