segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Fatos de domingo 0812

 Resumo de domingo - 08/12/2024 


Edição de Chico Bruno


Manchetes dos jornais


Valor Econômico – Não circula hoje


O ESTADO DE S.PAULO – Brasil perde espaço entre investidores que miram emergentes


O GLOBO – Para investir mais, Brasil bate recorde de importação de máquinas


FOLHA DE S.PAULO – Seca leva país a escassez inédita em cinco grandes bacias hidrográficas


CORREIO BRAZILIENSE –  Partidos se unem pela manutenção do futuro de Brasília


Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia


Perda de prestígio - Ao longo dos últimos anos, o Brasil tem visto a sua relevância encolher entre os países emergentes como destino de investimentos internacionais. Gestores de recursos têm redirecionado sua atenção para a Ásia, em especial Índia e Taiwan. Um termômetro que aponta para essa perda de relevância do Brasil é o índice Morgan Stanley Capital International (MSCI) Emerging Markets (mercados emergentes), que vem caindo consistentemente. No último rebalanceamento do índice, em novembro, a participação do Brasil foi de 4,5%. No auge, no fim de 2009, o País chegou a responder por 16,3%. O Brasil ainda é a quinta economia com mais relevância na composição do índice de emergentes. No rebalanceamento de novembro, a China seguia na liderança com 26,99%, seguida por Índia (19,93%), Taiwan (18,88%) e Coreia do Sul (9,73%). A perda de participação brasileira foi influenciada tanto por fatores externos quanto internos. No lado externo, o menor crescimento da China contribuiu para uma queda do patamar dos preços das commodities em relação ao pico registrado na virada da década passada. O Brasil é um grande exportador de produtos básicos, como soja, petróleo e minério de ferro. Portanto, o comportamento do valor das commodities sempre tem um impacto na Bolsa de valores brasileira e no câmbio.


Recorde de compras - Com economia aquecida, mas capacidade limitada de entrega, o Brasil está recorrendo mais ao exterior para trocar maquinário e comprar novos equipamentos, caminhões e ônibus. O objetivo é continuar obras rodoviárias, saneamento, construção civil e setor elétrico, expandir a mineração e ampliar centros de distribuição de compras pela internet, por exemplo. Neste ano, já foi importado o equivalente a R$ 198 bilhões, um salto sobre 2023 e um recorde. A China, com seus preços competitivos, abocanhou boa parte desses contratos, desbancando a hegemonia dos EUA e da Alemanha e preocupando fabricantes nacionais.


Escassez - Cinco grandes bacias hidrográficas do país tiveram decretado, oficialmente, "estado de escassez hídrica", em mais de um século de medição. Foi o que se viu nas bacias dos rios Madeira, Purus, Tapajós e Xingu, todos afluentes do rio Amazonas, e no rio Paraguai, que banha o pantanal. Com exceção do rio Madeira, todos os demais motivaram decretos de escassez pela primeira vez. "Crise climática e crise hídrica estão associadas, especialmente em situações que se combinam com a intensificação da degradação ambiental nos territórios", avalia Suely Araújo, do Observatório do Clima. A seca extrema atingiu 26% do território nacional, ou 2,2 milhões de quilômetros quadrados, a soma da áreas das bacias. A declaração de escassez hídrica não é uma mera formalidade, mas gatilho para que políticas públicas que evitem a pane no sistema hídrico.


Grita candanga - Às vésperas de uma reunião de líderes, na terça-feira, quando será definida a orientação para a votação do projeto 4614/2024, que trata da correção do Fundo Constitucional do DF, mais partidos declaram apoio à manutenção do cálculo atual. “Vamos votar contra” (o projeto), assegurou o presidente do PP, Ciro Nogueira, argumentando que a continuidade do volume do repasse “é essencial” para garantir a qualidade dos serviços prestados à população da capital. Segundo o secretário da Fazenda do DF, Ney Ferraz, o impacto na redução do valor afetaria não somente os serviços e as carreiras do funcionalismo público, como o setor econômico, diminuindo a quantidade de emprego e renda. A bancada do PT na Câmara Federal tem encontro amanhã para definir a posição do partido quanto ao corte proposto pelo Planalto. 


