terça-feira, 1 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 0103

 *Rosa Riscala: EUA citam barreiras comerciais do Brasil*


… A agenda dos indicadores traz hoje os índices PMI industrial na zona do euro, Alemanha, Reino Unido e nos EUA, onde também será divulgado o relatório Jolts com a abertura de vagas de emprego em fevereiro. A zona do euro tem, ainda, dados de inflação e um discurso de Lagarde (BCE). A contagem regressiva para o anúncio das tarifas de Trump amanhã (4ªF) mantém a apreensão global e os mercados no modo aversão ao risco, com receio de uma guerra comercial de maiores proporções. Depois de dizer que “todos os países” serão atingidos, Trump prometeu ser “mais gentil e mais leniente”, afirmando que é uma “pessoa flexível”. No final do dia, um relatório do USTR acusou o Brasil e mais 58 países de imporem numerosas barreiras contra produtos americanos.


… Sobre o Brasil, o documento afirma que impõe tarifas relativamente altas sobre as importações de uma ampla gama de setores, incluindo automóveis, peças automotivas, TI, eletrônicos, produtos químicos, plásticos, maquinário, aço, têxteis e vestuário.


… Para o USTR, a falta de previsibilidade das alíquotas brasileiras traz dificuldade aos exportadores dos EUA na projeção de custos para fazerem negócios no Brasil, que apresenta restrições e exige que os contratos contenham requisitos de compensação.


… Na véspera do Dia da Libertação dos Estados Unidos, o relatório da USTR é um indicativo que o País também será atingido.


… Com relação à UE, o documento diz que os bens e serviços produzidos pelos americanos enfrentam barreiras persistentes para entrar nos países do bloco europeu, criticado por não manter uma única administração alfandegária.


… Diz o USTR que, embora as tarifas sejam geralmente baixas para produtos não agrícolas, algumas são altas, como os 26% para peixes e frutos do mar, 22% para caminhões, 14% para bicicletas, 10% para veículos e 6,5% para fertilizantes e plásticos.


… Sobre o Canadá, que faz parte do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, o órgão afirma que os EUA continuam preocupados com possíveis ações canadenses que limitariam ainda mais as exportações de laticínios.


… O USTR também cita as barreiras de acesso que dificultam as exportações de vinho, cerveja e destilados americanos.


… Houve também uma queixa em relação à energia, acusando o mercado de Alberta de fornecer pontos de acesso separados e desiguais para os produtores de Montana e de propor taxas adicionais e outras restrições à energia importada.


… A Representação de Comércio americana ainda mencionou a China, citando o Acordo da Fase Um, assinado em janeiro/2020, afirmando que o país ficou muito aquém nos seus compromissos de compra de bens e serviços dos EUA.


… Este acordo prevê melhorar o acesso dos EUA ao mercado chinês nos setores da agricultura e dos serviços financeiros, além de abster-se de práticas problemáticas relacionadas à propriedade intelectual (PI) e transferência de tecnologia.


… Já no domingo, na entrevista à CBS News, Trump havia reclamado da “difícil relação comercial” com os países da Ásia, dizendo que os EUA tratarão os seus parceiros de maneira “muito mais generosa” [do que são tratados].


… Foi nessa entrevista que ele admitiu que “todos os países” serão atingidos pelas tarifas recíprocas, sugerindo que a negociação poderá vir depois dessa primeira medida. “Começaremos com todos os países, vamos ver o que acontece.”


… Trump parece convencido de que “vários países eliminarão tarifas contra nós”, mas, nesta 2ªF, a China, o Japão e Coreia do Sul concordaram em responder conjuntamente às tarifas dos Estados Unidos, informou a agência Reuters.


… A resposta dos parceiros comerciais é um ponto de grande preocupação nesse jogo do presidente dos EUA. O receio é de que retaliações, e não negociações, possam ser o estopim de um movimento de alto impacto para o crescimento global.


… Nos EUA, os temores de uma desaceleração do PIB, que já está nas projeções do mercado, se somam aos riscos inflacionários, na conjunção perversa de estagflação – o que seria um enorme desafio para a política do Fed.


… Se o cenário mais pessimista se confirmar, o Fed talvez tenha de escolher se prioriza a desaceleração da economia, ou recessão, cortando os juros, ou se mantém o aperto monetário para evitar que a inflação se desvie da convergência para a meta.


… Até aqui, o mercado aposta na redução das taxas, assim como a maioria dos Fed boys.


… Nesta 2ªF, John Williams (Fed/NY) disse esperar que a economia dos EUA continue crescendo este ano, em ritmo mais lento do que em 2024. “Não vou prever chances de uma recessão”, mas admitiu que as incertezas sobre as tarifas são elevadas.


… Já o presidente Thomas Barkin (Fed/Richmond) afirmou que não vê um “cenário de estagflação, no momento”.


… Em Wall Street, as incertezas são maiores e continuam a determinar uma corrida para ativos seguros, como o ouro, que renovou máxima história, enquanto o dólar avança ante pares e os juros dos Treasuries cedem na busca por qualidade (abaixo).


REUNIÃO DO BC – As incertezas sobre o cenário externo dominou a reunião entre economistas e diretores do Banco Central nesta 2ªF. Participantes relataram ao Broadcast que o debate das tarifas americanas tomou a maior parte do tempo.


… O único consenso é que a incerteza aumentou e que ainda não é possível cravar qual será o efeito do tarifaço.


