sexta-feira, 19 de março de 2021

Resumo Luis Stuhlberger evento WHG- 18/03

Resumo Luis Stuhlberger evento WHG- 18/03:.

BRASIL

Pandemia e Vacinação

• Tempestade perfeita em 4 semanas: 2ª onda agressiva da pandemia, atrasos na vacinação, aumento rápido da inflação, normalização da taxa de juros e instabilidade política

• Gráficos de novas internações diárias no estado de SP e Grande SP (proxy do BR) são reais e assustadores

• Revisamos a previsão do PIB de 4,5% para 3,5% devido a nova onda de restrição à mobilidade

• Após o evento Lula, aumentou-se a preocupação com a vacina

• A aceleração da vacinação, reduzirá a utilização dos leitos de UTI, e consequentemente o número de óbitos. Imaginamos que a partir de Junho, pessoas com idade abaixo de 50 anos começarão a ser vacinadas

• Vacina de Oxford que será produzida pela Fiocruz traz mais alento para o mercado, e se for eficien…

Inflação

• Aumento rápido da inflação, terceiro ponto do perfect storm

• BC não previu corretamente o aumento do gastos no setor de bens, e redução de consumo de serviços

• Além disso, não se imaginava um salto enorme do petróleo

• CRB, cesta de commodities brasileira subiu mais de 25% (parte disso, efeito câmbio)

• BC teve que subir juro acima do esperado porque o IPCA anualizado para junho estava próximo de 8%. Com a alta, pode convergir para 5%

• Vantagem do IPCA anualizada em junho: o Teto do orçamento e junho/2021 x 2020. O governo terá uma folga maior para gastar

• Demanda interna forte na indústria de transformação, mas insuficiência de estoque no setor preocupa o BC

• Conforme o juro e inflação foi diminuindo, o fluxo cambial acompanhou esse movimen…

Político

• Dificilmente alguém do centrão passará para o segundo turno. Acredita que Lula tenha mais rejeição que o Haddad

• Bolsonaro e Covid: Se o quadro de vacinação der certo, a tendência é que tenhamos um 2022 de recuperação, e isso beneficia o presidente.

Além disso, a memória do brasileiro é muito curta

• Alguns investidores estrangeiros consideram que o Brasil teve um ótimo período econômico na era Lula, mas o mundo da época com boom das commodities não existirá mais. Não conseguirá repetir a fórmula do mandato anterior – melhora social via aumento de gastos – não há condições fiscais para que seja repetida

• Bolsonaro ressuscitou uma esquerda que já tinha morrido, acha pouco provável uma 3ª via nas eleições de 2022

GLOBAL

• Mercado segue desafiando o FED com a alta da curva de juro

• Ritmo de vacinação acima de outros países

• Aprovação do pacote de USD 1,9T e perspectiva de PIB subir mais de 8% em 2020

• O problema não é a recuperação dos preços/taxas das treasuries, mas a velocidade como ela está subindo

• Não é razoável imaginar que uma economia como a dos EUA, o título público atrelado à inflação (TIIPs) de 10 anos opere com taxas negativas. A explicação está no fato de a inflação projetada ser de 2.7%

• K-Shaped Recovery: A recuperação da crise está sendo extremamente desigual entre as camadas sociais. Nas classes mais altas (renda acima de USD 60.000/ano) nível de emprego já está nos níveis pré-pandemia, enquanto a concentração do desemprego gerado está na população de renda mais baixa. Esse foi o motivo para mais um pacote fiscal

• Tecnologia será uma das responsáveis pela desinflação em segmentos como educação e saúde

• Devido ao grande desemprego estrutural, a Europa é a que mais assusta com o juro real negativo de aproximadamente -1,6 para 10 anos

• Rotações acontecendo entre Global Growth x Global Value 

• Em algum momento, a abertura das treasuries deve fazer o S&P cair

• Acredita haver bolhas setoriais

• FAAMGs - Crescimento de 25% ano, é possível esperar que sigam crescendo na média de 15% nos próximos anos

É o momento de olhar para fora dos EUA e ir para outros países?

LS: Temos dificuldades para achar bons gestores na Ásia, mas devemos olhar. A Ásia, capitaneada pela China e tigres asiáticos está sendo o grande motor do mundo. Segue alocando nos EUA, porém cada vez mais dedicando tempo na Ásia.











