quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

News 2512

 NEWS - 25.12


Lula recebeu conselho de equipe para evitar economia em falas de Natal e fim de ano / Turbulência causada por anúncio de ajuste fiscal ainda não foi superada e ideia é acalmar os ânimos do mercado- Monica Bergamo – Folha SP 25/12


A ausência do tema da economia no pronunciamento de Natal de Lula não foi gratuita. O presidente foi aconselhado fortemente a evitar o assunto até o fim do ano —especialmente, como gosta de fazer, de relembrar os benefícios propostos à população mais pobre e aos trabalhadores que implicam em mais gastos públicos.


COISAS BOAS


As datas de fim de ano propiciam ao presidente diversas oportunidades de manifestação, e o natural impulso de propagar notícias boas e populares.


COISAS BOAS 2


Lula desejava reforçar, nas manifestações de fim de ano, o aumento real do salário mínimo, a baixa taxa de desemprego e a proposta do governo de ampliar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5.000. Recebeu a recomendação de desviar dos assuntos.


NO GERAL


No pronunciamento de Natal veiculado na TV e pelas redes, por exemplo, fez afirmações genéricas como "o Brasil tem hoje uma economia forte, que continua a crescer. Um governo eficiente, que investe onde é mais importante: na qualidade de vida da população brasileira" e "fizemos muito, e ainda temos muito a fazer", sem citar políticas específicas.


MODERAÇÃO


O presidente ainda pode fazer novas falas até o dia 31 de dezembro, mas a expectativa é a de que ele siga os conselhos e siga adotando o mesmo tom do Natal ao se manifestar.


FOGUETE


Neste mês, o dólar chegou a bater nos R$ 6,30 depois que o governo anunciou seu projeto de ajuste fiscal ao mesmo tempo em que levou a público a ideia de aumentar a faixa de isenção do IR. Somadas a fatores externos, as propostas causaram turbulência ainda não superada.


FOGUETE 2


O pacote do governo e a reforma tributária foram aprovados pelo Congresso, mas nem assim dólar arrefeceu. A equipe econômica acena com a possibilidade de mais cortes de gastos. Não seria a hora, portanto, de Lula relembrar as benesses concedidas, que poderiam ser exploradas como um suposto descompromisso com a austeridade.


com KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e MANOELLA SMITH


Lula planeja rodada de entrevistas para rádios regionais / Ideia é que o presidente converse com emissoras locais enquanto estiver limitado a fazer viagens- CnnBrasil 24/12


Gustavo Uribe


Em recuperação dos procedimentos realizados na cabeça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja conceder entrevistas a rádios locais em janeiro e fevereiro.


Como o petista tem restrições de viagens longas, a ideia é que ele fale com o público local na tentativa de se aproximar do eleitorado no período.


A ideia é que o presidente aproveite as conversas para defender o início da reforma tributária sobre renda, sobretudo o aumento da faixa de isenção para R$ 5 mil.


A última pesquisa Quaest mostrou que 75% da população é favorável, mas apenas 43% sabem que a iniciativa é uma proposta do governo petista.


O governo federal planeja uma campanha nacional para o tema. Segundo relatos à CNN, o conteúdo publicitário está pronto e aguarda o envio da iniciativa ao Congresso Nacional.


Para compensar, o governo federal anunciou a taxação para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês.


Até abril, a gestão petista também deve enviar ao Congresso Nacional proposta de atualização da tabela do imposto de renda.


 


PF atende Dino e abre inquérito para apurar pagamento de R$ 4,2 bi em emendas / Ministro do STF determinou a abertura da investigação ao suspender repasses nesta segunda (23)- Folha SP 25/12


Lucas Marchesini


A Polícia Federal (PF) instalou nesta terça-feira (24) um inquérito para apurar o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares pela Câmara dos Deputados.


A investigação foi iniciada após determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, que decidiu pela suspensão dos repasses e pediu a abertura da apuração nesta segunda (23).


O ministro atendeu a uma representação do PSOL que apresentou novos fatos a respeito do pagamento das emendas de comissão —alvo de críticas e de decisões anteriores do próprio ministro pela falta de transparência.


A representação da legenda cita um ofício encaminhado ao governo federal e assinado por 17 líderes partidários da Câmara detalhando a indicação de 5.449 emendas de comissão.


Esse conjunto de emendas se daria, segundo o PSOL, "sem aprovação prévia e registro formal pelas comissões, sob o pretexto de ‘ratificar’ as indicações previamente apresentadas pelos integrantes das comissões".


Na prática, como revelou a revista Piauí, a lista dos 17 líderes de partidos da Câmara mudava a destinação de emendas de comissão, sem aprovação dos colegiados. O ofício com a nova destinação foi encaminhado ao governo Lula (PT) no último dia 12, e a Casa Civil deu aval à manobra.


Entre os signatários da lista com mais de 5.000 indicações estão o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o do PT, Odair Cunha (MG), e o do Republicanos e candidato à presidência da Casa, Hugo Motta (PB). O chefe da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), seria o avalista da iniciativa.


O estado mais beneficiado com a destinação dos R$ 4,2 bilhões seria Alagoas —terra de Lira, com quase R$ 500 milhões.


O inquérito da PF, aberto a pedido de Dino, é o novo capítulo da disputa sobre essas verbas que levou a uma crise entre STF e Congresso nos últimos meses.


O pedido de abertura da investigação foi a principal queixa de lideranças da Câmara após a decisão de Dino dessa segunda. A ação foi vista como acima do tom e midiática, segundo congressistas ouvidos pela Folha.


O governo Lula, embora tenha participado do acerto, teme uma represália na volta do recesso, em particular considerando que o orçamento de 2025 ainda precisa ser votado.


 


Dino empurra Polícia Federal na direção da cúpula do centrão / Ordem para investigar sistema de partilha de emendas vai incomodar líderes do Congresso- Folha SP 24/12


Bruno Boghossian


Flávio Dino preparou uma surpresa natalina para o centrão. Na segunda (23), em pleno recesso de fim de ano, o ministro do STF mandou suspender o pagamento das emendas que representam a principal moeda do balcão de negócios do grupo. Foram bloqueados mais de R$ 4 bilhões. Como brinde, a Polícia Federal deve abrir uma investigação sobre o uso político do dinheiro.


O congelamento das emendas era uma questão de tempo. O tribunal já havia suspendido os pagamentos mais de uma vez, exigindo o mínimo de transparência na distribuição da verba. Os parlamentares descumpriram quase todas as decisões da corte, muitas vezes com apoio do governo e sempre à luz do dia.


Dino mandou um recado aos políticos. Caracterizou a farra das emendas como sintoma de uma "degradação institucional" e disse que a manutenção da partilha do dinheiro daquela maneira configura um "inaceitável quadro de inconstitucionalidades em série". Ele citou a "perseverante atuação" do STF, indicando que não vai ceder a acordos para driblar as decisões do tribunal.


A grande novidade desse episódio da queda de braço é o inquérito que será aberto por ordem de Dino. Nos últimos anos, investigações feitas no varejo identificaram obras defeituosas, favorecimento político e suspeitas de desvio de verba das emendas, em alguns casos envolvendo os nomes de parlamentares. Agora, a PF vai atuar no atacado.


O foco do novo inquérito será a cúpula do grupo que coordena a ocultação dos padrinhos das emendas e gerencia a distribuição do dinheiro para aliados políticos. A polícia vai ouvir parlamentares para mapear, por exemplo, os acordos que simularam a indicação da verba que deveria estar reservada para as comissões do Congresso e que, na verdade, passou a ser controlada por dirigentes do centrão.


Esse foi o acerto que concentrou poder nas mãos de um consórcio que direcionava a remessa de emendas para políticos aliados em troca de apoio. Nos últimos anos, essa partilha foi liderada por Arthur Lira (PP-AL), na Câmara, e por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Senado. Os times dos dois estarão, inevitavelmente, na mira do inquérito.


Emendas Pix sem plano de trabalho somam R$ 1 bilhão, diz TCU / Relatório aponta diminuição dos índices de descumprimento da decisão do STF, mas alerta para necessidade de seguir monitoramento- CnnBrasil 24/12


Luísa Martins


De um total de R$ 4,4 bilhões em “emendas pix” pagas pela União aos municípios em 2024, cerca de R$ 1 bilhão ainda está desacompanhado dos respectivos planos de trabalho, em descumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).


As informações constam em um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) enviado nesta segunda-feira ao ministro Flávio Dino, relator das ações que tramitam na Corte sobre as emendas parlamentares.


Segundo o TCU, dados atualizados até o dia 9 de dezembro apontam que neste ano foram feitas 5.585 transferências especiais (nome oficial das “emendas pix”), das quais 1.406 têm pendências em relação aos planos de trabalho.


O relatório diz que 1.080 planos ainda não foram iniciados, enquanto 242 estão em fase de elaboração e outros 84 estão passando por ajustes. Esse “pacote” soma R$ 1.088.942.413,08.


As “emendas pix” fazem parte das emendas parlamentares individuais, que são indicadas por cada deputado e senador. Identificadas como “RP-6” no Orçamento, são de pagamento obrigatório pelo governo federal.


A exigência dos planos de trabalho foi determinada pelo STF como forma de sanar a falta de transparência e rastreabilidade desse tipo de emenda, que costumava ser injetada diretamente no caixa dos entes federativos, sem necessidade de qualquer tipo de convênio.


A Advocacia-Geral da União (AGU), alinhada à insatisfação do Congresso Nacional, chegou a recorrer desse trecho da decisão da Corte, mas Dino rejeitou o pedido de reconsideração e manteve a obrigatoriedade dos planos de trabalho.


O TCU diz que, desde que iniciou o monitoramento, com cobranças frequentes principalmente às prefeituras, tem havido uma redução nos casos de descumprimento.


Ainda assim, o documento alerta para a necessidade de continuidade dos trabalhos. O TCU propôs, inclusive, “a implementação de um sistema automatizado” para que os beneficiários das emendas possam inserir os dados no sistema.


 


CNM questiona bloqueio de emendas parlamentares / A confederação disse que irá se mobilizar para que a decisão fique restrita aos recursos relacioandos exclusivamente às emendas-CnnBrasil 25/12


Da CNN


A Confederação Nacional de Municípios (CNM) questionou, em nota divulgada na terça-feira (24), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de bloquear recuros não oriundos das emendas parlamentares.


O questionamento vem após a decisão do ministro Flávio Dino suspender o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares na última segunda-feira.


A preocupação do órgão é com as consequências do bloqueio judicial das contas utilizadas para a prestação de serviços e recursos destinados à saúde.


Na nota, a CNM também afirmou que, nessas contas, circulam transferências que não são oriundas das emendas parlamentares e existe um “risco da população ficar desassistida caso permaneça o bloqueio”.


A confederação disse que irá se mobilizar para que a decisão fique restrita aos recursos relacioandos exclusivamente às emendas.


“Não é razoável que as mudanças a serem implementadas na execução de emendas parlamentares paralisem todo um sistema de saúde fundamental para o Brasil, bloqueando um volume muito maior de recursos que não são originários de emendas parlamentares”, acrescentou o órgão.


Bloqueio de emendas


Na última segunda-feira (23), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a suspensão do pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares. A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar o caso.


A determinação atendeu a um pedido feito pelo PSOL. Na última semana, o deputado Glauber Braga (RJ) acionou o STF alegando irregularidades na liberação das emendas sem o devido rito.


A ação questiona a decisão tomada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de suspender o funcionamento das comissões da Casa.


Com a decisão, os colegiados temático não puderam deliberar sobre o destino das emendas de comissão.


 


DOU: PORTARIA TRAZ CRITÉRIOS PARA EXECUÇÃO DE EMENDAS PARLAMENTARES NO ORÇAMENTO DE 2025- Broadcast 24/12


Por Fernanda Trisotto


Brasília, 24/12/2024 - O Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira, 24, traz uma portaria que estabelece critérios e orientações para a execução de emendas parlamentares no Orçamento de 2025. O texto data de segunda-feira, 23, e foi assinado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. A portaria traz diretrizes para a execução das programações de emendas de bancada estadual (RP 7) ou de comissão permanente (RP 8) e já está em vigor.


Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu o pagamento de R$ 4,2 bilhões de emendas parlamentares de comissão e acionou a Polícia Federal para investigar a "captura" dessas emendas. Em reação, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), relator do Orçamento de 2025, disse que a decisão "prejudica o Parlamento", afeta a relação entre os Poderes e deve atrasar a votação da peça, que pode ficar para o fim de fevereiro ou o início de março. O Palácio do Planalto temia que a decisão pudesse contaminar a votação do Orçamento de 2025.


