quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Sobre a Rússia

 UM TEXTO SOBRE A RÚSSIA, JÁ COM 20 ANOS


Publiquei este texto, em agosto de 2004, há mais de 20 anos, em "O Mundo em Português", uma publicação do saudoso IEEI (Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais), dirigido por Álvaro Vasconcelos, com quem continuo nos dias de hoje a cooperar no Forum Demos. Não retiro uma linha ao que escrevi, tendo muitas a acrescentar, em especial sobre a Ucrânia, que não estava ainda no radar de prioridades.


É um texto relativamente longo. Se não tiverem paciência, passem à frente. Não levarei a mal...


AS NOVAS FRONTEIRAS DA RÚSSIA


As mudanças políticas que ocorreram na Geórgia no final de 2003 vieram chamar, uma vez mais, a atenção para um mundo muito vasto, constituído pelos Estados que resultaram do desmantelamento da União Soviética. Dos países bálticos à Ásia Central, da Bielorússia ao Cáucaso, os últimos anos converteram a periferia da Rússia numa área política algo heterogénea, onde se cruzam interesses económicos e estratégicos, cuja evolução dá sinais de perturbar frequentemente o poder político em Moscovo.


Terá a Rússia razões fundamentadas para temer um surto induzido de instabilidade nas suas cercanias, com implicações efectivas na sua segurança futura? Ou estará Moscovo a reagir de forma desproporcionada à constatação da dificuldade de controlar os processos políticos gerados à sua volta? E que condições terá para promover uma reacção eficaz, em moldes que preservem a sua imagem e credenciais internacionais como poder democrático?


A vizinhança imediata


O processo que levou Moscovo, no auge da implosão da URSS, a ter de conceder plena soberania a vários dos seus Estados integrantes, pondo fim a uma União que havia sido preservada em torno de um modelo político em colapso, acabou por dar origem a realidades nacionais diversas, mas, em grande parte, assentes em regimes de matriz algo autoritária, embora com fórmulas constitucionais teoricamente democráticas. Com excepção dos Estados bálticos, na maioria desses países sobreviveu uma cultura política que, curiosamente, passou a ter mais a ver com a herança dos tempos soviéticos do que com a situação entretanto instalada na própria Rússia contemporânea.


Aos primeiros tempos dessa fragmentação sucederam-se tentativas de retomada centrípeta de alguma coordenação de políticas, de que a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) foi o exemplo mais patente. Mas a desconfiança histórica e os ciclos de instabilidade nos diversos Estados afectaram sempre os fundamentos de tais estruturas de cooperação intergovernamental, a que a crise económica quase generalizada afectou a eficácia funcional. Além disso, alguma flutuação na afirmação externa das novas lideranças russas, fruto de razões internas e da evolução da conjuntura internacional, deu origem a etapas também diversas no seu relacionamento com o near abroad, não obstante a permanência de algumas constantes.


Esta nova realidade circundante trouxe a Moscovo, talvez mais do que a nostalgia de um poder perdido, a necessidade de convivência com a proliferação de entidades políticas autónomas, com dinâmicas próprias, quase sempre marcadas pelo sinal de uma potencial instabilidade política, fruto das suas crises de legitimidade. Aquela que sempre foi a matriz da preocupação histórica de Moscovo – a segurança no seu cenário estratégico de proximidade – converteu-se numa crescente obsessão, em particular para um poder militar que cedo entendeu que tinha de se contentar com um futuro sofrível de afirmação tecnológica, com tudo o que isso implica em termos operacionais, além do mais num quadro constrangente de colocação de forças convencionais. A falta de meios económicos para apoiar qualquer actividade significativa sustentada fora da sua área geográfica continua hoje a limitar a possibilidade da Rússia servir como polo de atracção para os seus vizinhos, com excepção dos casos em que algum recurso a Moscovo se mostra como escapatória para afrontar crises internas ou a proteger tais regimes no quadro de pressões internacionais. Em qualquer dos casos, as limitações com que a Rússia se defronta são óbvias: a sua credibilidade internacional não lhe permite arriscar ultrapassar, sem custos sérios, a red line da ingerência interna e, por outro lado, algum nacionalismo estruturante da identidade dos Estados que se destacaram da URSS constitui-se quase sempre como uma limitação a uma excessiva promiscuidade política com Moscovo. Se a nostalgia da “doutrina Brejnev” subsiste ainda na mentalidade de alguns, o realismo político deve já ter interiorizado a noção de que as aventuras têm um preço internacional muito elevado.


Um caso interessante continua a ser a relação de Moscovo com os países da Ásia Central, onde o padrão autocrático assume modelos diversos, que nalguns casos reproduzem mimeticamente a liturgia soviética. Face às singularidades destes regimes, a Rússia assume uma atitude de compreensão, alegando o respectivo estádio de transição e procurando demonstrar, contra o seu próprio exemplo, que não é prudente queimar etapas, apenas para impor um modelo democrático. Tem vindo a ser interessante observar o modo como a Rússia procura explorar alguma “solidão” internacional de alguns desses Estados, estendendo-lhes sempre a mão política, num esforço que deve ser também lido como de recuperação de alguma influência. Uma influência que tem como limite as próprias condições económicas da Rússia, que lhe não permitem assumir-se como sólida alternativa no plano da ajuda internacional.


O fim da buffer zone


O precipitar dos antigos países socialistas do Centro e Leste do continente para os braços da União Europeia não foi uma surpresa para a Rússia. A Europa comunitária garantia um modelo de estabilização democrática e uma promessa de ajuda ao desenvolvimento económico-social que ia na linha óbvia do projecto das classes políticas emergentes naqueles Estados, quase sempre tributária de uma cultura marcada por forte desconfiança face a Moscovo. A adesão representava, além disso, uma rede subliminar de segurança. Com efeito, esses países entenderam que a simples entrada no clube dos potenciais candidatos à adesão os punha praticamente ao abrigo de uma qualquer, embora improvável, atitude adversa por parte da Rússia, situação bem patente no caso dos três Estados bálticos. Moscovo cedo entendeu que tal movimento era inevitável, tendo talvez contado, erradamente, com a ausência de vontade e de capacidade da União Europeia em avançar com determinação para um processo de tal amplitude.


Com reticências iniciais, em especial ligadas à crescente vocação para uma política de segurança colectiva da União Europeia e à sensível questão báltica, Moscovo conformou-se assim com o alargamento, embora preserve ainda claras reservas à sua extensão sem limites, como haverá oportunidades para confirmar no futuro. Além disso, não deixa de recear, não sem alguma razão, que a estabilidade da relação criada com Bruxelas venha ser posta em causa por eventuais tensões induzidas na PESC pelos novos aderentes, muitas vezes com evidente apetência para explorarem traumas ou contenciosos históricos, ou ainda pendentes, com Moscovo – dado que a nova Rússia continua a ser vista por muitos como um mero sucedâneo da URSS. Neste caso, apenas pode confiar em que a densidade dos interesses da União Europeia sobre si projectados, económicos e de outra natureza, venham a ser um factor de peso para limitar tal deriva.


