domingo, 5 de janeiro de 2025

Amilton Aquino 0501

 Dois assuntos bem delicados começam a entrar em pauta sobre o Brasil: dominância fiscal e a necessidade de uma nova constituição. Ou seja, a simples discussão desses assuntos é sintomática das incertezas sobre os dois pilares de uma nação democrática: a institucionalidade e a sustentabilidade da economia.


Vamos começar pela dominância fiscal, uma situação onde o principal instrumento de controle da inflação, o aumento dos juros, perde cada vez mais seu efeito deflacionário. Por outro lado, o crescimento descontrolado da dívida pública leva a um processo gradativo de aumento da inflação, que ganha uma inércia própria, difícil de ser parado sem um grande corte de gastos seguido de um longo período de recessão. Algo que experimentamos na década de 1980 e início dos anos 1990 e, por pouco, não repetimos na Crise Dilma, caso não tivéssemos mergulhado em dois anos de profunda recessão.


E por que isso pode ocorrer no Brasil? Porque o controle inflacionário é feito baseado em dois pilares: o primeiro, o monetário, o óbvio aumento dos juros, que diminui a moeda em circulação na economia ao tornar a poupança mais atrativa que o consumo. O segundo pilar é o fiscal, na verdade o principal, o mais importante indicador econômico que revela a saúde de uma economia. É a partir do equilíbrio das contas públicas que um país, mesmo altamente endividado, consegue a credibilidade necessária para continua rolando sua dívida. Na melhor das hipóteses, caso mantenha um superávit primário ao longo de anos, o país reduz o montante principal de sua dívida.


Para quem não sabe, o PT herdou um país com um superávit primário de 3% do PIB. De fato, mesmo com os artifícios mil inventados pelo PT para gastar mais sem que isso implicasse diretamente na contabilidade oficial, durante todo o mandato de Lula e início de Dilma, nossa dívida líquida diminuiu até a casa dos 41% do PIB, hoje na casa dos 62%.


Aliás, o superávit primário, que é um dos três pilares do Plano Real, sempre foi criticado pelo PT. Durante o mandato de Palocci como ministro da Fazenda, este pilar funcionou muito bem, nos garantindo um fluxo de investimentos nunca visto na nossa história, um dos responsáveis pelas imensas reservas cambiais acumuladas. Infelizmente, a partir do segundo mandato de Lula, no momento em que Mantega substituiu Palocci, tal tripé entrou em decadência, até ser substituído, em meados do governo Dilma, pela famigerada Nova Matriz Econômica (posteriormente substituída novamente pelo tripe macroeconomico herdado de FHC em 2015). O que se viu neste processo gradativo de redução progressiva do superávit primário até se tornar um déficit primário de -2,47% do PIB em 2016.


Ou seja, saímos de um superávit primário que, em 2004, chegou a 4% do PIB para um déficit de -2,47%, uma diferença de 6,4%, número aliás lembrado pelo jornalista William Waack ao então candidato Lula em uma de suas entrevistas na última eleição, deixando-o em estado de confusão mental que acabou virando meme. O resumo da ópera é que, se o PT não tivesse quebrado este pilar do Plano Real, nossa dívida hoje não seria um problema a comprimir cada vez mais nosso engessado orçamento.


E aqui entramos no segundo tema deste texto: a ingovernabilidade que está nos conduzindo a uma grave crise institucional que, talvez, só tenha uma saída: a convocação de uma nova Assembleia Constituinte.


Ora, desde que foi instituída, a Constituição de 1988, muitos nomes proeminentes, como Roberto Campos, por exemplo, alertaram para sua tendência de inviabilizar o Estado brasileiro. O fato é que, ao longo de três décadas, os excessivos direitos incluídos na nossa “Constituição Cidadã” foram nos levando ao atual estado de engessamento, onde apenas 5% do nosso orçamento é discricionário. Ou seja, qualquer que seja o governante, restam-lhe apenas 5% de controle, pois tudo está amarrado na Constituição. E pior, a tendência é de que continue comprimindo ainda mais.


