segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Leitura de domingo 2

 Leitura de Domingo: 'Boom' da renda fixa impulsiona receitas de bancos de investimento


Por Matheus Piovesana, Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 10/02/2025 - A renda fixa "bombou" em 2024 e ajudou a impulsionar bancos de investimento brasileiros em um novo ano fraco para operações de renda variável. Combinados, Itaú BBA, BTG Pactual, Bradesco BBI e Santander tiveram receitas de R$ 10,2 bilhões ao longo do ano passado, um crescimento de 28,4% em relação a 2023. Esse crescimento pode ser atribuído aos volumes recordes de emissões de crédito privado e securitização, que se tornaram uma alternativa ao crédito bancário para empresas de grande porte.


O montante de R$ 709 bilhões em emissões em renda fixa, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), compensou a menor comissão média que as operações do segmento costumam render. Mas 2025 se desenha difícil, repetindo o cenário de poucas ofertas de ações e com a renda fixa mais pressionada, por conta dos juros em alta.


O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, disse a analistas na semana passada que espera uma queda de 30% a 40% no volume de emissões, além de não antever janelas amplas para a emissão de ações. Nos bastidores, a avaliação de executivos é a mesma: apenas operações pontuais, como a oferta de ações (follow on) da Caixa Seguridade, devem sair.


Ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) só devem acontecer mais para o fim de ano, também de forma pontual e se houver alguma sinalização de queda de juros pelo Banco Central. "Olhando as condições macroeconômicas agora, não parece o cenário-base [para ter IPO nos próximos meses]", disse o presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, Guilherme Maranhão.


Os números recordes da renda fixa em 2024 contrastaram com os das ofertas de ações, que se tornaram raras com os juros em dois dígitos. Foram só R$ 25 bilhões no ano passado, o menor volume desde 2018 e grande parte disso atribuível à oferta que privatizou a Sabesp, em julho, que movimentou R$ 14,8 bilhões. A renda variável é mais cobiçada pelos bancos de investimento porque as comissões são mais altas.


O contexto levou os bancos de investimento a calibrarem equipes. O Bradesco BBI, por exemplo, praticamente dobrou o time dedicado à renda fixa, tanto nas áreas de originação de operações quanto nas de distribuição. Um dos focos foi a distribuição de papéis para pessoas físicas, em que a presença era menor. No BTG, a receita do banco de investimento cresceu 30% no ano, com contribuição recorde da área de dívida, além da forte atividade no mercado de fusões e aquisições, na qual o grupo assessorou mais de 60 negócios.


O diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, avalia que ainda é muito cedo para prever se haverá contração ou não da atividade no mercado de renda fixa em 2025, já que janeiro é um mês de menor atividade para as companhias. "Os volumes podem vir a ser um pouco menores este ano, dado que temos um novo ciclo de juro, o qual coloca pressão nas empresas, mas é muito cedo para qualquer tipo de previsão."


A demanda por títulos privados, tanto pelos pequenos quanto pelos grandes investidores, reforçou a concorrência do mercado de crédito privado com o crédito bancário. Reflexo disso é que os bancos não têm originado empréstimos a empresas quando entendem que as margens serão baixas demais. Têm preferido assessorar captações de mercado, que não exigem alocação de capital próprio.


Nas debêntures, os bancos ficaram com 40% dos papéis nas operações que assessoraram - o número salta para 59% nas debêntures incentivadas, voltadas para infraestrutura, segundo a Anbima.


Contato: colunabroadcast@estadao.comS


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Leitura de domingo

 Leitura de Domingo: Indústria monitora ameaças mas vê oportunidades de entrar nos EUA com Trump


Por Eduardo Laguna


São Paulo, 10/2/2025 - O vaivém das medidas tarifárias anunciadas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos está provocando sentimentos contraditórios na indústria brasileira, já que a taxação dos produtos chineses mais as ameaças contra México e Canadá representam riscos, porém também oportunidades ao setor.


De um lado, produtos que serão barrados por Trump podem ser desovados em mercados como o Brasil. De outro, os fabricantes brasileiros entendem que terão melhor condição de competir por espaços no mercado americano, já que parcela expressiva dos concorrentes pagará impostos mais altos para entrar no país.


Por enquanto, a parte dos riscos está sendo apenas monitorada, sem desencadear uma articulação entre segmentos industriais para levar as preocupações com as ações de Trump ao governo. Já as oportunidades estão sendo mapeadas não só na maior economia do mundo, mas também nos países que vão retaliar os EUA.


