quarta-feira, 7 de maio de 2025

Samuel Pessoa

 Samuel Pessôa defende privatização da Petrobras e mais carga tributária para acertar o fiscal.

Ao congelamento dos aumentos reais do salário mínimo defendido recentemente pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga para acertar o quadro fiscal, o chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre), Samuel Pessôa, acrescenta a defesa da privatização da Petrobras, o aumento da carga tributária e a mudança do indexador do gasto mínimo constitucional que a União tem que fazer com o salário-educação.


Pessôa participou nesta terça-feira, 6, do TAG Summit 2025, no qual defendeu que haja uma mudança do governo de esquerda por um de direita. Antes, no mesmo evento, já tinha previsto que o Brasil chegará ao final do governo Lula “capengando” e pressionado por uma forte inflação de serviços.


“Teremos que mudar o indexador daquele gasto mínimo constitucional que a União tem que fazer com o salário de educação. Talvez a gente precise de ainda uma rodada de aumento de carga tributária, o que der. Talvez o governo de direita possa avançar na privatização da Petrobras, para poder juntar um dinheiro para abastecer a vida pública. A experiência do governo Temer é, nesse sentido, positiva”, disse Pessôa.


O governo Temer, emendou o economista, mostrou que o juro brasileiro é formado no mercado de fluxo. Está no equilíbrio entre oferta e demanda. “E é como a gente ensina nos cursos de economia mesmo. Então, funciona. Ou seja, se a gente mudar o gasto obrigatório, se a gente conseguir reverter a dinâmica do gasto, isso já gera uma queda nos juros instantânea. Essa queda nos juros faz com que os modelos de previsão de vida pública se analisem para melhora. E isso corta risco”, reforçou Pessôa.


Ainda segundo ele, se tiver um ganho adicional de custos de capital, a economia entra meio que no círculo virtuoso.

“Isso aconteceu lá no governo Temer e isso vai acontecer no próximo governo. Dá para fazer. As medidas são essas. Elas são dolorosas. A gente viu a dificuldade que a sociedade tem de lidar com a restrição de recursos. Teremos que passar alguns anos sem aumentar o valor real do salário mínimo. Produz um desconforto imenso, eu entendo. Mas a gente vai ter que convencer que as coisas vão ser assim”, completou Pessôa.

Enquanto isso na Bolívia....

 O bilionário boliviano Marcelo Claure declarou em entrevista à Bloomberg News que pretende usar seus recursos financeiros e influência para apoiar a eleição de um presidente pró-mercado na Bolívia. Diante da grave crise econômica no país, Claure considera que a votação de agosto é decisiva para evitar a continuidade da esquerda no poder. Embora não esteja na Bolívia — ele afirma ter deixado o país por questões de segurança —, atua à distância para tentar unificar a fragmentada oposição de centro-direita. Ele também afirma que seguirá os limites legais de financiamento eleitoral. Clique no link para saber mais.


https://tinyurl.com/3zmj7h9j

Alvaro Gribel

 *Dívida do Master já pode ter subido quase R$ 1 bilhão desde anúncio da operação com o BRB*


Banco tem R$ 49 bilhões em dívidas de CDBs, de acordo com seu balanço, que são corrigidas a taxas de juros de quase 20% ao ano


Alvaro Gribel


Uma conta relativamente simples dá a ideia da urgência envolvendo a operação de venda do banco Master. Desde o anúncio da operação com o BRB, no dia 28 de março, a dívida do banco já pode ter subido quase R$ 1 bilhão, em função dos passivos contraídos pela instituição financeira a taxas muito mais altas do que as praticadas pela média do mercado.


De acordo com o balanço divulgado pelo banco de 2024, o Master tem R$ 49,24 bilhões em passivos nas rubricas de “depósitos interfinanceiros” e “depósitos a prazo”, nas quais ficam registrados os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). O Master chegou a emitir essa dívida prometendo pagamentos de até 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que é atrelado à taxa Selic.


Se a conta for feita de forma mais conservadora, levando-se em conta, por exemplo, uma taxa média de 130% do CDI, a dívida do Master poderá ter subido R$ 837 milhões, nos 25 dias úteis que transcorreram desde o anúncio da operação com o banco de Brasília. O cálculo foi feito com a ajuda de um especialista em balanço de bancos, mas que preferiu não se identificar.


