sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Market Makers

 


Da série "grandes conversas", nesta semana, a gente recebeu Mansueto Almeida e Samuel Pessôa no Market Makers. Ao lado de Thiago Salomão, os dois economistas falaram sobre as perspectivas para 2026, o desafio das contas públicas e o futuro do Brasil e da nossa economia.


Você pode ver a íntegra da conversa no nosso canal no Youtube: https://lnkd.in/dZRtJt24

Mudando a rotação

 

A entrevista do Milton Maluhy ganha força porque não é um “desabafo corporativo”: é um diagnóstico de arquitetura. O que ele chama de assimetria entre distribuidor e risco do FGC é, na prática, um sistema que premia volume e comissionamento no curto prazo, mas empurra o custo de eventuais quebras para uma rede difusa — FGC, bancos contribuintes e, no fim da cadeia, a confiança do poupador. Quando um caso como o Master estoura, não “surge” o problema: ele apenas fica visível, como rachadura que já estava no concreto.

O ponto mais duro é moral e operacional: quem empacota e vende risco precisa carregar parte do risco, ou o incentivo fica torto. Produto “milagroso” com promessa de retorno muito acima do padrão (o famoso “140% do CDI” vendido como quase rotina) deveria acionar travas automáticas de diligência, transparência e suitability — e não virar slogan comercial. O mercado de plataformas, por melhor que seja o modelo de partnership, não pode usar a complexidade do ecossistema como álibi para terceirizar responsabilidade. Inovação e competição são bem-vindas; irresponsabilidade escalável, não.

E aqui entra o que é impossível varrer para debaixo do tapete: vai sobrar mancha reputacional para XP e BTG, sim — não como sentença antecipada, mas como consequência natural de percepção pública. Ainda mais com o ruído adicional de ontem: a circulação de vídeo associando André Esteves a um resort ligado a Toffoli cria o tipo de imagem que, numa democracia saudável, deveria ser evitado por padrão de prudência reputacional. Mesmo que não haja qualquer ilegalidade comprovada nesse episódio específico, o dano é do campo da confiança: em finanças, reputação não se discute em tribunal; se discute no comportamento do cliente.

A conclusão é direta e incômoda: o julgamento final é do mercado — e do bolso de cada investidor. A decisão sobre onde alocar patrimônio (banco público como BRB, plataformas como XP, banco de investimento como BTG, ou alternativas) passa a ser também uma decisão de confiança institucional e governança percebida. A pergunta que fica não é “quem grita mais”, mas “quem entrega controle, diligência, transparência e alinhamento de incentivos”. Porque retorno se mede em CDI; risco reputacional se mede em décadas.



Sergio Fausto




 Publiquei um artigo no ESTADÃO sobre o acordo frágil entre Trump e a ditadura venezuelana.


O próximo presidente do Brasil terá de lidar com uma situação muito instável em um país vizinho. Há o risco de uma escalada da intervenção militar dos Estados Unidos e de uma guerra assimétrica de tropas americanas com grupos armados ligados ao regime chavista.

O Brasil pode ajudar a Venezuela a encontrar um caminho. Seria trágico que o país vizinho permanecesse uma ditadura ou se tornasse um protetorado dos Estados Unidos na América do Sul. Será complexo e demorado encontrar um caminho alternativo, que desemboque em um regime democrático com soberania nacional.

O Brasil viveu uma gradual transição do autoritarismo para a democracia, permeada pela negociação entre setores da oposição e do regime. Com essa experiência e sendo o maior país da região, podemos nos tornar atores importantes na solução da crise venezuelana, em parceria com outros países e blocos, como a União Europeia, que querem uma Venezuela democrática e não submissa aos Estados Unidos ou a qualquer outra potência mundial.

Call Matinal 2301

 Call Matinal

23/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2201)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de quinta-feira (22), o Ibovespa fechou em forte alta. Após ficar perto de 5.500 pontos ontem, o Ibovespa saltou outros 3.770 hoje e fechou em inéditos 175.589,35 pontos, com alta de 2,20%. Volume financeiro foi expressivo, impulsionado por capital estrangeiro, R$ 44 bilhões. Já no mercado cambial, o dólar encerrou em R$ 5,2854, pressionando para baixo e muito próximo do suporte crítico de novembro de 2025 em R$ 5,2633.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em pequena queda nesta sexta-feira (23), refletindo as preocupações geopolíticas com Trump ameaçando a Groelândia.

 

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,06%

S&P 500 Futuro: -0,04%

Nasdaq Futuro: -0,19%

Trump acalmou os mercados, cancelou tarifas sobre oito países europeus que começariam em 1º de fevereiro. Anunciou também um “pré-acordo” com a OTAN sobre a Groenlândia. Premiê da ilha não sabe do que se trata.