A hora da verdade -  A votação do pacote de contenção de gastos será um divisor de águas nos partidos e ponto de largada de uma reforma ministerial. Há ensaio de queda de braço entre as alas mais governistas e as oposicionistas. No União Brasil, por exemplo, a passagem de uma lista no grupo que desejava substituir o líder Elmar Nascimento (BA) foi o motivo para que ele se antecipasse e deixasse o cargo, de forma a se preservar. Porém, votou contra a urgência do pacote, o que pode representar um problema. No PP, o presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), fez tudo o que estava ao seu alcance para levar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do pacote fiscal plenário. Se o governo quiser mesmo usar a votação do pacote de contenção de gastos para definir seus novos ministros, há quem diga que Lira não pode ficar de fora. Os deputados, porém, estão revoltadíssimos com a perspectiva de o governo usar as emendas para aprovar o pacote de gastos. O deputado Luiz Ovando (PP-MS), por exemplo, é direto: “Esse pacote é um amadorismo. Forçou os deputados a assumirem a responsabilidade de aprovação diante da liberação das emendas. Há uma dificuldade muito grande para aceitar esse pacote porque ele penaliza as pessoas que mais precisam”, comentou. 


Para acalmar MST - O governo federal aposta em um pacote de medidas neste final de ano para aplacar as cobranças do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em meio a protestos e invasões de fazendas. Elas envolvem assentamento de famílias e liberação de recursos para produção e assistência técnica. Até o final do governo, a expectativa do ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) é assentar 60 mil famílias das 100 mil atualmente acampadas, de acordo com o cadastro do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). O MST vem pedindo a cabeça de Teixeira, que prefere não polemizar com o movimento.


PT aprova resolução que critica 'Faria Lima' - O Diretório Nacional do PT aprovou por margem apertada neste sábado (7), em Brasília, resolução que critica o que chama de "artimanhas da Faria Lima" e cobra uma reformulação da comunicação do governo Lula. Foram apenas 4 votos de diferença a favor do texto elaborado pela corrente majoritária do partido, a CNB (Construindo um Novo Brasil), 42 a 38. Alas mais à esquerda do partido queriam aprovar um texto bem mais crítico ao pacote de corte de gastos do ministro Fernando Haddad (Fazenda), o da corrente "Avante PT"!, dizendo ser um "grave equívoco" mexer nas regras do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e na política de valorização do salário mínimo. "Não será possível uma solução que agrade ao mercado e a nossa base." A ala majoritária só conseguiu evitar isso por pouco, aceitando incluir emenda recomendando à bancada do partido no Congresso trabalhar para que cortes no BPC envolvam apenas "eventuais desvios e fraudes ao sistema, preservando integralmente os direitos estabelecidos na Constituição".


Campos Neto é serviçal do mercado financeiro - A resolução proposta pela corrente Construindo Um Novo Brasil, a majoritária do PT, e aprovada na reunião do Diretório Nacional do partido renova as críticas à condução do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que é chamado no texto de "serviçal do sistema financeiro". O documento, aprovado na reunião realizada neste sábado (7) em Brasília, elenca uma série de indicadores econômicos do governo Lula (PT), entre eles a redução do desemprego, a nova política industrial e a retomada da construção civil. O texto, que pode ser alterado, indica que o "cenário só não é mais promissor devido à sabotagem deliberada do Banco Central de Roberto Campos Neto, que comanda a autarquia com viés político-partidário."


Janja é homenageada por Prerrogativas - A festa de fim de ano do grupo de advogados e juristas Prerrogativas, alinhado ao governo Lula (PT), homenageou na noite desta sexta-feira (6) a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, em um evento com a presença do presidente em São Paulo. Após receber a homenagem, Janja fez um discurso protocolar, em que afirmou que a misoginia atrapalha todas as mulheres e defendeu a nomeação de mulheres para o Judiciário. Em seu atual mandato, Lula nomeou dois homens para as duas vagas abertas no STF (Supremo Tribunal Federal): Cristiano Zanin e Flávio Dino. Janja disse ainda que este terceiro mandato de Lula tem a missão de reconstruir caminhos que já haviam sido trilhados, mas que os retrocessos apagaram. Segundo ela, o ano de 2024 foi "difícil", mas houve "sementes plantadas". A primeira-dama também mencionou a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, lançada durante evento paralelo ao G20, como uma das principais iniciativas de Lula e que, segundo ela, é "um divisor de águas da humanidade".