O número exato, contudo, pode nem ser conhecido, já que o banco está em análise para venda para o BRB e terá o seu balanço desmembrado. A conta também precisaria levar em consideração o valor exato de cada papel emitido, mas esse valor dá uma ordem de grandeza e também de urgência dessa operação. Quanto mais o tempo passa, maior pode ser o “buraco” deixado para trás pelo Master.


O crescimento acelerado da sua dívida - em função das altas taxas de juros que o próprio Master ofereceu aos seus clientes para captar recursos - é um dos grandes problemas sobre o futuro do banco. A grosso modo, como a taxa Selic está em 14,25% ao ano, o Master se comprometeu a pagar essa dívida com juros de 18,52% ao ano (caso tenha como referência o CDB de 130% do CDI).


Por outro lado, há também questionamento sobre os ativos da própria instituição financeira. Para fazer frente a um fluxo elevado de dívidas a pagar, o Master precisou investir em ativos arriscados, que poderiam gerar altas taxas de retorno (para pagar a dívida cara), caso as operações dessem certo.


Entre eles estão ações de empresas em dificuldade (com a aposta de valorização rápida), e os precatórios e direitos creditórios, que são dívidas que o setor privado tem a receber da União, mas de pagamento incerto.


Por isso, o Master corre contra o relógio, assim como os grandes bancos, que são os principais credores do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Quanto maior ficar a dívida do Master, maior também pode ser a conta que sobrará para ser paga pelo FGC.


BRB ‘fecha operação’ e descarta R$ 33 bi de ativos


Enquanto o Master ainda tem negociações com o setor privado, em busca de compradores para os ativos que não serão incorporados pelo BRB, o banco de Brasília terminou de entregar a documentação complementar ao Banco Central.


Nos bastidores, o que se comenta é que o BRB já concluiu o tamanho da sua operação com o Master.


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No final de março, em entrevista ao Estadão, o presidente do banco, Paulo Roberto Costa, afirmou que R$ 23 bilhões de ativos do banco não entrariam na operação. Agora, o número subiu para R$ 33 bilhões, descartando também carteiras de crédito “concentradas”, com baixas garantias ou com fluxo de recebimento considerado longo demais pelo banco.


Essa seria a continuação da diligência que está sendo feita pelo BRB no Master, com a ajuda de firmas de auditoria. O quanto sobrará dos ativos ainda é um número incerto. No balanço do Master de dezembro, o banco tinha R$ 63 bilhões de ativos, mas dados do banco central, incluindo conglomerando, mostram R$ 83 bilhões de ativos. Parte disso seria anulado do ponto de vista contábil.


Entre o pedaço do Master que fica para trás, dentro da chamada “liquidação privada”, ou seja, a venda desses ativos, a expectativa é de que pelo menos uma parte tenha suporte do FGC, a que estaria em negociação com o grupo J&F. Isso garantiria o pagamento dos passivos do banco, honrando os compromissos assumidos pelo Master. O Master ainda procura, contudo, compradores para outros ativos do banco.


Uma grande dúvida que ainda paira no mercado financeiro é quais serão os passivos que serão herdados pelo BRB. Pelo acordo firmado entre os bancos, ficou claro que o BRB poderá escolher os ativos que quer comprar, mas permanece um mistério quais serão os passivos correspondentes a esses papéis. A interlocutores, Costa tem dito que esse cronograma não irá pressionar o banco público.


https://www.estadao.com.br/amp/economia/alvaro-gribel/desde-o-anuncio-da-operacao-com-o-brb-divida-do-master-ja-pode-ter-subido-quase-r-1-bilhao/

Ricardo Amorim

 Wellington Vitorino, de Niteroi, é o 1°  brasileiro negro aprovado para cursar MBA no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

De origem simples, trabalha desde pequeno. Aos 8 anos, ajudava o pai a vender de tudo na Praia de Saquarema. Aos 12, passou a revender picolés, até no Batalhão da Polícia Militar. Lá, sempre mostrava seus boletins escolares ao coronel, que o ajudou a conseguir uma bolsa de estudos de 50% em uma escola particular de São Gonçalo. A outra metade, pagou com o lucro do seu trabalho.

Depois, vendeu doces. Chegou a abrir outros 23 pontos de venda. Toda a família acabou envolvida no negócio.

Em 2012, aos 17 anos, assistiu a uma palestra sobre negócios e carreira e contou sua história ao palestrante. Isto lhe rendeu uma bolsa integral para o 3° ano do ensino médio na Escola Parque.

Com defasagem de ensino, teve notas baixas, no início. “No 1º bimestre, fui reprovado em 6 disciplinas”. Não desanimou.

