terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Brazil Journal 1712

 EDITORIAL. Esta crise é uma escolha política


Brazil Journal16 de dezembro de 2024


Nesta gradual, incessante e desnecessária destruição de riqueza por que passa o Brasil do Governo Lula, duas coisas chamam a atenção.


Primeiro, a suposta incapacidade do Planalto de entender que sua política fiscal é um tiro na cara, pois vai gerar apenas inflação e juros altos na segunda metade do mandato presidencial.


Até agora, a maior parte dos agentes de mercado — gente racional por definição — sempre trabalhou com a hipótese de que o Governo “não entende” as consequências de sua retórica e do rumo que está dando ao tema fiscal.


“Poxa, como podem ser tão burros? Não veem que isso é um tiro no pé?” é uma frase comum de se ouvir de empresários e investidores.


Mas agora, essa absoluta falta de vontade do Governo de emitir qualquer sinal de confiança para o mercado financeiro e o mundo corporativo tem que começar a ser vista por outro prisma. 


E se Lula sabe exatamente o que está fazendo, e na verdade tem um outro cálculo político na cabeça? E se ele pretende dobrar a aposta — gastando tudo o que pode e o que não pode — para garantir sua reeleição e, como pensava Dilma, “a gente conserta no segundo mandato”? 


Os próximos meses mostrarão — talvez a um custo ainda mais alto — se Lula ‘bateu com a cabeça’ não apenas de forma literal. 


Outra coisa que chama a atenção neste momento é a falta de lideranças no Congresso e na sociedade capazes de agir como os adultos na sala.


Em outras crises — neste Governo e no anterior — os presidentes da Câmara e do Senado frequentemente agiram como bombeiros, tranquilizando a sociedade quando o Executivo perdia o rumo e ajustando a pauta legislativa para ajudar o País. 


Agora, no entanto, a infeliz proximidade das eleições nas duas casas congela os senhores Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, cuja única agenda hoje parece ser o atendimento dos interesses pantagruélicos das bancadas. 


Em outras palavras: ninguém vai fazer nada para tirar o Brasil do buraco que o Governo Lula está cavando todo dia — pelo menos não antes de fevereiro. 


Por tudo isso, nesta segunda-feira taciturna o mercado acionou o ‘modo crise’ – evocando cada vez mais comparações com o Dilma 2, um governo que antigamente o PT queria esquecer.


As intervenções do Banco Central não impediram o dólar de fechar a R$ 6,09 – o maior valor nominal na história do Real.


Num ambiente de profunda perda de confiança, a venda de dólares teve o efeito colateral de aumentar os prêmios na curva de juros.


Os vencimentos mais longos viram as taxas abrir cerca de 70 pontos-base só hoje: o rendimento do DI para janeiro de 2029 pulou de 14,62% para 15,27%.


Os contratos vão se aproximando dos níveis mais elevados desde o estresse agudo dos anos Dilma.


Com os rendimentos dos títulos públicos batendo recordes recentes, o Tesouro chegou a suspender duas vezes – de manhã e à tarde – as negociações de títulos prefixados e dos indexados ao IPCA. Era possível apenas comprar Tesouro Selic.


Quando há volatilidade excessiva, o Tesouro opta por paralisar as operações. Na semana passada o ‘circuit breaker’ do Tesouro já havia ocorrido quatro vezes.


“A liquidez diminui no fim de ano. O gringo jogou a toalha, cansou de perder dinheiro e foi embora, e o investidor local está fugindo do risco,” disse o sócio de uma grande gestora.


Os leilões de linha do BC geralmente são uma forma de enfrentar a falta de liquidez sazonal – mas os operadores viram na decisão do BC de fazer intervenções no mercado spot a tentativa de estabelecer um teto para o dólar.


“Em tese, com um BC austero, não deveríamos estar vendo essa deterioração,” disse o economista de outra gestora. “A piora está acontecendo porque há falta de confiança no Governo, e o mercado antecipa o risco de o Governo se ‘financiar’ por meio da alta da inflação.”


O mercado entende que, se o BC interpreta a atual situação como um ataque especulativo, fará novas intervenções – e verá os seus limites serem testados.


O mais recente exemplo da debandada dos estrangeiros – mesmo com a abertura dos juros – foi a decisão do JP Morgan de reduzir a recomendação para os títulos brasileiros de ‘overweight’ para ‘market weight.’


“Vamos esperar pela atual resolução do impasse fiscal – que levará mais tempo e dor do que o previsto,” disse o banco.   