Para piorar, a covardia de Bolsonaro em governar de fato o levou a entregar o orçamento nas mãos do Congresso, que acabou criando o Orçamento Secreto, o qual hoje o STF tenta corretamente colocar algum freio.


Estranhamente, apesar do claro beco sem saída fiscal em que vivemos, nem o STF nem o Executivo, parceiros na empreitada, querem dar qualquer contribuição para a redução dos gastos. “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. O presidente do STF, Barroso, já veio a público se pronunciar contra a limitação dos salários ao teto constitucional. Enquanto isso, o governo não faz qualquer aceno de corte na própria carne, nem mesmo para dar exemplo. Pelo contrário, esbanja cada vez mais. Ou seja, não será do Congresso que virá a iniciativa de controlar as contas públicas, apesar de alguns poucos deputados, capitaneados por Kim Kataguiri, tentarem, sem sucesso, pagar o ônus de aprovar um salgado pacote de corte de gastos.


Paralelamente ao descontrole das contas públicas, cada vez mais nosso poder Judiciário mergulha no descrédito, assumindo uma postura cada vez mais autoritária “em defesa da democracia”, ao ponto de descredibilizar totalmente nossa já problemática Constituição, que frequentemente é “reinterpretada” ao bel-prazer de uma casta de “iluminados” que invade a prerrogativa do Congresso de legislar.


Portanto, chegamos a uma situação surreal onde os poderes não chegam nem mesmo a um consenso sobre a necessidade óbvia de controle dos gastos, com um sistema de leis cada vez mais instável e incerto. Isso tem levado figuras proeminentes a cada vez mais falar sobre a necessidade de repactuação, de rediscutir o Estado brasileiro, talvez mesmo até através da convocação de notáveis para formar uma nova Assembleia Constituinte.


Claro que apenas mudar a Constituição não resolve nossos problemas. Sua modificação seria mais para desengessar os dogmas que precisamos rediscutir, especialmente os privilégios adquiridos. Mas sim, corremos o risco de fazer algo ainda pior, como já ocorreu em 1988. Pelo menos agora muita gente já está vendo, na prática, o que Roberto Campos previu lá atrás. Seria uma lição em cima de um grande erro, se de fato tivéssemos o hábito de aprender pelo menos com nossos próprios erros. Mas nem isso podemos esperar do Brasil atualmente.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Amilton Aquino 0401

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"O ano termina com um grande descompasso entre a economia real, que cresceu bem pelo quarto ano consecutivo, e o mercado financeiro, que já antevê mais um voo de galinha.


Para os entusiastas do governo, trata-se de uma conspiração do tal mercado, esse ente malévolo da Faria Lima, que há alguns meses fazia boas projeções para o Brasil e, desde meados do ano, só piora suas expectativas. Mas o que aconteceu para essa mudança de humor?


Primeiro, houve a alteração da meta do arcabouço fiscal já flexibilizado logo em seu primeiro ano de vigência. De repente, a meta deixou de ser o déficit zero e passou a ser um déficit de R$ 30 bilhões, com uma contabilidade criativa embutida. Passados alguns meses, ficou claro para o mercado que seria impossível cumprir até mesmo a nova meta, já acochambrada. Então, começou um verdadeiro clamor por cortes de gastos.


Haddad, enfim, admitiu que precisava cortar despesas (ufa!) e criou uma expectativa de anúncio, que foi sendo postergado, postergado até que… veio em tom de campanha eleitoral, acompanhado de uma promessa que aumentaria os gastos em pelo menos metade do que o pacote propunha economizar. O dólar, claro, disparou, alcançando a casa dos R$ 6.


Mas eis que Lula, na tentativa de acalmar o mercado, resolveu dar uma entrevista ao Fantástico, onde garantiu que ninguém tem mais responsabilidade fiscal do que ele (!!!), que está tudo certo em seu governo e que a única coisa errada é a taxa de juros, deixando a entender que isso brevemente também seria “corrigido” com o seu indicado para a presidência do Banco Central. O dólar, claro, bateu os R$ 6,31.


