segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Resumo 0601

 📲 As notícias do Resumo

** Sob pressão para cortar gastos, Lula cria estatal pra lançar foguetes.

** Latam e Azul entram em ranking de aéreas mais pontuais do mundo.

** Estrangeiro retira 32 bi da Bolsa em 2024, maior valor desde 2020.

** Receita amplia número de pessoas classificadas como grandes contribuintes.

** Apple vai pagar US$ 95 milhões por escutar conversas de usuários.

** ETF de Bitcoin da BlackRock tem maior volume diário de resgate da sua história.

Maiores pagadoras de dividendos

 Estadão: Estudo lista as companhias que mais pagam dividendos a acionistas no País


São Paulo, 05/01/2025 - A economista Louise Barsi, sócia-fundadora do AGF, encomendou um estudo à consultoria Elos Ayta para identificar as ações que mais pagaram dividendos nos últimos seis anos. O filtro considerou companhias que registraram um Dividend Yield (DY, índice que mede a rentabilidade dos dividendos de uma empresa em relação ao preço de suas ações) de pelo menos 6%, na mediana, e que tenham mantido um volume financeiro relevante.


No topo da lista de melhores pagadores aparece a Petrobras, com DY de 11,82% no período analisado. Os papéis ON e PN da estatal, porém, não fazem parte da seleção do AGF, aplicativo que orienta como gerar renda passiva por meio de investimentos com foco em dividendos, em razão da volatilidade excessiva: nos seis anos analisados, os seus pagamentos oscilaram entre 1,4%, no pior ano, e 67,92%, no melhor.


“Não é uma empresa para a carteira de qualquer um. Tem que ser um investidor mais experiente, que tenha estômago”, diz Louise, que leva adiante o legado do pai, o megainvestidor Luiz Barsi. “A gente sempre ensina para os nossos assinantes que a busca é por empresas que não oscilem tanto assim. Preferimos empresas perenes, de setores que dificilmente atinjam 70% de yield em um ano, mas que o investidor terá pelo menos 6% de yield em um ano que seja muito ruim”, ressalta.


Esse é o caso da Taesa, segunda colocada no ranking da Elos Ayta, com um DY mediano de 9,61%. A companhia do setor elétrico tem muito menos volatilidade no fluxo de pagamentos de proventos do que a Petrobras: no pior ano, teve um yield ainda relevante, de 8,39%. No melhor ano, chegou a 17,78%. O levantamento traz ainda outras companhias, como BB Seguridade, Copasa, Cemig e Banco do Brasil, com essa mesma característica - unir pagamentos altos e constantes - e que por isso são indicações do AGF para quem busca renda passiva, perene e de forma segura.


‘RISCO DE RUÍNA’. “Tentamos mostrar para as pessoas que não necessariamente você precisa se colocar em ‘risco de ruína’ para ter uma rentabilidade diferenciada”, afirma a economista. Para este ano, quem segue essa estratégia de investir em companhias historicamente resilientes e que são boas pagadoras de dividendos não deve se preocupar com a crise fiscal, por exemplo, segundo ela.


Desde o anúncio do pacote de corte de gastos do governo federal, no fim de novembro, o mercado mergulhou em uma espiral de pessimismo. De um lado, as medidas foram consideradas insuficientes. De outro, a divulgação em conjunto com a proposta de isenção de Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil pegou os investidores de surpresa e intensificou a reação negativa. Resultado: já há quem veja a taxa Selic em 15% neste ano, o que deve impactar negativamente a performance das empresas da Bolsa, especialmente as companhias que atuam no mercado interno e têm endividamento mais elevado.


Mas este não deve ser o caso das companhias “BEEST” - nome dado pelo AGF a empresas do setor bancário, energia, seguros, saneamento e telecomunicações, que pagam dividendos e são resilientes.


“Mesmo com um cenário mais difícil no macro previsto para 2025, boa parte dos relatórios de colegas analistas que eu tenho lido tem, inclusive, apontado para um aumento da lucratividade”, diz Louise. “As seguradoras, por exemplo, se não houver alguma variável muito diferente no negócio, alguma externalidade, esse vai ser o momento em que essas empresas vão se beneficiar bastante”, diz.