Mas as objecções essenciais da Rússia quanto ao posicionamento internacional desses países situavam-se noutra dimensão: o alargamento da NATO. Não obstante a Aliança Atlântica ter entretanto elaborado um apreciável quadro formal de cooperação com a Rússia, tendente a gerar confiança e a atenuar tensões, a entrada na NATO de um número significativo de países da Europa Central e Oriental é vista como uma dulcificada “provocação”, que coloca as fronteiras da organização a escassas centenas de quilómetros de Moscovo. A alegada mudança de natureza da organização é um argumento interessante mas demasiado sofisticado para uma cultura político-militar pouco dada a nuances de conjuntura. A circunstância do Ocidente continuar a ligar a ratificação do Tratado CFE Adaptado (que regula a dimensão e colocação das forças convencionais na Europa), bem como a adesão a este Tratado dos países bálticos, à observância pela Rússia dos “Compromissos” firmados em 1999, na cimeira da OSCE em Istambul (retirada de forças e material da Moldova e Geórgia), contribui para potenciar os receios de Moscovo. As fundadas esperanças colocadas pelos EUA no papel da “nova Europa” são um factor acrescido nesta perturbação instalada.


Um alibi de oportunidade


As ondas de choque do 11 de Setembro transportaram a Rússia para uma nova realidade, feita de oportunidades acompanhadas de receios. Por um lado, o seu alinhamento na luta anti-terrorista lançada pelos EUA, com o consequente fechar de olhos circunstancial às suas práticas de imposição político-militar na Chechénia, deram a Moscovo um ensejo para fazer, sem grandes sobressaltos internacionais, aquilo que em circunstâncias normais teria gerado, no mínimo, clamores de condenação. Se a movimentação do nacionalismo checheno não tivesse enveredado pelo desespero como arma política, talvez Moscovo tivesse mesmo conseguido uma solução, neste tempo que lhe foi concedido pela realpolitik.


Mas a queda das Twin Towers trouxe também uma nova – e, aos olhos russos, preocupante – situação na sua fronteira sul. Com a bênção internacional e com um alibi irrecusável, os EUA avançaram pelas Ásias Meridional e Central com uma displicência que a Rússia não pôde disputar, por se tratar do combate a um inimigo que Moscovo definira como comum. Mas entre o Afeganistão e o Iraque alguma água passou sob a ponte. Embora os EUA mantenham a Rússia como parceiro formal de um diálogo ao mais alto nível, vão apresentando como factos consumados aquilo que Moscovo apreciaria fosse produto de uma regulação negociada.


A actividade dos EUA no Cáucaso era, de há muito, um dado adquirido nos equilíbrios da região. Com um pouco discreto apoio à liderança familiar do Azerbaijão e um compromisso com a política de equilíbrio de sobrevivência de Chevardnadze, Washington tinha já conseguido assegurar, sem preocupações de maior, a sustentação do seu projecto petro-político na região. O pouco discreto apoio de Washington à eclosão vitoriosa da nova liderança geórgia obrigou Moscovo a mostrar as últimas cartas de desagrado: reforço da determinação secessionista da Abcásia e da Ossétia do Sul, com a Ajária como jogada intermédia, e uma inesperada recusa, na reunião ministerial da OSCE, em Dezembro de 2003, em Maastricht, de renovar, embora em moldes que o Ocidente queria novos, os “Compromissos” que havia feito em Istanbul. Recorde-se que parte desses mesmos compromissos se prendem precisamente com a manutenção de três bases russas na Geórgia, contra vontade do governo local.


Mas os restantes compromissos, desta vez relativos à Moldova, originaram também uma outra crise. Quase em simultâneo com o eclodir da revolta geórgia, a Rússia apresenta um hábil plano federal para a Moldova, assente no reconhecimento explícito da autonomia da Transnístria, a região secessionista em que Moscovo mantém tropas e material, que se comprometeu, em 1999, respectivamente a retirar e a destruir. A principal “habilidade” deste plano, rejeitado pelo governo moldavo sob o que a Rússia considera ter sido uma pressão ocidental, previa a continuação por um longo tempo das tropas russas, que mudariam o seu estatuto para “forças de manutenção de paz”, desta vez legitimadas pela comunidade internacional. O fracasso desta iniciativa constituiu um golpe humilhante para Vladimir Putin.


Os próximos anos dar-nos-ão resposta a questões que só agora têm condições para ser postas, até porque os respectivos termos de referência estão em constante mudança. Os EUA começam a dar mostras de não ter pejo em forçar alguma tensão com Moscovo, sempre que tal seja compatível com um universo de cumplicidade objectiva de onde continuam a retirar evidentes vantagens. Por outro lado, a renovada legitimidade interna do Presidente Putin permite-lhe, quando oportuno, afirmar agendas de prestígio nacionalista, com o tema da segurança a servir de alavanca instrumental. Estaremos a caminho de um novo, embora diferente, modelo de Guerra Fria?

JR Guzzo

 Moraes e PF não demonstraram que conversas e desejos formam um plano coerente e real de golpe

Por J.R. Guzzo 20/11/2024 | 17h41


"Uma das novidades da vida cotidiana no Brasil de hoje é o dever quase-legal de acreditar num absurdo por dia. São coisas que dizem com a cara, a formalidade e a segurança de um texto do Diário Oficial, e que não fazem nenhum nexo por qualquer tipo de raciocínio lógico – mas nas quais o cidadão é obrigado a acreditar, sem perguntar nada, sob pena de incidir nos delitos de “fascismo”, “nazismo”, “ato contra a democracia”, “extrema direita”, “golpismo” e “negacionismo”


É a criminalização do ato de pensar – por decisão do STF, da Polícia Federal e da porção da mídia que reproduz mecanicamente o que ambos lhes entregam para publicar. Você tem que acreditar, por exemplo, que um tubo de batom é “substância inflamável”; Alexandre de Moraes escreveu isso. Houve uma tentativa de golpe armado, com estilingues e bolas de gude, em 8 de janeiro de 2023. O mesmo ministro diz que foi agredido no aeroporto de Roma, mas o STF mantém em sigilo há mais de um ano as imagens gravadas do episódio.


Esse “crê ou morre”, como no Islã, é do tipo pega geral. Em política é obrigatório dizer que o presidente Lula não perdeu nada nas eleições municipais de 2024 – o PT ficou com menos de 5% das prefeituras e o candidato de Lula foi incinerado em São Paulo, mas isso é porque ele “se preservou”. Em economia está decidido que um crescimento de 3% ao ano, igual ao do último ano do governo anterior, é “robusto”. Em conduta, a mulher do presidente dirige palavras de baixo calão a Elon Musk, mas é ele quem propaga o “discurso do ódio”.