MACRO MERCADOS DIÁRIO 1903 - Pandemia e recuperação

MACRO MERCADOS DIÁRIO
Sexta-feira, 19/03/2021
Pandemia e recuperação

Fed "dovish", Banco Central brasileiro "hawkish". Dosagens de ambos na política de juros, são decisivas nos próximos meses. No Brasil, inflação “na veia” e crescimento anêmico; nos EUA, inflação “controlada” e crescimento forte. No diferencial de ambos, a aplicação mais rápida das campanhas de vacinação. No exterior, o atraso destas acabou derrubando, na quinta-feira, a cotação do barril de petróleo, pressionou os yelds dos treasuries americanos e as bolsas de valores.

Daí a urgência da vacinação. Talvez esta seja a “linha de corte” na análise dos países que estão voltando a crescer e a “respirar” alguma normalidade, mesmo que diferente do passado. Não achamos que tomou vacina, tudo volta ao normal. Não! Pelo contrário. As pessoas devem começar a “desconfinar” aos poucos, gradualmente, até que tudo funcione em “rotina” e na medida do possível. Aqui vai uma recomendação à todos! Não deixem de usar máscara e mantenham algum distanciamento, mesmo depois de vacinados!

No Brasil, a situação da pandemia, segue trágica, descontrolada e colapsando os sistemas de de saúde em vários Estados. A maioria com mais de 80% de ocupação nos leitos de UTIs. Em 24 horas, mais de 1,8 mortes, chegando a 300 mil no acumulado, uma tragédia humanitária, a maior da história brasileira. O quadro abaixo bem mostra o nosso descalabro, uma população que representa 2,7% da mundial, mas em relação às mortes por Covid19, indo a 27,9% do total. Uma boa compilação de dados expresa tudo.


Sobre o debate em torno do lockdown, está comprovado “empiricamente” em vários outros países que dá certo sim! Como exemplo, temos Portugal. No início de janeiro, a pandemia “escorregou” por lá, perdeu-se o controle, devido ao afrouxamento com as festas de final de ano. As mortes chegaram a quase 300 por dia e os novos casos mais 20 mil. Um “lockdown absoluto” se fez necessário, as pessoas ficaram em casa, muita uso de máscara, muito distanciamento social e álcool gel. Como resultado, as mortes caíram a algo entre 10 a 15 por dia, as novas internações, a 200. O país, voltou a “respirar”, sem a ajuda de aparelhos. Agora retornamos ao ciclo de desconfinamento gradual.

Como explicar? Muitos vão contra-argumentar que é muito fácil comparar um país do tamanho do estado do Rio de Janeiro, “suprido” em muito pela União Europeia e os fundos, no que chamam de “bazuca”. Sim, isto é verdade. Mas também é verdade que o presidente Marcelo Rebelo dialoga com o primeiro ministro Antonio Costa, há um Comitê da Pandemia, o conselho de ministros se reune constantemente, o Parlamento debate, há os que discordam, mas sempre prevalece o bom senso e a maioria. Soma-se a isso, não existe “batalha de narrativa”, a sociedade portuguesa sabe que não existe outra saída, que não o isolamento. Há custos sociais? Claro! Mas em conjunto, subsídios, auxílios emergenciais, moratórias de dívidas, estão sendo dadas. São um conjunto de decisões e atitudes que não podem ser negadas. Tudo que não se vê no Brasil.


Muitos vão argumentar que o problema das vacinas é global. Sim. Vários países estão sendo afetados, mas era urgente, ao longo do ano passado, uma programação, um planejamento, se organizar preventivamente, provocar menos celeumas na mídia, agir com o devido rigor e responsabilidade. Vários países agiram desta foram, o Brasil não. Até determinado momento, a vacinação foi desconsiderada, nem levada a sério. No gráfico a seguir, chama atenção um país vizinho, que muito se organizou para a campanha de vacinação, se mobilizou, o Chile. Os chilenos começaram a negociar com a Pfizer em agosto, em novembro fecharam o primeiro lote de 10 milhões de doses. A mesma Pfizer que nos ofereceu 70 milhões de doses em agosto, o que foi recusado pelo presidente Bolsonaro. Com os “bate bocas” de sempre do presidente, fomos ficando para trás. Um gráfico a evidenciar isso.



No ambiente externo, decorrente de algum atraso na vacinação em vários países da Europa, na quinta-feira as bolsas globais desabaram, o barril do petróleo recuou forte e dispararam os yelds dos Tareasuries. Não há vacina para todos. Existe sim um gargalo na oferta pelos laboratórios. Decorrente disso, as vacinações estão ocorrendo de forma muito errática e lenta. No Brasil, este quadro acabou limitando a reação dos ativos domésticos, depois do BC ter dado um “choque de credibilidade”, ao elevar a taxa Selic em 0,75 p.p., a 2,75% anuais. Para a próxima reunião do Copom, em maio, crescem as apostas de que a taxa Selic terá mais um aperto de 0,75 p.p., não sendo surpresa se chegar a 1 ponto porcentual.