DOMINÂNCIA FISCAL. Na visão da economista, o mercado tem razão de estar “nervoso”, já que há neste momento um risco potencial de “dominância fiscal” - termo utilizado para descrever situações em que a política monetária (subir ou baixar os juros de um país) do Banco Central perde o efeito de controlar a inflação, em razão do descontrole dos gastos públicos.


Entretanto, diz ela, a situação “micro” das empresas ainda está muito mais positiva do que em outros momentos em que houve tensão parecida nos mercados, como durante o segundo mandato de Dilma Rousseff (PT). “Hoje, eu acho que é muito mais uma antecipação dessa ansiedade do que pode vir a acontecer de dominância fiscal do que necessariamente um reflexo da qualidade dos balanços que devem vir agora para 2025.”


“Pode ser que uma ou outra companhia reduza a política de dividendos por uma postura muito mais conservadora, de precaução, do que por necessidade. Principalmente em setores que são pouco mais ‘capital intensivo’, não vejo isso ocorrendo com bancos, seguradoras. Os setores BEEST, que costumamos investir, são de empresas que se beneficiam dessas características que estamos vivendo hoje, como juro alto”, acrescenta ela.


A economista recomenda ainda que se evite extremos e comportamentos de manada, como sair investindo todo o capital disponível em ações porque os papéis caíram ou vender tudo por conta das desvalorizações. “Siga o plano e aproveite que esse é o mês em que as empresas estão anunciando juros sobre capital próprio (JCP), dividendos, algumas vão pagar inclusive nas próximas semanas. Então usa esse fluxo para continuar dando uma robustez para a sua carteira. Não vai tirar um dinheiro da reserva de emergência para colocar no ambiente que é volátil”, diz. (Jenne Andrade, E-Investidor)


Broadcast+

Trump e as ameaças, 0601

 Estadão: 'Com a volta de Trump, Brasil enfrenta riscos concretos'


São Paulo, 05/01/2025 - Janeiro marcará um dos principais eventos que vão ditar o rumo dos mercados globais neste ano e nos próximos: dia 20, Donald Trump toma posse pela segunda vez como presidente dos EUA. A volta do republicano ao poder já vem influenciando o humor de investidores globais, em meio à euforia e ao receio com as propostas feitas ao longo da campanha.


Entre essas promessas, estão taxar produtos importados, acirrar guerras comerciais e reprimir a imigração e deportar imigrantes. Apesar de a ideia de “tarifaço” ser discutida inicialmente para produtos chineses, canadenses e mexicanos, o futuro presidente dos EUA já deu indícios de que estenderá a medida a todos os parceiros comerciais em maior ou menor grau. Incluindo ameaças ao Brics, bloco econômico do qual o Brasil faz parte.


Em meio a esse cenário, a avaliação de Thiago de Aragão, CEO da consultoria Arko Advice International, é de que o Brasil enfrenta riscos concretos, especialmente de sanções ou isolamento comercial. “Setores que dependem de exportações, como o agronegócio e mineração, podem ser os mais impactados. Empresas como Vale, JBS e BRF poderiam sofrer com barreiras tarifárias ou maior concorrência de produtos americanos subsidiados”, diz. “Além disso, a adoção de políticas hostis aos Brics pode dificultar acordos bilaterais e reduzir o fluxo de investimentos externos.”


Como o retorno da política “América em primeiro lugar”, de Trump, pode influenciar os mercados?

Provavelmente, trará instabilidade. Historicamente, essa abordagem protecionista busca priorizar os interesses econômicos internos, aumentando tarifas, revisando acordos comerciais e reduzindo a dependência de importações estratégicas. Isso pode gerar volatilidade, especialmente em economias dependentes de exportações para os EUA, como China, México e Brasil. Ao mesmo tempo, a busca de Trump por desregulamentação e estímulo à produção doméstica deve beneficiar setores como energia, defesa e tecnologia nos Estados Unidos, influenciando investidores globais a priorizarem ativos americanos. Isso atrairá investimentos de empresas americanas que estavam destinados ao exterior. Se por um lado beneficiará a indústria americana, abrirá espaço para produtos chineses no mundo e representará uma ótima notícia para a indústria chinesa.