… Em linhas gerais, a avaliação dos analistas é de que a mudança na política comercial dos EUA vai levar a uma desaceleração da economia do país e, consequentemente, a um cenário de juros mais baixos.


… Teoricamente, isso seria positivo para o real, mas a aversão ao risco pode enfraquecer o câmbio e pressionar o IPCA.


… Sobre o cenário doméstico, a maioria dos analistas concluiu que o crescimento da economia deve ser maior do que se esperava este ano, devido a medidas como o novo consignado privado.


… Esse quadro acaba implicando em uma inflação alta por mais tempo, exigindo que o BC mantenha os juros em nível restritivo.


… A maioria das projeções para o crescimento do PIB de 2025 ficou entre 1,8% e 2,3%, enquanto as estimativas para a inflação estiveram entre 5% e 6%. Para a Selic, os economistas esperam um nível de 15,0% a 15,5% no fim do ciclo.


DIOGO GUILLEN – Em palestra ontem à noite na Faculdade ESEG, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, previu que o debate sobre incerteza no cenário econômico não se resolverá com o chamado “Liberation Day” nos Estados Unidos.


… “No dia seguinte, vai ter alguma discussão sobre tarifas que não foram implementadas, mas que ainda podem vir, ou qual serão as respostas dos países, algum escalonamento, se houver uma negociação. A incerteza deve se manter.”


… Em relação à política monetária, Guillen disse que, primeiro, será preciso saber como o Fed vai reagir e, segundo, como isso vai ter impacto no Brasil. “É um cenário de incerteza. Há um crescimento global menor e o que vai acontecer com o dólar.”


… Guillen confirmou que a defasagem temporal da política monetária na economia justifica o guidance de alta menor da Selic em maio, mas alertou que o ciclo de aperto permanecerá em meio à resiliência na inflação e ao dinamismo da economia.


… “Acho que o ciclo deve continuar, porque você tem um cenário adverso de inflação, com expectativas desancoradas, resiliência de crescimento, mercado de trabalho, tudo isso leva a um cenário adverso e exige a continuidade do ciclo.”


BRB & MASTER – Após se reunir nesta 2ªF com o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, Galípolo terá hoje (11h) um encontro com o CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, logo após a sessão solene de 60 anos do BC na Câmara (9h).


… Paulo Henrique Costa avaliou como positiva a reunião com Galípolo, informando que “o processo de aquisição do Master pelo BRB começa a ser avaliado pelo BC de maneira oficial”. O BRB anunciou a operação, no valor de R$ 2 bilhões, na 6ªF.


… O banco público, controlado pelo Governo do DF, vai comprar 49% das ações ON do Master e 100% das ações PN.


… Além do presidente do BRB, Galípolo se encontrou ontem com o chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, que poderá entrar junto na compra de fatias do Banco Master, segundo reportagem do Estadão (na manchete de hoje).


… Quem acompanha de perto o desenho do negócio diz que carteira de precatórios (dívidas judiciais do governo) do Master ainda pode interessar ao BTG Pactual, pois esse era o interesse central de Esteves ao analisar as contas do Master.


… O BTG é um banco que atua fortemente nesse segmento.


… O Master detinha R$ 6,93 bilhões de precatórios federais, R$ 94,5 milhões de estaduais e R$ 58 milhões de municipais em junho do ano passado. O balanço do ano de 2024 fechado ainda não foi divulgado.


… O retorno do BTG para a mesa de negociação não afetaria a compra já anunciada pelo BRB. A saída pode ser costurada em uma negociação paralela, que seria analisada de forma conjunta pelo Banco Central mas em processos distintos.


… A esperança dos agentes que participam do desenho do negócio é que BRB e BTG consumam a maior parte das obrigações do Master e deixem uma porção menor na operação remanescente do banco, que apresenta maior risco.


… Dessa maneira, uma eventual intervenção do Banco Central ou dos bancos privados, via Fundo Garantidor de Crédito (FGC), custaria menos, diminuindo o risco para o sistema financeiro como um todo.


… O processo tem até 360 dias para ser analisado, mas a expectativa é que a operação seja concluída em até seis meses.


MAIS AGENDA – Além do presidente Gabriel Galípolo, todos os diretores do Banco Central participam hoje da sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos do Banco Central, a partir das 9h.


… Entre os indicadores, a FGV divulga o IPC-S de março (8h), com a mediana das estimativas desacelerando a 0,54% (1,18% em fevereiro), e a S&P Global informa o PMI industrial de março, que registrou 53,0 no mês de fevereiro.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LFT para 1º/3/2028 e 1º/6/2031 e de NTN-B para 15/8/2028, 15/8/2032 e 15/5/2045.


… Na Europa, o dia começa com o PMI industrial de março no Reino Unido, na Alemanha e na zona do euro, que também divulga os dados preliminares da inflação de março e a taxa de desemprego de fevereiro.


… Christine Lagarde, presidente do BCE, discursa em evento na Alemanha às 9h30.


… Nos EUA, o PMI industrial da S&P Global (10h45) pode recuar para 49,8 em março (de 52,7 em fevereiro) e o PMI industrial/ISM (11h) tem previsão de queda para 50,3 (em fevereiro).


… Também às 11h, sai o Relatório Jolts, com a abertura de vagas de emprego em fevereiro; previsão: 7,625 milhões.


CHINA HOJE – PMI industrial medido pela S&P Global/Caixin subiu para 51,2 em março, acima da expectativa de 50,8.


… Ainda na Ásia, o PMI industrial do Japão caiu de 49,0 em fevereiro para 48,8 em março.


