quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Javier Milei: é assim que se faz uma reforma tributária

 Milei promete reforma tributária com redução de 90% de impostos nacionais


Anúncios foram feitos em discurso em que presidente argentino fez balanço do seu primeiro ano no governo


Luciana Taddeo


10/12/2024 às 22:45 | Atualizado 10/12/2024 às 23:18


O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (10) que seu governo prepara uma reforma tributária para reduzir 90% dos impostos nacionais.


“Minha equipe está terminando nestes dias uma reforma tributária estrutural que vai reduzir em 90% a quantidade de impostos nacionais e devolverá para as províncias a autonomia tributária que nunca deveriam ter perdido”, afirmou o líder libertário.


O presidente argentino disse esperar que no ano que vem haja uma “verdadeira competição fiscal entre as províncias” para ver qual divisão territorial atrai mais investimentos — o grande anseio do seu governo.


Apesar de 2025 ser um ano eleitoral na Argentina, em que o Legislativo será parcialmente renovado, Milei afirmou que sua administração não aplicará uma política fiscal e monetária expansiva.


“Vamos continuar nosso programa de ajuste para poder diminuir impostos e devolver o dinheiro ao setor privado, e vamos propor uma agenda de reformas profundas”, garantiu.


Além da impositiva, Milei também mencionou que promoverá reformas da previdência, trabalhista, das leis de segurança nacional, penal e política.


Entre os anúncios feitos nesta terça, durante discurso no qual fez um balanço de seu primeiro ano de mandato, Milei também afirmou que seu governo irá apresentar, nos próximos dias, um plano nuclear com a construção de novos reatores.


Segundo ele, o plano irá contemplar a investigação das novas tecnologias de reatores pequenos ou modulares.


“O aumento da demanda de energia que a inteligência artificial implica vai gerar no mundo inteiro o ressurgimento da energia nuclear depois de décadas de declive, e nós não ficaremos para trás”, manifestou.


https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/milei-promete-reforma-tributaria-com-reducao-de-90-de-impostos/

Pedro Malan

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Introdução à transcrição do artigo de Pedro Malan, por Maurício David, quem meu enviou a matéria. PRA


Pedro Malan, grande figura humana, um economista de primeira grandeza que foi Ministro da Fazenda nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1995/2002). Fui colaborador do Malan, quando ele presidiu o Instituto de Economistas do Rio de Janeiro (IERJ) e me convidou para participar da sua gestão, no começo dos anos 80. Em momentos de grandes dificuldades que enfrentei ao voltar do exílio em 1979, o Pedro me estendeu a mão, conseguindo para mim uma bolsa do CNPQ (onde êle era membro do Comitê Assessor para a área de Economia, na ocasião)  que me garantiu a sobrevivência (e da minha família) naqueles difíceis anos de procura de reinserção no Brasil nos anos pós-Anistia. O Brasil muito deve ao Pedro Malan. Eu muito devo ao Pedro Malan, de quem me orgulho de ter sido amigo e colega no IRI (Instituto de Relações Internacionais da PUC/RJ) e no IERJ.

Receba um abraço afetuoso, querido Pedro...

MD 


2026: o ano que vem chegando mais cedo

Pedro Malan

O Estado de S. Paulo, domingo, 8 de dezembro de 2024


Os próximos dois anos muito dirão sobre nossos inafastáveis desafios na área fiscal


Tema frequente de meus artigos neste espaço, ao longo de anos, tem sido a visão de que no Brasil convivem em simbiose o moderno e o anacrônico. E de que o Brasil moderno pode estar, ainda que muito gradualmente, aumentando seu peso relativo em relação a seu lado anacrônico – que nunca deve ser subestimado. Isso vale tanto para o mundo da política quanto para aquele da economia. Na arena político-institucional, continuamos tentando construir uma sociedade em que parte não irrelevante da opinião pública seja contra a apropriação espúria e uso indevido de recursos públicos; contra a ocupação e aparelhamento da máquina governamental para servir a interesses eleitorais, corporativistas, partidários e clientelistas. Em ambas as dimensões da vida pública – política e economia – penso ser possível expressar esperanças não insensatas em diálogos não impossíveis.


E por que essa reflexão agora? Ao fim deste mês de dezembro o presidente Lula da Silva terá alcançado a metade de seu mandato. Veremos, como de hábito nesses momentos, numerosos balanços do primeiro biênio, análises sobre o que esperar do período restante. Mas faltam apenas 21 meses para as cruciais eleições de 2026 – o ano que está chegando mais cedo.