Desde então, o que temos assistido é o BC queimar 10% das nossas reservas para reduzir 10 centavos da cotação do dólar, enquanto Lula ajusta o discurso, baixa o tom nas suas costumeiras acusações de conspiração do mercado e “garante”, ao lado do novo presidente do BC, que ele terá total autonomia.


O mercado, com sua fé inabalável de que balançamos, mas nunca caímos do precipício, deu até uma pequena acalmada com a aprovação do ainda insuficiente pacote de cortes de gastos. Porém, já começa a se posicionar para um cenário de piora gradativa que poderá explodir, ou não, antes das eleições.


É claro que o mercado também erra nas projeções. Desde Temer, as estimativas do PIB, por exemplo, foram sempre revisadas para cima, o que tem levado economistas, como Samuel Pessoa, a teorizar que o nosso PIB potencial aumentou. Isso se deve, muito provavelmente, à maior flexibilização do mercado de trabalho, consequência de algumas reformas estruturais, e à chegada dos aplicativos de entrega e transporte, que têm contribuído significativamente para a queda do desemprego e o aumento de renda de muita gente. Além disso, tivemos um investimento privado de R$ 70 bilhões a partir da aprovação do Marco do Saneamento nos últimos três anos — medida que contou com o voto contrário do PT, mas cujos frutos colhe agora.


Enfim, o clima ainda não é o do final de 2014, quando a crise já era dada como certa, mas há um prenúncio de algo semelhante, parecido com 2013: um mal-estar geral com as instituições, com a política e com a indiferença das castas do poder público, que, aconteça o que acontecer, sempre preservam seus privilégios. Isso ficou claro mais uma vez na tentativa de limitar os supersalários, condicionada à medidas a serem discutidas posteriormente, o que provavelmente resultará em nada.


Enquanto isso, o Congresso, que poderia conter a gastança acolhendo uma proposta de corte de despesas apresentada por três deputados, simplesmente dá de ombros, preferindo usar o orçamento secreto como barganha para aprovar o raquítico pacote de cortes do governo.


Como sempre, a conta sobra para quem não tem voz no Congresso. O grosso do corte será direcionado para a limitação do BPC, do PIS/PASEP e do Fundeb, além de alguns caraminguás do Bolsa Família, e só.


Será suficiente para chegarmos até 2026 sem uma crise aguda? Veremos. Até lá, a certeza é que a curva da dívida pública aumentará em ritmo semelhante ao do governo Dilma, com o agravante de que agora partimos do auge da maior crise da nossa história.


Apesar da pressão por cortes de gastos, a Lei Rouanet segue intacta, abocanhando R$ 17 bilhões por ano — valor sextuplicado no governo Lula. O mesmo acontece com a farra de gastos com publicidade e com o cartão corporativo, principalmente da primeira-dama. Sem dar o exemplo, como exigir qualquer sacrifício dos demais agentes públicos?


E assim seguimos, aos trancos e barrancos, rumo a uma nova fase de hiperinflação, já que as outras duas formas de financiamento do governo (endividamento e aumento da carga tributária) já estão no limite. Salvem-se quem puder."

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Pensando em melhorar o país e a qualidade da Educação, por Victor Ribeiro (contribuições dos amigos do Debates Aleatórios, destaque para o LAMBERT e o Carlos Covas)

 Sintam-se à vontade para aperfeiçoar a lista abaixo:


1) Mudar a cultura de que estudo serve apenas para diploma.

2) Instigar o genuíno pensamento crítico.  

3) Instigar a leitura e modernizar o ensino (ex.: gameficacao).

4) Aperfeiçoar a formação dos professores (ensino básico e ensino médio)

5) Tal como na Alemanha, estabelecer um caminho para profissões técnicas e outras que dependem da universidade.

6) Tal como na Coreia, os ministérios da indústria e comércio participam da definição dos currículos escolares.

7) Contratar professores externos para qualificação dos professores no Brasil : desde o ensino médio até a pós-graduação.