Ásia-Pacífico

 

 

 

* Shanghai SE (China), +0,33%

* Nikkei (Japão): +0,29%

* Hang Seng Index (Hong Kong): +0,45%

* Nifty 50 (Índia): -0,94%

* ASX 200 (Austrália): +0,13%

A maioria das bolsas asiáticas subiu sob impulso do bom desempenho das techs, enquanto os mercados japoneses mantiveram ganhos moderados após o Banco do Japão manter as taxas de juros inalteradas (0,75%), em decisão quase unânime.

Europa

 

 

 

* STOXX 600: -0,07%

* DAX (Alemanha): +0,01%

* FTSE 100 (Reino Unido): +0,28%

* CAC 40 (França): -0,08%

* FTSE MIB (Itália): -0,52%

As bolsas europeias operam mistas nesta sexta-feira, ainda sinalizando a cautela com as tensões geopolíticas provocadas pela vontade de Donald Trump de anexar a Groenlândia. 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, +0,94%, a US$ 59,92 o barril

Petróleo Brent, +0,91%, a US$ 64,64 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,21%, a 795 iuanes (US$ 114,00)

Ouro renova topo, apesar do apetite a risco. Mesmo com as bolsas subindo, o ouro segue firme. Investidores ainda protegem parte da carteira diante das incertezas fiscais nos EUA e do ambiente geopolítico instável. Spot bate recorde de US$ 4.917,65/oz nesta quinta. Prata e platina também renovam máximas históricas no embalo da busca por proteção.

 

NO DIA, 2301

No Japão, o BoJ manteve a taxa de juros básica em 0,75%. Na agenda de indicadores, destaques para as preliminares dos PMIs na Europa e nos EUA (ao fim), além do sentimento do consumidor de Michigan. Aqui, sem dados relevantes, com o Ibov confirmando o bull market, suportado pelos estrangeiros, interessados nos emergentes, mesmo com o alívio das tensões geopolíticas. O acordo proposto por Trump para a Groenlândia pode avançar hoje com a reunião entre o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Trump disse ontem voltou que a estrutura do acordo para a Groenlândia está em construção e “será fantástica para os EUA”. Sem dar detalhes, prometeu “novidades em duas semanas”. Nesta quinta-feira, o secretário-geral da Otan defendeu a proteção do Ártico, com prioridade para a Groenlândia, afirmando que “temos que investir mais energia, mais tempo e mais atenção nisso, porque sabemos que as rotas marítimas estão se abrindo”. Fontes revelaram que os EUA buscam carta branca na Groenlândia, que querem reescrever seu acordo de defesa com a Dinamarca para remover quaisquer limites à sua presença militar na ilha estratégica. Trump também comentou que a reunião com as delegações dos EUA, Ucrânia e Rússia, nesta quinta-feira, foram “boas”.

 

PMI na Europa (prévias)

 

▪️ França: PMI Composto cai para 48,6 pontos em janeiro, após 50, e abaixo do consenso (50); Indústria sobe a 51 e Serviços cai a 47,9

 

▪️ Alemanha: PMI Composto sobe para 52,5 pontos em janeiro, após 51,3 e acima do consenso de 51,6. Indústria sobe para 48,7 e Serviços, a  avança para 53,3 pontos

 

▪️ Zona do euro: PMI Composto em janeiro fica estável em 51,5 pontos,e levemente abaixo do consenso (51,8); Serviços cai a 51,9 e Indústria sobe a 49,4

 

▪️ Reino Unido: PMI Composto sobe a 53,9 pontos após 51,4 e abaixo do consenso (51,5 pontos). Serviços sobe a 54,3 e Indústria, a 51,6

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

 

sexta-feira, 23 de Janeiro 

Reino Unido/ONS: vendas no varejo de dezembro

 Alemanha/S&P Global/HCOB: PMI composto preliminar de janeiro

 Zona do euro/S&P Global/HCOB: PMI composto preliminar de janeiro

 Reino Unido/S&P Global /CIPs: PMI composto preliminar de janeiro

 Brasil: FGV: IPC-S da 3ª quadrissemana de janeiro

 EUA/S&P Global: PMI composto preliminar de janeiro

EUA/Univ. Michigan: Índice de Sentimento do Consumidor final de janeiro

 EUA/Baker Hughes: poços e plataformas de petróleo em operação

 

 

Boa sexta-feira para todos! Feliz 2026 !

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,6% US tech +0,8% US semis +0,2% UEM +1,3% España +1,3% VIX 15,6% Bund 2,89% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+63pb B10A: ESP 3,26% PT 3,26% FRA 3,51% ITA 3,51% Euribor 12m 2,216% (fut.2,442%) USD 1,174 JPY 186,6 Ouro 4.952$ Brent 64,6$ WTI 59,9$ Bitcoin -0,6% (89.547$) Ether -2,5% (2.945$).