Logo após sua vitória nas urnas em 2022, Lula assim se expressou, reiterando o mantra de sua campanha eleitoral: “O modelo que propomos, aprovado nas urnas, exige, sim, compromisso com a responsabilidade, a credibilidade e a previsibilidade; e disso não vamos abrir mão. Foi com realismo orçamentário, fiscal e monetário, buscando a estabilidade, controlando a inflação e respeitando contratos que governamos este país. (...) Olhem o que eu fiz nos oito anos (2003-2010). Não podemos fazer diferente. Teremos que fazer melhor”. Seu quadriênio de 20 anos depois (2023-2026) será avaliado nas urnas em função dessas promessas e também do que terá a dizer sobre o futuro o provável candidato Lula.


“O que fazer agora? Na economia, há quase um consenso de que o País precisa de reformas estruturais para viabilizar um novo ciclo de desenvolvimento.” “É certo que mudanças são necessárias na Previdência e na legislação trabalhista, assim como na tributação, na remuneração dos serviços públicos, no gasto social e também no gasto financeiro do governo.” “A solução da crise atual requer um debate equilibrado e transparente de questões impopulares, inclusive nas campanhas eleitorais, inclusive pela esquerda.” Assim escreveu o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, hoje diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em seu primeiro artigo como colunista da Folha de S.Paulo, em maio de 2017. Reproduzi essas palavras, que considerei encorajadoras, em artigo publicado um mês depois neste espaço (Diálogos não impossíveis?, de 11/6/2017).


Barbosa voltou ao tema menos de um ano depois em importante entrevista para Claudia Safatle no jornal Valor Econômico (2/3/2018). Ali, afirmava: “Acho que agora caiu a ficha para o PT, (...) o pessoal já sabe que tem que fazer a reforma da Previdência, sabe que tem que fazer reformas. Tem que regulamentar o teto remuneratório do setor público e tem que rever todas as vinculações que hoje engessam o Orçamento”. A sequência de reformas deveria ser, segundo o ex-ministro, aquela da Previdência e em seguida a da folha de salários, que, somadas, representariam quase 75% do gasto primário da União e responderiam pelo forte desequilíbrio das finanças dos Estados e municípios.


Ao longo dos próximos 21 meses, até as eleições de 2026, é preciso discutir dois grandes conjuntos de questões. O primeiro é como encaminhar um processo de reformas como aquelas sugeridas por Barbosa e por muitos dos economistas não ligados ao PT, que olham para o futuro do País no longo prazo e não apenas para as próximas eleições.


O segundo tem a ver com questão fundamental sintetizada com felicidade por Kenneth Rogoff nos seguintes termos: “É lamentável que neste debate sobre os limites das ações do governo haja muito pouca discussão sobre como fazer o governo um provedor de serviços eficiente. Aqueles que desejam um papel mais amplo do setor público estariam fortalecendo sua posição se estivessem preocupados em encontrar formas de fazer o setor público mais eficaz”. E – acrescento eu – não creio que isso seria impopular, particularmente nas áreas de saúde, educação, segurança e infraestrutura. Que certamente ocuparão posição central nos debates de 2026 e muito adiante.


Em março de 2021 publiquei neste espaço um artigo que tinha o mesmo título deste, mas referindo-se a 2022, ano eleitoral que vinha chegando mais cedo. Agora é 2026 que vem chegando – e muito mais rápido, indicando, mais uma vez, que o tempo da política não é o mesmo do tempo cronológico convencional. Tivemos nas eleições presidenciais de 2018 um não debate, que se repetiu em 2022. Não podemos correr o risco de ver ausente das eleições presidenciais de 2026 discussão séria sobre temas substantivos como aqueles discutidos pelo ex-ministro, economista que se considera um moderado do PT, como quero crer que se considere o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Os próximos dois anos muito dirão sobre nossos inafastáveis desafios na área fiscal.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Amilton Aquino

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"Hoje vou abordar dois assuntos completamente diferentes, mas ligados a uma mesma pauta: o esforço midiático do governo já na campanha presidencial para 2026.


O primeiro é a tentativa da imprensa de desgastar a imagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o único potencial candidato que Lula realmente teme enfrentar. De fato, a imagem de um policial jogando uma pessoa de uma ponte foi impactante. Tanto que o próprio governador admitiu publicamente ter errado ao não abraçar a ideia das câmeras nos uniformes dos policiais. Para os bolsonaristas mais irredutíveis, mais uma “traição” do governador ao bolsonarismo. Para o eleitor mais moderado, ponto para o governador.


