quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Call Matinal ConfianceTec

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

30/10/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (29)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na terça-feira (29) em queda de 0,37%, a 130.736 pontos. Volume negociado fechou baixo, a R$ 17,0 bi. Já o dólar encerrou em forte alta,  0,92%, a R$ 5,7610. Vértice da curva de juros segue pressionado.


Mercados hoje (30): Bolsas asiáticas fecharam, na sua maioria, em queda, exceção do Japão; bolsas europeias em queda e  Índices Futuros de NY em alta.


RESUMO DOS MERCADOS (06h40)


S&P 500 Futuro, +0,23%

Dow Jones Futuro, +0,05%

Nasdaq, +0,24%

Londres (FTSE 100),-0,46%

Paris (CAC 10), -0,83%

Frankfurt (DAX), -0,43%

Stoxx600, -0,59%

Shangai, -0,61%

Japão (Nikkei 225), +0,96% 

Coreia do Sul (Kospi), -0,82%

Hang Seng, -1,55%

Austrália (ASX), -0,81%

Petróleo Brent, +1,20%, a US$ 71,97

Petróleo WTI, +1,29%, US$ 68,08

Minério de ferro em Dalian, +0,38%, a US$ 110,26.


NO DIA (30)


Dia de mais indicadores de mercado de trabalho nos EUA, desta vez, o índicador do setor privado, o ADP. Ontem, a geração de empregos, pelo relatório Jolts, veio em desaceleração. 


Pelo dados de atividade, os PMIs vieram mistos. O PMI Composto veio em 54,6 contra 54,4, o Industrial, 47,9 para 47,0 e o de Serviços, 55,3 para 55,4.


Por aqui, há toda uma expectativa em torno do pacote de contenção de despesas, ainda sem data. Seguidas reuniões com Lula seguem acontecendo.


Diante disso, os mercados seguem "desconfiados", o dólar acima de R$ 5,70, juro no vértice longo pressionado e bolsa de valores "de lado", com baixo volume.


Indo para a Zona do Euro, o PIB do terceiro trimestre veio em crescimento de 0,4% contra o tri anterior e 0,9% no anualizado.


AGENDA DO DIA (30):


Indicadores: 🌐

05h00. Alemanha/Ifo: índice de sentimento das empresas de setembro

08h00. BCB divulga ata do Copom 

08h00. FGV: Sondagem do consumidor de setembro

08h00. FGV: IPC-S Capitais da 3ª quadrissemana de setembro

11h00. EUA/Conference Board: índice de confiança do consumidor de setembro

14h00. Áustria: Opep lança relatório sobre perspectivas globais para o petróleo


Eventos:

08h30. BCB: Campos Neto faz palestra em evento do banco J. Safra

10h00. EUA: Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU

10h00. EUA/Fed: Michelle Bowman participa de evento


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quarta-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Prensa brasileira

 📰  *Manchetes de 4ªF, 30/10/2024* 

▪️ *VALOR*: Incerteza fiscal e cenário externo levam dólar a R$ 5,76, maior cotação desde março de 2021

▪️ *GLOBO*: Indefinição sobre corte de gastos leva dólar à maior cotação desde 2021  

▪️ *FOLHA*: Haddad diz não ter prazo para cortes; dólar chega a maior valor desde 202            

▪️ *ESTADÃO*: Nunes diz que trabalhará para o MDB não apoiar Lula em 2026

Governo sem projeto

 Governo Lula não tem projeto para o país, diz Temer


Para ex-presidente, protagonismo do Congresso pode conduzir um dia a uma reforma política radical, com mudança do sistema de governo


29.out.2024 às 13h26


O ex-presidente da República Michel Temer, 84, afirma que o governo Lula 3 não tem projeto para o país e que passou um sinal negativo ao mudar as metas do próprio arcabouço fiscal que criou no ano passado.


Mandatário entre setembro de 2016 e dezembro de 2018, Temer instituiu em sua gestão o chamado teto de gastos, que corrigia o gasto do ano corrente pela inflação do anterior, e aprovou a reforma trabalhista, além de ter iniciado as discussões da previdenciária, finalmente aprovada em 2019, no governo Jair Bolsonaro (PL).


"A sensação que eu tenho é que este governo não tem um projeto. Ou, se o tem, tem às escuras, não às claras. Não lança para a população", diz Temer.


O ex-presidente afirma que a fase de radicalização política no Brasil está ficando para trás e que o desempenho positivo de seu partido, o MDB, no último pleito seria prova disso. Temer participou nesta terça-feira (29) do Lide Brazil Conference, em Londres, promovido por Folha, UOL e Lide.


Muitos qualificam seu governo como reformista e tendo sido capaz de estabilizar minimamente a economia, com o teto de gastos. Hoje, temos juros e dólar em alta, com a inflação pressionada. Como avalia o quadro?


Assim que eu cheguei no governo, percebi que a economia não se resolve num passe de mágica. Você não reduz os juros nem a inflação com uma única medida. É preciso uma série delas. Por isso, optamos pelas reformas, começando pelo teto de gastos.


Há o fundamento de que ninguém pode gastar mais do que aquilo que arrecada. Isso já começou a dar uma credibilidade extraordinária, porque o problema da economia está muito na segurança, naquilo que as pessoas alardeiam como sendo segurança jurídica, que nada mais é do que o cumprimento rigoroso do sistema normativo.


E disso decorre também a segurança, a credibilidade social, que permite investimentos. No nosso período, fizemos isso. Especialmente eu relembro a reforma trabalhista, o teto de gastos, o encaminhamento da [reforma da] Previdência, a Lei das Estatais, que recuperou a Petrobras e outras empresas.


Você precisa ter muita unidade no governo, que é uma coisa fundamental. Você não pode ter disputa entre ministérios, como, vez ou outra, eu verifico.


O atual governo criou o chamado arcabouço fiscal e já fez modificações, alterando metas para 2025 e sinalizando que o superávit de 1% do PIB será alcançado só em 2028. Como vê o cenário fiscal neste governo?


Em primeiro lugar, quero dizer o seguinte: a ideia do teto não feneceu. O que era o teto no meu governo? Era aplicar a inflação do ano anterior no novo orçamento. O que é o teto hoje? É a inflação do ano anterior, mais 0,5% a 2,5% [de crescimento real]. Se numericamente isso vai dar certo ou não, eu não saberia dizer. Mas ainda existe a figura do teto.


Agora, é preciso que haja aplicação rigorosa desse teto. Se houver titubeio, mesmo com esse teto modificado, teremos instabilidade. Mudar a meta não é útil.