Esta crise — que ainda pode estar só no início — começa e termina com o Presidente Lula, que disse ontem que “ninguém tem mais responsabilidade fiscal do que eu.” Ha. Ha. Ha.


O Presidente foi ‘desmentido’ pelo próprio Tesouro, cujas estimativas divulgadas hoje mostram que o déficit primário deve ser de 0,6% este ano, 0,4% do PIB em 2025 e de 0,2% do PIB em 2026. 


O Tesouro projeta ainda que as metas do arcabouço fiscal serão descumpridas a partir de 2026, caso não haja – adivinha – aumento de receitas.


Lula disse ainda que “a única coisa errada neste País é a taxa de juros, acima de 12%,” porque “a inflação está 4 e pouco, totalmente controlada.”


O dólar em alta, entretanto, deve dar início a uma onda de remarcações, e os juros nas alturas cedo ou tarde baterão na atividade econômica. Lula sabe disso. 


“Estamos em um ambiente de crise generalizada, e o Governo está se fixando muito na situação corrente da economia. O mercado está apenas antecipando os efeitos futuros da atual política, se não houver uma correção,” disse um executivo de mercado.


“O Governo parece subestimar os efeitos do mercado na economia real, na vida das pessoas. É um erro infantil.”


O País está preso num loop em que a retomada da confiança depende de um ajuste que o Governo não parece disposto a entregar.


“Há dez anos, o PT foi contra o ajuste do Joaquim Levy. A crise só se dissolveu com a ruptura política, com o impeachment,” disse outra fonte. “Olha a loucura que estamos falando aqui.”


Pelo menos numa coisa Lula e o mercado concordam.


“Não é o mercado que tem que se preocupar com os gastos do Governo – é o [próprio] Governo,” disse o Presidente. “Porque se eu não controlar os gastos, se eu gastar mais do que eu tenho, quem vai pagar é o povo pobre.”

Call Matinal ConfianceTec 1712

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

17/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEGUNDA-FEIRA (16)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na segunda-feira (16), fechou em queda de 0,84%, a 123.560 pontos. Já o dólar à vista, em alta de 0,99%, a R$ 6,094. Rumo à dominância fiscal.


PRINCIPAIS MERCADOS, 05h40


EUA🇺🇸:

Dow Jones Futuro, -0,37%

S&P 500 Futuro, -0,31%

Nasdaq Futuro, -0,25%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), -0,73%

Nikkei (Japão🇯🇵): -0,24%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,48%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -1,29%

ASX 200 (Austrália🇦🇺),+0,78%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,71%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,18%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,32%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), -0,56%

STOXX 600,-0,58%


Commodities:

Petróleo WTI, ⛽-0,57%, a US$ 70,31 o barril

Petróleo Brent, ⛽ -0,37%, a US$ 73,64 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,06 a 796,50 iuanes (US$ 109,36).


NO DIA 17/12


Em destaque na agenda desta terça-feira, nos EUA, as vendas do varejo e a produção industrial.  


No Brasil, temos a ata do Copom, que tem tudo para repetir o tom "hawkish" do comunicado. 


Por outro lado, o mercado busca saber se o placar rachou quanto ao "forward guidance" de mais duas altas de 1pp na Selic até março, o que pode colocar en suspeição o novo BCB de Gabriel Galípolo. 


Em Brasília, tem votação na Câmara da regulamentação da reforma tributária.


Sobre o pacote fiscal, seguem as tratativas. Risco maior continua sendo a "desidratação" das medidas mais duras politicamente.


AGENDA, 17/12


Indicadores:

05h00. Brasil🇧🇷/Fipe: IPC da 2ª quadrissemana de dez24

06h00. Alemanha🇩🇪/Ifo: Índice de sentimento das empresas - dez24

07h00 – Zona do euro🇪🇺/Eurostat: Balança comercial - out24

07h00. Alemanha🇩🇪/ZEW: Índice de expect. econômicas - dez24

08h00 – Brasil🇧🇷/FGV: IGP-M 2º decêndio de dez24

08h00 – Brasil🇧🇷/FGV: IPC-S da 2ª quadrissemana de dez24

10h30. EUA🇺🇸/Depto Comércio: Vendas no varejo - nov24

11h15. EUA🇺🇸/Fed: Produção industrial - nov24

12h00. EUA🇺🇸/Nahb: Índice de confiança das construtoras - dez24


Eventos:

08h00. Brasil🇧🇷: BCB divulga a ata do Copom

11h00. Brasil🇧🇷/BCB: Galípolo e Picchetti terão reunião com S&P

18h00. Chile🇨🇱: BC divulga decisão de política monetária

Câmara vota hoje a regulamentação da reforma tributária.