Até agora, apenas as tarifas contra a China entraram em vigor. As tarifas de 25% anunciadas sobre os produtos do México e do Canadá foram suspensas após acordos com os dois países. Mas se elas forem aplicadas, as montadoras avaliam que poderão fazer frente aos automóveis produzidos no México e entrar no mercado americano, um destino sem expressão hoje na balança comercial do setor. A indústria de máquinas, por sua vez, está de olho no México, mirando a substituição dos bens de capital que o país compra dos Estados Unidos.


A ressalva é que essas oportunidades serão anuladas se Trump também decidir subir tarifas contra produtos brasileiros. A indústria, contudo,  confia que não haverá aplicação generalizada de tarifas a produtos do País, ainda que Trump possa voltar a sua artilharia contra um ou outro setor, como nos casos do aço e do alumínio.


Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, a entidade que representa as montadoras, diz que a indústria de veículos vai ganhar competitividade nos Estados Unidos se os mexicanos tiverem que pagar a alíquota de 25%.


"As marcas que estão no Brasil são, em sua maioria, as mesmas que têm fábricas no México e fornecem aos EUA. Hoje, os produtos brasileiros entram nos Estados Unidos com tributação, mas os produtos do México entram sem tributação. Quando eles também tiverem de pagar os 25%, passaremos a ter mais chances de explorar o mercado americano", comenta Leite.


José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, a associação da indústria de máquinas e equipamentos, diz que o setor pode receber mais pedidos do México se o país, que passou por uma onda de industrialização nos últimos anos, deixar de comprar dos Estados Unidos. "Pode aparecer uma oportunidade de exportação ao México", afirma Velloso. Já em relação a substituir máquinas chinesas nos Estados Unidos, o executivo considera mais difícil, uma vez que a tarifa adicional imposta por Trump, de 10%, não foi tão alta.


Na indústria de produtos químicos, a avaliação é de que as tarifas do republicano contra a China podem abrir um canal de exportação aos Estados Unidos. André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, a associação da indústria química, pondera, no entanto, que o produto químico americano já é muito competitivo em custo, o que dificulta a concorrência.


Desvio do comércio


Há uma preocupação crescente em relação ao excesso de produção no mercado internacional em decorrência das barreiras comerciais do governo Trump. "Haverá uma sobra de produtos no mercado internacional que, certamente, será redirecionada a mercados como o Brasil a preços bem abaixo do normal, inclusive do custo de produção", comenta André Passos. "O governo tem de ficar alerta para uma eventual elevação do volume de importações repentina, acompanhada de uma queda de preços pelo deslocamento de oferta", acrescenta o presidente da Abiquim.


Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit, associação da indústria de produtos têxteis, observa que os desdobramentos indiretos da política comercial de Trump são grandes. "À medida que ele restringe o comércio com a China, com outros grandes produtores de têxteis, esses países vão procurar mercados a seus excedentes produtivos. Um dos mercados, sem dúvida nenhuma, é o Brasil, que está entre os dez maiores do planeta", afirma Pimentel.


Procurada, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) disse que só vai comentar as decisões de Trump quando alguma medida afetar diretamente o Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Coalização Indústria, grupo que representa 14 entidades de setores produtivos diversos, preferem não comentar as medidas anunciadas por Trump no momento.


Contato: eduardo.laguna@estadao.com


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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

É para fechar o caixão ??

 Datafolha: Aprovação de Lula desaba para 24% e é a pior de todos os seus mandatos

Queda de 11 pontos em 2 meses é inédita; reprovação à gestão vai de 34% para 41%, aponta pesquisa


14.fev.2025 às 16h00

A aprovação do presidente Lula (PT) desabou em dois meses de 35% para 24%, chegando a um patamar inédito para o petista em suas três passagens pelo Palácio do Planalto. A reprovação também é recorde, passando de 34% a 41%.


Acham o governo regular 32%, ante 29% em dezembro passado, quando o Datafolha havia feito sua mais recente pesquisa sobre o tema. Neste levantamento, foram ouvidos 2.007 eleitores em 113 cidades, na segunda (10) e na terça-feira (11), com margem de erro geral de dois pontos para mais ou menos.


O tombo demonstra o impacto de crises sucessivas pelas quais passa o governo, sendo a mais vistosa delas a do Pix. Ela ocorreu em janeiro, com a divulgação de que o governo iria começar a fiscalizar transações superiores a R$ 5.000 pela modalidade instantânea de transferência bancária.