O mercado brasileiro corre algum risco, tendo em vista as ameaças feitas por Trump aos Brics?

O Brasil enfrenta riscos concretos, considerando as ameaças de Trump de enfraquecer os Brics, particularmente por meio de sanções ou isolamento comercial. Setores que dependem de exportações, como o agronegócio e mineração, podem ser os mais impactados. Empresas como Vale, JBS e BRF poderiam sofrer com barreiras tarifárias ou maior concorrência de produtos americanos subsidiados. Além disso, a adoção de políticas hostis aos Brics pode dificultar acordos bilaterais e reduzir o fluxo de investimentos externos. Para o acionista, isso pode significar volatilidade nos papéis dessas empresas e incertezas em relação à rentabilidade de longo prazo.


O dólar disparou no Brasil especialmente pelo risco fiscal, mas, globalmente, a moeda americana também se fortaleceu ante outras divisas. Como a conjuntura geopolítica que se desenha para 2025 vai impactar o câmbio?

O fortalecimento do dólar em 2025 reflete tanto a volta de Trump quanto uma conjuntura geopolítica desafiadora. A desaceleração na China e na Europa, aliada à falta de resoluções para conflitos no Oriente Médio, reforça a percepção do dólar como um porto seguro. Para o Brasil, além do impacto fiscal interno, a volatilidade cambial pode ser intensificada pela relação do País com os Brics e o aumento da aversão global a riscos. Isso pode pressionar ainda mais o câmbio e tornar mais cara a captação de recursos externos.


Como está o sentimento dos fundos que você assessora em relação ao Brasil? Há receio em Wall Street sobre investir no País no momento?

O sentimento em relação ao Brasil é misto. Por um lado, o potencial do mercado brasileiro, especialmente em setores como energia renovável e agronegócio, continua atraente. Por outro, há receio em Wall Street quanto ao cenário fiscal e político, além da capacidade de o Brasil se proteger contra choques externos. A postura de Trump em relação ao Brics também adiciona um componente de incerteza, especialmente para fundos mais avessos ao risco. Ainda assim, investidores que buscam retornos elevados podem considerar o Brasil, desde que haja medidas claras para mitigar instabilidades internas. (Luiz Lanza, E-Investidor)


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OESP, 0601

 Coluna do Estadão: PSDB negocia fusão com PSD de olho em aliança para disputar cadeira de Lula


Mergulhado em profunda crise, o PSDB iniciou negociações para uma possível fusão com o PSD, partido presidido por Gilberto Kassab. Desde o ano passado, quando perdeu os oito vereadores da capital paulista e protagonizou um fiasco com a campanha de José Luiz Datena - que teve 1,84% dos votos na disputa pela Prefeitura -, o tucanato concluiu que a definição de um novo rumo será inevitável para sua sobrevivência. No último dia 2, o presidente do PSDB paulista, Paulo Serra, se reuniu com Kassab para tratar do assunto. “Tivemos uma boa conversa e essa questão da fusão do PSDB com o PSD está avançando bastante”, afirmou Serra à Coluna. “Nós precisamos crescer e a fusão, a incorporação ou a federação podem ser alternativas”, completou o dirigente, que é ex-prefeito de Santo André.


COMEÇAR DE NOVO. A intenção da cúpula do PSDB é lançar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como candidato à sucessão do presidente Lula, em 2026. Para isso, porém, o partido precisa se reinventar. É nesse cenário que entra o PSD de Kassab, hoje secretário de Governo na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).


DIPLOMACIA. “Diante de quadros tão valorosos como os do PSDB, é evidente que o PSD tem interesse nessa aproximação, qualquer que seja o modelo”, afirmou Kassab à Coluna. O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, disse que o assunto será discutido em fevereiro.