… Também nesta 3ªF, o relatório Tankan informou que as empresas japonesas aumentaram suas previsões de inflação para um ano, três anos e cinco anos, apoiando os argumentos a favor de mais aumentos de taxas por parte do BoJ.


O RISCO TRUMP – A 2ªF fechou um trimestre que em 2024 parecia improvável.


… O ano começou bem, com Wall Street gostando do fato de o novo presidente dos EUA ter prometido políticas mais amigáveis às corporações. Em fevereiro, as bolsas bateram recordes.


… Mas o otimismo acabou em março com a retórica explosiva de Donald Trump contra parceiros comerciais e geopolíticos históricos e uma política tarifária, a ser anunciada amanhã, que ninguém sabe onde vai dar.


… Nesse intervalo, parte dos investidores passou a conviver com o medo de estagflação na maior economia do mundo, ou mesmo um cenário de recessão.


… Em NY, as bolsas derreteram no trimestre, abaladas principalmente pela baixa do mês passado. Em março, o Nasdaq perdeu 8,21%, o S&P 500 caiu 5,75% e o Dow Jones, -4,20%. De janeiro a março, caíram 10,42%, 4,59% e 1,28%, respectivamente.


… A média dos preços das ações das “sete magníficas”, as darlings do mercado até há pouco tempo, caiu 16% no trimestre, segundo cálculo da Bloomberg. Entre os piores desempenhos, Tesla cedeu 36%, Nvidia despencou 20%.


… “Foi um trimestre difícil para os investidores. Nem sabemos quais serão as tarifas finais”, disse Megan Horneman (Verdance Capital Advisors). “As chances de uma recessão aumentaram e os consumidores estão preocupados com os preços mais altos.”


… Ontem, depois de uma sessão de muita volatilidade na antevéspera do dia D das tarifas, o Nasdaq caiu 0,14%, para 17.299,29 pontos, O S&P 500 ganhou 0,55% (5.611,85) e o Dow Jones avançou 1% (42.001,75).


… Na fuga do risco, o yield da note de 2 anos caiu a 3,911% (de 3,914%), o da note de 10 anos, a 4,219% (de 4,235%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,591% (de 4,624%). O índice DXY subiu 0,16%, a 104,21 pontos. Mas no mês (-3%) perdeu terreno.


… O euro ficou estável (-0,07%) em US$ 1,0820; o iene também (-0,04%), a 149,923/US$; e a libra cedeu 0,16%, a US$ 1,2924.


… Enquanto isso, o mercado brasileiro, que terminou 2024 no susto, com dólar acima de R$ 6, juros em disparada e bolsa em queda, foi o ganhador improvável dos últimos três meses. 


… Na rotação global de ativos forçada pelas incertezas nos EUA, investidores viram aqui uma oportunidade de ganhar dinheiro. A entrada de capital gringo derrubou o dólar, queimou prêmios nos juros futuros e disparou o Ibovespa.


… A última sessão do trimestre foi bem negativa em meio à aversão global ao risco, registrada ontem. O Ibov caiu 1,25%, aos 130.259,54 pontos, com volume financeiro de R$ 20,3 bilhões.


… Mas, no trimestre, o índice ganhou 8,29%, puxado pelo resultado de março, quando subiu 6,08%.


… E embora os sinais de que a economia siga em ritmo robusto tenham levantado o temor de uma Selic mais alta por mais tempo, o ranking das vencedoras do trimestre são quase todas ações cíclicas.


… Cogna (+91,7%), Magazine Luiza (+56,1%), CVC (+53,6%), Cyrela (+41%), Assaí (+35,8%), Yduqs (+34,9%) e Carrefour (+33,5%).


… O real foi outro ganhador do período, com ajuda da alta dos 300 pontos-base de alta da Selic desde dezembro passado. No mês, o dólar caiu 3,57%, no ano acumulou baixa de 7,68%. Ontem ainda teve a disputa da Ptax.


… Já em queda firme desde o início do dia, o dólar desceu até R$ 5,7016, acompanhando a virada das bolsas em Nova York para o campo positivo. Fechou em baixa de 0,98%, a R$ 5,7053, na contramão do exterior.


… O discurso do diretor de Política Monetária, Nilton David, garantindo que o BC vai buscar a meta de 3% na inflação, ajudou.


… O alívio no câmbio contribuiu para uma queima nos prêmios dos juros futuros, que também seguiram os Treasuries. Na B3, o Jan/26 caiu a 15,015% (de 15,115% no fechamento anterior) e o Jan/27 cedeu a 14,930% (de 15,060%).


… O Jan/29 foi a 14,715% (de 14,820%), o Jan/31 desceu a 14,860% 9de 14,940%) e o Jan/33, a 14,870% (de 14,940%).


… Na forte queda do Ibovespa ontem, pesou o recuo de 1,49%, a R$ 56,79, de Vale, afetada pelo minério em Dalian (-1,47%).


… Já a Petrobras operou na contramão da alta do petróleo. A ação ON caiu 0,61% (R$ 40,82) e a PN, -0,72% (R$ 37,16), enquanto na ICE o Brent/junho subiu 2,76%, a US$ 74,77/barril, após Trump ameaçar tarifas sobre compradores de óleo russo.


… À noite disse que não é seu desejo tarifar o petróleo russo, e que só adotaria a medida se “houvesse necessidade”.