No mercado de câmbio, o cenário é de tendência global de alta do dólar, em meio à pressão nos Treasuries de longo prazo. No Brasil, depois da decisão do Copom, a moeda norte-americana até deu uma cedida na quinta-feira, -o,30%, a R$ 5,5695, depois de, pela manhã, ter cedido até a R$ 5,47, em reação ao Copom mais “hawkish”. Já a bolsa de valores foi de baixa, tanto aqui quanto em NY.
Além do caos da Covid19 no Brasil, com cada vez mais medidas de restrição adotadas, a possibilidade de uma terceira onda da pandemia na Europa ajudou por tombar o petróleo em 7%, afetando as ações da Petrobras. Ao mesmo tempo, as ações dos varejistas reagiram em queda ao aperto monetário e o recuo do Ibovespa, -1,47%, aos 114.835,43 pontos, só não maior porque os bancos, que podem ter seus resultados favorecidos pelo juro mais alto, sustentaram os ganhos. Em Nova York, diante do tombo das petroleiras, nenhum índice conseguiu resistir à queda, mas o destaque foi a forte baixa de 3% do Nasdacq.

MERCADO DE ATIVOS

Num cenário de incerteza sobre o futuro, o ciclo de vacinações, o barril de petróleo despencou, seguido pelas bolsas internacionais. Em NY, a Nasdaq caiu 3,02%; no Brasil, o Ibovespa acompanhou a piora do humor externo e fechou em queda de 1,47%, a 114.835,43 pontos, com giro financeiro de R$ 32,3 bilhões. Na semana, avança 0,59% e no mês, 4,36%, colocando as perdas do ano a -3,51%. No mercado cambial, o fechamento do dólar à vista foi de baixa de 0,30%, a R$ 5,5695. No mercado futuro, o dólar para abril cedia 0,34%, a R$ 5,5680, em dia de volume mais forte de negócios, superando US$ 16 bilhões. Ainda no mercado futuro, destaque para a movimentação dos estrangeiros esta semana, com forte redução de posições contra o real, chegando a US$ 2,7 bilhões.

quinta-feira, 18 de março de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 1803 - Surpresa no Copom, como previsto no Fomc

MACRO MERCADOS DIÁRIO
Quinta-feira, 18/03/2021
Surpresa no Copom, como previsto no Fomc

Acabaram indo “atrás da curva” os diretores do Banco Central brasileiro. Como a taxa vinha “atrasada”, real negativa frente aos índices de preço, e observando um descasamento nos prêmios exigidos pelo mercado para a rolagem da dívida, optou-se por elevá-la em 0,75 ponto percentual, a 2,75%. No Fed, não tivemos surpresas, com o presidente Jerome Powell reafirmando sua postura “dovish” e defendedo uma “política acomodatícia” num cenário mais promissor para a economia norte-americana.

Como dizem no mercado, o BACEN resolveu “ancorar as expectativas”, fez o que deveria ser feito, dada a trajetória da inflação, impactada pelo câmbio mais depreciado e “commodities” em trajetória explosiva, com especial atenção para os preços dos combustíveis.

Mesmo considerando este ambiente inflacionário desafiadore a economia ainda rodando no negativo, no que muitos chamam de “estaglação”, os diretores do banco o encaram como temporário, apesar de manter alguma vigilância. Acham que este vem sendo gerado por um fenômeno inédito, mas superável, caso as campanhas de vacinação deslanchem, abrindo espaço para uma retomada mais consistente da economia e a redução dos gastos públicos compensatórios.

Olhando o balanço de riscos, realmente, a cena não é das mais favoráveis.

A economia recuou 4,1% no ano passado, melhor do que muitos países, mas ainda um “belo tombo”, e deve continuar retraída neste primeiro semestre; a inflação, projetada pela Focus, já chega a 4,6%, negativando a taxa de juros real; a deterioração fiscal é uma realidade, com a dívida bruta beirando os 100% ao fim deste ano e a crise política, num ambiente de açodamento permanente, impacta no horizonte dos investidores. Aguardemos a ata, na semana que vem, para saber o que o que o BACEN deve considerar para os próximos movimentos. Ainda acreditamos numa taxa Selic em torno de 5% ao fim deste ano.