Admissão após indiciamento prejudica defesa de Bolsonaro - A admissão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que discutiu o estado de sítio com militares em 2022 prejudica sua defesa em processo envolvendo a trama golpista, na interpretação de especialistas ouvidos pela Folha. No dia 21 de novembro, o ex-mandatário foi indiciado pela Polícia Federal na apuração sobre tentativa de golpe. Segundo o relatório policial, ele planejou, atuou e "teve domínio de forma direta e efetiva dos atos executórios" contra a democracia. Uma semana após o indiciamento, Bolsonaro admitiu, durante entrevista à revista Oeste, ter discutido o estado de sítio e o estado de defesa com militares após as eleições de 2022. "Eu discuti, sim, conversei, não foi uma discussão acalorada", afirmou, citando que um dos assuntos debatidos foi o artigo 142 da Constituição, que aborda as atribuições das Forças Armadas. Ele já havia falado sobre o tema em outras ocasiões, mas de forma menos explícita, como em manifestação de fevereiro na avenida Paulista, quando indicou saber da existência de minutas de decreto para anular a eleição do presidente Lula (PT).


Bahia fecha acordo de R$ 9 bi com chineses - A construção de uma megaponte de 12,4 quilômetros entre Salvador e a ilha de Itaparica, cujo contrato foi firmado em novembro de 2020, deve destravar nos próximos meses com um acordo firmado entre o Governo da Bahia e o consórcio formado por empresas chinesas. A nova proposta prevê um investimento total de R$ 9 bilhões na construção da ponte, entre recursos públicos e privados. O valor foi apurado pela Folha com duas fontes ligadas à negociação, que corre sob confidencialidade. Em parceria público-privada, o contrato original previa R$ 6,3 bilhões para construção do sistema viário, sendo R$ 1,5 bilhão de recursos público. Além disso, o governo baiano pagaria uma contraprestação de R$ 56 milhões anuais pelos 30 anos de vigência da concessão. A renegociação atualizou o valor da obra e reviu pontos do contrato, caso os temos do seguro de demanda, que prevê que o estado entre com recursos adicionais na concessão caso o volume de veículos seja abaixo do projetado. Para ser concretizado, o acordo depende do aval do Tribunal de Contas do Estado da Bahia. Há três meses, a Corte instaurou um processo de Solução Consensual de Controvérsias e Prevenção de Conflitos entre as partes, replicando modelo adotado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).


Dança das cadeiras - Lula planeja reforma ministerial visando apoio político e melhorias na gestão. Mudanças incluem pastas como Desenvolvimento Social e Comunicação. Estratégia visa fortalecer alianças para 2026, incluindo possível entrada de Rodrigo Pacheco. Partidos como PSD e União Brasil são alvos da reorganização para garantir neutralidade ou apoio no futuro.


Lula e Toffoli selam a paz após seis anos de mágoas - Após seis anos de mágoa, Lula e Toffoli selam a paz em encontro discreto. Conversa de duas horas focou no futuro, evitando passado conturbado. Reconciliação estratégica e movimentos recentes do ministro contribuíram para distensão.


Ex-presidente veta filho - Eduardo Bolsonaro é considerado "plano B" para eleições de 2026, mas enfrenta resistência do ex-presidente Bolsonaro e do PL. Há debate sobre sucessão familiar e estratégias para viabilizar candidatura. Alianças internacionais e discurso de fortalecimento da direita são destaque.


Bolsonaro reage e diz que obra não precisaria de alvará - Jair Bolsonaro (PL) se manifestou em suas redes sociais acerca de matéria publicada no GLOBO deste sábado (7) sobre o fato de que a reforma de sua casa de praia em Angra dos Reis, no valor de R$ 900 mil, não ter tido alvará. Em vídeo compartilhado no X, em que fala diretamente do aeroporto de Passo Fundo (RS), o ex-presidente afirmou: "Dizem que eu não requeri licença. Mas de acordo com o que dispõe o Código de Obras do Município de Angra dos Reis, é dispensável (o pedido de licença). Não foi aumentado ou diminuído um metro sequer nessa obra."