… As ações dos bancos também caíram, com destaque para Bradesco ON, -2,32% (R$ 11,35), na mínima. Banco do Brasil registrou queda de 1,57% (R$ 28,19), Santander, -1,51% (R$ 26,720), Bradesco PN, -1,32% (R$ 12,67) e Itaú, -0,88% (R$ 31,41).


… Entre as poucas altas da sessão, Grupo Pão de Açúcar saltou 13,60%, a R$ 3,09, após pedido de convocação de assembleia para mudança do conselho da companhia. CVC (-6,19%), Vamos (-6,00%) e Marcopolo (-5,26%) lideraram as perdas.


… Fora do Ibovespa, BRB PN disparou 90,34% e BRB ON, +83,44% (R$ 13,74), após anunciar a compra do Banco Master.


EM TEMPO… Justiça mandou a VALE manter pagamento integral a atingidos de Brumadinho…


… Mineradora celebrou acordo com a Global Infrastructure Partners para joint-venture na Aliança Energia; companhia receberá US$ 1 bilhão em dinheiro e deterá participação de 30% na joint-venture; GIP terá 70%.


PETROBRAS, por meio do seu Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes), firmou acordo de cinco anos renováveis por igual período com o Instituto Francês do Petróleo e Energias Renováveis (Ifpen)…


… Acordo será para pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a projetos de transição energética e descarbonização.


LOJAS MARISA registrou lucro líquido de R$ 5,8 milhões no 4TRI e reverteu prejuízo visto um ano antes; Ebitda somou R$ 120,2 milhões no trimestre e reverteu resultado negativo do mesmo período de 2023.


QUALICORP aprovou a distribuição de R$ 1,56 milhão em dividendos: R$ 0,0055/ação, com pagamento até 31/12; ex em 30/6.


RD SAÚDE aprovou a distribuição de R$ 118,1 milhões em JCP: R$ 0,0689/ON, com pagamento até 1º/12; ex em 4/4.


RAÍZEN. Norges Bank atingiu participação acionária de 5,012% na empresa, passando a deter 68.110.514 de ações PN.


LIGHT. Tempo Capital Gestão de Recursos passou a deter 2.520.441 de ações da empresa, 5,56% do capital social da companhia.


MINERVA. Conselho aprovou proposta de aquisição da Fortunceres e do Frigorífico Patagônia, que será levada a assembleia de acionistas; negócio seria no âmbito de aquisição de ativos da Marfrig.

Banco Master 2

 Josias: Compra do Banco Master é negócio malcheiroso sob qualquer ângulo


31/03/2025 13h56


A compra do Banco Master, anunciada na semana passada pelo banco estatal BRB (Banco de Brasília), é tido como negócio malcheiroso e há risco de não acabar bem, avaliou o colunista Josias de Souza durante o UOL News, do Canal UOL.


Esse negócio que resultou na compra de um pedaço do Banco Master pelo BRB é malcheiroso sob qualquer ângulo que se observe. Há risco de esse negócio não acabar bem.” Josias de Souza, colunista do UOL


Na sexta-feira (28), o BRB anunciou a compra de 58% do Banco Master, em negócio estimado em R$ 2 bilhões. A operação agora precisa passar pela aprovação do BC (Banco Central).


O Banco Master ficou por oferecer um título de CDB extremamente agressivo, um dos maiores rendimentos do setor, e por patrocinar —juntamente com outras empresas com ações em tramitação nos tribunais superiores— eventos jurídicos sobre o Brasil no exterior. No palco desses eventos, estavam ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), além de autoridades do governo Lula.


O Banco Master estava operando em situação em que o mercado financeiro olhava de esguelha, em uma situação que inspira todas as suspeitas do mundo. O dono do banco [Daniel Vorcaro] é um operador muito agressivo e, ao mesmo tempo, exibicionista.” Josias de Souza, colunista do UOL


O banqueiro no qual Josias se refere se chama Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master: diferentemente da maioria dos banqueiros, que preferem manter a discrição sobre seus investimentos e a sua vida pessoal, Vorcaro não tem problemas com a exposição pública.


O banqueiro já afirmou ter comprado o hotel Fasano Itaim como pessoa física, é sócio do Clube Atlético Mineiro e fez uma festa de debutante estimada em R$ 15 milhões para sua filha, que viralizou nas redes sociais.


Ele adotou uma estratégia agressiva para obter recursos. E utilizou para isso o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), fundo que é abastecido por todos os bancos. O Banco Central alterou regras, não caminhava as regras, ao perceber que a regra não caminhava bem. ”


O Banco Master teve que se capitalizar, alterou regras [...] e o Banco Central acendeu ali algumas luzes no painel de controle.”


Aí vem um banco público, que é o BRB, que é um banco que pertence ao governo de Brasília, e compra um pedaço desse banco, que tem como acionista majoritário o dono do Master. ”


Então, joga R$ 2 bilhões de dinheiro público, em uma operação na qual o mercado considera temerário e que o Banco Central já olhava como precaução. Aí fica a dúvida: como um banco chega a esse ponto e o Banco Central não interveio? Agora cabe o Banco Central testar a rigidez, porque dinheiro público entrou numa operação privada.” Josias de Souza, colunista do UOL


https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/03/31/banco-master-brb-banco-central-compra-aquisicao-suspeitas-criticas-mercado.htm

segunda-feira, 31 de março de 2025

FGC

 Exclusivo: FGC descarta risco sistêmico em caso Master; compra pelo BRB não revolve todos os problemas


O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estaria preparado em uma remota quebra do Banco Master, e não vê um risco sistêmico caso isso ocorra, disse uma fonte ao Money Times.