SESSÃO: Arrancamos esta sexta-feira com o Japão a repetir taxas de juros em 0,75% (havia alguma probabilidade de subir, mas reduzida) e a publicar uma inflação que se suaviza (+2,1% vs. +2,9%), após Intel ter publicado ontem à noite, no fecho de Nova Iorque, uns resultados melhores do que o esperado, mas guias dececionantes (-11% em aftermarket) e Intuitive Surgical boa, tanto em resultados como em guidance (+2,4% em aftermarket). 


Nova Iorque fechou a subir ontem, porque o mais relevante das últimas 24 h é bastante positivo na frente geoestratégica, que é o que agora predomina: a menor agressividade americana sobre a Gronelândia e a reunião (ou expetativa de reunião) entre (UCR/RU/EUA) sobre a invasão da Ucrânia. Contudo, embora o fluxo de notícias mais recentes seja bastante bom, o mercado não continuará a subir com força, mas irá adotar uma atitude bastante cautelosa e até cética durante as próximas horas, até comprovar se realmente será celebrada essa união (é difícil que a Rússia se sente a falar) e pelos resultados preocupantes de Intel, e o quanto pode afetar as restantes empresas de semis. Convém analisar a situação de Intel com alguma perspetiva: algumas das suas decisões estratégicas, principalmente as adotadas há anos, não foram acertadas e agora enfrenta problemas, tanto para atender à procura final como nas suas margens devido a custos de desenvolvimento dos seus novos chips. Mas isso já se sabia, portanto, provavelmente, o seu principal “problema” é simplesmente ter subido ca.+50% em janeiro… perante o qual não há resultados nem guidance que possa estar à altura para evitar uma realização de lucros. Portanto, não parece que se trate de nenhum problema grave que se possa estender às restantes empresas de semis.


Complementarmente, às 7 h, saíram Vendas a Retalho no Reino Unido repentinamente boas: +2,5% vs. +1,1% esperado vs. +1,8% novembro. Como o diagnóstico macro sobre o Reino Unido se tornou um pouco errático, é improvável que influencie de forma relevante sobre a libra, apenas a aprecia milimetricamente: 0,8698/€ vs 0,8705/€.


O importante HOJE é “algo” importante de uma perspetiva macro, mas não “muito” importante: PMIs industriais nas principais economias, talvez a melhorar ligeiramente: 08:15 h FRA (50,5 vs. 50,7). 08:30 h ALE (47,8 vs. 47,0). 9 h UE 49,1 vs. 48,8. 09:30h (repetir em 50,6). 14:45h EUA (52,0 vs. 51,8). 


De seguida, a atenção estará na reunião da Fed da próxima quarta-feira, na qual irá repetir em 3,50%/3,75%. O importante será tentar perceber pela mensagem de Powell se aplicará ou não um novo corte de -25 p.b., que nós estimamos para a reunião seguinte (18 de março). E continuarão os resultados corporativos, cujo fluxo irá ganhar intensidade e ampliar-se à Europa, destacando várias empresas de Defesa (Northrop Grumman, RTX…) e tecnológicas fortes (ASML, Tesla, Microsoft, Meta, SAP, Apple…).


CONCLUSÃO: Sessão europeia provavelmente um pouco fraca, mas a tarde americana poderá ser melhor, inclusive com uma subida modesta e insegura, mas subida à medida que saiam uns PMIs um pouco melhores. Mas, claro, dependerá das notícias que cheguem ao primeiro dia de reunião UCR/RU/EUA. Sim, pelo menos eles se reúnem e a RU não se retira no último momento inventando alguma desculpa, como é habitual, então a sessão poderia evoluir de menos para mais, embora sempre pensando em mudanças modestas (desde -0,2% para +0,2%, por exemplo?). As próximas horas, incluindo segunda-feira, deverão ser de consolidação ou subida modesta.


FIM

Mar de lama 2

 *PF FAZ OPERAÇÃO EM FUNDO DE PREVIDÊNCIA DO RIO PARA APURAR IRREGULARIDADES DE APORTES NO MASTER*

Por Aguirre Talento, do Estadão


Brasília, 23/01/2026 - A Polícia Federal deflagrou nesta sextafeira, 23, uma operação para apurar suspeitas de irregularidades em aportes do fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro em títulos do Banco Master.


São cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro na sede do Rioprevidência e contra gestores do fundo.


Esse foi o fundo de pensão que mais aportou recursos no banco de Daniel Vorcaro: foram R$ 970 milhões, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social. Esses investimentos não tinham a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), por isso podem resultar em perdas para os servidores.


Batizada de Barco de Papel, a operação suspeita que as operações foram aprovadas de forma irregular, incompatíveis com a finalidade do instituto de previdência e expuseram os servidores públicos a “risco elevado”. São apurados crimes contra o sistema financeiro nacional, gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro repartição pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.