Emendas de bancada estadual


Para as emendas de bancada estadual, a portaria determina que os projetos de investimentos estruturantes que podem receber esses recursos são os que estão definidos na lei de diretrizes orçamentárias ou registrados conforme determina a Constituição - um registro centralizado de projetos de investimento contendo, por Estado ou Distrito Federal, análises de viabilidade, estimativas de custos e informações sobre a execução física e financeira.


Fica vedada a designação genérica de programação “que possa resultar na execução de projetos de investimentos de obras por múltiplos entes ou entidades, ressalvados os projetos para região metropolitana ou região integrada de desenvolvimento, cujas emendas deverão identificar de forma precisa o seu objeto”, diz o texto.


Para ações e equipamentos públicos considerados prioritários para o Estado representado pela bancada a indicar a emenda, há dois pontos de observação. Fica vedada a apresentação de emendas cuja programação possa resultar, na execução, em transferências voluntárias, convênios ou similares, para mais de um ente federativo ou entidade privada. Só há ressalva para as transferências para fundos municipais de saúde.


Ficam admitidas as destinações de recursos para outros Estados, desde que se trate da matriz da entidade e que ela tenha sede em unidade federativa distinta do Estado da bancada em que será feita a aquisição de equipamentos ou realização de serviços.


Por fim, na hipótese em que a programação de emenda de bancada seja divisível, o objeto deve ser identificado de forma precisa e não pode cada parte independente ser inferior a 10% do valor da emenda. Para essas emendas, ainda se aplicam, no que couber, as determinações da Lei Complementar 210/2024, que trata justamente da execução das emendas em face da lei orçamentária.


Emendas de Comissão


Para as emendas de comissão, a portaria traz critérios gerais para execução de ações de interesse nacional e regional. Essas ações devem ser definidas pelo planejamento e planos setoriais e regionais; precisam estar alinhadas a pelo menos um dos objetivos do Plano Plurianual (PPA) ao qual estão vinculadas; e não deve haver outro convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com execução não iniciada com o mesmo objeto e Estado ou entidade. As comissões permanentes precisam identificar de forma precisa o objeto, sendo vedada a designação genérica de programação que possa contemplar ações orçamentárias distintas.


A portaria também traz quatro critérios específicos para ações do programa, nos âmbitos de Reconstrução, Ampliação e Aprofundamento da Participação Social e da Democracia; Comunicação Pública e Governamental; Segurança Institucional; e Juventude: Direitos, Participação e Bem Viver. As indicações das comissões, em termos regimentais, também devem observar dispositivos da Lei Complementar 210/2024.


Orientações para execução das emendas parlamentares


A portaria determina que a execução orçamentária e financeira das emendas de comissão poderá priorizar as indicações destinadas a entes em situação de emergência ou calamidade pública ou que tenham sido objeto de processos participativos pelos entes beneficiários.


As decretações de situação de calamidade ou emergência precisam ser reconhecidas pela União. Já os processos participativos com prioridade para execução devem ser informados no processo de apresentação de propostas pelos entes beneficiários no Transferegov.br, trazendo informações como site com calendário, regras, público participante e as prioridades.


O texto ainda lembra que o limite de crescimento das emendas parlamentares aos projetos de lei orçamentária anual, conforme fixado na Lei Complementar 210/2024, não afasta disposição da Constituição que permite redução de despesas no caso de risco para o cumprimento da meta fiscal. Por fim, é feito um alerta que reforça que os órgãos executores das emendas precisam observar as hipóteses de impedimentos de ordem técnica para execução dessas medidas, também de acordo com a LC 210/2024.


Governadores e parlamentares reagem a decreto de Lula sobre uso da força policial / Oposição fala em interferência do governo federal e prejuízo à segurança pública- CnnBrasil 25/12


Da CNN


O decreto publicado pelo Ministério da Justiça para regulamentar o uso da força por policiais em todo o país virou alvo de críticas de governadores de oposição ao  presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Na rede social X, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), disse que “o crime organizado celebra o grande presente de Natal recebido pelo presidente Lula”.


Caiado entende que o decreto garante mais liberdade de ação aos criminosos, promove o engessamento das forças policiais e foca apenas em crimes de menor potencial ofensivo.


“O decreto impõe aos estados que, caso não sigam as diretrizes do governo do PT para a segurança pública, perderão acesso aos fundos de segurança e penitenciário. Trata-se de uma chantagem explícita contra os estados, que acaba favorecendo a criminalidade”, escreveu.


No mesmo tom crítico, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou à CNN que as diretrizes estabelecidas pelo governo são inconstitucionais.


Para Ibaneis, o decreto fere o artigo 144 da Constituição Federal, que define quais são as corporações que integram as forças de segurança no Brasil.


“Interferência total. Uma pena que o governo federal, ou melhor, o presidente Lula não saiba seu espaço. Quem faz segurança pública são os estados”, disse.


Bancada da bala se mobiliza


No Congresso Nacional, deputados da chamada “bancada da bala”, formada por políticos ligados a forças policiais, se preparam para reagir ao decreto.


Congressistas ouvidos pela CNN criticaram o fato de que o texto foi elaborado sem debates públicos ou discussão prévia com parlamentares.


Para o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), o governo Lula quer “criminalizar a atividade policial”.


“Ninguém foi consultado ou ouvido a respeito. A iniciativa do governo busca tolher as ações policiais, em claro prejuízo à segurança pública brasileira”, afirma.


O parlamentar declarou que pretende protocolar um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) junto à Câmara dos Deputados para derrubar o decreto do governo federal.


Entenda o decreto


O documento estabelece que o Ministério da Justiça terá competência para editar regras complementares, financiar, formular e monitorar ações relacionadas à atuação policial.


O decreto também especifica que a força deve ser usada pelos agentes apenas em casos de ameaça real ou potencial. Com isso, o uso da arma de fogo deve ser feito como último recurso.


O documento foi enviado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, à Casa Civil para análise. Em seguida, o texto será encaminhado para assinatura do presidente Lula.


Lewandowski destacou que as medidas visam uma atuação policial mais consciente.


“A proposta é que a força seja aplicada de maneira proporcional, em resposta a uma ameaça real ou potencial, priorizando a comunicação, a negociação e o uso de técnicas que evitem a escalada da violência”, afirmou o ministro.


*Com informações de Gabriela Prado


 


ESTADÃO: REPASSE MAIS FORTE DO DÓLAR A PRODUTOS PRESSIONA A INFLAÇÃO- 25/12


Por Daniel Tozzi Mendes, Gabriela Jucá e Anna Scabello


São Paulo, 24/12/2024 - O repasse da alta do dólar aos preços ao consumidor está mais forte em razão de a economia brasileira crescer em ritmo mais acelerado do que a sua capacidade. O chamado pass through também tem sido influenciado pelas incertezas com os rumos da política fiscal e a própria trajetória da inflação.


O movimento foi citado pelo Banco Central (BC) na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro, que elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 12,25% ao ano e ainda indicou mais dois reajustes de um ponto porcentual nas próximas reuniões, em janeiro e março.


No texto, o colegiado citou que o repasse “aumenta quando a demanda está mais forte, as expectativas estão desancoradas ou o movimento cambial é considerado mais persistente”.


“A economia parece ter vários desequilíbrios atualmente, com destaque para uma demanda esticada em relação à oferta”, diz o economista João Fernandes, da consultoria Quantitas.


No modelo de projeção de inflação, ele trabalha com um pass through do câmbio entre 8% e 10%. Isso significa que uma desvalorização do câmbio de 10% pode levar, no limite, a um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de quatro trimestres à frente um ponto porcentual mais alto. “Até mais ou menos 2021, esse repasse era mais baixo, entre 6% e 7%”, diz.


Fernandes afirma, porém, que há gradações diferentes desse repasse, a depender do tipo de item, já que nos alimentos (14%) e bens industriais (8%) a tendência do repasse é muito mais forte do que nos serviços (2%).


O economista Homero Guizzo, da Terra Investimentos, tem uma análise semelhante.

“Se o hiato do produto (o quanto a economia cresce acima da capacidade) efetivo estivesse um pouco acima, e não expressivamente acima, a depreciação seria absorvida nas cadeias de distribuição mais facilmente”, afirma Guizzo.


Ele calcula que o pass through da desvalorização cambial costumava ficar em torno de 4%, mas no ambiente atual está em 8%. Ou seja, a cada 10% de desvalorização da moeda, o IPCA aumenta 0,8 ponto porcentual.


Já a estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Ângelo, aponta não só para a intensidade desse repasse, mas para sua velocidade, que também está maior.


Ela conta que um estudo feito pela Warren mostrou que a defasagem de movimentos de desvalorização cambial para os preços ao consumidor, que no período pré-pandemia durava até quatro trimestres, hoje tem ocorrido praticamente dentro de apenas um trimestre para uma cesta de produtos principalmente com bens como móveis, eletroeletrônicos e itens de higiene pessoal e limpeza. “Entendemos que esse momento de repasse maior e mais rápido pode ter a ver com essas variáveis, como economia sobreaquecida e as expectativas de inflação mais elevadas”, diz Ângelo.


 


Desemprego deve seguir baixo em 2025 mesmo com desaceleração do PIB, dizem analistas / Taxa de desocupação tende a fechar o próximo ano em nível similar a 2024, perto de 6%, indicam projeções- Folha SP 25/12


Leonardo Vieceli


A taxa de desemprego deve permanecer em 2025 em um patamar considerado baixo para a série histórica no Brasil, mesmo com a desaceleração prevista para o PIB (Produto Interno Bruto), apontam economistas consultados pela Folha.


Segundo eles, a alta do PIB tende a ficar em um nível próximo a 2% no acumulado do ano que vem, após crescimento acima de 3% em 2024.


A expectativa para 2025 leva em conta o potencial impacto do aumento da taxa de juros, que desafia o consumo e setores como os serviços e a indústria.


Outro fator que tende a frear o PIB, dizem os analistas, é o menor espaço fiscal para as medidas do governo federal de estímulo à atividade econômica.


Isso, contudo, não é visto por ora como suficiente para provocar um avanço substancial do desemprego. Os economistas afirmam que a desocupação tende a fechar o quarto trimestre de 2025 ainda perto de 6%.


Nos três meses até outubro deste ano, período mais recente com dados disponíveis, a taxa de desemprego recuou a 6,2%. Trata-se da mínima da série do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em 2012.


"Para a taxa de desemprego subir, o PIB precisaria crescer abaixo do seu potencial. A gente estima o potencial em cerca de 1,5%", afirma a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.


O banco, no entanto, prevê uma "desaceleração moderada" para o indicador de atividade econômica, de 3,4% em 2024 para 2% em 2025. Com isso, a expectativa é de uma taxa de desemprego perto de 6% ao final deste ano e do próximo, segundo Claudia.


"Enquanto a gente estiver crescendo mais do que 1,5%, quer dizer que existirá uma pressão para contratar mais trabalhadores e a taxa de desemprego continuar caindo um pouco."


O PIB potencial pode ser entendido como a capacidade de crescimento de uma economia com os recursos disponíveis, sem gerar uma pressão sobre a inflação. Não há um consenso sobre qual é a medida exata no país.


O que os analistas apontam é que o PIB brasileiro tem sido turbinado em parte por gastos do governo. Isso, por outro lado, gera uma preocupação com o cenário fiscal e uma pressão de demanda sobre os preços de bens e serviços.


"É muito bom ter aumento do consumo, PIB forte, mercado de trabalho aquecido. Isso é positivo. Mas, se você cresce muito a uma taxa acima do seu potencial, não é sustentável, porque traz um desequilíbrio para a economia. O desequilíbrio vem na forma de inflação mais alta", diz Claudia.


O economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes, prevê uma desaceleração do PIB de 3,5%, em 2024, para 1,8%, em 2025.


"A gente está vendo uma atividade um pouco mais fraca [em 2025], muito por conta de uma taxa de juros mais alta. Isso vai acabar segurando a atividade, principalmente a partir do segundo trimestre ou mais para o final do ano", afirma Nunes.


Apesar da possível desaceleração, ele também diz que a taxa de desemprego deve seguir em um patamar baixo para o histórico brasileiro. A expectativa do Sicredi está em 6,2% para o final do quarto trimestre deste ano e em 6,6% para igual período de 2025.


De acordo com Nunes, uma combinação de fatores deve contribuir para impedir um aumento mais acentuado do indicador.


Um deles, diz o economista, é o fato de o mercado de trabalho ser visto como uma variável com resposta "mais lenta" a eventuais mudanças no cenário econômico.


Outra questão que influencia é a demografia. O envelhecimento tende a retirar do mercado uma parcela de brasileiros que anteriormente poderia estar em busca de trabalho. Se uma pessoa de 14 anos ou mais não tem emprego, mas não procura oportunidades, não pressiona o índice de desocupação.


