segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

BDM Matinal Riscala 2312

 *Rosa Riscala: Semana do Natal tem inflação e emprego aqui*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Às pressas, o Congresso dos EUA conseguiu fechar um acordo para evitar um shutdown nos EUA e rejeitou as exigências de Trump de um aumento no teto da dívida em 2025, confirmando os sinais mais otimistas que já circulavam na 6ªF, de que a paralisação seria evitada. Nesta semana mais curta, as bolsas americanas operam em horário reduzido amanhã, véspera de Natal, quando a B3 fecha. A agenda internacional é esvaziada, mas aqui vale o destaque para o IPCA-15 e o Caged de novembro, ambos na 6ªF. A promessa é de liquidez esvaziada nos negócios e de um ambiente bem mais tranquilo, após a surpresa com o desejo de Lula de pacificar a relação com a Faria Lima. O presidente da República deve fazer um balanço do seu governo em pronunciamento à Nação na noite de Natal (3ªF).


… Foi uma festa nos ativos domésticos na 6ªF, quando circularam os relatos na imprensa de que, em clima paz e amor, Lula teria acenado ao mercado durante o almoço de confraternização de final de ano com seus ministros.


… Na mudança bem-vinda de tom, o presidente disse entender o motivo de as taxas de juros estarem altas e também mencionou que o governo não pode gastar mais do que arrecada, segundo apuração de bastidores.


… Pouco menos de uma semana antes, Lula comprou briga com o mercado durante a entrevista ao Fantástico, em que atacou a “irresponsabilidade é de quem aumenta juros todo dia” e estressou ao dizer que “vamos cuidar disso”.


… Na tentativa de baixar a lebre de interferência do governo na gestão da política monetária no mandato de Galípolo, o presidente cedeu aos apelos da equipe econômica e gravou na 6ªF vídeo defendendo a autonomia do BC.


… Posando ao lado de Haddad e de Galípolo, Lula anunciou seu apoio incondicional ao novo presidente do BC, a quem considera um “presente para o Brasil”, e disse que ele terá carta branca para agir como achar necessário.


… O recado de autonomia total pegou muito bem para o mercado, que alimenta a esperança de o governo seguir com novas medidas fiscais no ano que vem para não sobrecarregar o trabalho da política monetária do novo BC.


… Em discurso nesta linha, Haddad indicou na 6ªF, em café da manhã com jornalistas, que o pacote de corte de gastos promulgado pelo Congresso é só a “primeira leva” de uma rodada prevista de medidas do ajuste fiscal.


… Minimizando a desidratação do pacote, disse que as alterações feitas pelos parlamentares terão impacto negativo de cerca de R$ 1 bi em dois anos. Horas depois, a Fazenda revisou este número para o dobro: R$ 2,1 bilhões.


… O novo cálculo indica que a previsão agora é de economia de R$ 69,8 bilhões em dois anos com o pacote de corte de gastos do governo após as modificações feitas pelo Congresso, contra a estimativa original de R$ 71,9 bilhões.


… Pelas contas, porém, de economistas e analistas ouvidos pelo Broadcast, as perdas com as alterações promovidas no texto pela Câmara e o Senado podem ser bem maiores do que R$ 2 bi: devem ficar entre R$ 8 bi e R$ 20 bi.


… Nas contas da XP, a economia com o pacote fiscal que saiu do Congresso caiu de R$ 52 bilhões para R$ 44 bilhões.


… A Tendências Consultoria, que projetava R$ 52,6 bilhões em dois anos, estimou que as mudanças nas emendas parlamentares, Fundeb, Fundo Constitucional do DF e no BPC contrataram perda entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões.


… A Warren prevê economia de R$ 19,2 bilhões e R$ 26,2 bilhões, respectivamente, em 2025 e 2026, o que totaliza 45,4 bilhões. Valores que, segundo a casa, não garantem o cumprimento das metas fiscais em ambos os anos.