É a terceira operação recente da PF para apurar suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master. Neste caso, a investigação não tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi deflagrada com autorização da Justiça Federal do Rio de Janeiro, em primeira instância.

Mar de lama 1

 *VORCARO DIZ À PF QUE TRATOU COM IBANEIS SOBRE VENDA DO MASTER AO BRB E CITOU ENCONTRO EM SUA CASA*


Por Aguirre Talento, do Estadão


Brasília, 23/01/2026 - O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e citou também que o governador já esteve pessoalmente em sua casa. O governador é o primeiro político citado por Vorcaro nas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal.


Procurado, Ibaneis disse que não conversou com Vorcaro sobre o assunto e afirmou que esteve apenas uma vez na casa do empresário por ter sido convidado para um almoço. “Estive uma vez a convite para um almoço, quando conheci ele. Entrei mudo e saí calado”, afirmou ao Estadão.


As declarações foram dadas no depoimento prestado no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 30 de dezembro, dentro do inquérito que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo a tentativa de venda do Master para o banco estatal do governo do DF, subordinado a Ibaneis. Essas foram as primeiras citações que surgiram no inquérito a respeito da participação do governador no assunto. Ele não é investigado no inquérito.


Vorcaro não entrou em detalhes sobre as conversas com Ibaneis a respeito da operação financeira.


No depoimento, a delegada da PF Janaína Palazzo perguntou a Vorcaro especificamente se ele já havia tratado com o governador Ibaneis Rocha sobre a proposta de aquisição do Master pelo BRB - feita em março do ano passado e vetada pelo Banco Central em setembro. O banqueiro respondeu positivamente e disse que o assunto foi abordado em encontros institucionais com Ibaneis, com a participação de outras pessoas.


A delegada, porém, perguntou a Vorcaro se o governador já havia comparecido pessoalmente à residência do empresário.


Vorcaro confirmou que sim e disse que ele próprio também já esteve na residência do governador.


O empresário não deu detalhes sobre os diálogos desses encontros, e a delegada tampouco se aprofundou sobre esses pontos.


A PF ainda fez uma pergunta genérica a respeito das conexões políticas do empresário em Brasília, mas ele disse que esses seus contatos não tinham relação direta com o objeto do inquérito e não quis falar sobre o assunto.


O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também citou em seu depoimento prestado naquele mesmo dia que Ibaneis foi informado sobre o andamento das operações financeiras do banco estatal com o Master. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Estadão.


Ibaneis estimou inicialmente que a venda do Master para o BRB aumentaria a distribuição de dividendos para R$ 1 bilhão por ano para os cofres do Distrito Federal.


Num primeiro momento, tentou efetuar o negócio sem autorização da Câmara Legislativa do DF, mas foi obrigado pela Justiça e conseguir o aval dos deputados distritais. Após a liquidação, começou a estudar aportes no BRB para cobrir prejuízos com a compra de créditos “podres” do banco de Daniel Vorcaro.


O rombo do BRB é estimado em R$ 4 bilhões. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontaram indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao banco estatal.


Como revelou a Coluna do Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou em conversas recentes que a gestão local dê um socorro financeiro ao BRB, que pode sofrer uma intervenção do BC.


*Mudança no discurso*


As declarações de Ibaneis e da vice-governadora do DF Celina Leão (PP) mudaram de tom ao longo do ano passado diante dos desdobramentos e complicações do caso. Em março, quando o banco estatal anunciou a oferta de compra de parte do Master por R$ 2 bilhões, o governador disse que tratava-se de um “dia de festa”.


Em abril, ele afirmou que a operação apresentava pouco risco ao BRB, uma vez que, segundo ele, o então presidente do banco,


Paulo Henrique Costa, havia deixado de fora da transação ativos de maior risco. Dias depois, em entrevista ao Estadão em abril, o governador afirmou que era “importantíssimo” que o setor privado estivesse junto na transação, por meio de uma negociação privada dos ativos do Master que não interessassem ao banco estatal.


Após o veto do BC ao negócio, Ibaneis adotou um tom mais cauteloso. “Se for inviável, nós vamos parar e vamos realmente trabalhar outras oportunidades para que o Banco de Brasília possa avançar e continue crescendo”, declarou a jornalistas em evento nos Estados Unidos.


Depois de o BC anunciar a liquidação do Master, em novembro, a vice-governadora disse que o próprio Ibaneis havia determinado a troca do presidente da instituição, após a PF revelar suspeita de fraudes de 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito falsas do Master ao BRB.


“Nós não temos compromisso com erro. Então o próprio governador Ibaneis fez hoje a troca, já indicou um outro nome e aquilo que tiver que ser apurado, será apurado”, disse Celina Leão.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...