Nesse sentido, Nunes lembra que a taxa de participação segue abaixo do pré-pandemia. O indicador mede o percentual de pessoas de 14 anos ou mais que estão ocupadas (empregadas) ou à procura de vagas (desempregadas).


"Tudo isso parece que levou um pouco mais para baixo a taxa estrutural de desemprego", afirma Nunes. "A reforma da Previdência fez com que muitas pessoas acelerassem a aposentadoria, e a gente teve também um aumento dos programas sociais."


O banco Inter prevê uma desaceleração do PIB de 3,2%, em 2024, para 1,9%, em 2025. O principal fator para frear a projeção do próximo ano é a elevação dos juros, diz a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria.


"E não deve se repetir no próximo ano o impulso fiscal de 2023 e 2024, que contribuiu bastante para elevar a renda das famílias e manter o consumo mais aquecido", afirma.


Para o desemprego, o Inter prevê taxas de 6% ao final deste ano e de 6,5% no mesmo período de 2025. Rafaela chama o movimento de uma "pequena alta" ou "acomodação".


"Parte da melhora do emprego refletiu um ciclo econômico mais positivo, porque o PIB cresceu de maneira robusta nos últimos anos", diz.


"Mas a gente também viu algumas mudanças estruturais que permitiram uma geração de empregos maior em setores de serviços, de tecnologia, além de investimentos em infraestrutura que acabaram elevando o uso de mão de obra", acrescenta Rafaela, que ainda cita reflexos positivos da reforma trabalhista.


O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, prevê desemprego de 5,9% ao final de 2024. Segundo ele, a desocupação tende a acelerar nos meses iniciais de 2025, período do ano no qual o indicador costuma subir, e deve ficar na faixa de 6,6% até dezembro.


"A gente está falando de uma atividade econômica que, se crescer perto de 2%, consegue minimamente sustentar a taxa de desemprego nesse patamar [próximo a 6%]."


Para o PIB, a expectativa da MB é de avanço de 3,4% em 2024 e de 1,8% em 2025. "Se a gente tiver uma desaceleração mais complicada, por efeito da crise fiscal que está se montando agora, a taxa de desemprego pode ser eventualmente maior", pondera Vale.


Ele acrescenta que o PIB do próximo ano deve contar com estímulo da agropecuária, já que as projeções indicam recuperação da safra após quebra em 2024. Serviços e indústria, por outro lado, tendem a sentir mais os efeitos dos juros elevados sobre o consumo, aponta Vale.


 


Prefeitura de SP convoca reunião para discutir tarifa de ônibus / Pessoas que acompanham o tema dizem que gestão poderá anunciar reajuste no preço das passagens- Folha SP 25/12


Victoria Azevedo


A Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana da Prefeitura de São Paulo convocou uma reunião extraordinária do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte) nesta quinta-feira (26) para tratar da tarifa de ônibus.


Pessoas que acompanham o tema dizem que a gestão Ricardo Nunes (MDB) poderá anunciar no encontro um reajuste no preço das passagens —o valor de R$ 4,40 está em vigor desde janeiro de 2020.


No último dia 14, Nunes afirmou que, se houver aumento na tarifa do ônibus municipal em 2025, o novo valor ainda deve ficar abaixo da inflação. Ele repetiu o discurso de que a que sua intenção é manter o preço atual, mas que é preciso equilibrar as contas do transporte com áreas como saúde e educação.


Segundo convite enviado para os conselheiros, a pauta da reunião é "avaliação dos elementos tarifários do Sistema de Transporte Público por Ônibus na Cidade de São Paulo - SPTrans". Procurada, a prefeitura não respondeu.


"O prefeito ao invés de ampliar a tarifa zero penaliza o povo que mais precisa do transporte coletivo. Triste decisão pós-eleição", diz o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), que tem o tema da tarifa zero como bandeira.


 


Moody’s Local reitera nota de crédito nacional ‘AAA.br’ da Petrobras / Analistas escrevem que a nota reflete a posição dominante da Petrobras no setor de óleo e gás, sua alta eficiência operacional, além de relevante nível de reservas provadas- Valor 24/12


Felipe Laurence


A Moody’s Local reiterou a nota de crédito nacional “AAA.br” da Petrobras, mantendo também perspectiva estável.


Os analistas Danilo Arashiro, Diego Kashiwakura e Gabriel Hoffmann escrevem que a nota reflete a posição dominante da Petrobras no setor de óleo e gás, sua alta eficiência operacional, além de relevante nível de reservas provadas.


A classificação incorpora a prudente gestão financeira da estatal ao longo dos últimos anos, permitindo patamares saudáveis de alavancagem bruta e sólida posição de liquidez.


“Também consideramos a relevância estratégica da companhia para a economia do País, sendo uma das principais pagadoras de impostos e dividendos à União”, comenta a agência de classificação de riscos.


Por outro lado, a nota é pressionada pela sua exposição a variações nos preços internacionais do petróleo e também a riscos relacionados a temas ambientais, sociais e de governança.


A perspectiva estável reflete a visão de que a Petrobras manterá sua performance operacional estável, com métricas de crédito robustas, ao mesmo tempo em que mantém aderência ao seu plano estratégico recentemente divulgado.


FONTES: CAIXA CONTRATA ITAÚ BBA, UBS BB, BTG PACTUAL E BOFA PARA FOLLOW ON DA SEGURIDADE- Broadcast 24/12


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 24/12/2024 - A Caixa Econômica Federal fechou na segunda-feira, 23, o sindicato de bancos que coordenará a oferta pública subsequente (follow on) da Caixa Seguridade, prevista para o ano que vem, segundo apurou o Broadcast com fontes que pediram anonimato.


Farão parte do sindicato Itaú BBA, UBS BB, BTG Pactual, Bank of America e a própria Caixa, que tem buscado fortalecer a atuação no mercado de capitais.


Os bancos vinham sendo sondados pela Caixa desde o primeiro semestre deste ano, como mostrou a reportagem à época. Com as condições desfavoráveis no mercado de capitais, a oferta acabou ficando para 2025, e deve acontecer no primeiro semestre do ano que vem, com possibilidade de sair no primeiro trimestre.


A operação já foi aprovada pelo conselho de administração da Caixa, e venderá 2,75% do capital da holding de seguros, previdência e capitalização que hoje pertencem ao banco. Pelos preços de ontem, a fatia vale cerca de R$ 1,233 bilhão.


Nos bastidores, mesmo com o contexto desfavorável no mercado brasileiro, há otimismo quanto à oferta. Fontes afirmam que há demanda pelos papéis, que neste ano acumulam valorização de 24,3%, contra queda de 10% do Ibovespa.


A oferta servirá para enquadrar a Caixa Seguridade nas regras de ações em circulação do Novo Mercado da B3. A Bolsa exige que 20% das ações de empresas do segmento estejam em circulação, mas hoje, o capital em circulação da holding é de 17,25%.


Procurada, a Caixa ainda não se manifestou.


 


Em nova ofensiva, gigantes da educação tentam liberar cursos de medicina / Grupos usam suposta brecha de decisão do STF para liberar 60 mil vagas em avaliação pelo MEC- Painel S.A – Folha SP 25/12


Enquanto grandes empresários da educação travam uma disputa com o MEC (Ministério de Educação) por novos cursos de medicina, o Grupo Dom Bosco, do empresário Chaim Zaher, obteve autorização para a abertura de 54 vagas de medicina na Life Unic Education, uma sociedade com Mohamad Abou Wadi, do IOA.


A mensalidade estimada do novo curso gira em torno de R$ 11 mil. Chaim ainda aguarda aval para 60 vagas de medicina para o Dom Bosco, que conta com 25 mil alunos, em Curitiba (PR).


O Dom Bosco integra o grupo SEB, da família Zaher, um conglomerado que reúne cerca de 400 mil alunos em marcas como Maple Bear, Concept, Pueri Domus, Harven Agribusiness School. Chaim também é o principal acionista da Yduqs, controladora da Estácio.


No momento, o MEC enfrenta grandes grupos de educação que pretendem fazer com que o governo passe a adotar um novo critério para liberação de faculdades ou mais vagas em escolas já autorizadas.


Os empresários querem que, na avaliação do MEC, seja considerado somente o índice de médicos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) por município. Ou seja: onde houver menos de 3,63 médicos por mil habitantes haverá espaço para liberação de novos cursos.


Por esse critério, menos de 4% dos cerca de 180 pedidos em análise seriam barrados pelo MEC, que usa o que determina a Lei do Mais Médicos.


O programa Mais Médicos dividiu o país em 108 regiões de saúde e deu preferência para novas vagas de medicina aos locais com menos de 2,5 médicos por mil habitantes. Esse parâmetro restringe a liberação onde já existe atendimento, como nos grandes centros urbanos.


No entanto, afirmam os técnicos do ministério, a decisão do STF incluiu a possibilidade de análise por município, o que, na avaliação dos empresários, abriu uma brecha para tentarem decisões favoráveis na Justiça.


Existem 180 processos pendentes de decisão e, desse total, 70% já foram analisados pelo MEC. A pasta prevê encerrar esse trabalho até o fim do primeiro trimestre de 2025.


Caso todos os processos sejam aprovados, serão 60 mil vagas adicionais de medicina, o que levará o país a ter cerca de 100 mil profissionais a mais.


Com Diego Felix


 


Amil e Dasa recebem aval do Cade para criarem rede de hospitais e clínicas / As duas irão controlar a Ímpar Serviços Hospitalares, que nasce como uma das maiores redes em número de leitos do país- O Globo 24/12


Por Renata Agostini — BRASÍLIA


As companhias de saúde Amil e Dasa receberam autorização da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta terça-feira para se tornarem sócias numa terceira empresa do setor.


As duas irão controlar a Ímpar Serviços Hospitalares, que será dona de 25 hospitais, seis clínicas oncológicas e seis clínicas médicas, anteriormente pertencentes a Amil e Dasa individualmente.


A empresa nasce como uma das maiores redes em número de leitos do país. O aval da superintendência-geral do órgão antitruste já permite que o negócio vá adiante.


A Amil é uma das maiores operadoras de planos de saúde e odontológicos do país. A Dasa possui laboratórios, além de hospitais e clínicas.


Segundo o Cade, a sociedade implicará em “sobreposição” de atuação nos mercados de hospitais e centros médicos nas cidades de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.


No caso dos serviços de oncologia, o órgão antitruste identificou atuação conjunta em Niterói.


Para o Cade, no entanto, há “presença de elementos de entrada e rivalidade suficientes para afastar a probabilidade de exercício de poder de mercado”, o que garantirá a concorrência no mercado.


Com a sociedade, haverá integração de atividades como diagnóstico, hospitais gerais, centros médicos, hemodinâmica e oncologia ambulatorial (quimioterapia), com os serviços de planos de saúde oferecidos pela Amil. Além disso, outros serviços da Dasa também serão usados.


O Cade não viu, porém, risco de “fechamento de mercado”.


Sem Margem Equatorial, 'podemos perder autossuficiência em petróleo em menos de 10 anos', diz diretora da Petrobras / Executiva defende atividade na Margem Equatorial para elevar reservas. Região responde por quase 40% dos investimentos previstos. Alta do dólar deve afetar resultado financeiro no trimestre, mas não prejudica projetos- O Globo 24/12


Bruno Rosa /Janaina Lage


Com expectativa de obter a licença ambiental do Ibama até fevereiro, Sylvia dos Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, defende a atividade na Margem Equatorial. O tema, considerado divisivo no governo, faz parte da estratégia da petroleira e responde por quase 40% dos investimentos previstos em exploração.


De acordo com Sylvia, a produção do pré-sal começa a cair em 2029 ou 2030 e, sem descobertas de grandes volumes, o país corre o risco de perder a autossuficiência em petróleo em menos de dez anos.


Enquanto aguarda a decisão, a Petrobras volta as atenções para a África, onde surgem oportunidades, e para a Bacia de Pelotas. No curto prazo, a companhia deve sentir os efeitos da alta do dólar em seu resultado no trimestre. Veja trechos da entrevista.


O ano praticamente chegou ao fim sem a licença do Ibama para a Margem Equatorial. Qual é a expectativa?


A Petrobras foi criada para avaliar o potencial do Brasil e torná-lo autossuficiente em petróleo. E conseguimos, embora ainda precisemos importar derivados, pois não refinamos tudo o que consumimos. A Margem Equatorial vai do Rio Grande do Norte à Colômbia. Já encontramos petróleo no Rio Grande do Norte, no Ceará e na Colômbia. Já perfuramos mais de 60 poços no litoral do Amapá. No total, mais de 560 poços em toda a região. E quantos acidentes ocorreram? Zero.


Mas com questões como alta do dólar, ajuste fiscal e o potencial divisivo do tema no governo, há risco de a Margem Equatorial ficar em banho-maria?