… Diante da potência mais reduzida do pacote na economia de despesas, o mercado financeiro certamente não vai deixar de continuar cobrando o compromisso com a responsabilidade fiscal até o final do mandato de Lula.


… Tanto isso parece ser verdade que, apesar do alívio nos prêmios de risco com o discurso mais market friendly de Lula na 6ªF, a curva do DI segue precificando Selic terminal acima de 16% e o dólar resiste na faixa de R$ 6 (abaixo). 


A BARGANHA – O Senado aprovou na 6ªF o último projeto do pacote fiscal enviado pelo Executivo ao Parlamento, com a promessa de veto por Lula de um trecho que limitava o escopo do BPC a deficiências moderadas e graves.


… A aprovação das medidas de cortes de gastos nos últimos dias envolveu acordos de liberação de emendas, que colocaram Alagoas, Estado de Lira, como campeão, tendo recebido quase R$ 74 milhões em emendas de comissão.


… Apesar de o impasse com o STF ter esfriado, nos bastidores, a cúpula do Congresso manda o recado de que o governo precisa continuar garantindo a liberação das emendas, mesmo que isso signifique bater de frente com Dino.


… Segundo a Coluna do Estadão, o Congresso afirma ter uma “carta na manga” caso haja um novo ataque à liberação dos recursos. É uma PEC, de autoria de Altineu Côrtes (PL), que pode acabar com a governabilidade de Lula.


… O projeto transfere as verbas das emendas de comissão para as individuais, ou seja, torna todas as emendas impositivas (de pagamento obrigatório), em uma potencial bomba armada para o Palácio do Planalto.  


… Em conversas com aliados, Lira tem dito que seria uma medida extrema e politicamente insustentável a Lula. Para um integrante do Centrão, seria “o fim do governo”, porque o Executivo perderia qualquer margem de negociação.


…. Lideranças do Congresso avaliam que, se aumentar a insatisfação dos deputados e dos senadores com a decisão do STF sobre a execução das emendas de comissão, “ninguém segura” a PEC no plenário.


REFORMA MINISTERIAL – De olho nas alianças para disputar a reeleição em 2026, Lula mencionou no almoço com ministros na 6ªF que deve mexer no governo, mas não explicou quais mudanças pretende fazer e nem quando.


… Segundo O Globo, Lira tem dito a aliados que o presidente Lula precisa mudar o primeiro escalão. O presidente da Câmara reclama que o PT ocupa ministérios relevantes na Esplanada, mas possui apenas 12% dos votos do plenário.


… Em paralelo, o PSD, partido que possui três ministérios, não tem um nome indicado pela Casa em um ministério considerado “forte”. Lira reforça que uma reforma ministerial poderia facilitar a aprovação de projetos do governo.


… Os comentários se seguem às dificuldades encontradas pelo Executivo para passar o pacote fiscal.


… De saída do Senado (em fevereiro), Rodrigo Pacheco, que é do PSD, negou em entrevista coletiva na 6ªF que irá assumir um ministério no próximo ano no governo Lula, apesar de ter tido o nome ventilado nos últimos meses.


… Na pasta de Comunicação, depois de Lula já ter reclamado publicamente da área, existe a expectativa de que o ministro Paulo Pimenta seja demitido. O mais cotado para seu lugar é o publicitário Sidônio Palmeira.


TESOURO – O estrategista de renda fixa Daniel Leal deixou a corretora BGC Liquidez para assumir a Subsecretaria da Dívida Pública do Tesouro. Ele substituirá Otávio Ladeira, que está de saída para assumir cargo na ONU.


REAJUSTE DOS SERVIDORES – O governo deve formalizar entre o Natal e Ano Novo os acordos salariais negociados. Segundo o Broadcast, é quase certo que as alterações serão publicadas por meio de MP, vigorando imediatamente.


… As medidas a serem publicadas formalizarão os acordos negociados com o Ministério da Gestão e trarão proposta de reajuste para cargos em comissão e funções gratificadas que varia entre 9% e 30%, em duas parcelas (2025/2026).