Sobre o Fed, nesta reunião de quarta-feira foi mantida uma postura mais “amena” (ou “dovish”), achando Powell que o juro deve se manter baixo até 2023. Considera a inflação, que possa ocorrer, como algo transitório e acredita que os indicadores de atividade são promissores. Isso acontece num momento em que o mercado de títulos “inclinava a curva de juro”, preocupado com a trajetória da inflação. A economia real deve ser “turbinada” neste ano, e nos próximos, pelos mega estímulos fiscais anunciados, e na leitura do mercado, deve vir a gerar alguma pressão inflacionária, no que muitos chamam de “reflation trade”.

Powell parece não se preocupar, por ora, com estes sinais, o que é bem interpretado pelo mercado. As bolsas fecharam nesta quarta-feira em boa alta, assim como as curvas de juros dos T Bonds de dois anos e de dez anos, recuaram. No Brasil, o impulso também foi forte, com a bolsa de valores, estimulada pelas empresas de commodities e os bancos, subindo 2,22%, a 116.549 pontos, e o dólar perdendo vigor, em baixa de 0,59%, a R$ 5,5861. Já em NY, o DJ avançou 0,58%, a 33.016 e o Nasdaq 0,29%, a 3.974 pontos.

Por fim, podemos constatar que também contribuiu para este bom humor das mercados, no Brasil e nos EUA, a revisão mais otimista das projeções do Fed, elevando o crescimento do PIB, de 4,2% para 6,5%, e da inflação, pelo indicador de gastos (PCE), a 2,2%, mais próximo da meta, de 2,0% do Fed.
MERCADO DE ATIVOS

Diante da postura mais “dovish” do Fed, a bolsa de valores paulistana acabou tendo um bom impulso, subindo 2,22%, a 116.549 pontos, com giro financeiro de R$ 47,8 bilhões. Na semana o índice avança 2,09%, no mês 5,92%, reduzindo a perda no ano, -2,07%. Na puxada da bolsa doméstica, destaque para alta de 9,87% para Sul América, à frente de JHSF (+7,62%) e de Cosan (+7,37%). No lado oposto, Hapvida cedeu 2,39%, Intermédica, 1,43%, e Eneva, 0,95%. Setores de maior peso no Ibovespa tiveram desempenho positivo na sessão, como commodities (Petrobras PN +3,44% e ON +3,19%; Vale ON +1,44%) e bancos (Bradesco PN +4,17%). Já o dólar operou em duas direções nesta quarta-feria, foi a R$ 5,68 antes do Fed Fomc, para depois da reunião, fechar a R$ 5,57

Em suma, as sinalizações de manutenção da política acomodatícia por um longo período derrubaram o dólar no mundo, retiraram força das taxas longas de juro e impulsionaram as bolsas. No fechamento do mercado, o dólar fechou em queda de 0,59%, a R$ 5,5861. No mercado futuro, o dólar para abril cedia 0,70%, a R$ 5,5875 às 17h20.

quarta-feira, 17 de março de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIOS - DUAS REALIDADES

Em semana de reunião do Copom e do Fomc é importante um olhar sobre como será a atuação de cada uma das autoridades monetárias, em universos e momentos muito distintos. No Copom, a pressão pela elevação da taxa Selic é uma realidade, sendo muitos os que criticam a manutenção nos 2% anuais. Nos EUA, o “bolsão de liquidez” que se transformou o país angustia a muitos, que já enxergam o fantasma da inflação no horizonte, além do estouro de bolhas.

Estas duas realidades, situações totalmente distintas, merecem ser analisadas.

Nos EUA, o Fed deve optar pela manutenção da taxa de juros de curto prazo, Fed Funds, em patamar baixo, o que preocupa, diante do mega pacote anunciado por Joe Biden, com o objetivo de manter a economia norte-americana “rodando”. O pacote chega a US$ 1,9 trilhão, 15% do PIB, e tem como “carro chefe” uma “bolsa” de US$ 1,4 mil a quase todos os americanos, a ser paga no final de semana, algo mais do que suficiente para evitar o desemprego.

Isso, aliás, é uma questão, pois no mercado de títulos já existem movimentos em torno de uma suposta elevação da inflação, diante deste “boom de demanda agregada”. Importante também reforçar o esforço de fechar o ciclo de vacinação de adultos até o dia 1º de maio. Com este resolvido,o retorno a um “novo normal” já passa a estar na agenda de todos os norte-americanos. “Retomemos a vida, claro que o com o devido cuidado e atenção”.

Nos mercados de T Bonds de 10 anos, as taxas já se aproximam dos 1,7%, num indicativo de que a inflação pode chegar a este patamar no médio prazo, talvez em fins de 2022. Por enquanto, isso ainda não acontece. O CPI de fevereiro ficou em 0,1%, com a taxa anualizada em 1,2%, ainda distante do centro da meta do Fed, de 2,0%.