8) Criar novas zonas industriais e de novas tecnologias.

9) Retirar jovens e famílias atualmente em situação de domínio do crime organizado e levar para essas novas zonas indústrias e de novas tecnologias.☝

10) Mudar a legislação de execuções penais, caso contrário a indústria das cadeias subverte a lógica.

11) acabar com o atual modelo de Universidade Pública.

12) fomentar escritórios de projetos para que seja estabelecida uma "cultura" de captação de recursos (inovação tecnológica, greenfield, brownfield, créditos de carbono, hidrogênio verde, economia do espaço etc. etc.).

13) acabar com a LOMAM e reformar o Judiciário (cumprimento de prazos, metas, punições, fim de privilégios...).

14) Tal como feito na Colômbia, expulsar os bandidos das favelas. Retirar a população honesta das favelas e levar para novas cidades (a serem construídas, nas zonas insdustriais). Esse deveria ser um plano de 20 anos. Contando com apoio dos EUA, por exemplo.

15) redefinir o número de deputados conforme a população, para não haver subrepresentação (não tem cabimento um deputado de Roraima valer muito mais do que um deputado de São Paulo).

16) mandato para Ministros dos Tribunais Superiores e fim desses tribunais especiais (TSE, TST, STM).

José Pastore

 #Não há dúvida. Instituições de boa qualidade são cruciais para o crescimento econômico e o progresso social.  Instituições de má qualidade fazem o contrário. #

Parlamentares extrativistas - José Pastore

Correio Braziliense


À intenção do governo de dificultar as remunerações inconstitucionais, os parlamentares responderam com a criação de uma aprovação facilitada — de costas para a Carta Magna e para o povo


O leitor deve estar estranhando esse título. Explico. Fiquei espantado com o desfecho final do pacote de corte de gastos recentemente aprovado. O que foi apresentado pelo governo era de baixa potência para reequilibrar as contas públicas. E o que saiu do Congresso Nacional, ficou pior. 


Refiro-me especificamente à proposta de eliminação dos supersalários e demais penduricalhos dos altos funcionários da República, em especial, os do Poder Judiciário, Ministério Público e órgãos fiscalizadores. 


A Constituição Federal é clara ao proibir o pagamento de remuneração, a qualquer título, acima do teto do que ganham os ministros do Supremo Tribunal Federal. Isso é explicitado no artigo 37, inciso XI que, entre outras restrições, diz que "sob qualquer forma de pagamento, a remuneração dos ocupantes de cargos da administração direta, autárquica e fundacional, nos três níveis de governo, não pode exceder o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal".  


Para completar, o artigo 39, § 4º é ainda mais claro ao "vedar o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória". Isso significa que os repasses de verbas além do referido teto são ilegais, o que inclui, evidentemente, os penduricalhos. 


Pois bem. Apesar de todas essas proibições, o governo incluiu no pacote de gastos uma cláusula, dita restritiva, mas que, na realidade, abria a possibilidade de quebrar as regras acima ao permitir pagamentos acima do teto, desde que aprovados por lei complementar, que exige maioria absoluta de votos do Congresso Nacional. 


Os parlamentares tiveram o atrevimento de afrouxar ainda mais a indevida concessão, ao estabelecer que pagamentos adicionais aos servidores do alto escalão da República podem ser autorizados por lei ordinária, que é de aprovação mais fácil, com maioria simples. 


Ou seja, à intenção do governo de dificultar as remunerações inconstitucionais, os parlamentares responderam com a criação de uma aprovação facilitada — de costas para a Carta Magna e para o povo. Como diz José Paulo Cavalcanti Filho, "a Constituição, que nos países maduros é uma Lei Maior, referência e obrigação para todos, no Brasil virou enfeite" ("Até quando?", O Globo, 17/2/2024). É isso mesmo, pois, os que hoje recebem somas altíssimas, continuarão recebendo como se fossem "privilégios adquiridos".  