Uma certa estabilidade legislativa também é importante. Porque também a credibilidade fiscal, econômica e social deriva da não existência permanente de modificações legais. Você acabou de dizer uma coisa que preocupa, essa modificação [no arcabouço].


O governo Lula 3 está terminando o seu segundo ano. Como o sr. o avalia até aqui?



Não vejo ideia de reformas pela frente. Temos a reformatação administrativa, mas está demorando. Eu não pude realizá-la porque eu tive pouco tempo de governo.


Eu não vejo, digamos assim, um projeto, uma meta do governo. Por que que eu tive uma meta? Porque, em um dado momento [2015], na Fundação Ulysses Guimarães, nós resolvemos realizar um documento, que foi chamado "Uma Ponte para o Futuro". Quando eu cheguei ao governo, eu tinha um projeto.


Essas coisas todas que falamos das reformas fundamentais, que resultaram na queda da inflação e da taxa Selic, estavam programadas. Com aquele projeto, fomos fazendo as coisas e isso deu credibilidade. Agora, acho que falta o anúncio de um projeto maior.


Como o Juscelino Kubitschek [presidente de 1956 a 1961], que tinha um plano de metas. As pessoas sabiam para onde o governo estava indo. A sensação que eu tenho é que este governo não tem um projeto. Ou, se o tem, tem às escuras, não às claras. Não lança para a população.


O sr. não teria nada para citar como projeto deste governo?



Por enquanto, não. Não saberia dizer. Evidentemente que há um esforço grande para reduzir a inflação, mas ainda é improdutivo. Você veja que a própria diminuição do desemprego —vários editoriais e jornais disseram— é um produto da reforma trabalhista. Ela produziu mudanças na lei, que levou alguns anos para ter o seu efeito.


Eu confesso que não vejo. Vejo boa vontade, mas não vejo execução e vejo muita divergência. Por exemplo, vejo as dificuldades que o ministro [Fernando] Haddad [Fazenda] tem muitas vezes para levar adiante certos projetos. Isso cria insegurança, o que não é útil para a governabilidade.


Aumentar a arrecadação não é ruim, mas aumentar os gastos é. Por isso que o teto de gastos não permitia a elevação dos gastos públicos. Então, dois pontos: você aumenta a arrecadação; muito bem, sinal que a produção vai indo bem. Mas não pode aumentar os gastos, senão uma coisa elimina a outra. E isso parece que está acontecendo.


O seu partido se saiu bem nas eleições. Teve o segundo melhor resultado em população a ser governada, 36,6 milhões [atrás do PSD, com 37 milhões] e ganhou em São Paulo, o que não ocorria desde 2012. Como avalia o fato de o centrão, do qual o MDB faz parte, ter sido o grande vencedor?


O MDB é o grande partido de centro do país. Sempre foi assim. Desde o momento da Constituinte [1988], quando trouxe o país para o centro. E acho que hoje, mais do que nunca, revelou-se que o centro, caminhando para a direita, prevaleceu.


Segundo ponto, o MDB saiu-se muito bem. Você acabou de dizer que pegou São Paulo, mas mais quatro capitais: Porto Alegre, Belém, Macapá e Boa Vista.


Acho que o MDB estabeleceu uma marca estupenda, que é o fato de o seu eleitor votar com uma despreocupação, sem radicalismo.


O sr. vê o Brasil saindo um pouco desse quadro de acirramento na política? O clima está melhorando?


Acho que essa eleição municipal é demonstrativa disso. Prevaleceu mais a moderação, a tranquilidade, o equilíbrio. O Ricardo Nunes [prefeito reeleito de São Paulo] é um exemplo disso. Embora esteja fora da vida pública, nas conversas que tenho com várias pessoas, vejo que todos estão cansados dessa radicalização.


O sr. fala em centro e fim da radicalização. Tem algum palpite para as candidaturas em 2026? Alguma no seu partido? O que acha do nome do Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo, do Republicanos]?


Não gostaria de nominar. Mas o Tarcísio é uma grande figura, sem dúvida. Seria um bom candidato, moderado. O conheço bem e tive a oportunidade de tê-lo no meu governo [como secretário para programas de parcerias e investimentos]. Faz um bom governo em São Paulo e teve uma vitória, como vimos agora, na eleição do Ricardo Nunes.


Tivemos um aumento vertiginoso do poder de alguns congressistas com as emendas, que somam cerca de R$ 50 bilhões por ano. Vimos que 98% dos 116 prefeitos mais beneficiados foram reeleitos, com uma média de 72% dos votos, grande parte do centrão. Isso não é ruim para a democracia, esse direcionamento financeiro?


Acho que está havendo um protagonismo muito grande do Congresso Nacional. No tocante ao orçamento, ele não só aprova, mas tem emendas impositivas, de bancada, de comissão. Enfim, as mais variadas, que são direcionadas a esses municípios.


Isso pode conduzir um dia a uma reforma política radical, com mudança do sistema de governo, que é a ideia de um semipresidencialismo ou semiparlamentarismo.


Já que uma parte grande do orçamento está sendo direcionada ao Congresso, que ele seja responsável também pelos atos de governo. Porque hoje ele manda essas emendas, mas não tem responsabilidade nenhuma pela governabilidade executiva. Tem só pela governabilidade legislativa.


Mas e a transparência dessas emendas, do poder que esses parlamentares têm? Pois hoje têm nas mãos um instrumento para se perpetuarem no poder.


Há que ter transparência, até porque a Constituição determina a publicidade de todos os atos públicos, significando, portanto, a atuação dos parlamentares no tocante ao orçamento. Aliás, já caiu essa coisa do chamado orçamento secreto. Caiu porque era uma violência extraordinária contra a Constituição.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/10/governo-lula-nao-tem-projeto-para-o-pais-diz-temer.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Nova Iorque melhor do que a Europa, porque a macro americana saiu como convinha: Confiança do Consumidor inesperadamente sólida (108,7 desde 99,2), mas Vagas Disponíveis JOLTS a enfraquecer (7,44M desde 7,86M, este último revisto em baixa desde 8,04M preliminar). Esta combinação de boa confiança, mas emprego a enfraquecer é quase o mais conveniente para continuar a acreditar que a Fed continuará a baixar taxas de juros, mas sem se preocupar com o facto de o fazer precipitadamente face a um grave enfraquecimento da economia americana, algo que não ocorre de todo. É muito difícil conseguir esta “debilidade boa” estranha para a economia americana que não chegue a arrefecer as expetativas de descidas de taxas de juros, o que arrefeceria, por sua vez, Wall St. Mas parece que estamos perto disso. Isso é bom. 