O fato é que, cada vez mais, veremos a imprensa alinhada ao governo dando destaque a cada caso de violência policial em São Paulo, mesmo que, proporcionalmente, o estado apresente os melhores indicadores de segurança pública do país. Isso contrasta com a Bahia, por exemplo, governada pelo PT há anos e campeã absoluta não apenas em violência policial, mas em quase todos os indicadores de criminalidade, dados frequentemente ignorados pela mesma imprensa.


O segundo ponto é a narrativa petista, amplificada pela Globo, de que o “mercado” — sempre tratado como um ente conspiratório — estaria boicotando o governo por propor tributar os mais ricos para subsidiar os mais pobres. A pesquisa que aponta que apenas 10% dos “farialimers” confiam no Lula seria, segundo essa visão, a prova cabal dessa “conspiração”.


Para mim (e até para o próprio Lula, que ironizou a pesquisa), é surpreendente que ainda haja 10% de agentes de mercado que confiam no governo. Lembrando que, logo após a aprovação do arcabouço fiscal, esse número chegou a 90%! Ou seja, como já mencionei aqui na época, o mercado abusa do otimismo porque acredita que o Brasil, apesar de suas crises, jamais vai colapsar como a Venezuela ou a Argentina. Além disso, mesmo que o pior cenário se concretize, “crises trazem oportunidades”, como repetem 11 em cada dez gurus de investimentos.


O fato é que hoje estamos mais calejados. A sensação de dejavu é generalizada. O governo comemora um PIB anabolizado por gastos insustentáveis com um desemprego na mínima desde Dilma. Dilma, aliás, que comemorava uma taxa de desemprego de 4% às vésperas da catástrofe de 2015, vale lembrar.


Enfim, o pessimismo do mercado agora reflete apenas um choque de realidade. Continuo ouvindo suas opiniões, mas dou mais atenção a economistas ortodoxos — aqueles “chatos” que sempre alertam sobre a necessidade de gastar menos do que se arrecada. São os tais “neoliberais”, frequentemente acusados de só se preocuparem com números, ignorando os pobres.


Um dos números que ouvi nesta semana é um cálculo de que o aumento de um ponto percentual nos juros dos títulos indexados à inflação, reflexo da frustração com o pacote de cortes de gastos do governo, terá impacto de R$ 550 bilhões na dívida pública em cinco anos!


Ou seja, enquanto o governo estima, de forma otimista, uma economia de R$ 70 bilhões em dois anos para cobrir um déficit de R$ 1,1 trilhão, já contratou um acréscimo de mais de R$ 500 bilhões, o que vai gerar mais juros e demandar ainda mais esforço fiscal. E aqui está a ironia: eu sou um dos credores desses R$ 500 bilhões, pois comprei títulos com IPCA + 7,3%! Certamente, alguém aqui vai me xingar de “rentista”. Mas o que fazer em um ambiente onde a política ignora a matemática básica?


Seguimos à beira do precipício. O consolo é que o Brasil já enfrentou cenários bem mais adversos. O atual panorama pode mudar radicalmente se surgir uma proposta verdadeiramente crível de controle de gastos — algo que já foi apresentado por três deputados no Congresso. Sim, é impopular e difícil de ser aprovado. Porém, quando o efeito temporário do PIB anabolizado com gastos públicos insustentáveis se dissipar, a urgência do ajuste, hoje empurrada para 2027, pode ser antecipada por necessidade, o que até pode favorecer o governo, que poderá seguir posando de “defensor dos pobres” contra congressistas desalmados que querem impor medidas “neoliberais” a qualquer custo.


As narrativas já estão prontas, assim como a mídia alinhada e o STF, que atua como extensão do governo. Só falta combinar com a matemática e com a realidade."


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Call Matinal ConfianceTec 1012

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

10/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEGUNDA-FEIRA (09)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na segunda-feira (09), fechou em alta de 1,0%, a 127.210 pontos. Volume negociado chegou a R$ 21,3 bi. Já o dólar à vista fechou em alta de 0,50%, a R$ 6,0825.