A conferência do G-20 ora encerrada no Rio de Janeiro, e que deveria ser a obra prima da política externa de Lula, acabou com um dos comunicados mais indigentes na história do grupo – uma sopa de palavras tão aguada, e tão inútil, que ninguém achou motivo para vetar nada no texto. Mas a alternativa era não sair nem isso, o que parece ter deixado o Itamaraty em princípio de pânico. Como, no fim, arrumou-se alguma coisa para colocar no papel, a verdade oficial é que a diplomacia brasileira deu um show.


*A última obrigação expedida pelo ministro Moraes e a PF estabelece que se leve a sério uma “Operação Punhal Verde-Amarelo” – um segundo golpe de Estado de Jair Bolsonaro contra Lula, ou a continuação do primeiro, que já está sendo investigado há quase dois anos, por outros meios. Não parece claro se é uma coisa ou outra, mas a principal novidade é que Lula, nesta versão, seria envenenado. Moraes, que antes seria executado na estrada que vai de Brasília a Goiânia, continua da lista de assassinatos dos golpistas. Iam matar, também, Geraldo Alckmin – coisa que jamais passou pela cabeça de ninguém até hoje.*


No golpe como ele era até agora, segundo Moraes e a polícia, a prova mãe era a “delação premiada” do coronel Cid e as suas “minutas do golpe”. A delação, aparentemente, não está valendo mais; nem o ministro e nem a PF estão satisfeitos com ela. As “minutas” não serviriam como prova nem num júri de centro acadêmico. Se o ministro Toffoli decidiu que confissões voluntárias de corrupção ativa são “imprestáveis”, por que as minutas do coronel seriam prestáveis? As provas da polícia, agora, são “conversas entre militares”.


*O que a PF mostrou para os jornalistas até agora é uma maçaroca de diálogos idiotas e de orações sem verbo, sujeito, predicado, começo, fim e, sobretudo, sem pé nem cabeça – algo no nível do “quem tomar vacina pode virar jacaré” e outros grandes momentos do governo Bolsonaro.* Como iriam envenenar Lula? Com formicida? Não está claro quantos militares tomariam parte no golpe. “Já temos uns vinte”, diz um dos denunciados pela PF. E os outros 220.000 homens que estão no efetivo do Exército? A verba total para financiar o golpe era de R$ 100.000, diz a polícia.


Nem o ministro Moraes e nem a PF demonstraram que essas conversas e desejos formam um plano coerente de golpe, e menos ainda de tentativa real de golpe. Talvez sejam o que se chamam de “atos preparatórios” do desejo de cometer um crime, se ficar provado que conseguiriam mesmo preparar alguma coisa. Mas “atos preparatórios”, na lei brasileira, não são nada. Não foi demonstrada, menos ainda, qual poderia ter sido a participação do maior suspeito da PF e de Moraes nesse golpe – Bolsonaro.


Não há nenhuma declaração gravada de algo que ele tenha dito, ou algum papel assinado, ou uma mensagem de WhatsApp. Tudo o que existe, segundo a PF, é gente falando a respeito de Bolsonaro – e principalmente a respeito do que ele não disse. Mais do que qualquer outra coisa, talvez, você está intimado a considerar que o ex-presidente é o grande culpado por trás disso tudo, só que não está preso. Se o ministro e a polícia estão certos de que o responsável é Bolsonaro, ou gatos gordos como o general Braga, por que eles estão soltos?


A incompetência das investigações chega ao ponto de trabalharem num caso durante dois anos e não levantarem prova alguma que fique de pé? Não há nada, pelo menos, que o STF tenha considerado suficiente até agora para prender Bolsonaro. Caso contrário, é óbvio que ele estaria na cadeia, não é mesmo? São dúvidas formalmente proibidas para o cidadão brasileiro. A democracia recivilizada do Brasil estabeleceu que é ilegal perguntar."

Brasil na ONU

 *Brasil na ONU: Abstenção em Votação Contra o Irã por repressão a mulheres Reflete Alinhamento Ideológico e Ambiguidade Diplomática*


https://www.contrafatos.com.br/brasil-na-onu-abstencao-em-votacao-contra-o-ira-por-repressao-a-mulheres-reflete-alinhamento-ideologico-e-ambiguidade-diplomatica/


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BDM Matinal Riscala 2111

 *Rosa Riscala: Nvidia e pacote fiscal pautam o dia*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… A Nvidia promete ser a vilã do dia em NY, depois de ter caído 2,5% no after hours, com o balanço da noite de ontem. O investidor anda tão exigente com as magníficas, que não adiantou a gigante de tecnologia ter superado as expectativas no lucro, na receita e no guidance. O mercado queria mais. A decepção pode contratar ajuste negativo na abertura para o Ibovespa, depois de os ADRs brasileiros terem subido no feriado. Mas é o fiscal que continua como protagonista dos negócios domésticos. O governo fechou acordo com a Defesa para cortes de gastos na previdência dos militares, destravando a última pendência do pacote. Haddad pode se reunir hoje com Lula para tratar das medidas. Não há, porém, informação de que o anúncio oficial está confirmado para esta 5ªF.


… As mudanças acertadas pelo Ministério da Defesa na previdência dos militares vão integrar o pacote de cortes que a Fazenda preparou para tentar reconquistar a confiança nas contas públicas e dar uma sobrevida ao novo arcabouço fiscal.


… Entre as quatro medidas propostas está a criação da idade mínima de 55 anos para reserva remunerada, com período de transição. Até agora, o critério para aposentadoria é pelo tempo de serviço – ao menos 35 anos.


… O acordo também prevê o fim da chamada “morte fictícia” – quando militares expulsos das Forças por crimes ou mau comportamento têm garantido, às suas famílias, o direito a receber pensão. Agora, a família do militar passará a ter direito a auxílio-reclusão.


… Outra mudança é que, uma vez que tenha sido concedida a pensão para os beneficiários da primeira ordem (cônjuge ou companheiro e filhos), não será mais permitida a concessão sucessiva para os beneficiários das 2ª e 3ª ordens (pais e irmãos dependentes).


… Será ainda fixada em 3,5% da remuneração a contribuição do militar das três Forças para o Fundo de Saúde, até janeiro de 2026.


… A inclusão dos militares no esforço fiscal foi um pedido de Lula, com a intenção de demonstrar que os cortes não atingirão só “o andar de baixo”, mas ocorre em um momento de tensão envolvendo as Forças Armadas.


… A prisão de militares acusados pela Polícia Federal de envolvimento em um complô golpista, incluindo o plano de assassinar Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, além do ministro Alexandre de Moraes (STF), preocupa a caserna por atingir a imagem da instituição.