Acredito que não. Sou muito otimista. Temos tudo mapeado. A primeira questão é: ‘há alguma ameaça ambiental?’ Digo que só tem ameaças se você tiver derramamento e não souber operar. Se a Petrobras for proibida de explorar, alguém vai trazer o petróleo. Então, não tem argumentos técnicos para não furar. Além disso, pegamos uma sonda mais robusta que tem duplas garantias. Vamos alocar 13 barcos de contenção. E temos 7 na Bacia de Campos. Tudo que se possa imaginar para dar conforto ao Ibama nós fizemos.


O grau de exigência do Ibama é maior do que o de qualquer outra operação da Petrobras?


Sim. A Margem Equatorial está sendo muito mais complicada.


Quanto a Petrobras já gastou?


Foi muito dinheiro. Mais de centenas de milhões. Até o ano passado, tínhamos uma sonda lá. Uma sonda custa US$ 1 milhão a cada dois dias. Ela ficou dois meses. A sonda foi o mais caro. Também criamos um centro (de despetrolização de fauna) em Belém, mas ficava a 24 horas da costa. E aí pediram outro no Oiapoque de proteção de fauna.


Teve a questão do aeroporto, que já tem uma licença. E mesmo com o uso da Petrobras, o uso fica aquém da licença existente. Como a gente teve que fazer esse centro no Oiapoque, tivemos que comprar terreno. E começaram a perguntar qual é a quantidade de veterinários, se tem veterinários 24 horas por dia. Todas as perguntas foram respondidas.


Se a parte técnica já foi resolvida, falta a parte política?


Estamos zero confronto. Cumprindo as exigências. Só resta aprovar (risos).


Se a licença sair, quanto tempo leva para começar?


Demora. O navio que vai furar lá está aqui no Campo de Marlim (na Bacia de Campos). A hora que sair o sinal verde, tenho que fazer uma limpeza na sonda. Até chegar lá leva quatro meses. No local onde vamos perfurar, passam 1.100 navios por ano, inclusive petroleiros. Não é um santuário ecológico, um lugar totalmente protegido e que vai a empresa desvirginar o local. Não é.


Qual é a prioridade sem a Margem Equatorial?


Dos US$ 7,9 bilhões previstos em exploração, mais de US$ 3 bilhões são na Margem. A decisão é muito importante porque mostra para onde vou. Mas a gente vai continuar buscando áreas e bids (ofertas).


Quando houve a troca no comando da Petrobras, a cobrança era por mais investimento. Tem plano B?


Em fevereiro a gente deve terminar o centro de proteção à fauna. Depois disso, acredito que a gente tenha a licença. Mas continuo fazendo análise de portfólio. Fui no evento Africa Energy na África do Sul, pois adquirimos parte de um bloco (10% no DWOB, que tem entre os sócios TotalEnergies, Qatar Energy e Sezigyn). Apareceram vários países perguntando ‘o porquê de a Petrobras não vir'. Eu me senti a queridinha da África.


Quais países?


África do Sul, Namíbia, Angola, Gana, Guiné, Congo, Mauritânia, Moçambique, Tanzânia. Todos querendo que a gente participe mais. Não foi proposta. Esses países precisam de investimento e têm potencial de petróleo. Tanzânia já teve descobertas. A coisa mais importante é que viram a Petrobras como parceira. E isso é muito bacana.


Essa incursão está no radar?


Sim. Em 2025, vamos perfurar um poço em São Tomé, um poço na África do Sul e dois na Colômbia. São quatro poços no exterior.


Qual é relação entre reservas e produção da Petrobras?


Está em 12,2 anos, mas vai aumentar no atual plano estratégico (de 2025 a 2029). O pré-sal é mais de 80% disso. É o maior de todas as empresas. E é tudo crescimento orgânico. Somos a única empresa que explora, produz e desenvolve. As outras compram outras companhias.


Mas há preocupação em aumentar as reservas...


O pico de produção na Bacia de Campos foi em 2009. Em 2006, nos tornamos autossuficientes. A sorte é que em 2007 a gente descobriu o pré-sal. Em 2029 e 2030, o pré-sal começa a cair. Podemos perder a autossuficiência em 2032.


Em menos de dez anos?


Sim. Já encontramos grandes acumulações no pré-sal. A Margem é muito parecida com a Bacia de Campos. Leva muito tempo até produzir. Se faço a descoberta hoje, levo um ano avaliando e quase um ano fazendo bid (licitação) de plataforma e depois quatro anos para construir. Se tudo certo, são seis anos ou até oito anos. E o que vou produzir daqui a oito anos já tem que ser descoberto hoje. O ciclo é muito longo. E a gente vai gastando reserva e declinando.


E como a Bacia de Pelotas, no Sul, entra na equação?


Vou acelerar o máximo possível. Em Pelotas, a gente já furou em água rasas, mas não em águas profundas. Adquirimos 29 blocos e vamos fazer sísmica. Até agora, a gente só conseguiu fechar sísmica de dois blocos. Ali é o caminho por onde passam baleias jubarte. Então, uma parte do ano não se pode fazer sísmica.


Onde vai furar no pré-sal?


Vamos furar em 2025 dois poços em Aram, mais dois poços em Alto de Cabo Frio Central e em Água Marinha. Raia Manta e Pintada a gente não vai furar mais, mas vai vai entrar para produzir.


Como a cotação do dólar a R$ 6 afeta a Petrobras?


O primeiro impacto vai ser no resultado. Nosso resultado do trimestre vai ser afetado fortemente. A gente já sabe disso.


Pode prejudicar projetos?


No momento não. Todos os projetos têm robustez muito grande e são feitos para condições extremas do dólar e do Brent (petróleo). Lógico que vai afetar, mas não fica inviável. Diminui a lucratividade. Como diminui para todas que dependem de importação.


Como a Petrobras pretende elevar a produção de gás nos próximos anos?


O primeiro grande negócio é a Rota 3. No final de 2026 a gente vai sair dos atuais 35 milhões de metros cúbicos por dia para 50 milhões de metros cúbicos por dia. Então já vai ter um ganho significativo até 2026. Depois, com Raia Manta, que tem a Equinor como operadora, estamos falando de mais 16 milhões de metros cúbicos por dia. E estamos com um bid (licitação) para Sergipe-Alagoas. Já teve muita consulta. Isso é muito positivo.

Matinal Josué Leonel 2612

 BC volta a atuar após pressão por risco político: Mercado Hoje

2024-12-26 10:25:29.295 GMT



Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Banco Central dá continuidade às fortes

atuações no câmbio deste mês com novo leilão à vista de US$ 3

bilhões, depois que o dólar voltou a se aproximar de R$ 6,20 na

segunda-feira, diante do fortalecimento global da moeda

combinado às incertezas fiscais e políticas domésticas. Moeda

ganhou força, enquanto juros futuros dispararam, após decisão de

ministro do Supremo, Flavio Dino, de suspender parte do

pagamento e pedir inquérito sobre a liberação de emendas

parlamentares. AGU encaminha ofício ao BC com pedido de

informações sobre a cotação do dólar no Google durante feriado.

Embraer diz que apoia autoridades depois de acidente no

Cazaquistão.

Agenda esvaziada nesta quinta-feira pós-feriado traz

números de fluxo cambial e dívida no Brasil, além de seguro-

desemprego e leilão do Tesouro nos EUA. No mercado externo,

futuros das bolsas americanas recuam, enquanto índice dólar e

rendimento dos treasuries sustentam altas. Petróleo avança com

estímulo na China. 

*T

Às 7:24, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro -0,4%

STOXX 600 +0,2%

FTSE 100 +0,4%

Nikkei 225 +1,1%

Shanghai SE Comp. +0,1%

MSCI EM -0,1%

Dollar Index estável

Yield 10 anos +2bps a 4,6088%

Petróleo WTI +0,5% a US$ 70,46 barril

Futuro do minério em Singapura +0,5% a US$ 101

Bitcoin -3% a US$ 95430,5

*T

Internacional

Futuros de Nova York recuam após altas na Ásia; dólar

estende avanço

* Futuros de bolsas dos EUA têm leve baixa; maioria das ações

asiáticas avançarem em meio ao otimismo de que o fim do ano mais

uma vez será uma temporada forte para as ações

* Índice dólar tem terceira alta seguida e rendimentos dos

treasuries sobem

* Investidores seguem à espera que o chamado “rali de Papai

Noel” mantenha as bolsas em alta nas últimas sessões do ano

** Na terça-feira, quando o mercado brasileiro ficou fechado, o

S&P subiu 1,1%

* Na Europa, vários mercados seguem fechados nesta quinta-feira

* Ações subiram em Tóquio com a fraqueza contínua do iene e

depois que Japão e a China concordaram em lançar políticas para

promover viagens entre os dois países

* Agenda nos EUA destaca indicador de pedidos seguro-desemprego

e leilão de títulos do Tesouro

* Petróleo sustenta alta impulsionado por medidas de estímulo

fiscal na China e um relatório do setor dos EUA sinalizando

outra queda nos estoques

* Em uma tentativa de impulsionar o crescimento, China está

dando às autoridades locais mais margem de manobra para investir

os rendimentos dos títulos governamentais

* Minério de ferro tem leve alta à medida que as siderúrgicas

chinesas fazem estoques antes da retomada das atividades na

primavera


Para acompanhar

Leilão à vista após pressão no câmbio; AGU pede informação

sobre cotação

* BC faz leilão de dólar à vista ofertando até US$ 3 bi às 9:15

* Na segunda-feira, mercado doméstico voltou a sofrer pressão

diante da persistência de incertezas e dólar avançou avançou

1,8% diante de valorização do índice da divisa depois que foi

evitado o ‘shutdown’ nos EUA

** Juros futuros médios e longos avançaram cerca de 40 pontos

com perspectiva de aumento do risco político doméstico e piora

das expectativas de inflação na Focus

** Pesou determinação do ministro do STF, Flavio Dino, de

suspender parte do pagamento e pedir inquérito sobre a liberação

de emendas parlamentares, segundo jornais

** Ibovespa recuou com aversão local e pressão na curva do DI

* BC divulga fluxo cambial às 14:30 em seu website

** Fluxo ficou negativo em US$ 4,15 bi entre 9 e 13 de dezembro

* BC também faz oferta 15.000 contratos de swap cambial para

rolagem

* Às 14:30, sai total da dívida federal de novembro; anterior R$

7,073 tri

* Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou, na quarta-feira,

ofício ao Banco Central com pedido de informações sobre a

cotação do dólar no feriado, segundo site da AGU

** Dados enviados pelo BC subsidiarão eventual atuação da

Procuradoria-Geral da União, em relação ao buscador Google, que

apresentava a cotação do dólar a R$ 6,38, valor R$ 0,20 superior

ao registrado no último fechamento oficial, de acordo com a nota

* Google informou que dados em tempo real exibidos na busca vêm

de provedores globais terceirizados: Valor


Outros destaques

MPT diz que trabalhadores da BYD estavam em condição

análoga à escravidão

* MPT resgata 163 trabalhadores de fábrica da BYD na Bahia

** Operários do Grupo Jinjang, que prestava serviços à BYD,

estavam em condições “análogas à escravidão”, disse o MPT

* BYD não respondeu a pedido de comentário

* Planalto prevê acordo da BYD sobre caso: Folha

* Governadores avaliam ir ao STF contra decreto sobre uso de

força policial: Globo

** Texto prevê utilização de armas de fogo apenas como último

recurso


Empresas

Embraer, Petrobras, Marcopolo

* Avião de passageiros fabricado pela Embraer caiu no dia 25 no

Cazaquistão, matando dezenas de pessoas

** Embraer diz apoiar autoridades após acidente

* Petrobras informa preço de resgate de Global Notes 2025

* Eneva assina financiamento de R$ 660 mi com Banco do Nordeste

* Marcopolo compra 40% da Reborn do Chile por US$ 4 mi

* Porto Seguro: Conselho aprova pagamento de R$ 269,7 mi em JCP

* Cade aprova operação de redes de hospitais de Amil e Dasa

E vamos em frente...

 Livre, leve e solto


A reabilitação penal e política de José Dirceu, que agora pode circular como se fosse o mais probo dos homens públicos, escarnece dos cidadãos que acreditaram num Brasil mais decente


Aos brasileiros justos tem sido negado o direito de sonhar com um ano novo mais auspicioso para o País. Uma nesga de esperança por um futuro mais decente é logo abatida por sinais de que aqui, ao que parece, o crime compensa, a depender da resiliência dos malfeitores para amargar um período de dissabores que, mais cedo ou mais tarde, decerto serão atenuados, quando não revertidos, em virtude de suas relações com figuras bem posicionadas na política e no Judiciário. José Dirceu é a personificação desse Brasil que deu certo para os apanhados em malfeitos que sabem esperar.


