segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Morgan corta Brasil

 Morgan corta exposição no Brasil para “venda” e projeta Ibovespa a 146 mil em 2025

Em relatório em que destaca as projeções para os mercados da América Latina para 2025, o Morgan Stanley reduziu a sua exposição para o Brasil na região para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), por conta do risco político e preocupações fiscais. O banco também é underweight em ações do México.


A política atrapalhou o momento da América Latina e vários obstáculos precisam ser superados para que a região “redesenvolva” uma narrativa clara de investimento, avalia o Morgan, ressaltando que valuations baratos não são suficientes. Enquanto o banco está menos otimista com México e Brasil pro conta de riscos políticos e pontos de interrogação com o crescimento, estão overweight (exposição acima da média) com a região andina.


Para o banco, os riscos de dominância fiscal, caracterizado por um cenário em que a política monetária perde eficácia devido a um desequilíbrio nas contas públicas, do Brasil são muito altos.


“Há um cenário positivo para Brasil e México, mas é muito cedo para construir um portfólio em torno disso, e as coisas podem piorar antes de melhorar”, avaliam os estrategistas.


O cenário otimista para o Brasil, diz o Morgan, é um pouso suave para o atual modelo de crescimento impulsionado pela alavancagem que afeta os gastos e o consumo do governo (G&C), seguido por um reequilíbrio da economia em direção ao investimento e às exportações (I&X). As taxas de juros precisam cair no Brasil e o mercado precisa se afastar dos riscos associados à dominância fiscal.


“Monitoraremos os sinais de mudanças de curso pelos formuladores de políticas brasileiras que podem mudar a maré da dívida e dos gastos do governo para o investimento e, portanto, reduzir as taxas de juros, (…) permitindo o crescimento do investimento e maior VPL (Valor Presente Líquido) para lucros futuros para empresas brasileiras. Um ciclo liderado por investimentos para o Brasil impulsionaria um cenário otimista poderoso para o Brasil, mas taxas de juros mais baixas são necessárias”, reforça.


“Estamos com exposição abaixo em Brasil, pois o curso atual para os formuladores de políticas brasileiros sugere um alto risco de que esse cenário [mais positivo] se concretize”, complementam.


Para o México, o cenário otimista seria transformar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá em uma estrutura ainda mais forte — até mesmo parecida com uma união aduaneira — e se beneficiar da relocalização adicional das cadeias de valor de manufatura para a América do Norte. O banco acredita que o México poderia ganhar muito com a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, mas vê que é muito cedo para projetar uma narrativa de investimento e portfólio em torno disso e há riscos claros também.


Com relação ao Brasil, os estrategistas do Morgan apontam que o país pode ser o mais afetado com a eleição de Trump por meio do canal financeiro, pois um câmbio mais fraco e taxas mais altas podem aumentar as condições financeiras já apertadas no Brasil. Isso se aplica a todos os mercados da América Latina e é um fator determinante para a fraqueza do câmbio latino-americano que é essencialmente negativo para todos os mercados. Por outro lado Brasil é o mais afetado pelo risco para o canal financeiro, pois um câmbio mais fraco e taxas mais altas podem afetar as condições financeiras já apertadas no Brasil.


O Morgan aponta, no seu cenário-base, o dilema fiscal mantendo as taxas altas — o governo fazendo alguns cortes de gastos próximos às expectativas do mercado (de cerca de R$ 50 bilhões) — o crescimento econômico e dos lucros desacelerando, mas evitando uma recessão, além das saídas líquidas dos fluxos de ações domésticas permanecendo nos níveis atuais. O banco tem uma projeção para o cenário-base do Ibovespa para 2025 a 146 mil pontos, ou potencial de alta de 14% em relação ao fechamento de quinta.

News 1611

 NEWS - 16.11


Haddad se reúne com cúpula do Congresso e sinaliza pacote fiscal de R$ 25 bi a R$ 30 bi em 2025 /Em 2026, impacto seria maior, de R$ 40 bi; plano será apresentado após o G20 Segundo interlocutores, uma das principais medidas para conter o crescimento das despesas é a mudança no critério de reajuste do salário mínimo, que passaria a ser ter ganho real de no máximo 2,5% e no mínimo de 0,6% — o mesmo intervalo de crescimento de gastos do arcabouço fiscal.- O Globo 15/11


Geralda Doca


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou à cúpula e a líderes do Congresso que o pacote fiscal em gestação há semanas pelo governo vai prever uma economia entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em 2025 e de R$ 40 bilhões em 2026, de acordo com pessoas que acompanharam as conversas.


Haddad se reuniu nesta semana com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e também já conversou com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de líderes das duas Casas.


Segundo interlocutores, uma das principais medidas para conter o crescimento das despesas é a mudança no critério de reajuste do salário mínimo, que passaria a ser ter ganho real de no máximo 2,5% e no mínimo de 0,6% — o mesmo intervalo de crescimento de gastos do arcabouço fiscal.


Essa mudança tem um impacto gradual, já que considera a base do ano anterior para reajuste. Por isso, o pacote é maior nos próximos anos.


Também faz parte do pacote o avanço do projeto que combate os supersalários, que depende do aval do Congresso, filtro nos programas sociais, realização de pente-fino no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de ajustes nas regras em alguns programas, como abono salarial (PIS), seguro-defeso e seguro-desemprego. Procurada, a Fazenda disse que não iria comentar.


O governo descartou alterações no FGTS. Uma das medidas estudadas era utilizar a multa de 40% dos depósitos do empregador para o fundo nas demissões para custear despesas com seguro-desemprego.


Com a limitação do aumento do salário, que considera atualmente a inflação anual e o repasse integral do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, o governo passará a gastar menos com aposentadorias e pensões e demais benefícios como seguro-desemprego e abono salarial. As despesas previdenciárias são as principais fontes de pressão sobre o Orçamento.


Segundo interlocutores do Congresso, durante as conversas com Pacheco e Lira na quarta-feira, Haddad tratou apenas das linhas gerais do pacote de ajuste fiscal.


A expectativa é que as medidas sejam anunciadas na próxima quinta-feira, após a visita do presidente da China, Xi Jinping, em Brasília, no dia anterior, e também após o término do G20, no Rio.


O ajuste fiscal vai atingir as áreas com maiores orçamentos, como Saúde, Educação e Defesa. Por determinação do presidente Lula, Haddad pediu a colaboração dos comandantes das Forças Armadas, que devem propor ajustes pontuais no sistema de previdência dos militares.


Durante as negociações, o ministro da Fazenda tem insistindo na necessidade de adotar medidas para que as despesas caibam no arcabouço fiscal. Há desconfiança do mercado em relação à firmeza do governo na condução da política fiscal.


Seguro-desemprego e abono salarial


Para segurar despesas com abono, além da limitação do reajuste do salário mínimo, o governo estuda mudar o critério de renda para ter direito ao benefício, de dois salários mínimos para um salário mínimo e meio. No caso do seguro desemprego e defeso, a ideia é aumentar o prazo de carência. Também está no radar reduzir o número de parcelas.


Para passar uma sinalização de que o pacote atingirá a todos, as medidas em estudo também incluem estabelecer desde já o imposto mínimo de 15% sobre a renda de quem recebe mais de R$ 1 milhão por ano.


 


Para economistas do Itaú, cortes deveriam somar ao menos R$ 60 bi em dois anos / Analistas apontam em relatório que seria possível reduzir despesas em R$ 25 bi no ano que vem. Em 2026 seria necessário um corte de R$ 35 bi- O Globo 16/11


João Sorima Neto


Em relatório divulgado esta semana, os economistas do Itaú BBA estimaram que para que haja confiança na sustentabilidade do arcabouço fiscal, seria necessário um ajuste de despesas de pelo menos R$ 60 bilhões nos próximos dois anos, sendo R$ 25 bilhões em 2025 e R$ 35 bilhões em 2026.


Os economistas do banco avaliaram que o montante de R$ 25 bilhões pode ser obtido no ano que vem, caso haja sucesso nas medidas já anunciadas de pente-fino de benefícios sociais, implicando em uma desaceleração do crescimento de beneficiários da Previdência de 4% para 3% e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) de 12% para 6%.


Já para 2026, o governo vem considerando, segundo os economistas, medidas que envolvem BPC, seguro-desemprego, Fundeb, vinculações ao mínimo, pisos constitucionais de Saúde e Educação e a previdência dos militares.


“Consideramos este o valor mínimo (R$ 35 bilhões) necessário para o pacote de revisão de gastos ter sucesso em obter alguma redução da percepção de risco fiscal”, afirma a equipe do Itaú, liderada pelo eocnomista-chefe, Mario Mesquita.


Para reduzir o crescimento de despesas no médio prazo, o relatório aponta que são necessárias mudanças estruturais, como a redução de indexações e vinculações das despesas públicas, e um reforço na transparência e na credibilidade das regras fiscais.


A equipe do Itaú avalia que um pacote de corte de gastos robusto pode ser uma oportunidade para reduzir os temores em relação às iniciativas onerosas que o governo vem propondo, do ponto de vista fiscal, como a isenção do Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil e o retorno de “estímulos parafiscais”.


Eles dizem que, por meio da revisão de gastos, seria possível garantir, por exemplo, que novas políticas públicas (como o programa Pé-de-Meia que dá incentivo financeiro a estudantes) e a expansão de outras já existentes (como o vale-gás) sejam contabilizadas de forma transparente e sujeita às regras fiscais vigentes.


De acordo com análise dos economistas do Itaú, a arrecadação do governo tem se mostrado forte, mas os riscos fiscais continuam elevados, considerando a percepção de que as despesas obrigatórias estão crescendo acima do limite do arcabouço fiscal e “impedirão seu cumprimento até 2026, levando à dificuldade em obter uma trajetória de convergência de resultados primários”, escreveram.


 


Eleição de Trump elevou custo financeiro para países emergentes, afirma Galípolo / Em evento do G20, diretor do BC observa que política econômica do futuro governo americano deve impedir queda maior dos juros nos EUA, o que afetará todas as economias- O Globo 15/11


Isa Morena Vista


O diretor de Política Monetária do Banco Central e indicado do presidente Lula para o comando da autarquia, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira que a vitória de Donald Trump nas eleições americanas fortaleceu o dólar e vem afetando as economias de vários países, especialmente os emergentes.


No painel G20 Talks, no evento Cria G20, no Rio, Galípolo explicou que a promessa de Trump de elevar tarifas de importação assim que assumir levará a um aumento generalizado de preços, alimentando a inflação. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não deve cortar os juros tanto quanto esperado.


Como reflexo, as taxas de juros de curto e longo prazo dos títulos americanos, os Treasuries, subiram.


— Essa elevação nas taxas de juros americanas provoca o que para o resto do mundo? Geralmente, os juros que o mundo cobra para todos os outros países são os juros americanos (...). Logo, ao ter juros americanos mais altos, foi imposto a todos os outros países um custo financeiro mais alto para conseguir se financiar — afirmou Galípolo.


E completou:


— Pelo lado financeiro, isso está penalizando os países emergentes e de baixa renda, em especial países latino-americanos e africanos.


Galípolo chamou isso de efeito Trump trade. O economista explicou que as propostas de deportação em massa de imigrantes e adoção de tarifas para produtos importação podem elevar a inflação do país.


O diretor do BC falou ainda sobre a formação de uma nova arquitetura financeira global, a qual agregaria nações de economias menores no debate sobre a condução da economia mundial, a fim de diminuir sua dependência de outros países mais desenvolvidos.


