segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Sobre dominância fiscal, OESP

 A situação do Brasil em 2002 virou objeto de estudo de pesquisas científicas que queriam testar, por meio de modelos econômicos, casos em que a política fiscal, e não a política monetária, seria o instrumento certo para diminuir a inflação de um país. Se existe hoje um debate sobre se a economia brasileira está em um cenário de dominância fiscal ou monetária, a literatura econômica e a experiência histórica podem dar embasamento aos tomadores de decisão na condução de políticas econômicas. Esse tema ainda não é consensual no debate acadêmico, mas tem importantes implicações na economia de um país. Este ano, a discussão voltou à tona pelo mesmo motivo de 22 anos atrás: desancoragem das expectativas dos agentes acerca da condução da política econômica. A causa dessa desancoragem, no entanto, difere-se entre os períodos. 

Em 2002, o País vivia uma crise de confiança externa por causa da incerteza em meio ao período eleitoral. Hoje, essa crise está relacionada à perda de credibilidade quanto à capacidade das regras fiscais coordenarem as expectativas dos agentes econômicos - dado que todas as regras criadas foram, posteriormente, contornadas e se tornaram ineficazes por colidirem com interesses políticos -, e à existência de uma elevada rigidez orçamentária das despesas obrigatórias, com indexação excessiva dos gastos, que também afeta a trajetória da relação dívida/PIB e pressiona a sustentação da regra fiscal. 

Diversos estudos escritos por pesquisadores renomados - tais como Cássio Besarria, Jevuks Araújo, Marcelo Fialho, Marcelo Portugal, Sérgio Gadelha, José Angelo Divino, Thais Scaramuzzi, Marcelo Muinhos, Andreza Palma, Fabio Althaus, dentre outros - e publicados em revistas especializadas buscaram entender se o Brasil vivenciou um cenário de dominância fiscal no período pós-Plano Real. 

Particularmente, em 2008, os pesquisadores Sérgio Gadelha e José Angelo Divino fizeram um estudo para verificar se havia dominância fiscal ou monetária no Brasil entre os anos 1995 a 2005. Os autores encontraram evidências de dominância monetária no período analisado, enquanto outros estudiosos chegaram a resultados opostos, com comprovação de dominância fiscal em 2002. Para construir o trabalho, no entanto, Gadelha e Divino citam diversas visões que abordam derivações dos conceitos de dominância fiscal, que têm levado especialistas a discutir se o Brasil caminha nessa direção atualmente. 

O primeiro ponto de discussão está relacionado ao fato de que o governo não tem gerado superávit primário que possa estabilizar a relação dívida/PIB no médio prazo - que é justamente um dos conceitos do regime de "dominância fiscal" estabelecidos pelos economistas Thomas Sargent e Neil Wallace. Segundo eles, neste caso, "a autoridade monetária passiva perde o controle do nível de preços por ser forçada a gerar as receitas de senhoriagem necessárias à solvência do governo". O segundo ponto tem a ver com o conceito estabelecido pelo economista francês Olivier Blanchard em 2004, no qual a dominância fiscal ocorre quando um aumento nos juros em resposta à inflação acima da meta estipulada eleva o estoque da dívida pública (hoje boa parte atrelada à Selic), o que aumenta a probabilidade de "default" e os prêmios de riscos, levando à uma fuga de capitais externos e à depreciação do real - e, consequentemente, à mais inflação. 

Neste caso, a política fiscal seria o instrumento mais eficaz para controlar o processo inflacionário. Blanchard elaborou um modelo estrutural em que a política monetária restritiva provoca dinâmicas explosivas da dívida pública sob um regime de metas de inflação. Ele buscou justamente na evidência empírica brasileira de 2002 a corroboração de seus argumentos. Depois, diversos outros estudos surgirampara verificar se a relação de dominância fiscal, com base no modelo do economista francês, foi comprovada em anos seguintes. 

Algumas pesquisas testaram, por exemplo, o período de 2008 a 2017 e concluíram que não houve dominância fiscal nestes anos, já que a dívida pública não teve influência na trajetória das variáveis como a taxa de juros, câmbio e expectativas de inflação. O assunto é amplo e gera debate, mas o fato é que o Brasil de 2002 deixa lições para o "Brasil do futuro", especialmente no que tange a ancoragem das expectativas dos agentes econômicos. Vale lembrar que a falta de credibilidade do governo perante à sociedade foi um fator importante e decisivo para o fracasso dos planos econômicos da segunda metade da década de 1980 e início dos anos 1990 no País.