‘STF virou grande tribunal criminal com poder desmedido’ - Eleito com votação recorde para presidir a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP), a maior do País, o criminalista Leonardo Sica tomará posse em janeiro de 2025 disposto a mexer em alguns vespeiros. O primeiro é pressionar por mudanças na composição e na atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Sica reclama de poder excessivo da Suprema Corte, considera muito graves as restrições ao uso da palavra nos tribunais e diz que a figura de um juiz universal no caso do 8 de janeiro levará ao risco de anulação do julgamento, da mesma forma que vem ocorrendo com a Lava Jato. “Há interferência do Judiciário em todas as esferas da vida pública de uma maneira incontida. Isso é ruim. A gente tem que encontrar uma maneira de redefinir os limites do Judiciário. Todos os poderes têm que ter limites”, afirma em entrevista exclusiva à Coluna do Estadão.


Raio-X do Centrão - A reforma política de 2017, que buscou punir partidos com comportamento fisiológico, reduziu o número de siglas menores e concentrou recursos e poder nas mãos dos partidos médios do chamado “Centrão 2.0″, grupo reunido em torno de demandas clientelistas, em detrimento de uma agenda ideológica. A conclusão é do estudo “Do fisiologismo ao poder: as reformas eleitorais e o centrão 2.0″, dos cientistas políticos Graziella Testa (FGV), Lara Mesquita (FGV) e Bruno Bolognesi (UFPR), que buscou apresentar pela primeira vez uma definição acadêmica do que compõe o Centrão – termo recorrente no jargão jornalístico – e descobrir se houve mudança no perfil dos deputados federais a partir das reformas de 2007 e 2017.

Bankinter Portugal Matinal 0912

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: A semana voltou a ser melhor do que o esperado. Perante a ausência de obstáculos, impôs-se uma suave inércia em alta. Inclusive apesar da instabilidade política em França, de um “autogolpe” falhado e fugaz na Coreia do Sul, de um emprego americano bastante bom e de umas declarações de Powell otimistas sobre o ciclo americano, mas de tom hawkish/duro, referências que deveriam ter arrefecido as expetativas de descidas de taxas de juros por parte da Fed e, por extensão natural, também o mercado… mas não aconteceu nada disso. Surpreendente resistência das obrigações e perfeito estado da tecnologia. O arrefecimento sobre taxas de juros após a vitória de Trump parece já descontado a 100%. O final de 2024 está a ser tão sólido que convém refletir sobre o potencial que deixa para 2025. 

 

Esta semana, o interessante será na quarta e quinta-feira, com uma inflação americana um pouco desconfortável e outra descida de taxas de juros do BCE. Os futuros vêm a retroceder hoje um pouco e parece que será o tom da sessão, o que seria bastante bom, porque este rally de final de ano pode dificultar o arranque de 2025. Esta é uma semana de 5 bancos centrais. Amanhã. Austrália repetirá a Taxa Diretora em 4,35%. Depois, Canadá -50 p.b., até 3,25%, mas Brasil +75 p.b., até nada menos que 12% para tentar travar a depreciação do real (até ca. 6,0/$ vs ca,4,8/$ em 2024) e saída de capitais. Mas, principalmente, na quinta-feira, duas descidas de taxas de juros relevantes: BCE (-25 p.b., até 3,00% Depósito/3,15% Crédito) e Suíça (-50 p.b., até apenas 0,50% visto que a sua inflação está +0,7%). Embora ambas estejam descontadas, influenciarão um pouco favoravelmente sobre as bolsas e obrigações europeias, principalmente o movimento do BCE. Publicará também estimativas macro atualizadas e, considerando a debilidade da França e Alemanha, o mais inteligente que poderia fazer é realizar uma revisão substancial em baixa para que o mercado se adapte de seguida. 

 

E a inflação americana de quarta-feira mostrará a sua resistência a ceder: IPC +2,7% vs. +2,6%, com Subjacente a repetir em +3,3%. Em suma, tanto este dado como a provável revisão em baixa das estimativas macro do BCE e apesar da descida de taxas de juros, deverão traduzir-se em alguma realização de lucros nas bolsas, a qual se resistem a aceitar desde há semanas… resistência que, insistimos, não é nada bom para o arranque de 2025, que poderá ser fraco se as bolsas continuarem a não parar por nada. 