Pela leitura do Fed, “não há problemas nesta onda de venda de treasuries”, até porque há preocupação em se descolar das movimentações do Banco Central Europeu, em ciclo de compra de títulos.

Na visão do presidente do Fed, Jerome Powell, a tese parece ser pela “política acomodatícia” dos últimos meses, com influência em leilões do Tesouro e dados moderados de inflação. Hoje temos os dados de produção industrial e varejo nos EUA, o que deve nos dar uma sensibilidade maior sobre este “tradeoff” entre inflação, atividade e desemprego.

Uma redução gradual dos estímulos do Fed só deve acontecer a partir de meados de setembro do ano que vem, nos treasuries e nos MBS, títulos atrelados a hipotecas.

Nos debates, Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do FMI, acha que “haverá um superaquecimento da economia americana com estes estímulos fiscais do Pacote Biden”.

Em um cenário, no qual o Fed pode ter que subir os juros em ritmo mais forte, a tendência é de mais apreciação para o dólar, o que pode ser ruim para os emergentes, que têm reagindo pouco aos juros dos Treasuries. O dólar ainda pode se apreciar por conta do diferencial de crescimento, com os EUA avançando mais que outras grandes economias, o que também afetaria os emergentes. Aguardemos nesta quarta-feira, a entrevista de Jerome Powell, depois do Fomc, para reunirmos mais elementos.

É neste cenário de real pressionado (ou desvalorizado), pelas ações do Fed e o ambiente doméstico muito “tóxico”, que o Banco Central brasileiro deve deliberar sobre a taxa de juros nesta quarta-feira. Neste caso, já parece haver “precificação” por uma taxa elevada em 0,5 ponto percentual, a 2,5%, já que muitos a consideram “atrás da curva” (a de 2,0%).

E esta decisão do BACEN acontece num momento que a inflação ameaça sair do controle, dado o câmbio muito depreciado, o “pico das commodities” e os movimentos oportunistas de sempre, num cenário de crise e açodamento político. Em fevereiro, o maior pico do IPCA (0,83%) veio da gasolina e dos alimentos, taxa que deve se repetir em março. Na pesquisa Focus, assustou o IPCA deste ano, de 3,98% para 4,60%.

O que nos diferencia, em especial, em relação aos EUA, além da inflação muito mais pressionada, é estarmos não só atrás da “curva no juro”, mas também nas vacinações, totalmente atrasadas. E aqui caímos na “vala comum do populismo”, pois se o País tivesse se organizado, planejado, nesta fase de vacinação, talvez, estivéssemos debatendo políticas de estímulo da economia e não de sobrevivência.
Talvez um “pacote Guedes” estivesse no prélo para empurrar a economia pós Covid para frente. Infelizmente, não é isso que acontecerá. Continuaremos gerenciando o “desespero” das pessoas, a necessidade, ou não, de lockdown, o recorde diário de mortes, pois chegamos ao “fundo do poço”, sem vacinação e muita polarização política.

O que temos no momento é o Pacote Emergencial, com prazo de validade de quatro meses (ou mais). O auxílio emergencial, a ser dado, no limite até R$ 44 bilhões, será dividido em três parcelas para a população.

Será R$ 150 para a maioria, cerca de 20 milhões de brasileiros, para famílias unipessoal; R$ 250 irão para 16,7 milhões com famílias mais numerosas e R$ 375 para aqueles onde as mulheres são as mantenedoras. No total, são 46 milhões de brasileiros agraciados.

Sobre o “ciclo de vacinação”, o ministro de saída, general Pazuello, anunciou 562 milhões de doses, já encomendadas para este ano. Agora assume o quarto ministro, médico Marcelo Queiroga, que esperamos consiguir reordenar a pasta, abrindo diálogo com os governadores e prefeitos e aceitando o que se recomenda o bom senso e "protocólo no mundo", lockdown quando necessário, isolamento social, máscara e muito alcool gel.

Agenda Semanal

Atenção para os dados do Caged de janeiro. Em dezembro, estes recuaram, em janeiro devem avançar para 179 mil novas vagas.