Market Maker, 16/12

 NA FARIA LIMA, O ‘TRADE TARCÍSIO’ COMEÇA A SER COGITADO


Os membros do M3 Club (o hub onde investidores profissionais se encontram) tiveram acesso a um estudo da Truxt através de um papo com o economista-chefe da gestora, Arthur Carvalho, e o CIO, Bruno Garcia.

Dentre as tantas pautas da conversa, um tema abordado foi o trade Tarcísio para 2026 e por que dá para ser bem remunerado para correr o risco de lagging de piora econômica (ou seja, o “delay” entre a piora do discurso econômico e o impacto negativo de fato na economia).

Na visão da Truxt, o valuation atual está nos níveis que vimos em 2008-2009, quando parecia que o mundo ia acabar, e abaixo do que vimos em 2014-2016, na crise que culminou no impeachment da Dilma. Eram níveis muito extremos.

A pergunta em meio a isso é: a economia está nos níveis daquela época? A resposta é não. Mas aí surge outra pergunta: nesse nível de valuation, estamos sendo bem remunerados para correr o risco do “lagging” de piora da política econômica? A resposta é sim.

Bruno e Arthur acreditam que não sentiremos tanto o lagging de piora econômica pois em 2026 estaremos conversando sobre uma eventual mudança de governo, onde entra o “trade Tarcísio”. Além disso, existem alguns guarda-corpos que têm se mantido sólidos e podem nos dar um tempo extra para sentir o lagging, tais como: corte de gastos, reforma da previdência, lei das estatais e Banco Central independente.

Além disso, em outras crises, a inflação teve uma espiral negativa (como foi em 2015 que foi pra 10%). Agora a nossa inflação está rodando em torno de 3,5%/3,7%. É uma das inflações mais saudáveis dos últimos anos, apesar de não estar na meta. Assim, o dólar precisaria estar entre R$ 6,50 e R$ 7,00 para descambar a inflação.

Para a Truxt, o valuation não faz sentido nas condições atuais. Mesmo com a deterioração econômica, podemos ter em 2025 a narrativa de uma possível mudança de governo em 2026, o que iria se sobrepor à economia.

Tecnicamente, o mercado está melhor lá fora (por conta da queda de juros) e melhor aqui (por conta do nível de alocação de ações na mínima histórica). E o “trade Tarcísio” pode começar a ser discutido no ano que vem, o que ofuscaria o “lagging” de piora econômica.

No entanto, os riscos no Brasil são uma aceleração da piora institucional (apertar botões ruins na Petrobras, presidente do BC não seguir a cartilha técnica) ou se o mercado precificar uma chance muito grande do governo se reeleger. Lá fora, o risco é um possível “hard landing” nos EUA.

Mas até 2026 tem muita água para rolar. Por isso fizemos mais de 5h de conversas com experts nas mazelas do Brasil e vamos te enviar em breve o “DOSSIÊ BRASIL”, com todas as perspectivas econômicas e de mercado do país pela nossa newsletter gratuita.

Desastre anunciado

 



Desastre anunciado. Não sei quem possa ser considerado um candidato competitivo contra a turba do PT. Para esta turba, o ideal é ter o Jair Bolsnaro como adversário, dadas as tantas contradições deste complexo personagem. O PT acha ele o adversário ideal, fácil de ser vencido. O mesmo não pode ser dito sobre Tarcísio de Freitas. O problema é que se ele resolver não se candidatar a presidente, já era. Teremos mais quatro anos de governança ruim depois de 2026. 

Valor Invest

 


Dan Kawa

Brasil: Uma atuação perigosa no câmbio
By Dan Kawa
16Dez24

No sábado fiz uma atualização maior sobre o pano de fundo do Brasil, aqui: https://lnkd.in/dXpDm7VJ.

Na sexta-feira, no Brasil, o BCB promoveu um leilão de venda de dólares a vista, após a cotação da moeda testar o patamar em torno de 6.08. Na minha experiência de pouco mais de 2 décadas observando o mercado de câmbio no Brasil e no mundo, aprendi que intervenções cambiais podem ajudar a suavizar movimentos de depreciação (ou apreciação) das moedas, mas dificilmente alteram a tendência ou dinâmica estrutural.