 

De resto, a queda de Asad na Síria não afeta o mercado. Em todo o caso, é bom a curto prazo, porque debilita a Rússia e os seus aliados.  

 

S&P500 +0,3% Nq-100 +0,9% SOX +0,7% ES-50 +0,5% IBEX -0,4% VIX 12,8% Bund 2,10% T-Note 4,14% Spread 2A-10A USA=+4pb B10A: ESP 2,75% PT 2,51% FRA 2,87% ITA 3,19% Euribor 12m 2,399% (fut.1,992%) USD 1,055 JPY 158,4 Ouro 2.644$ Brent 71,5$ WTI 67,6$ Bitcoin -1,4% (99.127$) Ether -2,7% (3.920$). 

 

FIM

sábado, 7 de dezembro de 2024

Caso Itaú 3

 Itaú vê indícios de crimes em conduta de ex-CFO


Giuliana Napolitano7 de dezembro de 2024


O Itaú Unibanco está contratando um escritório de advocacia para entrar com uma ação civil de reparação de danos contra seu ex-CFO, Alexsandro Broedel Lopes, e um sócio dele, Eliseu Martins.


O Itaú disse que uma investigação interna do banco – iniciada em 13 de agosto e encerrada no fim de novembro – mostrou irregularidades na conduta do executivo que violam o código de ética da instituição.


Segundo um executivo que acompanha as investigações dentro do Itaú, há “indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e associação criminosa.”


As informações reunidas pelo Itaú foram repassadas ao Coaf, ao Banco Central e à CVM, que podem decidir investigar o caso.


Na noite de ontem, o Itaú protocolou um protesto interruptivo de prescrição, uma medida judicial que determina que irregularidades praticadas num período anterior a três anos não prescrevam.


Também realizou uma AGE, no último dia 5, em que pede a anulação da aprovação das contas de Broedel de 2021 a 2023. A medida é necessária para que o banco possa recuperar valores que, segundo a instituição, foram pagos de maneira indevida.


O próximo passo é entrar com uma ação civil em janeiro, após o recesso do Judiciário. “Será uma ação longa, que vai precisar de perícia, e na qual pediremos indenização,” disse essa pessoa que acompanha as investigações.


Broedel reagiu ainda na madrugada de hoje, depois que o Itaú publicou ata em jornal com a acusação. O ex-CFO disse que as acusações são “infundadas e sem sentido,” e que tomará as “medidas judiciais cabíveis”.


Broedel ingressou no banco em 2012 e pediu demissão em julho. Estava em quarentena até janeiro, quando assumiria um cargo executivo no Santander em Madri. O nome de Broedel ainda precisa ser aprovado pelo BC espanhol. O Santander ainda não se manifestou.


Segundo o Itaú, de junho de 2019 a junho de 2024, Broedel contratou 40 pareceres da empresa Care, cujos sócios são Eliseu Martins e seu filho Eric Martins. O valor total foi de R$ 13,26 milhões.


Martins e Broedel são sócios desde 1998 em outra empresa, a Broedel Consultores. Mas o ex-CFO não havia informado ao Itaú este fato, nem seu relacionamento com Martins, como determinam os controles do banco para que sejam cumpridas exigências regulatórias.


“Dada a gravidade dos fatos, o aprofundamento das apurações envolveu também a revisão das movimentações financeiras em conta-corrente, para fins de verificação de indícios dos crimes previstos na Lei nº 9.613/98”, diz a medida judicial de ontem.


Essa análise identificou que Broedel e a Broedel Consultores receberam 56 transferências da Care e de outra empresa de Eliseu Martins, a Evam, que ele mantém em sociedade com os filhos Eric e Vinícius Martins.


Segundo o Itaú, 23 transferências – somando R$ 4,86 milhões – foram feitas em datas próximas às dos pagamentos do banco à Care.


O Itaú concluiu que o executivo recebia um rebate de cerca de 40% ao contratar os pareceres da Care.


O banco também diz não ter “localizado” 20 dos 40 pareceres, e que quatro deles foram pagos antecipadamente.