… Em declaração nesta 4ªF, o ministro da Defesa, José Múcio, disse que os envolvidos na tentativa de golpe de Estado, que seria executado em 20222 para impedir a posse do presidente Lula, “não representam as Forças Armadas”.


… “Eu desejo, e as Forças também desejam, que quem mancha o nome das Forças Armadas, se for culpado, que seja punido.”


… Hoje, o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do então presidente Bolsonaro, será ouvido por Moraes, às 14h, no Supremo e poderá avançar nas revelações para manter os benefícios da delação premiada para ele, sua esposa e seu pai.


… Há informações de que o inquérito está praticamente finalizado e que novos nomes deverão surgir nos próximos dias.


AFTER HOURS – Nvidia informou lucro líquido de US$ 19,31 bilhões no 3Tri fiscal 2025, alta de 109% sobre o 3Tri24, e de 16% sobre o 2Tri25. Diluído por ação, o lucro foi de US$ 0,81, acima da previsão dos analistas, de US$ 0,75.


… A receita cresceu 94% no ano, para US$ 35,08 bilhões, acima da expectativa mediana de US$ 33,17 bilhões.


… A big tech, que está no coração do boom da IA, estimou receita de US$ 37,5 bilhões para o 4Tri fiscal de 2025, acima da mediana das projeções, de US$ 37,1 bilhões. Mas, na Bloomberg, havia quem esperasse US$ 41 bi.


… Nas redes sociais, traders levantaram preocupações sobre a redução de 0,50pp na margem bruta, para 74,6%, e o aumento de 44% nos custos operacionais ante o mesmo trimestre no ano passado, para US$ 4,3 bilhões.


DIA DE CAUTELA – Motivos para ficar com o pé atrás não faltaram ontem em NY e, com isso, os principais índices de ações fecharam sem direção única e sem convicção para qualquer lado.


… Logo no início do dia, ataques da Ucrânia à Rússia com mísseis britânicos de longo alcance derrubaram as bolsas, um dia depois de Kiev ter lançado mísseis americanos contra o território russo, levando a guerra a novo patamar.


… Mas depois de o governo russo negar que vá usar armas nucleares, parte da tensão se dissipou nos mercados.


… Investidores também preferiram manter a cautela antes do balanço da noite da Nvidia e após previsões decepcionantes da Target (-21,4%) para as vendas no período de festas de fim de ano. 


… Além disso, o mercado passou o dia em busca de notícias sobre quem será o próximo secretário de Tesouro dos EUA. O ex-Fed Kevin Warsh e o megainvestidor Marc Rowan continuam no páreo.


… Ontem, Trump indicou o CEO da Cantor Fitzgerald, Howard Lutnick, para chefiar o Departamento do Comércio, que vai tratar do espinhoso tema das tarifas de importação.


… O índice S&P 500 fechou estável em 5.917,11 pontos e o Nasdaq recuou 0,11%, a 18.966,14 pontos. O Dow Jones subiu 0,32%, a 43.408,47 pontos.


… Depois da baixa da véspera, provocada pelo aumento das hostilidades entre Ucrânia e Rússia, os juros dos Treasuries voltaram a subir.


… Tiveram ajuda de um leilão de T-bonds de 20 anos com baixa demanda e nova declaração conservadora de uma dirigente do Fed, poucos dias depois de Powell ter dito que não tem pressa em cortar os juros.


… Michelle Bowman (Fed) disse que o progresso para reduzir a inflação nos EUA parece ter estagnado e que vê riscos maiores para a estabilidade de preços. “Prefiro proceder com cautela na redução dos juros”, disse.


… O retorno da note de 2 anos avançou a 4,316% (de 4,282%), o da note de 10 anos, a 4,411% (de 4,398%), e o do T-bond de 30 anos subiu a 4,599% (de 4,580%).


… O índice dólar (DXY) avançou 0,44%, a 106,680 pontos, depois de um alívio temporário na sessão anterior. O euro caiu 0,56%, a US$ 1,0540, e o iene recuou 0,50%, a 155,341.


…. A libra cedeu 0,29%, a US$ 1,2647, apesar de o CPI do Reino Unido em outubro (2,3%) ter ficado acima do esperado (2,2%) na comparação anual e ter reduzido a expectativa por mais um corte de juro pelo BoE este ano.


FECHAMENTO DE 3ªF – Aqui, na véspera do feriado da Consciência Negra, o dólar subiu 0,34%, para R$ 5,7672, em meio às tensões entre Rússia e Ucrânia. Mas os juros futuros passaram por um movimento de correção técnica.


… Queimaram prêmio, depois de terem alcançado nas últimas semanas o maior patamar em quase dois anos.


… O DI para janeiro de 2026 marcou 13,180% (de 13,305% no fechamento anterior); Jan/27, 13,340% (de 13,460%); Jan/29, 13,160% (13,245%); Jan/31, 12,990% (13,070%); e Jan/33, 12,860%, mínima do dia, contra 12,950% na 2ªF.


… O Ibov fechou com ganho moderado de 0,34%, retomando os 128 mil pontos (128.197,25), à espera do pacote.


ADRS – Os principais ADRs brasileiros negociados em NY fecharam majoritariamente em alta nesta 4ªF. Petrobras (PBRA) avançou 0,46%, a US$ 13,15, a despeito da queda de 0,68% do petróleo Brent/jan (a US$ 72,81 o barril).


… Vale avançou 0,10%, a US$ 10,03, e os bancos ficaram mistos. O papel do Banco do Brasil (BDORY) subiu 0,89%, enquanto Bradesco (BBD) ficou estável em US$ 2,41. Itaú (ITUB) recuou 0,33%, a US$ 5,96.


MAIS AGENDA – Receita solta a arrecadação de outubro às 10h30, o BC divulga o fluxo cambial semanal às 14h30 e o CMN se reúne às 15h.


… Nos EUA, saem o auxílio-desemprego (10h30) e vendas de moradias usadas em outubro (12h). Pelo Fed, falam Beth Hammack (10h45 e 14h30) e Austan Goolsbee (14h25).


… Ontem, Susan Collins e Lisa Cook disseram que a trajetória apropriada é de um corte adicional do juro americano, mas que nenhuma decisão será tomada antecipadamente, já que tudo depende das evolução dos indicadores.


… BC da Turquia (8h) e da BC da África do Sul (10h) anunciam decisão de política monetária.


CHINA – Sem surpresas, as principais taxas de juro de referência foram mantidas estáveis nesta 4ªF. A LPR de 1 ano continuou em 3,1% e de 5 anos, em 3,6%. Em outubro, o BC chinês havia reduzido as taxas, como parte do pacote de estímulo.


… Segundo analistas, as preocupações em torno da estabilidade do yuan, que tem estado sob pressão no contexto da vitória eleitoral de Trump, representam um obstáculo aos esforços de flexibilização por Pequim.


