terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Bankinter Portugal Matinal 1712

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Nova Iorque subiu, principalmente a tecnologia novamente graças a Broadcom (+24% na sexta-feira e +11% ontem). Não deveria, porque este rally recente parece excessivo e coloca em risco o arranque de 2025. 

 

Scholz perdeu a moção de confiança, como esperado, portanto a Alemanha terá eleições a 23 de fevereiro de 2025, que poderão ser ganhas pela CDU com 31% (20% AfD; SPD 17%; Verdes 11,2%, 7% Extrema Esquerda)… mas a maioria absoluta seria resultado de uma coligação ampla, excluindo extremos: CDU + SPD + Verdes = ca.59%.  

 

Os salários 3T no Reino Unido tremendamente potentes: +5,2% vs. +4,6% esperado vs. +4,3% 2T. A libra aprecia-se desde 0,832/€ até 0,827/€. Em paralelo, o yen volta a depreciar-se, porque cada vez parece menor a possibilidade de que o BoJ suba taxas de juros nesta quinta-feira (agora 0,25%).  

 

O general russo responsável por proteger o exército de ataques NBQ (Nuclear, Bacteriológica e Química) morreu devido a um atentado em Moscovo, depois da Ucrânia a condenar por rebeldia por utilizar armas químicas na invasão. Putin responde ao levantar determinadas restrições para o uso de armas nucleares, as quais passam a estar em alerta permanente… ou algo semelhante, aludindo a outras linhas vermelhas que, supostamente, a NATO ultrapassou. Mas isto não aumenta o prémio de risco geoestratégico. Isso só demonstra que Putin não pode proteger os seus em Moscovo, o que terá um impacto desmoralizador não depreciável. Entre isto e a perda estratégica da Síria (base naval em Tartus e área em Khmeimim), a sua situação piora claramente. 

 

China afirma que o seu objetivo de PIB é +5% e que para o conseguir irá expandir o seu défice fiscal 2025 até 4%, o seu máximo histórico, mas não servirá de nada e apenas conseguirá ter mais dívida. 

 

HOJE, às 9h saem IFO (Clima Empresarial) e ZEW (Sentimento Económico), ambos a enfraquecer um pouco desde níveis já fracos por si só. E às 13:30h, Vendas a Retalho dos EUA, talvez um pouco bom (+0,5% vs. +0,4%).  

 

Mas o importante começa AMANHÃ, com a descida de taxas de juros da Fed e tudo o associado (mensagem, estimativas macro e diagrama de pontos dos conselheiros), e continuará na sexta-feira, com o Deflator de Consumo (PCE) americano.  

 

Na quinta-feira, Japão, Reino Unido e Noruega repetirão taxas de juros em 0,25%, 4,75% e 4,50%, respetivamente, enquanto a Suécia baixará desde 2,75% até 2,50%, embora isto não seja seguro, mas provável. 

 

Com tantas referências, ficamos com 2 fundamentais: Fed amanhã e PCE na sexta-feira. Em relação à Fed, baixará -25 p.b. até 4,25/4,50%, mas o mais importante que isso é que provavelmente irá rever em alta as suas estimativas de PIB e inflação face às anteriores de setembro (PIB’24/27 estável em +2,0% e PCE +2,3%/+2,1%/+2,0%/+2,0%) e, como consequência, o denominado “diagrama de pontos” (gráfico em que os conselheiros mostram anonimamente as suas estimativas individuais sobre taxas de juros 2024/27) mostrará menos descidas de taxas de juros em 2025. Em setembro eram -100 p.b. até 3,25/3,50%. Nós estimamos que a Fed baixará até 3,50/3,75% e depois logo veremos se baixa mais, talvez nada ou até menos do que isso. Isto confirmará a nossa estimativa de que a Fed baixará taxas de juros menos do que o mercado desconta e que isso terminará por se transferir para o BCE no mesmo sentido (estimamos “terminal rate” em 2,25%Depósito/2,40%Crédito e não mais abaixo). 

 

HOJE os futuros vêm a cair ca. -0,2% num movimento mais sensato do que as subidas anteriores, típico de uma sessão pré-Fed. Continuamos a estimar que a semana enfraquecerá bastante desde a Fed (amanhã, 19h), com uma perspetiva mais fria sobre taxas de juros, como se espera que ocorra. 

 

S&P500 +0,4% Nq-100 +1,5% SOX +2,1% ES-50 -0,4% IBEX +0,2% VIX 14,7% Bund 2,24% T-Note 4,40% Spread 2A-10A USA=+15pb B10A: ESP 2,92% PT 2,73% FRA 3,04% ITA 3,40% Euribor 12m 2,443% (fut.2,067%) USD 1,050 JPY 161,9 Ouro 2.647$ Brent 74,1$ WTI 70,9$ Bitcoin +1,2% (106.459$) Ether +1,3% (4.006$). 