 

O fluxo de resultados é esmagador, destacando Alphabet em positivo e AMD em negativo… mas negativo suave, porque trata-se apenas do guidance, não dos resultados. Entre as restantes grandes da noite/esta manhã, temos ASMI e VISA a bater expetativas; enquanto VW dececionou, que já o esperávamos, mas não tanto. Há muitas mais empresas e percebemos um saldo muito bom a melhorar: com quase 50% das empresas do S&P500 publicadas, o EPS médio do 3T é +5,7% vs +5,1% esperado. É o primeiro dia que começa a bater expetativas. Uma emissão de obrigações americanas a 7 anos foi bem colocada ontem e isso travou o aumento das yields (queda de preços) das obrigações. O yen continua a depreciar-se e não nos surpreenderia que se aproximasse até 155/$ e 170/€, embora não imediatamente. Deve-se à instabilidade política, mas, na realidade, favorece o PIB japonês, que é fortemente dependente da Balança Comercial. 

 

HOJE temos 4 chaves: (i) PIBs 2T UE (10h; +0,8% desde +0,6%) e EUA (12:30h; +2,9% vs +3,0%). (ii) 12:15h Emprego Privado ADP americano, que se espera 111K vs 143K, mas que poderá ser mais fraco do que isso devido aos furacões, efeito que não é mensurável antecipadamente. Se sair mais fraco, melhor para Wall St. (iii) 13h IPC Alemanha, que deverá aumentar até +1,8% vs +1,6%, e assim avisar sobre o que temos vindo a antecipar: que as inflações aumentarão nos próximos meses, regressando a níveis superiores a +2%. (iv) Mais resultados, destacando Meta e Microsoft no fecho americano, influenciando amanhã. 

 

Provavelmente a sessão será fraca, talvez melhor a manhã europeia do que a tarde americana, devido à tensão prévia quanto à Meta e Microsoft e perante a possibilidade de ADP sair excessivamente fraca, embora se explique pelos furacões. Há um pouco de medo a muito curto prazo, enquanto aumenta a probabilidade de Trump ganhar as eleições, a julgar pelas sondagens, e isso seria melhor do que pior para as sessões posteriores a 5 de novembro, caso se saiba de seguida quem ganhou, o que é improvável. Na realidade, esta sensação geral de precaução e confusão continuará a resultar num mercado um pouco errático que no fundo quer subir. 

 

S&P500 +0,2% Nq-100 +1% SOX +2,3% ES-50 -0,4% IBEX -0,9% VIX 19,3% Bund 2,32% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+15pb B10A: ESP 3,02% PT 2,71% FRA 3,08% ITA 3,56% Euribor 12m 2,577% (fut.12m 2,146%) USD 1,082 JPY 165,9 Ouro 2.788$ Brent 71,7$ WTI 67,8$ Bitcoin +1,7% (72.319$) Ether +1,6% (2.660$). 

 

FIM

Os cinco conceitos econômicos mais mal compreendidos

 *Os cinco conceitos econômicos mais mal compreendidos*

Por

Patrick Carroll

FEE

24/10/2024 16:19


Apesar de toda a atenção dada à economia pelos grandes meios de comunicação e pelos comentaristas políticos, nossa alfabetização econômica como sociedade ainda deixa muito a desejar. Opinamos sobre questões econômicas constantemente, fazemos solilóquios apaixonados defendendo nossos pontos de vista partidários, mas raramente nos sentamos e realmente tentamos aprender economia.

O resultado dessa disparidade entre atenção e educação tem sido o surgimento de uma série de falácias econômicas, equívocos e saltos de lógica. As pessoas repetem ideias econômicas porque elas soam como senso comum, mesmo quando essas ideias foram desmascaradas repetidamente por aqueles que pensaram sobre elas com um pouco mais de cuidado.

Muitos livros poderiam ser escritos sobre os equívocos econômicos comuns que assolam nossa sociedade. Mas, pelo bem da, bem, economia, teremos que escolher apenas os mais prevalentes desses erros para a análise a seguir. Para esse fim, aqui está minha seleção dos cinco conceitos mais mal-entendidos em economia.


*1) Escassez*


O conceito de escassez parece bem simples: temos desejos virtualmente ilimitados, e no entanto vivemos em um mundo onde os meios para satisfazer esses desejos são limitados. Há um número específicos de carros, computadores, casas, fábricas, médicos e assim por diante. Dedicar mais desses recursos a um fim significa dedicar menos desses recursos a outros fins.

Por mais simples que isso possa parecer, muitos sustentam que a escassez é um fato da vida apenas por causa do sistema econômico em que vivemos. Se tivéssemos um sistema econômico melhor, eles dizem, a escassez não seria mais um problema.

O economista Ludwig von Mises chamou a atenção para essa perspectiva em seu tratado econômico publicado em 1949, "A Ação Humana":

“Aquele que contesta a existência da economia virtualmente nega que o bem-estar do homem seja perturbado por qualquer escassez de fatores externos. Todos, ele sugere, poderiam desfrutar da perfeita satisfação de todos os seus desejos, desde que uma reforma tenha sucesso em superar certos obstáculos trazidos por instituições inadequadas feitas pelo homem. A natureza é generosa, ela generosamente enche a humanidade de presentes. As condições poderiam ser paradisíacas para um número indefinido de pessoas. A escassez é um produto artificial de práticas estabelecidas. A abolição de tais práticas resultaria em abundância.”


Depois de discutir o desenvolvimento histórico dessa posição, Mises dá sua opinião sobre o assunto, não deixando dúvidas sobre sua visão:

“Esse é o mito da abundância e da abundância em potencial. A economia pode deixar para os historiadores e psicólogos explicar a popularidade desse tipo de pensamento positivo e indulgência em devaneios. Tudo o que a economia tem a dizer sobre essa conversa fiada é que a economia lida com os problemas que o homem tem que enfrentar por conta do fato de que sua vida é condicionada por fatores naturais. Ela lida com a ação, ou seja, com os esforços conscientes para remover o máximo possível do desconforto sentido. Ela não tem nada a afirmar com relação ao estado de coisas em um universo irrealizável, e até mesmo inconcebível à razão humana, de oportunidades ilimitadas.”


*2) Ganância*


Outro conceito econômico altamente mal compreendido é a ganância. Especificamente, muitas pessoas parecem acreditar que preços e salários são determinados por quão ganancioso um negócio é. Preços mais altos para bens de consumo e salários mais baixos são, nessa visão, um resultado do aumento da ganância.