PRINCIPAIS MERCADOS, 05h40:


EUA 🇺🇸:

Dow Jones Futuro, -0,03%

S&P 500 Futuro, -0,09%

Nasdaq Futuro, -0,14%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +0,59%

Nikkei (Japão🇯🇵), +0,53%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,50%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), +2,43%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,36%


Europa:

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,18%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,40%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), -0,17%

STOXX 600, -0,22%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,20%, a US$ 68,21 o barril

Petróleo Brent, -0,12%, a US$ 72,05 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,87%, a 817 iuanes (US$ 112,70)


NO DIA, 10/12


Nesta terça-feira (10), por aqui, destaque para o IPCA, na expectativa de desaceleração a 0,35%, depois de 0,56% em outubro.


Nada muda, no entanto, na estratégia do BCB, com o Copom devendo elevar a Selic em 1,0 pp. 


Na China, a nova leitura do PBoC muda tudo na estratégia de política monetária, o que deu uma gás às commodities nesta segunda-feira,  sustentando o Bovespa. Depois de 14 anos de prudência, política monetária chinesa passa a ser mais flexível.


Nesta madrugada foi divulgada a balança comercial do país. Queda das importações foi de 3,9%, depois de recuo de 2,3%, e as exportações tiveram avanço mais fraco em novembro (6,7% contra 12,7% em outubro). Com isso, o superávit chegou a US$ 97,44 bi.


Isso significa que a economia chinesa segue fraca, necessitando de estímulos.


Nos EUA, expectativa é pelo CPI nesta quarta-feira. Mercado continua a ver chance grande de corte de juro em 0,25 pp na reunião do Fomc, dia 18. 


No Congresso brasileiro, continua a resistência dos parlamentares em colaborar para a votação do pacote, na briga pelas emendas. Governo contornou isso, liberando R$ 4,1 bi em emendas.


Vamos monitorando. 


AGENDA, 10/12


Indicadores:

04h00. Alemanha/Destatis: CPI de novembro, final 

05h00. Brasil/Fipe: IPC da 1ª quadrissemana de novembro

08h00. Brasil/FGV: IGP-M 1º decêndio de dezembro

09h00. Brasil/IBGE: IPCA de novembro

10h00. Brasil/ABCR: Fluxo de estradas pedagiadas - nov 

10h30. EUA/Deptº do Trabalho: Custo da mão de obra no 3Tri 

20h50. Japão/BoJ: PPI de novembro


Eventos:

09h00. Sabatina na CAE do Senado dos indicados para a diretoria do BC

12h00. Dario Durigan (Fazenda) participa de almoço da FPE 

Diretores do BCB participam do primeiro dia de reunião do Copom.

 

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa terça-feira e bons negócios!

Bankinter Portugal Matinal 1012

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, finalmente, um pouco de debilidade com ligeira realização de lucros nas bolsas e obrigações a elevarem as suas yields, embora muito pouco. O governo chinês investiga Nvidia por práticas anticoncorrenciais, o que é surrealista numa economia centralizada e anticoncorrencial, portanto trata-se de uma represália contra as medidas americanas de não transferência de tecnologia. A empresa caiu -2,6%, parecendo ser uma boa oportunidade para a comprar abaixo da fronteira psicológica de 140$.  

 

Como esperado, esta madrugada, Austrália repetiu a Taxa Diretora em 4,35%, mas o RBA (b.c.) expressa-se mais dovish/suave e certamente fará uma descida na reunião de fevereiro. Tem a inflação em +2,8% (intervalo objetivo +2%/+3%), mas a Subjacente +3,5% (um pouco fora do controlo). É uma pequena, se bem que distante, boa notícia. Hoje não sai nada relevante, portanto veremos amanhã: Canadá baixará -50 p.b. até 3,25%, mas Brasil subirá +75 p.b., até nada menos do que 12% para tratar de travar a depreciação do real e a saída de capitais.  

 

O MAIS IMPORTANTE: na quinta-feira, 2 descidas de taxas de juros. BCE (-25 p.b., até 3,00% Depósito/3,15% Crédito) e Suíça (-50 p.b., até apenas 0,50%, visto que a sua inflação está +0,7%). Embora estejam descontadas, influenciarão favoravelmente, principalmente o BCE, que publicará também as suas estimativas macro atualizadas. Considerando a debilidade da França e Alemanha, o mais inteligente que poderá fazer é realizar uma revisão substancial em baixa, para que o mercado se adapte de seguida. Mas não se atreverá, infelizmente. 

