A matéria liga três frentes num mesmo fio: Master/Trustee, fraudes no INSS e uma empresa usada como “casca” societária. Um fundo administrado pela Trustee DTVM (que fazia a administração de ativos ligados ao Banco Master) investiu R$ 9,9 milhões na BSF Gestão em Saúde, empresa associada ao lobista Danilo Trento, hoje alvo da CPI do INSS. O investimento foi feito via Fundo Albali (fev/2023) por compra de 9,9 mil notas comerciais (R$ 1 mil cada), com vencimento previsto para mar/2024 — e, segundo a própria Trustee, a BSF não pagou nada (“calote”), ou seja, o fundo não teria obtido ganho.
Destaques que tornam o caso politicamente tóxico (e juridicamente “cheirando mal”): (1) Trento admite ser o “verdadeiro dono” mesmo após transferir a BSF em mar/2024 para Francine da Rosa, ex-beneficiária de Bolsa Família/Auxílio Emergencial, e confessa que a troca de titularidade foi orientada por advogado para evitar bloqueio judicial; (2) a Trustee é de Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro, e foi citada na Operação Carbono Oculto (suspeitas de uso de fundos para lavagem ligada ao PCC, segundo o texto); (3) há ressalvas de auditoria: a RSM teria se abstido de opinar por falta de dados suficientes para validar as informações do Albali; (4) o Albali teria apenas um cotista, sob sigilo, e Vorcaro já teria dito ao Valor que Quadrado era o “único beneficiário” na época do Fasano Itaim (comprado com o mesmo fundo).
No eixo INSS, a reportagem reforça que Trento é apontado como peça relevante no esquema de descontos ilegais de aposentados, com menções a repasses identificados em relatório do Coaf (ex.: R$ 300 mil de empresa ligada a contador da Conafer e R$ 100 mil de dirigente da AAB). E surge um ponto explosivo: a CPI também apura a trilha do crédito consignado, onde o Master aparece como beneficiário por ter acordo de cooperação técnica com o INSS; o jornal afirma que o banco teria deixado de apresentar mais de 250 mil documentos de comprovação de contratos, e um relatório do INSS classificaria como “falha grave e insanável”, levantando dúvidas sobre consentimento.
Conclusão prática: a história não é “só” um investimento que deu errado — é um mosaico de governança frágil, opacidade, manobras societárias confessadas e trilhas financeiras que se encostam em duas CPIs (Covid e INSS) e em estruturas de fundos com pouca auditabilidade. CTA: tratar isso como checklist de apuração: (i) cadeia de decisão do investimento (quem aprovou, quando, com qual diligência), (ii) identificação formal do cotista/beneficiário final do Albali, (iii) documentos do fluxo de pagamento (ou ausência) da BSF, (iv) trilhas do Coaf e vínculos com entidades de desconto, (v) os 250 mil contratos faltantes e a responsabilidade por guarda e validação — porque é aí que o caso deixa de ser “notícia” e vira “prova”.