INCERTEZA. Se a fusão partidária for adiante, Eduardo Leite é uma opção. Mas tudo muda se Tarcísio de Freitas decidir se candidatar ao Palácio do Planalto em 2026. O PSDB já integra uma federação com o Cidadania.


MAPA. O PT de Lula, por sua vez, está preocupado em eleger bancadas fortes no Congresso em 2026, principalmente no Senado, onde a legenda já prevê o avanço da direita. Petistas já começaram a levantar possíveis candidatos e alianças eleitorais.


VEJA BEM. Embora uma ala petista queira tirar Geraldo Alckmin (PSB) da chapa, se Lula concorrer à reeleição, outra prega mais diálogo com o partido do vice. Tanto é que um grupo do PT defende agora o apoio a Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo, caso ele seja candidato ao governo paulista.


NESSA QUESTÃO. Já o PL de Jair Bolsonaro tem um racha: bolsonaristas trabalham para obter maioria no Senado com vistas a abrir impeachment de ministros do STF. A ala da sigla mais próxima ao Centrão, por outro lado, quer focar no aumento da bancada de deputados e faturar com os fundos partidário e eleitoral.


MAIS. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (PP), estima que seriam necessários ao menos R$ 5 bilhões para financiar neste ano o seguro rural, programa de proteção dos produtores contra perdas financeiras geradas por eventos imprevisíveis.


PIRES. Lupion diz, porém, que o governo não tem espaço fiscal e defende um fundo privado para levantar verbas. O orçamento de 2025, enviado ao Congresso, prevê R$ 1,06 bilhão para subvenção do seguro rural. “Não serve nem para começo de conversa”,disse o deputado ruralista.


PRONTO, FALEI!

Carlos Marcelo Gouveia advogado tributarista

“A reforma tributária acerta ao manter benefícios para a Zona Franca de Manaus. Assim, ajuda a equalizar desigualdades e preservar o meio ambiente."


CLICK

Carlos Brandão

Governador do Maranhão

Tomou cachaça com limão e declamou versos ao lado de aliados em Pinheiro (MA), após entregar obras de infraestrutura e educação no sábado, 4.


(Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto e Vera Rosa)


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Prensa 0601

 Manchetes desta segunda-feira


São Paulo, 06/01/2025 - A seguir, as manchetes desta segunda-feira dos principais jornais brasileiros e do mundo:


O Estado de S.Paulo (SP)


Avaliação de que Bolsonaro influiu no 8 de Janeiro sobe entre seus eleitores e cai nos de Lula


Folha de S.Paulo (SP)


75% dos casos na PF de desmate e queimada ficam sem responsáveis


Valor Econômico (SP)


Aumento forte dos juros deverá acelerar reestruturação de empresas endividadas


O Globo (RJ)


Um ano após pacto em Saúde, país tem 2.762 obras paradas


The New York Times (EUA)


Como os democratas perderam os votos da classe trabalhadora


The Wall Street Journal (EUA)


Arquivos do Credit Suisse revelam laços mais profundos com o nazismo


Financial Times (RU)


Wall Street se prepara para corrida de listagens com origem no private equity


El País (ESP)


Moncloa blinda comunicações de Sánchez para evitar novo caso de espionagem


Zero Hora (RS)


Estado tem queda no registro de armas, mas lidera ranking nacional


A Tarde (BA)


Gastos com impostos exigem estratégia para evitar dívidas


Jornal do Commercio (PE)


Receita amplia monitoramento de cartões de crédito e do Pix


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PMI Composto

 ⚠️ *PMI Composto na Europa — S&P Global*


▪️ *Zona do Euro*: PMI Composto sobe de 48,3 pontos para 49,6 na passagem de novembro para dezembro, acima da estimativa inicial; Serviços subiu de 49,5 para 51,6 pontos 


▪️ *Alemanha*: PMI Composto sobe de 47,2 em novembro para 48 pontos em dezembro, mais que o consenso; Serviços subiu de 49,m3 para 51,2 no mesmo período 