 

E a inflação americana de quarta-feira irá mostrar a sua resistência em ceder: IPC +2,7% vs. +2,6%, com Subjacente a repetir em +3,3%. Em suma, tanto este dado como a provável revisão em baixa das estimativas macro do BCE, apesar da descida de taxas de juros, deverão traduzir-se em alguma realização de lucros nas bolsas, a qual seria prudente e daria mais tranquilidade do que inquietude. As inflações entram numa etapa de aumentos e, por isso, seria melhor que o mercado as encarassem com a preocupação que merecem, principalmente considerando o excelente 2024 que estamos a ter: S&P500 +27%, Nq-100 +27%, SOX +20%, ES-50 +10%, Ibex +19%... A inflação nos Países Baixos foi publicada esta manhã, aumentado para +4,0% desde +3,5%... 

 

S&P500 -0,6% Nq-100 -0,8% SOX -0,8% ES-50 +0,2% IBEX -0,5% VIX 14,2% Bund 2,12% T-Note 4,19% Spread 2A-10A USA=+7pb B10A: ESP 2,76% PT 2,51% FRA 2,87% ITA 3,20% Euribor 12m 2,450% (fut.1,984%) USD 1,056 JPY 159,7 Ouro 2.670$ Brent 71,8$ WTI 68,0$ Bitcoin -1,6% (97.496$) Ether -4,6% (3.741$). 

 

FIM

BDM Matinal Riscala 1012

 *Rosa Riscala: Governo libera emendas para contornar crise*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Após sinalizar mais estímulos à economia, o que sustentou ontem as commodities e o Ibov, a China divulgou hoje queda nas importações e avanço mais fraco das exportações em novembro. Nos EUA, a expectativa é pelo CPI, amanhã, que pode reforçar a aposta em queda de 25pbs do juro no Fomc dia 18. Aqui, o IPCA de novembro (9h) deve desacelerar para 0,36%, contra 0,56% em outubro, sem chance de esvaziar as pressões para a Selic. Às vésperas do Copom, que realiza o primeiro dia de reuniões nesta 3ªF, uma virada do mercado disparou para 80% as chances de aumento de 100pbs da taxa básica de juro, com os investidores projetando cenários tenebrosos para a inflação, diante da crise de confiança na política fiscal. A resistência dos parlamentares em colaborar para a votação do pacote, na briga pelas emendas, piorou tudo. Mas o governo driblou o impasse ontem à noite.


… Diante da insatisfação no Congresso com as exigências de Dino (STF) para liberar as emendas, o governo anunciou que editará portarias para acelerar o pagamento de R$ 6,4 bilhões indicados pelos congressistas.


… Serão liberados R$ 4,1 bilhões em emendas de comissão e R$ 2,3 bilhões em emendas de bancada.


… A solução para a crise surgiu depois de Lula ter convocado uma reunião às pressas com Lira e Pacheco. No encontro, pediu um esforço concentrado do Congresso para garantir a votação do pacote fiscal neste ano.


… Mas ouviu como resposta que a decisão de Dino de manter as regras mais rígidas para o pagamento das emendas, apesar dos apelos da AGU, caiu como “uma bomba” no Congresso e “desandou o clima” de votações.


… Pouco antes, em evidente retaliação ao governo, a CCJ do Senado encerrou reunião sem a leitura do projeto de regulamentação da reforma tributária. Com a crise contornada, o relator, Eduardo Braga, lerá o parecer hoje.


… Na Câmara, o Broadcast apurou nos bastidores que Lira não crava uma data de votação para o pacote fiscal, mas indica que pode escolher os relatores em breve, garantindo uma melhora no ambiente político em Brasília.


… Confiante, o ministro Haddad disse que o pacto firmado entre Lula, Lira e Pacheco atende aos anseios dos parlamentares e que o andamento da agenda econômica no Congresso não deve ser comprometido.


… Questionado sobre o risco de o próprio PT desidratar o pacote e implodir a pauta econômica, Haddad declarou que integrantes do governo já estão conversando com a bancada para explicar as medidas.


… Os secretários da Fazenda Dario Durigan e Guilherme Mello estiveram reunidos nesta 3ªF com deputados petistas, mas não indicaram que irão propor mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC).


… Segundo Haddad, é preciso passar credibilidade para os ativos nos negócios voltarem ao “patamar normal”.


… Ele defendeu que o impacto de economia fiscal gerado pelo pacote do governo não está superestimado e que os cálculos de alguns bancos já começam a se aproximar dos números divulgados pelo Ministério da Fazenda.


MAIS TRIBUTÁRIA – O senador Eduardo Braga apresentou seu relatório com mudanças em relação ao texto apreciado pela Câmara, que se aprovadas, vão representar um impacto extra de 0,13pp sobre a alíquota do IVA.