Ato contínuo, houve uma cobrança da oposição, sugerindo controle indevido, e uma enxurrada de fake news dizendo que haveria uma taxação do Pix. O governo ficou atônito, e restou à Fazenda do ministro Fernando Haddad (PT) revogar a medida.


Lula preferiu atribuir o fiasco à sua comunicação e trocou a chefia do setor, promovendo o marqueteiro baiano Sidônio Palmeira para a vaga do petista Paulo Pimenta. Os problemas, contudo, continuaram.


A inflação de alimentos é um foco constante de preocupação, e o presidente não contribuiu com frases como aquela na qual sugeriu que as pessoas parassem de comprar comida cara. Se na teoria parece lógico, soou como um lavar de mãos, devidamente aproveitado pela mais ágil oposição.


Resultado: Lula colheu a pior avaliação de sua vida como presidente. Antes, havia atingido 28% de ótimo e bom em outubro e dezembro de 2005, no auge da crise do mensalão, em seu primeiro mandato (2003-06). Já o maior índice de ruim e péssimo fora registrado em dezembro passado (34%).


Seu terceiro mandato, iniciado em 2023, vinha sendo marcado por uma certa estabilidade na avaliação. Na média entre nove levantamentos do Datafolha, sua aprovação era de 36% e a reprovação, de 31%. Os números atuais falam por si.


Seu antagonista principal na polarização brasileira, o antecessor Jair Bolsonaro (PL), tinha uma reprovação semelhante a essa altura de seu mandato, marcando 40% de ruim/péssimo. Sua aprovação, contudo, era algo melhor: 31%.


A pesquisa mostra a erosão da popularidade de Lula inclusive em grupos usualmente próximos do petista, o que deve tornar as luzes amarelas acesas no Planalto em vermelhas. São estratos com grande importância eleitoral pelo tamanho.


Na parcela dos que ganham até dois salários mínimos, por exemplo, a aprovação caiu de 44% para 29%. Eles representam 51% da amostra populacional do Datafolha, e a margem de erro no grupo é de três pontos percentuais apenas.


Nos 33% dos ouvidos que só têm ensino fundamental, o tombo foi também de 15 pontos: de 53% para 38%. Aqui, a margem de erro é de quatro pontos.


Mesmo na fortaleza Nordeste, reduto eleitoral por excelência do petismo apesar do avanço do bolsonarismo, houve grande prejuízo, com o ótimo/bom deslizando de 49% para 33%, numa região que concentra 26% do eleitorado, com margem também de quatro pontos.


Entre eleitores de Lula no segundo turno contra Bolsonaro em 2022, o recuo foi de 20 pontos, chegando a 46%. Aqui, a desaprovação quase dobrou (7% para 13%), mas a desconfiança fez a opinião migrar mais para o regular, que foi de 27% para 40%. A margem de erro é de quatro pontos.


Colocando os números de aprovação na forma de saldo, Lula só se sai no azul entre os menos escolarizados, com uma margem positiva de dez pontos, e numericamente entre os nordestinos, com magros três pontos.


Já os piores grupos, em termos de saldo, são as três faixas de renda acima dos 2 mínimos: de 2 até 5 e de 5 até 10 salários (33 pontos negativos em ambos) e acima de 10 (45 negativos), ressalvando que aí as margens de erro são respectivamente de 4, 8 e 12 pontos, para mais ou menos.


A pesquisa não fez especulações eleitorais, mas servirá de combustível para o debate surdo que se ouve nas hostes governistas acerca das chances de Lula em 2026.

Outros levantamentos publicados recentemente apontam que ele segue favorito, mas ainda é cedo e não se sabe o impacto de longo prazo de uma exposição à chuva da desaprovação.


O próprio presidente tem tentado sugerir cautela, dizendo que será candidato no ano que vem "se estiver legal de saúde". Ele já escolheu uma linha argumentativa, repetida por seus ministros, para explicar a crise em que seu governo se encontra.


"Esse é o meu ano. Eu quero desmascarar essa quantidade de mentira que tem nas fake news, no celular, todo mundo mentindo para todo mundo", disse em viagem à região Norte na semana passada, restando sabe se isso será suficiente para inverter a curva ora desfavorável de sua aprovação.