                              

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa terça-feira e bons negócios

Bankinter Portugal Matinal 1712

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Nova Iorque subiu, principalmente a tecnologia novamente graças a Broadcom (+24% na sexta-feira e +11% ontem). Não deveria, porque este rally recente parece excessivo e coloca em risco o arranque de 2025. 

 

Scholz perdeu a moção de confiança, como esperado, portanto a Alemanha terá eleições a 23 de fevereiro de 2025, que poderão ser ganhas pela CDU com 31% (20% AfD; SPD 17%; Verdes 11,2%, 7% Extrema Esquerda)… mas a maioria absoluta seria resultado de uma coligação ampla, excluindo extremos: CDU + SPD + Verdes = ca.59%.  

 

Os salários 3T no Reino Unido tremendamente potentes: +5,2% vs. +4,6% esperado vs. +4,3% 2T. A libra aprecia-se desde 0,832/€ até 0,827/€. Em paralelo, o yen volta a depreciar-se, porque cada vez parece menor a possibilidade de que o BoJ suba taxas de juros nesta quinta-feira (agora 0,25%).  

 

O general russo responsável por proteger o exército de ataques NBQ (Nuclear, Bacteriológica e Química) morreu devido a um atentado em Moscovo, depois da Ucrânia a condenar por rebeldia por utilizar armas químicas na invasão. Putin responde ao levantar determinadas restrições para o uso de armas nucleares, as quais passam a estar em alerta permanente… ou algo semelhante, aludindo a outras linhas vermelhas que, supostamente, a NATO ultrapassou. Mas isto não aumenta o prémio de risco geoestratégico. Isso só demonstra que Putin não pode proteger os seus em Moscovo, o que terá um impacto desmoralizador não depreciável. Entre isto e a perda estratégica da Síria (base naval em Tartus e área em Khmeimim), a sua situação piora claramente. 

 

China afirma que o seu objetivo de PIB é +5% e que para o conseguir irá expandir o seu défice fiscal 2025 até 4%, o seu máximo histórico, mas não servirá de nada e apenas conseguirá ter mais dívida. 

 

HOJE, às 9h saem IFO (Clima Empresarial) e ZEW (Sentimento Económico), ambos a enfraquecer um pouco desde níveis já fracos por si só. E às 13:30h, Vendas a Retalho dos EUA, talvez um pouco bom (+0,5% vs. +0,4%).  

 

Mas o importante começa AMANHÃ, com a descida de taxas de juros da Fed e tudo o associado (mensagem, estimativas macro e diagrama de pontos dos conselheiros), e continuará na sexta-feira, com o Deflator de Consumo (PCE) americano.  

 

Na quinta-feira, Japão, Reino Unido e Noruega repetirão taxas de juros em 0,25%, 4,75% e 4,50%, respetivamente, enquanto a Suécia baixará desde 2,75% até 2,50%, embora isto não seja seguro, mas provável. 

 

Com tantas referências, ficamos com 2 fundamentais: Fed amanhã e PCE na sexta-feira. Em relação à Fed, baixará -25 p.b. até 4,25/4,50%, mas o mais importante que isso é que provavelmente irá rever em alta as suas estimativas de PIB e inflação face às anteriores de setembro (PIB’24/27 estável em +2,0% e PCE +2,3%/+2,1%/+2,0%/+2,0%) e, como consequência, o denominado “diagrama de pontos” (gráfico em que os conselheiros mostram anonimamente as suas estimativas individuais sobre taxas de juros 2024/27) mostrará menos descidas de taxas de juros em 2025. Em setembro eram -100 p.b. até 3,25/3,50%. Nós estimamos que a Fed baixará até 3,50/3,75% e depois logo veremos se baixa mais, talvez nada ou até menos do que isso. Isto confirmará a nossa estimativa de que a Fed baixará taxas de juros menos do que o mercado desconta e que isso terminará por se transferir para o BCE no mesmo sentido (estimamos “terminal rate” em 2,25%Depósito/2,40%Crédito e não mais abaixo). 