… Com isso, a alíquota média subiria de 27,97% (considerando a versão que passou na Câmara) para 28,1%.


… Braga sinalizou que o texto pode ter medidas mais duras, não especificadas, em caso de estouro da trava de 26,5% incluída pelos deputados. Ao Estadão, técnicos disseram que a tendência do IVA é ficar acima deste nível.


… Neste caso, o Poder Executivo terá de encaminhar um projeto de lei complementar ao Congresso propondo alternativas para equalizar a alíquota e rever os regimes favorecidos pelo novo imposto sobre o consumo.


… O relatório apresentado nesta 2ªF inclui as armas e munições no chamado “imposto do pecado”, reduz a tributação de imóveis, estabelece que o plástico também terá imposto seletivo e a telefonia receberá cashback.


… Apesar das novidades, Haddad disse que o parecer de Braga “mexeu muito pouco” com as exceções na reforma tributária e que a alíquota calculada pela Fazenda mudará quase nada. “Está bem controlado.”


MAIS AGENDA – A CAE do Senado sabatina, às 9h, os três indicados para diretoria do BC: Nilton David (Política Monetária), Izabela Correa (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta) e Gilneu Vivan (Regulação).


… Entre os indicadores, o fluxo de veículos nas estradas pedagiadas em novembro sai às 10h. Do lado da inflação, além do IPCA, saem duas prévias de dezembro: do IPC-Fipe (5h) e do IGP-M (8h).


LÁ FORA – Em dia fraco, os EUA informam a leitura final do índice de custo unitário da mão de obra no 3Tri, que deve desacelerar a +1,4%, de +2,4% no 2Tri. Na Alemanha, sai a leitura final do CPI de novembro (4h).


CHINA HOJE – As exportações avançaram em novembro menos do que o esperado e as importações caíram.


… O volume exportado teve alta anualizada de 6,7%, perdendo força em relação ao avanço de 12,7% de outubro. O dado veio abaixo da expectativa de analistas, que previam alta de 8,4% das exportações.


… As importações chinesas registraram queda de 3,9% em novembro, ampliando o recuo de 2,3% em outubro. O resultado contrariou o consenso de alta de 0,8%. A China acumulou superávit comercial de US$ 97,44 bilhões.


… Foi maior do que o saldo positivo de US$ 95,27 bilhões de outubro e do que a projeção de US$ 92,8 bilhões.


DEU A LOUCA NO MERCADO – Com a bruxa à solta, a curva do DI já está quase precificando Selic terminal de 16%, enquanto o dólar praticamente bate um recorde histórico por dia, comprando a briga com o governo.


… Segundo cálculos no Broadcast, os contratos futuros dos juros estão agora amplamente inclinados (80%) para uma alta de 1pp da Selic amanhã, contra 20% de 0,75pp. Para janeiro, aparecem as primeiras apostas de 1,25pp.  


… Já desde cedo, ontem, o investidor sabia antecipadamente que, diante da dimensão tomada pela crise fiscal, o boletim Focus traria piora na desancoragem das expectativas para a inflação e para a Selic, o que se confirmou.


… A mediana do mercado para o IPCA/25 disparou de 4,40% para 4,59% e rompeu o teto da meta (4,50%). Em outro salto de ousadia, a estimativa para a inflação no acumulado em 12 meses saiu de 4,41% para 4,64%.


… Como reflexo das apostas cada vez mais conservadoras para o Copom, o levantamento Focus apontou alta na previsão da Selic deste ano de 11,75% para 12,00%. Para o fim de 2025, a projeção subiu de 12,63% para 13,50%.


… Na sequência do Focus, o Itaú assustou: de última hora, antes do Copom, revisou a projeção para o juro de 0,75pp para 1,00pp em dezembro e passou a estimar que o BC mantenha este ritmo mais agressivo em janeiro.


… O grande risco das projeções mais agressivas é de “abrir a porteira”. Santander, Citi e Warren ainda estão com a aposta de 0,75pp, mas não desprezam o risco de o Copom dar um choque maior para restaurar a confiança.


… Para a XP, a conjuntura parece suficientemente aguda para que o BC opte por 1,00pp amanhã, repita essa dose em janeiro e complete o ciclo com mais duas altas de 0,50pp cada, em março e maio, com taxa terminal de 14,25%.


… À tarde, o risco de o imbróglio das emendas empatar a pauta fiscal ajudou a botar mais fogo na curva do DI.