No dia 17 de dezembro, a 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) encerrou dois processos contra Dirceu no âmbito da Operação Lava Jato em Curitiba (PR), nos quais ele havia sido condenado a mais de 20 anos de prisão. Segundo o advogado Roberto Podval, eram as duas últimas ações penais a que seu cliente respondia, de modo que o petista tem o caminho aberto para recuperar seus direitos políticos e se candidatar a um mandato eletivo em 2026. Dirceu já manifestou em público a intenção de voltar à Câmara dos Deputados, de onde saiu cassado em 2005 na esteira de outro escândalo de corrupção, o “mensalão”, do qual, como o País lembra bem, ele foi um personagem de proa.


O consigliere petista tem motivos de sobra para colocar 2024 entre os melhores anos de sua vida. Em março, sua festa de aniversário em Brasília foi, na verdade, o début de sua reabilitação política. Pelo salão transitou a nata do poder político e econômico do País, incluindo autoridades de alto escalão do Executivo e do Legislativo, das mais variadas afiliações partidárias, empresários, advogados e jornalistas. Dirceu circulou livre, leve e solto entre os cerca de 500 convidados como se fosse o mais probo dos homens públicos, como um injustiçado que, enfim, encontrava a redenção.


Durante o rega-bofe, nenhum dos convivas manifestou o menor sinal de constrangimento por estar celebrando um criminoso condenado em múltiplos processos por crimes gravíssimos, como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa – condenações estas corroboradas por todas as instâncias judiciais, ou seja, sem que houvesse dúvidas sobre a autoria e a materialidade dos crimes que foram imputados a ele. Ao contrário, Dirceu foi tratado como um oráculo político, além de uma peça fundamental para o projeto de poder do PT para além do atual mandato do presidente Lula da Silva.


O encerramento das ações contra Dirceu no STJ é decorrência direta de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que, em outubro, anulou todos os atos processuais tomados ou autorizados pelo então juiz Sérgio Moro contra o petista. O decano do STF estendeu a Dirceu os mesmos benefícios concedidos ao companheiro Lula da Silva, sob a argumentação de que, assim como o presidente da República, Dirceu teria sido vítima de uma “ação coordenada” entre Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Porém, nem a Mendes nem a Dias Toffoli – outro ministro do STF que resolveu fazer tábula rasa dos fatos e das provas, reescrevendo, na prática, a história da maior operação de combate à corrupção de que o País já teve notícia – ocorreu que as supostas evidências desse “conluio” entre o Judiciário e o parquet foram obtidas por meios manifestamente ilegais, sendo, portanto, inválidas.


Ninguém minimamente bem informado sobre o que aconteceu no Brasil nos últimos anos haverá de negar que os procuradores da Lava Jato decerto cometeram muitos erros processuais, para dizer o mínimo, em nome do que entendiam ser um “bem maior”, qual seja, a purgação da política por meio do enfrentamento à corrupção com todos os instrumentos que tinham à mão, fossem legais ou não. Aí está o resultado desse messianismo. Sem que a culpabilidade de condenados por corrupção, muitos deles réus confessos, fosse posta em xeque do ponto de vista factual, quase todos os criminosos envolvidos no “petrolão” foram exonerados de prestar contas à Justiça e hoje podem posar de inocentes. Dirceu é a face mais conhecida desse tapa na cara do Brasil honesto.



https://www.estadao.com.br/opiniao/livre-leve-e-solto/

News 2612

 NEWS - 26.12


PF investigará se houve peculato e desobediência à ordem judicial na liberação de R$ 4,2 bi em emendas / Um dos alvos da apuração deve ser o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL)- Valor 25/12


Isadora Peron / Andrea Jubé / Marcelo Ribeiro


A Polícia Federal (PF) vai investigar se houve crimes de peculato e desobediência à ordem judicial na decisão de liberar o pagamento de R$ 4,2 bilhões de emendas de comissão. Um dos alvos da apuração deve ser o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).


O inquérito foi aberto, na terça-feira (24), a pedido do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou também a suspensão do pagamento desse tipo de emenda.


O crime de peculato acontece quando um funcionário público rouba ou desvia bens ou dinheiro públicos. Já o desobediência é quando alguém desrespeita uma ordem de uma autoridade legal, como um policial ou juiz.


No ofício que encaminhou ao Supremo para comunicar a abertura do inquérito, o delegado da PF Tiago Adão Coutinho não citou o nome de Lira, mas afirmou “que as práticas criminosas a serem depuradas teriam sido cometidas por membros do Congresso Nacional”.


Também disse que o contexto narrado por Dino aponta para a existência de “elementos indiciários da prática do delito de desobediência, face ao aparente descumprimento deliberado de algumas determinações contidas de decisões”.


Segundo ele, as denúncias feitas por parlamentares levantam suspeitas sobre “irregularidades tanto no que tange ao rito interno de processamento das emendas, quanto na destinação e execução dos recursos”.


Como primeira diligência, a Polícia Federal vai colher os depoimentos do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e dos deputados José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP) e Glauber Braga (Psol-RJ), que teriam criticado a manobra para liberar os recursos.


A investigação também vai mirar se o processo para permitir o pagamento das emendas estaria “recebendo influência ímproba de pessoas não parlamentares”, como lobistas.


Na decisão, o ministro do STF apontou que Lira enviou ao governo um ofício assinado por 17 líderes partidários solicitando o pagamento de 5.449 emendas de comissão sem identificar os respectivos autores dessas emendas. No mesmo dia, a Mesa Diretora suspendeu o funcionamento das Comissões Permanentes da Casa.


Além de ser apontado como o avalista da manobra, o Estado de Lira, Alagoas, teria sido o maior beneficiado da destinação dos R$ 4,2 bilhões, com quase R$ 500 milhões em emendas.


A nova decisão de Dino e a abertura do inquérito pela PF representam um novo capítulo da disputa sobre a distribuição dos recurso do orçamento que se estende há meses no STF.


Para parlamentares do centrão, o “timing” da decisão do ministro foi calculado, já que ele aguardou a votação dos projetos de contenção de gastos para suspender os pagamentos. Isso também sustenta as desconfianças de uma ala do Legislativo de que a iniciativa de Dino foi orquestrada com o governo, já que ele é próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


O grupo defende que o Congresso recorra da decisão e já desenha algumas retaliações à medida, que incluem um atraso ainda maior da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) — o texto não foi apreciado no fim do ano legislativo e ficou para a retomada dos trabalhos em 2025, que acontece só em fevereiro.


Outra reação que está no radar é ampliar a pressão para que o próximo presidente da Câmara, que possivelmente será Hugo Motta (Republicanos-PB), dê andamento à proposta de emenda constitucional (PEC) para transformar as emendas de comissão ao Orçamento em emendas parlamentares individuais, com execução obrigatória pelo governo federal.


A proposição é de autoria do líder do PL na Câmara, Altineu Cortês (RJ), e já contabiliza 152 assinaturas, menos do que as 171 assinaturas necessárias para que medida seja protocolada e passe a tramitar.


Procurado por meio da sua assessoria, Lira não quis se manifestar.


 


Isenção do IR até R$ 5 mil mensais terá impacto de R$ 51 bilhões por ano, diz Unafisco / Atualmente, a isenção do IR vale apenas para que ganha até R$ 2.824 mensais- Valor 25/12


Estevão Taiar


A isenção do Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas que ganham até R$ 5 mil mensais terá impacto fiscal de R$ 51 bilhões por ano para o governo federal, de acordo com levantamento divulgado nesta quarta-feira pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco).


A proposta de isentar quem ganha até R$ 5 mil da cobrança do IR foi apresentada em novembro pelo governo federal. O projeto de lei que tratará do tema ainda não foi, no entanto, enviado para o Congresso Nacional.


Atualmente, a isenção do IR vale apenas para que ganha até R$ 2.824 mensais. Segundo a Unafisco, a proposta do governo federal “beneficiaria aproximadamente 9,6 milhões de brasileiros, elevando o total de isentos para cerca de 26 milhões de contribuintes”.


A estimativa de impacto fiscal realizada pela associação dos auditores fiscais é maior do que a do governo federal, que projeta que a medida terá impacto fiscal de aproximadamente R$ 35 bilhões por ano.


A Unafisco lembra, no entanto, que “o governo busca formas de compensar a renúncia fiscal, incluindo a possibilidade de aumentar a tributação sobre rendas mais altas”.


A proposta da União é estabelecer uma alíquota efetiva mínima de imposto de 10% sobre os rendimentos de todas as pessoas físicas que ganham mais de R$ 50 mil mensais, incluindo rendimentos sobre os quais atualmente não incide tributação ou incide uma tributação menor do que a do IR, como lucros e dividendos.


Ano termina sob a dúvida de como será a atividade em 2025 / Economistas se dividem sobre tamanho do impacto da deterioração do cenário interno nas últimas semanas sobre desempenho do setor privado- Valor 26/12


Por Lu Aiko Otta — De Brasília


O ano de 2024 foi ruim em termos de expectativas, mas ótimo em termos produtivos. O resumo foi feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em almoço da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), no início de dezembro. Mas para 2025, a pergunta é: quanto o clima ruim na economia neste final de ano, que já se reflete em juros mais elevados, afetará a economia privada?


Os mais pessimistas falam em recessão. É o caso do economista André Perfeito. “Ninguém está calculando a segunda derivada das próprias projeções”, disse, referindo-se aos colegas economistas. Ele acredita que o nível de juros sinalizado pelo Banco Central (BC) em novembro “necessariamente” aponta para um encolhimento da economia.


No café da manhã com a imprensa ocorrido na sexta-feira (20), Haddad foi questionado com insistência sobre o cenário para 2025, diante da alta de juros e seus impactos na redução do crédito e do investimento.


Deixou de ser evasivo na terceira vez, e foi econômico em seus comentários. “Acredito que esse ciclo de alta dos juros vai fazer efeito rápido na economia”, avaliou. “Se a trajetória da inflação começar a ser de queda, o Banco Central vai calibrar trajetória da taxa de juros”, disse. Ele acrescentou que o Ministério da Fazenda já projetava um crescimento menor no ano que vem: 2,5%, ante possíveis 3,5% este ano.


Mas essa projeção foi feita em meados de novembro, antes de o BC anunciar, no último dia 11, uma alta de um ponto percentual na taxa de juros Selic e dizer que haverá mais dois aumentos da mesma magnitude em 2025, de forma que em março do ano que vem a taxa em março deverá chegar a 14,25%.


O dólar acima de R$ 6 no fim de 2024, o choque nos juros e a corrida do BC para estabilizar a cotação da moeda americana, marcas do mês de dezembro, ofuscaram os bons resultados que a economia alcançou no ano: crescimento estimado em 3,5% no ano; taxa de desemprego em 6,2%, menor nível da série; rendimento real mensal em nível recorde; e concessões de crédito avançando 26,6% no ano.


No campo social, a extrema pobreza caiu abaixo de 5% pela primeira vez na história. No comércio exterior, foi fechado um pré-acordo entre Mercosul e União Europeia, com chances de encerrar um processo negociador que se arrasta há 25 anos. Foi ainda aprovada a regulamentação da reforma tributária, abrindo o caminho para o início de sua implementação.


A economia privada em boa forma trava um cabo de guerra com as expectativas ruins, na visão do economista-chefe da Tullett Prebon Brasil, Fernando Montero. A situação seria diferente se a política fiscal não tivesse sido tão decepcionante. Um ajuste crível nas contas públicas teria poupado a economia do choque de juros, avalia.


Há cautela mesmo num setor menos sensível às turbulências de curto prazo da economia, que é o de infraestrutura. “Os aumentos de juros programados dão um breque na economia, não há dúvida”, comentou Roberto Figueiredo Guimarães, diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).


Os projetos em infraestrutura que estão em andamento e cuja estrutura de financiamento já foi definida serão menos impactados. Porém, o juro elevado encarecerá aqueles que estão em fase de estruturação, tornando-os menos atraentes, avaliou. De acordo com o Livro Azul da Infraestrutura, são cerca de 500 projetos que somam R$ 750 bilhões.


A própria estimativa oficial diz que 2025 será um ano de desaceleração. A reação do governo a esse ambiente de menor crescimento, menos emprego, menos crédito, menos investimentos é uma incógnita na cabeça dos economistas. Assim, entrou no radar uma possível alteração no arcabouço fiscal, para abrir espaço para mais despesas e contrapor o ciclo de baixa.


 Essa ideia é negada na área econômica, que, afinal, acabou de sair de uma dura batalha com a ala política do governo para produzir medidas de ajuste destinadas a dar sustentabilidade ao arcabouço. Porém, a própria dificuldade enfrentada por Fazenda e Planejamento na formatação do pacote de ajuste indica que a ideia de afrouxar a regra fiscal poderá ganhar força em 2025 e, principalmente, no ano eleitoral de 2026.