Enquanto isso, a oposição se mexe, com os presidenciáveis mais óbvios, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e variantes do bolsonarismo das redes, como Pablo Marçal e Gusttavo Lima, testando as águas. Bolsonaro segue inelegível até 2030.

Mailson da Nobrega

 




Call Matinal JHN Consulting 1402

 CALL MATINAL 

14/02/2025 

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (13/02)

MERCADOS

O Ibovespa, na quinta-feira (13), fechou em alta de 0,38%, a 124.850 pts, depois de passar todo o dia estável. A impulsionar, a bolsa de NY engatando uma alta no final do dia, repercutindo o tema das tarifas. Após a forte correção sofrida pela moeda frente ao real desde o pico de R$ 6,2657 atingido no fim do ano passado, o câmbio parece ter encontrado um piso nos R$ 5,75 e fechou ontem em leve alta de 0,10%, a R$ 5,7689, após encostar em R$ 5,80 na máxima.


PRINCIPAIS MERCADOS, 7h00

Neste início de sexta-feira (14), os índices futuros dos EUA operavam em alta, após a notícia de que as tarifas recíprocas podem demorar semanas para serem implementadas, ampliando a expectativa de negociações que tornem as medidas menos punitivas. Os mercados asiáticos fecharam nesta madrugada, em maioria, em alta, e as bolsas europeias, operando sem direção definida. 


EUA:

Dow Jones Futuro, +0,01%

S&P 500 Futuro, +0,06%

Nasdaq Futuro, +0,10%


Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), +0,43%

* Nikkei (Japão), -0,79%

* Hang Seng Index (Hong Kong), +3,69%

* Kospi (Coreia do Sul), +0,31%

* ASX 200 (Austrália), +0,19%

Europa

* FTSE 100 (Reino Unido), -0,30%

* DAX (Alemanha), -0,32%

* CAC 40 (França), +0,16%

* FTSE MIB (Itália), -0,07%

* STOXX 600, -0,16%


Commodities:

Petróleo WTI, +0,45%, a US$ 71,61 o barril

Petróleo Brent, +0,52%, a US$ 75,41 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,98%, a 810,50 iuanes (US$ 111,18)



NO DIA, 1402

Na agenda do dia, depois do CPI surpreendendo nos EUA, 0,5% no mensal e 3,0% no anual, hoje é dia de dados das vendas do varejo, em estimativa de recuo em janeiro, e de produção industrial, também em previsão de desaceleração. Se a atividade americana mostrar força, isso pode reforçar ainda mais as apostas em um Fed “hawkish”. As tarifas de Trump não assustam, devido aos prazos alongados para negociações. Nem a citação do etanol brasileiro no memorando da Casa Branca é motivo de tensão por aqui. O investidor está mais atento ao esfriamento da economia, que já reduz os juros abaixo dos 15% em toda a curva. Hoje, sem Trump e agenda fraca, é bem possível que as preocupações se voltem novamente para a questão fiscal, com a Fazenda atendendo as pautas prioritárias de Lula.


Em declarações no início da noite, o ministro Haddad disse para os jornalistas que os projetos que tratam da isenção do IR para aqueles que ganham até R$ 5 mil e do novo consignado privado estão “avançados” e podem chegar ao Congresso ainda antes do Carnaval.


No contexto de desaceleração da economia brasileira, já comprovado também no mercado de trabalho pelos dados do Caged de dezembro, o IBGE divulga hoje, a Pnad Contínua Trimestral.


Ainda sobre a agenda, diretores do BC fazem novas reuniões trimestrais com mais dois grupos de economista, e Lula participa do anúncio de investimento de R$ 70 bilhões da VALE na retomada da mineração de ferro em Carajás.


Julio Hegedus Netto, economista JHN Consulting 

 

Boa sexta-feira a todos!

BDM Matinal Riscala 1402

 *Rosa Riscala: Sem Trump e sem agenda, fiscal volta ao foco*


… Com a inflação surpreendendo nos EUA, o mercado confere os dados importantes das vendas do varejo (10h30), que têm estimativa de recuo em janeiro, e a produção industrial (11h15), com previsão de desacelerar o ritmo. Se a atividade americana mostrar força, isso pode reforçar ainda mais as apostas em um Fed hawkish. As tarifas de Trump não estão assustando, à medida que vêm com prazos para negociações. Nem a citação do etanol brasileiro no memorando da Casa Branca foi motivo de estresse aqui. O investidor está mais atento ao esfriamento da economia, que já reduz os juros abaixo dos 15% em toda a curva. Hoje, sem Trump e agenda fraca, é bem possível que as preocupações se voltem novamente para a questão fiscal, com a Fazenda atendendo as pautas prioritárias de Lula.