BALANÇOS – Gafisa, NotreDame Intermédica e D1000 vêm após o fechamento. Fazem teleconferências: Direcional, Mitre, Positivo, Hidrovias do Brasil e JSL. Eletrobras, que divulgaria resultado ontem à noite, adiou para 6ªF.

segunda-feira, 15 de março de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 1503

Segunda-feira, 15/03/2021

Pandemia sem rumo, PEC e Auxílio Emergencial, Copom e FOMC

Iniciamos a semana sobressaltados pelo “sai ou não sai” no Ministério da Saúde. Ao fim da semana, o ministro Pazuello chegou a anunciar sua saída, por motivos de saúde, mas ao fim de domingo tudo virou. A impressão é que a médica cardiologista convidada, Ludmilla Hadja, não aceitou o convite, feito pelo presidente Bolsonaro. Daí o gen Pazuello ficar até acharem alguém para a vaga.

Em suas assertivas, disse ela “não podemos tratar as pessoas com base em ideologias. A cloroquina, por exemplo, que foi extremamente ideologizada no início da pandemia, não serve para a Covid-19. Está completamente comprovado cientificamente. É uma medicação excelente para tratar outras doenças, mas os estudos mostraram que, tanto a hidroxicloroquina, quanto a cloroquina, não possuem eficácia na prevenção e no tratamento do coronavírus.” Realmente, uma pessoa de bom senso. Não dava...e segue o presidente tendo dificuldade de encontrar quem “reze pela sua cartilha”. Acaba sempre recorrendo a um general, na ativa ou de pijama.

Na bolsa doméstica, a semana que passou foi marcada pela alta volatilidade, com o B3 fechando em baixa de -0,90% aos 114.160 pontos afetado pela volta do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cenário eleitoral, após o ministro Edson Fachin retirar todas as condenações que pairavam sobre ele. Foi uma semana também marcada pelas negociações no Congresso em torno do Auxílio Emergencial, por quanto tempo fornecido (quatro meses), qual valor (R$ 175 a R$ 350), etc. Pressões, no entanto, devem se intensifciar para este auxílio ser “empurrado” até as eleições sob outra denominação. Alguém se ilude em relação à isso?

Uma boa notícia é que muitos dos destaques não passaram, a Bolsa Família não foi retirada do teto dos gastos e nem outras sinecuras políticas aceitas. Ao fim, são cerca de R$ 43 bilhões a mais, com crédito excepcional, visando preservar o teto e não comprometer muito o Orçamento.
Sobre os eventos da semana, estejamos atentos à reunião do Copom desta semana, havendo consenso sobre a necessidade de ajuste da taxa Selic, mas ainda dividida sobre sua intensidade, entre 0,5 e 0,75 ponto percentual. Acreditamos que o BACEN delibere sobre um ajuste de 0,5 p.p. até para justificar as pesadas atuações do BACEN no mercado cambial, ofertando swap sem rolagem, ou seja, novos recursos no mercado. Já foram três mega leilões, dois na semana passada, de US$ 1 bi e US$ 750 milhões e agora, nesta segunda-feira, de US$ 500 milhões, o que jogou a moeda norte-americana a R$ 5,55. Ou seja, o BACEN quer derrubar o dólar para justificar um ajuste mais tímido da taxa Selic na reunião do Copom desta semana.

Nos EUA, a campanha de vacinação segue intensa por estes dias, com o governo prevendo terminar a vacinação de adultos até o dia 1/5. Isso, somado ao Pacote Biden, algo em torno de 15% do PIB, deve turbinar a economia norte-americana nos próximos meses. O salário mínimo de US$ 1,6 mil deve começar a ser dado neste próximo fim de semana. Por isso, a preocupação com o repique inflacionário, embora a meta do Fed esteja, por enquanto, distante, 2,0%. O CPI de fevereiro, por exemplo, registrou 0,3%, a 1,2% pela taxa anualizada, ainda distante da meta.

Mesmo assim, o mercado de títulos segue inclinando as curvas de juro futuro, com prêmios adicionais. Os treasuries de 10 anos já são negociados a 1,63% e já se comenta poderem chegar a 2% até o final do ano. Por outro lado, Powell, que fala nesta semana, depois da reunião do Fomc, não acredita nesta possibilidade, ainda vendo certa distância no front inflacionário.

Agenda Semanal

Na agenda semana, sai hoje o IBC-Br, devendo desacelerar de 0,64% em dezembro para 0,50% em janeiro. Se confirmado, será a pior taxa para o indicador de atividade dede o “fundo do poço” de abril de 2020 (-9,51%). À tarde (15h), sai a balança comercial semanal. Amanhã, é dia dos dados do Caged de janeiro.

Sobre os balanços, Eletrobras, Direcional, Hidrovias do Brasil, JSL, Mitre e Positivo saem hoje, após o fechamento. Gol é destaque 5ªF, junto com Light, C&A, Cyrela e Even. Ainda no setor imobiliário, amanhã tem Gafisa e, na 4ªF, EzTec. A semana ainda reserva Copel (4ªF), NotreDame Intermédica (amanhã) e Hapvida (5ªF), Ânima e Yduqs (4ªF).