LULA E XI JINPING – Fortalecendo os laços entre os dois países, o Brasil e a China, que é nosso principal parceiro comercial, firmaram 37 acordos bilaterais nesta 4ªF, durante a visita oficial do presidente chinês a Brasília.


… O governo de Xi Jinping abriu o mercado para produtos brasileiros, incluindo uvas e café, com um potencial comercial estimado de até US$ 500 milhões anuais, segundo informou o ministro Carlos Fávaro (Agricultura).


… O governo brasileiro assinou acordo de cooperação com a chinesa SpaceSail, que desenvolve sistema de internet de alta velocidade via satélite. O Brasil optou, porém, por não aderir ao programa de investimentos Nova Rota da Seda.


… Lula preferiu não se alinhar completamente à iniciativa, evitando confrontar o novo governo dos Estados Unidos em sua briga com a China. Há apenas um protocolo sobre “sinergias” ao programa trilionário de investimentos.


EMENDAS – A Câmara aprovou na 3ªF o projeto de lei com alterações em relação ao texto que passou um dia antes no Senado. Deputados fizeram acordo para ajudar o governo a ultrapassar o piso da saúde com emendas.


… Os líderes partidários aliados do Planalto na Câmara retornaram com a obrigatoriedade de que as emendas parlamentares de comissão ao Orçamento tenham metade de seu valor (R$ 11,5 bilhões) destinado para a área da saúde.


… Com isso, o governo federal conseguirá um “reforço” de quase R$ 6 bilhões para cumprir o piso de gastos em saúde no ano que vem, o que evitará que precise cortar de outras áreas em suas despesas discricionárias.


… O governo não conseguiu, porém, costurar acordo para permitir o bloqueio das emendas, ao invés do contingenciamento, mas, numa nova tentativa, deve enviar um projeto de lei complementar com permissão de bloqueio de até 15% das emendas.


EM TEMPO… GERDAU fará 18ª emissão de debêntures no valor de R$ 1,5 bilhão. Títulos terão prazo de vencimento de quatro anos na 1ª série e sete anos na 2ª série.


CSN. InterCement assinou aditivo dando exclusividade à siderúrgica na possível aquisição de 100% das ações da InterCement Participações (ICP) até 16 de dezembro.


NATURA&CO permaneceu com os ativos operacionais da Avon Products Inc (API) após ser a única licitante em leilão.


OI. Pimco, principal acionista da empresa após a conversão de dívidas em ações, informou que não busca alterar a composição do controle ou estrutura administrativa…


… A Pimco recebeu 120,4 milhões de ações da Oi, atingindo uma fatia de 36,5% na operadora.


XP fechou o 3Tri24 com lucro líquido e receitas recorde. O lucro foi de R$ 1,187 bilhão, alta anual de 9%. A receita bruta somou R$ 4,546 bilhões (+4%). O retorno sobre o patrimônio (ROAE) subiu 38 pontos-base no ano, para 23%….


… A margem EBT fechou em 28,1%, 6 pontos-base acima de um ano antes e 472pb abaixo do 2Tri.


CARREFOUR na França informou que vai parar de vender carnes do Mercosul, após protesto de agricultores franceses contra a proposta de acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul…


… O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse ter ficado “indignado” com o posicionamento dos franceses e que a decisão “parece uma ação orquestrada” de companhias francesas contra o Brasil.


BRF. GmbH, subsidiária integral da empresa, firmou contrato vinculante com a Henan Best Foods para adquirir uma fábrica de processados na província de Henan, na China. A transação tem o valor total de US$ 43 milhões.


VAMOS. A Simpar, holding acionista controladora da empresa, comunicou que acompanhará o voto da maioria dos acionistas na AGE de amanhã, quando será discutida a reorganização societária da Vamos e Automob.


MARCOPOLO aprovou o pagamento de dividendos a todos os acionistas da companhia, na razão de R$ 0,077 por ação, do exercício de 2024, a serem pagos a partir do dia 13 de dezembro…


… Também foi aprovado o pagamento de juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 0,063 por ação.

Abertura BROADCAST 2111

 Abertura: Escalada da guerra na Ucrânia mina mercados em meio à espera de corte de gastos


São Paulo, 21/11/2024


Por Silvana Rocha e Luciana Xavier*


OVERVIEW.  O mercado local volta do feriado sob expectativa pelo anúncio do corte de gastos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que tem reunião hoje com o presidente Lula às 15 horas para tratar do pacote de medidas. Os dados de arrecadação federal de outubro também são aguardados bem como a reunião do conselho de administração da Petrobras para analisar o Plano Estratégico 2025-2029. Ainda serão publicados nos EUA as vendas de imóveis usados, os pedidos de auxílio-desemprego e três dirigentes do Federal Reserve discursam.


NO EXTERIOR. A aversão ao risco pressiona as bolsas internacionais, os juros dos Treasuries e dos bônus europeus, enquanto o ouro e os preços do petróleo sobem com a escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia. A Força Aérea ucraniana diz ter sido alvo de míssil balístico intercontinental disparado pela Rússia. Ontem, os EUA deram aval para que a Ucrânia use minas terrestres antipessoal, dias depois de ter permitido o emprego de mísseis de longo alcance. O Nasdaq futuro cai mais, refletindo as perdas superiores a 3% da Nvidia no pré-mercado, após balanço da gigante de chips. Esse quadro deixa em segundo plano o aumento na precificação por manutenção dos juros do Fed em dezembro, após declarações de dirigentes do Fed. A diretora da autoridade monetária Michelle Bowman alertou para uma estagnação no progresso na inflação, enquanto Lisa Cook admitiu que o núcleo de inflação segue elevado. Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse ainda esperar um relaxamento adicional.


POR AQUI. A liquidez pode ser contida ainda pela expectativa do pacote de corte de gastos e o ambiente externo negativo é mau presságio para os ativos locais. O ETF brasileiro EWZ caía 0,37% no pré-mercado em NY às 6h40. O ADR da Vale perdia 0,20%, apesar da alta de 0,39% do minério de ferro na China, enquanto o da Petrobras cedia 0,49% ante queda de mais de 1% dos preços do petróleo. O anúncio de corte de gastos é esperado entre hoje e amanhã, mas há possibilidade de que fique para a semana que vem, o que pode pesar negativamente em dólar e juros futuros. A reunião de Haddad e o presidente Lula fica no foco. A área técnica do Ministério da Defesa fechou acordo com a equipe econômica para cortar gastos na previdência dos militares. O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, prevê que se o governo anunciar um pacote robusto, de R$ 60 bilhões ou mais, o mercado poderia melhorar bastante, pois está preparado para algo perto dos R$ 40 bilhões.