A conduta dos nossos parlamentares ilustra bem a razão de o Brasil não avançar e crescer. Temos instituições fracas, ardilosas e deturpadoras. Essa é a tese dos economistas Daron Acemoglu e James A. Johnson que ganharam o Prêmio Nobel em 2024 ao escreverem o best seller Por que as nações fracassam (Editora Elsevier, 2012).


Com base em uma bem fundamentada análise histórica, Acemoglu e Jonhson demonstram que inúmeras nações tiveram o progresso bloqueado pelo predomínio de "instituições extrativistas" —, referindo-se às decisões dos parlamentos que, para favorecer as minorias dos mais fortes, extraem os recursos dos mais fracos.


Essa análise cabe perfeitamente nesse caso. Os beneficiários das benesses, supersalários e penduricalhos — isentos de Imposto de Renda —, por meio de um lobby eficiente, levaram o Congresso Nacional a aprovar uma fórmula que dá legalidade às regras que extraem do povo brasileiro as facilidades que sustentam os seus privilégios. Essa foi a "contribuição" dos parlamentares extrativistas que, com sua "iluminada" decisão, reforçaram a captura do Estado pelos lobbies poderosos do serviço público.  


É assim que as nações fracassam. Nos últimos 20 anos, a média de crescimento anual do PIB do Brasil ficou em meros 2% — uma marca ridícula e insuficiente para atender as necessidades dos mais vulneráveis. 


Não há dúvida. Instituições de boa qualidade são cruciais para o crescimento econômico e o progresso social.  Instituições de má qualidade fazem o contrário. Na decisão tomada pelos nobres parlamentares, deu-se um verdadeiro tapa na cara dos brasileiros que têm de trabalhar, viver e sustentar suas famílias com o "generoso" salário mínimo de R$ 1.518,00 que os mesmos parlamentares aprovaram para 2025. 


*Professor (aposentado) da Universidade  de São Paulo, membro da Academia Paulista de Letras e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP

Atualização SEC

 Conexão WSJ: Multar, a SEC até multa. Já receber...


Por Dave Michaels


Paul Bilzerian está foragido da Securities and Exchange Commission há tanto tempo que agora deve à agência US$ 180 milhões com juros - quase três vezes o que um tribunal inicialmente ordenou que ele pagasse.


Por 31 anos, a agência tentou e falhou em cobrar uma sentença de US$ 62 milhões contra o ex-assaltante corporativo por fraude de valores mobiliários. Para evitar pagar a multa, Bilzerian alegou pobreza e declarou falência duas vezes. Mais tarde, ele se mudou para a nação insular de St. Kitts e Nevis, fora do alcance do governo dos EUA.


O financista disse ao The Wall Street Journal em 2014 que "preferia morrer de fome do que ganhar um dólar para me alimentar e pagar ao governo um centavo dele". Até agora, ele teve sucesso.


Recentemente, promotores federais acusaram Bilzerian, 74 anos, de novos crimes que dizem que ele cometeu com milhões de dólares que ele havia escondido da SEC. Ele não respondeu às acusações e se recusou a comentar.


O caso é emblemático da longa luta da comissão para fazer cumprir seus julgamentos contra indivíduos que fazem de tudo para evitar pagá-los. E em outras circunstâncias, a SEC divulga penalidades que nunca cobrará porque os réus podem receber isenções se fizerem pagamentos em casos criminais ou no exterior relacionados. Essas duas dinâmicas significam que a SEC normalmente arrecada menos dinheiro do que parece.


Em 2023, a comissão divulgou ordens judiciais ou acordos representando US$ 4,9 bilhões em sanções financeiras. Mas também cancelou US$ 1,4 bilhão em penalidades cobradas em anos anteriores, de acordo com dados obtidos pelo Journal.


Nos últimos 10 anos, a SEC cancelou quase US$ 10 bilhões em penalidades, de acordo com os dados obtidos pelo Journal sob a Lei de Liberdade de Informação.


"Se vamos anunciar os números que estamos impondo, devemos ser transparentes sobre o fato de que isso não significa que o dinheiro está fluindo para o governo e para os investidores", disse a comissária Hester Peirce, membro republicana da SEC.