Bons negócios e boa semana a todos!

sexta-feira, 12 de março de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 1203 - MUNDOS PARALELOS

Nos EUA, a campanha de vacinação deu uma acelerada por estes dias, o que, junto com o Pacote Biden, deve turbinar a economia norte-americana nos próximos meses. A preocupação inicial com a inflação, o que vinha inclinando as curvas de juro futuro, parece mais amena neste momento, depois dos dados de inflação de fevereiro, sob controle. 

Hoje sai o PPI, índice ao produtor, uma prévia do CPI, que veio mais fraco em fevereiro (0,3% e 1,2% no ano). Estas, inclusive, são as mesmas estimativas do índice ao produtor. 

Isso deve fortaceler o discurso do Fed de que as pressões inflacionárias ainda não estão no horizonte, o que deve manter a política monetária acomodatícia por um longo tempo. 

No Brasil, ao contrário, não dá para festejar nenhuma campanha de vacinação. A entrega de vacinas segue muito incerta, uma incógnita, embora o governo Bolsonaro tenha prometido 500 milhões de doses já fechadas (confirmadas) neste primeiro semestre. 

Na quinta-feira, de novidade, tivemos o IPCA a 0,85% em fevereiro, depois de 0,25% em janeiro, acelerando por causda dos alimentos, combustíveis e do câmbio mais depreciado, o que deve abrir espaço para uma postura mais agressiva dos diretores na decisão do Copom da semana que vem. 

A curva de juro curto segue inclinada e "adicionando prêmios". Agora, a decisão se divide na alternativa de uma elevação da Selic de 0,75 ponto percentual, a 2,75% anuais, ou 1,oo ponto percentual, a 3,0%. 

No "front" cambial, por outro lado, o Banco Central segue atuando na oferta de swap, tentando esvaziar as expectativas do Copom, com atuações diárias e preventivas no mercado. Ontem, o dólar fechou a R$ 5,5428, em sintonia com a trajetória da moeda norte-americana no exterior. 

Falando da PEC emergencial, já aprovada em segundo turno ontem, foi definido o auxílio emergencial de R$ 250 para cerca de 35 a 40 milhões de brasileiros, e estipulado o limite de R$ 44 bilhões para estes gastos totais. Este auxílio deve ser fornecido num prazo de quatro meses, mas não descartamos prorrogações. Tudo irá depender do ritmo de vacinações. 

Enquanto este não acontece, o clima de lockdown em várias cidades do País já uma realidade. Em São Paulo, por exemplo, ingressamos na fase roxa, na qual até futebol foi suspenso. O impacto sobre o mercado, a economia, portanto, será inevitável. Paulo Guedes acha, no entanto, sempre otimista,  ser possível a agilização destas variações o que deve reforçar a recuperação da economia sob a forma de "V". Segundo ele, isso deve ser confirmado pelo desempenho da arrecadação federal de fevereiro, a ser divuglada, e mostrando uma boa reação. 

Ontem, o B3 fechou em alta firme, de 1,96%, a 114.983,76 pontos, depois de ter superado  115 mil pontos no melhor momento do dia (115.126,94). O giro (R$ 45,3 bilhões) manteve o patamar elevado dos últimos dias. No mercado de petróleo, o Brent avançou 2,55%, a US$ 69,63, e o WTI +2,45%, a US$ 66,02.  

Bons negócios e bom fim de semana a todos!




MACRO MERCADOS ESPECIAL - O CAMINHO DA PROSPERIDADE (OU DA SERVIDÃO, parafraseando Hayek)

Tenho escutado muita coisa no debate econômico do País.

Uma das "pérolas", que tem me deixado muito chateado, para não dizer, CANSADO, têm sido as constantes críticas ao tal "neoliberalismo", o que quer que isso signifique.

Sim, porque é mais um conceito, ou pré-conceito, criado por alguns acadêmicos, pelas "esquerdas", ou os que defendem um setor público mais atuante e ativo, na critica aos que são defensores de uma maior disciplina fiscal (chamam de "austericídio"!), uma agenda coerente de reformas estruturais, um regime monetário mais independente, um pacote amplo de privatizações, um regime de câmbio flutuante, etc.

Enfim, tudo que deve ser feito para uma economia "decolar e surfar na boa onda da prosperidade", até respondendo aos ensejos de várias correntes existentes entre os heterodoxos, na defesa do tal neo-social desenvolvimentismo (também, o que quer que isso signifique).