NA POLÍTICA. A Polícia Federal teve acesso a registros de uso de computadores do Planalto pelo grupo que planejou matar o presidente Lula, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2022. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) pediu ao STF a prisão preventiva de Bolsonaro. Moraes determinou que o ex-ajudante de ordens da Presidência tenente-coronel Mauro Cid compareça à Corte nesta quinta-feira. O PT enviou ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um pedido de arquivamento do projeto de lei que anistia os condenados pela invasão das sedes dos três Poderes nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. O governo fechou acordo com o Ministério da Defesa para corte de gastos na previdência os militares.


AGENDA.


ARRECADAÇÃO E PETROBRAS NO RADAR LOCAL - A agenda traz o resultado da arrecadação federal em outubro às 10h30. O Tesouro faz leilão de LTN e de NTN-F às 11 horas. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton De Aquino Santos, concede entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), às 11 horas. O conselho de administração da Petrobras analisa o Plano Estratégico 2025-2029 da companhia. O Conselho Monetário Nacional (CMN) reúne-se por meio eletrônico às 15 horas.


DADOS DOS EUA E DIRIGENTES DO FED EM DESTAQUE - Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego serão publicados às 10h30, e as vendas de moradias usadas em outubro, às 12 horas. Os dirigentes do Fed que falam em eventos hoje são:   Beth Hammack, de Cleveland às 10h45 e às 14h30; Austan Golsbee, de Chicago às 14h25; e o vice-presidente de Supervisão, Michael Barr às 18h40.  Os bancos centrais da Turquia (8h)  e da África do Sul (10h) anunciam decisões de juros. Na Europa, sai o índice de confiança do consumidor da zona do euro de novembro, às 12 horas.


O QUE SABEMOS.


CARREFOUR - O grupo francês Carrefour anunciou que deixará de comercializar carnes provenientes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), alegando apoiar agricultores franceses que protestam contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o bloco sul-americano. A decisão reflete preocupações com padrões de produção de carne. Agricultores franceses pressionam o presidente Emmanuel Macron a vetar o acordo, que enfrenta críticas na França, mas é apoiado por países como Alemanha e Espanha.


EM TESE: Embora o Carrefour Brasil tenha afirmado que suas operações não serão afetadas, a decisão pode ter impactos significativos no setor agropecuário dos países do Mercosul e nas relações entre UE e Mercosul. O Brasil pode ser um dos mais atingidos, já que é um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina e a França é um dos importantes mercados para exportação. Ações da JBS e Marfrig podem refletir reação negativa à decisão e essas empresas podem ter que buscar diversificar mercados ou reforçar certificações de qualidade. Há o risco também de outras empresas do setor de alimentos seguirem essa postura da França, o que teria impacto em larga escala.


ACORDOS BRASIL-CHINA Os dois países assinaram ontem 37 acordos e memorandos de entendimento em diversas áreas como agricultura, energia, cultura, turismo, tecnologia e saúde. Um dos principais destaques foi o Plano de Cooperação para sinergias entre os programas brasileiros e a iniciativa "Belt and Road", que seria uma Nova Rota da Seda, reforçando a parceria estratégica. A China é o principal parceiro comercial do Brasil. No entanto, o presidente Lula não aderiu oficialmente à Rota da Seda, para não perder autonomia geopolítica. Houve abertura para importação de sorgo, gergelim e uva fresca do Brasil e outros quatro mercados, incluindo a farinha de peixe, utilizada para ração animal, que representam US$ 7 bilhões. Desde 2023, o Brasil já conquistou 281 mercados agropecuários.


EM TESE: Os acordos entre os dois países significam uma aproximação estratégica e econômica importante em agricultura, indústria e energia, tecnologia (com colaborações em inteligência artificial), cultura e turismo, saúde e sustentabilidade e infraestrutura. Vários setores irão se favorecer no longo prazo, mas o fortalecimento da influência da China na América Latina tende a preocupar os EUA, em especial em setores estratégicos como inteligência artificial e 5G. Um dos memorandos de entendimento foi entre a Telebrás e Shanghai Spacesail Technologies, uma das concorrentes da Starlink, do bilionário Elon Musk. Além disso, a China importa US$ 1,5 bilhão por ano em sorgo dos EUA, segundo a CNN. Haverá também expansão de investimentos nas indústrias brasileiras, como a WEG, Suzano e Randon. A BRF GmbH, subsidiária integral da BRF, firmou contrato vinculante com a Henan Best Foods para adquirir uma fábrica de processados na província de Henan, na China.


OVERNIGHT.


BNDES E BANCO DA CHINA - A primeira operação de empréstimo em moeda chinesa do BNDES com o China Development Bank (CDB) será de 5 bilhões de renmimbis (o equivalente a R$ 4 bilhões) e tem prazo de até três anos, de acordo com a instituição brasileira. O acordo foi fechado hoje, durante visita de Estado do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil. No total, os dois países firmaram 37 atos nesta quarta-feira. A linha de crédito será usada pelo BNDES em diferentes setores da economia doméstica e, segundo o banco, representa a ampliação da cooperação em moeda local entre os países.


MERCADO DE CARBONO A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 19, o projeto que regulamenta o mercado de carbono no Brasil, com a instituição do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O texto havia voltado para nova votação dos deputados após análise do Senado Federal e agora vai à sanção presidencial.


NATURA E AVON - A Natura&Co teve a oferta vencedora para permanecer com os ativos operacionais da Avon Produtcs Inc (API), levando ao cancelamento do leilão que ocorreria na terça-feira, 19. Segundo o Tribunal de Falências de Delaware, responsável pelo caso do Capítulo 11 da API, a empresa foi a única licitante com lance qualificado. Com isso, a reintegração dos ativos deve recuperar uma parte do caixa transferido para as subsidiárias da API no momento da abertura do Chapter 11.


XP - A empresa fechou o terceiro trimestre de 2024 novamente com lucro líquido e receitas recorde. Com um lucro líquido de R$ 1,187 bilhão, a companhia registrou um crescimento de 9% ano contra ano e 6% em relação ao segundo trimestre. A receita bruta somou R$ 4,546 bilhões, 4% acima do mesmo intervalo de 2023 e 1% acima do segundo trimestre. A receita líquida foi de R$ 4,3 bilhões, alta anual de 5% e trimestral de 2%.


AUREN - A Auren, terceira maior geradora de energia do Brasil, fará um novo Programa de Recompra de 5,4 milhões de ações ordinárias, correspondentes a 1,67% do total de papéis desta classe. O programa terá duração de 18 meses, encerrando em 19 de maio de 2026. Segundo a companhia, a recompra tem o objetivo de permitir o cumprimento das obrigações do Plano de Ações Restritas, sem redução do capital social. Além disso, as ações poderão ser mantidas em tesouraria, alienadas ou canceladas.