Galípolo relatou como o aumento dos juros em países ricos após a pandemia — resultado do endividamento e consequente aumento da inflação que vivenciaram durante o período — tem afetado os emergentes.


— Se eu tenho um estoque de dívida maior e juros maiores, o que acaba acontecendo (...) é aí que eu preciso cada vez mais de dinheiro para conseguir rolar essa dívida. Isso fez com que as economias avançadas tivessem que sugar mais dinheiro do mercado global para conseguir rolar e pagar sua própria dívida — pontuou.


Para Galípolo, o arranjo financeiro global visto atualmente — e que se intensificou com a imposição do dólar como moeda internacional — está “penalizando, de novo, aqueles países que historicamente já foram penalizados e com os quais a Humanidade tem uma dívida histórica”, citando especialmente nações da América Latina e do continente africano.


O economista disse também que há muito questionamento sobre a globalização hoje em dia, em especial na maneira em que isso afeta os países emergentes e subdesenvolvidos. Na visão dele, a resposta não está em desglobalizar as economias, mas desenvolver a participação destas outras nações dentro do debate monetário e comercial internacional.


— Reglobalizar. É uma ideia que não significa não ser crítico à globalização que ocorreu e não (perceber) que essa globalização ofereceu problemas — disse Galípolo. — Mas se a globalização econômica teve bastante sucesso, faltou inserir critérios de gestão nesse processo naquilo que se trata de sustentabilidade social, de justiça social e de sustentabilidade ambiental.


 


Adriana Fernandes - As contradições do ajuste fiscal à brasileira / Notícias recentes de uma única semana demonstram como é quase uma tarefa impossível sanear as contas públicas do Brasil- Folha SP 15/11


Enquanto o ministro Fernando Haddad (Fazenda) tenta conseguir convencer o presidente Lula (PT) e seus ministros sobre a necessidade de cortar despesas para valer, notícias da última semana demonstram como é quase uma tarefa impossível sanear as contas públicas do Brasil.


Estados mudam incentivos fiscais para driblar a lei que tributou as subvenções estaduais e que reduziam a arrecadação do Imposto de Renda e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).


Com apoio do governo Lula, o presidente da Câmara, Arthur Lira, voltou a pautar PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que amplia a imunidade tributária para templos religiosos. Como mostrou a coluna Painel, da Folha, o governo articulou para que a aprovação da PEC esteja condicionada à aprovação da regulamentação da reforma tributária, ainda em tramitação no Congresso.


A primeira turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em mais uma decisão sobre a eterna "tese do século", decidiu que o chamado DIFAL de partilha, ICMS que é cobrado do consumidor final localizado em um estado diferente de onde está a empresa que vendeu a mercadoria, pode ser excluído da base de cálculo do PIS/Cofins.


O projeto de lei que regulamenta a reforma tributária está sob ataques de lobbies de toda a natureza. Como noticiou a Folha, senadores pedem isenção de castanhas, açaí, pamonha e bacalhau na cesta básica.


Emendas constitucionais e leis mal formuladas são um prato cheio para litígios judiciais intermináveis e que se tornam muito caros para o país, já que o custo envolvido nessas disputas costumam ser bilionários, tudo regado à taxa Selic e grandes honorários advocatícios.


Não à toa, vários especialistas em tributação defendem que a emenda constitucional da reforma tributária deve ser alvo de questionamentos no STF (Supremo Tribunal Federal) enquanto o novo sistema ainda não está valendo.


Muitos têm receio de que se repita o que está acontecendo com a reforma da previdência, aprovada em 2019. Ela está sendo objeto de uma série de questionamentos e declarações de inconstitucionalidade que afetam diretamente a arrecadação da contribuição previdenciária dos segurados e impactam o caixa do governo e, possivelmente, o ajuste fiscal.


Como discurso político para contrapor medidas impopulares, que atingem benefícios sociais, Lula e auxiliares palacianos querem que o pacote de corte de gastos atinja os super-ricos, o chamado "andar de cima", e corte subsídios.


A estratégia, que não é consenso dentro do governo Lula (Haddad quer que o pacote se concentre nas medidas de gastos) pode jogar fora a última oportunidade de enfrentar o problema neste terceiro mandato de Lula.


Não bastasse a má vontade de esferas do Executivo e outros Poderes, que nunca estão a fim de colaborar para o controle de gastos, muitas decisões tomadas no presente tornam-se problemas imponderáveis e imprevisíveis no futuro de quem pretende fazer os gastos públicos caberem dentro de um orçamento inteiramente engessado e com pouca margem de manobra para ajuste.


Controlar as contas públicas é o exercício difícil para apenas um ministro ou um Poder.


 


G20 BRASIL/MERCADANTE: BNDES VAI CONTRIBUIR PARA CONTAS DO GOVERNO VIA RESULTADO PRIMÁRIO- Broadcast 15/11


Por Daniela Amorim


Rio, 15/11/2024 - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta sexta-feira, 15, que o banco de fomento deve firmar vários acordos de captação de recursos durante os dias de G20 no Rio de Janeiro. A perspectiva é que os valores sejam “extraordinários”, mas serão divulgados apenas ao fim da cúpula de líderes, que ocorre nos dias 18 e 19.


“Nós, ao final do G20, vamos anunciar, vamos ter várias assinaturas, com valores extraordinários para o BNDES. Mas não vou fazer isso agora, primeiro inclusive em respeito aos parceiros, porque cada um é uma assinatura, é uma linha de crédito, é um projeto. Então vamos aguardar que no final nós vamos anunciar”, afirmou Mercadante a jornalistas, após participação no G20 Social, no Rio de Janeiro.


Questionado sobre se o BNDES contribuiria para os esforços do governo de corte de gastos, Mercadante afirmou que o banco de fomento daria sua contribuição via resultado primário.


“Nós vamos encaminhar dividendos de R$ 25 bilhões para o Tesouro Nacional. É 127% do lucro do banco. Mais os impostos, são R$ 38 bilhões. E temos a primeira parcela, que é a devolução de subsídios do passado, que é aquele acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União)", disse.


"Então é um volume de recursos extraordinário. E o BNDES está fazendo um grande esforço, inclusive para preservar outras áreas, como educação, saúde, políticas sociais. O nosso esforço é muito importante", acrescentou.


"Nós tivemos o terceiro melhor resultado do sistema financeiro nesses nove meses, R$ 19 bilhões de lucro, e esse é um esforço que o banco está fazendo para poder contribuir com o resultado primário e com o arcabouço fiscal.”


 


TEMER: TETO DE GASTOS ERA DE CONCRETO; ARCABOUÇO, DE PALHA- Broadcast 15/11


Por Caio Spechoto


Brasília, 15/11/2024 - O ex-presidente Michel Temer fez, nesta sexta-feira, 15, uma crítica à regra fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Lide Brazil Conference, em Lisboa, capital portuguesa. Temer comparou o teto de gastos de sua gestão a uma estrutura de concreto. E o arcabouço elaborado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a uma estrutura de palha.


"Interessante a ideia do teto, que na verdade é uma coisa para diminuir a dívida pública, o objetivo do teto é diminuir a dívida pública e, portanto, não pagar juros excessivos em relação à dívida pública. Ele ainda existe. O tal do arcabouço, o que é o arcabouço hoje? Nada mais do que um teto reajustado", disse Michel Temer.


"Se no nosso teto era apenas aplicar a inflação para o Orçamento seguinte, hoje é inflação mais 0,5% [na verdade, 0,6%] mais 2,5% da receita líquida. Eu considero que nosso teto era um teto de concreto. Esse é um teto, quem sabe, de palha. Não se sabe se vai dar certo, porque houve uma modificação. Mas é um teto ainda, a ideia do teto", declarou o ex-presidente.


Popular no mercado financeiro, o teto de gastos adotado por Temer em seu governo teve a oposição de forças políticas de esquerda, como o PT. O partido de Lula também considera que o emedebista e ex-presidente da República aplicou um golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff para chegar ao poder. Petistas costumam rejeitar comparações entre o teto de gastos e o arcabouço fiscal.


Temer também mencionou em seu discurso a relação com o Legislativo. Os partidos de esquerda têm poucos representantes no Congresso, o que dificulta a articulação política de Lula e o faz ter períodos turbulentos na relação com deputados e senadores.


"[No meu governo,] trabalhamos em conjunto com o Congresso Nacional. Há um outro equívoco no País, achando que o presidente da República pode tudo fazer, ou que o governador pode tudo fazer. Nós sabemos que quem governa o País é o Executivo mais o Legislativo. Se você não tiver o apoio do Legislativo, não consegue governar", declarou Michel Temer.


 


ESTADÃO: TRAJETÓRIA FISCAL É INSUSTENTÁVEL PARA O PAÍS, DIZ FEBRABAN- Broadcast 15/11


Por Gabriel Vasconcelos


Rio, 15/11/2024 - Ao analisar o contexto em que o governo Lula está sendo pressionado a cortar gastos para tentar desarmar uma bomba inflacionária e conter a alta dos juros, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou ontem que o Brasil tem uma trajetória fiscal não “sustentável”. “Mas essa não é uma crítica ao governo, é um problema do País”, acrescentou, em evento do Lide em Lisboa, Portugal.


O líder do segmento bancário vê necessidade de redução de gastos obrigatórios, vinculações e indexações do Orçamento. “A equipe econômica vem defendendo colocar mais despesas dentro do arcabouço fiscal”, afirmou.


‘PODA RESPONSÁVEL’. Enquanto isso, no Brasil, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, definiu o pacote de corte de gastos em elaboração pelo governo como uma “poda responsável em uma árvore que está crescendo”. Segundo ele, o tempo do anúncio é decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está “ouvindo várias áreas” antes de decidir.


“Toda árvore que está crescendo precisa ser podada de forma responsável, organizada, para que os frutos fiquem maiores; e as raízes, mais fortes”, disse. Não será um corte radical, “feito com serra elétrica”, como já teria acontecido no passado. “A serra elétrica nos fazia perder todo o trabalho feito anteriormente. E queremos preservar a rota de crescimento.”


 


Fim da escala 6×1: número de deputados que apoiam PEC chega a 231 / Projeto já alcançou apoio necessário para o projeto começar a tramitar, que era de 171 dos 513 deputados-Cnnbrasil 15/11


Douglas Porto


A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 — uma folga a cada seis dias de trabalho — chegou a 231 assinaturas nesta sexta-feira (15), de acordo com a equipe da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora do projeto.


O projeto já alcançou o apoio necessário para começar a tramitar no Congresso. Eram necessárias as assinaturas de ao menos 171 dos 513 deputados.


A medida prevê que a duração do trabalho não seja superior a oito horas diárias e 36 semanais, com jornada de quatro dias por semana e três de descanso, ou seja, passaria a valer a escala 4×3.


Em entrevista à CNN, Hilton afirmou que a proposta “vai ter um tempo de transição” para os empregadores.


“Essa mudança vai ser gradual. O texto prevê um tempo, e esse tempo pode ser adaptado a depender das conversas que nós façamos com os setores, para entender a dinâmica dessa mudança“, declarou.


 


Oposição e ala do Centrão estudam propostas de “contra-ataque” para PEC 6×1 / Alternativas incluem trabalho remunerado por hora e jornada reduzida também para funcionalismo público- CnnBrasil 15/11


Julliana Lopes


Na tentativa de viabilizar um contra-ataque à PEC que reduz a escala 6×1, uma ala do Centrão e parlamentares da oposição começaram a retirar das gavetas propostas que possam se sobrepor a discussão que tomou conta das redes sociais e do Congresso Nacional.