Por isso, no protesto protocolado ontem, pede uma indenização de R$ 6,6 milhões, um valor referente aos pareceres não encontrados e não entregues. Pede ainda uma indenização de R$ 4,86 milhões, valor que teria sido transferido pela Care e pela Evam a Broedel.


Como o protesto não é uma ação judicial, trata-se de uma espécie de notificação. Na ação civil, o banco pedirá a mesma indenização, e a decisão caberá ao Judiciário.


Como as irregularidades praticadas antes do período de três anos já prescreveram, ao mover o processo na Justiça o banco vai se concentrar no que foi identificado entre 2022 e 2024.


Em sua nota à imprensa, Broedel disse que “os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco.”


Diz ainda que Martins era fornecedor do Itaú há décadas – uma informação confirmada pelo banco. “Não vimos nenhuma irregularidade nesse fornecedor antes de 2019,” diz a pessoa que acompanha as investigações.


A investigação interna do Itaú começou por acaso. Em julho, um diretor do banco soube, de maneira informal, que Broedel fazia pareceres contábeis para outras empresas enquanto era executivo da instituição.


Este diretor informou o fato à área de riscos do Itaú, que iniciou uma investigação para apurar possíveis conflitos de interesses. No processo, descobriu que Broedel era sócio de uma empresa que continuava ativa (a Broedel Consultores) e que seu sócio atuava em outra empresa que prestava serviços para o banco (a Care).


Segundo o banco, um CFO tem alçada para contratar alguns serviços sem passar pela área de compras – pela natureza do serviço e pelo valor envolvido.


Durante a investigação, Broedel informou ao banco, de acordo com a medida judicial de ontem, que os valores transferidos pela Care e pela Evam para ele e para sua empresa eram “transferências entre sócios,” mas não apresentou documentos que comprovassem isso.


“Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes,” conclui a nota do executivo.


https://braziljournal.com/itau-ve-indicios-de-crimes-em-conduta-de-ex-cfo/?utm_campaign=linkinbio&utm_medium=referral&utm_source=later-linkinbio

Caso Itaú 2

 Broedel refuta acusação do Itaú, estranha o timing e diz que também vai à Justiça


Para executivo, suspeitas acontecem somente quando assumiu cargo global em concorrente


Ex-diretor financeiro do Itaú e contratado como chefe de contabilidade global do Santander, Alexsandro Broedel definiu como “infundadas e sem sentido” as acusações do banco em que trabalhou por 12 anos, a respeito de um suposto esquema de ganhos com pareceres.


Em nota por meio de sua assessoria de imprensa, o executivo afirma que “sempre se conduziu de forma ética e transparente em todas as atividades ao longo dos seus 12 anos no banco – algo nunca contestado pelo Itaú, que tem uma rigorosa e abrangente estrutura de controle e compliance, própria de um grupo financeiro com seu porte e importância na economia brasileira.”


Diz ainda que o parecerista mencionado pelo Itaú - o professor Eliseu Martins - já prestava serviços ao banco “há décadas, muito antes de Broedel ser convidado para a diretoria da instituição. Os serviços mencionados eram do conhecimento do Itaú e requeridos por diferentes áreas do banco”, afirma.


Ele não comenta especificamente sobre as transferências financeiras que o Itaú definiu como rebates de contratos de serviço, que passavam pela empresa de Martins para a de seus filhos, para então chegar à conta de Broedel, segundo a acusação do Itaú (detalhes aqui, em reportagem do Valor).


Mas o executivo ressalta ainda, em sua nota, o timing das suspeitas e sua mudança na carreira. “Causa profunda estranheza que o Itaú levante a suspeita sobre supostas condutas impróprias somente depois de Broedel ter apresentado a renúncia aos seus cargos no banco para assumir uma posição global em um dos seus principais concorrentes, cumprindo o período de quarentena definido pelo banco”, escreve. “Alexsandro Broedel tomará as medidas judiciais cabíveis neste caso.”


https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/broedel-refuta-acusacao-do-itau-estranha-o-timing-e-diz-que-tambem-vai-a-justica.ghtml

Caso Itaú

 Bastidores: analistas veem risco de imagem em caso entre Itaú e Broedel


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/12/2024 - O caso revelado pelas acusações feitas pelo Itaú Unibanco a seu ex-diretor financeiro, Alexsandro Broedel, pode gerar percepções de risco de imagem para o banco, avaliam reservadamente analistas de mercado. Embora os valores financeiros envolvidos no caso sejam baixos, o episódio causou comentários na Faria Lima neste sábado, especialmente por vir à tona poucos dias após o banco demitir o diretor de Marketing devido ao uso indevido do cartão de crédito corporativo.