 

HOJE os futuros vêm a cair ca. -0,2% num movimento mais sensato do que as subidas anteriores, típico de uma sessão pré-Fed. Continuamos a estimar que a semana enfraquecerá bastante desde a Fed (amanhã, 19h), com uma perspetiva mais fria sobre taxas de juros, como se espera que ocorra. 

 

S&P500 +0,4% Nq-100 +1,5% SOX +2,1% ES-50 -0,4% IBEX +0,2% VIX 14,7% Bund 2,24% T-Note 4,40% Spread 2A-10A USA=+15pb B10A: ESP 2,92% PT 2,73% FRA 3,04% ITA 3,40% Euribor 12m 2,443% (fut.2,067%) USD 1,050 JPY 161,9 Ouro 2.647$ Brent 74,1$ WTI 70,9$ Bitcoin +1,2% (106.459$) Ether +1,3% (4.006$). 

 

FIM

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Sobre dominância fiscal, OESP

 A situação do Brasil em 2002 virou objeto de estudo de pesquisas científicas que queriam testar, por meio de modelos econômicos, casos em que a política fiscal, e não a política monetária, seria o instrumento certo para diminuir a inflação de um país. Se existe hoje um debate sobre se a economia brasileira está em um cenário de dominância fiscal ou monetária, a literatura econômica e a experiência histórica podem dar embasamento aos tomadores de decisão na condução de políticas econômicas. Esse tema ainda não é consensual no debate acadêmico, mas tem importantes implicações na economia de um país. Este ano, a discussão voltou à tona pelo mesmo motivo de 22 anos atrás: desancoragem das expectativas dos agentes acerca da condução da política econômica. A causa dessa desancoragem, no entanto, difere-se entre os períodos. 

Em 2002, o País vivia uma crise de confiança externa por causa da incerteza em meio ao período eleitoral. Hoje, essa crise está relacionada à perda de credibilidade quanto à capacidade das regras fiscais coordenarem as expectativas dos agentes econômicos - dado que todas as regras criadas foram, posteriormente, contornadas e se tornaram ineficazes por colidirem com interesses políticos -, e à existência de uma elevada rigidez orçamentária das despesas obrigatórias, com indexação excessiva dos gastos, que também afeta a trajetória da relação dívida/PIB e pressiona a sustentação da regra fiscal. 

Diversos estudos escritos por pesquisadores renomados - tais como Cássio Besarria, Jevuks Araújo, Marcelo Fialho, Marcelo Portugal, Sérgio Gadelha, José Angelo Divino, Thais Scaramuzzi, Marcelo Muinhos, Andreza Palma, Fabio Althaus, dentre outros - e publicados em revistas especializadas buscaram entender se o Brasil vivenciou um cenário de dominância fiscal no período pós-Plano Real. 

Particularmente, em 2008, os pesquisadores Sérgio Gadelha e José Angelo Divino fizeram um estudo para verificar se havia dominância fiscal ou monetária no Brasil entre os anos 1995 a 2005. Os autores encontraram evidências de dominância monetária no período analisado, enquanto outros estudiosos chegaram a resultados opostos, com comprovação de dominância fiscal em 2002. Para construir o trabalho, no entanto, Gadelha e Divino citam diversas visões que abordam derivações dos conceitos de dominância fiscal, que têm levado especialistas a discutir se o Brasil caminha nessa direção atualmente. 

O primeiro ponto de discussão está relacionado ao fato de que o governo não tem gerado superávit primário que possa estabilizar a relação dívida/PIB no médio prazo - que é justamente um dos conceitos do regime de "dominância fiscal" estabelecidos pelos economistas Thomas Sargent e Neil Wallace. Segundo eles, neste caso, "a autoridade monetária passiva perde o controle do nível de preços por ser forçada a gerar as receitas de senhoriagem necessárias à solvência do governo". O segundo ponto tem a ver com o conceito estabelecido pelo economista francês Olivier Blanchard em 2004, no qual a dominância fiscal ocorre quando um aumento nos juros em resposta à inflação acima da meta estipulada eleva o estoque da dívida pública (hoje boa parte atrelada à Selic), o que aumenta a probabilidade de "default" e os prêmios de riscos, levando à uma fuga de capitais externos e à depreciação do real - e, consequentemente, à mais inflação. 