Mas isso não faz sentido, porque as empresas presumivelmente eram tão egoístas antes das mudanças quanto depois. “Culpar os preços crescentes na busca pelo lucro é como culpar a gravidade por um acidente de avião”, escreve Dan Sanchez:

"A gravidade está sempre puxando os aviões para baixo. Para explicar um acidente de avião, você tem que explicar o que aconteceu com os fatores que tinham neutralizado previamente essa atração para baixo. Por que a gravidade puxou o avião para baixo, para a Terra, quando o fez, e não antes?

Da mesma forma, as empresas estão sempre buscando lucro e estão sempre prontas para aumentar os preços se isso maximizar os lucros. Para explicar aumentos súbitos de preços, você tem que explicar o que aconteceu com os fatores que anteriormente colocaram um limite nessa pressão ascendente de preços. Por que a busca por lucro impulsionou os preços para o alto recentemente [em 2022] e não em 2019?"

É certamente verdade que o interesse próprio faz parte da economia. Mas não faz sentido explicar mudanças de preços referindo-se à avareza.


*3) Crescimento econômico*


Sir David Attenborough expressou um sentimento muito popular quando disse em 2013: "Temos um ambiente finito — o planeta. Qualquer um que pense que você pode ter crescimento infinito em um ambiente finito é um louco ou um economista."


O problema com esse pensamento é que ele interpreta muito mal o conceito de crescimento em economia.

“Por crescimento, os economistas querem dizer a criação de valor que é objeto de troca no mercado”, escreve Joakim Book. Uma vez que entendemos a perspectiva econômica, fica claro que o crescimento nesse sentido pode ser praticamente infinito, mesmo em um mundo de recursos físicos limitados.

“Embora vivamos em um mundo de um número limitado de átomos”, escrevem Marian Tupy e Gale Pooley em seu livro "Superabundance" (Superabundância, sem edição no Brasil), de 2022, “há maneiras virtualmente infinitas de organizar esses átomos. As possibilidades de criação de novo valor são, portanto, imensas.”

Como Tim Worstall escreve, “O PIB não é feito de minerais — ou qualquer outra coisa física — processados. É valor agregado. O limite do PIB está, portanto, em saber como agregar valor. Assim, embora os recursos físicos sejam obviamente escassos — não haveria uma disciplina chamada economia se não fosse assim — não são os recursos físicos que limitam o crescimento econômico. É o conhecimento.”


*4) Bens públicos*


Para muitas pessoas, um “bem público” é qualquer bem fornecido pelo setor público, ou seja, o governo. Assim, as pessoas consideram estradas e serviços públicos como bens públicos.

Mas, na verdade, isso está errado. Há uma definição estrita de "bem público" na teoria econômica, e ela não tem nada a ver com o fato de que algo é fornecido pelo governo.

Economistas frequentemente classificam bens com base em dois fatores, sua rivalidade e sua exclusividade. Um bem rival é um bem cujo uso de uma pessoa atrapalha o uso de outra pessoa. Por exemplo, a comida seria rival (não podemos comer a mesma comida), enquanto o rádio via satélite seria não rival (meu consumo não tira sua capacidade de consumi-la também).


A exclusividade refere-se à facilidade com que um não pagador pode ser excluído do consumo do bem. Computadores seriam excluíveis, porque é bastante simples impedir que não pagadores os acessem. Mas algo como desviar um asteroide para não colidir com o nosso planeta seria considerado não excluível, porque é muito mais difícil restringir os benefícios apenas àqueles que pagaram por ele.

Com essas duas classificações em mente, os economistas criaram uma grade 2×2 que contém quatro categorias: bens privados, bens comuns, bens de clube e bens públicos. Um bem público, por definição, é um bem que é não rival e não excluível.


Alex Tabarrok esclarece em sua discussão sobre bens públicos:

"Um bem público, como dissemos, é um bem que não é excludente e não é rival. Um bem público não é definido como um bem produzido pelo governo ou pelo setor público. Afinal, se o governo começasse a produzir jeans, isso não tornaria o jeans um bem público. A entrega de correspondência é fornecida pelo governo, mas não é um bem público. A deflexão de asteroide é um bem público, mas na verdade muito pouco dele é fornecido pelo governo."

Se os bens públicos devem ser fornecidos pelo governo — e se sim, quanto — é um assunto de debate constante. Alguns economistas até contestam a utilidade e a solidez de toda essa abordagem de classificação. Mas todos os economistas concordam que a definição de um bem público não tem a ver com se um bem é ou não fornecido atualmente pelo governo.


*5) Capitalismo*


O capitalismo é mais um conceito seriamente mal compreendido por muitas pessoas. Especificamente, as pessoas frequentemente pensam que capitalismo significa apenas fazer o que é bom para grandes empresas. Quando o governo interfere no mercado para ajudar grandes corporações, as pessoas dizem que isso é capitalismo em ação.

Mas nada poderia estar mais longe da verdade. O capitalismo é um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção e a troca livre com o objetivo de obter lucros. Toda interferência governamental no mercado envolve coerção e, portanto, é um afastamento do capitalismo puro.

Os defensores do capitalismo acreditam que o governo não deve proteger as empresas da concorrência de forma alguma. Não deve subsidiá-las ou dar-lhes tarifas protecionistas ou resgatá-las. Não deve regular sua indústria. E não deve dar vantagens fiscais a algumas empresas ou setores em detrimento de outros. O verdadeiro capitalismo não é nepotismo ou corporatocracia, mas o oposto. É um sistema onde a concorrência é uma ameaça sempre presente às grandes empresas, onde as empresas podem falir e onde privilégios governamentais especiais estão ausentes.

“Precisamos separar ser ‘pró-livre empresa’ de ser ‘pró-negócios’”, disse Milton Friedman. “Os dois maiores inimigos do sistema de livre empresa, na minha opinião, foram, por um lado, meus colegas intelectuais e, por outro, os grandes empresários.”

Depois de discutir a visão de seus colegas intelectuais, ele elabora seu argumento sobre os grandes empresários:

"Você não pode colocar um empresário em um palanque... sem que ele diga generalidades sobre a desejabilidade de sistemas de livre iniciativa. Mas quando o assunto são os seus próprios negócios, isso é outra coisa... Quase todo empresário é a favor da livre iniciativa para todos os outros, mas privilégio especial e proteção governamental especial para si mesmo. Como resultado, eles têm sido uma grande força em minar o sistema de livre iniciativa... Pare de se enganar pensando que você pode usar a comunidade empresarial como uma forma de promover a livre iniciativa. Infelizmente, a maioria deles não são nossos amigos nesse aspecto."

Frequentemente, a regulamentação governamental é desejável para grandes empresas específicas, mas é ruim tanto para as empresas quanto para os consumidores em geral e é antitética ao capitalismo genuíno. Quando o governo protege, subsidia ou socorre grandes corporações, isso é um afastamento do capitalismo, não um exemplo de como o capitalismo opera.