 

FIM

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Sobre dominância fiscal, OESP

 A situação do Brasil em 2002 virou objeto de estudo de pesquisas científicas que queriam testar, por meio de modelos econômicos, casos em que a política fiscal, e não a política monetária, seria o instrumento certo para diminuir a inflação de um país. Se existe hoje um debate sobre se a economia brasileira está em um cenário de dominância fiscal ou monetária, a literatura econômica e a experiência histórica podem dar embasamento aos tomadores de decisão na condução de políticas econômicas. Esse tema ainda não é consensual no debate acadêmico, mas tem importantes implicações na economia de um país. Este ano, a discussão voltou à tona pelo mesmo motivo de 22 anos atrás: desancoragem das expectativas dos agentes acerca da condução da política econômica. A causa dessa desancoragem, no entanto, difere-se entre os períodos. 

Em 2002, o País vivia uma crise de confiança externa por causa da incerteza em meio ao período eleitoral. Hoje, essa crise está relacionada à perda de credibilidade quanto à capacidade das regras fiscais coordenarem as expectativas dos agentes econômicos - dado que todas as regras criadas foram, posteriormente, contornadas e se tornaram ineficazes por colidirem com interesses políticos -, e à existência de uma elevada rigidez orçamentária das despesas obrigatórias, com indexação excessiva dos gastos, que também afeta a trajetória da relação dívida/PIB e pressiona a sustentação da regra fiscal. 

Diversos estudos escritos por pesquisadores renomados - tais como Cássio Besarria, Jevuks Araújo, Marcelo Fialho, Marcelo Portugal, Sérgio Gadelha, José Angelo Divino, Thais Scaramuzzi, Marcelo Muinhos, Andreza Palma, Fabio Althaus, dentre outros - e publicados em revistas especializadas buscaram entender se o Brasil vivenciou um cenário de dominância fiscal no período pós-Plano Real. 

Particularmente, em 2008, os pesquisadores Sérgio Gadelha e José Angelo Divino fizeram um estudo para verificar se havia dominância fiscal ou monetária no Brasil entre os anos 1995 a 2005. Os autores encontraram evidências de dominância monetária no período analisado, enquanto outros estudiosos chegaram a resultados opostos, com comprovação de dominância fiscal em 2002. Para construir o trabalho, no entanto, Gadelha e Divino citam diversas visões que abordam derivações dos conceitos de dominância fiscal, que têm levado especialistas a discutir se o Brasil caminha nessa direção atualmente. 

O primeiro ponto de discussão está relacionado ao fato de que o governo não tem gerado superávit primário que possa estabilizar a relação dívida/PIB no médio prazo - que é justamente um dos conceitos do regime de "dominância fiscal" estabelecidos pelos economistas Thomas Sargent e Neil Wallace. Segundo eles, neste caso, "a autoridade monetária passiva perde o controle do nível de preços por ser forçada a gerar as receitas de senhoriagem necessárias à solvência do governo". O segundo ponto tem a ver com o conceito estabelecido pelo economista francês Olivier Blanchard em 2004, no qual a dominância fiscal ocorre quando um aumento nos juros em resposta à inflação acima da meta estipulada eleva o estoque da dívida pública (hoje boa parte atrelada à Selic), o que aumenta a probabilidade de "default" e os prêmios de riscos, levando à uma fuga de capitais externos e à depreciação do real - e, consequentemente, à mais inflação. 

Neste caso, a política fiscal seria o instrumento mais eficaz para controlar o processo inflacionário. Blanchard elaborou um modelo estrutural em que a política monetária restritiva provoca dinâmicas explosivas da dívida pública sob um regime de metas de inflação. Ele buscou justamente na evidência empírica brasileira de 2002 a corroboração de seus argumentos. Depois, diversos outros estudos surgirampara verificar se a relação de dominância fiscal, com base no modelo do economista francês, foi comprovada em anos seguintes. 

Algumas pesquisas testaram, por exemplo, o período de 2008 a 2017 e concluíram que não houve dominância fiscal nestes anos, já que a dívida pública não teve influência na trajetória das variáveis como a taxa de juros, câmbio e expectativas de inflação. O assunto é amplo e gera debate, mas o fato é que o Brasil de 2002 deixa lições para o "Brasil do futuro", especialmente no que tange a ancoragem das expectativas dos agentes econômicos. Vale lembrar que a falta de credibilidade do governo perante à sociedade foi um fator importante e decisivo para o fracasso dos planos econômicos da segunda metade da década de 1980 e início dos anos 1990 no País.

Market Maker, 16/12

 NA FARIA LIMA, O ‘TRADE TARCÍSIO’ COMEÇA A SER COGITADO


Os membros do M3 Club (o hub onde investidores profissionais se encontram) tiveram acesso a um estudo da Truxt através de um papo com o economista-chefe da gestora, Arthur Carvalho, e o CIO, Bruno Garcia.