MAIS AGENDA – O câmbio tem para conferir hoje, às 8h30, os dados em c/c de novembro. O mercado prevê déficit de US$ 3,45 bi das transações correntes (mediana do Broadcast), após saldo negativo de US$ 5,880 bi em outubro.


… As estimativas, todas de déficit, variam de US$ 8,368 bilhões a US$ 1,50 bilhão.


… Para o Investimento Direto no País (IDP), a mediana indica entrada líquida de US$ 6,0 bilhões em novembro, contra saldo positivo de US$ 5,717 bi no mês anterior. As expectativas vão de US$ 4,30 bilhões a US$ 8,30 bilhões.


… Pouco antes (8h), sai a prévia do IPC-S. Mas o dia forte da semana mais curta é a 6ªF, quando o IPCA-15 deve desacelerar de 0,62% em novembro para 0,45% em dezembro, diante da continuidade da bandeira verde da Aneel.


… No mesmo dia, saem os dados de emprego da Pnad e do Caged. A tendência é de alguma diminuição no ritmo de criação das vagas de trabalho com carteira assinada, para 125 mil em novembro, contra 132.714 em outubro.


… Ainda para a 6ªF são esperados o resultado das contas do Governo Central em novembro e o IGP-M de dezembro.


… Sob pressão da piora nas projeções de inflação pelo Copom, o Santander puxou a estimativa de Selic terminal na 6ªF de 13% para 15,50% e elevou as apostas para o IPCA, de 4,8% para 4,9% em 2024, e de 4,3% para 5,5% em 2025.


… O banco também revisou a previsão para o PIB de 2024 de 3% para 3,5% e manteve em 1,8% no ano que vem.


LÁ FORA – Antes do Natal, ainda saem hoje nos EUA a atividade nacional de novembro medida pelo Fed de Chicago (10h30) e a confiança do consumidor em dezembro calculada pelo Conference Board (meio-dia).


… Amanhã, no pregão reduzido, as bolsas em NY têm o fechamento antecipado para as 15h e os Treasuries, 16h.


… Na sessão da última 6ªF, o PCE de novembro, indicador de inflação preferido do Fed, esfriou para o ritmo mais lento desde maio, mas o mercado segue precificando menos de dois cortes de 25pb até o fim do ano que vem.


… Ainda na agenda internacional, o BC da Turquia divulga decisão de política monetária na 5ªF.


DESCOMPRESSÃO – Comparado às sessões anteriores, quando o dólar chegou a bater em R$ 6,30, os ativos domésticos tiveram uma 6ªF de céu de brigadeiro.


… O BC executou mais uma pesada intervenção no câmbio, de US$ 7 bilhões, que ajudou a baixar o dólar, mas refresco mesmo veio com o vídeo em que Lula garantiu que não vai intervir no BC.


… Divulgada no meio da tarde no X, a fala de Lula derrubou ainda mais o dólar, derreteu os juros e elevou o Ibov.


… A aprovação pelo Senado das medidas de contenção de gastos do governo, mesmo desidratadas, e o recuo do dólar lá fora, capitaneado por um PCE abaixo do esperado nos EUA, contribuíram para a recuperação do real.


… Depois de fazer mínima em R$ 6,0458, o dólar à vista fechou em baixa de 0,84%, a R$ 6,0721. Mas na semana, a moeda subiu 0,68%, mesmo com os bilhões injetados pelo BC.


… Desde que a autarquia começou a intervir no mercado, na segunda semana de dezembro, os leilões de dólares do BC somaram US$ 27,77 bilhões vendidos (US$ 16,77 bilhões à vista e US$ 11 bilhões com data de recompra).


… É a maior intervenção da história do regime de câmbio flutuante. O recorde anterior era de US$ 23,354 bilhões, em março de 2020, durante a pandemia de covid-19.


… As taxas dos DIs chegaram a subir mais de 30 pb na 6ªF, em meio aos receios de que o País entre em um quadro de dominância fiscal. Mas despencaram à tarde, depois do vídeo de Lula.