Nas mãos dos integrantes do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, está o rascunho de um texto que permite a flexibilização da jornada de trabalho para o funcionalismo público.


O aceno ao setor, ainda em fase de estudos, inclui o esquema 4×3 – quatro dias consecutivos trabalhados para três de folga – para categorias diversas de servidores.


A ideia foi embalada por um discurso feito pelo ex-presidente, nesta semana, sobre o assunto. Em evento da legenda, Bolsonaro admitiu a ampla repercussão nas redes sociais e orientou correligionários a procurarem, com cautela, maneiras de se oporem à PEC do PSOL.


Ainda que descrente sobre as chances reais de aprovação da proposta defendida pela deputada Erika Hilton (PSOL), uma ala do Centrão também resgatou a ideia possibilitar ao trabalhador CLT a escolha por um regime baseado em horas trabalhadas, como já ocorre nos Estados Unidos.


Entre os parlamentares, circula um texto prévio do deputado Maurício Marcon (Podemos), que estabelece calcular as remunerações a partir de um cálculo que considere o salário mínimo nacional (ou piso da categoria) e também um valor mínimo para a hora trabalhada.


“As mudanças asseguram também que todos os direitos trabalhistas — incluindo férias, décimo terceiro salário, FGTS e outros benefícios legais — sejam proporcionais à carga horária efetivamente trabalhada no regime flexível. Essa medida permite que o trabalhador mantenha seus direitos em conformidade com a jornada escolhida”, defende o parlamentar no texto.


Para além dos discursos e objetivos, as inciativas precisam ainda passar pelo primeiro crivo: 171 signatários.


 


GLEISI: CAMPOS NETO DIZER QUE REDUÇÃO DE JORNADA PREJUDICARIA TRABALHADOR É CARA DE PAU- Broadcast 15/11


Por Caio Spechoto


Brasília, 15/11/2024 - A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, voltou a criticar nesta sexta-feira, 15, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Dessa vez, a petista disse que é “cara de pau” do chefe da autoridade monetária dizer que uma redução na jornada prejudicaria trabalhadores.


“Que Roberto Campos Neto não entende nada sobre a vida e as necessidades de quem trabalha pra ganhar a vida num país com as maiores taxas de juros do mundo, isso não é novidade pra ninguém. Mas dizer que o fim da jornada 6x1 vai prejudicar os trabalhadores é muita cara de pau”, disse Gleisi em seu perfil no X, antigo Twitter.


“A declaração serve, pelo menos, para deixar bem claro de que lado ele está, e não é o lado dos trabalhadores nem o do Brasil”, afirmou a petista.


Na quinta-feira, 14, Campos Neto falou sobre a discussão em torno da jornada de trabalho durante uma palestra. “É um projeto que acho bastante prejudicial para o trabalhador, porque no final vai aumentar o custo de trabalho, a informalidade, e diminuir a produtividade”, declarou o chefe do Banco Central na ocasião.


Campos Neto é alvo frequente das críticas de Gleisi Hoffmann por causa da taxa de juros fixada pelo Banco Central. Petistas identificam no chefe da autoridade monetária um aliado do bolsonarismo, por causa da proximidade que ele teve com o ex-presidente Jair Bolsonaro na gestão anterior. Campos Neto deixará o cargo no ano que vem e será substituído por Gabriel Galípolo, que tem a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Mudar escala 6x1 ‘destruiria quantidade de emprego monumental’, diz sociólogo José Pastore / Redução da jornada de trabalho para 36 horas teria de ser acordada em negociação coletiva, defende especialista, ou elevaria custo da folha salarial em 18%, mas produtividade não subiria no mesmo ritmo para compensar perdas- O Globo 16/11


Glauce Cavalcanti


A redução, por lei, da jornada de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso), de 44 horas para 36 horas semanais, como consta de proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), não é viável, afirma o sociólogo José Pastore, especialista em relações trabalhistas.


— O aumento na folha salarial do país será de 18%. É uma coisa estratosférica —, afirma, acrescentando que isso demandaria um aumento de produtividade da mesma ordem.


Para ele, o caminho para uma mudança nessa direção passa obrigatoriamente por um modelo de implementação progressiva e acordado em negociação coletiva.


Reduzir a jornada 6x1 é viável?


Seis por um é uma coisa, 36 horas é outra. No Brasil de hoje, (a jornada) 6x1 já está muito mesclada com a 5x2. Muitos setores já trabalham assim, aqueles que podem. Agora, reduzir para 36 horas é um impacto econômico que não pode ser desprezado, porque é muito grande.


Não seria absorvível?


Os aumentos salariais anualmente giram em torno de 1,5% a 2%. Essa magnitude é negociada entre as partes, e é o que a sociedade tolera em toda as frentes. Se reduzir a jornada de 44 horas para 36 horas, o aumento da folha salarial do país será de 18%. É uma coisa estratosférica. E isso vai atingir também o setor público, porque tem muitas áreas em que os servidores são celetistas, e não trabalham 36 horas, trabalham 40 horas, 42 horas, 44 horas.


Então, uma pancada repentina de 18% no custo do trabalho faria com que as empresas tenham pela frente um enorme desafio. Algumas tentariam passar isso para o preço, mas nem todas conseguem. Aquelas que não conseguem talvez tenham que optar pela informalidade, que já é enorme no país, de quase 40%. Mas uma boa parte simplesmente quebraria. E isso destruiria uma quantidade de emprego monumental. Não é possível se fazer isso por lei. Agora, se você falar que vamos fazer isso via negociação, tudo bem. Dá tudo certo. É assim que os países fazem no mundo inteiro.


A proposta defende que a mudança seja feita de forma progressiva...


Essa forma progressiva é a que melhor se encaixa na negociação coletiva. E negociação coletiva já existe no Brasil, já existe no mundo inteiro exatamente para fazer de maneira progressiva. Aqueles setores que podem fazer vão fazer, vão reduzir o que acham tolerável, e as partes são assistidas pelos seus sindicatos e vão também se inteirando daquilo que é viável e daquilo que é inviável. Então, é uma maneira inteligente de fazer, (de forma) progressiva, certamente, que é mais ajustada a aquilo que é o padrão mundial de redução de jornada.


Mas pressupõe um aumento de produtividade.


Um aumento de 18% (do custo da folha salarial), teoricamente só poderia ser realizado se você tivesse um aumento de 18% de produtividade. Esse número é impensável no campo da produtividade, que aumenta meio por cento, 1%, 2%. Além do mais, o Brasil está com a produtividade muito baixa, muito aquém de outros países, e isso tem sido uma constante.


Se você pegar ao longo dos (últimos) 30 ou 40 anos, o Brasil não tem uma curva de produtividade, ele tem uma linha horizontal parada e que parece mais um eletrocardiograma de morto, não se mexe. Não tem a menor possibilidade de falar que vamos compensar isso com ganhos de produtividade. É uma pancada de aumento muito agressiva, de grande magnitude. Não tem condições de querer que a economia continue funcionando normalmente com a elevação do custo do trabalho dessa maneira.


Países que têm testado a jornada de quatro dias relatam ganho em produtividade.


Tem jornada de quatro dias, não tem nem dúvida. São países que fizeram isso através de negociação e pari passu com os ganhos de produtividade.


Por que está havendo um aumento de ações trabalhistas no país?


Isso voltou a ser um problema grave depois que a Justiça do Trabalho tomou algumas decisões contrárias à Reforma Trabalhista (aprovada no governo Michel Temer). Uma delas foi considerar a Justiça do Trabalho gratuita para todas as pessoas. A lei trabalhista foi muito clara: é gratuita para quem ganha até R$ 3 mil por mês. Quem ganha mais que isso tem que comprovar que está com uma dificuldade econômica séria.


Mas Justiça do Trabalho resolveu adotar um “liberou geral”. E isso é um convite para advogados inescrupulosos — porque há muito advogado sério no país —, que falam assim: “Opa, não tenho nada a perder, vou entrar com ação. Vou fazer 30 pedidos”. Dá um trabalho enorme para o juiz e cria uma despesa enorme para o erário público. Então, a Justiça do Trabalho, de um modo geral, parece que ainda não está convencida de que a reforma trabalhista é uma lei e que o juiz tem que seguir essa lei.


Isso vai esvaziando a reforma?


Exatamente. Tem vários outros fatores, eu citei um. Há vários outros solapando a reforma. Esses juízes estão inconformados com a lei e prolatam sentenças que são contra a lei e às vezes até contra a Constituição.


Mas são em benefício do trabalhador? Qual a motivação?


A motivação é ajudar o trabalhador, mas no fim das contas acaba prejudicando, porque quando o juiz prolata uma sentença dentro do bom espírito humanista, humanitário, de ajudar o trabalhador, precisa entender que a economia vai reagir em relação a essa sentença. E essa reação pode ser no sentido de ajudar o trabalhador, mas pode ser no sentido de prejudicá-lo.


Por exemplo, quando se prolata sentenças uma atrás da outra, como está acontecendo agora, e que são contra aquilo que está na lei, os agentes econômicos se sentem inseguros, desnorteados e retraem os investimentos, retraindo os empregos, e isso prejudica os trabalhadores. As sutilezas que estão ocorrendo na conduta da Justiça do Trabalho estão enfraquecendo a Reforma Trabalhista.


Wall Street fecha em queda com mercado temendo menos cortes de juros nos EUA / O tom cauteloso de Jerome Powell ontem, de “não ter pressa” para cortar as taxas de juros, continua reverberando nos mercados nesta sexta-feira- Valor 15/11


Arthur Cagliari  Com Dow Jones Newswires


As ações em Nova York encerraram o pregão desta sexta-feira em queda, diante do receio dos investidores de que o Federal Reserve (Fed) possa entregar menos cortes de juros nos Estados Unidos do que os investidores imaginavam. Em meio a dados que apontam para um processo desinflacionário um pouco mais lento e com as perspectivas de que mudanças na política econômica americana possam trazer novamente a inflação, agentes ajustaram posições no mercado acionário hoje.


No fim do dia, o S&P 500 recuou 1,32%, aos pontos; o Dow Jones fechou em queda de 0,70%, aos pontos; e o Nasdaq caiu 2,24%, a pontos.


Após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ter indicado menor inclinação a cortar os juros em evento ontem, hoje, a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, afirmou que uma redução nos Fed Funds em dezembro “está na mesa, mas não é certa".


As declarações ocorrem em meio aos dados de atividade e inflação divulgados nesta semana, que indicaram que o caminho até a meta de 2% do banco central, segundo o próprio Powell, “será acidentado".


Assim, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de dezembro caiu de 72,2% para 58,4%, ao passo que a chance de manutenção subiu de 27,8% para 41,6%.


Segundo o estrategista de ações para Estados Unidos do Citigroup, Scott Chronert, “a ação do mercado reflete como os participantes se sentem: exaustos", disse. “O aspecto positivo de um foco na eficiência dos gastos do governo foi compensado por escolhas controversas em outros departamentos. Ainda assim, as principais posições econômicas não foram anunciadas, e continuamos em um cenário de incerteza política", afirma.