O embate entre modelos de desenvolvimento dentro da equipe de governo não foi resolvido em 2024 e deverá marcar os próximos dois anos.


A política fiscal frouxa, que tolera crescimento da dívida pública no curto prazo, esteve no centro das atenções do mercado financeiro no ano que se encerra. O contínuo aumento dos juros de mercado reflete como a confiança foi se deteriorando a cada sinal de dificuldade do governo em conter o avanço das despesas.


Do ponto de vista da política fiscal, o ano de 2024 teve três fases. Ao longo do primeiro semestre do ano, o arcabouço fiscal foi colocado em xeque pela ala política do governo e pelo cenário externo. Internamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ficar “irritado” com a discussão sobre a meta de zerar o déficit nas contas públicas.


No campo externo, os cortes nas taxas de juros dos Estados Unidos não ocorreram nem no prazo, nem na magnitude esperados, o que levou a um cenário negativo para economias emergentes como o Brasil.


O governo foi derrotado, também, em seu plano de acabar de imediato com o Perse, programa de apoio ao setor de eventos, e com a desoneração da folha salarial de 17 setores intensivos em mão de obra, programa de substituição tributária defendido por empresas e trabalhadores para manter empregos formais. Não fosse por isso, repete Haddad, as contas deste ano fechariam com déficit zero.


Diante desse cenário, a opção foi reduzir as metas de resultado das contas públicas. Passaram a ser de zero em 2024, zero em 2025 e 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Quando o arcabouço foi anunciado, as metas eram zero este ano, 0,5% do PIB em 2025 e 1% do PIB em 2026. Na época, a cotação do dólar saltou de R$ 5,00 para R$ 5,40.


A crise teve algum alívio em julho, quando Haddad arrancou de Lula três autorizações: congelar algumas despesas do orçamento de 2024, cortar despesas em 2025 por meio do pente-fino e estudar medidas de ajuste estrutural para 2026 em diante. Começou aí uma segunda fase do ano.


Junto, veio a pacificação das relações com o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, até então uma espécie de líder da ala desenvolvimentista do governo. Ele aderiu ao pente-fino para conseguir mais verbas para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Em outubro, a agência de classificação de riscos Moody’s elevou a nota do Brasil, deixando-a a um degrau do “grau de investimento”. Indicou que uma nova alta poderia ocorrer em breve, a depender da confirmação da trilha de crescimento econômico e da adoção de novas medidas de ajuste que dessem solidez ao arcabouço.


O pacote estudado pela área econômica era bem mais duro do que o que foi anunciado. Por exemplo, estava sobre a mesa uma possível desindexação de benefícios sociais (exceto aposentadorias) em relação ao salário mínimo. Alterações nos pisos de gastos com saúde e educação também foram analisadas, assim como a redução de gastos com o Fundeb e o seguro-desemprego.


As dificuldades políticas em avançar com as medidas ficaram evidentes quando o pacote não saiu imediatamente após o segundo turno eleitoral, como havia sido sinalizado.


A terceira fase do ano veio com o anúncio do pacote de gastos. Além de pré-desidratado, veio acompanhado de uma medida que sinalizou na direção oposta: a proposta de elevar o limite de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para R$ 5 mil. No final da manhã de 27 de novembro, o Valor Pro, serviço de informações em tempo real do Valor, informou que os dois conjuntos poderiam ser anunciados simultaneamente. Pela primeira vez, a cotação do dólar chegou aos R$ 6,00.


Haddad era contra juntar as duas coisas, mas foi voto vencido. Ainda coube a ele fazer o duplo anúncio, em cadeia de rádio e TV.


Mesmo aquém do esperado, o pacote poderia ter funcionado, se conseguisse ser visto como algo capaz de minimamente ajustar as contas públicas. “A expectativa do ajuste faz 90% do ajuste”, diz Montero. Isso, somado à economia privada que está “um brinco”, poderia colocar a economia brasileira em um ciclo positivo, avalia.


A virada na expectativa em relação à política fiscal e seu reflexo nos juros são a marca da economia brasileira, avalia a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese. “Eu acho que foi um ano de muita surpresa, especialmente na política monetária”, avalia. A expectativa era uma taxa Selic na casa dos 8% ou 9%, quando veio a revisão das metas e, depois, um pacote de ajuste “vem, não vem”. A “reviravolta fiscal” foi uma surpresa, acredita. “Parece que o mercado deixou de dar o benefício da dúvida para o governo.”


É baixa a probabilidade de haver um sinal mais assertivo em direção ao ajuste. “Temer era o teto de gastos, Bolsonaro era o Paulo Guedes e o Lula é o Lula”, diz Montero.


Em seu encontro de fim de ano com a imprensa, Haddad reconheceu que há uma disputa em torno do ajuste fiscal. Acrescentou que o consenso em torno de sua necessidade “é maior do que um ano atrás”. Porém, persiste a pressão da direita, que não quer aumento nos impostos, e da esquerda, que não quer redução das despesas. “Como fecha as contas?”, questionou.


O ministro parecia cansado. Porém, se mostrou satisfeito com a aprovação do pacote de ajuste fiscal, após um esforço concentrado do Congresso Nacional, que se encerrou naquele dia. Ele se comparou a um corredor ao final de uma maratona, para quem importa ter chegado ao final, e nem tanto se vai ou não subir no pódio.


 


Crédito alimenta atividade, mas tem fôlego curto – Valor 26/12


O mercado de crédito no Brasil descolou das condições financeiras gerais e tem gerado um importante impulso para a atividade econômica em 2024. Olhando à frente, porém, com a forte e rápida deterioração de componentes das condições financeiras, como câmbio e juros, é improvável que esse impulso se sustente por muito tempo ao longo de 2025, dizem economistas, contribuindo para a esperada desaceleração da atividade no ano que vem.


Estudo do Santander mostra que o impulso de crédito no Brasil está em aproximadamente 4% do PIB. O indicador é medido pela diferença entre novas concessões e pagamentos (juros e amortizações) em 12 meses, como porcentagem do PIB. Ele representa quanto de dinheiro está saindo do sistema financeiro em direção ao “sistema real”. “É quanto, de fato, o sistema financeiro está impulsionando a economia”, diz o economista Henrique Danyi, autor do estudo.


O exercício parte de metodologia divulgada pelo Banco Central em 2021 e de uma estimativa própria para a série de pagamentos de créditos. O estudo apresenta duas abordagens para o impulso de crédito: “top-down”, que considera a análise agregada dos principais segmentos (crédito para pessoa física e jurídica, livre e direcionado) e “bottom-up”, que detalha cada modalidade com dados disponíveis, como rotativo e para veículos.


“Na metodologia ‘top-down’, o impulso está nas máximas históricas da série, que a gente consegue estimar desde 2012”, diz Danyi. “Na metodologia ‘bottom-up’, e ainda está atrás do fim de 2017 e início de 2018”, acrescenta.


Apenas pela análise agregada, a impressão é que o impulso de crédito vem sendo puxado pelas categorias livres, com peso mais ou menos igualmente distribuído entre pessoa física e jurídica. Com análise mais detalhada, porém, o Santander observou que o impulso do crédito livre à pessoa física ainda está negativo. Isso não é, segundo Danyi, necessariamente ruim, porque tem havido alto volume de pagamentos de cheque especial por parte das famílias.


“O impulso de crédito de outras modalidades da pessoa física está forte. O de cheque especial não está forte, está tendo muito pagamento, porque há renda disponível nas famílias”, afirma. “Parece que está saindo dinheiro do sistema real para o financeiro, mas o impulso do crédito livre da pessoa física sem considerar o cheque especial estaria positivo em mais de 1% do PIB. Então, parece negativo, mas a qualidade é muito boa, porque há pagamento elevado de uma modalidade caracterizada por muito risco e juro no teto”, diz.


A análise detalhada mostra que a contribuição positiva do impulso de crédito da pessoa jurídica não tem uma qualidade tão boa assim, porque boa parte é explicada pela antecipação de fatura de cartão para as empresas. “É um impulso 100% dependente de demanda. Enquanto tiver demanda, ele vai ser forte. Mas, se a demanda sumir por algum motivo, se desacelerar o consumo via cartão de crédito na economia, esse impulso vai acabar caindo rápido”, afirma.


A expectativa é que o crédito em geral pudesse ter desacelerado já no segundo semestre deste ano, o que não aconteceu, observa Bruno Martins, economista do BTG Pactual. “Houve piora grande das condições financeiras desde abril, mas a parte associada ao crédito não sofreu tanto quanto outros indicadores, o que foi surpresa”, afirma.


Para ele, houve certo “otimismo” no crédito à pessoa física do lado da oferta, com indicadores como prazos, taxas de juro e garantias de exigência de entrada (no financiamento de bens) sem acompanhar a piora das condições financeiras. “Em veículos, por exemplo, os bancos aceitam financiar cada vez mais parcelas maiores. Hoje, pouco mais de 40% das operações novas de veículos têm bancos financiando mais de 80% do valor do automóvel”, afirma.


Essas “idiossincrasias”, diz, indicam que a oferta de crédito tem se expandido, apoiada no avanço da renda das famílias, que, por sua vez, se sustenta pela expansão fiscal e pelo mercado de trabalho aquecido.


No estudo do Santander, ambas as métricas de impulso vinham caindo até o fim de 2023. Depois começaram a acelerar. “Essa volta coincidiu com o início da queda das inadimplências. A intuição é que a atividade estava forte, a renda estava alta, havia disposição para fornecer linhas de crédito, mas a inadimplência também estava elevada, por isso, não davam. Quando começou a cair a inadimplência, o impulso de crédito se recuperou bem”, diz Danyi.


O problema é que uma inadimplência ao redor de 5,5% como no crédito livre às famílias, ainda é considerada historicamente alta pelos economistas, mesmo que tenha arrefecido em 2023. “Teve melhora da inadimplência desde o ano passado, mas a gente já esperava que ela fosse andar de lado neste ano, foi o que aconteceu. É um ponto a observar”, afirma Danyi.


Diante do forte crescimento da renda e da taxa de desemprego em mínimas históricas, era para a inadimplência da pessoa física estar menor, diz Martins, do BTG. “O que significa que ainda tem muito endividamento das famílias. É um risco relevante”, afirma. “Isso, aliado à questão de que alguns linhas estão com menores garantias, é um ponto de muita atenção.”


Além disso, diz Danyi, costuma haver relação entre a taxa de juros e a inadimplência: quanto mais alta uma, maior a outra. Dado o aperto monetário esperado para o ano que vem, a “intuição” é que o impulso de crédito à atividade não deve sustentar os níveis atuais, afirma. “ É muito difícil sustentar esse nível de concessões e de pagamentos extraordinários para a frente.”


Soma-se a isso a piora nas expectativas de inflação, que também sinalizam risco para a dinâmica da renda disponível das famílias, diz Martins. “Se continuar nessa toada, com inflação de alimentos muito alta, a renda tende a cair. Então, podemos ter um efeito no mercado de crédito que vai desacelerar por causa da Selic mais alta e ainda uma renda caindo, porque a inflação está subindo. Fico preocupado, mas vejo os bancos também começando a segurar a euforia”, afirma.


Segundo ele, dada a piora de fatores que compõem as condições financeiras, como câmbio e juros, nas últimas semanas, já é possível observar alguns movimentos iniciais de bancos no sentido de revisar parâmetros de concessão de crédito e pisar no freio. “A expectativa é que, em algum momento, isso vai chegar no crédito em 2025.”


Quanto mais demorar para o crédito sentir os efeitos da política monetária mais restritiva, pior será para a atividade, diz Martins. “Quando acontece, pode ser um solavanco grande. A ideia é que seja de forma suave. Por enquanto, o cenário-base é esse. Os bancos estão com folga, não há risco sistêmico. A expectativa é que o crédito vá desacelerar, o que é saudável. É o que todo mundo está esperando para que possa haver, depois, queda de juros e resposta dos investimentos, para a gente não ficar com uma economia muito impulsionada por expansão fiscal e crédito, o que para o crescimento sustentável é ruim”, afirma.


 


Risco Brasil supera os 200 pontos e sobe à máxima desde maio de 2023 / Deterioração de expectativas na seara fiscal faz do país destaque negativo entre os principais mercados emergentes- Valor 26/12


Victor Rezende / Arthur Cagliari


O risco Brasil medido pelo spread dos contratos de cinco anos de Credit Default Swap (CDS) superou a marca simbólica dos 200 pontos e atingiu os maiores níveis desde maio de 2023, afetado por uma piora relevante na percepção de risco doméstico. De acordo com dados da S&P Global, o CDS de cinco anos do Brasil ficou em 200 pontos na segunda-feira (23), após ter subido a 219 pontos na última quinta-feira, 19 de dezembro.