… O juro para Jan/26 subiu a 14,590% (de 14,360% no pregão anterior); Jan/27 superou os 15%, a 15,020% (14,690%); Jan/29 foi a 14,685% (de 14,375%); Jan/31, a 14,350% (de 14,080%); e Jan/33, 14,140% (13,900%).


… Ainda que a incerteza sobre a sustentabilidade da dívida pública cause temor, há um exagero nos prêmios embutidos nos ativos financeiros brasileiros, avalia o economista Felipe Camargo, da Oxford Economics.


… “O sell-off dos ativos brasileiros foi brutal. Pensamos que as taxas de juros futuras e o câmbio deveriam embutir um prêmio de risco, mas os mercados foram longe demais, dados os fundamentos da inflação e perspectivas fiscais.”


… Apesar de críticas como essa em relação à racionalidade dos negócios, também o dólar não para de subir e voltou a quebrar máximas históricas ontem, embalado pelo risco fiscal e desancoragem das expectativas de inflação.


… O único alívio é que subiu pouco (+0,20%), a R$ 6,0829, limitado pelo otimismo com potenciais estímulos na China.


MADE IN CHINA – O primeiro movimento de Pequim em quase 15 anos em direção a uma política monetária mais flexível precipitou um rali nas blue chips das commodities e blindou o Ibov da nova onda de estresse fiscal.


… O governo chinês anunciou que vai adotar uma postura monetária “moderadamente frouxa” no ano que vem e prometeu o lançamento de medidas para estabilizar os mercados de ações e de imóveis do país.


… A consultoria Capital Economics duvida de uma enxurrada repentina de estímulos, mas a inclinação dovish da China por si só já foi suficiente para dar uma injeção de ânimo no petróleo e minério, com impactos direto aqui.


… O Ibovespa retomou os 127 mil pontos, ao ganhar 1% (127.210,19), com volume financeiro de R$ 21,3 bilhões.


… Petrobras subiu forte, com o papel ON valorizando 2,64% (R$ 43,22) e o PN, +2,59% (R$ 40,04), desempenho que superou a alta de 1,43% do Brent/fev, a US$ 72,14 por barril, na ICE.


… Na mesma linha, Vale disparou 5,32% (R$ 59,83) e Bradespar, acionista da mineradora, subiu 4,98% (R$ 18,35). Em Dalian, o minério de ferro ficou 1,57% mais caro.


… Outras metálicas também foram bem. CSN Mineração liderou o ranking positivo do Ibov, com +6,68% (R$ 5,59). CSN subiu 4,39% (R$ 11,65), Gerdau PN avançou 3,32% (R$ 21,15) e Usiminas PNA teve alta de 2,34% (R$ 6,12).


… O entusiasmo com a China contrabalançou o reflexo negativo para a bolsa dos papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, que sentiram a escalada do dólar e da curva do DI e se destacaram entre as maiores perdas do pregão.


… Pão de Açúcar (-5,06%, a R$ 2,25); Petz (-4,51%; R$ 3,81); Cogna (-4,17%; R$ 1,15); e Localiza (-3,93%; R$ 33,45).


… Bancos ficaram majoritariamente no vermelho. Santander caiu 0,90% (R$ 25,25), Bradesco PN cedeu 0,65% (R$ 12,24) e Bradesco ON, -0,09% (R$ 11,11). BB recuou 0,24% (R$ 24,67). Na contramão, Itaú subiu 0,49% (R$ 32,86).


PAUSA PARA DESCANSO – As bolsas em NY deram um tempo nos recordes antes do CPI, num momento de pressão no setor de tecnologia, depois que a China abriu uma investigação contra a Nvidia.


… A ação da big tech caiu 2,6%, um dos principais pesos do Nasdaq (-0,62%), que fechou aos 19.736,69 pontos.


… A Administração Estatal para Regulamentação de Mercado da China abriu a investigação, alegando que a Nvidia é suspeita de violar a lei antimonopólio do país.


… Ainda entre as techs, a fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD) recuou 5,6% depois de a ação ser rebaixada de compra para neutra pelo BofA Global Research. 


… Próximo de níveis de sobrecompra após uma série de recordes, o S&P 500 caiu 0,61% (6.052,85) e o Dow Jones cedeu 0,54% (44.401,93).


… Analistas consideraram as quedas mais um ajuste antes do CPI do que uma tendência. Espera-se um dado “amigável” para as ações.


… Apenas uma leitura “dramática”, nas palavras de Chris Larkin (E*Trade/Morgan Stanley), impediria um corte de juro em dezembro pelo Fed, o que poderia tirar as bolsas da trilha de altas, que já dura meses.