Além disso, na visão do profissional, os dados de inflação e vendas no varejo, juntamente com o discurso de membros do Fed, colocaram em dúvida a trajetória dos Fed Funda. “As taxas de 2 e 10 anos aumentaram e a volatilidade das taxas realizadas está subindo. Tudo isso prejudica nossa estimativa justa de P/L [preço/lucro]”.


“Por fim, estamos trabalhando com níveis de sentimento eufóricos e expectativas implícitas de crescimento em níveis máximos pós-2008. De modo geral, há muita pressão sobre os fundamentos para que eles sejam cumpridos, o que pode explicar uma recente realização de lucros após ao rápido rali pós-eleitoral", conclui.


 


PETRÓLEO FECHA EM QUEDA DE MAIS DE 2% COM PREOCUPAÇÕES DE DEMANDA GLOBAL E DÓLAR FORTE- Broadcast 15/11


Por Thais Porsch*

São Paulo, 15/11/2024 - Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda acentuada hoje, permanecendo pressionados pelas persistentes preocupações sobre o cenário de demanda global, a alta dos estoques do combustível fóssil nos Estados Unidos e a valorização do dólar na semana.


Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para dezembro fechou em queda de 2,44% (US$ 1,68), a US$ 67,02 o barril, enquanto o Brent para janeiro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 2,09% (US$ 1,52), a US$ 71,04 o barril.


Ambos os contratos de referência caíram essa semana. O WTI recuou 4,7%, enquanto o Brent teve queda de 3,8% depois que o dólar subiu em relação a uma cesta de outras moedas importantes após a vitória de Donald Trump para a presidência dos EUA, tornando o petróleo denominado em dólar mais caro para compra por outros países. Enquanto isso, a desaceleração do crescimento da demanda na China, principal importador da commodity, e as perspectivas de um excedente de oferta global no próximo ano continuam a direcionar um sentimento de baixa no mercado.


Os traders também têm avaliado o possível impacto de uma segunda presidência do presidente eleito nos EUA, Donald Trump: no curto prazo, o principal risco seria uma aplicação mais rigorosa das sanções contra o Irã, o que restringiria as exportações e provavelmente impediria que os preços caíssem ainda mais - um elemento que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (OPEP+) terá de levar em consideração em sua próxima reunião de dezembro.


No longo prazo, o mercado está avaliando a possibilidade de o novo governo reverter algumas regulamentações climáticas e abrir mais áreas e águas para a perfuração de petróleo e gás. “Entretanto, levará algum tempo até que isso seja implementado”, disseram os analistas do Commerzbank. “É provável que os efeitos não sejam vistos até 2026”.


 


PETROBRAS/COPPETTI: PLANO ESTRATÉGICO JÁ ESTÁ EM AVALIAÇÃO NO CA; ESTAMOS DENTRO DO CALENDÁRIO- Broadcast 15/11


Por Gabriel Vasconcelos


Rio, 15/11/2024 - A diretora de assuntos corporativos da Petrobras, Clarice Coppetti, disse hoje que o Plano Estratégico 2025-2029 da Petrobras já está sendo avaliado no âmbito do Conselho de Administração da companhia e não terá mudanças radicais com relação ao anterior.


O documento, confirmou Coppetti, vai ser aprovado no dia 21 e divulgado ao público no próximo dia 22, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Junto com o plano para os próximos cinco anos, haverá, também, um documento com a visão da companhia para 2050. A diretora da Petrobras falou a jornalistas durante evento paralelo do G20, no Rio de Janeiro.


"O plano está pronto, tudo fechado para ser divulgado no dia 22. Está todo estruturado, sendo aprovado nas instâncias da companhia. Já está sendo encaminhado no nosso Conselho de Administração", disse Coppetti.


A diretora não deu detalhes sobre o montante de investimento do próximo quinquênio. Mas afirmou que não haverá mudanças radicais de prumo.


"Nenhuma empresa do tamanho da Petrobras, com a responsabilidade que tem, faz, de um ano para outro, uma mudança radical no plano estratégico", disse Coppetti. "Nós queremos, sim, manter o nosso nível de reserva e vamos continuar com as nossas campanhas de perfuração", continuou, indicando que o investimento em E&P seguirá sendo o principal dentro da empresa.


Nos bastidores, fala-se em US$ 110 bilhões em investimentos para o período de 2025 a 2029. O último plano, até 2028, previa USS$ 102 bilhões, com parcelas anuais que não vinham sendo alcançadas.


Segundo Coppetti, o novo plano quinquenal está em linha com os compromissos da Petrobras, não só na continuidade dos projetos, mas na busca por manter o nível das reservas de óleo e gás e trazer segurança energética para o País. "Teremos um investimento do tamanho de uma empresa que é a maior da América Latina", afirmou.


 


‘Não acredite em euforia’, diz relatório da XP sobre possível privatização da Cemig / Em relatório, instituição financeira destaca relação tensa do Legislativo estadual com o governador e sustenta projeto possui pouco tempo para ser avaliado devido às eleições de 2026- Valor 15/11


Ana Beatriz Bartolo


Os projetos de lei que viabilizam a privatização da Copasa e da Cemig possuem poucas chances de serem aprovados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), avalia a XP, visto que governo de Romeu Zema (Novo) e o Legislativo estadual possuem uma relação tensa.


Em relatório intitulado “Cemig: Não acredite na euforia”, a instituição financeira sustenta que os projetos possuem pouco tempo para serem avaliados, já que no segundo semestre de 2026 haverá eleições estaduais e federais, o que torna qualquer privatização mais difícil de implementar.


A constituição de Minas Gerais dificulta a privatização de ativos do Estado. A legislação local exige a aprovação da ALMG e um referendo antes de qualquer tentativa de privatização. Para contornar isso, uma mudança na constituição é necessária, exigindo pelo menos 60% dos votos da assembleia, o que a XP acredita ser difícil de acontecer considerando a relação entre a ALMG e Zema.


Outro ponto destacado pelo banco é que, no caso da Copasa, o projeto de lei estabelece uma autorização para a empresa alterar seus contratos com os municípios, estendendo o período da concessão ou seu propósito, e para incorporar a subsidiária Copanor, que opera concessões no norte do Estado.


Para a XP, isso estabelece outra dificuldade para o avanço da privatização da Copasa, porque os municípios atendidos pela empresa, incluindo a capital Belo Horizonte, devem concordar com uma solução comum para as concessões, o que pode ser um processo demorado.


Em paralelo com a privatização recente da Sabesp, a XP explica que a aprovação da assembleia estadual veio acompanhada de um acordo com todos os municípios atendidos, o que fez com que o tempo entre a aprovação da assembleia estadual e a privatização final fosse curto.

News 1711

 NEWS - 17.11


Pacote de Haddad para conter gastos deve ter impacto de R$ 70 bi em 2025 e 2026 / Limitar ganho real do salário mínimo deve ser uma das medidas; anúncio ocorrerá após – Folha SP 17/11


Idiana Tomazelli


O pacote de medidas de contenção de gastos, elaborado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), deve ter um impacto de cerca de R$ 70 bilhões nas contas públicas nos primeiros dois anos.


A economia é estimada por integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões em 2025. Já em 2026, o alívio é calculado em R$ 40 bilhões.


O anúncio das ações que compõem o pacote ocorrerá após a Cúpula do G20, que acontece no Rio de Janeiro na segunda (18) e na terça-feira (19).


Os valores foram divulgados primeiro pela revista Veja e confirmados pela Folha. Na última quarta-feira, Haddad disse que o impacto do pacote seria "expressivo", mas não citou valores.


Uma das principais medidas deve ser a limitação do ganho real do salário mínimo, com o objetivo de alinhar a política de valorização às regras do arcabouço fiscal —cujo limite de despesas tem expansão real de 0,6% a 2,5% ao ano.


Pela regra atual, o salário mínimo teria ganho real de 2,9% em 2025, conforme o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Em 2026, a alta seria acima de 3%, considerando as projeções para o crescimento neste ano.


Em ambos os casos, a valorização supera o ritmo de expansão do arcabouço, o que por si só poderia criar uma pressão por dentro da regra, levando ao achatamento de outras despesas.


Como antecipou a Folha, limitar os ganhos reais do salário mínimo pode render uma economia de R$ 11 bilhões até 2026. A conta considera um aumento de 2,5% acima da inflação no ano que vem, no limite permitido pela regra fiscal, e de 2% em 2026, em linha com a expansão prevista para o teto de despesas naquele ano.


Em um horizonte mais longo, de quatro anos, a economia com a medida pode chegar a R$ 22 bilhões, segundo cálculos internos do governo.


Parte dos aliados de Lula já vinha alertando que, sem mexer na política do salário mínimo, o pacote de contenção de despesas teria alcance limitado. Cerca de 27% do total de despesas primárias do governo federal são indexadas pelo piso, incluindo benefícios previdenciários, assistenciais, abono salarial e seguro-desemprego.


Na quarta, o ministro da Fazenda afirmou que o princípio por trás das medidas é que as despesas sigam a mesma regra do arcabouço "ou alguma coisa parecida com isso, mas que atenda ao mesmo objetivo".


O pacote também deve incluir outras ações. O governo pretende fortalecer as ferramentas antifraude nos benefícios sociais, com foco na Previdência Social e no BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.


Já a desvinculação de benefícios sociais em relação ao salário mínimo, defendida por economistas e pelo mercado pelo impacto potente que produziria nas contas, está descartada. Segundo um integrante da equipe econômica, a desvinculação das aposentadorias nunca esteve na mesa, e a do BPC foi citada, mas rejeitada.


O governo também deve mexer no abono salarial, espécie de 14º salário pago a trabalhadores com carteira assinada e que ganham até dois salários mínimos (hoje, equivalente a R$ 2.824).


O diagnóstico é que o benefício, que custará R$ 30,7 bilhões em 2025, pode ser mais focado nos mais pobres. Sob as regras atuais, a própria política de valorização do salário mínimo tem contribuído para que um número cada vez maior de pessoas tenha direito ao repasse. Reduzir o critério de concessão é "um desenho possível", segundo um dos participantes das conversas.


Qualquer alteração no abono, porém, não surtirá efeitos em 2025 e 2026, pois o benefício é pago dois anos após a aquisição do direito. Isso significa que os trabalhadores que preencherem as regras vigentes em 2024, antes da mudança, só receberão o benefício em 2026.


Técnicos do governo consideram que esse é um direito adquirido, que não será subtraído pelas propostas. Por isso, as alterações no abono só devem ter impacto a partir de 2027. Ainda assim, anunciá-las e implementá-las agora daria previsibilidade sobre a trajetória dessa despesa.


O governo também pode incluir mudanças nas regras do seguro-desemprego, como a equiparação dos prazos para concessão do benefício. Hoje, o período de carência (tempo mínimo de trabalho para ter direito ao seguro) cai à medida que o trabalhador reincide na solicitação.


O diagnóstico da equipe econômica é que não faz sentido cobrar mais tempo de trabalho de quem nunca precisou da proteção e menos daqueles que fazem uso mais recorrente da política. Seria recomendável igualar os prazos, pelo menos, ou torná-los progressivos.


Nos últimos dias, a equipe da Fazenda também discutiu com o Ministério da Defesa a possibilidade de incluir ações que alcancem os militares das Forças Armadas. Uma das alterações em análise envolve as pensões para familiares dos "mortos fictícios", como são chamados os militares expulsos da força por condenação no Judiciário.


A equipe de Haddad também planeja incluir no pacote a regulamentação do teto remuneratório do funcionalismo, para barrar os supersalários na administração pública.


