domingo, 1 de dezembro de 2024

Amilton Aquino

 "E, como previsto, o pacote de “cortes” de gastos anunciado por Haddad ficou muito aquém do necessário para, ao menos, desacelerar o crescimento explosivo da nossa dívida. É realmente admirável a capacidade da ala mais “progressista” do governo de ignorar a matemática. Pela primeira vez na nossa história, tivemos nesta semana um leilão de títulos pré-fixados sem um único comprador. O que isso significa na prática? Que há tantas opções de investimento mais atrativas hoje para os poucos brasileiros que têm o “mau hábito” de poupar, que nem mesmo títulos pré-fixados a 14% estão conseguindo atraí-los.


Falo por experiência própria. Minha Black Friday foi dedicada à compra de ações baratas. Sim, existe o risco de desvalorizarem ainda mais. Mas minha aposta está apenas em empresas sólidas, que já sobreviveram a crises de todos os tipos e continuam pagando bons dividendos. Se os preços caírem mais, comprarei mais. Recentemente, vendi parte de títulos que rendiam pouco mais que a poupança para investir em outros com juros mais altos e, claro, em ações e fundos imobiliários descontados.


"Mas você não acredita que o Brasil vai virar uma Venezuela?" 


Não. O Brasil já enfrentou situações mais complicadas e sobreviveu. Em algum momento, o país terá que tomar medidas verdadeiramente enérgicas para evitar o colapso. Caso essas medidas não venham do governo, haverá pressão para que o Congresso as implemente. Aliás, os deputados Kim Kataguiri, Pedro Paulo e Júlio Lopes já apresentaram uma PEC alternativa de controle de gastos, que propõe uma economia real capaz de conter o avanço da dívida, que cresceu impressionantes 7% do PIB desde que Lula assumiu, revertendo a trajetória de queda iniciada no governo Temer.


O fato de Haddad admitir, logo após encontro com a Febraban, a possibilidade de medidas adicionais para atender às expectativas do mercado já é um indicativo de que o Congresso possa, como ocorreu com o Arcabouço Fiscal, melhorar ou, pelo menos, suavizar os impactos do atual pacote.


No cenário mais otimista, o governo adotaria, de fato, as medidas necessárias, atraindo investidores estrangeiros de volta com força. Contudo, o mais provável é que continuemos caminhando de forma hesitante, fazendo apenas o suficiente para evitar o colapso total e adiando ajustes estruturais para depois das eleições. Se esse for o caso, resta-me seguir rebalanceando bem minha carteira, aguardando o momento em que as expectativas se revertam após a inevitável adoção de reformas. Quando esse ajuste acontecer, minha rentabilidade será multiplicada, pois é isso que ocorre com quem opta por poupar no presente para colher no futuro — um hábito pouco valorizado em nosso país, cuja cultura está mais voltada a tirar algum tipo de vantagem do “papai Estado”, traço este reforçado pela esquerda paternalista.


Por fim, gostaria de deixar bem claro a conta que o governo atual está jogando para o futuro. Quando eu, um cidadão comum, compro um título IPCA + 7 com resgate para 2045, na prática estou entrando no bolo daqueles odiados “rentistas” que hoje recebem mais de R$ 700 bi de juros por ano. 


“Ain, mas esses juros estão muito altos. O novo diretor do BC indicado por Lula vai baixar os juros e esse custo vai diminuir”.


Ele pode até tentar (para os novos títulos), como fez o indicado por Dilma, que baixou os juros na marra e, logo depois, teve que aumentar ainda mais rápido para atrair compradores para poder rolar a dívida. 


Pois é. O populismo sempre engana por algum tempo, mas a conta sempre chega. Parte dos R$ 700 bi de juros que o governo tem que pagar hoje vieram de títulos vendidos a IPCA + 8 no auge da crise Dilma. Os juros das próximas décadas já estão garantidos, assim como as aposentadorias dos poucos brasileiros que se dispõe a poupar. Mas no futuro, claro, esquerdistas vão continuar cumpando o "rentismo" pelos déficits do governo."