Neste caso, a política fiscal seria o instrumento mais eficaz para controlar o processo inflacionário. Blanchard elaborou um modelo estrutural em que a política monetária restritiva provoca dinâmicas explosivas da dívida pública sob um regime de metas de inflação. Ele buscou justamente na evidência empírica brasileira de 2002 a corroboração de seus argumentos. Depois, diversos outros estudos surgirampara verificar se a relação de dominância fiscal, com base no modelo do economista francês, foi comprovada em anos seguintes. 

Algumas pesquisas testaram, por exemplo, o período de 2008 a 2017 e concluíram que não houve dominância fiscal nestes anos, já que a dívida pública não teve influência na trajetória das variáveis como a taxa de juros, câmbio e expectativas de inflação. O assunto é amplo e gera debate, mas o fato é que o Brasil de 2002 deixa lições para o "Brasil do futuro", especialmente no que tange a ancoragem das expectativas dos agentes econômicos. Vale lembrar que a falta de credibilidade do governo perante à sociedade foi um fator importante e decisivo para o fracasso dos planos econômicos da segunda metade da década de 1980 e início dos anos 1990 no País.

Market Maker, 16/12

 NA FARIA LIMA, O ‘TRADE TARCÍSIO’ COMEÇA A SER COGITADO


Os membros do M3 Club (o hub onde investidores profissionais se encontram) tiveram acesso a um estudo da Truxt através de um papo com o economista-chefe da gestora, Arthur Carvalho, e o CIO, Bruno Garcia.

Dentre as tantas pautas da conversa, um tema abordado foi o trade Tarcísio para 2026 e por que dá para ser bem remunerado para correr o risco de lagging de piora econômica (ou seja, o “delay” entre a piora do discurso econômico e o impacto negativo de fato na economia).

Na visão da Truxt, o valuation atual está nos níveis que vimos em 2008-2009, quando parecia que o mundo ia acabar, e abaixo do que vimos em 2014-2016, na crise que culminou no impeachment da Dilma. Eram níveis muito extremos.

A pergunta em meio a isso é: a economia está nos níveis daquela época? A resposta é não. Mas aí surge outra pergunta: nesse nível de valuation, estamos sendo bem remunerados para correr o risco do “lagging” de piora da política econômica? A resposta é sim.

Bruno e Arthur acreditam que não sentiremos tanto o lagging de piora econômica pois em 2026 estaremos conversando sobre uma eventual mudança de governo, onde entra o “trade Tarcísio”. Além disso, existem alguns guarda-corpos que têm se mantido sólidos e podem nos dar um tempo extra para sentir o lagging, tais como: corte de gastos, reforma da previdência, lei das estatais e Banco Central independente.

Além disso, em outras crises, a inflação teve uma espiral negativa (como foi em 2015 que foi pra 10%). Agora a nossa inflação está rodando em torno de 3,5%/3,7%. É uma das inflações mais saudáveis dos últimos anos, apesar de não estar na meta. Assim, o dólar precisaria estar entre R$ 6,50 e R$ 7,00 para descambar a inflação.

Para a Truxt, o valuation não faz sentido nas condições atuais. Mesmo com a deterioração econômica, podemos ter em 2025 a narrativa de uma possível mudança de governo em 2026, o que iria se sobrepor à economia.

Tecnicamente, o mercado está melhor lá fora (por conta da queda de juros) e melhor aqui (por conta do nível de alocação de ações na mínima histórica). E o “trade Tarcísio” pode começar a ser discutido no ano que vem, o que ofuscaria o “lagging” de piora econômica.

No entanto, os riscos no Brasil são uma aceleração da piora institucional (apertar botões ruins na Petrobras, presidente do BC não seguir a cartilha técnica) ou se o mercado precificar uma chance muito grande do governo se reeleger. Lá fora, o risco é um possível “hard landing” nos EUA.

Mas até 2026 tem muita água para rolar. Por isso fizemos mais de 5h de conversas com experts nas mazelas do Brasil e vamos te enviar em breve o “DOSSIÊ BRASIL”, com todas as perspectivas econômicas e de mercado do país pela nossa newsletter gratuita.

Desastre anunciado

 



Desastre anunciado. Não sei quem possa ser considerado um candidato competitivo contra a turba do PT. Para esta turba, o ideal é ter o Jair Bolsnaro como adversário, dadas as tantas contradições deste complexo personagem. O PT acha ele o adversário ideal, fácil de ser vencido. O mesmo não pode ser dito sobre Tarcísio de Freitas. O problema é que se ele resolver não se candidatar a presidente, já era. Teremos mais quatro anos de governança ruim depois de 2026. 

Valor Invest

 


Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...