▪️ *Reino Unido*: PMI composto cai de 50,5 pontos em novembro para 50,4 pontos em dezembro, abaixo da estimativa; Serviços subiu de 50,8 para 51,1 pontos no mesmo período

BDM Matinal Riscala 0601

 *Rosa Riscala: IPCA e payroll ocupam a semana*


… A perspectiva de menos cortes de juros nos EUA este ano, com Trump de volta ao poder, será testada esta semana pelo payroll de dezembro (6ªF) e a ata do Fed (4ªF). Em respeito ao dia nacional de luto pela morte de Jimmy Carter, as bolsas em NY não abrirão na 5ªF e os Treasuries terão pregão mais curto. Por aqui, com as apostas de Selic a 15% correndo soltas, diante da inflação desancorada, atividade e emprego aquecidos e fiscal fragilizado, o investidor confere esta semana o IPCA de dezembro (6ªF), além dos resultados de novembro da produção industrial (4ªF) e vendas no varejo (5ªF). Após semanas afastado por recomendação médica, Lula volta a despachar do Planalto hoje, onde se reúne com Haddad (10h) e enfrenta a pressão pela reforma ministerial e o impasse envolvendo as emendas.


… O momento de desgaste político continua sendo embutido pelos ativos domésticos, na crise que ameaça colocar a relação entre o governo e o Congresso em situação de pé de guerra, com alto custo para a governabilidade este ano.


… O estresse estendido nos negócios responde ainda à turbulência fiscal. No Estadão de sábado, o governo Lula assinou portaria definindo valores do Fundeb/25 sem incorporar as mudanças feitas pelo pacote de corte de gastos.


… Na prática, isso pode comprometer a economia anunciada com a medida. O Ministério da Educação afirmou que não houve “tempo hábil” para realizar as alterações, mas que as mudanças serão feitas, embora sem prazo definido.


… Pesquisador do Ipea, o economista Camillo Bassi disse ao jornal que o Fundeb, estruturado à revelia do pacote fiscal, é o maior “equívoco contábil” das medidas propostas pelo governo federal para enxugar as despesas.


… “Vai ser preciso um ajuste de contas. Se forem mantidos os valores estabelecidos na portaria, a PEC [de corte de gastos] é uma mentira e o valor que o governo federal divulgou de espaço fiscal foi um engodo”, classificou ele. 


… Na última 6ªF, reportagem da Folha havia apontado que o governo recorreu a manobras para ampliar gastos.


… Na reta final de 2024, liberou recursos fora das regras fiscais e adiou repasses e transferências de recursos fora do Orçamento para financiar políticas públicas, segundo a matéria. O Executivo defende a legalidade das medidas.


… Mas técnicos do próprio governo ouvidos pela jornalista Idiana Tomazelli avaliam que, no conjunto, as iniciativas podem gerar ruído adicional, neste momento em que a credibilidade da política fiscal já está em xeque.


… Em dezembro, o governo editou MP para liberar R$ 6,5 bilhões de forma imediata à reconstrução no RS.


…  As obras só serão executadas nos próximos anos, mas o governo federal quis garantir o repasse ainda sob a vigência do estado de calamidade pública, que autoriza a exclusão desses gastos das regras fiscais.


… Em outra manobra para ampliar despesas ou evitar a necessidade de conter gastos na reta final do ano, adiou repasses de incentivo à cultura previstos na Lei Aldir Blanc, evitando um bloqueio maior no Orçamento de 2024.


… Sob o efeito combinado dos riscos fiscais, Selic elevada e impacto no Brasil do protecionismo econômico de Trump, profissionais ouvidos pelo Broadcast acreditam que o investidor estrangeiro deve se manter afastado da B3.


… Em 2024, os gringos sacaram R$ 32,1 bilhões da bolsa brasileira, maior fuga de capital desde 2020, primeiro ano da pandemia da covid, quando houve saída líquida de R$ 40,1 bilhões em k externo das ações listadas na B3.