*Indo além das más ideias*

A razão pela qual falácias econômicas como essas persistem é por causa de um problema de escassez: uma escassez de conhecimento econômico. Como sociedade, não tomamos tempo para entender os conceitos econômicos que debatemos. Não fizemos nossa lição de casa, e o resultado é que repetimos repetidamente os mesmos pontos de discussão e ideias ruins.

Mas nem toda esperança está perdida. Ao nos comprometermos a melhorar nossa compreensão econômica, podemos nivelar nossos diálogos econômicos e ter debates mais informados. Podemos levar a conversa além de desmascarar falácias comuns e em direção a uma troca genuína de ideias.

A única questão é: estamos dispostos a fazer a nossa parte?


Patrick Carroll é o editor da Foundation for Economic Education

Milei conquistando adesões

 Após quase um ano no cargo, Javier Milei começa, enfim, a ganhar confiança dos CEOs

Executivos têm vislumbre de otimismo com mudanças como redução de limites à importação. Mas sentimento ainda não se converteu em novos projetos

A decisão de Milei de desvalorizar o peso após assumir o cargo em dezembro passado e as medidas de austeridade levaram a economia à recessão.As empresas ficaram com saldos de caixa reduzidos e demanda enfraquecida.

Mas os executivos gostam da forma como o presidente está eliminando medidas protecionistas e reduzindo a burocracia – e começam a ver um caminho para lucros em um mercado que há muito tempo se mostrava frustrante.

Para Alexander Seitz, da Volkswagen, o ponto de virada foi quando Milei facilitou os controles de importação, reduzindo o período de financiamento de 180 para 30 dias. Isso facilita o pagamento previsível aos fornecedores, sem se preocupar com oscilações cambiais.

— As medidas do governo agora estão indo na direção certa —disse Seitz na semana passada em uma entrevista em São Paulo. — Eu me concentro muito mais no meu negócio e posso realmente trabalhar em questões operacionais, e não em questões financeiras complexas.


O otimismo cauteloso de Seitz e outros executivos, de setores como finanças e commodities, tem, no entanto, demorado para se traduzir em novos investimentos.

Muitas empresas se decepcionaram com a anterior guinada da Argentina para políticas pró-mercado, que terminou em 2019, quando o partido peronista derrotou o presidente Mauricio Macri e voltou ao poder. Os investidores dizem que querem ver a remoção completa dos controles cambiais antes de estarem dispostos a se comprometer.

Mas um sentimento crescente está tomando forma de que desta vez é diferente. O Nubank, que em maio se tornou a instituição financeira mais valiosa da América Latina, está reavaliando as perspectivas para a Argentina depois de descartá-la anos atrás. O Mercado Livre, que tem sede no país, tem observado um aumento nas vendas. A atividade de emissão de títulos corporativos também subiu, já que os emissores veem uma onda de demanda.

— É impossível ignorar o que ele está fazendo — disse o CEO do Nubank, David Vélez, sobre os esforços de reviravolta de Milei em uma entrevista durante o Bloomberg New Economy no B20, em São Paulo, na semana passada. —Acho que a velocidade com que a situação na Argentina tem mudado impressionou absolutamente todo mundo.

Mesmo com a economia mergulhada em recessão, as empresas estão otimistas de que uma recuperação inicial não seja mais uma das muitas falsas esperanças da Argentina.

Andre Chaves, chefe da unidade de pagamentos Mercado Pago no Brasil, que pertence ao Mercado Livre, disse que o aumento de vendas do grupo no país está incentivando a empresa a aumentar as atividades de concessão de crédito.

— Agora que as coisas estão melhorando, estamos acelerando novamente muito rápido na Argentina — disse Chaves. — O ambiente de crédito melhorou significativamente e, com um pouco mais de previsibilidade (taxas de inflação e de juros) estamos mais confortáveis em estender mais empréstimos também.

Pobreza ainda atinge metade dos argentinos.

Os executivos ainda têm uma perspectiva econômica moderada para o próximo ano, já que o país emerge de uma de suas piores crises, com mais da metade dos argentinos vivendo na pobreza.

A Argentina ocupa a posição 126 de 190 nações em facilidade de fazer negócios, logo à frente do Irã, de acordo com o Banco Mundial. O investimento estrangeiro continua baixo, e o setor privado cortou empregos formais com carteira assinada por 11 meses consecutivos até julho, segundo dados do governo.

— Não haverá uma explosão milagrosa de crescimento no próximo ano — afirmou Fabian Kon, CEO do Grupo Financiero Galicia, principal banco privado da Argentina, em uma entrevista concedida em 18 de outubro, durante a conferência empresarial Coloquio IDEA, em Mar del Plata. — Mas o importante não é que o país cresça tanto neste primeiro ano, mas que o faça de forma sustentável nos próximos cinco anos.

Polarização política na Argentina: tanto manifestações contra, quanto a favor do governo Milei crescem no país

Apesar das manifestações contra o governo se multiplicarem na Argentina, pesquisa divulgada em maio mostrava que a popularidade de Milei continua em alta, entre 47% e 51% tem uma visão positiva do presidente.

Isso criou um dilema do tipo "o ovo ou a galinha", no qual o governo chama as empresas para contratar e investir, enquanto os executivos pedem que o governo acelere a remoção dos controles de capital. Mas isso é algo que Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, ainda não estão dispostos a fazer, mesmo enquanto tentam delinear um cronograma mais firme antes das eleições de meio de mandato no próximo ano.

Alguns executivos se resignaram à incerteza do plano de Caputo para desmantelar a estrutura dos controles cambiais e de capital da Argentina. Para investir, eles querem ver Milei cumprir sua promessa de remover as restrições enquanto mantém a inflação e o peso sob controle.

— Para aqueles do setor empresarial, cabe a nós sermos pacientes — disse Gabriela Renaudo, que supervisiona as operações da Visa Inc. na Argentina, na conferência de Mar del Plata.

Não se trata apenas de movimentar dinheiro para dentro e fora da Argentina. As empresas também ainda enfrentam dificuldades de recrutamento e retenção que começaram durante o governo anterior. Empresas de tecnologia como a Oracle, que conta com quase 480 funcionários na Argentina, estão ajustando os salários dos trabalhadores em pesos para acompanhar a inflação, enquanto concorrentes no exterior disputam o mesmo grupo de talentos com ofertas de emprego em dólares.

Muitas empresas ainda não investiram em novos projetos após Milei ter aprovado reformas favoráveis aos negócios que oferecem incentivos fiscais para projetos acima de US$ 200 milhões em determinados setores. A maioria dos executivos prevê uma recuperação difícil pela frente.