Se aprovadas, as mudanças envolvendo o funcionalismo e os militares não surtiriam grande impacto na redução das despesas obrigatórias, mas teriam um efeito simbólico.


Outra medida que pode entrar no pacote é a taxação dos super-ricos, vista como uma espécie de contrapartida às iniciativas que atingem benefícios sociais. Colaboradores de Lula têm insistido para que também haja ações que alcancem o chamado "andar de cima" da pirâmide de renda no Brasil.


Na quarta-feira, porém, Haddad disse que o cardápio de medidas deve se concentrar nos gastos, deixando iniciativas focadas nas receitas para um segundo momento. Ele tem resistido à inclusão da taxação dos super-ricos no pacote.


O anúncio das ações de contenção de despesas já foi adiado diversas vezes, o que contribuiu para ampliar as expectativas e a ansiedade do mercado em torno do tema.


A própria equipe econômica tem alimentado parte das expectativas ao sinalizar que a conclusão das negociações está próxima. No dia 6 de novembro, por exemplo, o próprio ministro da Fazenda afirmou que esperava ter uma decisão final de Lula após um encontro previsto para o dia seguinte. Na ocasião, Haddad disse que restavam apenas "dois detalhes" para a conclusão do pacote, até agora não anunciado.


 


Governo teme que taxação dos super-ricos não entre no comunicado final do G20 devido à resistência da Argentina / Apesar da pauta da taxação dos super-ricos já fazer parte da agenda econômica do governo brasileiro, ela é considerada ineficaz se não for adotada pelos demais países, já que pode haver evasão fiscal- Valor 16/11


Jéssica Sant'Ana


A taxação dos super-ricos, considerada uma prioridade pela presidência brasileira e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode não entrar no comunicado final dos países membros do G20, devido à resistência da Argentina.


Segundo apurou o Valor, esse e outros trechos da declaração ainda seguem pendentes de acordo, às vésperas da chegada dos líderes globais para a reunião de Cúpula do G20, que acontece na segunda (18) e terça-feira (19). As negociações são lideradas pelos sherpas, como são chamados os embaixadores que negociam os termos finais do comunicado do grupo.


Em discurso em outubro, em Washington, nos Estados Unidos, Haddad afirmou que a taxação dos super-ricos, incluída por consenso na declaração ministerial do Grupo de Trabalho (GT) de Finanças, era o maior legado da presidência brasileira do G20. "Devemos agir juntos para garantir que os super-ricos paguem sua cota justa em impostos de modo a combater a desigualdade”, disse o ministro na ocasião.


O texto da declaração ministerial dizia que os países membros do G20 buscariam cooperar para "garantir que os indivíduos ultra-ricos sejam efetivamente tributados".


"A cooperação pode envolver o intercâmbio de boas práticas, o incentivo a debates sobre princípios tributários e a criação de mecanismos contra a elisão e evasão tributárias, incluindo enfrentar práticas tributárias potencialmente nocivas", diz trecho do comunicado.


A inclusão desse trecho no comunicado ministerial foi considerado importante porque, apesar da pauta da taxação dos super-ricos já fazer parte da agenda econômica do governo brasileiro, ela é considerada ineficaz se não for adotada pelos demais países, já que pode haver evasão fiscal.


O documento ministerial, contudo, serve apenas como ponto de partida para as negociações dos sherpas para o comunicado final, que é assinado pelos Chefes de Estado.


A expectativa da presidência brasileira, segundo apurou o Valor, era que, mesmo suavizado, o compromisso de taxação dos super-ricos entrasse no documento final, porém, até este sábado (16), ainda há um impasse, devido à reação da Argentina, de Javier Milei.


Os negociadores brasileiros, contudo, ainda tentam encontrar um meio termo para que as conquistas do GT de Finanças entrem no documento final, apesar de toda a resistência vinda do lado argentino. Segundo relatos obtidos pelo Valor, somente à Argentina está se opondo ao trecho dos super-ricos, por isso a esperança brasileira de se chegar a um meio-termo.


 


Lula defende 'jornadas de trabalho mais equilibradas' em G20 Social / Fala ocorre em meio a debate sobre fim da escala 6x1 no Congresso- Folha SP 17/11


Yuri Eiras / Italo Nogueira


O presidente Lula afirmou neste sábado (16) no Rio de Janeiro, durante o encerramento do G20 Social, que os países do grupo das maiores economia do mundo devem discutir medidas para "promover jornadas de trabalho mais equilibradas".


A fala sobre a jornada de trabalho ocorre no momento em que o debate sobre a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso semanal) ganhou força nas redes sociais nos últimos dias.


Ele não fez referência à bandeira. No Armazém 3, local do encerramento do evento, estudantes da Uerj seguravam uma enorme faixa sobre o tema.


"O G20 precisa discutir uma série de medidas para reduzir o custo de vida e promover jornadas de trabalho mais equilibradas. Precisa ouvir a juventude, que enfrentará as consequências das tarefas que deixarmos inacabadas", afirmou o presidente.


"Para chegar ao coração dos cidadãos comuns, os Governos precisam romper com a dissonância cada vez maior entre a voz dos mercados e a voz das ruas. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e política que hoje assola as democracias", disse ele.


O discurso foi feita durante o encerramento do G20 Social, evento promovido pelo Brasil junto com movimentos sociais antes da realização da Cúpula do Chefes de Estado do grupo, marcado para segunda (18) e terça-feira (19), também no Rio de Janeiro.


O debate sobre a escala 6x1 ganhou força com uma PEC (proposta de emenda constitucional) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A proposta é a adoção de uma jornada de 36 horas semanais, dividida em quatro dias.


A redução da jornada de trabalho ganhou espaço em vários países, mas, no Brasil, ainda esbarra em questões como a dificuldade que o país tem em reduzir a informalidade e aumentar a produtividade de seus trabalhadores, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.


 


ESTADÃO: INADIMPLÊNCIA AVANÇA NO BRASIL, APESAR DO DESEMPREGO EM BAIXA- 17/11


Por Márcia de Chiara


Mesmo com o desemprego em baixa e a renda em alta, a quantidade de brasileiros que não consegue pagar as contas em dia tem aumentado. Em outubro, pelo segundo mês seguido, o número de inadimplentes cresceu: 73,1 milhões de pessoas não quitaram seus compromissos. Em janeiro, eram 72,9 milhões. Essa é a segunda maior marca de inadimplentes da série histórica iniciada em 2016. Só perde para o pico registrado em abril deste ano (73,4 milhões), apontam dados da Serasa, empresa especializada em informações financeiras, obtidos com exclusividade pelo Estadão.


O aumento da taxa básica de juros a partir de setembro deste ano, a escalada da inflação de alimentos, puxada pela carne bovina, e o redirecionamento do consumo das famílias de produtos para serviços, entre os quais estão os jogos eletrônicos, as bets, são fatores que têm corroído orçamento das famílias e dificultado a quitação dos débitos no prazo, segundo economistas.


“Independentemente do indicador utilizado, sejam dívidas em atraso, seja a capacidade de pagamento, houve uma tendência de alta da inadimplência no curto prazo”, afirma o economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes.


A piora aparece em vários indicadores da CNC. Em fevereiro, 28,1% das famílias estavam com contas em atraso, índice que subiu para 29,3% em outubro. A parcela das famílias inadimplentes também subiu no curto prazo: era 11,9% em julho e subiu para 12,6% no mês passado.


Além disso, o porcentual de famílias com dívidas pendentes há mais de 90 dias avançou em outubro ante setembro e atingiu mais da metade (50,4%) do total de endividados. Foi o maior resultado desde fevereiro de 2018, aponta a CNC.


Dados do Banco Central (BC) reforçam a virada a partir do segundo semestre da inadimplência dos créditos com recursos livres e vencidos acima de 90 dias. Em junho, esse indicador de inadimplência era de 5,48% dos créditos a receber, número que subiu para 5,62% em setembro - último dado disponível.


O VILÃO. No cartão de crédito parcelado, segundo dados do BC, a inadimplência acima de 90 dias atingiu 11,89% em setembro (mês em que começou novo ciclo de alta da taxa básica, a Selic, que encarece os juros, portanto a situação se agrava). É a maior taxa desde o início da série, em março de 2011. “As famílias estão penduradas no crédito mais fácil, no cartão parcelado, onde o critério (de concessão) é frouxo”, diz.


Luiz Rabi, economista da Serasa, compara a situação atual da inadimplência a um paciente internado numa unidade de terapia intensiva (UTI). “É um caso grave, preocupante, mas administrável”, avalia.


 


ESTADÃO: EM QUASE TRÊS ANOS, NÚMERO DE DEVEDORES SUBIU CERCA DE 11 MILHÕES- 17/11


Por Márcia de Chiara


Em quase três anos, o número de inadimplentes no País aumentou cerca de 11 milhões, o equivalente à população da cidade de São Paulo. O nível atual de 73,1 milhões de inadimplentes é elevado, porém estável. “O elevador subiu para o 20.º andar e lá ficou”, compara o economista Luiz Rabi, da Serasa, empresa especializada em informações financeiras.


Essa estabilidade em níveis elevados é resultado, segundo o economista, de duas forças agindo em sentidos opostos. Enquanto o desemprego baixo e a renda em recuperação puxam a inadimplência para baixo, a alta dos juros e da inflação empurram o calote para cima.


Com a entrada do pagamento do 13.º salário e as campanhas de renegociação de dívidas, a perspectiva é de que ocorra algum recuo da inadimplência em novembro e dezembro. Por isso, as vendas por ocasião da Black Friday e do Natal não devem ser afetadas.


LUZ AMARELA. “Estamos imaginando uma desaceleração da economia para 2025 e, provavelmente, o desemprego vai subir”, diz Rabi. Ele acrescenta que não se sabe ao certo quanto tempo levará para a inflação começar a recuar, apesar da certeza de que o juro continuará aumentando. Além disso, frisa que a conjuntura depende do impacto do pacote fiscal que está sendo costurado pelo governo.


O economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, pondera que a situação atual do calote não chega a ser um caso extremo. “Não estamos caminhando a passos largos para o abismo.” Ele observa, no entanto, que é uma situação menos confortável e que soou um sinal de alerta, uma luz amarela.


Segundo Bentes, há mudanças estruturais nas despesas das famílias, com aumento da participação dos serviços nos gastos. Em 2012, por exemplo, os serviços respondiam por cerca de uma terço do orçamento familiar, de acordo com dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Atualmente essa fatia subiu para 48% e quase empata com gastos com produtos (52%).


Isso explica, de acordo com Bentes, o fato de o comércio não estar se saindo tão bem mesmo com taxa de desemprego de 6,4%, a menor da série histórica do IBGE, e da massa de rendimentos com alta real (descontada a inflação) de 7%.


RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS. Desde 28 de outubro a Serasa está com o programa Feirão Limpa Nome, de renegociação de dívidas. O evento vai até o dia 29 de novembro e reúne mais de mil empresas entre varejistas, bancos, financeiras fintechs e prestadores de serviços, como energia elétrica, água e gás. Dívidas com pagamentos atrasados poderão ser negociadas por meio de aplicativos ou pelo site da Serasa. Há também atendimento presencial, em mais de 7 mil agências dos Correios de todo o País.