Na última sexta-feira, o Banco de Brasília (BRB) comprou participação no Master por cerca de R$ 2 bilhões.


O FGC está no centro das discussões, já que era utilizado como chamariz pelo próprio Master para vender os CDBs turbinados.


Segundo cálculos do Valor Econômico, o passivo do banco, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, é de 50% do total do FGC. Ou seja, em caso de quebra, o Master sugaria metade da liquidez, usada como colchão para evitar calotes em eventuais falências de instituições financeiras.


Atualmente, o patrimônio do FGC supera R$ 120 bilhões.


Para a fonte, porém, há um trabalho intenso para que isso não ocorra, pois uma possível falência poderia provocar um aumento de contribuição dos bancos, que repassaria os custos para os clientes.


O fato é um dos principais pontos de preocupação de banqueiros e agentes do sistema financeiro, que tratam a venda do Master para BRB como uma espécie de socorro, e, por ser banco controlado pelo governo do Distrito Federal, estatal.


Ainda segundo a fonte, todos os agentes, incluindo o Banco Central e o controlador, estão empenhados em encontrar uma solução, que poderia se arrastar por um longo tempo.


O BC, por exemplo, possui 360 dias para analisar a proposta.


Uma proposta de injeção de capital por parte dos bancos, até agora, não chegou à mesa.


Master: Não resolve tudo


Ainda segundo a fonte, a compra do BRB não resolve todos os problemas. A própria estatal diz que a compra deixará de fora cerca de R$ 23 bilhões em passivos do banco.


“Acho difícil que seja a solução. Eu acho até que possa fazer parte de uma solução. Mas, como o próprio fato relevante do banco disse, tem ativos que eles não comprariam, tem partidos que eles não assumiriam”.


Segundo informações, o banco teria sido oferecido para outros entes privados. Porém, os riscos da carteira, formada por precatórios e ações de empresas em situação financeira frágil, impediram uma compra.


Ao contrário de muitos bancos médios, cuja carteira é composta majoritariamente por empréstimos ao varejo e/ou atacado, aproximadamente 34% da carteira do Banco Master são em títulos e créditos a receber, destaca a Nord Research.


E para se financiar, o Master se utilizava, justamente, dos CDBs (títulos de dívida) turbinados, que tinham rendimento de 140% acima do CDI.


Em 2018, o banco possuía um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 30 milhões. Esse valor cresceu para R$ 5 bilhões em 2024, com a meta de alcançar R$ 10 bilhões até 2026.


Procurado, FGC não comentou até o fechamento da matéria.


O que é o FGC e qual a sua importância?


Entidade privada sem fins lucrativos, o FGC protege depositantes e investidores em caso de falência ou intervenção em instituições financeiras no Brasil.


Ele atua garantindo a devolução de valores aplicados em determinados produtos financeiros, dentro de um limite estabelecido, que no caso é de R$ 250 mil por CPF.


O arcabouço foi criado para evitar crises no sistema financeiro, após traumas de bancos que quebram nos 1990 e deixaram inúmeros investidores e clientes na mão.


Além de cobrir prejuízos, o FGC pode atuar para ajudar instituições em dificuldades antes que cheguem à falência, reduzindo impactos econômicos negativos.


As instituições financeiras devem contribuir com 0,0125% (1,25 por mil) sobre o saldo dos depósitos elegíveis à garantia.


Risco político?


No Congresso Nacional, pipocaram propostas que visavam aumentar limite de garantia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa.


A proposta era encabeçada por Ciro Nogueira (PP-PI), com o objetivo de ampliar a proteção aos depositantes e fortalecer a confiança no sistema bancário nacional.


Posteriormente, em novembro de 2024, o deputado Filipe Barros (PL-PR) apresentou o Projeto de Lei 4.395/2024, propondo o mesmo aumento no limite de garantia do FGC


Em resposta, diversas entidades do setor financeiro manifestaram-se contrárias a essas propostas.


De acordo com as associações, iniciativas desse tipo “poderão comprometer a experiência exitosa do FGC no estabelecimento de uma rede de segurança efetiva para os investidores e depositantes mais vulneráveis e o sistema financeiro”.


“Como o limite de garantia ordinária atual, de R$ 250 mil, já cobre mais de 99% do número de contas e de depósitos


https://www.moneytimes.com.br/exclusivo-fgc-descarta-risco-sistemico-em-caso-master-compra-pelo-brb-nao-revolve-todos-os-problemas-rnda/amp/

Lula, Bolso, Putin e Trump

 https://www.estadao.com.br/politica/fabiano-lana/questao-ucraniana-revela-as-semelhancas-cruciais-entre-lula-bolsonaro-putin-e-trump/


*Questão ucraniana revela as semelhanças cruciais entre Lula, Bolsonaro, Putin e Trump*


_Todos esses políticos se opõem a uma ordem liberal que tenha como pilares o multilateralismo, fronteiras abertas e o livre comércio. Querem de volta um mundo baseado em líderes fortes, populistas, com suas áreas de influência_.


Por Fabiano Lana


Do ponto de vista de como deveria se organizar a nova ordem mundial, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin possuem muito mais semelhanças do que admitem seus cegos e mesmo ponderados admiradores. Todos esses políticos se opõem a uma ordem liberal que tenha como pilares o multilateralismo, fronteiras abertas e o livre comércio. Querem de volta um mundo baseado em líderes fortes, populistas, com suas áreas de influência.