A agência diz que trabalha agressivamente para recuperar fundos para investidores prejudicados. "Como resultado de nossos esforços contínuos, a comissão devolveu bilhões de dólares aos investidores somente nos últimos quatro anos", disse um porta-voz da agência.


No geral, a comissão tende a coletar cerca de dois terços de seus julgamentos financeiros, disseram autoridades.


Embora a SEC tenha compartilhado anteriormente quanto de sua recompensa de execução realmente foi coletada, ela parou de fazê-lo em 2019 e se recusou a dizer o porquê.


A SEC tem enfrentado pressão política desde a crise financeira de 2008-09 para extrair penalidades mais altas, de acordo com James Park, professor de direito na Universidade da Califórnia, Los Angeles, que pesquisa o trabalho da agência.


Em seu ano fiscal de 2024, que terminou em setembro, a agência disse que obteve ordens de US$ 8,2 bilhões em soluções financeiras, o maior valor de sua história. Mas mais da metade desse valor provavelmente nunca chegará a uma conta bancária do governo.


A SEC assumiu o crédito por um julgamento de US$ 4,4 bilhões contra a Terraform Labs, uma emissora de criptomoedas que não pagará nada ao governo, desde que devolva dinheiro suficiente aos investidores prejudicados por meio de seu processo de falência.


Incluindo o julgamento da Terraform, em 2024 a SEC arrecadou apenas 23% das sanções pelas quais assumiu o crédito, de acordo com dados fornecidos ao Journal. Excluindo o caso da Terraform, arrecadou 51%.


A SEC anula multas e outros valores devidos à agência que não foram pagos por dois anos. Em alguns casos, ela continua tentando cobrar o dinheiro, geralmente por meio dos tribunais, de acordo com registros legais e advogados envolvidos nos casos. A agência não divulga sua taxa de sucesso em perseguir essa dívida anulada.


A comissão tem um pequeno escritório de cobranças que usa táticas como penhorar os salários dos réus e impor gravames em propriedades para cobrar multas - com sucesso misto. Os reguladores ocasionalmente colocam réus que professam incapacidade de pagar em planos de pagamento.


O ex-corretor da bolsa Randall Letcavage, que deve cerca de US$ 10 milhões à SEC, deve pagar à agência US$ 5.000 por mês. Em maio de 2022, ele havia pago apenas cerca de

US$ 12.470 do que deve, escreveram os advogados da SEC em um processo judicial naquele mês.


Um juiz impôs a penalidade em 2021 após descobrir que Letcavage e a empresa que ele dirigia, a Premier Holding Corp., enganaram os acionistas sobre o valor de seus ativos, incluindo seu maior investimento em uma startup cujos livros eram uma bagunça que a empresa não podia ser avaliada de forma confiável, de acordo com os autos do tribunal.


Phillip Trad, advogado da Letcavage, disse que seu cliente não tem mais dinheiro para pagar a SEC e que a agência estava atrasada para ir atrás de US$ 600.000 que a Letcavage usou para despesas de subsistência. "A SEC não fez nada", disse ele.


No mesmo ano em que Letcavage foi condenado a pagar quase US$ 10 milhões, a SEC assumiu o crédito por US$ 3,8 bilhões em sanções financeiras. Ela arrecadou US$ 2,4 bilhões, ou 62% desse valor, de acordo com números que a agência forneceu ao Journal.


Grandes bancos e outras empresas de Wall Street que têm que lidar com a SEC pagam regularmente suas penalidades em dia, de acordo com advogados de defesa e outras pessoas familiarizadas com o processo.


Os infratores tendem a ser pessoas que executaram esquemas Ponzi ou outros golpes que roubam dinheiro de investidores individuais, disse Jan Folena, um ex-litigante da SEC. "Esta é a fraude ruim", disse Folena. "Esses são normalmente os casos em que eles não podem cobrar."