"É mais o risco de imagem do que os valores, até porque é o ex-CFO e foram dois em uma semana", comentou um analista de banco de investimento. De acordo com ele, até agora, não há preocupações de clientes quanto ao balanço do banco, por exemplo.


O analista de outra casa afirmou que o assunto está rodando nas mesas de mercado, mas sem questionamentos de clientes até aqui. Um terceiro profissional disse que a despeito do valor envolvido ser baixo em comparação com o balanço do banco, a história parece "muito séria". "Mais do que o valor é a conduta em si", afirmou.


Alguns analistas consultados pela reportagem disseram ter procurado o banco para repercutir o assunto, mas que até agora, a área de relações com investidores do Itaú não se manifestou a respeito.


O Itaú entrou com processo na Justiça de São Paulo em que afirma que Broedel agiu em conflito de interesse ao autorizar a contratação e o pagamento de 40 pareceres contábeis confeccionados pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Martins.


De acordo com investigação interna, Broedel é sócio de Martins em uma empresa para a qual foram enviados valores correspondentes aos dos pagamentos feitos pelo banco a Martins sob a autorização do ex-diretor pelos serviços.


Broedel teria omitido do banco o fato de ter uma sociedade com Martins, como mostrou a reportagem. Fontes afirmam que a investigação mostrou que Broedel agiu utilizando atribuições do cargo, como a possibilidade de contratar diretamente pareceres contábeis de especialistas específicos, para contornar controles internos.


Em nota, o Itaú afirmou que os valores pagos indevidamente entre 2019 e 2024 somaram R$ 13,3 milhões, e que há indícios de que destes, Broedel teria recebido cerca R$ 4,9 milhões. Segundo o banco, o potencial prejuízo do caso está limitado a estes valores.


Neste sábado, Broedel disse via assessoria que as acusações do Itaú causam estranhamento por terem sido reveladas após ele deixar o conglomerado. Ele negou as acusações, e disse que tomará as medidas judiciais cabíveis. O executivo deixou o banco em julho deste ano rumo a um posto na diretoria do Grupo Santander, na Espanha, que assumirá após cumprir período de quarentena. Eliseu Martins não se manifestou até o fechamento desta nota.


O Itaú informou que após os resultados da investigação, comunicou as autoridades competentes, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O banco disse ainda que os balanços do período em que Broedel ocupou a diretoria financeira foram revisados por um comitê interno e por uma auditoria externa, e que foram revalidados.


Contato: matheus.piovesana@broadcast.com.br



Broadcast+

Caso ITAU: contra o CFO

 ELISEU MARTINS NEGA ACUSAÇÕES DO ITAÚ E DIZ QUE TODOS OS SERVIÇOS CONTRATADOS FORAM PRESTADOS


16:56 07/12/2024 


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/12/2024 - O professor da Universidade de São Paulo (USP) Eliseu Martins negou neste sábado as acusações do Itaú Unibanco de envolvimento dele em uma suposta atuação em conflito de interesse do ex-diretor financeiro do banco, Alexandro Broedel. De acordo com ele, os serviços pagos pelo banco foram efetivamente prestados e estão dentro da regularidade.Em nota, Martins afirmou que Broedel foi seu aluno na pós-graduação da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), e que se tornou professor da instituição. “Sempre tivemos ligações acadêmicas e profissionais", disse ele. O Itaú afirma que Broedel e Martins são sócios em uma empresa que teria recebido repasses de recursos após o banco ter pago a outra empresa, de sociedade de Martins e de um de seus filhos, por pareceres contábeis. Estes pagamentos foram autorizados por Broedel quando ele era diretor financeiro do banco, e ele posteriormente teria recebido parte do dinheiro em contas pessoais, de acordo com a investigação interna.