… Em declarações no início da noite, o ministro Haddad disse para os jornalistas que os projetos que tratam da isenção do IR para aqueles que ganham até R$ 5 mil e do novo consignado privado estão “avançados” e podem chegar ao Congresso ainda antes do Carnaval.


… Já a proposta da reformulação do novo Auxílio Gás, segundo ele, ainda está sendo formatada, mas o governo já liberou o pagamento de fevereiro, que soma R$ 572 milhões, após ter ficado sem dinheiro no Orçamento para custear o benefício este ano.


… A verba é suficiente apenas para o pagamento da parcela deste mês, que o governo ainda não entregou às famílias beneficiadas.


… O Executivo não colocou recursos suficientes no Orçamento de 2025, que ainda não foi aprovado pelo Congresso, porque conta com a aprovação de um projeto de lei que libera repasses paralelos, sistemática questionada por especialistas.


… Para sustentar o Auxílio Gás ao longo do ano – são seis parcelas no total – no formato atual, serão necessários mais R$ 3 bilhões.


… Segundo o Estadão, o governo Lula espera contar com a economia do pacote de corte de gastos, aprovado no fim do ano passado, para complementar os recursos necessários e não parar o benefício. “Cortou” de um lado e quer gastar de outro.


… Em 2024, quando o governo prometeu aumentar o número de beneficiários do Auxílio Gás de 5,6 milhões para 20 milhões, retirando os custos do Orçamento, a equipe econômica conseguir congelar a proposta, que representaria um drible às regras sociais.


… A ideia era repassar à Caixa a administração da verba com o dinheiro que as empresas de petróleo depositam no Fundo Social.


… Nesta 5ªF, Lula prometeu entregar “gás de graça” para 22 milhões de famílias, em um discurso durante evento no Amapá, onde fechou dobradinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que prometeu apoiar o governo “em tudo”.


… Haddad afirmou que “o desenho do novo Auxílio Gás ainda não está definido”, mas disse que, dos três projetos que o presidente Lula tem como prioridade para os dois próximos anos, dois deles já estão validados e devem ser encaminhados rapidamente.


… São dois projetos caros ao presidente Lula: a isenção do IR e o crédito consignado privado, que, segundo o ministro, será um “programa forte”, devendo ter um impacto importante no crescimento econômico já neste ano.


… “Da mesma forma que o consignado de aposentados e servidores públicos gerou um potencial expressivo nos dois primeiros mandatos do presidente Lula, entendemos que o consignado privado vai ter o mesmo efeito que nós esperamos.”


… Questionado se as medidas de estímulo ao crédito não são uma contradição à política monetária contracionista, Haddad disse que “não é possível misturar uma pauta estrutural de redução do spread bancário com uma questão momentânea que está sendo resolvida”.


… Na opinião dele, essa é uma pauta estrutural para o País, mas jogar mais dinheiro no consumo é o que leva o Banco Central a sustentar os juros tão elevados, justamente em um momento que a economia finalmente dá sinais de desaceleração.


… Foi importante a devolução dos prêmios na curva de juros nesta semana, com os últimos indicadores confirmando que o esfriamento da atividade já vem desde o 4Tri, como a queda da indústria, dos serviços e, ontem, do varejo (leia abaixo).


… Surpreendeu o recuo de 1,1% das vendas no conceito ampliado em dezembro, que contrariou o consenso de aumento de 0,1%, com o desempenho ruim de setores ligados ao crédito, como veículos (-0,8%), afetados pelos juros altos.


… A sucessão desses dados já leva o mercado a acreditar em uma Selic terminal um pouco mais baixa, embora Galípolo tenha ressalvado que o Banco Central vai pensar com calma para ter certeza de que os novos dados sejam mesmo uma tendência.


… Ontem, o Ministério da Fazenda revisou em baixa a previsão de crescimento do PIB deste ano, de 2,5% para 2,3%, citando o cenário externo e o aumento da Selic. Dois dias antes, Lula havia dito que o Brasil cresceria 3,7%.


HOJE – Galípolo se reúne com empresários da Fiesp (10h) e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo, em SP, e à tarde (15h) reúne-se com o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, e o economista-chefe, Fernando Honorato.