A SEC ainda está tentando cobrar de Bilzerian. Depois que Bilzerian não conseguiu liquidar sua dívida com um pedido de falência, um administrador nomeado pelo tribunal gastou milhões de dólares tentando encontrar seus ativos dentro de uma rede complexa de fundos offshore e empresas familiares.


As novas acusações criminais contra ele alegam que Bilzerian usou sua riqueza oculta para secretamente controlar e financiar a Ignite International, uma empresa canadense de vaping afiliada a seu filho, a celebridade da mídia social Dan Bilzerian.


Os promotores dizem que o envolvimento de Paul Bilzerian com a empresa e sua alegação de que ele não tinha condições de pagar a SEC constituíram uma conspiração para evitar pagar a agência "por meios enganosos e desonestos". A SEC também entrou com um novo processo contra ele.


Ele ainda pagou apenas cerca de US$ 547.000 do julgamento original de 1993, de acordo com os promotores que abriram o novo processo criminal contra ele.


Broadcast+

Call Matinal ConfianceTec 0301

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

03/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (02/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na quinta-feira (02), fechou em suave queda,  -0,13%, a 120.125 pontos.


Já o dólar à vista acomodou, em queda de 0,28%, a R$ 6,16.


PRINCIPAIS MERCADOS, 07h00


Dia de recuperação das bolsas de NY, o mesmo na Ásia. Europa opera em queda. 


EUA🇺🇸:

Dow Jones Futuro, +0,20%

S&P 500 Futuro, +0,27%

Nasdaq Futuro, +0,41%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇹🇷), -1,57%

Nikkei (Japão🇯🇵), fechado 

Hang Seng Index (Hong Kong), +0,70%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), +1,79%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,16%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,28%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,79%

STOXX 600🇪🇺, -0,29%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,46%, a US$ 72,79 o barril

Petróleo Brent, -0,46%, a US$ 75,58 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -2,18%, a US$ 104,41.


NO DIA, 03/01/2025


Em dia de PMIs e auxílio-desemprego nos EUA, as bolsas de NY se recuperam e operam em ata. Por aqui, em agenda vazia, dia de fluxo cambial. 


Retornando aos EUA, temos um ano que terá como foco a disposição de Donald Trump de cumprir as ameaças protecionistas.


Riscos maiores acontecem no front inflacionário, observadas de perto pela China, e o Brasil, já com o futuros de dólar e juros bem estressados.


Por aqui, ainda temos o impasse em torno das emendas no Congresso o que ameaça o governo Lula neste ano.


AGENDA, 03/01


Indicadores:

05h55. Alemanha🇩🇪/S&P Global. PMI industrial dezembro

06h00. Zona do euro🇪🇺/S&P Global: PMI industrial dezembro

08h30. Reino Unido🇬🇧/S&P Global: PMI industrial dezembro

08h00. Brasil🇧🇷/FGV: IPC-S da 4ª quadrissemana de dezembro

08h00. Brasil🇧🇷/FGV: Índice de Confiança Empresarial – dezembro

10h30. EUA🇺🇸. Pedidos de auxílio-desemprego

11h45. EUA🇺🇸/S&P Global: PMI industrial dezembro

12h00. EUA🇺🇸/Gastos com construção em novembro

13h00 – EUA🇺🇸/DoE. Estoques de petróleo

14h30. Brasil🇧🇷/BCB. Fluxo cambial semanal

                                        

Julio Hegedus Netto, economistah da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira, bons negócios e feliz 2025!🥳👏🎄

Resumo 0301

 📲 As notícias do Resumo

** Saída de dólares do país em 2024 foi a terceira maior da série histórica.

** EUA devolvem esmeralda de R$ 6 bilhões ao Brasil.

** Eneva cai -9,31% no dia após ser excluída de novo leilão de térmicas.

** Putin transfere controle de joint venture da Ab Inbev na Rússia para grupo local.

** Gestora de fundo único decide lançar um segundo 30 anos depois.

** Elon Musk muda o próprio nome no X e impulsiona ‘memecoin’ desconhecida

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...