Martins não comentou diretamente sobre o suposto conflito de interesse. "Sempre fizemos pareceres para terceiros, às vezes assinando em conjunto e às vezes com ele sempre ajudando tecnicamente, como com outros colegas, com o faturamento por uma única empresa", disse ele. O professor afirma ainda que alguns pagamentos foram antecipados pelo Itaú, mas que ele declarou formalmente a necessidade de devolver os recursos dos quatro ainda não emitidos, porque não prestará mais serviços ao banco.

Entre 2019 e 2024, Broedel teria autorizado pagamentos por 40 pareceres de Martins. Destes, declarou ter recebido 36, mas o banco só encontrou arquivos referentes a 20 deles. Os demais teriam sido serviços de consultoria, de acordo com Broedel e Mar-tins. Os valores envolvidos são de R$ 13,3 milhões, sendo que Broedel teria recebido R$ 4,9 milhões deste total. “Os trabalhos prestados ao Itaú durante sua gestão foram de pareceres técnicos e consultoria", disse Martins. "Há vários materiais suporte das consultorias que foram feitos sem formalidade, algo de que me arrependo agora, dada a má-fé da interpretação dada pelo banco."

Martins afirmou que trabalha com seis outros colegas, e que eles só fornecem opiniões aos contratantes verbalmente ou por parecer. "Assim, há opiniões que não geram parecer e não aparecem em qualquer documento. Mas são serviços efetivamente presta-dos, como todos os que fiz ao Itaú." O professor da USP disse que leva sua vida profissional e acadêmica com conduta que pode ser verificada com "centenas ou mi-Ihares" de pessoas, e que muitas já lhe declararam apoio e se ofereceram para testemunhar a seu favor. Disse ainda que presta serviços ao Itaú há cinco décadas, passando por gerações de gestores do banco.


"Talvez influenciados pela perda de tão brilhante profissional, es-tão, no Banco, interpretando de forma totalmente incorreta o que de fato ocorreu. E, além de me envolverem para atingilo, cometem ainda o absurdo de envolver meus filhos, que nada têm a ver com os fatos que o Banco relata e mal interpreta", afirmou Martins. "Reafirmo, não entendo e não aceito o que o banco está fazendo: atingir meu nome e, de forma ignóbil, o da minha família."

Broedel também negou as acusações. Ele deixou o Itaú em julho, para assumir um cargo na direção do Grupo Santander, na Espanha.

Desempenho acadêmico

 Os resultados do Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciência (Timss, em inglês), divulgados nesta quarta-feira (4/12) pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), apontam que, no Brasil, 51% das crianças do 4º ano do ensino fundamental não dominam habilidades básicas de matemática, como fazer tabuada, interpretar gráficos simples ou somar e subtrair números de três algarismos (200 – 150 ou 300 + 120, por exemplo). Elas sequer alcançam o nível de conhecimento considerado “baixo”.


Na escala do Timss, a média do Brasil em matemática, entre os alunos de 9 anos, foi de 400 pontos, à frente apenas de três dos 64 países participantes: Marrocos, Kuwait e África do Sul. Em comparação ao resultado geral das demais nações nessa etapa (503 pontos), é como se estivéssemos três anos escolares atrás delas.


As provas são aplicadas a cada quatro anos, desde 1995 — mas esta é a primeira participação brasileira no exame.


O Timss também avaliou o conhecimento de alunos do 8º ano (idade média de 13 anos). A tendência é a mesma já revelada pelo Pisa, prova internacional que foca na faixa etária dos 15 anos: o Brasil está atrasadíssimo em relação ao que é esperado para o ensino fundamental II.


Conforme o estudo, mais de 60% dos jovens daqui não conseguiram chegar nem ao patamar considerado o mais baixo na escala geral. Isso significa que eles não sabem lidar com formas básicas (como círculo e quadrado) e suas representações visuais; não entendem relações lineares de proporção; não conseguem determinar o lado de um polígono; e não são capazes de interpretar informações em gráficos.


A média brasileira foi de 378 pontos, ficando à frente apenas do Marrocos. O Brasil foi ultrapassado por nações como Irã, Uzbequistão, Chile, Malásia, Arábia Saudita, África do Sul e Jordânia.


Entre os 5% de brasileiros com pior nota, o rendimento mais alto foi de 243 pontos. São casos em que os jovens basicamente não souberam responder a nada.


Via Luis André Wenc

Ailton Braga

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