— Será uma maratona, não uma corrida de 100 metros — disse Gustavo Salinas, CEO da Toyota Motor na Argentina, em uma entrevista. — Eu gostaria de correr os 100 metros e poder vencer, mas é preciso correr devagar e com segurança para chegar aos 42 quilômetros.



https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/10/29/apos-quase-um-ano-no-cargo-javier-milei-comeca-enfim-a-ganhar-confianca-dos-ceos.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo

BDM Matinal Riscala 3010

 *Rosa Riscala: Big techs sustentam NY à espera do payroll e da eleição*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Alphabet brilhou no after hours em NY, com alta de quase 6%. Já AMD levou um tombo próximo de 8%. Na semana das big techs, que animam recordes do Nasdaq, hoje é a vez de Meta e Microsoft, após o fechamento. Na agenda dos indicadores, sai mais um dado do emprego (pesquisa ADP) e o PIB/3Tri nos EUA, na zona do euro e em vários países da Europa. Aqui, o IGP-M deve acelerar sobre o mês de setembro e o Caged recuar ligeiramente na criação de postos de trabalho. No calendário de balanços, sai WEG, antes da abertura. Lula fala às 11h, em cerimônia sobre a Nova Indústria Brasil, enquanto o mercado aguarda com impaciência as medidas de contenção de gastos, que já estão sendo negociadas com o presidente, mas seguem guardadas a sete chaves.


… Ontem à noite, reuniram-se com Lula no Alvorada os principais nomes da equipe econômica: Haddad, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, e o futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo.


… Participaram ainda do encontro o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, como apurou o Broadcast, mas nada vazou sobre a pauta, que, provavelmente, discutiu as propostas de cortes de despesas.


… Mais cedo, nesta 3ªF, Haddad confirmou que as conversas sobre esse pacote avançaram e que teria diversas reuniões com Lula durante esta semana, reforçando que “não há veto do presidente” às propostas dessa agenda.


… O ministro evitou, no entanto, dar uma data para anunciar as medidas. “Não tem uma data, ele [Lula] quem vai definir.”


… Haddad disse que o presidente está pedindo informações “e nós estamos fornecendo as informações que ele está pedindo”.


… Questionado sobre a estimativa de corte de despesas em torno de R$ 30 bilhões a R$ 50 bilhões, o ministro disse que não sabe de onde saiu esse número. “Eu nunca divulguei o número. Não divulgo números. Eles só saem depois da decisão tomada.”


… O mercado já diz que, se vier alguma coisa abaixo de R$ 30 bilhões, o pacote vai decepcionar.


… “O mercado quer apostar em medidas mais estruturais, como cortes no BPC, mas a verdade é que não se sabe de onde virão os cortes. A falta de elementos concretos traz uma certa angústia”, disse a economista-chefe da Capital Markets, Carla Argenta.


… Haddad estaria tomando todos os cuidados para manter as medidas em sigilo, de forma a blindar as críticas (ou o fogo amigo) que possam desidratar o conjunto das propostas. Esse é o grande receio dos investidores.


… Na Folha, a Junta de Execução Orçamentária (JEO) deve se reunir ainda nesta semana para discutir as medidas.


… O ministro Rui Costa (Casa Civil), que integra a JEO juntamente com Fernando Haddad, Simone Tebet e Esther Dweck (Gestão), chegou a marcar um encontro para esta 4ªF à tarde, mas não há confirmação oficial dessa reunião.


… Da agenda do ministro da Fazenda, consta uma reunião de Haddad com Mercadante, às 14h.


… Enquanto os cortes não vêm, o dólar escala e, nesta 3ªF, fechou em R$ 5,7616 no mercado à vista, tendo como pano de fundo um cenário externo cheio de incertezas, sobretudo nos EUA, diante da eleição presidencial indefinida.


… A expectativa de que Trump venha a sair vitorioso na próxima semana contrata efeitos para o ritmo de redução de juros, frente à possibilidade de mais déficit e inflação, o que resultaria em uma ação mais conservadora do Fed.


… A disputa acirrada tende a prolongar o resultado das apurações e tudo indica que o Fomc se reunirá no dia seguinte da eleição, na 4ªF, dia 6, ainda no escuro, assim como todo o mercado americano e o resto do mundo.


REFORMA TRIBUTÁRIA – Mais de dois meses e meio depois da aprovação pela Câmara do texto-base do segundo projeto de regulamentação, os destaques devem ser finalmente votados hoje pelos deputados.


… Arthur Lira vinha segurando a votação, como forma de protesto pela falta de pressa do Senado, que indicava que não estava disposto a apreciar em plenário ainda este ano a primeira etapa da regulamentação da reforma.


… Nesta 3ªF, porém, o Senado divulgou um calendário com a previsão de aprovar o texto em dezembro, o que permitiu destravar a análise da segunda etapa da regulamentação pela Câmara, que cria o comitê-gestor do IBS.


… Em mudanças acertadas com os líderes partidários, o relator da segunda etapa de regulamentação, deputado Mauro Benevides (PDT-CE), fará algumas mudanças no texto já votado pela Câmara em agosto:


… Desistirá da taxação sobre os planos de previdência VGBL e sobre a distribuição desproporcional de lucros, e permitirá transferência de crédito de ICMS/IBS entre empresas do mesmo grupo econômico.


… Duas emendas ainda serão decididas no voto: criação do imposto sobre grandes fortunas e a avaliação a cada cinco anos sobre produtos e serviços com taxação reduzida, para que se debata a eficiência do gasto tributário.


… No Senado, Pacheco citou, que a intenção é de que o relatório da regulamentação da reforma tributária seja lido no dia 27 de novembro e a votação fique para 4 de dezembro na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.


… O relator do projeto, senador Eduardo Braga (MDB-AM), disse que o cronograma apresentado pelo presidente do Senado para votação da proposta é “ousado” e que “nós estamos correndo atrás para conseguir cumprir.”


MAIS AGENDA – A mediana do mercado indica que o IGP-M (8h) deve acelerar a 1,51% em outubro, depois de uma alta de 0,62% em setembro. As projeções em pesquisa do Broadcast variam de 0,58% a 1,85%.


… Para o Caged (14h30), a expectativa aponta para a criação líquida de 225.080 vagas com carteira assinada em setembro, diminuindo levemente o ritmo na comparação com agosto (saldo positivo de 232.513 vagas).


… As estimativas para esta leitura variam de 200 mil a 255 mil vagas formais criadas.