… Por outro lado, a desaceleração da inflação empacou nos últimos meses e, por isso, o dado de novembro vai ser muito bem esmiuçado, disse Greg McBride (Bankrate).


… A expectativa é que o núcleo do CPI suba 0,3% pelo quarto mês consecutivo em novembro, segundo mediana da Bloomberg. Na comparação anual, deve subir 3,3%, mesma leitura dos dois meses anteriores.


… No câmbio, o índice dólar (DXY) fechou perto da estabilidade (+0,08%), a 106,145 pontos, com desempenho misto ante seus principais pares.


… Em meio à expectativa de novo corte de juro pelo BCE esta semana, o euro caiu 0,13%, a US$ 1,0549. A libra ficou estável (+0,04%), em US$ 1,2745. O iene recuou 0,80%, a 151,21/US$.


… Os juros dos Treasuries subiram. O da note de 2 anos avançou a 4,120% (de 4,104% na sessão anterior), o da note de 10 anos foi a 4,194% (de 4,166%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,382% (de 4,337%).


EM TEMPO… GOL informou que vai protocolar plano inicial de reestruturação no âmbito do Chapter 11, nos EUA. O plano segue o acordo de 6/11, celebrado entre a Gol, Abra Group Ltd, afiliadas e comitê de credores quirografários…


… A empresa pretende levantar até US$ 1,85 bilhão em novo capital, dos quais até US$ 330 milhões podem ser na forma de emissão de novas ações a serem subscritas por terceiros investidores.


PETROBRAS abriu licitações para contratação de fornecedores para implantação do segundo trem de refino (linha de produção) da Refinaria do Nordeste (Rnest), antiga Abreu e Lima.


NATURA. Conselho de Administração aprovou o cancelamento de registro na SEC dos EUA.


AZZAS iniciou processo de simplificação de portfólio, que inclui descontinuação das marcas Alme, Dzarm, Reserva e Simples. Empresa espera concluir plano até o fim de fevereiro e não antecipa incorrer em despesas caixa relevantes.


VIVARA encerrou novembro com 450 operações no País. Do total, 265 são lojas Vivara, 174 lojas Life e 11 quiosques.


SÃO MARTINHO aprovou a distribuição de R$ 150 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,4516 por ação, com pagamento em 19/12; ex em 13/12.


DIRECIONAL acertou a venda de, no mínimo, 7,55%, e, no máximo, 15%, do capital social da Riva para a Riza. O preço de aquisição será entre R$ 200 milhões e R$ 397,5 milhões.


ITAÚ. A CVM abriu processo administrativo para investigar as denúncias do banco contra o ex-CFO Alexsandro Broedel e o contador Eliseu Martins. A investigação não tem um prazo específico para terminar.

Fundos Anbima

 Como as gestoras e seus "operadores" irão sobreviver a um cenário distópico como o atual? Impossível! E seguem surgindo assets. Impossível não ser diferente diante de um cenário em que o mercado vem se concentrando cada vez mais.


Os fundos de investimento apresentaram resgates líquidos de R$ 26,6 bilhões em novembro, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 9, pela Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em 2024, os fundos acumulam saldo líquido positivo de R$ 186,2 bilhões, o melhor resultado dos últimos três anos para o período. O patrimônio líquido da indústria agora é de R$ 9,389 trilhões.


A indústria foi mais uma vez penalizada pela classe de multimercados, que recuou R$ 24,3 bilhões no último mês, totalizando um saldo negativo entre captações e resgates em R$ 324,2 bilhões no ano.


Na renda fixa, a saída líquida mensal foi de R$ 4,7 bilhões, reduzindo a captação líquida no para R$ 344 bilhões. Nos fundos de ações, houve resgate líquido de R$ 3,8 bilhões em novembro, com perda de R$ 9,5 bilhões no ano.


Na classe de renda fixa, a maior captação em novembro foi do tipo Duração Baixa Soberano, com R$ 18 bilhões, acumulando um resultado positivo de R$ 44,3 bilhões em 2024. Por outro lado, as maiores perdas ocorreram nos tipos Duração Livre Grau de Investimento e Duração Baixa Grau de Investimento, este o de maior PL da classe, que registraram perdas de R$ 10,3 bilhões e R$ 8,5 bilhões, respectivamente.




https://istoedinheiro.com.br/fundos-tem-resgate-liquido-de-r-266-bilhoes-em-novembro-mostra-anbima/

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...