SAIU BARATO – Lido pelo mercado como menos intimidador do que o imaginado, o novo bote de Trump com as tarifas recíprocas acabou sendo recebido sem maior susto lá fora e aqui, apesar da queixa direta sobre o etanol.


… Alivia que o plano esteja focado em produtos específicos, sem efeito imediato, com a implementação prevista só em abril. Até lá, dá tempo de sobra para negociar, esvaziando a urgência da guerra comercial declarada.


… O investidor sabe que as ameaças de Trump são cercadas de muita espuma. Nem sempre o que se fala se prova na prática. Ainda assim (ou exatamente por isso), aumentam as incertezas sobre o impacto na inflação.


… No day after do CPI forte, a inflação no atacado nos EUA (PPI) deu ainda mais razão a Powell, que não está com pressa de cortar juro. A próxima flexibilização monetária não deve ocorrer antes de setembro. Se ocorrer.


… Os preços ao produtor surpreenderam, com alta de 0,4% em janeiro, acima da projeção de 0,3%. Na base anualizada, houve avanço de 3,5% no índice cheio e de 3,6% no núcleo. Ambos superaram a aposta de 3,3%.


… Apesar do alívio geral com as tarifas recíprocas de Trump, o resultado ainda pode ser uma elevação significativa da inflação.


… Segundo a Capital Economics, o critério a ser usado para estabelecer as taxas pode aumentar a tarifa média efetiva de importação dos EUA de 3% para 20%, o que acrescentaria 2pp à taxa de inflação dos EUA.


… Além da pressão inflacionária, a chance de juro estável nos EUA por mais tempo ainda saiu fortalecida ontem pelo mercado de trabalho aquecido. Os pedidos de auxílio-desemprego caíram 7 mil, contra esperado de 4 mil.


O ETANOL BRASILEIRO – Em memorando, a Casa Branca fez citação explícita ao nosso biocombustível como exemplo de falta de tratamento recíproco, reclamando que o País cobra 18%, enquanto os EUA taxam em 2,5%.


… Trump não impôs tarifas imediatas, mas ordenou a seus secretários e assessores que calculem taxas justas, examinem barreiras comerciais e apresentem a ele soluções de reciprocidade em relatório nos próximos meses.


… A queixa dos americanos em relação ao etanol brasileiro é antiga. O tema vem sendo discutido entre as autoridades comerciais, mas o Brasil pede como contrapartida o aumento do acesso do açúcar aos EUA.


… Atualmente, a taxa de importação imposta pelo governo de Washington ao produto fabricado por aqui chega a 100% em alguns casos e está limitada a uma cota estipulada anualmente.


… “Trump fala para a plateia dele, que é sanguinária, mas no final nem tudo sairá como ele quer, como aconteceu em 2018, quando os EUA e o Brasil negociaram”, lembra Welber Barral, sócio da BMJ Consultores.


… Segundo ele, que foi secretário de Comércio Exterior do MDIC no governo Lula 2, a taxação do etanol não afetará tanto as exportações brasileiras, devido à sua fatia reduzida na pauta do comércio exterior do País.


… O pior impacto, diz, seria a taxação do aço e alumínio brasileiros, caso as promessas de tarifação se concretizem. No ano passado, em volume, o Brasil exportou 5,8 milhões de toneladas aos EUA (US$ 4,1 bi).


MAIS AGENDA – No contexto de desaceleração da economia brasileira, já comprovado também no mercado de trabalho pelos dados do Caged de dezembro, o IBGE divulga hoje, às 9h, a Pnad Contínua Trimestral.


… Diretores do BC Diogo Guillen e Renato Gomes fazem novas reuniões trimestrais com mais dois grupos de economistas (9h30 e 11h).


LULA – Participa do anúncio de investimento de R$ 70 bilhões da VALE na retomada da mineração de ferro em Carajás (15h), mas antes concede nova entrevista (8h), desta vez para a Rádio Clube do Pará, em Belém.


BALANÇOS – Usiminas e Porto Seguro soltam resultados antes da abertura. Raízen sai depois do fechamento.


LÁ FORA – As vendas no varejo nos EUA devem registrar queda de 0,2% em janeiro, interrompendo a alta de 0,4% em dezembro. Para a produção industrial, o consenso é que reduza o fôlego de 0,9% para 0,3% no período.


… Às 15h, a Baker Hughes divulga os poços e plataformas de petróleo em operação nos EUA.