Dentre as tantas pautas da conversa, um tema abordado foi o trade Tarcísio para 2026 e por que dá para ser bem remunerado para correr o risco de lagging de piora econômica (ou seja, o “delay” entre a piora do discurso econômico e o impacto negativo de fato na economia).

Na visão da Truxt, o valuation atual está nos níveis que vimos em 2008-2009, quando parecia que o mundo ia acabar, e abaixo do que vimos em 2014-2016, na crise que culminou no impeachment da Dilma. Eram níveis muito extremos.

A pergunta em meio a isso é: a economia está nos níveis daquela época? A resposta é não. Mas aí surge outra pergunta: nesse nível de valuation, estamos sendo bem remunerados para correr o risco do “lagging” de piora da política econômica? A resposta é sim.

Bruno e Arthur acreditam que não sentiremos tanto o lagging de piora econômica pois em 2026 estaremos conversando sobre uma eventual mudança de governo, onde entra o “trade Tarcísio”. Além disso, existem alguns guarda-corpos que têm se mantido sólidos e podem nos dar um tempo extra para sentir o lagging, tais como: corte de gastos, reforma da previdência, lei das estatais e Banco Central independente.

Além disso, em outras crises, a inflação teve uma espiral negativa (como foi em 2015 que foi pra 10%). Agora a nossa inflação está rodando em torno de 3,5%/3,7%. É uma das inflações mais saudáveis dos últimos anos, apesar de não estar na meta. Assim, o dólar precisaria estar entre R$ 6,50 e R$ 7,00 para descambar a inflação.

Para a Truxt, o valuation não faz sentido nas condições atuais. Mesmo com a deterioração econômica, podemos ter em 2025 a narrativa de uma possível mudança de governo em 2026, o que iria se sobrepor à economia.

Tecnicamente, o mercado está melhor lá fora (por conta da queda de juros) e melhor aqui (por conta do nível de alocação de ações na mínima histórica). E o “trade Tarcísio” pode começar a ser discutido no ano que vem, o que ofuscaria o “lagging” de piora econômica.

No entanto, os riscos no Brasil são uma aceleração da piora institucional (apertar botões ruins na Petrobras, presidente do BC não seguir a cartilha técnica) ou se o mercado precificar uma chance muito grande do governo se reeleger. Lá fora, o risco é um possível “hard landing” nos EUA.

Mas até 2026 tem muita água para rolar. Por isso fizemos mais de 5h de conversas com experts nas mazelas do Brasil e vamos te enviar em breve o “DOSSIÊ BRASIL”, com todas as perspectivas econômicas e de mercado do país pela nossa newsletter gratuita.

Desastre anunciado

 



Desastre anunciado. Não sei quem possa ser considerado um candidato competitivo contra a turba do PT. Para esta turba, o ideal é ter o Jair Bolsnaro como adversário, dadas as tantas contradições deste complexo personagem. O PT acha ele o adversário ideal, fácil de ser vencido. O mesmo não pode ser dito sobre Tarcísio de Freitas. O problema é que se ele resolver não se candidatar a presidente, já era. Teremos mais quatro anos de governança ruim depois de 2026. 

Valor Invest

 


Dan Kawa

Brasil: Uma atuação perigosa no câmbio
By Dan Kawa
16Dez24

No sábado fiz uma atualização maior sobre o pano de fundo do Brasil, aqui: https://lnkd.in/dXpDm7VJ.

Na sexta-feira, no Brasil, o BCB promoveu um leilão de venda de dólares a vista, após a cotação da moeda testar o patamar em torno de 6.08. Na minha experiência de pouco mais de 2 décadas observando o mercado de câmbio no Brasil e no mundo, aprendi que intervenções cambiais podem ajudar a suavizar movimentos de depreciação (ou apreciação) das moedas, mas dificilmente alteram a tendência ou dinâmica estrutural.

Sim, o Brasil detém hoje pouco mais de $350B em reservas internacionais. Sim, as reservas funcionam como uma espécie de "seguro" para momentos de "crise", ou quando são necessárias. Contudo, as condições de contorno para a utilização de reservas internacionais importam muito para que a sua utilização seja eficaz.

No atual momento, o problema do Brasil é Fiscal e uma perda de confiança dos agentes em relação a disposição do governo em promover os ajustes necessários para colocar o país no trilho da prosperidade de longo-prazo. Vender Dólares das reservas, neste estágio do ciclo, irá reduzir um seguro importante para o país, sem que corrija o real problema da economia.

Neste pano de fundo, a atuação no mercado de câmbio a vista não será apenas inócua, mas poderá atuar na direção contrária, levando a uma depreciação ainda maior e mais rápida do Real. 

BRICS

 Arábia Saudita recusa convite para entrar no BRICS e avisa: “Não tem como aquele grupo dar certo!”

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...