Nas minhas leituras, dá para concluir que o "neoliberalismo" nasce depois da da década perdida, em que uma série de políticas nacional desenvolvimentistas colocavam os países em desenvolvimento, entre as décadas 70 e 80, no estrangulamento do endividamento público externo.

Diante do duro diagnóstico de que o Estado havia perdido capacidade de empurrar o crescimento para a frente, que havia um esgotamento na capacidade de investimento público, e que boa parte da poupança pública havia se esvaído, um grupo de economistas se reuniam em Washington.

Depois de dias de estudos e debates, na Brooking Institution, estes economistas, liderados por John Williamson, chegam a uma série de conclusões, o que, aliás, é seguido pela comunidade acadêmica norte-americana, liderada por Thomas Sargent, Lucas e tantos outros, no que conhecemos hoje de novos-keynesianos. Foi daí que nasceu o chamado "Consenso de Washington".

O diagnósito para um país avançar no seu desenvolvimento, no chamado "caminho virtuoso" (resumo didático), não incluindo Pesquisa e Inovação Tecnológica, e consultando o meu bom amigo, professor da UFPEL, Marcelo de Oliveira, é um só:
A adoção de uma boa e extensa agenda de reformas estruturais (Tributária, Educacional - o que inclui pesquisa e desenvolvimento tecnológico -, do Estado, Administrativa, Microeconômica, Trabalhista, mais aprofundamento na reforma da Previdência, etc. Importante também a necessidade de se buscar avanços nas Instituições, o que tende a reduzir os custos de transação para a sociedade, um melhor ambiente de negócios, maior produtividade dos fatores e maiores retornos esperados, mais investimentos, mais empregos, renda, e finalmente, maior e melhor distribuição de renda e de oportunidades para todos.

Poderíamos também incluir, do Consenso, a necessidade de câmbio flutuante, da abertura das contas de capital e cambial, da independência do Banco Central, da necessidade da regra de Taylor, disciplinando e gerando regras para o regime monetário, dentre outros.

Ou seja, este "ciclo virtuoso" não abra mão da agenda de reformas estruturais. São estas, e as várias reformas institucionais, os avanços nos mecanismo de controle, os poderes da República fortes e independentes, um setor público mais regulador e atento aos desequilíbrios de mercado, que tendem a proporcionar este almejado "caminho da prosperidade".

Poderia se pensar em menos Estado na economia? Não, o debate não é este. O debate é tornar o Estado mais EFCIENTE, já que é essencial para que as engrenagens do sistema econômico funcionem, tenham maior "fluidez", e não para "empacar" as atividades e o enriquecimento das famílias e empresas, numa linguagem de Contas Nacionais.

Não tem "nó na lingua", não tem retórica vazia ou demagógica.

Agora, se trilharmos a "contramão" do bom senso e de tudo já observado no mundo, nas experiências de governança bem sucedida, podemos optar pelo chamado "círculo vicioso". E o que é este círculo?

Mais uma vez, consultando o meu querido amigo, professor Marcelo de Oliveira, o "caminho vicioso" (defendido por todos que perdem com as reformas acima), é o seguinte:
Sem reformas => Instituições menos eficazes => Mais subsídios e mais privilégios => Maiores custos de transação pa,ra a sociedade => Pior ambiente de negócios => Menor produtividade e menores retornos esperados dos negócios => Menores investimentos => Menos empregos => Menores salários => Menor e pior distribuição de renda para todos.
Enfim. Estudos acadêmcios, brasileiros e no exterior, sérios, realizados envolvendo dados de vários países, mostram que os que seguiram o primeiro caminho cresceram e se desenvolveram.
Já os que não seguiram...

Claro que par isso, é preciso conversar com os russos. Um governo, para ingressar neste circulo virtuoso precisa "construir" uma boa base de governabilidade junto ao Congresso. Precisa compor para poder avançar. Na nossa intricada realidade política, de "presidencialismo de coalizão ou de cooptação", pacto federativo frágil, instabilidade jurídica e vários partidos pequenos com cláusula de barreira frouxa e financiamento público de campanha, fica complicado se pensar nestes avanços econômicos, sem passar também para urgência de uma Reforma Política. Esta também é inadiável, e feita por uma comissão de notáveis, com saber jurídico para isso, e não pelo próprio Congresso. 

Vários amigos economistas, cientistas sociais diversos, acham que a Reforma Política é a "mãe de todas as reformas".

 Mas isso é assunto para um outro debate. 

Vamos conversando. 



Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...