Sim, o Brasil detém hoje pouco mais de $350B em reservas internacionais. Sim, as reservas funcionam como uma espécie de "seguro" para momentos de "crise", ou quando são necessárias. Contudo, as condições de contorno para a utilização de reservas internacionais importam muito para que a sua utilização seja eficaz.

No atual momento, o problema do Brasil é Fiscal e uma perda de confiança dos agentes em relação a disposição do governo em promover os ajustes necessários para colocar o país no trilho da prosperidade de longo-prazo. Vender Dólares das reservas, neste estágio do ciclo, irá reduzir um seguro importante para o país, sem que corrija o real problema da economia.

Neste pano de fundo, a atuação no mercado de câmbio a vista não será apenas inócua, mas poderá atuar na direção contrária, levando a uma depreciação ainda maior e mais rápida do Real. 

BRICS

 Arábia Saudita recusa convite para entrar no BRICS e avisa: “Não tem como aquele grupo dar certo!”

Call Matinal ConfianceTec 1612

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

16/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEXTA-FEIRA (13)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na sexta-feira (13), fechou em queda de 1,13%, a 124.612 pontos. Na semana queda é de 1,13%. Volume financeiro foi de R$ 22,7 bi. Já o dólar à vista fechou em alta de 0,43%, a R$ 6,035.


PRINCIPAIS MERCADOS, 05h40


EUA 🇺🇸:

Dow Jones Futuro: +0,09%

S&P 500 Futuro: +0,06%

Nasdaq Futuro: +0,05%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), -0,16%

Nikkei (Japão🇯🇵), -0,03%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,88%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -0,22%

ASX 200 (Austrália🇦🇺): -0,56%

Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), 0,00%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,22%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,32%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,30%

STOXX 600, -0,06%

Commodities:

Petróleo WTI, -0,53%, a US$ 70,91 o barril.

Petróleo Brent, -0,34%, a US$ 74,20 o barril.

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,50%, a 802,50 iuanes (US$ 110,21).



NO DIA 📈


Abrindo a semana com uma bateria de indicadores de atividade (PMI S&P). Ontem, vieram os da China, que não empolgaram. Hoje temos o PMI dos EUA. Aguardemos a decisão de política monetária do PBoC, do BoE e do BoJ, mas o grande evento da semana é a reunião do Fomc. 


Nesta já parece dado um novo corte em 0,25 pp. 


No Brasil, depois de uma puxada forte da Selic (+1,0 pp), aguardemos a ata do Copom (terça-feira) e o RTI (quinta-feira). De novidade o foward guidance com mais duas elevações de 1 ponto. Hoje, teremos mais um leilão de linha para suprir a demanda pontual de fim de ano, enquanto o dólar acima de R$ 6, no contexto de "caos fiscal". 


Na última semana de votações no Congresso, o governo entra na corrida contra o tempo para  o pacote fiscal, a reforma tributária e o Orçamento/25, tudo antes do Natal.    


Acompanhemos.   


AGENDA, 16/12


Indicadores:


05h30. Alemanha🇩🇪/S&P Global: PMI Composto - preliminar

06h00. Zona do euro🇪🇺/S&P Global: PMI Composto - preliminar

06h30. Reino Unido🇬🇧/S&P Global: PMI Composto - preliminar

08h25. Brasil🇧🇷/BC: Boletim Focus

10h30. EUA🇺🇸/Fed NY: Índice de atividade ind. Empire State - Dez

11h45. EUA🇺🇸/S&P Global: PMI Composto - preliminar 

15h00 – Brasil🇧🇷/Mdic: Balança comercial semanal

16h00. Argentina🇦🇷/Indec: PIB do 3º trimestre


Eventos:

05h15. Zona do Euro🇪🇺: Christine Lagarde (BCE) discursa

09h00. Brasil🇧🇷/BCB: Gabriel Galípolo participa de café da manhã na Abratel/Record

09h00. Brasil🇧🇷/BCB: Otávio Damaso  fala sobre open finance em evento do Ibrac

10h20. Brasil🇧🇷: BCB faz leilão de venda de US$ 3 bilhões

12h30. Brasil🇧🇷/BC: Otávio Damaso participa de almoço da Anbima.


               

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa segunda-feira e bons negócios

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...