Acabou aprovado em todas as universidades para as quais prestou vestibular. Tirou 1000 na redação do Enem. Optou pela bolsa integral do ProUni para Administração de Empresas no Ibmec.

No Ibmec, se destacou como bolsista e monitor. Em 2015, entre 60 mil candidatos, foi um dos 24 aprovados pela Fundação Estudar e recebeu o prêmio de bolsista do ano de Jorge Paulo Lemann.

Criou o ProLíder para ajudar a formar jovens lideranças. “A cada passo que se dá na vida, precisamos levar outras pessoas conosco”.

Do projeto, surgiu o Instituto Four, ONG que forma e desenvolve jovens líderes para pensar como resolver os problemas e desafios do Brasil. Ele já formou mais de 200 jovens para atuar no meio público, político e empreendedor – incluindo prefeitos, vereadores, investidores e dois aprovados em Harvard.

O Instituto Four também organiza o Four Summit, conferência sobre as principais áreas estratégicas do Brasil, com foco em inovação e tecnologia.

Vai com tudo, Wellington. O Brasil precisa muito de gente como você. #educação #superação #empreendedorismo

CONTAG

 Entidade citada em fraude do INSS tem mais associados que Palmeiras, São Paulo e Corinthians somados


É apenas questão de tempo para os descontos no INSS voltarem depois da operação da Polícia Federal


Pedro Fernando Nery


Talvez você ache que os descontos no INSS vão acabar depois da operação da PF. Te digo com tranquilidade: é apenas questão de tempo para os descontos voltarem. Você só acha que os descontos que foram suspensos vão acabar porque você nunca ouviu falar da Contag. Mas em três minutos você não vai se lembrar mais de como era a sua vida antes de saber da Contag.


A Contag é a confederação dos trabalhadores da agricultura. O que ela tem a ver com o escândalo do INSS? Nada, porque ela é antiga, não se confunde com as associações picaretas que explodiram recentemente.


Ou tudo, porque talvez a Contag seja um modelo. A entidade foi tragada ao centro do escândalo porque ela é a maior organização em descontos. Antes de as outras crescerem, a Contag respondia por 80% dos pagamentos.


Preste bastante atenção: a confederação fazia descontos em 1 milhão e 300 mil benefícios, segundo a PF. Essa é a quantidade de beneficiários que teria voluntariamente pedido para contribuir para a Contag, religiosamente, em descontos automáticos sobre aposentadorias e pensões.


A Contag tem mais associados do que o Palmeiras, o São Paulo, o Corinthians – somados. Existem mais beneficiários filiados à Contag do que hondurenhos nos Estados Unidos. A população da Contag é maior do que a de Campinas.


O Brasil é 90% urbano, mas um ET não saberia disso pelos dados do INSS. Em quase 4 mil municípios, tem mais rural do que urbano. A União gasta R$ 200 bi por ano com previdência rural. Para os mais pobres, é bom se aposentar como rural: a aposentadoria é antecipada, e não é preciso comprovar contribuições.


Mas é preciso comprovar que trabalhou no campo. E muita gente julga que isso se faz com filiações a sindicatos rurais, que atestam o período. Pode ser por isso que tanta gente tenha descontos da Contag. Foram induzidos a autorizar, ou acham que precisam pagar para não perder o benefício. Ou pode ser que essas pessoas simplesmente façam contribuições conscientes.


O que eu sei é que a Contag não gostava nada da reforma da Previdência, principalmente da parte que não passou, que diminuía a atratividade da previdência rural e acabava com a comprovação por meio de sindicato. Eles diziam que a reforma era excludente e machista.


Segundo a PF, a Contag arrecadou R$ 2 bilhões em descontos do INSS apenas entre 2019 e 2024. A entidade teria repassado quase R$ 30 milhões a um grupo de contas, de forma fracionada, segundo relatório do Coaf. Eu também gostava mais da minha vida quando eu não sabia sobre a Contag.



https://www.estadao.com.br/amp/economia/pedro-fernando-nery/entidade-fraude-inss-associados/

terça-feira, 6 de maio de 2025

Espaço reduzido

 LULA EM MOSCOU, ESPAÇO REDUZIDO 

"É um risco e tanto para o presidente brasileiro tornar-se um mero figurante de luxo no show de Putin. Por isso, a viagem de Lula à Rússia para o Dia da Vitória causa divisões no Itamaraty." 