CARNE POR VERDURA. Faz quase um ano que o pedreiro Jilvan Ribeiro da Silva deixou de pagar o boleto do cartão do supermercado. Ele ficou inadimplente porque quebrou braço e não pôde trabalhar. Com a volta à atividade, ele quer quitar a dívida com o supermercado que, nas suas contas, era de cerca de R$ 800 quando deixou de pagar a fatura. “A vida está mais apertada, mas eu limpando o nome já fica melhor. No dia que não dá para comer carne, a gente come verdura, e está de bom tamanho.”


Adriano Vicente de Oliveira também pretende limpar o nome. Inadimplente desde a época da pandemia, quando ficou desempregado, voltou a trabalhar como auxiliar de limpeza e quer renegociar a dívida que acumula por conta da compra de um celular. Ele pretende se preparar para receber a filha, que vai nascer no ano que vem.


De acordo com Thiago Ramos, coordenador da Serasa, no feirão deste ano, 9,3 milhões de dívidas estão com descontos de 99%. “Os descontos neste ano estão mais favoráveis porque temos mais dívidas com esse abatimento.”


Um diferencial do feirão deste ano é o “carrinho de dívidas”, diz Ramos: o consumidor pode renegociar mais de uma dívida e pagar todas por meio de um único boleto, com o mesmo prazo de parcelamento, de até seis anos. Desde o início do feirão até a manhã de quarta-feira, 2,899 milhões de dívidas tinham sido renegociadas, pouco mais de 1% do total.


 


ESTADÃO: ANALISTAS PREVEEM O MENOR DESEMPREGO DA SÉRIE HISTÓRICA NESTE ANO- 17/11


Por Daniel Tozzi Mendes. Colaborou Luiz Guilherme Gerbelli


A taxa de desemprego deve encerrar o ano de 2024 no menor nível já apurado pela série histórica, iniciada em 2012, num resultado melhor do que o observado em 2013, quando a desocupação foi de 6,3% em dezembro, avaliam especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast.


O número deve refletir fatores conjunturais, como a economia aquecida nos últimos dois anos e o crescimento das contratações, mas também algumas questões estruturais, em especial, o fato de a taxa de participação no mercado de trabalho no País, embora crescente, ainda não ter recuperado o nível histórico do período pré-pandemia da covid-19.


Somado a isso, reformas estruturais, como a trabalhista, aprovada em 2017, levaram à redução da chamada taxa de desemprego natural, a Nairu (na sigla em inglês). Assim, diferentemente do cenário de 11 anos atrás, o desemprego baixo tende a permanecer de forma mais sustentada agora, gerando também menor pressão inflacionária, sobretudo nos itens mais sensíveis ao ciclo econômico, apontam os analistas.


Na projeção do economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, a taxa de desemprego medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) - que encerrou setembro em 6,4% - deve seguir caindo até atingir 6% em dezembro, acompanhando o tradicional aquecimento das contratações de fim do ano.


A previsão para o comportamento do mercado de trabalho é a mesma da Tendências Consultorias, que estima uma taxa de desocupação de 6% ao fim deste ano.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de participação no mercado de trabalho encerrou 2019 em 63,6%, ante 62,4% até o trimestre encerrado em setembro deste ano - dado mais recente disponível. O nível de agora é igual ao de 2013, quando a taxa de participação encerrou o ano em 62,4%.


A taxa de participação é o porcentual de pessoas que efetivamente participam do mercado - ocupadas ou desocupadas - dentro do total de pessoas em idade de trabalhar (acima de 14 anos, pelos critérios do IBGE).


MENOR PROCURA. Nos cálculos de Imaizumi, contudo, caso a taxa de participação no mercado de trabalho, isto é, o porcentual de brasileiros em idade para trabalhar que efetivamente buscam vagas, estivesse hoje nos níveis de 2019, a desocupação estaria entre 8% e 9%. “Por causa de uma saída maior das pessoas da força de trabalho durante a pandemia, convivemos hoje com taxas de desemprego muito mais baixas, não só no Brasil, mas no mundo todo”, explica.


De acordo com o economista, o que ajuda a explicar uma taxa de participação mais baixa do que no período pré-pandemia é a mudança na composição etária do País, com cada vez mais idosos no País - que tendem a procurar menos emprego -, e a expansão tanto do valor quanto do número de beneficiários de programas de transferência de renda.


“Quem saiu dessa força de trabalho teria uma probabilidade maior de estar desempregado”, afirma Fernando Veloso, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).


Em novembro, o Bolsa Família deve contemplar 20,77 milhões de famílias, segundo dados do governo federal, alcançando 54,37 milhões de pessoas. O valor médio do benefício previsto é de R$ 681,22. No Norte, chega a R$ 714,84.


REFORMA. Veloso afirma ainda que, diferentemente do que muitos imaginam, o principal efeito positivo da reforma trabalhista não vem da criação de novas modalidades de trabalho, como os contratos intermitentes ou parciais, mas sim da redução da insegurança jurídica, o que, obviamente, deixa as empresas mais protegidas para realizar eventuais contratações. “Houve queda dos processos na Justiça Trabalhista, porque antes não havia nenhum custo para o trabalhador entrar na Justiça contra a empresa.”


O pesquisador da FGV acrescenta que tanto a reforma quanto a queda da taxa de participação no mercado de trabalho levaram a uma taxa de desemprego natural - ou seja, a taxa de equilíbrio, que não gera pressão inflacionária - para um nível também mais baixo hoje.


Embora seja uma variável não observável, ele estima que a desocupação neutra passou de cerca de 10% na década passada para ao redor de 8% agora. A estimativa é parecida com a qual trabalha a LCA, que calcula que o desemprego natural na primeira metade de 2024 oscilou entre 7,5% e 8%.


 


Setor elétrico: Governo prevê investimentos de até R$ 500 bi com renovação de contratos / Ministério de Minas e Energia quer novas regras para as empresas, como penalidade em caso de demora no restabelecimento da energia após eventos climáticos extremos- O Globo 17/11


Bernardo Lima


Com a primeira leva de privatizações de distribuição de energia chegando perto do fim do prazo de contrato, o governo federal estima que o setor terá um novo ciclo de investimentos, que deve render aportes entre R$ 400 bilhões e R$ 500 bilhões até 2031. Ao todo, 20 concessões têm prazo de vigência se encerrando nos próximos sete anos e, nesse setor, muitas vezes a renovação é feita antes mesmo do fim do contrato, para garantir a continuidade do negócio. Entre as empresas com prazo perto do fim estão a Enel, de São Paulo, e a Light, do Rio.


Juntas, essas 20 concessões alcançam 62% do mercado nacional, atendem a 86 milhões de consumidores e respondem por uma receita bruta de R$ 269 bilhões. Estão em sete grandes grupos: Neoenergia, Enel, CPFL, Equatorial, Energisa, Light e EDP.


Nos anos 1990, o foco dos investimentos dessas distribuidoras foi principalmente a expansão da rede. Agora, a expectativa no Ministério de Minas e Energia é que as empresas invistam principalmente na melhora da qualidade dos serviços.


A engenheira Ana Paula Ferme, que atua na área de regulação econômica do setor, diz que o montante de investimentos previsto está acima do patamar histórico do setor. Segundo a especialista, os aportes podem dar um salto na qualidade, mas precisam ser bem direcionados:


— As distribuidoras devem priorizar investimentos que melhorem a confiabilidade e resiliência da rede. Entre as prioridades, destacam-se a modernização e digitalização das redes e a expansão da capacidade de atender à demanda crescente com qualidade.


Críticas à Enel


Em São Paulo, a Enel é alvo de críticas em diferentes esferas do poder, após os seguidos apagões em outubro, que atingiram 3,1 milhões de consumidores. Firmado em 1998, o contrato da Enel na Região Metropolitana de São Paulo se encerra em junho de 2028. Dentro do governo federal, a expectativa pelo encerramento da concessão é alta, e a tendência é não renová-la.


A vontade, inclusive, segundo interlocutores do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, era romper o contrato antes de seu término, sob avaliação de que a empresa perdeu a “legitimidade” para prestar o serviço após os apagões. No entanto, para isso, o governo precisaria que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avançasse com o processo contra a distribuidora, para dar uma base jurídica à ruptura.


Procurada, a Enel preferiu não se manifestar sobre perspectivas de investimentos e negociação de renovação do contrato.


A empresa ainda tem outros dois contratos de concessão no país, um no Estado do Rio, que abrange cidades como Niterói, e outro no Ceará. Eles terminam em 2026 e 2028, respectivamente. O governo ressalta que o índice de avaliação de qualidade pelos consumidores é baixo.


No Rio, o contrato da Light, cuja área de concessão abrange 31 dos 92 municípios fluminenses, incluindo a capital, termina em junho de 2026. No ano passado, a empresa, que está em recuperação judicial, entrou com um pedido antecipado para estender o contrato por mais 30 anos.


No Ministério de Minas e Energia, no entanto, a percepção é que o alto índice de reprovação pode dificultar o pleito. Em nota, a companhia afirmou que “acompanha de perto e de forma contributiva o processo de renovação da concessão”.


A legislação define que as empresas têm um prazo de 36 meses para manifestar interesse em assinar novos contratos, e o ministério, que representa a União como poder concedente, tem 18 meses para dar uma resposta. A decisão também leva em conta a recomendação feita pela Aneel, que avalia critérios técnicos, mas a palavra final é do governo.


A agência reguladora deve concluir em 2025 e 2026 as avaliações dos primeiros contratos que estão para encerrar nesse período. A partir daí, o governo vai tomar decisões concretas a respeito da renovação ou não das concessões.


Procurada, a Aneel afirmou que tratará dos requisitos para a renovação das concessões em “processo específico”, e que “portanto, neste momento, não há como definir se haverá ou não a renovação das referidas concessões.”


Meta para clima extremo


As renovações devem respeitar novas regras mais rígidas definidas pelo governo em junho. O decreto do Ministério de Minas e Energia traz 17 diretrizes para as prestadoras de serviço. Entre elas, a obrigatoriedade de metas na recomposição do serviço de energia em casos de situações climáticas extremas e a digitalização dos equipamentos das redes.


A publicação do decreto foi motivada principalmente pelos apagões que aconteceram nos últimos dois anos — como os da Enel em São Paulo. Além da melhoria na prestação dos serviços, com as novas diretrizes será mais fácil decretar a caducidade de contratos, segundo interlocutores do governo. A Aneel abriu uma consulta pública em outubro para discutir os modelos e termos dos novos contratos de concessão de distribuição de energia elétrica, em linha com o decreto.


Nos modelos de contrato atualmente vigentes, as distribuidoras estão sujeitas ao pagamento de reparações financeiras em casos de demora do restabelecimento do serviço em quedas de energia causadas por eventos ordinários, ou seja, que não estão relacionados a eventos climáticos. No entanto, o mesmo não está previsto em apagões causados por eventos climáticos extremos.


Em função disso, o governo federal avaliou, por exemplo, que durante os apagões de novembro de 2023 em São Paulo, a Enel teria dado preferência ao restabelecimento da energia em casos ordinários, enquanto deixava os consumidores afetados pelas chuvas sem energia. No novo modelo sugerido pelo governo, agora as distribuidoras teriam o mesmo nível de responsabilidade de retomar a energia nos dois casos, não havendo mais uma “motivação financeira” para que o serviço seja restabelecido antes em casos ordinários de queda de energia.


A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) externa preocupação em relação a esse ponto. O presidente executivo da entidade, Marcos Madureira, afirma que os problemas causados por eventos extraordinários não devem gerar punições às distribuidoras:


— Você não tem lugar nenhum no mundo que estabelece determinado tipo de punição em casos de eventos extremos. Pode inviabilizar uma prestação de serviço.