… O DI para janeiro de 2026 recuou a 14,945% (de 15,100% no fechamento anterior); Jan/27, a 15,105% (de 15,405%); Jan/29, a 14,680% (de 15,050%); Jan/31, a 14,350% (de 14,730%); e Jan/33, a 14,130% (de 14,500%).


… Apesar do alívio nos prêmios de risco, a curva seguiu precificando Selic terminal acima de 16%.


FOI NO EMBALO – Em dia de exercício de opções, o Ibovespa conseguiu recuperar os 122 mil pontos, avanço de 0,75% (122.102,15 pontos). Na semana, contudo, houve perda de 2,01%.


… Os papéis ligados ao ciclo econômico lideraram as altas: Vamos avançou 6,61% (R$ 5,00), Assaí subiu 6,07% (R$ 5,77) e Raízen, +6,02% (R$ 2,29).


… Bancos tiveram ganhos consistentes. Santander registrou +2,32%, a R$ 24,29, na máxima do dia; Bradesco ON,  +2,28% (R$ 10,78); Bradesco PN, +2,26% (R$ 11,76); Itaú, +1,16% (R$ 31,50); e Banco do Brasil, +0,80% (R$ 24,08).


… Descolada da queda do minério de ferro (-0,77% em Dalian), Vale avançou 1,58%, a R$ 54,62, na máxima.


… Petrobras ON caiu 0,72% (R$ 39,72) e Petrobras PN cedeu 0,83% (R$ 36,85), contra a estabilidade do Brent/fev (+0,08%), a US$ 72,94 por barril, diante de duas forças opostas: alívio global no dólar e incertezas sobre a demanda.


… No ranking negativo do Ibovespa, os destaques foram Automob (-10,64%; R$ 0,42), Caixa Seguridade (-3,81%; R$ 15,13) e Braskem (-3,18%; R$ 12,19).


REFRESCO – O PCE um pouco mais baixo que o esperado acalmou os ânimos em Wall Street na 6ªF, abrindo espaço para as bolsas recuperarem parte da forte baixa provocada pelo gráfico de pontos do Fed.


… Além disso, a busca de uma saída no orçamento do governo para evitar um shutdown ajudou a melhorar o astral.


… O PCE desacelerou para 0,1% em novembro, ante projeção de 0,2%, que também foi a leitura de outubro. Na comparação anual, acelerou de 2,3% para 2,4%, mas ficou abaixo dos 2,5% esperados.


… O núcleo do PCE também subiu apenas 0,1%, recuando de 0,3% em outubro e ante expectativa de 0,2%. Na comparação anual, avançou 2,8%, igual a outubro, mas abaixo dos 2,9% esperados.


… Dados de renda e despesas dos americanos vieram mais amenos. Renda pessoal subiu 0,3% em novembro, de 0,7% em outubro e abaixo do 0,4% esperado.


… Gastos com consumo cresceram 0,4%, de 0,3% em outubro, mas abaixo da expectativa de 0,5%.


… Com Jerome Powell focado no progresso da inflação, os dados moderados do PCE de novembro deram a dirigentes do Fed e investidores sinais de que a economia está esfriando, apesar de seguir robusta.


… Austan Goolsbee, presidente do Fed/Chicago, disse em entrevista à CNBC que os dados do PCE foram animadores.


… “Estamos no caminho para chegar à meta de 2%. Estou esperançoso de que dois meses de números ruins (set e out) foram mais um solavanco que uma mudança de curso”, disse o dirigente.


… John Williams, do Fed/NY, foi na mesma linha. “Os números são encorajadores. Ainda não atingimos nossa meta de 2%, mas, definitivamente, vemos progresso em direção a ela. Vamos garantir que chegaremos lá”, disse.


… Já Mary Daly, do Fed/San Francisco, disse não estar confortável com a inflação e que, embora não veja risco de alta de juros no momento, não se pode descartar essa possibilidade.


… Num comunicado, Beth Hammack (Cleveland), única dissidente do último Fomc, argumentou que preferia manter os juros até ter mais evidências de que a inflação caminha para 2%.