Um tira-teima dessa tese foram os elogios de Lula a Trump, no último fim de semana, sobre a questão ucraniana. “Eu poderia ser radical contra Trump, mas na medida que o Trump toma a decisão de discutir a paz entre Rússia e Ucrânia, que o Biden deveria ter tomado, eu sou obrigado a dizer que o Trump está no caminho certo”, disse Lula, em entrevista coletiva no Vietnã.


Caminho certo para a paz, traduza-se: a Ucrânia, como país invadido, perde uma parte de seu território para os invasores. E, segundo esses neorrussófilos, ainda teve a sorte de não sucumbir completamente. Como justificativa, entre outras, mesmo agredido, o país teria ido longe demais ao pleitear entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), assim como já fizeram países como Polônia, Croácia, Albânia e, mais recentemente, a Suécia.


A Rússia alega estar sendo cercada pelo ocidente num discurso ecoado por autoridades como o vice-presidente americano J. D. Vance e o conselheiro internacional do presidente Lula, Celso Amorim (esses também, irmanados). Mas que tal pensar que seja o contrário? Nos pequenos países bálticos, por exemplo (Estônia, Letônia, Lituânia), a soberania se mantém apenas devido à aliança militar externa. Em todas essas nações há, inclusive, “museus da ocupação” em que se contam os horrores que sofreram na mão dos russos – incluindo o envio dos “inimigos” aos gulags – os campos de concentração soviéticos. Sabem que, se não estiverem com uma proteção externa consistente, não sobrevivem. Mas para invocar uma metáfora que remete ao machismo, a Ucrânia teria “utilizado a saia curta” ao flertar com a OTAN, e por ir isso mereceu ser agredida. Nesse caso, tanto Lula, Bolsonaro, Trump e, por certo, Putin, tendem a concordar.


Mas vamos nos concentrar no Brasil um pouco. Lula quer mesmo a paz? É o seu objetivo final? Se a gente olhar a história pelas lentes de certos pensadores como Friedrich Nietzsche, a resposta é não. O que Lula pretende com seus posicionamentos é obter mais poder, aumentar as credenciais internas e externas, e, no fundo, beneficiar principalmente a si mesmo. “Ao fazer o bem e fazer o mal a outros, exercitamos neles o nosso poder – é tudo o que queremos nesse caso!”, escreveu o pensador alemão, no livro “A Gaia Ciência” (A citação está na página 64 da edição de 2005 da Companhia das Letras). Podemos especular também que, impopular no front interno, Lula tenta novamente se apresentar como poderoso do ponto de vista internacional.


De um lado, além de todo ranço contra a globalização, hoje representada mais pela Europa do que pelos EUA, o petismo/lulismo ainda abriga certa nostalgia dos países totalitários da chamada Cortina de Ferro – oponente da OTAN – então liderada pela União Soviética. A queda do muro de Berlim, em 1989, e a dissolução desse grupo comunista, é um trauma não superado pela nossa esquerda. Não é sem razão que Lula quer ir à Rússia em maio, nas comemorações dos 50 anos do final da Guerra Mundial, mesmo que hoje Putin seja procurado pelo Tribunal Penal Internacional.


Do outro lado do espectro ideológico na nossa polarização tupiniquim, com a eleição de Trump os bolsonaristas de redes passaram imediatamente a apoiar todas as ambições do americano, inclusive sobre como deve ser feita a paz na Ucrânia – com a sessão do território para os russos. Portanto, temos lulistas e bolsonaristas juntos contra os interesses de um país europeu.


Bolsonaro não esconde a posição de submisso a Trump. Tenta espelhar suas ações e ideias. Em suas franjas, o bolsonarismo sonha com uma espécie de retaliação do governo atual dos Estados Unidos contra a inevitável condenação de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal pela malfadada tentativa de golpe de Estado. Aparentemente, essa é uma das missões do filho 03, Eduardo Bolsonaro, no autoexílio americano.


Enfim, Lula, Bolsonaro, Trump e Putin mostram as verdadeiras faces e os verdadeiros inimigos. Todos os que, principalmente nos anos 90, sonharam com uma ordem liberal, multilateral e global. Na época, chegaram até a afirmar que seria o ápice (ou o fim) da história – Período em que os mandatários eram FHC, por aqui, Bill Clinton, nos EUA ou Tony Blair, na Inglaterra. Os tempos mudaram. Hoje os líderes – os países mais e menos poderosos – são, em geral, mais paranóicos e desconfiados uns dos outros. Se irão prosperar em suas convicções, só a história pode nos dizer."

Algoritmo

Quais características um algoritmo precisa ter para se apropriar de vantagens quânticas reais — mesmo sem depender diretamente de hardware quântico:

O algoritmo precisa explorar uma estrutura que seja intrinsecamente difícil de capturar classicamente

A computação quântica se destaca não simplesmente por ser “mais rápida”, mas por explorar estruturas matemáticas que são invisíveis, dispersas ou difusas para algoritmos clássicos.


No caso do algoritmo de Shor, que fatoriza inteiros grandes de forma exponencialmente mais eficiente que qualquer algoritmo clássico conhecido, a chave está na descoberta do período de uma função aritmética. A periodicidade é algo que algoritmos clássicos podem detectar, mas com enorme custo — enquanto a abordagem quântica a extrai de forma natural usando interferência e superposição.


Então, a primeira característica essencial é:


O problema deve ter uma estrutura matemática oculta que pode ser revelada por interferência quântica.