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sábado, 30 de novembro de 2024

Milei, Javier

 Revista inglesa exalta Milei e diz que libertário conduz “experimento extraordinário” na Argentina


'The Economist' afirma que Milei tem o programa 'mais radical' de liberdade econômica desde Margaret Thatcher, no Reino Unido, na década de 80. Confira!


https://direitaonline.com.br/milei-economist-revista/


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Resumo MZ

 📊 Resumo da Semana 


O governo pagou o preço pela demora em divulgar seu pacote de redução de gastos e pela decisão política de anunciar junto a isenção de imposto de renda para salários até R$ 5 mil e com o aumento da tributação dos mais ricos. Se a ideia da ala política era usar a promessa de campanha de Lula para minimizar o impacto negativo da limitação da valorização do salário mínimo diante do eleitorado e, assim, abrir espaço para a reeleição de Lula ou a eleição de Haddad em 2026, agora terá que arcar com a fama de levar o dólar à marca recorde de R$ 6 e, provavelmente, de empurra a Selic para a casa dos 14% ou mais. Além do tiro no próprio pé, o governo terá ainda que lidar com um cenário externo bastante adverso em 2025, uma vez que a eleição de Donald Trump tende a manter o dólar valorizado e pode levar o Fed a reduzir o ritmo de alívio monetário, dois fatores que prejudicam os mercados emergentes. Há ainda uma série de outras incertezas, como possíveis desdobramentos do conflito entre Ucrânia e Rússia para a já combalida economia europeia, e qual será o ritmo de crescimento da China, especialmente se Trump cumprir sua promessa de protecionismo, elevando as taxas de importação. Bom fim de semana! (Téo Takar)


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Diario de um economista (1)

Não nego. A minha vida nunca foi linear. Tive altos e baixos, mais altos, mas sem hipocrisia, tambem com alguns reveses. Difícil que vc se una a pessoas que pensem como vc.

Também acho que cada um trilha suas histórias, o seu caminho. Cada um tem o seu caminho. Não existe padrão.

Iniciando este ciclo de experiências pessoais. Sim senhores, no alto dos meus 60 anos, isso é permitido. 

O início foi quando eu me formando em Ciências Econômicas, resolvi fazer "mestrado acadêmico". Sim, por que existe também o "profissional". A diferença é que o primeiro te joga no meio acadêmico, mais no experimento, nas evidências empíricas. O segundo, no mercado de trabalho, mais no financeiro, mais do que no meio corporativo. 

Nada contra, mas o problema é que a nossa "lúgubre ciência", às vezes, se divorcia da metodologia científica, visto que por ser "humana", acaba descambando para a imprevisibilidade, as incertezas e as irregularidades.  

Um evento ocorrido pode nunca se repetir de forma regular. Na biologia, na física, estes eventos testáveis se repetem sempre, quase homogêneos. Na economia, isso não acontece.

E isso me perturbava muito enquanto economista.

Fui me lapidando e me tornando pós-keynesiano, embora não um praticante acadêmico. Mais do que isso, me tornei um cardiniano. Sim, porque foi através de Fernando Cardim de Carvalho que passei a ter contato com esta corrente teórica heterodoxa.

A partir, passei a ser um admirador deste grande economista, formado na USP, mas andanças pela Unicamp, e nos EUA. O acompanhei nas suas passagens pela UFF, UFRJ, por NY, Cascais, etc. Foi ali que eu me despedi dele, acometido de uma doença.

Mas posso dizer que Cardim foi um schollar incorruptível, digno e honesto ao ato da cátedra. Cardim foi professor absoluto e dedicado. Por isso, a minha admiração.

Vejo hoje muitos professores que acabam se perdendo, e poucas aulas ministram. Começam a viver em seminários, palestras, e acabam se envolvendo mais nas suas pesquisas. Acabam se esquecendo da sala de aula, preenchida por professores adjuntos e monitores.

Nada contra. Mas Cardim sempre foi um professor integral, orientando seus alunos, dando os caminhos, indicando as teses, os temas das dissertações. Isso não aconteceu com muitos. 