… Os índices de ações, que iniciaram o dia em queda com a possibilidade de shutdown, aceleraram a alta.


… No fechamento, o Dow Jones avançou 1,18%, aos 42.840,26 pontos. S&P 500 ganhou 1,09% (5.930,85) e o Nasdaq subiu 1,03% (19.572,60 pontos). Na semana, porém, registraram perdas de, respectivamente, 2,26%, 1,98% e 1,78%.


… O sentimento do consumidor medido pela Universidade de Michigan melhorou pelo 5º mês consecutivo. O índice subiu a 74 em dezembro, de 71,8 em novembro, um pouco abaixo dos 74,3 esperados.


… A pesquisa mostrou ainda que as expectativas de inflação em 12 meses subiram de 2,6% para 2,8% no período. Mas para o horizonte de cinco anos caíram de 3,2% para 3,0%.


… Entre os retornos dos Treasuries, o da note de 2 anos recuou a 4,314%, de 4,322% na sessão anterior, e o da note de 10 anos, a 4,528% (de 4,570%). O do T-bond de 30 anos caiu a 4,720% (de 4,736%).


… Na mesma toada dos juros, o dólar perdeu terreno entre seus principais pares. O índice DXY recuou 0,72%, a 107,621 pontos. O euro avançou 0,65%, a US$ 1,0440, a libra, +0,62%, a US$ 1,2585, e o iene, +0,63% (156,414/US$).


EM TEMPO… PETROBRAS recebeu demanda societária solicitando afastamento de Raoni Iago Pinheiro Santos e suspensão de sua remuneração no Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde até julgamento de ação popular.


TELEFÔNICA aprovou cancelamento de 21.944.664 ações ON, sem valor nominal e mantidas em tesouraria, equivalente a 1,33% do capital social; ações canceladas foram adquiridas no contexto do programa de recompra…


… Com o cancelamento, o capital social da empresa passou a ser dividido em 1.630.643.696 ações ON, escriturais e sem valor nominal.


OI recebeu proposta vinculante da Mileto para aquisição de ativos da operação de TV por assinatura da empresa…


… A proposta engloba a base de assinantes de TV e equipamentos terminais associados, bem como demais ativos, direitos e obrigações relacionados à operação.


MULTIPLAN concluiu a venda do terreno de 23.834 m² adjacente ao RibeirãoShopping, por R$ 48,4 milhões. O local abrigará um projeto multiuso a ser desenvolvido por um empreendedor.


DIRECIONAL aprovou a distribuição de dividendos intermediários no montante de R$ 220.042.564,74, o equivalente a R$ 1,27 por ação; data de pagamento não foi informada; ex em 6/1/25.


CURY aprovou a 6ª emissão de debêntures simples, em até quatro séries, no valor de R$ 500 milhões. Serão emitidos 500 mil títulos pelo valor unitário de R$ 1 mil, com vencimento em cerca de cinco anos.


DASA concluiu o processo de venda de suas atividades de corretagem e consultoria de seguros para o Grupo Case Benefícios e Seguros. O montante total da transação é de R$ 255 milhões.


EUROFARMA. AGE aprovou a distribuição de JCP no montante de R$ 180,3 milhões, referente ao período de 1º de janeiro a 20 de dezembro de 2024. Ex em 31 de dezembro.


LIGHT. Em vias de concluir o seu plano de recuperação judicial, a companhia fez a entrega no Brasil e a emissão no exterior dos títulos e debêntures a seus credores quirografários…


… Medida permitirá aos credores voltarem a negociar seus papéis nos próximos dias, e a expectativa é que isso ocorra a partir de hoje.  


ISA ENERGIA (ex-ISA Cteep) iniciou operação comercial da segunda fase de Minuano, projeto que pertence à Evrecy, subsidiária integral do grupo, com antecipação de quatro meses em relação ao prazo estabelecido pela Aneel…


… Empreendimento contribui, segundo a empresa, com o escoamento de energia na região Sul do País e aumenta a qualidade no atendimento à Região Serrana do Rio Grande do Sul.