… Na zona do euro, logo cedo (7h) sai a revisão do PIB/4Tri. O BC da Rússia decide juro às 7h30.


SEM SUSTO COM AS TARIFAS – A abordagem menos agressiva de Trump na reciprocidade abriu espaço para as bolsas em NY acelerarem as altas, para o câmbio acentuar o alívio e para os rendimentos dos Treasuries assumirem uma baixa pronunciada.


… Devolvendo parte da forte alta de 4ªF com o CPI, o yield da note-2 anos caiu a 4,309%, de 4,349% na sessão anterior, e o da note-10 anos recuou a 4,533% (de 4,625%). O do T-bond de 30 anos foi a 4,741% (de 4,837%).


… As taxas dos Treasuries ajudaram a aliviar os juros de longo prazo por aqui, enquanto os curtos e médios responderam ao dado do varejo, que entrou para a coleção que revela desaceleração da atividade econômica no último trimestre de 2024.


… O DI Jan/26 caiu a 14,825% (de 14,895% no pregão anterior); Jan/27, 14,930% (de 15,060%); Jan/29, 14,785% (contra 14,915%); Jan/31, a 14,800% (de 14,910%); e Jan/33, a 14,740% (de 14,840%). Todos abaixo de 15%.


… Dos mercados domésticos, o câmbio foi o único que não conseguiu se empolgar com a perspectiva de que as tarifas recíprocas de Trump podem demorar para entrar em cena (só no dia 2 de abril), em aceno para negociações à frente.


… O dólar aqui ignorou o tombo lá fora, onde o índice DXY caiu 0,58%, aos 107,313 pontos. O euro subiu 0,62%, a US$ 1,0462, e a libra esterlina avançou 0,91%, a US$ 1,2563, e o iene ganhou 1%, a 152,818/US$.


… Após a forte correção sofrida pela moeda frente ao real desde o pico de R$ 6,2657 atingido no fim do ano passado, o câmbio parece ter encontrado um piso nos R$ 5,75 e fechou ontem em leve alta de 0,10%, a R$ 5,7689, após encostar em R$ 5,80 na máxima.


… O Ibovespa passou quase o dia inteiro perto da estabilidade, mas conseguiu segurar uma alta moderada (+0,38%, a 124.850,18 pontos) depois que NY engatou uma aceleração na esteira do caso das tarifas.


… O Nasdaq puxou os ganhos: +1,50% (19.945,64 pontos), com bom desempenho em big techs, como Nvidia (+3,2%), Tesla (5,9%) e Apple (+2%). O S&P 500 avançou 1,04% (6.115,07) e o Dow Jones, +0,77% (44.711,43).


… Aqui, Vale (ON, +0,13%, a R$ 54,86) resistiu à forte queda de 1,52% do minério na China e, ainda no setor das metálicas, Usiminas (+3,35%; R$ 5,87) e CSN Mineração (+3,19%; R$ 5,17) se destacaram entre as maiores altas.


… Petrobras ON subiu 0,28% (R$ 39,43) e PN avançou 0,11% (R$ 36,32), ignorando a nova queda do petróleo: na ICE, o Brent/abril caiu 0,21%, a US$ 75,02, com as negociações de paz na Ucrânia e no Hamas, que prometeu liberar reféns amanhã, como previsto.


… Entre os bancos, Bradesco ON subiu 1,79% e PN, +1,37%. Itaú, +0,53%. Santander (-1,65%) e Banco do Brasil (-0,54%) caíram, enquanto BRF (-3,76%), Automob (-3,70%) e Marfrig (-3,21%) lideraram as perdas.


EM TEMPO… PETROBRAS vai pagar em 20 de fevereiro a primeira parcela do JCP referente ao 3Tri24. O valor bruto a ser distribuído é de R$ 0,6754 por ação ordinária e preferencial.


CASAS BAHIA anunciou o início operacional do fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), a fim de otimizar operação de crediário. A captação inicial é de R$ 300 milhões, mas a varejista prevê atingir R$ 500 milhões.


TELEFÔNICA VIVO aprovou R$ 153 milhões de pagamento em JCP, a R$ 0,942 por ação; ex em 25/02.


CAIXA SEGURIDADE teve lucro líquido de R$ 1,056 bilhão no 4Tri24, alta anual de 14,6%. A receita operacional somou R$ 1,427 bilhão, avanço de 18,1%. A sinistralidade foi de 18,2% no 4Tri24, baixa de 2,8pp em um ano…


… A empresa pagará R$ 960 milhões em dividendos, a R$ 0,32 por ação; ex em 02/05.