Questão de opções e caminhos. 

Viva Cardim!


Fim de uma semana pesada

 📊 Juros futuros devolvem gordura com mensagens de Lira e Pacheco e indicações para BC; Galípolo limita recuo dos curtos


Os juros futuros passaram por correção moderada nesta 6ªF, com investidores mostrando menos ceticismo sobre a aprovação do pacote de medidas fiscais pelo Congresso e também menor preocupação com a proposta de isenção de imposto de renda para salários até R$ 5 mil. Depois de uma nova disparada pela manhã, as taxas se acomodaram no início da tarde, após os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmarem que irão trabalhar para que as medidas sejam aprovadas pelo Congresso com rapidez. Eles também observaram que a isenção de IR até R$ 5 mil somente será aprovada se ela causar impacto fiscal. Perto do fechamento, as taxas aceleraram a queda com a indicação dos três diretores do Banco Central que faltavam por Lula. O mercado gostou especialmente da escolha de Nilton David, chefe de tesouraria do Bradesco, para ocupar a vaga de Gabriel Galípolo na diretoria de Política Monetária. As taxas curtas registraram queda mais comedida, diante das declarações de Galípolo no almoço de fim de ano da Febraban. O futuro presidente do BC disse que “eventualmente”, o BC terá que ter o pé um pouco mais pesado no freio para não permitir um aquecimento da economia a ponto de pressionar a inflação", abrindo espaço para o Copom ampliar o ritmo de aperto monetário nas próximas reuniões. No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 13,890% (de 13,910% no fechamento anterior); Jan/27 a 14,040% (14,040%); Jan/29 a 13,800% (13,910%); Jan/31 a 13,600% (13,750%); Jan/33 a 13,460% (13,630%). (*Téo Takar*)

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Mercado de trabalho

 🇧🇷 Hoje tivemos mais um dado de mercado de trabalho aquecido:


Segundo a pesquisa PNAD Contínua, a taxa de desemprego foi de 6,2% no trimestre encerrado em outubro, em linha com as expectativas do mercado. Os juros futuros seguem operando em alta na abertura.


A taxa apresentou redução em relação aos 6,4% do trimestre encerrado em setembro e é menor taxa observada em toda a série histórica iniciada em 2012. 


No trimestre encerrado em outubro, houve um recorde no número de pessoas ocupadas, sendo a menor desocupação desde o início da série histórica. Houve recorde no número de trabalhadores com e sem carteira assinada no setor privado e recorde no número de empregados no setor público.


Com isso, o nível de ocupação alcançou seu maior percentual da série, em 58,7%. Os setores de indústria, construção e outros serviços foram responsáveis por quase 50% do crescimento da ocupação no trimestre.  


A massa de rendimento real habitual (soma ponderada de todos os rendimentos das pessoas ocupadas da amostra) apresentou crescimento de 2,4% no trimestre e 7,7% no ano, impulsionada pelo aumento no número de pessoas trabalhando. 


Por outro lado, os dados do CAGED de outubro, divulgados nesta semana, registraram a criação de 132,7 mil empregos formais, abaixo da expectativa do mercado de 192,5 mil vagas. No entanto, o CAGED de setembro foi revisado para cima, saindo de 247,8 mil para 251,5 mil. 


➡️Direto ao Ponto


Os dados de outubro reafirmaram a solidez do mercado de trabalho, indicando um cenário aquecido e uma atividade econômica forte. Quando combinados à inflação de serviços em 12 meses ainda acima de 5%, esses fatores reforçam a expectativa de um novo aumento de juros na próxima reunião do Banco Central. 


O mercado, inclusive, já precifica uma possível aceleração no ritmo de ajuste, com a curva apontando para um aumento superior a 0,5 ponto percentual.