Isso inclui periodicidades, simetrias espectrais, autovalores de operadores, padrões de fase, ou subespaços lineares ocultos.

[31/03, 13:15] +55 11 91289-1333: o algoritmo deve ser sensível à fase, e não apenas à probabilidade

O que distingue algoritmos quânticos de modelos probabilísticos clássicos é o uso de amplitudes complexas, cujas fases interferem umas com as outras. Isso significa que o algoritmo precisa depender da estrutura de fase e do cancelamento construtivo/destrutivo de caminhos computacionais.


Voltando ao algoritmo de Shor: após o mapeamento do problema de fatoração para a busca de um período, o algoritmo aplica a transformada de Fourier quântica, que é uma versão unitária e reversível da clássica transformada discreta de Fourier.


O que essa transformada faz, de forma elegante e compacta, é converter padrões de periodicidade que estão codificados nas fases dos vetores quânticos em valores mensuráveis com altíssima eficiência.


Ou seja:


Para ser vantajoso, o algoritmo precisa transformar padrões de fase em informação acessível por medição.


Esse processo só faz sentido se o algoritmo opera no domínio da fase, não apenas da magnitude — algo que muitos algoritmos quânticos simulados (ou inspirados) esquecem.

[31/03, 13:15] +55 11 91289-1333: o algoritmo deve ser reversível e unitário em sua lógica, mesmo que simulado classicamente

Todo algoritmo quântico é modelado como uma sequência de operações unitárias e reversíveis, o que contrasta com muitos algoritmos clássicos destrutivos ou irreversíveis (como ordenações que descartam intermediários).


Mesmo ao emular algoritmos quânticos em computadores clássicos — por exemplo, usando tensores, circuitos parametrizados ou máquinas de Boltzmann quânticas — a lógica reversível e coerente deve ser preservada, pois é essa lógica que permite o acoplamento coerente de caminhos computacionais e a interferência.


Em suma:


Um algoritmo quântico funcional, mesmo simulado, deve preservar reversibilidade, coerência e estrutura linear.

O algoritmo deve permitir interferência coerente entre soluções candidatas

O poder de algoritmos como o de Shor, Grover ou HHL (sistemas lineares), não está apenas na velocidade — está na capacidade de explorar simultaneamente múltiplos caminhos computacionais e deixar que a própria física determine o caminho mais eficiente por interferência.


Se um algoritmo busca soluções isoladamente (como a maioria dos heurísticos clássicos), ele perde o núcleo do “efeito quântico”.


Assim, mesmo quando simulamos ou usamos algoritmos quântico-inspirados (como em otimizações baseadas em annealing ou circuitos variacionais), é essencial preservar a propriedade de que:


As soluções candidatas “conversam” umas com as outras via interferência, ao invés de competir por prioridade.


Esse princípio exige lógica de programação declarativa e funcional, não imperativa e sequencial.

A medição ou colapso da solução deve emergir da estatística de observação, e não de decisão determinística

Na computação clássica, a resposta é construída passo a passo.


Na computação quântica — e em seus análogos simulados — a resposta emerge das estatísticas de observação de um sistema que evoluiu de forma coerente.


Ou seja, o algoritmo deve ser probabilístico ao final, mas não ao longo do processo. O caráter probabilístico vem da medição de um sistema bem estruturado — não de sorteios aleatórios ao longo do caminho.


Essa sutil diferença é crítica:


A incerteza final de um algoritmo quântico não é ruído, mas sinal.


Portanto, um bom algoritmo quântico (ou inspirado) deve focar em estruturar o espaço de probabilidades de saída, não em buscar diretamente a melhor saída.

[31/03, 13:16] +55 11 91289-1333: Aplicando esses princípios hoje, sem hardware quântico

Usando essa ótica, mesmo algoritmos clássicos podem ser redesenhados para se comportar de forma quântica, extraindo vantagens práticas como:


Exploração paralela implícita do espaço de soluções (como em tensor networks);\n- Otimização via modelos inspirados em interferência (como quantum-inspired annealing);\n- Detecção de padrões via métodos de espectro (como Fourier e wavelet transformadas estruturadas);\n- Uso de reversibilidade lógica para economia de memória e reversão de trajetórias computacionais;\n- Representações probabilísticas estruturadas (como samplers baseados em entanglement lógico).

Cesinha Benjamin

Por Cesar Benjamin 

Anotem aí: salvo em situações excepcionais, não acredite em narrativas de torturas feitas em primeira pessoa. 


Quando mais escalafobéticas, mais mentirosas. Elas se tornaram um prato feito para os picaretas e os traidores.


Quem foi torturado não gosta de falar disso. É imensamente doloroso. Nem a minha família conhece detalhes do meu pesado ciclo de interrogatórios. 


Lembro-me de ter falado apenas uma vez desse assunto, sinteticamente, em depoimento à Comissão da Verdade. Era um imperativo moral.


Ultimamente, ouvi um cidadão dizer que “fui torturado diariamente durante seis meses”. Outro, um eterno deputado estadual, garante que “carrego no meu corpo as marcas da tortura”.  Outro(a) foi torturada durante 38 dias, sem nada revelar.


Todos foram delatores, que não receberam nem um beliscão. Não conheceram a tortura, que não se conta em meses nem em semanas e nem mesmo em muitos dias em sequência, mas em horas intercaladas. 


Vomito nesses filhos da puta. É um imenso desrespeito.


As pessoas mais éticas são as mais silenciosas.  As mais estridentes são as mais canalhas. Para elas, a verdade não é um valor.