IMÓVEIS DE LEILÕES - O crescimento das vendas de imóveis nos últimos anos teve como efeito colateral um aumento na quantidade de bens retomados por falta de pagamento, o que passou a movimentar o mercado de leilões. Dentro desse contexto, a empresa mineira Smart Leilões decidiu criar uma espécie de imobiliária dedicada a agilizar a venda dos bens retomados. Batizada de Smart Link, a nova empresa, lançada neste semestre, tem cerca de 1 mil imóveis no portfólio, com a meta de atingir em torno de 2,5 mil a 3,0 mil ano que vem.


INFLAÇÃO DA ALEMANHA - O índice de preços ao produtor (PPI, pela sigla em inglês) da Alemanha caiu 1,1% em outubro ante igual mês do ano passado, em linha com a projeção de analistas consultados pela FactSet. Em setembro, o PPI havia registrado deflação de 1,4%. Na comparação mensal, o PPI da Alemanha subiu 0,2% em outubro ante setembro, após a queda de 0,5% no mês anterior.


INFLAÇÃO NO REINO UNIDO - O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu 2,3% em outubro ante igual mês do ano passado, superando a expectativa de analistas, de avanço de 2,2%. Também representa uma aceleração em relação ao aumento de 1,7% no confronto anual de setembro. Na leitura mensal, o CPI avançou 0,6% em outubro ante setembro, também acima das projeções dos analistas, de alta de 0,5%. Neste caso, o indicador havia ficado estagnado no mês anterior. O núcleo do CPI subiu 0,4% em outubro ante setembro e 3,3% na comparação anual. As projeções apontavam para alta anual de 3,1%.


JUROS NA CHINA - A China manteve as suas principais taxas de juro de referência estáveis, uma medida amplamente esperada após um corte acentuado nos custos de financiamento no mês passado. Os principais credores chineses mantiveram as taxas de referência dos empréstimos (LPR, na sigla em inglês) de 1 e 5 anos em 3,1% e 3,6%, respectivamente, de acordo com um comunicado do Banco do Povo da China. Em outubro, o PBoC reduziu as taxas como parte do pacote de estímulo de Pequim para melhorar dinamismo do crescimento.


E NOS MERCADOS.


PETRÓLEO - Os contratos futuros de petróleo acentuaram ganhos e renovaram sucessivas máximas intraday, após a Força Aérea da Ucrânia disparar um novo alerta de ataque de mísseis balísticos no país. Mais cedo, os militares ucranianos disseram ter sido alvos de um míssil balístico intercontinental lançado pela Rússia. Por volta das 7h30, o barril do WTI para janeiro subia 1,47%, a US$ 69,76, e o do Brent para igual mês ganhava 1,33%, a US$ 73,77.


FUTUROS DE NY E BOLSAS EUROPEIAS- Os índices futuros de Nova York e as bolsas da Europa pioraram, após relatos de que a Rússia teria disparado mísseis balísticos intercontinentais contra a Ucrânia. Mais cedo, os mercados acionários americanos exibiram sinais difusos com uma reação morna ao balanço da Nvidia. A empresa superou expectativas com lucro e receita, mas registrou desaceleração das vendas e uma margens menores. Às 7h32, o futuro do Dow Jones caía 0,11%, o do S&P 500 perdia 0,29% e o do Nasdaq cedia 0,40%. A Bolsa de Londres tinha ganho marginal de 0,06%, enquanto Paris cedia 0,50% e Frankfurt caía 0,19%.


TREASURIES - Os rendimentos dos Treasuries oscilam perto da estabilidade, com viés negativo, diante da retórica cautelosa de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e da escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia. Para o Jefferies, o cenário apoia a expectativa pelas cotações da renda fixa trabalhando em uma faixa estreita. "Não vemos um catalisador para um movimento brusco em qualquer direção", afirma o banco. Às 7h33, o retorno da T-note de 2 anos caía a 4,289% (ante 4,318% no fim da tarde de ontem), o da T-note de 10 anos baixava a 4,382% (de 4,412% na véspera) e o do T-bond de 30 anos cedia a 4,576% (de 4,596%).


MOEDAS - O dólar recua ante pares rivais, em meio a sinais de exaustão do rali que impulsionou a moeda americana desde a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, há pouco mais de duas semanas. Segundo análise do Commerzbank, o índice DXY, que mede a moeda americana ante seis rivais fortes, agora está operando em nível acima do que se espera em um cenário de perspectivas de cortes de juros. "O dólar valorizou-se mais no índice do que se poderia esperar com base nos cortes nas taxas precificados", explica. Às 7h35, o DXY tinha viés de alta de 0,01%, a 106,69 pontos, com euro em baixa a US$ 1,0521 (ante US$ 1,0540 no fim da tarde anterior) e a libra, a US$ 1,2630 (ante US$ 1,2647). O dólar recuava a 154,25 ienes (de 155,50 ienes), após o presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, reiterar que as decisões serão tomadas a cada reunião.


BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, após a reação negativa ao balanço da Nvidia deflagrar um efeito dominó em ações do setor. Tensões geopolíticas também estiveram em foco, diante da escalada nas hostilidades na guerra da Ucrânia. No rastro das perdas da Nvidia, a rival TSMC recuou 1,46% em Taiwan, onde o índice Taiex caiu 0,58%. Em Seul, o índice Kospi cedeu 0,07%, sob o peso da SK Hynix (-1,06%). Em Tóquio, o Nikkei baixou 0,85%. Em Hong Kong, o Hang Seng cedeu 0,53%. Na China continental, por outro lado, o Xangai Composto subiu 0,07%, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto ganhou 0,07%. Na Oceania, o S&P/ASX 200, de Sydney, baixou 0,04%.


*Colaborou André Marinho


Contatos:  silvana.rocha@estadao.com; luciana.xavier@estadao.com



Broadcast+

Matinal ConfianceTec 2111

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

21/11/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (19)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na terça-feira (19) em alta de 0,34%, a 128.197 pontos. Já o dólar encerrou em alta de 0,36%, a R$ 5,768. Mercados seguem estressados, nas indefinições da guerra da Ucrânia e nas expectativas do pacote fiscal.

  

MERCADOS HOJE:


Os índices futuros dos EUA operam em queda no início desta manhã de quinta-feira. Motivo são os ataques de mísseis balísticos da Rússia contra a Ucrânia.


PRÉVIA DOS MERCADOS HOJE (5h40)


EUA 🇺🇸:

Dow Jones Futuro, -0,15%

S&P 500 Futuro, -0,31%

Nasdaq Futuro, -0,40%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China), +0,07%

Nikkei (Japão), -0,85%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,53%

Kospi (Coreia do Sul), -0,07%

ASX 200 (Austrália), -0,04%


Europa: 🇪🇺

FTSE 100 (Reino Unido), +0,15%

DAX (Alemanha), -0,15%

CAC 40 (França), -0,39%

FTSE MIB (Itália), -0,62%

STOXX 600, -0,21%

Commodities:

Petróleo WTI, +1,09%, a US$ 69,50 o barril

Petróleo Brent, +0,98%, a US$ 73,53 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,39%, a 777,50 iuanes (US$ 107,40)


NO DIA, 21/11


O mundo em suspense, depois da troca de ataques de mísseis balísticos entre Rússia e Ucrânia. Qual o desfecho? 