Restrição a dividendos


Uma novidade inserida pela Aneel na minuta de novo contrato, colocada em consulta pública, é que as distribuidoras que desejarem renovar a concessão serão obrigadas a abrir mão de disputas judiciais com a União. Além disso, os novos termos também preveem a limitação do pagamento de dividendos das empresas aos acionistas caso as distribuidoras não consigam comprovar que têm uma boa saúde financeira. O mesmo critério é usado por agências reguladoras de países como França, Reino Unido, Estados Unidos e Austrália.


Outra diretriz que deve ser levada em consideração nos novos contratos é usar a satisfação do consumidor com o serviço prestado como indicador de avaliação da distribuidora. Entre os critérios que serão levados em conta está a capacidade de comunicação e interlocução das empresas com os seus clientes quando houver algum problema na prestação do serviço, como apagões.


— Esses novos critérios definidos são muito parecidos com o que a gente já vinha fazendo nas empresas de distribuição. Medir a satisfação é sempre muito importante, mas é algo difícil de avaliar — diz o professor de engenharia elétrica Ivan Camargo, da UnB.


Para a advogada Bruna de Barros, que atua no setor de energia, esse ponto pode elevar o nível de qualidade da prestação de serviço das distribuidoras:


— As empresas serão pressionadas a aprimorar seus processos de atendimento ao cliente, adotando tecnologias como serviços de monitoramento em tempo real e canais de comunicação mais eficientes. Além disso, a gestão de reclamações e a resolução rápida de problemas terão maior prioridade.


 


Os contratos que vencem até 2031:


06/2025: EDP Espírito Santo Distribuição de Energia - ES

05/2026: Light Serviços de Eletricidade - RJ

12/2026: Enel Rio - RJ

08/2027: Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) - BA

11/2027: Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) - SP

11/2027: RGE Sul - RS

12/2027: Energisa Mato Grosso do Sul Distribuidora - MS

12/2027: Energisa Mato Grosso Distribuidora de Energia - MT

12/2027: Energisa Sergipe Distribuidora de Energia - SE

12/2027: Companhia Energética do Rio Grande do Norte - RN

05/2028: Enel Ceará -CE

06/2028: Enel Distribuidora São Paulo-SP

07/2028: Equatorial Pará Distribuição de Energia - PA

08/2028: Elektro Redes S.A. - SP e MS

10/2028: Companhia Piratininga de Força e Luz - SP

10/2028: EDP São Paulo - SP

02/2030: Energisa Borborema - PB

03/2030: Companhia Energética de Pernambuco - PE

08/2030: Equatorial Maranhão - MA

03/2031: Energisa Paraíba – PB

 


No âmbito do G20, Brasil e China vão fechar acordo para transferência de tecnologia no setor elétrico  /Acordo foi costurado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandra Silveira, com a delegação chinesa durante reuniões do GT de Transições Energéticas- Valor 16/11


O Brasil e a China vão fechar amanhã (17) um acordo para transferência de tecnologia na área do setor elétrico, no âmbito das negociações do G20, a Cúpula de Líderes que acontece no Rio de Janeiro, na segunda (18) e na terça-feira (19).


O acordo foi costurado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandra Silveira, com a delegação chinesa durante as reuniões do Grupo de Trabalho (GT) de Transições Energéticas do G20. Essas reuniões aconteceram no mês passado, em Foz do Iguaçu.


O acordo servirá para transferência de tecnologia entre instituições de ensino e empresas do setor elétrico chinês, em especial a State Grid, para beneficiar universidades brasileiras, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS). A China, em especial a State Grid, é referência tecnologias de geração, distribuição e transmissão de energia.


Entre os temas de interesse mútuo entre os dois países, estão: promover o desenvolvimento tecnológico rumo à neutralidade de carbono; otimizar a integração de fontes renováveis de energia; redes inteligentes; e aplicação de inteligência artificial na área elétrica.


Em outubro, os países membros do GT de Transições Energéticas do G20 chegaram a um consenso e se comprometeram a acelerar transições energéticas limpas, sustentáveis, justas, acessíveis e inclusivas. Os membros também reconhecem as desigualdades e os desafios que existem no atual cenário energético no mundo, em particular aqueles enfrentados pelos países em desenvolvimento.


Esses temas constaram na declaração ministerial emitida pelo grupo. Desde 2021, não havia consenso no GT de energia do G20, o que foi considerado uma vitória pela presidência brasileira.


 


 


ESTADÃO: ‘F  UCK YOU’, DIZ JANJA A MUSK, QUE RESPONDE- 17/11


Por Felipe Frazão


Rio, 16/11/2024 - A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, ofendeu ontem o bilionário Elon Musk. Ele rebateu na sua rede X, dizendo que o atual governo vai “perder a próxima eleição”.


A mulher do presidente Luiz Inácio Lula da Silva hostilizou o empresário no Rio, onde participa de atividades relacionadas ao G-20.


Janja participava de um debate com o influenciar Felipe Neto sobre combate à desinformação no Cria G-20, um dos eventos paralelos à cúpula de líderes no Rio.


Ao fim do painel, ela pediu a palavra para destacar a dificuldade de aprovação de leis para regulamentar plataformas de mídias sociais e reforçou seu impacto em tragédias climáticas. Então, ofendeu o dono do X. “F uck you, Elon Musk, eu não tenho medo de você”, disse Janja.


RESPOSTA. O bilionário reagiu em seu perfil no X logo depois, indicando por meio da sigla “lol” que estava dando risadas do ocorrido. Ao comentar em outro post, Musk afirmou que “eles”, em indicação ao governo atual, vão perder as próximas eleições.


Musk é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e travou embate com o Supremo Tribunal Federal sobre desrespeito a ordens legais no Brasil. Ele associa o tribunal ao governo Lula. No novo governo de Donald Trump, Musk chefiará um departamento de eficiência.


 


LULA DIZ QUE NÃO É PRECISO XINGAR NINGUÉM, APÓS JANJA ATACAR ELON MUSK EM EVENTO NO G-20 – Broadcast 17/11


Por Iander Porcella


Brasília, 16/11/2024 - Sem citar o xingamento da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, contra o bilionário norte-americano Elon Musk, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite deste sábado, 16, que não é preciso ofender ninguém. A declaração foi dada por Lula enquanto ele defendia o combate à fome em um festival organizado por Janja no G-20, no Rio de Janeiro.


“Eu queria dizer para vocês que essa é uma campanha em que a gente não tem que ofender ninguém, não temos que xingar ninguém. Precisamos apenas indignar a sociedade”, disse Lula ao comentar conversa que teve com o Papa Francisco sobre campanha contra a fome.


Lula estava no palco do festival ao lado de Janja, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e do cantor Gilberto Gil. Ele prometeu que em 2026 nenhum brasileiro passará fome e disse esperar que o foco do G-20 em questões sociais seja uma lição para o futuro.


Durante um painel de debates neste sábado no G-20, Janja xingou o empresário que é dono da rede social X. “Eu não tenho medo de você. Inclusive, f  uck you, Elon Musk", afirmou a primeira-dama.


Musk reagiu o xingamento, compartilhou uma publicação do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) no X e escreveu “lol”, um símbolo usado na internet equivalente a uma risada. “Eles vão perder a próxima eleição”, afirmou o bilionário, também dono da Tesla e da Space X, ao comentar outra publicação que reproduzia o vídeo com a fala de Janja.


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou na polêmica. “Já temos mais um problema diplomático”, escreveu, em referência ao fato de Musk ter sido indicado para um cargo no governo americano pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.


Musk travou recentemente um embate com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O X chegou a ficar suspenso no Brasil por cerca de 40 dias após o empresário recusar-se a cumprir decisões da Corte sobre remoção de conteúdo da rede social.


Em outro momento de seu discurso no festival na noite deste sábado, Lula disse que é preciso transformar a fome em uma questão política que o problema possa ser resolvido.


“Quando decidimos colocar a questão da fome para ser discutida no G-20, era porque queríamos transformar a fome numa questão política. Enquanto a fome é tratada como se fosse uma questão social, são apenas números estatísticos que as pessoas utilizam em época de eleição e depois esquecem”, afirmou o presidente.


Lula ainda criticou a atuação do governo Bolsonaro na área da Cultura. “É tanta falta de vergonha que até com o Ministério da Cultura eles tinham acabado, porque eles não gostam da arte, eles não gostam de artista porque eles acham que artista é tudo comunista, é tudo revolucionário. E é bom que seja revolucionário para que a gente mude a vida deste País”, declarou.

Matinal Josué Leonel

 *Corte de R$ 70 bi até 2026; Campos Neto em foco: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Mercado avalia informação de que os cortes de gastos podem chegar a R$ 70 bi até 2026, segundo os jornais.

Anúncio deve ser feito após a reunião do G-20, que começa nesta segunda-feira no Rio. Agenda doméstica destaca palestra do presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pesquisa Focus, depois da ata do Copom ter sinalizado prolongamento da alta de juros se expectativas seguirem piorando.

Ativos domésticos devem ter ajuste modesto ao feriado, quando os mercados tiveram desempenhos mistos, com ganhos leves

de moedas pares do real, apesar da alta dos yields. Nubank caiu

mais de 7% em Nova York. Nesta segunda, desempenhos continuam

sem tendência clara no mercado externo. Falas de dirigentes do

Fed e BCE estão entre os poucos destaques da agenda.

*T

Às 7:31, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro estável

STOXX 600 -0,2%

FTSE 100 +0,3%

Nikkei 225 -1,1%

Shanghai SE Comp. -0,2%

MSCI EM +0,3%

Dollar Index estável

Yield 10 anos +1,8bps a 4,4572%

Petróleo WTI +0,8% a US$ 67,53 barril

Futuro do minério em Singapura +2,7% a US$ 99,3

Bitcoin +3,1% a US$ 91933

*T

Internacional

Mercados mistos em dia de agenda limitada; iene recua

* Bolsas globais mostram desempenhos modestos após o recuo da

semana passada ter apagado grande parte dos ganhos do mercado de

ações desde a vitória de Donald Trump, em meio a dúvidas sobre a

trajetória dos juros

* Iene recua depois que o presidente do Banco do Japão, Kazuo

Ueda, evitou fornecer qualquer informação sobre se os juros

subirão na reunião do mês que vem

* Rendimentos dos treasuries têm variações modestas, após yield

de 10 anos superar 4,5% na sexta-feira

* Presidente do Fed de Chicago,Austan Goolsbee, fala às 12:00;