… Na última 6ªF, o Ibov perdeu os 119 mil pontos e revisitou os piores níveis em mais de dois anos, desde nov/23.


… Não repercutiu bem no humor dos players (leia mais abaixo) a decisão do HSBC de rebaixar a recomendação das ações brasileiras de neutra para underweight (desempenho abaixo da média, equivalente a venda).


… Em relatório enviado a clientes, o banco apontou que a “decepção dos investidores com o pacote de corte de gastos do governo criou um ciclo vicioso de taxas de juros mais altas, real mais fraco e inflação mais elevada”.


MAIS AGENDA – Bate sempre um nervosismo em dia de Focus (hoje, às 8h25), que tem apontado piora sistemática nas medianas de inflação, Selic e câmbio. Na última 6ªF, o C6 Bank foi mais um a revisar o seu cenário para pior.


… A equipe econômica do banco acredita que a taxa básica de juro subirá até o pico de 15% em junho. Mesmo considerando este acréscimo de 2,75pp sobre a Selic atual, o C6 elevou a previsão para o IPCA/25 de 5,3% para 5,7%.


… A explicação é a perspectiva de dólar forte no ano (a aposta subiu de R$ 6,00 a R$ 6,30) – diante da tendência de aumento da dívida pública brasileira – e previsão de emprego aquecido e piora das expectativas de inflação.


… Além do IPCA de dezembro (6ªF), a semana reserva os dados fechados de dezembro do IGI-DI e IPC-Fipe, amanhã.


… Do lado da atividade econômica, saem a produção industrial (4ªF) e as vendas no varejo em novembro (5ªF).


… Hoje, às 15h, é dia de balança comercial. A mediana das estimativas do mercado indica superávit de US$ 3,4 bilhões em dezembro, o triplo de um ano antes. Em 2024, o saldo deve fechar positivo em US$ 73,550 bilhões.


LÁ FORA – No “esquenta” para o payroll de 6ªF, tem a pesquisa ADP de empregos no setor privado na 4ªF. Hoje, saem a leitura final de dezembro do PMI/S&P Global composto (11h45) e encomendas à indústria em nov (12h).


… Diretora do Fed, Lisa Cook participa de evento às 11h15. Neste domingo, duas integrantes do Fed disseram que a luta contra a inflação ainda não foi vencida. “Ninguém está abrindo champanhe”, afirmou Adriana Kugler.


… Mary Daly afirmou ver os preços americanos ainda “desconfortavelmente” acima da meta de 2%.


… O PMI/S&P Global composto sai hoje na Alemanha (5h55), zona do euro (6h) e Reino Unido (6h30).


CHINA HOJE – O PMI de serviços medido pelo setor privado (S&P Global em parceria com Caixin) avançou para 52,2 em dezembro, contra 51,5 em novembro, acima do previsto pelos analistas de mercado 51,7.


… Já o PMI composto chinês, que engloba serviços e indústria, recuou de 52,3 em novembro para 51,4 em dezembro. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade econômica.


… Na noite de 4ªF, saem a inflação ao consumidor (CPI) e produtor (PPI) chinês de dezembro.


JAPÃO HOJE – O PMI/S&P Global de serviços subiu de 50,5 em novembro para 50,9 em dezembro.


POÇO SEM FUNDO – O clichê da tempestade perfeita tem se aplicado bem ao Ibov. O cenário conta com falta de confiança na política fiscal, inflação e juros sob pressão da ameaça de Trump 2 mais protecionista e China em apuros.


… Em meio ao pessimismo, como se viu, o HSBC rebaixou na 6ªF a bolsa de neutra para underweight. Poucos meses antes, em novembro do ano passado, o Morgan Stanley e o JPMorgan já haviam feito o mesmo movimento.


… O HSBC descreveu a bolsa brasileira como uma “armadilha clássica de valor”: as ações estão baratas com um preço sobre lucro projetado para 12 meses em 6,6 vezes, mas não valem o investimento.


…É “improvável”, diz o banco, que haja uma reavaliação até uma queda da Selic, o que pode não ocorrer antes do segundo semestre de 2025.