Marcelo Ninio - O Globo - 06.05.2025


"(...) Na lista de líderes estrangeiros esperados no Dia da Vitória em Moscou, o nome de maior peso é o do presidente da China, Xi Jinping, principal fonte de apoio externo a Putin.


Logo em seguida vem Lula, que de certa forma é um ativo até mais valioso para o presidente russo ter a seu lado na Praça Vermelha. 


Afinal, entre os cerca de 20 chefes de Estado amigos convidados pela Rússia, o Brasil é uma exceção democrática no elenco de líderes autoritários simpáticos ao Kremlin — do venezuelano Nicolás Maduro a autocratas de ex-repúblicas soviéticas, como Bielorrússia e Azerbaijão. 


É um risco e tanto para o presidente brasileiro tornar-se um mero figurante de luxo no show de Putin. Por isso, a viagem de Lula à Rússia para o Dia da Vitória causa divisões no Itamaraty. 


O cancelamento da presença do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, deu mais argumentos para a turma do “não”, pois eliminou a hipótese de justificar a vinda de Lula como uma oportunidade de juntar os líderes do grupo Brics original num evento histórico. 


Entre os defensores da presença de Lula em Moscou há o argumento de que a vocação do Brasil é ter um papel relevante na resolução dos grandes problemas mundiais, a começar pelo fim de guerras como a da Ucrânia. 


Mesmo esses, porém, reconhecem que a volta de Trump e da diplomacia das grandes potências encolheu o espaço para realizar tal vocação." 


Ler artigo completo em: 


https://oglobo.globo.com/blogs/marcelo-ninio/post/2025/05/lula-em-moscou-espaco-reduzido.ghtml?fbclid=IwY2xjawKHMIVleHRuA2FlbQIxMQABHvnHNNvc72iejSNu7JLL9npibCok-4EQTlqg9H0myj1j87ynOPilzr7dh6fL_aem_5cK4Puc58SCe9ZCwpumq_g

Mercado de Ações

 Ações domésticas ganham força com fim próximo de aperto nos juros / Em meio à guerra tarifária, exposição a papéis ligados a commodities perde relevância e impulsiona rotação de gestoras- Valor 6/5


Por Maria Fernanda Salinet e Bruna Furlani — De São Paulo


Com a queda das commodities e o enfraquecimento do dólar diante do avanço da disputa tarifária global, a expectativa de que o Banco Central (BC) está perto do fim do ciclo de aperto monetário tem impulsionado uma rotação nos portfólios dos gestores brasileiros de ações. Nesse cenário, os papéis voltados ao mercado doméstico ganharam força em abril, enquanto os ligados a matérias-primas sofreram perdas expressivas.


Dados calculados pelo Valor Data apontam que o Ibovespa, que subiu 3,7% no mês passado, teria avançado 9,1% se não fosse o peso expressivo de Vale e Petrobras. Outro termômetro que evidencia o impacto da queda de ações de empresas ligadas a commodities no desempenho da principal referência acionária local é o Ibovespa Equal Weight, índice que atribui o mesmo peso a todas as companhias, que subiu 8,2% em abril.


Um dos motivos para a discrepância nos desempenhos em abril está no fato de que o anúncio das tarifas de Donald Trump elevou rapidamente a volatilidade e trouxe dúvidas sobre os efeitos negativos do “tarifaço” sobre a atividade americana e global, o que afetou diretamente os preços de commodities e levou a realocações nos fluxos de investimento entre ações de diferentes setores e geografias.


Na primeira quinzena do mês passado, por exemplo, os investidores estrangeiros zeraram os aportes no segmento secundário da B3, após uma sequência positiva registrada desde o início do ano. No entanto, a partir do dia 16, a entrada de recursos pela categoria foi retomada e, até 30 de abril, o investidor externo acumulou saldo positivo de R$ 10,5 bilhões no ano.


O principal desdobramento da guerra comercial pode ser traduzido como a descentralização da atividade econômica, que estava focada nos EUA e que agora se espalha globalmente, afirma o superintendente de renda variável da Bradesco Asset, Rodrigo Santoro.


“O cenário acaba revertendo o movimento intenso de concentração no mercado americano”, afirma. “Para o investidor estrangeiro, o câmbio é um fator importante de retorno. Com a perspectiva de um dólar mais fraco e o mercado americano performando pior, você começa a olhar para fora dos EUA.”


Em um cenário com preços de commodities caindo, dólar perdendo força e juro subindo menos, a avaliação das gestoras é que o momento é propício para aumentar o peso do portfólio para um perfil mais cíclico. “Efetivamente, mudamos a carteira para ter uma exposição muito mais doméstica e que se beneficia de um juro menor”, detalha o sócio-fundador e gestor da Norte Asset, Gustavo Salomão.