Christine Lagarde e outros dirigentes do BCE falam ao longo do

dia

* Nvidia divulga balanço na quarta-feira

* Na sexta-feira, quando foi feriado no Brasil, o índice dólar

recuou e moedas pares do real como rand e peso mexicano tiveram

ganhos leves; entre as bolsas, o S&P 500 caiu 1,3%

* Petróleo sobe depois de cair mais de 2% na sexta-feira devido

a preocupações com a oferta global abundante e as perspectivas

de demanda na China, o maior importador de petróleo bruto do

mundo

* Minério de ferro avança mais de 2% e se recupera da queda de

sexta-feira, diante de sinais de que a produção de aço chinesa

permanecerá robusta no curto prazo


Para acompanhar

Campos Neto, Focus, IPC-S, boletim Macrofiscal

* Campos Neto faz às 12:35 palestra em evento em São Paulo -

aberto à imprensa presencialmente e por transmissão

* BC divulga às 8:25 pesquisa Focus com expectativas para

indicadores como inflação e juros

** Juros futuros aceleraram alta nas parcelas média e longa na

sexta-feira após fala de Jerome Powell, que disse em evento que

a economia não sinaliza necessidade de pressa com cortes de

juros

* Mercados não abrirão na quarta-feira, no Dia da Consciência

Negra

* FGV divulga IPC-S às 8:00

* Fazenda divulga Boletim Macrofiscal

* BC oferta 15.000 contratos de swap cambial para rolagem


Outros destaques

Pacote fiscal de R$ 70 bi até 2026; repasse do BNDES;

começa o G-20

* Pacote de Haddad deve ter impacto de R$ 70 bi em 2025 e 2026,

diz a Folha, que cita estimativa de integrantes do governo

** Corte de gastos seria de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões em

2025 e R$ 40 bilhões em 2026

** Uma das principais medidas deve ser a limitação do ganho real

do salário mínimo, com o objetivo de alinhar a política de

valorização às regras do arcabouço fiscal — cujo limite de

despesas tem expansão real de 0,6% a 2,5% ao ano

** Já a desvinculação de benefícios sociais em relação ao

salário mínimo está descartada

* Expectativa é que as medidas sejam anunciadas na próxima

quinta-feira, após a visita do presidente da China, Xi Jinping,

em Brasília, e também após o término do G-20, no Rio: O Globo

* Plano de cortar gastos públicos reduzirá a incerteza e abrirá

caminho para redução de juros, disse o ministro da Fazenda,

Fernando Haddad, durante entrevista à CNBC Brasil

* Pacote está pronto e só depende da Defesa, diz Haddad: Folha

* BNDES vai repassar R$ 25 bilhões ao Tesouro para contribuir

com fiscal: O Globo

* Déficit previdenciário atuarial do setor público bate recorde

e pode disparar com STF: Folha

* Joe Biden anunciou novos esforços de conservação e

financiamento ao se tornar neste domingo o primeiro presidente

dos EUA em exercício a visitar a região amazônica

* Lula não se juntou a Biden e se concentra na cúpula do G-20 no

Rio, que começa nesta segunda-feira e contará com a presença

também de outros líderes, inclusive o chinês Xi Jinping

* “F—- you, Elon Musk”, disse a primeira-dama Janja da Silva, em

evento antes do G-20


Empresas

Nubank, Petrobras, Suzano, Unigel

* Nubank teve a maior queda em um ano no pregão de Nova York na

sexta-feira, durante o feriado no Brasil, e fechou a semana com

recuo de 7,7%

* Petrobras e Yara assinam acordos de cooperação e para Arla 32

* Suzano: Panda bonds precificados, yield e cupom de 2,8% ao ano

* Unigel entra com pedido de proteção no Chapter 15, em Nova

York

* Veja mais informações na Agenda do Dia

* Veja aqui como fechou o Mercado


 

 


Para entrar em contato com o repórter:

Josue Leonel em Sao Paulo, jleonel@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis:

Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Patricia Xavier

FSB Propostas para o sistema financeiro global

 Em carta a líderes do G20, presidente do FSB pede implementação de reformas financeiras


Por Ricardo Leopoldo


São Paulo, 18/11/2024 - Em carta aos líderes do G-20, o presidente do Financial Stability Board, Klaas Knot destacou que é necessário implementar em seus países reformas no setor financeiro, entre elas a adoção de Basileia 3. “Com elevados níveis de dívida pública e privada e modesto crescimento econômico o mundo não pode permitir a instabilidade financeira”, destacou. “Precisamos redobrar nossos esforços conjuntos para assegurar que um sistema financeiro global estável possa financiar a economia, sem o uso de apoio extraordinário.”


Na mensagem, Knot ressaltou que o estresse financeiro ocorrido em março de 2023 nos EUA e alguns países da Europa lembrou que corridas bancárias continuam um risco e autoridades ainda enfrentam desafios para lidar com instituições falidas do setor. Segundo ele, uma das lições daqueles episódios é que gestores de bancos e reguladores “precisam agir mais rapidamente e eficientemente do que no passado em relação a saídas de capitais.” Também têm fundamental importância a solidez da administração de risco bancário, práticas de governança e “supervisão vigilante.”


De acordo com Klaas Knot, uma prioridade de longa data da agenda do FSB é melhorar a resiliência do segmento financeiro não bancário, pois suas operações de intermediação continuam a crescer, o que pode implicar em novos riscos e vulnerabilidades a todo o setor financeiro. Além de realizar recomendações para  ações de governos sobre fundos abertos e de money market, o Financial Stability Board irá no próximo ano realizar sugestões a reguladores de diversos países para enfrentar riscos à estabilidade financeira que podem surgir com a alavancagem deste segmento não bancário.


“Não é suficiente desenvolver políticas, mas elas também precisam ser implementadas eficientemente. Isto significa que as autoridades precisam não somente torná-las leis e regulações, mas também construir a capacidade para operacionalizá-las”, apontou Knot. “Um exemplo notável onde progresso é necessário é na implementação total das reformas de Basileia 3, consistentemente e o mais rápido possível, particularmente nas jurisdições onde a adoção continua incerta em termos de tempo e substância.”


Na avaliação de Klaas Knot, o FSB está coordenando trabalhos para enfrentar as implicações da digitalização e mudanças climáticas à estabilidade financeira.


A digitalização traz grandes eficiências, destacou Knot, ressaltando como exemplo o uso crescente de inteligência artificial (IA) em finanças.  “Enquanto a IA pode trazer benefícios significativos para autoridades e instituições financeiras reguladas, vulnerabilidades relacionadas à IA podem elevar o risco sistêmico nos mercados financeiros, inclusive os relacionados a dependência de terceiros e concentração de provedores de serviços, correlações de mercado, segurança cibernética, risco de modelos e qualidade de dados.”  Ele ressaltou que o FSB continuará a monitorar o uso da inteligência artificial para avaliar se são suficientes os atuais arcabouços normativos em vários países.


Outro exemplo de mudanças que surgiram com a digitalização é o conjunto de novas infraestruturas de pagamentos, que podem melhorar a eficiência no acesso dos usuários. Para Knot, é necessário trabalho adicional para reduzir fricções e aprimorar o ambiente técnico para melhores resultados em pagamentos internacionais para que se tornem mais ágeis, baratos, inclusivos e transparentes. “As políticas do FSB têm como objetivo assegurar que o princípio de ’mesma atividade, risco e regulação’ seja aplicado a todas as entidades financeiras que provêm ativos cripto e arranjos de pagamentos internacionais.”


De acordo com o presidente do FSB, está ficando mais evidente a exposição global a riscos financeiros relacionados ao clima. Segundo ele, é essencial que empresas adotem metodologias para avaliar riscos ambientais que elas poderão enfrentar no futuro próximo em seus negócios. “No último ano, esforços globais tiveram como foco apoiar jurisdições para adotar, aplicar ou ser informadas pelo  International Sustainability Standards Board (ISSB), cujos padrões servem como um arcabouço global para divulgação (de dados) sobre sustentabilidade.”


Contato: ricardo.leopoldo@estadao.com


Broadcast+

FSB - Sistema financeiro global

 FSB:Sistema financeiro global tem vulnerabilidade em altos preços de ativos e de dívida privada


Por Ricardo Leopoldo


São Paulo, 18/11/2024 - O sistema financeiro global apresenta vulnerabilidades, com elevados preços de ativos em várias categorias, suscetíveis a choques internacionais, e nível do endividamento do setor privado que pode ter repercussões negativas a instituições do setor, como bancos e corretoras, destaca o relatório anual 2024 do Financial Stability Board (FSB).


De acordo com o FSB, recentes episódios de volatilidade nos principais mercados financeiros mundiais ressaltam a reação deles a notícias econômicas, com uma tendência de apresentar elevada correção mesmo que suas sedes estejam estabelecidas em diferentes países. Tais acontecimentos mostram que há grande nível de interconexão na negociação de ativos, especialmente em relação a liquidez e alavancagem.


Problemas com o pagamento de dívidas do setor privado podem levar a perdas e aumentar o volume de financiamentos inadimplentes. Tais dificuldades podem provocar repercussões em fundos de investimentos, gerando perdas com a marcação a mercado, que, por sua vez,  pode provocar um movimento significativo de saques de clientes. Além disso, o peso do passivo mobiliário de governos pode elevar preocupações com a sustentabilidade de dívidas públicas em alguns países.


Para o FSB, embora o fluxo de capitais para mercados emergentes e economias em desenvolvimento tenha se recuperou desde 2022, mudanças em expectativas sobre taxas de juros e tensões geopolíticas podem levar a adicionais turbulências no fluxo de capitais e taxas de câmbio. “Isto poderá induzir a chamadas de margem e aumentar a demanda por liquidez que pode levar a restrições de mercados.”


De acordo com o relatório, instituições financeiras não bancárias continuam a crescer. O crédito privado está em expansão acelerada e há diversas evidências de suas conexões com o sistema bancário e investidores institucionais. Fundos de crédito privado estão expostos a riscos, com vulnerabilidades de liquidez e alavancagem, especialmente porque são opacos e é difícil acessá-los.


Ataques cibernéticos continuam a causar problemas em softwares com impactos globais, demonstrando que rupturas operacionais de fornecedores de serviços terceirizados pode prejudicar a capacidade de instituições financeiras para realizar seus negócios diariamente.


O FSB também aponta que a continuidade de elevadas emissões de gases que causam o efeito estufa eleva incertezas sobre potenciais consequências à estabilidade financeira.  O aumento dos riscos para a transição a uma economia verde pode provocar abruptas mudanças de preços de ativos.


Desde os episódios de estresse financeiro nos EUA e Europa em março de 2023, o FSB está analisando as vulnerabilidades ao sistema financeiro global, como as relacionadas à solvência e riscos de liquidez. Neste contexto, o Financial Stability Board investigou movimentos expressivos de saques de recursos por clientes, incluindo a análise do papel de mídias sociais e taxas de juros no comportamento dos depositantes, além de avaliar como o uso de tecnologias pode afetar os trabalhos de bancos e instituições reguladoras. “A velocidade sem precedentes na qual a turbulência ocorreu significa que é fundamental as autoridades reagirem rapidamente durante períodos de estresse.”


O relatório destaca que o FSB continua a priorizar ações para fortalecer a resiliência de instituições financeiras não bancárias, pois no ano passado publicou recomendações para políticas de governos enfrentarem problemas de descasamento de liquidez em fundos abertos e sugeriu medidas para melhorar o acesso de recursos no mercado não bancário para chamadas de margem e de garantias.


O setor financeiro internacional tem utilizado instrumentos de inteligência artificial, mas a adoção não é homogênea por instituições deste segmento da economia. O Financial Stability Board identificou que a dependência de fornecedores, em uma área altamente concentrada, mais correlações de mercado, problemas  cibernéticos, de modelos, qualidade de dados e da governança destas empresas têm o potencial de elevar o risco sistêmico.


O FSB também examinou as implicações de ativos tokenizados à estabilidade financeira, identificando muitas das mesmas vulnerabilidades ocorridas nas finanças tradicionais. “Dada a pequena escala, a tokenização não oferece atualmente risco material à estabilidade financeira, mas pode precisar ser monitorada.”


Contato: ricardo.leopoldo@estadao.com


Broadcast+

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...