ENERGISA registrou queda no consumo de energia elétrica nas áreas de concessão no mês de novembro, alcançando 3.643 gigawatts-hora (GWh); volume representa redução de 0,5% em relação ao mesmo mês de 2023.


RAÍZEN e suas subsidiárias concluíram a alienação de projetos de geração distribuída, bem como a redução de participação na operação de Mobilidade no Paraguai…


… No primeiro caso, Raízen vendeu à Brasol até 31 projetos de usinas de geração solar distribuída que pertencem à empresa e suas subsidiárias, com capacidade nominal instalada agregada de até 128 MWp…


… Companhia informou que, mesmo após a operação, irá seguir atendendo seus clientes, sendo a contraparte adquirente da energia gerada dos ativos alienados aos compradores.

Bankinter Portugal Matinal 2312

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado aguenta tudo. Pode parar, mas os seus suportes são muito sólidos (ciclo, lucros…) e, por isso, retrocessos relevantes são improváveis. Reajustes sim, mas não golpes fortes. Bastou na sexta-feira que o Deflator do Consumo (PCE) americano subisse um pouco menos do que o esperado (+2,4% vs +2,5% esperado vs +2,3% anterior, repetindo a Subjacente em +2,8% vs +2,9% esperado) para que NY revertesse para o positivo à tarde. E bastante: S&P500 +1,1%. Esta madrugada, a Ásia recuperou com certa comodidade, imitando NY na sexta-feira, como é normal. No sábado, o Congresso e o Senado evitaram o fecho da Administração americana no último momento, o que ajudará hoje. O mercado pode ter perdido atratividade porque as valorizações estão ajustadas, mas não perdeu resistência. Ainda assim, as valorizações orientam e comandam, por isso convém ser mais prudente, pois parecem ajustadas. Especialmente na Europa.


Esta semana será de transição e curta, já que na quarta-feira é Natal e as referências são escassas, como é natural nesta época. Não há nada particularmente mau, talvez até o contrário: o mercado avançou muito em 2024, então uma fase de reajuste é saudável. O natural seria que as bolsas continuassem ajustando níveis, sem quedas acentuadas… mas não nos esqueçamos de que ajustar significa, na prática, retroceder um pouco.


O aumento das inflações fará com que as taxas de juros baixem menos do que se imagina (temos dito isso desde dez.2023 e se confirmou...), sendo nossas estimativas para as chamadas taxas terminais (nível estável onde estarão ao término da queda) de 2,25/2,40% Depósito/Crédito para o BCE, 3,50/3,75% para o Fed (ou até um pouco acima disso) e 3,75% no caso do BoE. Taxas menos baixas implicam valorizações (ações e títulos) menos generosas. É preciso ter isso em mente por algum tempo e, particularmente, para o início de 2025, que pode ser fraco.


O mais relevante nesta semana de perfil baixo são 2 indicadores macro americanos hoje, que provavelmente oferecerão resultados opostos (um bom e outro fraco) e terão influência reduzida: 15h Confiança do Consumidor (113,0 esperado vs 111,7) e 13h30 Pedidos de Bens Duradouros (-0,3% vs +0,3%). Amanhã haverá pouca atividade porque é véspera de Natal, depois estará fechado pelo Natal e na quinta-feira, 26, apenas NY abrirá.


O ano já terminou, na prática. Não há nada grave a acontecer, mas devemos ser um pouco mais prudentes e esperar menos dos próximos trimestres, até que o ajuste de preços se complete e inflação/juros fiquem mais claros quanto ao seu rumo. O natural será que as bolsas recuem um pouco durante algum tempo (sem dramas, apenas ajustando-se), que os títulos continuem subindo suavemente suas yields (T-Note já ca.4,55%, o Bund ca.2,30% e o B10A Espanha voltou ao 3%...), que o USD continue valorizado (em algum momento de 2025 veremos a paridade com o euro), euro e iene fracos, petróleo relativamente barato e criptomoedas em um movimento típico de realização de lucros, com riscos em alta.