A esquerda brasileira está repleta de canalhas. Sei do que estou falando.


__________


Em tempo - Conheço bem e respeito a história política, pessoal e intelectual de César Benjamin. Entrou para a guerrilha urbana ainda adolescente. Participou de ações armadas. Foi um dos guerrilheiros mais procurados pelo aparelho de repressão. Preso, foi dos mais torturados. Conheço detalhes de seu interrogatório. Aguentou muitos anos em Bangu. Com a Anistia, reconstruiu a vida como editor. Fundou o PT e depois o PSol, mas rompeu com ambos quando esses partidos desandaram. Respeito Benjamin também por sua coerência e honestidade ideológica.


Tem semanas que aparecem nas redes sociais dezenas de relatos escalafobeticos de supostas torturas d'antanho, cada uma mais inverossímil que a outra. Choques elétricos em bebês, crianças em pau de arara, tesouras em bicos de seios, estupros coletivos, tortura por semanas, meses, anos... Alguns dos supostos torturados conheci pessoalmente. Conheço bem os métodos de interrogatório da ditadura militar. Aliás, minhas teses de mestrado e doutorado trataram do tema.


Enfim, muito estranha essa onda de relatos a esta altura da nossa história. O regime militar durou 20 anos, sendo sete sob ditadura explicita. A democracia foi instaurada há 40 anos. A Comissão Nacional da Verdade, que terminou há 12 anos, foi fundo na apuração das violações dos Direitos Humanos... e agora, do nada, as redes sociais são tomadas de relatos de tortura. 


O que está por trás disso? Será que buscam justificar os estupros coletivos que Suas Supremas Sapiências têm perpetrado contra a Carta Magna?


Não sei. Mas sei que esses relatos extemporâneos e inverossímeis estão incomodando um ex guerrilheiro de verdade, que de fato foi estupidamente torturado, mas que não está gostando da banalização desses crimes.

Bankinter Portugal Matinal 3103

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O inesperado aumento do Deflator PCE Subjacente na sexta-feira (+2,8% vs. +2,7% anterior, revisto em alta desde +2,6% preliminar) acrescentou uma espécie de “choque de realidade” em relação ao que é uma consequência indireta de qualquer guerra comercial: mais inflação. Isto é algo que iremos sofrer com severidades no segundo semestre deste ano e que irá forçar os bancos centrais (na verdade, já o está a fazer) a resistir a continuar a baixar taxas de juros. E, por isso, uma semana que oferecia um saldo quase neutro até quinta-feira, terminou claramente negativa na sexta-feira. Sexta-feira foi, francamente, má no fecho americano, e também por isso a Ásia (Japão, principalmente) com queda forte esta madrugada (-4%) e os futuros sobre bolsas retrocedem apreciavelmente (-0,8%/-1%).


A chave desta semana está na quarta-feira: é o dia que Trump escolheu para especificar os detalhes dos impostos alfandegários que os EUA começarão a aplicar a partir de quinta-feira, 3. O facto de ter denominado a quarta-feira como “Liberation Day” leva a pensar que os detalhes das medidas alfandegárias não irão retirar gravidade ao assunto em relação ao esperado; isto é, que não aplicará isenções relevantes por produtos nem países, por agora. Fará isso depois de ter conseguido o impacto populista suficiente que deseja, visto que, insistimos novamente, a história económica demonstra que todos perdem numa guerra comercial: menos comércio, menos PIB, mais inflação… Isto é, que não podemos esperar algo melhor ou suavizado na quarta-feira. Portanto, se as bolsas se animarem um pouco (improvável) com uma inflação europeia bastante contida entre segunda e terça-feira (repetir em +2,3%), é melhor desconfiar, porque a concretização alfandegária provavelmente será tão má como parece (pelo menos de momento e até conseguir o impacto populista que deseja). 


E, para terminar de fechar o círculo, o Emprego americano de sexta-feira, ao ser registo de março, poderá oferecer os primeiros indícios de debilitamento derivados da incipiente guerra comercial. Porque os primeiros indicadores adiantados americanos publicados nestes dias recebem uma deterioração de confiança que deve estar a afetar já o Consumo Privado e o Investimento. E uma amostra disso é, simplesmente, o retrocesso de quase -5% de Wall St. até agora, este ano. Reduzir riscos é uma grande ideia.


CONCLUSÃO: A semana parece especialmente fraca. Convém não se fiar nas subidas, quando sobe, que não será hoje. Ásia muito fraca esta madrugada, após Nova Iorque semelhante na sexta-feira. Sendo a semana de concretização de impostos alfandegários (quarta-feira) e considerando o fracasso (era previsível, por outro lado) das “negociações” de Trump sobre a Ucrânia, não devemos esperar nada de bom nos próximos dias e implementar a descida de exposição ao risco que temos vindo a insistir desde 24 de março, na publicação da nossa Estratégia de Investimento 2T 2025 (em espanhol; a versão portuguesa será disponibilizada esta semana).


S&P500 -2% Nq-100 -2,6% SOX -3% ES-50 -0,9% IBEX -0,8% VIX 21,7 Bund 2,73% T-Note 4,20% Spread 2A-10A USA=+35pb B10A: ESP 3,36% PT 3,24% FRA 3,43% ITA 3,85% Euribor 12m 2,349% (fut.2,203%) USD 1,084 JPY 161,5 Ouro 3.114$ Brent 73,4$ WTI 69,0$ Bitcoin -3,4% (82.250$) Ether -5,3% (1.810$). 


FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...