… Sob pressão de Vale e Petrobras, que juntas carregam 25% do Ibovespa, bancos e outros setores, o Ibovespa desceu aos 118.532 pontos (-1,33%) na 6ªF, no menor nível desde 6 de novembro de 2023.


… Análise do Itaú BBA destacou que a perda do suporte dos 118.600 pontos no Ibovespa abriu “mais uma janela de baixa” e que o próximo suporte importante está em 111.500 pontos.


… Além das blue chips, faltou ajuda de praticamente todos os setores no pregão de 6ªF. Das 83 ações do índice, 73 fecharam em baixa. Nos três pregões da semana encurtada pelo Ano Novo, a perda acumulada foi de 1,44%.


… Acompanhando a forte queda de 2,18% no minério de ferro em Dalian, Vale recuou 1,86% (R$ 53,24). Petrobras operou na contramão do petróleo e devolveu os ganhos da véspera: ON, -0,35% (R$ 40,38; e PN, -1,06% (R$ 36,38).


… A cotação do barril do Brent subiu em meio a vários sinais de estímulo na China. O PBoC, BC local, reiterou a promessa de cortar juros e compulsórios bancários em 2025.


… Por meio de uma operação de swap, a autoridade monetária concluiu na 5ªF a injeção 55 bilhões de yuans (US$ 7,5 bi) para 20 instituições financeiras, entre elas seguradoras, fundos e corretoras.


… O governo chinês ainda disse que vai expandir o programa de subsídios ao consumidor para incluir smartphones, tablets e smartwatches, que será financiado com o aumento na emissão de títulos ultralongos.


… Ainda no Ibov, os bancos caíram em bloco. Itaú registrou -2,45% (R$ 29,82), na mínima; Bradesco PN, -1,58% (R$ 11,20); Bradesco ON, -1,43% (R$ 10,32); Santander, -1,39% (R$ 23,42); e Banco do Brasil, -0,75% (R$ 23,74).


… Ainda no campo negativo, vieram Usiminas (-6,01%; R$ 4,85), IRB (-5,55%; R$ 42,05) e Yduqs (-5,08%; R$ 8,04).


… Em recuperação das perdas do pregão anterior, Eneva avançou 5,45%, a R$ 10,07, e liderou o ranking positivo. Foi acompanhada por São Martinho, com +5,17%, a R$ 24,20, e Azul, com +3,02%, a R$ 3,75.


PARA A SURPRESA DE NINGUÉM – O dia de fuga do risco na bolsa e queda do minério (-2,18%) pressionaram o dólar, que chegou a bater nos R$ 6,20, e fechou um pouco abaixo, em R$ 6,1821 (+0,32%), na contramão do exterior.


… Na semana, a moeda ficou de lado, com queda marginal de 0,18%. Na prática, o dólar está praticamente no mesmo nível de antes do recesso de Natal, contra uma expectativa geral de valorização ao longo de 2025.


… Sem noticiário e indicadores, a curva do DI fugiu à regra dos ativos domésticos. Continuou a queimar os excessos do fim de 2024, embora o movimento tenha sido limitado pelo cenário fiscal e a alta das taxas dos Treasuries.


… Na comparação com a 6ªF anterior, as taxas curtas e as intermediárias cederam perto de 40 pontos-base; as longas, 30 pontos. 


… O DI para janeiro de 2026 caiu a 15,060%, na mínima do dia (de 15,145% na sessão anterior); Jan/27, a 15,500% (15,610%); Jan/29, a 15,320% (15,385%); Jan/31, a 15,030% (15,060%); e Jan/33, 14,780% (14,810%).


SALDÃO DE NATAL – Investidores foram às compras, aproveitando as cinco quedas consecutivas das bolsas em NY, movimento que frustrou o tradicional rali de Natal em Wall Street.


… Os índices atingiram as máximas da sessão na parte da tarde, quando já estava encaminhada a reeleição do republicano Mike Johson para presidente da Câmara dos EUA.