O gestor da Norte explica que a casa começou a realizar a alteração no portfólio em fevereiro, com objetivo de diminuir posições em ações ligadas a commodities, como de celulose, para elevar a exposição a companhias do setor elétrico e de saneamento, além de companhias com perfil mais de consumo e ligadas ao setor imobiliário.


Com a imposição de uma política tarifária mais dura por Trump, Salomão conta que o movimento de rotação ganhou força no começo de abril. Companhias como Vivara, Sabesp, Lojas Renner, Localiza, Direcional e Cyrela são alguns dos nomes que a casa aumentou posição, além de uma montagem de exposição aos papéis da C&A.


Santoro, da Bradesco Asset, diz que a casa já mantinha uma exposição bastante leve em papéis ligados a matérias-primas, e que aumentou a posição em ações locais com “bons proxies” - ou seja, com alta previsibilidade de resultados. Entre as companhias estão Localiza, C&A, Grupo Mateus, Cury, Sabesp e Energisa. No setor financeiro, Itaú Unibanco e BTG Pactual também se destacam.


O profissional da Bradesco Asset explica que o desempenho pior das commodities no mês passado provocou um movimento importante de fechamento nas curvas de juros, tanto no Brasil como no mercado global. A mudança, diz, deu mais força para a perspectiva do fim do aperto monetário e tornou os papéis ligados à economia brasileira mais atrativos.


Para a Bradesco Asset, o Banco Central deve aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, com uma pausa em junho, deixando os juros elevados por mais tempo. “Subir 50 bps [pontos-base] seria condizente com o discurso do [Gabriel] Galípolo. Ele deve fazer 50 e parar para observar”, completa Santoro.


Já Salomão avalia que a combinação de um câmbio mais apreciado com uma desaceleração da atividade global, provocada pela política tarifária do presidente Donald Trump, darão respaldo para o Banco Central realizar apenas mais uma alta da Selic, de 0,50 ponto percentual, no encontro desta quarta-feira.


Salomão não nega que uma eventual recessão global seria negativa para as ações domésticas, mas avalia que não haverá uma desaceleração muito forte. Para ele, a perda de tração da atividade econômica americana poderá levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a incrementar o ritmo de corte de juros, além do que há chance de que os países consigam chegar a um acordo com os EUA.


Outra casa que realizou mudanças marginais na carteira foi a AZ Quest. O gestor de renda variável da casa, Welliam Wang, diz que adicionou e aumentou posições em ações domésticas, ao mesmo tempo em que preferiu manter a alocação em empresas de concessões públicas e reduzir a exposição a papéis mais ligados a commodities, dado o risco de desaceleração da atividade global.


Na lista de alterações estão o incremento da alocação em papéis como Localiza e Vivara, além de uma montagem de posição em C&A. No caso da locadora, Wang explica que o ambiente de juro mais baixo é positivo para a venda de seminovos.


O gestor da AZ Quest destaca ainda que a Localiza tem conseguido manter a taxa de seminovos em níveis saudáveis, ao privilegiar o repasse de preços, mesmo que isso implique em um recuo do volume.


Embora as ações domésticas tenham liderado as maiores altas do Ibovespa em abril, caso de GPA e de LWSA, que terminaram com ganhos de 37% e de 35%, nessa ordem, a equipe de estratégia de ações para a América Latina do J.P. Morgan, liderada por Emy Shayo Cherman, prevê um potencial de valorização ainda maior para nomes domésticos cíclicos, no geral.


Em relatório, os profissionais do J.P. Morgan afirmam que análises feitas pelo banco mostraram que a maior parte dos papéis mais cíclicos costumam começar a performar acima dos demais cerca de três meses depois que o Banco Central inicia o corte de juros. O estudo, que levou em conta seis ciclos de afrouxamento monetário, trouxe ainda que o desempenho superior de ações domésticas tende a ficar ainda mais claro passados seis meses do começo do período de flexibilização da Selic.


Apesar da valorização em abril, os ativos domésticos ainda estão baratos, avalia Daniel Delabio, sócio e gestor da Exploritas. Ele conta que reduziu a exposição em ações do setor de consumo após a recente alta, mas que segue posicionado em papéis como CVC, Vamos, Blau e Vivara. O gestor explica que a diminuição em ações apenas coincidiu com um leve aumento em NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação, devido aos altos retornos.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...