S&P500 +1,1% Nq-100 +0,9% SOX +1,5% ES-50 -0,3% IBEX +0,2% VIX 18,4% Bund 2,29% T-Note 4,52% Spread 2A-10A EUA=+20pb B10A: ESP 2,99% PT 2,78% FRA 3,09% ITA 3,45% Euribor 12m 2,484% (fut.2,058%) USD 1,042 JPY 163,2 Ouro 2.630$ Brent 73,3$ WTI 69,8$ Bitcoin -2% (94.837$) Ether -2,2% (3.279$).


FIM

domingo, 22 de dezembro de 2024

Amilton Aquino

 E a semana que começou com o dólar batendo recordes, impulsionado pela entrevista irresponsável de Lula ao Fantástico, terminou com uma live, à la Bolsonaro, em que o presidente jurava autonomia ao novo presidente do Banco Central!


Como sempre, em sua mania superlativa, Lula apresentou Galipolo como “o mais independente presidente do BC da história do nosso país”. Ué? E onde foi parar aquele discurso barato de que é um absurdo ter um Banco Central independente?


Mais uma vez, contrariado, Lula segue o script da turma do "deixa disso" para tentar acalmar o mercado — esse ente supostamente “conspirador” que a esquerda adora usar como bode expiatório. No entanto, mais importante para tranquilizar o mercado foi a entrevista de Galipolo e Campos Neto, na qual o novo presidente não apenas rebateu as críticas rasas ao "ente mercado", como ridicularizou a narrativa governista — especialmente promovida pela Globo — de que estaríamos sendo vítimas de um ataque especulativo decorrente de um meme. Vale lembrar que esse meme está sendo investigado pela Polícia Federal, em mais uma escalada autoritária protagonizada pelo governo.


Trapalhadas à parte, o que realmente fez o dólar recuar um pouco foi a maior intervenção do BC na história, maior até do que na pandemia, com a queima de U$ 23,5 bilhões em reservas.


Mudou algum fundamento? Há algum indício de mudança de rumo?


A ver. O que está em jogo é grande demais para que o governo brinque: nossa economia. O fato é que o mercado finalmente percebeu que o governo atual não tem qualquer compromisso fiscal e pretende seguir no “me engana que eu gosto” até a eleição de 2026. É a repetição do Dilma I, quando o governo tentou esconder debaixo do tapete a piora macroeconômica que começou a aparecer desde o início do mandato, com a redução gradativa do superávit primário até ele se tornar negativo em 2014. Para quem não se lembra, isso aconteceu ao mesmo tempo em que o governo comemorava 4% de desemprego e promovia toda aquela lenga-lenga ufanista dos megaprojetos do PAC. Qualquer semelhança não é mera coincidência.


Na época, não faltaram alertas de economistas sobre a tragédia que se avizinhava. Ironicamente, Miriam Leitão — agora a queridinha do governo na área econômica — era uma dessas vozes críticas, o que lhe rendeu o apelido de “urubóloga” pelo PT. Simplesmente surreal.


Se tiver um pouco de juízo, Lula pode reverter rapidamente o cenário de piora apenas incorporando ao furado arcabouço de Haddad os gastos com saúde e educação. Não seria a reversão total das expectativas, mas nos daria um fôlego para evitar o precipício, pelo menos até 2026, principalmente agora que o governo tem o exemplo oposto do bem-sucedido governo Milei como parâmetro.


Sim, estamos numa enrascada. Mas não venham os bolsonaristas fingir que não têm nada a ver com o que está acontecendo, jogando a culpa nos "isentões" que fizeram o L. Foram as trapalhadas do governo anterior que ressuscitaram Lula politicamente, levando milhões de brasileiros com histórico de combate ao petismo a serem forçados a fazer o L para evitar um mal maior. Sim, a imprensa teve seu papel na virada de opinião dessa turma, mas a inabilidade de Bolsonaro em lidar inclusive com a imprensa está na gênese do fracasso de sua reeleição.