… Apesar da desaceleração esperada para o dado na margem, o ritmo de criação de vagas no Caged ainda aponta para um mercado de trabalho forte, sem sinais de tendência de desaceleração da mão de obra.


… Às 14h30, Campos Neto faz palestra em evento da ANFIDC, em SP, mas não falará de política monetária, porque o Copom já está em período de silêncio. Em Brasília, Lula recebe Magda Chambriard (Petrobras), às 16h.


LÁ FORA – O PIB dos EUA (9h30) deve continuar rodando em uma base sólida, com previsão de crescimento de 3,0% na leitura anualizada do 3Tri. Se confirmado o resultado representará estabilidade em comparação ao 2Tri.


… Às vésperas do Fed, o indicador forte pode endossar a expectativa de corte menor (25pb) do juro semana que vem. Mas ainda falta o payroll. Hoje, vale conferir o relatório ADP (9h15) de empregos no setor privado.


… A expectativa é de que 108 mil vagas tenham sido criadas em outubro, abaixo de setembro (143 mil).


… Ainda nos EUA, as vendas pendentes de imóveis em setembro (11h) têm previsão de +3,2% e os estoques de petróleo do DoE (11h30) devem registrar alta de 1 milhão de barris. Na zona do euro, o PIB/3Tri sai às 7h.


AFTER HOURS – A Alphabet mostrou ontem que os gastos com IA estão dando frutos, com resultado acima do esperado no negócio de computação em nuvem e aumento no uso de seu principal mecanismo de busca, o Google.


… Lucro (US$ 26,3 bilhões) e receita (US$ 88,3 bilhões) acima do esperado no 3Tri fizeram a ação disparar 5,79% no after hours de NY.


… O lucro por ação foi de US$ 2,12, acima do US$ 1,84 esperado, e superior ao US$ 1,55 de um ano atrás.


… Na direção contrária, a ação da AMD despencou 7,63%. A fabricante de chips teve receita acima da expectativa no 3Tri (US$ 6,8 bilhões) e aumento de 158% no lucro, a US$ 771 milhões, sobre o 3Tri23.


… Mas a projeção de receita para o 4Tri ficou em US$ 7,5 bilhões, abaixo das previsões.


… Por fim, a Visa subiu 1,79%, com lucro por ação de US$ 2,65, acima dos US$ 2,58 esperados. A companhia elevou o dividendo trimestral em 13%, para US$ 0,59 por ação.


CHINA – Hoje à noite (22h30), saem os dados oficiais do PMI industrial e de serviços em outubro.


… Em evento ontem, o presidente chinês, Xi Jinping, pediu união de forças para que o pacote de reformas lançado pelo governo de Pequim em julho para impulsionar a economia avance de forma firme e sustentada.


… Ainda no noticiário sobre a China, a UE informou que adotará medidas protecionistas e taxará os veículos elétricos chineses em até 35,3% para proteger os produtores do bloco. De seu lado, a Tesla será taxada em 7,8%.


CHÁ DE CADEIRA – Irritado por estar esperando sentado pelas novidades do pacote de corte de gastos, o dólar rompeu o teto dos R$ 5,70, que vinha sendo respeitado há mais de uma semana, e escalou para perto de R$ 5,80.


 … Há mais de dois anos e meio, desde março de 2021, a moeda americana não ficava tão cara. Em alta firme de  0,92%, fechou valendo R$ 5,7616, com o real amargando o pior desempenho entre as moedas emergentes.


… Faltando uma semana para o Copom, o câmbio no nível em que está agora entra como fator de preocupação inflacionária, já que, como se diz, a população “come dólar”, com o preço batendo diretamente nos alimentos.


… A pressão no câmbio zerou ontem a queda na curva do DI, que voltou a embutir prêmio de risco, no clima de suspense pelo grau de disposição que o governo deve assumir para frear as despesas e estabilizar a dívida pública.


… “Não dá para ficar muito vendido em dólar e juro futuro enquanto o pacote não sair. O governo está com a carta na manga para sancionar ou não no mercado uma queda do DI”, avalia o economista Eduardo Velho (Equador).


… Para o azar dos negócios domésticos, o desconforto com a indefinição fiscal coincide com a agenda pesada nos EUA (payroll e eleições à vista), que tem efeitos diretos aqui e tem deixado o investidor ainda mais à flor da pele.


… Às vésperas do resultado da corrida à Casa Branca, a fuga de capital dos emergentes alcança o seu pico em mais de dois anos, segundo a consultoria Capital Economics, como reflexo do dólar forte e alta dos juros dos Treasuries.


… Em meio à sensibilidade do mercado, o DI para jan/26 marcou 12,740% (de 12,690% na véspera); Jan/27 subiu a 12,910% (de 12,820%); Jan/29, a 12,945% (de 12,840%); Jan/31, a 12,880% (12,800%); e Jan/33, 12,810% (12,720%).


… Campos Neto aproveitou ontem o último dia antes do período de silêncio do Copom para reforçar o recado de que uma queda dos juros depende de um “choque fiscal positivo”, durante evento promovido pelo Lide em Londres.


… Para ele, o patamar da dívida bruta do Brasil é o mais alto entre os países emergentes e o País tem também um dos maiores níveis de juro real, por diferentes métricas. RCN também não escondeu a cautela com a inflação.


… Disse que os preços pararam de convergir no curto prazo e que as expectativas à frente estão desancoradas. Os comentários vieram um dia depois de o Focus apontar que a mediana do IPCA/24 (4,55%) estourou o teto da meta.


…O presidente do BC apontou também que o PIB se mantém aquecido e o mercado de trabalho segue apertado.


… Em meio à precificação dos riscos fiscais, as taxas de NTN-B bateram recorde ontem pelo sétimo leilão seguido. “Será que já é IPCA +7,00% ao ano na Austrália?”, brincou o professor Alexandre Cabral nas redes sociais.


DEMORÔ – Simultaneamente à piora do câmbio e DI com a agenda de corte de gastos que não tem data certa para sair, o Ibovespa perdeu os 131 mil pontos no início da tarde e fechou em queda moderada de 0,37% (130.729,93).


… Outro pivô de baixa para a bolsa foi o Santander. Na estreia da temporada de balanços do setor financeiro, o banco liderou o ranking negativo do Ibovespa, derreteu 5,13%, a R$ 27,39, e contaminou todo o segmento.


… Bradesco, que divulga resultado amanhã, perdeu 1,35% (ON), a R$ 13,15, e 1,45% (PN), a R$ 14,98. Itaú (-1,06%; R$ 35,35) e Banco do Brasil (-0,57%; R$ 26,17) completaram a lista negativa entre as blue chips financeiras.