No movimento mais recente, o Brasil é destaque de piora entre os principais mercados emergentes. Desde o início de dezembro, houve um salto de 21,9% do CDS de cinco anos do Brasil, uma disparada que não se verificou em outros mercados, como México (+5,4%), Colômbia (+4,4%), África do Sul (+3,8%) e Turquia (+2,1%).


“O CDS estava muito tranquilo, mas começou a ‘andar’ agora, diante de uma persistência na piora da percepção de risco que temos visto”, nota o economista Marco Antonio Caruso, do Santander.


Para combater os efeitos do risco fiscal, o mercado tem embutido nos preços dos ativos a chance de uma política monetária muito mais restritiva à frente, o que levou a taxa de juros real ex-ante a encostar no nível de 10%, no maior patamar desde outubro de 2008. Nos cálculos do Valor Data a partir do swap de juro de 360 dias e das expectativas de inflação de um ano extraídas do boletim Focus, o juro real chegou a 10,2% e fechou a semana passada em 9,52%.


“No atual ambiente de desancoragem das expectativas, com o câmbio pegando nos preços de ‘tradables’, até os preços mais inerciais vão sentir pressão. E, juntando isso com a sinalização do BC, vemos um pico de 15,5% nos juros”, projeta Caruso. Na visão do Santander, após duas altas de 1 ponto na Selic em janeiro e março, o BC deve entregar um aumento de 0,75 ponto, seguido de mais um de 0,5 ponto.


“Não acredito que as condições macroeconômicas para parar de subir os juros vão estar dadas. Não sei se o Focus vai ter melhorado, mas o gatilho para essa pausa pode ser a ‘sensação térmica’ de que a atividade vai sofrer uma boa piorada”, avalia Caruso. Nos cálculos do Santander, o PIB deve crescer 1,8% no próximo ano, em um cenário que contempla uma forte desaceleração no segundo semestre.


Para o banco, o aperto das condições financeiras - evidenciado pela taxa de juro real bastante elevada - se soma, ainda, a um impulso fiscal que deve passar a ser negativo no próximo ano e a um impulso de crédito que deve diminuir. “O crédito está a todo vapor e as famílias não se desalavancaram ainda, o que pode ser um fator de preocupação à frente. Por uma mudança na resolução do CMN, talvez vejamos uma mudança relevante no impulso de crédito, já que as provisões para devedores dos bancos devem ser bem mais apertadas”, diz Caruso.


Na avaliação do economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, embora a poeira ainda não tenha baixado, a espiral recente no sentimento do mercado “pode ser interrompida pela aprovação de projetos de lei no Congresso na semana passada, combinados com a pesada intervenção cambial pelo Banco Central e comentários do futuro presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, de que vê uma barra alta para modificar a prescrição futura do Copom para duas altas adicionais de 1 ponto”.


Secemski, contudo, alerta que um real mais fraco por um período sustentado, e em meio a preocupações fiscais persistentes, “deve levar a inflação para cima nos próximos meses e trimestres”. O Barclays elevou sua estimativa para a Selic no fim do ciclo de aperto monetário de 14,25% para 15,25% e espera alguma flexibilização na política monetária somente em 2026.


O economista alerta, porém, que uma melhora significativa no sentimento do mercado “dependeria do anúncio de novas medidas fiscais críveis para reduzir os níveis totais de gastos e efetivamente restaurar o superávit primário”. Secemski acredita que ações adicionais do governo são “improváveis” no curtíssimo prazo, mas dá destaque ao vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgado na semana passada, em que ele apontou que o governo continuará atento à necessidade de novas medidas fiscais.


 


Problemas de Lula com mercado e Congresso adiaram para 2025 promessa de colher resultados- O Globo 26/12


Malu Gaspar


O horizonte parecia limpo para o governo ao final de 2023. O Congresso tinha aprovado a reforma tributária, e o Brasil recebido um upgrade na classificação da agência de risco S&P. O dólar, em queda, valia R$ 4,86. A Bolsa estava em alta. Os parlamentares aprovaram o Orçamento com valor recorde para emendas.


O Supremo, que ainda não havia tentado dar um freio nessa ousadia, ajudou o Executivo em temas cruciais. Entre outras coisas, manteve o drible na Lei das Estatais para que políticos ocupassem cargos de confiança e abriu uma arbitragem empurrando com a barriga a briga entre União e Eletrobras que poderia desfazer parte do contrato de privatização — mas causar estrago na imagem do governo no mercado.


Com o inquérito da trama golpista caminhando para um desfecho, Bolsonaro parecia encurralado, política e juridicamente. Aliviado, Lula celebrou numa amena confraternização com os comandantes das Forças Armadas.


Na primeira oportunidade, o presidente lançou um bordão que repetiria várias vezes nos meses seguintes. Chamando 2024 de “o ano da colheita”, ele disse: “Vamos colher o que nós plantamos em 2023 e vamos plantar novas coisas para 2024, que vamos colher em 2025”.


O cenário com que se termina 2024, porém, é bem diferente do previsto.


O ajuste fiscal prometido ao longo do ano não veio, os juros voltaram a subir, o dólar passou dos R$ 6, e a Bolsa caiu. A relação dívida/PIB subiu de 74,3% para 78%.


As estatais anunciaram prejuízo recorde, mas, segundo a ministra da Gestão, Esther Dweck, foi só porque têm investido muito. O Supremo tentou conter a farra das emendas — mas, desta vez, o governo se uniu ao Congresso para dar uma rasteira nos ministros e liberar o que fosse possível para aprovar o pacote desidratado de Haddad. Ele, que em 2023 impôs sua agenda, encerra 2024 como um ministro fraco.


O inquérito do golpe avançou com a prisão de oficiais do Exército que, no limite, consideravam sequestrar Alexandre de Moraes e matar Lula e Alckmin. Braga Netto, símbolo do golpismo, está na prisão. E, com tudo isso, os militares escaparam dos poucos cortes que o governo conseguiu aprovar no Congresso.


Bolsonaro continua na berlinda, mas o desempenho da direita nas eleições municipais passou um duro recado ao lulismo: economia crescendo, desemprego caindo e ganhos reais no salário mínimo não são mais suficientes para assegurar a vitória nas urnas.


Para além da polarização ideológica, ficou claro que o governo não sabe dialogar com o novo trabalhador brasileiro, sua aspiração empreendedora e sua lógica anti-Estado. A última tentativa, anunciar uma isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, não passou de miragem que só serviu para causar estresse no mercado.


O último Datafolha mostrou que a aprovação de Lula é semelhante à que Bolsonaro tinha nesta mesma altura de seu governo, em plena pandemia. Ainda assim, Lula disse ao Fantásticoque “tudo o que foi planejado a gente fazer até agora está cumprido. Tudo. Tudo”.


Irritado com uma pergunta sobre o ceticismo do mercado quanto ao pacote fiscal de Haddad e a alta do dólar, chamou as preocupações do mercado de “bobagem” e disse que “ninguém neste país, do mercado, tem mais pontos de habilidade fiscal do que eu”.


Afirmou também que o Brasil não tem problema fiscal, e “a única coisa errada neste país é a taxa de juros estar acima de 12%”. Dias depois, ele mesmo recuou numa live à Bolsonaro na biblioteca do Palácio da Alvorada, garantindo que não intervirá no Banco Central na gestão do presidente nomeado por ele, Gabriel Galípolo.


Era tarde. Como presidente de terceiro mandato, Lula está cansado de saber que, nesse negócio de administrar um país, as expectativas contam muito. Ninguém precisa dizer a ele que o problema no mercado não é propriamente a inflação ou o crescimento do PIB, e sim o temor de que seu governo aumente demais o endividamento e sacrifique as contas públicas em nome de alguma gastança ineficiente.


Claro que a missão hoje é diferente e talvez mais difícil. A herança bolsonarista foi pesada, o país está mais complexo, a extrema direita é forte, o antipetismo também. Mas terminar dessa forma um ano que era para ter sido de fartura surpreende e desanima.


Lula, porém, agora promete que a esperada colheita virá em 2025. Diante do que se viu em 2024, convém manter o pé atrás.


 


Tarcísio prevê 2025 difícil na economia e quer reforçar ajuste fiscal em SP  / Governador diz a aliados que inflação alta deve levar a desaceleração no segundo semestre, o que pode afetar investimentos- Painel – Folha SP 26/12


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem feito previsões de que 2025 será um ano difícil na economia, que poderá ter impacto negativo nos investimentos do estado.


Nos relatos, o governador tem mostrado preocupação com a disparada do dólar, mesmo com intervenções no câmbio pelo Banco Central. Isso, avalia, seria reflexo da perda de credibilidade do governo Lula na questão fiscal, que estaria fora de controle.


O resultado, nas previsões do chefe do Executivo paulista, seria inflação em alta no ano que vem, o que em um primeiro momento até geraria uma ampliação artificial das receitas do estado.


Numa segunda etapa, no entanto, a economia deve sofrer uma desaceleração forte, provocada pela alta dos juros, o que geraria pressão sobre o caixa do estado e desestimularia investimentos privados.


Apontado como possível candidato da direita à Presidência em 2026, Tarcísio tem reforçado que a manutenção da saúde fiscal do estado é uma prioridade de seu governo. É provável que seja necessário segurar investimentos e gastos, especialmente na segunda metade do ano.


Por essa razão, ele pretende reduzir renúncias fiscais, o que gera resistência de setores afetados. Um exemplo atual é a pressão de bares, hotéis e restaurantes contra o fim da redução de ICMS a partir de janeiro.


Renegociação da dívida leva Romeu Zema a mudar de tom sobre antigas promessas de privatizar companhias públicas / A aprovação de um projeto de seu adversário político — o presidente do senado, Rodrigo Pacheco (PSD) — mudou drasticamente o discurso do governador, que agora fala em federalização- O Globo 26/12


Luísa Marzullo


No apagar das luzes da primeira metade de seu segundo mandato em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) dá sinais de que pode abandonar uma das suas pautas prioritárias: as privatizações. A aprovação de um projeto de seu adversário político — o presidente do senado, Rodrigo Pacheco (PSD) — mudou drasticamente o discurso do governador.


Na última terça-feira, o Senado aprovou, por unanimidade, o projeto que trata da renegociação das dívidas públicas dos estados com a União. Hoje no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), devendo cerca de R$ 165 bilhões, Minas Gerais deve aderir ao plano que zera os juros.


Entre as possibilidades de abatimento de juros, o projeto prevê que a entrega de ativos pode melhorar as condições de renegociação. Por este motivo, Zema avalia a possibilidade de transferir três companhias — Cemig (Energia), Copasa (Saneamento) e Codemig (Desenvolvimento Econômico) — em troca de 42% da dívida.


— O que nós queremos é que a União considere os ativos do estado, que serão transferidos à mesma, e o valor abatido. No caso de Copasa e Cemig, esse valor é de mais fácil definição, porque são empresas abertas, cotadas em bolsa de valor, você tem um valor muito mais objetivo. E nós temos ainda a Codemig, que queremos também colocar no pacote — disse Zema, após acompanhar a aprovação do texto em Brasília.


Propostas na Assembleia


O discurso em favor da federalização entra em rota de colisão com posições recentes do governador. Há um mês, em 14 de novembro, Zema enviou dois projetos à Assembleia Legislativa para privatizar a Cemig e a Copasa. Na ocasião, interlocutores de sua gestão colocaram as propostas na lista de prioridades para 2025. Associado a isso, seu secretário de Governo, Gustavo Valadares, teve reuniões com os parlamentares sobre o tema.


Esses dois textos se somaram a outras tentativas de acenos a essa pauta enviadas ao Legislativo. Desde o ano passado, o governo tenta retirar a necessidade de um referendo popular antes das privatizações. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), contudo, está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).


Já no mandato passado, o projeto que previa a privatização da Codemig terminou arquivado pela Casa.


Nos corredores da Assembleia Legislativa, deputados da base e da oposição ouvidos pelo GLOBO interpretam este sinal trocado de duas formas: o governador pode ter percebido que as privatizações não seriam aprovadas e, por isso, trocou de rota, ou irá utilizar este aceno político para legitimar seu plano original, sob a alegação de que houve desinteresse por parte do governo federal.


Há uma avaliação interna de que as privatizações seriam impopulares, o que foi inclusive atestado por uma pesquisa Quaest deste mês, no caso da Copasa. Segundo a amostra, 51% dos mineiros seriam contrários à desestatização.


Já a federalização encontrou mais coro dentro e fora do Parlamento. Um projeto do deputado oposicionista Professor Cleiton (PV) que previa o repasse da Cemig e da Copasa recebeu elogios, até mesmo, do líder de governo, João Magalhães (MDB).