… Aliado de Donald Trump, ele deve unir a Câmara em torno da agenda do presidente eleito, que inclui, além de cortes nos impostos corporativos, desregulamentação e tarifas, ao gosto dos investidores de ações.


… Por outro lado, a mesma agenda deve pressionar a inflação, o que afeta os Treasuries.


… Impulsionado por papéis como Super Micro Computer (+10,9%), Tesla (+8,22%) e Nvidia (+4,73%), o Nasdaq liderou as altas, com +1,77%, aos 19.621,68 pontos.


… Microsoft subiu 1,1% depois de anunciar investimento de US$ 80 bilhões em data centers de IA.


… O Dow Jones subiu 0,80%, aos 42.732,13 pontos, e o S&P500 ganhou 1,26% (5.942,47).


… O forte desempenho da 6ªF não impediu um recuo na semana. No período, os índices acumularam perdas de, respectivamente, 0,51%, 0,61% e 0,48%, respectivamente.


… US Steel recuou 6,5% depois que o presidente Joe Biden proibiu a venda da histórica siderúrgica americana para a Nippon Steel, um negócio de US$ 14,1 bilhões.


… Nos Treasuries, os juros subiram após o PMI industrial dos EUA medido pelo ISM ficar acima do esperado e de o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, dizer que prefere manter o juro restritivo por mais tempo.


… Segundo o ISM, a atividade industrial americana subiu para 49,3 em dezembro, ante expectativa de manutenção em 48,4, a leitura de novembro. O dado ainda está abaixo do limite que indica expansão, 50, mas melhorou.


… Enquanto isso, o retorno da note de 2 anos subiu a 4,277%, de 4,253% na sessão anterior, e o da note de 10 anos avançou a 4,598% (de 4,563%). O do T-Bond de 30 anos cresceu a 4,817% (de 4,788%)


… Depois do tombo da véspera, libra e euro tiveram um dia de recuperação na 6ªF. Assim, o índice dólar (DXY) fechou em baixa de 0,40%, aos 108,952 pontos, mas acumulou alta de quase 1% na semana.


… O euro subiu 0,38%, a US$ 1,0305, e a libra avançou 0,37%, a US$ 1,2428. O iene perdeu 0,10%, a 157,305/US$.


EM TEMPO… Capital Research Global Investors (CRGI) elevou fatia na JBS, passando de 110.584.046 ações ON, correspondentes a 4,99% do total de ações emitidas, para 111.572.477 ações, que representam 5,03% do total.


GOL registrou prejuízo líquido de R$ 176 milhões em novembro, com receita de R$ 1,74 bilhão, segundo prévia; Ebitda somou R$ 448 milhões e margem Ebitda foi de 26%; Ebit ficou em R$ 278 milhões, com margem Ebit de 16%…


… Dívida líquida chegou a R$ 31,02 bilhões, ao passo que as contas a receber ficaram em R$ 3,67 bilhões e o caixa total foi de R$ 2,02 bilhões em novembro.


AZUL confirmou ter firmado acordo com Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Secretaria Especial da Receita Federal com objetivo reestruturar seu passivo fiscal.


PRIO. Goldman Sachs atingiu participação acionária de 4,95%, o equivalente a 44,1 milhões de papéis ON.


BRMALLS vai emitir até R$ 625 milhões em debêntures. Oferta inicial será de R$ 500 milhões, mas montante poderá ser elevado em 25%, a depender da demanda.


JHSF vendeu fatia restante de 18% no shopping Ponta Negra, de Manaus (AM), por R$ 82 milhões.


ENEVA informou ao mercado na noite deste domingo que seu conselho de administração aprovou um programa de recompra de suas ações. Serão adquiridas no máximo 50 milhões de ações ordinárias…


… O volume é equivalente a 2,587% das ações totais emitidas pela companhia e 2,593% do total em circulação…


… Ainda no noticiário sobre a empresa, foi retomada a operação de gás natural após troca de tubulação do Hub Sergipe, na região metropolitana de Aracaju. Falha na tubulação foi identificada em outubro de 2024.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...