… Também a virada da Vale para o negativo (-0,35%; R$ 62,66) na segunda metade do pregão tirou fôlego da bolsa.


… Pela manhã, a mineradora operou embalada pelo minério (+0,77%) e relatos de que a China pretende emitir US$ 1,4 tri em dívida nos próximos anos para impulsionar a economia e que pode ampliar este pacote se Trump vencer.


… Um novo estresse dos juros futuros levou boa parte dos ativos sensíveis ao ciclo da economia para o negativo. Foi o caso de Azul (-4,58%, a R$ 5,83), CVC (-3,27%, R$ 2,07), GPA (-3,18%, R$ 3,04) e Hapvida (-2,96%, R$ 3,60).


… Magazine Luiza perdeu 2,53% (R$ 9,23) e Casas Bahia encerrou na mínima de R$ 4,08, com queda de 4,67%.


… Petrobras ON registrou -0,25% (R$ 39,22) e Petrobras PN, -0,22% (R$ 36,01), depois de a petrolífera apresentar queda da produção no 3Tri ante mesmo período de 2023. O Brent /jan não ajudou. Caiu 0,38%, a US$ 70,73/barril.


… Em relatório divulgado ontem, o Goldman Sachs estimou que a petroleira pode anunciar uma distribuição de US$ 4 bilhões em dividendos extraordinários no 4Tri, o que implicaria um rendimento implícito de 4,4%.


… É o ponto médio entre o cenário mais conservador, de uma distribuição adicional de US$ 2 bilhões, e o mais otimista, de até US$ 6 bilhões.


… O cenário mais conservador pressupõe que a administração mantenha uma posição de caixa estável em torno de US$ 13 bilhões.


… Minerva (+3,02%; R$ 5,79) e Marfrig (+2,98%; R$ 15,20) lideraram as altas, ainda apoiadas pela conclusão da compra dos ativos da Marfrig pela Minerva na América do Sul. Embraer subiu 2,41%, a R$ 50,12.


APOSTANDO ALTO – O Nasdaq bateu recorde de fechamento antes mesmo dos balanços das big techs saírem, o que mostra a disposição dos investidores de confiar nas apostas de bons números à frente.


… Essa aposta se pagou em parte logo depois do fechamento, com o balanço da Alphabet agradando tanto, que a ação da empresa disparou quase 6% no after hours de NY. Antes dos números, tinha subido 1,66%.


… Agora, faltam as outras seis magníficas, além de outros pesos-pesados do setor. Ontem, tirando Tesla (-1,14%), seis das ações do grupo magnífico subiram, levando o Nasdaq a 18.712,75 pontos (+0,78%).


… O setor ajudou o S&P 500 a ficar no azul, com +0,16% (5.832,92). O Dow Jones foi na contramão e caiu 0,36%, a 42.233,05. McDonald’s (-0,60%) divulgou números pela manhã, com vendas em mesmas lojas abaixo do esperado.


… Com o mercado focado no resultado das empresas, o relatório Jolts mostrando um número de vagas de trabalho abertas em setembro (7,44 milhões) abaixo do esperado (7,95 milhões) nos EUA ficou em segundo plano.


… Para o ING, o Jolts sinaliza risco de alta para a taxa de desemprego nos próximos meses, o que pode levar o Fed a cortar o juro mais rapidamente.


… O Santander avalia que a volatilidade recente no relatório mostra acomodação no mercado de trabalho dos EUA.


… Seja como for, o consumidor americano não aparenta desânimo. O índice de confiança medido pela Conference Board saltou de 99,2 em setembro para 108,7 em outubro, bem acima da previsão de 99,3.


… Foi o maior ganho mensal desde março de 2021. A alta do índice foi puxada pelo subindicador que mede a avaliação dos americanos sobre o mercado de trabalho e que deu um salto de 14,2 pontos.


… Enquanto isso, uma trégua no “Trump trade”, em especial depois do Jolts, permitiu leve baixa nas taxas dos Treasuries, que também reagiram a um leilão de notes de 7 anos com demanda bem acima da média recente.


… No fim da tarde em NY, o retorno da note de 2 anos recuava a 4,110% (de 4,144% no fechamento anterior) e o da note de 10 anos cedia a 4,264% (de 4,281%). O do T-bond de 30 anos caía a 4,508% (de 4,529%).


… No câmbio, o destaque foi a libra, que subiu 0,22%, a US$ 1,3006, na véspera da divulgação do primeiro orçamento do recém-eleito governo do primeiro-ministro, Keir Starmer.


… Rachel Reeves, ministra das Finanças do país, já sinalizou novas altas de impostos, o que tranquiliza os mercados sobre o compromisso fiscal do atual governo.


… O dólar ficou estável, com o DXY em 104,305 pontos (-0,01%). O euro (US$ 1,0817) não se mexeu e o iene ficou praticamente no zero a zero (-0,09%), a 153,387/US$.


… A Reuters apurou que o BoJ deve evitar alterar sua política monetária ultraflexível hoje à noite. Com a composição do futuro governo do Japão ainda em transição, a incerteza política pode forçar o BoJ a adiar o aumento.


EM TEMPO… Fitch elevou perspectiva dos Ratings de Inadimplência do Emissor (IDRs) da VALE de estável para positiva, após assinatura do acordo de Mariana. A agência reiterou os ratings dos IDRs em ‘BBB’ e ‘AAA(bra)’.


PETROBRAS. Técnicos do Ibama rejeitam novamente licença da empresa para a Foz do Amazonas, mas presidente do órgão, Rodrigo Agostinho, disse que pedido não será arquivado, segundo apurou Folha.


MULTIPLAN. Squadra Investimentos passou a deter 5,01% do total das ações ON da companhia, o equivalente a 28.948.183 de papéis do tipo.


EQUATORIAL. Volume de energia injetada aumentou 5,2% no 3TRI em relação ao mesmo período de 2023, para 17.777 GWh, segundo prévia operacional.


KLABIN aprovou nova política para dividendos, JCP e endividamento. Pela nova regra, os acionistas terão direito a receber, como dividendo obrigatório, 25% do lucro líquido ao fim de cada exercício…


… O conselho de administração ainda definiu que a dívida líquida é resultado da dívida financeira consolidada da empresa, descontada da posição de caixa e equivalentes de caixa.


SLC AGRÍCOLA fará oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) de até R$ 400 milhões.


XAI. A empresa de inteligência artificial de Elon Musk está em negociações com investidores para uma rodada de financiamento que a avaliaria em cerca de US$ 40 bilhões, de acordo com a Dow Jones…


… A startup foi avaliada em US$ 24 bilhões há apenas alguns meses, quando levantou US$ 6 bi.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...