COPEL. A gestora SPX informou que adquiriu ações ordinárias e passou a deter 5,35% desses papéis. A aquisição não visa aquisição de controle nem alterar sua estrutura administrativa, de acordo com comunicado.

Bankinter Portugal Matinal 1402

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado avalia em positivo o que Trump assinou ONTEM, um memorando a descrever a sua estratégia alfandegária e não uma ordem

executiva, pelo que se interpreta como o início de um período de estudo sobre a situação alfandegária e negociações antes de atuar eficazmente sobre os impostos alfandegários. Por isso, ontem, as bolsas subiram e esta madrugada Ásia replicou o movimento, com ligeira redução de umas yields das obrigações que tinham subido nos dias anteriores. Ganha-se tempo e o mercado aproveita para subir, mesmo apesar da inflação americana de quarta-feira ter aumentado inesperadamente.

 

HOJE começa a Conferência de Segurança em Munique e Vance (Vice-Presidente EUA) já começou com um tom duro. Em entrevista, afirmou que os EUA têm ferramentas económicas (sanções), mas também militares, no caso da Rússia não concordar com uma paz com a Ucrânia, que garante a sua independência a longo prazo. Os EUA implicam esta frente na negociação, combinando uma postura dura (Vance) com outra conciliadora e branda, representada pelo Secretário de Defesa (Hegseth), que afirmou há 48 h que não é realista esperar que a Ucrânia recupere as suas fronteiras de 2014, e que tampouco integre a OTAN. Mas isso de

mencionar opções militares contra a Rússia não terá agradado Putin, portanto devemos esperar um fim de semana de planeamento duro da sua parte. Esta Conferência em Munique é o importante até segunda-feira. Qualquer desenvolvimento é possível, mas esperar muito no início de qualquer negociação (impostos alfandegários ou Ucrânia) é ingénuo, porque é precisamente quando se realizamos planeamentos mais extremos para depois ir identificando algum ponto de encontro

construtivo.

 

Saem HOJE alguns dados americanos, mas provavelmente fracos (Vendas a Retalho e Produção Industrial: -0,1% e +0,3%, respetivamente) e terão pouca atenção, porque a geoestratégia/Ucrânia permanecerá em primeiro plano. Trump tinha prometido, em campanha eleitoral, acabar com a guerra na Ucrânia em 24 h e Putin precisa de terminar a invasão o quanto antes, desde que a possa vencer. Às vezes, a realidade é cruel. Ambos precisam de um acordo sobre a Ucrânia para saírem reforçados, portanto, embora leve tempo, alcançarão algum tipo de acordo sem contar com a Ucrânia nem com mais ninguém, e isso reduzirá o prémio de

risco geoestratégico. A conclusão mais óbvia de tudo isto é que a Europa deverá proteger-se seriamente e isso continuará a favorecer as empresas de defesa. Por isso, e perante a ausência de fundos focados em defesa, construímos e lançamos a nossa Carteira Temática de Defesa em novembro de 2024.

 

CONCLUSÃO: Quer subir um pouco mais, mas pode tornar-se pior

(ou melhor) a qualquer momento, dependendo das declarações na Conferência de Segurança de Munique. Isto determinará tudo. Não terão em conta a macro nem os resultados corporativos. E a próxima semana será de intensidade média/baixa, em comparação com esta que terminamos hoje, destacando um ZEW alemão (Sentimento Económico) melhor na terça-feira (17,5 vs. 10,3), Atas da última reunião da Fed na quarta-feira, Indicador Adiantado americano na quinta-feira (0% vs. +0,1%) e PMIs na sexta-feira. Pode ser que a inércia seja bastante alta, mas muito suave.

 

S&P500 +1% Nq-100 +1,4% SOX +1,3% ES-50 +1,8% IBEX +0,2% VIX 15,1 Bund 2,41% T-Note4,53% Spread 2A-10A USA=+23pb B10A: ESP 3,08% PT 2,92% FRA 3,10% ITA 3,49% Euribor 12m 2,417% (fut.2,215%) USD 1,046 JPY 159,7 Ouro 2.936$ Brent 75,1$ WTI71,3$ Bitcoin +0,9% (96.729$) Ether +0,5% (2.697$).

 

FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...