— Eu não sei se o governador vai aceitar a proposta, inclusive fui o primeiro a colocá-la em evidência em uma entrevista na TV ALMG. Acho que seria plenamente viável e (Zema) conseguiria uma arrecadação bem superior do que passar para a iniciativa privada — disse Magalhães no ano passado. Momentos depois, voltou atrás. Em nota, afirmou não ter se expressado bem .


Além da Cemig e Copasa, Professor Cleiton apresentou uma proposta paralela que contemplava a Codemig junto a uma PEC que possibilita a cessão das lavras, caso a companhia seja federalizada. Ao GLOBO, o parlamentar relatou que o governo nunca apresentou interesse em suas propostas, de fevereiro de 2023.


 


AGU aciona BC para que Google preste esclarecimentos sobre cotação do dólar / Busca exibia cotação de R$ 6,38 no início da tarde desta quarta-feira, acima do registrado no fechamento da última sessão- Valor 25/12


Isadora Peron / Estevão Taiar / Arthur Cagliari


A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou nesta quarta-feira (25) o Banco Central (BC) para que o Google preste esclarecimentos sobre por que exibiu a cotação do dólar hoje com um valor diferente do registrado no fechamento da última sessão.


Durante o dia, a página do buscador chegou a mostrar a cotação em R$ 6,38, mas o mercado à vista no Brasil não opera hoje devido ao recesso de Natal.


Segundo a AGU, os dados enviados pelo BC irão subsidiar eventual atuação da Procuradoria-Geral da União em relação à empresa. “A atuação da Advocacia-Geral da União tem como objetivo combater a desinformação de dados econômicos de grande relevância para a sociedade brasileira”, afirmou o advogado-geral da União, Jorge Messias.


Ele lembrou que essa não é a primeira que vez que isso acontece. Em novembro, o Google mostrou de maneira incorreta que o dólar havia chegado a R$ 6,18, enquanto o câmbio girava em um valor abaixo de R$ 6.


Segundo o órgão, o objetivo é esclarecer eventuais inconsistências no valor apresentado na plataforma digital, pois o último fechamento registrou o dólar cotado a R$ 6,18. Além disso, destacou que o câmbio Ptax, que é a cotação oficial no Brasil, não foi definido nesta quarta-feira devido ao feriado. “De fato, causa estranheza que, em pleno feriado de 25/12, data sem Ptax, ocorra uma disparidade de informações relacionadas à cotação da referida moeda”, afirma o documento enviado ao BC.


A AGU solicitou ao Banco Central informações sobre a cotação do dólar no Brasil nesta quarta-feira; valor da moeda americana em outros países na mesma data; bem como se a cotação em outros países pode impactar o valor da moeda brasileira no feriado.


Segundo uma fonte do órgão, o Google já tirou a informação do ar, mas, mesmo assim, eles terão que explicar o aconteceu. A principal suspeita é que a empresa esteja usando uma fonte não confiável para gerar o valor da cotação.


Fontes que acompanham as discussões destacam que, em casos semelhantes, o BC costuma apresentar uma resposta “padrão”, destacando que a taxa oficial de câmbio é a Ptax, que por sua vez não foi calculada hoje por causa do feriado. Procurado, o BC afirmou que não comenta o tema.


Em nota, o Google afirmou que trabalha para garantir “precisão” aos valores exibidos em seu site. “Os dados em tempo real exibidos na Busca vêm de provedores globais terceirizados de dados financeiros. Trabalhamos com nossos parceiros para garantir a precisão e investigar e solucionar quaisquer preocupações.”


O dólar tem subido desde meados de novembro, passando pela primeira vez em termos nominais da barreira dos R$ 6. Diversos agentes de mercado e especialistas em contas públicas vêm atribuindo o movimento à elevação das incertezas fiscais.


Conforme divulgado na segunda-feira (23) pelo BC, o fluxo cambial está negativo em US$ 14,699 bilhões em dezembro, nos dados parciais até o dia 19. Na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a autoridade monetária vinha observando neste mês a “saída [sazonal] de recursos de dividendos e [também de] pessoas físicas em valor menor”, nesse último caso por meio de plataformas de investimento.


ESTADÃO: 'PRECISAMOS DE UM CHOQUE DE CREDIBILIDADE', DIZ ESTRATEGISTA DO ITAÚ- 26/12


Nicholas McCarthy entrou no Itaú Unibanco em outubro de 2016 para ser diretor de investimentos do Private Bank. Em 2022, passou a comandar a área de investimentos do segmento de Wealth Management and Services do banco privado, o maior do Brasil, onde permanece até hoje.


Nesses oito anos e três meses, atravessou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a queda colossal dos mercados com a pandemia da covid-19, assim como a recuperação mesmo que parcial das Bolsas após a crise sanitária. Com uma postura otimista em relação ao mercado brasileiro e pragmática com o restante do mundo, ele não caiu, por exemplo, no conto da “recessão nos EUA”, cogitado entre 2022 e 2023. Mas desta vez é diferente.


“Estamos com a menor exposição em Bolsa (brasileira) dos últimos oito anos”, afirma McCarthy. A recomendação atual para investidores moderados é de que até 5% da carteira seja voltada a ações brasileiras, equivalente a posição “-2” na escala da instituição. O próximo passo, “-3”, equivale a zerar a indicação para a classe de ativos. O que, por ora, não é uma opção, pois a Bolsa está “barata”, ainda que não haja sinal de grande recuperação. “Precisamos de um choque de credibilidade”, afirma.


A cautela de McCarthy acontece em função da deterioração rápida e profunda dos ativos brasileiros, em especial nos últimos 30 dias. No fim de novembro, o governo apresentou as medidas que fariam parte do pacote de corte de gastos, ansiosamente esperado pelo mercado, que já via com preocupação o aumento da dívida pública.


O anúncio decepcionou e não exatamente pelas medidas. Junto às iniciativas para contenção fiscal, o ministro Fernando Haddad (PT) incluiu a apresentação de uma proposta que vai na contramão e eleva os gastos da União: a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. A contraparte, aumento da tributação para aqueles que recebem acima de R$ 50 mil, não fechou a conta.


A partir desse momento, a credibilidade do Executivo foi colocada em dúvida e há pouca confiança de que haverá uma mudança de trajetória. E sem controle da dívida, as expectativas para os juros e para a inflação sobem. Até qual patamar? “Não temos visibilidade sobre a inflação de 2025”, diz McCarthy.


DÓLAR. Sem isso, diz o diretor do Itaú, os grandes investidores estrangeiros e locais levam seus dólares para outros países, o que impulsiona a cotação da moeda, em alta globalmente.


Na segunda-feira, a divisa estrangeira voltou a subir. A moeda americana fechou com alta de 1,86%, cotada em R$ 6,18. Diferentemente do que aconteceu na semana passada, na segunda-feira, o Banco Central (BC) não realizou leilões para segurar a alta. Só neste mês, o BC injetou US$ 27,7 bilhões no mercado para tentar conter a valorização da divisa. Após o fechamento do mercado, porém, a autoridade monetária anunciou um leilão à vista de até US$ 3 bilhões para quinta-feira, 26.


“Precisa ter visão para os investimentos voltarem, para controlar a inflação e cair os juros. O Brasil está fora do radar”, diz o diretor de estratégia, que se diz “triste” com a situação, mas não vê irracionalidade no comportamento do mercado.


Para ele, o salto dos juros futuros para até 16% ao ano, o que seria o maior patamar desde 2006, é uma tentativa dos investidores precificarem uma inflação bastante acima da meta, de 3%. Um cálculo feito às cegas, afirma ele, pois não há clareza sobre o cenário fiscal.


Para McCarthy, a conjuntura atual é parecida com o segundo mandato da ex-presidente Dilma. Segundo ele, porém, houve alguns avanços, como as reformas, mas a relação dívida/PIB é muito pior.


Hoje, além da menor fatia em Bolsa brasileira em oito anos, o Itaú também reduziu a exposição a prefixados para “-1”, o que significa uma recomendação de 10% para o investidor moderado e 14% para o arrojado. Os títulos públicos estão desvalorizando devido aos aumentos sucessivos das rentabilidades dos novos papéis emitidos pelo Tesouro Nacional.


EFEITO TRUMP. Para McCarthy, apostar no dólar versus real também não é a recomendação. O novo mandato de Donald Trump gera incertezas e pode vir a fortalecer a moeda americana caso o candidato leve à frente suas promessas. O que seria o maior risco para os mercados globais em 2025 e, inclusive, poderia desembocar em uma recessão. Não é o cenário-base de McCarthy, que diz acreditar que Trump será moderado.


A visão mais otimista dele fica com os títulos IPCA+, que pagam a variação da inflação mais uma taxa prefixada. Ainda que também estejam sofrendo desvalorizações com os sequenciais aumentos dos juros reais dos novos títulos, são uma forma de manter o poder de compra no longo prazo. Contudo, ele diz que não é o IPCA+ a grande estrela do momento. “Os investidores me perguntam onde investir. E o que eu posso falar?”, diz. “Eu falo: aplica no CDI.”


McCarthy, porém, não perde a confiança. Ele afirma que com uma sinalização mais forte de compromisso fiscal a Bolsa poderia subir “30% em uma semana”. (Jenne Andrade, E-Investidor)


 


Solange Srour- 2025 começa como se esperava terminar / Cenário volátil gerado por incertezas fiscais de ano pré-eleitoral já se materializou- Folha SP 26/12


Escrevo minha última coluna do ano com o tema que imaginei abordar em dezembro de 2025. É de esperar que, no ano que antecede as eleições presidenciais, as incertezas fiscais —amplificadas por um aumento expressivo dos gastos públicos— gerem um cenário altamente volátil, levando investidores a tomar decisões, ou adiá-las, com base nas possíveis trajetórias da política econômica futura. A surpresa, no entanto, é que esse cenário se materializou já em 2024. Dois anos de incertezas são muito tempo para qualquer economia.


Na realidade, o arcabouço fiscal criado em 2023 —projetado para funcionar como uma âncora mais flexível a fim de substituir o teto de gastos— trouxe consigo regras que o tornariam incapaz de garantir sua própria sustentabilidade. Portanto, não deveria ser surpreendente a crise de confiança a que estamos assistindo. A verdadeira surpresa reside na falta de percepção política de que a resistência em adotar, neste momento, medidas rigorosas de contenção de gastos comprometerá as condições mínimas de estabilidade econômica até as eleições de 2026.


Estamos prestes a encerrar o ano com um dólar acima de R$ 6, um ciclo de alta das taxas de juros projetado pelo mercado acima de 16,5%, e as empresas listadas no mercado extremamente descontadas. Sob tais condições, será difícil evitar um ano marcado por alta da inflação, desaceleração do crédito, aumento do desemprego e queda na confiança de empresários e consumidores. Nossa taxa de investimento, atualmente em um dos menores níveis históricos, tende a contrair-se ainda mais nos próximos dois anos.


Com preços dos ativos tão deteriorados, caso o atual arcabouço seja reforçado e preservado até pelo menos 2026, poderíamos ao menos atravessar esse período de forma menos turbulenta. Contudo, para que isso aconteça, seriam necessárias medidas mais robustas do que as anunciadas e diluídas pelo Congresso, como mudanças estruturais no desenho do BPC, no seguro-desemprego e nas regras de desindexação dos gastos obrigatórios. Somente o presidente tem liderança política para levar essa agenda adiante, que é de responsabilidade do Executivo.


As recentes intervenções do BC no mercado cambial e do Tesouro recomprando títulos públicos trouxeram algum alívio, mas não alteram o fundamento subjacente dessa crise. Atualmente, o nível de nossas reservas não é tão confortável quanto em 2013 e 2014, quando realizamos intervenções significativas. Por parte do Tesouro, o colchão de liquidez é limitado, e os vencimentos das dívidas se aproximam.


Enquanto o meio político, incluindo o Congresso, não se atenta ao prognóstico para nossa economia, o cenário internacional se agrava. Recentemente, o Federal Reserve sinalizou que reduzirá as taxas de juros de forma mais moderada do que o esperado no início do ciclo, consolidando a expectativa de que o dólar continuará forte e impondo um limite maior para os juros globais.


O BC está ciente da adversidade do cenário, ao destacar seu compromisso com a meta de inflação, utilizando o único instrumento à sua disposição: a taxa de juros. Contudo, não há cenário em que o BC consiga cumprir sua função de maneira eficaz sem âncora fiscal.


Sem ações vigorosas no controle dos gastos, colheremos os frutos de uma crise de confiança que se desenhava para 2026. E a grande pergunta que se coloca é: como atravessaremos os próximos dois longos anos?

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...