🗞 Jornal do Investidor / Marília Fontes Renda Fixa PRO 

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Chances de IPOs

 Coluna do Broacast: Chances de IPOs em 2025 caem por terra após pacote, avaliam banqueiros


Por Cynthia Decloedt, Altamiro Silva Junior e Matheus Piovesana


São Paulo, 29/11/2025 - As expectativas de uma retomada nas ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), que já estão no maior jejum em 25 anos, diminuíram drasticamente após o aguardado anúncio do pacote de cortes de gastos do governo esta semana. O impacto se estende às perspectivas de ofertas de ações no exterior por empresas brasileiras, uma vez que a percepção do estrangeiro em relação ao País também piora.


A visão é de banqueiros reunidos em almoço da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta sexta-feira, 29, no qual estão presentes o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o próximo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Houve decepção com o corte anunciado, que provocou piora dos ativos domésticos e elevou a projeção já alta para o juro brasileiro em 2025 e, portanto, reduz o apetite de investidores pela Bolsa, avaliam executivos com os quais o Broadcast conversou


O responsável pelas operações na América Latina de um grande banco estrangeiro defendeu que o mais provável é que nenhum IPO aconteça no ano que vem. Outro executivo, também à frente de banco estrangeiro, disse que, eventualmente, se houver alguma sinalização contrária à atual para o fiscal, de escalada do juro para a casa de 14% ao ano, a Bolsa poderá receber algum IPO no quarto trimestre. A Bolsa brasileira não assiste a um IPO desde agosto de 2021.


Este mesmo executivo contou ainda que, em evento recente entre empresas e investidores locais e estrangeiros promovido por sua instituição, sentiu os investidores de "mau humor", apesar de boas notícias trazidas pelas empresas, que estavam mais animadas em meio a uma safra melhor de resultados financeiros.


Para o diretor de um banco, isso é reflexo da ausência de fluxo para os fundos multimercado e de ações, que tira o interesse dos gestores, mesmo para empresas que tenham uma boa história operacional ou financeira para contar. Os fundos multimercados estão com saques de R$ 235 bilhões este ano até outubro, ante perdas de R$ 69,5 bilhões no mesmo período do ano passado.


"Juros em dois dígitos matam IPOs", afirmou o presidente de um banco. E a forte volatilidade recente dos ativos contribui para engavetar operações, incluindo de ofertas subsequentes de ações (follow-on), pois dificulta a referência de preços, completou ele.


No exterior


Outro banqueiro acrescentou que o efeito causado pelo pacote prejudica o risco Brasil e faz com que até mesmo eventuais ofertas de ações no exterior fiquem prejudicadas. Uma executiva do setor ressalta que investidores internacionais vão preferir aplicar nos Estados Unidos por conta das políticas pró-mercado de Donald Trump do que em emergentes. E mesmo neste ultimo grupo, as preferências estão ficando mais com a Índia, o Produto Interno Bruto (PIB) que mais cresce no mundo atualmente, considerando as grandes economias.


O juro elevado no País por mais um ano, com previsões como a do JPMorgan nesta sexta-feira, de que a Selic pode bater em 14,25%, contrariando expectativas iniciais de trajetória de queda esperada para este ano, quando se falava em juros agora na casa dos 9%, aumenta o risco de inadimplência e os planos de investimento voltam a ser engavetados.


"Estou ouvindo aqui de muitos banqueiros que revisarão seus orçamentos, dado o crescimento de aposta de inadimplência", contou outro executivo presente ao almoço da Febraban.


Mesmo o mercado de renda fixa e crédito privado pode ganhar novos contornos com a alta do juro, observou outro executivo. Em sua visão, o fluxo de entrada em fundos seguirá aumentando neste cenário, mas os gestores estarão mais seletivos, para evitar o risco da inadimplência nas empresas.


Em 2024, o mercado de renda fixa já bateu recorde de operações, com emissões superando os R$ 500 bilhões, e só debêntures ficando em R$ 381,4 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em 2025, deve manter ao menos o mesmo patamar, na visão de um executivo de um grande banco.


Contatos: altamiro.junior@estadao.com ; matheus.piovesana@estadao.com; cynthia.decloedt@estadao.com


Broadcast+

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...