Tenho orgulho em ter anulado meu voto no segundo turno.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Oxford

 📊 Oxford: Inflação nos EUA Continua Elevada, Mas Sem Sinais de Alta


O índice de gastos pessoais de consumo (PCE) de novembro nos EUA mostrou que, embora a inflação permaneça elevada, não há indícios de reaceleração. Segundo a Oxford Economics, os consumidores seguem para 2025 em bases sólidas, com o consumo real projetado para crescer 3% no quarto trimestre, superando previsões anteriores.


Os ganhos moderados no deflator principal e central do PCE refletem uma tendência estável ou ligeiramente descendente da inflação em 2024. A Oxford espera que esse padrão continue em 2025, impulsionado pelo abrandamento da inflação no setor imobiliário e condições mais frias no mercado de trabalho, que devem reduzir os ganhos salariais.


O cenário aponta para uma economia resiliente, mas com menor pressão inflacionária, oferecendo espaço para o Federal Reserve avaliar ajustes futuros sem pressões imediatas.

Fitch

 📉 Fitch Alerta: Alta da Selic Pode Agravar Trajetória Fiscal do Brasil


A Fitch Ratings destacou que o ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central, embora essencial para ancorar as expectativas de inflação, pode intensificar os desafios fiscais do Brasil. A estratégia fiscal do governo Lula, ao permitir o aumento do déficit em 2023 para acomodar gastos sociais, é considerada "arriscada", com a consolidação das contas deixada para anos futuros.


A agência questiona a eficácia do pacote fiscal anunciado em novembro, que promete economizar R$ 70 bilhões, mas contém medidas de impacto incerto. A isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil deve avançar com mais facilidade no Congresso do que o aumento de impostos para super-ricos, refletindo resistência política à consolidação fiscal.


Essas decisões ampliaram preocupações do mercado sobre as finanças públicas, especialmente em um cenário político que pode se complicar à medida que se aproxima o ciclo eleitoral de 2026.

BTG Pactual 2

 📉 BTG: Risco de Dólar Acima de R$ 7 com Contorno do Orçamento e Gasto Parafiscal


O BTG Pactual alertou que o dólar pode ultrapassar os R$ 7,00 caso o governo adote medidas que contornem o orçamento, elevem os gastos parafiscais e enfraqueçam a credibilidade fiscal e monetária. Apesar disso, o cenário base do banco projeta o dólar a R$ 6,25 no fim de 2025 e R$ 6,35 no fim de 2026.


Segundo o BTG, fatores domésticos, especialmente preocupações com a sustentabilidade da dívida pública, adicionam cerca de R$ 0,90 ao câmbio atual. Uma sinalização de ajuste fiscal crível poderia reduzir o prêmio de risco e aproximar o dólar de R$ 5,20, mas o banco considera esse cenário improvável no momento.


O alerta reforça a importância de decisões fiscais consistentes para evitar maior deterioração cambial e pressões adicionais sobre a economia.

BTG Pactual 1

 📉 BTG: Pacote Fiscal Fica Aquém e Não Elimina Riscos ao Arcabouço Até 2026


O BTG Pactual avaliou que o pacote fiscal aprovado no Congresso está abaixo das expectativas e não elimina o risco de mudanças no arcabouço fiscal até 2026. A economia prevista é de R$ 46 bilhões em dois anos e R$ 242 bilhões até 2030, valores inferiores às projeções do governo, de R$ 71,9 bilhões até 2026 e R$ 327 bilhões até 2030.


O banco destacou que o pacote sofreu desidratações adicionais durante a tramitação, com a retirada de ajustes em itens como o BPC, o Fundo Constitucional do DF e os supersalários. Embora as medidas possam sustentar o limite de gastos até 2026, isso dependerá fortemente do pente-fino nos programas sociais anunciado em agosto.


A análise reforça a percepção de que o plano não resolve o crescimento das despesas obrigatórias, mantendo incertezas sobre a trajetória fiscal de médio prazo.

Ailton Braga

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