Uma nova etapa do conflito se inicia, em perigosa escalada?


Na agenda doméstica, hoje é dia de arrecadação federal; nos EUA, dados de trabalho. A Nvidia deve "causar" em NY, depois de ter caído ontem a noite.  


Por aqui, é o fiscal que continua como protagonista dos negócios.


O governo fechou acordo com a Defesa para cortes de gastos na previdência dos militares, destravando a última pendência do pacote.


Haddad pode se reunir com Lula para o anúncio oficial das medidas nesta quinta-feira (21). Oremos.


AGENDA DO DIA (21/11):


Indicadores:

10h30. Brasil: Receita divulga arrecadação federal de outubro

10h30. EUA/Deptº do Trabalho: Pedidos de auxílio-desemprego

12h00. EUA/NAR: Vendas de moradias usadas em outubro

12h00. Zona do euro: Índice de confiança do consumidor

14h30. Brasil/BC: Fluxo cambial semanal

21h30. Japão/S&P/Jinbun: PMI composto, de indústria e serviços (preliminar)


Eventos:

10h45 e 14h30. EUA: Beth Hammack (Fed/Cleveland) discursa

11h00. Brasil: Receita concede coletiva sobre arrecadação

11h00. Brasil/BCB: Diretor Ailton de Aquino dá coletiva sobre Relatório de Estabilidade Financeira

14h25. EUA: Austan Goolsbee (Fed/Chicago) discursa

15h00. Brasil: Reunião do CMN


Indicadores:

05h00. Brasil/Fipe: IPC da 2ª quadrissemana de novembro

07h00. Zona do euro/Eurostat: CPI de outubro

08h00. Brasil/FGV: IGP-M 2ª leitura de novembro

10h30. EUA/Deptº Comércio: Construção de moradias iniciadas em outubro


Eventos:

10h30. Brasil: Campos Neto (BC) participa de evento da ACSP

17h00. O diretor do BC Diogo Guillen palestra no Curso Estadão de Jornalismo Econômico 

22h15. China: PBoC decide taxa de juros (LPR) de 1 e 5 anos.

     

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quinta-feira e bons negócios!

Bankinter Portugal Matinal 2111

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O tom é um pouco melhor para HOJE e é provável que Nova Iorque termine em positivo (testemunhal, mas positivo) apesar de ONTEM a Ucrânia ter lançado 12 misseis britânicos Storm Shadow sobre a Rússia, depois de ter feito o mesmo, 48h antes, com os seus equivalentes ATACMS americanos. Isso deverá ter vacilado o mercado pela elevação do prémio de risco correspondente à geoestratégia que implica, mas não foi assim. Isso é um bom sintoma. Putin vai colocando linhas vermelhas que a NATO testa sem que nada ocorra, o que é um sinal, junto com outros muitos indícios de que a Rússia colocará todo o seu esforço militar nas próximas semanas para depois declinar devido à falta de meios humanos e materiais, principalmente em 2025, quando se estima que acabará o armamento herdado da URSS. E repõe a um ritmo inferior ao que consome, portanto é provável que agora estejamos no momento de maior tensão, que decairá por volta de fevereiro/março de 2025. A situação vai melhorar, mas depois de piorar um pouco mais. 

 

Target (EUA) caiu estrondosamente -20% ao admitir que espera uma holiday season fraca e ao comprovar que as vendas reagem bem apenas perante os descontos, realizando um profit warning em plena norma para o 4T: Vendas 0% vs +1,64% esperado e EPS 1,85$/2,45$ vs 2,66$ esperado. Parece algo singular, porque Nova Iorque nem sequer vacilou. Os bons resultados e guidance de WalMart contrariaram-no. 

 

Bowman (Fed), que é bastante hawkish/dura, afirmou que, no contexto atual, o nível neutro de taxas de juros deve estar bastante mais alto do que antes da Covid e que agora poderíamos estar mais perto desse nível do que acreditamos (agora, taxas de juros EUA em 4,50/4,75%), transmitindo uma perspetiva de menos descidas de taxas de juros do que aquilo que se pensa. Isto reforça a nossa recente revisão de taxas de juros da Fed até aprox. 3,50/4,00% em 2025, mas não mais abaixo. 

 

Finalmente, o mais importante. Ontem, às 21:30h, Nvidia publicou resultados que batem expetativas (EPS 0,81$ vs 0,75$ esperado; Margem Bruta 74,6% vs 75,0%) e guias de Vendas 4T um pouco superiores ao esperado (37.500M$ vs 37.220M$)… mas caiu -2,5% em aftermarket, porque o seu guidance de Margem Bruta para o 4T é 73,0% vs 73,5% esperado e o mercado colocou a fasquia tão alta que tudo parece insuficiente para ela. Contudo, nós pensamos que essa deterioração da Margem Bruta responde ao esforço de lançamento do seu novo chip Blackwell, que é razoável, que a procura de Blackwell é espetacular e que supera bastante a capacidade de produção, portanto as margens deverão recuperar de seguida; sendo assim… buy the dip!: é uma oportunidade para comprar Nvidia um pouco mais barata. Em paralelo, Palo Alto (cibersegurança) publicou resultados bons (Receitas +14%; BNA +17%) e guias em alta, mas ajustam-se ao esperado e, por isso, caiu -5% em aftermarket, mas fará um split 2x1 a 13 de dezembro, e pensamos algo parecido a Nvidia, embora a outra escala: comprar na debilidade. 

 

HOJE os futuros vêm mistos, mas os recentes inputs (geoestratégia e empresas) são bastante bons e as yields das obrigações parecem estabilizadas, igual ao USD, portanto provavelmente melhorará ao longo da sessão, com alguma referência macro americana e algumas intervenções de banqueiros centrais que poderão influenciar pouco. É mais provável uma subida modesta de estabilização (+0,2%?). E isso é especialmente bom neste contexto de instabilidade passageira. 

 

S&P500 +0% Nq-100 -0,1% SOX -0,7% ES-50 -0,5% IBEX +0,01% VIX 17,2% Bund 2,35% T-Note 4,40% Spread 2A-10A USA=+9pb B10A: ESP 3,05% PT 2,82% FRA 3,10% ITA 3,58% Euribor 12m 2,448% (fut.2,159%) USD 1,054 JPY 163,5 Ouro 2.661$ Brent 73,1$ WTI 69,0$ Bitcoin +3,1% (97.393$) Ether +1,1% (3.115$). 

 

FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...